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Num jogo que foi uma guerra táctica entre duas equipas que na maior parte do tempo se conseguiram anular entre si, o Benfica saiu do Dragão com um empate a zero que mantém as nossas aspirações perfeitamente intactas.

 

 

Não mudou nada o Benfica do jogo contra o Setúbal para o jogo contra o Porto. O que é sempre uma boa indicação. Entrámos no jogo praticamente a criar uma boa ocasião de golo, pelo Jonas no seguimento de um canto, o que foi mais uma boa indicação e terá certamente dado confiança à equipa. Mas depressa se percebeu que as duas equipas, a jogar em esquemas tácticos semelhantes, encaixaram perfeitamente uma na outra, e daí resultou um jogo extremamente disputado na zona do meio campo. Nenhuma das equipas conseguia manter a posse da bola por períodos prolongados, e as jogadas eram depressa interrompidas ou por perdas de bola, ou por faltas. Não havia tempo ou espaço para pensar ou jogar muito, nem para explorar contra-ataques - o Porto é uma equipa bastante agressiva na fase de recuperação da bola, e o Benfica hoje, com o meio campo mais povoado e a equipa a jogar de forma solidária e a ocupar bem os espaços, conseguiu bater-se nesse aspecto praticamente de igual para igual. Obviamente que isto significou um jogo quase sempre disputado longe das balizas e com poucas ocasiões de perigo - o primeiro remate do Porto, por exemplo, surgiu aos vinte e cinco minutos de jogo (e foi completamente disparatado). O cenário apontava claramente para um nulo no marcador, e parecia que apenas algum lance fortuito poderia fazê-lo mudar, pelo que o resultado em branco ao intervalo era perfeitamente ajustado.

 

As equipas vieram para a segunda parte a jogar praticamente como tinham acabado a primeira, mas o nulo era um resultado que obviamente interessaria menos ao Porto. Por isso foi com alguma naturalidade que à medida que os minutos foram decorrendo, e sobretudo a partir do meio desta segunda parte, o Porto se tenha adiantado mais no terreno e o jogo passou a ser disputado mais no nosso meio campo. O nosso treinador terá reparado nisso e refrescou o centro, com a troca do Pizzi pelo Samaris e a consequente inversão do triângulo teórico que era desenhado no nosso meio campo. Mas na minha opinião, apesar do Porto ter passado a rondar mais as zonas próximas da nossa área, não eram muitas as ocasiões de grande perigo, pelo que me senti quase sempre tranquilo - a situação de maior perigo surgiu no seguimento de um pontapé de canto, em que a bola foi cortada para a entrada da área e o Felipe rematou de primeira ao lado. Apenas me incomodava o progressivo desaparecer do Benfica no ataque, onde o Jonas e o Salvio praticamente deixaram de existir. A parte pior de suportar foi mesmo quando, no espaço de dois minutos, o Zivkovic viu dois amarelos e acabou expulso, poucos minutos depois de ter entrado para o lugar do Cervi. Não vou questionar a justeza dos dois amarelos, mas depois de ter visto o Felipe ceifar por trás o Jonas pela raiz e ser simplesmente avisado, lamento a diferença no critério disciplinar aplicado. O que é certo é que ainda faltavam oito minutos para o final (mais os descontos) e o Porto, que já estava por cima no jogo, certamente quereria tirar partido da superioridade numérica. Até foi o Benfica quem, imediatamente a seguir, teve um ocasião flagrante para marcar, quando um ressalto de bola deixou o Krovinovic isolado na área, descaído sobre a esquerda. Mas o José Sá fez bem a mancha. Na resposta, o Marega acertou com a canela na bola quando estava em posição privilegiada e acabou por fazer um passe para o Varela. A pressão do Porto intensificou-se, e mesmo a acabar o jogo o mesmo Marega teve a ocasião mais flagrante de todo o jogo: completamente solto sobre a linha da pequena área e com a bola a vir redondinha para a sua cabeça (nem foi preciso saltar) enviou-a por cima da baliza. E assim acabou o jogo.

 

Não foi um jogo de grandes destaques individuais, mas sim de muito trabalho e entreajuda. De qualquer forma deixou uma menção para o Varela, que se mostrou sempre bastante seguro. Conforme disse no jogo anterior, ele não parece mostrar qualquer sequela da perda da titularidade após o erro contra o Boavista, e mostra-se disposto a aproveitar esta nova oportunidade para a voltar a agarrar.

 

Após a visita ao Porto, o empate deixa-nos a três pontos do topo da tabela, o que equivale a dizer que dependemos apenas de nós para lá chegar. É uma forma de dizer que continuamos bem vivos na luta pelo objectivo que perseguimos. Nada mau para uma equipa que foi dada como morta, e a quem anunciavam o enterro precisamente para este jogo. Tal como na época passada aquela cabeçada do Lisandro no último minuto no jogo do Dragão, que garantiu o empate, significou uma arrancada quase imparável para o tetra, espero que este resultado possa significar o mesmo esta época. Parece-me que no final do jogo ficou bem visível qual das equipas ficou mais afectada pelo empate.

 

P.S:- Perto do final do jogo, um adepto da casa invadiu o campo e foi agredir o Pizzi, na zona do nosso banco. Imagino que isto não tenha consequências algumas. Não só não deverá acontecer nada em termos disciplinares, como até suspeito que uma boa parte da nossa querida comunicação social vai fazer os possíveis e os impossíveis para passar uma esponja sobre o assunto, fingindo que nada aconteceu (ou então o Cervi vai acabar castigado por o ter agarrado).

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por D`Arcy às 11:56 | link do post | comentar