VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Normalidade

Regresso às vitórias, que desejamos que seja também o regresso à normalidade. Não foi uma exibição perfeita, longe disso, mas creio que não terá deixado dúvidas sobre se os jogadores estão ou não com o treinador, ou sobre a vontade que têm de dar a volta por cima a este ciclo negativo.

 

 

Conti no lugar do Jardel, o regresso do Pizzi por troca com o Gedson e do Rafa para render o lesionado Salvio foram as mudanças no onze em relação ao jogo com o Ajax. Era impossível ter começado pior o jogo. O Tondela entrou de forma bastante agressiva e nem sequer o primeiro minuto tinha terminado e já o Conti desviava para a própria baliza um cruzamento, colocando-nos em desvantagem no marcador. Vindos de quatro jogos sem vencer, iniciar um jogo assim seria um potencial mote para uma noite desastrosa, ainda por cima porque o relvado ensopado poderia ser um obstáculo adicional. Mas a equipa não pareceu acusar muito o golpe e demorou apenas oito minutos a empatar o jogo. Centro largo do André Almeida e grande cabeceamento do Jonas, a enviar a bola cruzada para entrar junto ao poste mais distante. O golo fez bem ao Benfica, que assumiu as despesas do jogo e foi à procura de mais. Mas o Tondela nunca foi uma equipa conformada e tentou sempre responder, o que resultou num jogo aberto e com boas oportunidades a surgir para as duas equipas, ainda que com sinal mais para o nosso lado. Exemplos flagrantes disso, uma iniciativa do Rafa pela direita que terminou com a bola a embater no poste, e um corte do Conti mesmo em cima da linha de golo que evitou um golo do Tondela que já parecia certo. Embora o Benfica tenha sido melhor, ainda assim o empate ao intervalo aceitava-se como um resultado justo para aquilo que se tinha visto no terreno de jogo.

 

 

Entrámos bem na segunda parte, mais em cima do Tondela e a pressionar à procura do segundo golo. O Pizzi esteve muito perto de o conseguir logo nos minutos iniciais, mas o seu remate a passe do André Almeida saiu rente ao poste. Pouco depois tudo ficou mais fácil para o Benfica quando o lateral direito do Tondela viu dois amarelos no espaço de três minutos e foi expulso. A partir daí o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, ainda que o Tondela continuasse sempre a espreitar o contra-ataque e a dar mostras que poderia a qualquer momento, mesmo reduzido a dez, fazer estragos. O Benfica reagiu rapidamente à expulsão alterando o esquema táctico para 4-4-2 com a entrada do Seferovic para o lugar do Cervi. E dez minutos após a expulsão o Benfica colocou-se então em vantagem, numa das melhores jogadas que fez em todo o jogo. Triangulação entre o Pizzi, Jonas e André Almeida, com o passe depois a sair para o Seferovic encostar à boca da baliza. Uma substituição que resultou em cheio. Mas conforme disse antes, o Tondela nunca foi uma equipa conformada e mesmo reduzidos a dez tiveram uma oportunidade flagrante para voltar a empatar o jogo. Numa saída rápida em contra-ataque colocaram um jogador completamente à vontade e isolado em frente ao Odysseas, mas para nossa sorte o toque a desviar a bola do nosso guarda-redes fê-la passar muito ligeiramente ao lado. Quase na resposta, e quando faltavam cerca de quinze minutos para o final, o Benfica chegou ao golo da tranquilidade. Um passe feito de forma pouco ortodoxa pelo Pizzi já em queda na zona frontal da baliza, deixou o Rafa sozinho à frente do guarda-redes para uma finalização simples. Foi preciso esperar uns segundos pela confirmação de que o Rafa estava de facto em posição legal (ele de repente apareceu tão à vontade que até pareceu estranho) mas foi mesmo tudo legal e pudemos então relaxar um pouco. E foi possível fazê-lo ainda mais nos minutos finais quando o Tondela ficou reduzido a nove, depois de uma entrada em carrinho por trás ter resultado num vermelho directo para o seu autor (Ícaro).

 

 

A presença do Jonas em forma no onze faz tudo e todos parecer e jogar melhor. A começar pelo André Almeida, que reencontrou o principal destinatário das suas assistências o ano passado e somou duas neste jogo, uma para cada um dos avançados. O Pizzi também se apresentou em muito melhor nível. Gostei também do Fejsa e o Rafa é provavelmente o nosso jogador em melhor forma neste momento. Mereceu o golo que marcou, e só foi pena que aquela sua iniciativa que esbarrou no poste não tenha acabado em golo.

 

Conforme disse no início, o melhor deste jogo foi ver nos jogadores vontade em dar a volta, e perceber que não vale a pena especular sobre algum distanciamento entre eles e o treinador, porque se assim fosse então teria sido bem mais complicado dar a volta a um jogo em que literalmente se entra a perder. Agora esperemos que esta vitória significa um regresso à normalidade de vencer, e que no final da época possamos olhar para este período como um mero soluço.

tags:
publicado por D`Arcy às 00:51
link do post | comentar | ver comentários (8)
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

Selado

Sinceramente, já não me sobra muita paciência para continuar a escrever muito sobre jogos de uma equipa que parece insistir em sabotar-se a si própria. Hoje essa sabotagem ditou um empate em casa com o Ajax, que praticamente deixa selado o nosso destino na Champions.

 

 

O Ajax veio jogar para o empate e obviamente que saiu de Lisboa com o empate. A primeira parte quase que meteu dó, com longos períodos em que os holandeses se limitavam a trocar a bola na sua zona defensiva, sem quaisquer intenções de avançar no terreno. As jogadas de ataque deles consistiam quase todas em bolas chutadas para a frente, e pouco mais. O Benfica, sem jogar grande coisa, sempre ia tentando chegar ao golo e acabou por se apanhar em vantagem à meia hora de jogo, depois de uma dupla prenda do guarda-redes adversário. Primeiro deixou-se pressionar pelo Jonas e acabou por ter que atirar a bola para fora nas imediações da área. Na sequência do lançamento lateral longo feito pelo Salvio, saiu disparatadamente da baliza e permitiu ao Jonas marcar. O Ajax fez o primeiro remate do jogo aos 38 minutos, na sequência de um livre ainda bem longe da baliza. E o segundo em tempo de descontos, em novo livre a uma boa distância (em ambos os livres esteve perto de marcar). Na segunda parte, o Benfica dedicou-se à sua tradicional gestão do resultado. Ou, como eu prefiro chamar a essa táctica, 'Fazer o adversário acreditar'. E o adversário acreditou mesmo, e acabou por chegar ao golo ao fim de quinze minutos num lance que é uma autêntica ode à imbecilidade. Foi tão simples quanto isto: um chuto da linha do meio campo para a frente. Foi esta a elaboradíssima jogada que o Ajax fez para chegar ao golo. Lá na frente estava um jogador do Ajax sozinho e entalado entre os dois centrais. Apesar dos centrais terem partido à frente, ninguém atacou a bola, o Odysseas saiu já demasiado tarde, e quase em cima da linha de fundo o jogador do Ajax fez um remate enrolado que conseguiu pôr a bola para lá da linha de golo. Depois, como habitualmente, foi preciso correr atrás do prejuízo e nos minutos finais, sempre muito mais com o coração do que com a cabeça e à base de muito pontapé para a frente, quase que chegámos à vitória. Na sequência de um pontapé de canto a bola sobrou para o Gabriel no interior da área, que completamente à vontade rematou para um defesa por instinto do guarda-redes.

 

O apuramento na Champions é uma espécie de miragem (passaria sempre por ganhar os dois últimos jogos) e com sorte pode ser que consigamos passar para a Liga Europa, o que seria um mal menor. Assumindo que não mantemos este nível exibicional até ao jogo com o AEK, senão até isso somos capazes de estragar. A nossa equipa parece andar emocionalmente descontrolada (basta ver a linguagem corporal dos jogadores) e pior do que isso, estamos sem fio de jogo nenhum. Dependemos sobretudo de iniciativas individuais (Rafa pela direita, Grimaldo pela esquerda) para fazer a bola chegar ao ataque e quando ela lá chega (isso viu-se neste jogo) muitas vezes ninguém tem coragem para assumir a finalização. Muita coisa tem que mudar na forma como estamos a jogar.

 

 

tags:
publicado por D`Arcy às 23:23
link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 3 de Novembro de 2018

Horrível

Uma exibição horrível e um resultado vergonhoso como consequência. Mas o mérito a quem é devido: o Moreirense fez uma excelente exibição esta noite na Luz (principalmente na primeira parte) e justificou completamente a vitória. Sem autocarros, sem anti-jogo, e a jogar bom futebol. Era ao Benfica quem cabia fazer muito mais e melhor.

 

 

Duas alterações na linha da frente para este jogo: João Félix e Jonas renderam Seferovic e Salvio. De resto, os mesmos que tinham defrontado o Belenenses. Foi precisamente esta dupla a dar o melhor início possível ao jogo, pois ainda não estavam decorridos dois minutos e já o João Félix assistia o Jonas para o primeiro golo da partida. Seria natural começar desde logo a pensar que uma vitória tranquila se seguiria, mas estávamos muito enganados. O Moreirense veio à Luz para jogar futebol, e de forma bastante eficaz e descomplexada. Linhas subidas, agressivos no ataque à bola e muito bem nas saídas da pressão, conseguindo em três quatro toques aquilo que o Benfica não conseguia em trinta: colocar três ou quatro jogadores na zona de finalização e libertar alguém para fazer o remate. E depois, uma tremenda eficácia, num enorme contraste com aquilo que temos andado a fazer. Nem três minutos durou a vantagem do Benfica, porque o Moreirense imitou-nos e chegou ao golo também no primeiro remate que fez. Uma subida do Grimaldo não foi devidamente compensada (o nosso meio campo, Fejsa incluído, esteve completamente desastrado) e o Moreirense aproveitou a cratera que se abriu do lado esquerdo para entrar e fazer o passe para a entrada da área, onde surgiu o Chiquinho (jogador que fez a pré-época connosco e acabou dispensado) a rematar para o golo. De notar também que nesta jogada o Moreirense saiu para o ataque e chegou à área com quatro jogadores para apenas três defesas nossos. Médios nossos, nem vê-los. O Benfica ainda respondeu com uma grande ocasião do Rafa, na qual o guarda-redes tirou a bola em cima da linha depois do Rafa lhe ter feito um chapéu, mas o Moreirense estava a jogar de uma forma que só deixava antever mais problemas para nós. O Chiquinho, apesar de ter marcado o golo, continuava a gozar das maiores liberdades para receber a bola à entrada da área. Acho que nunca tinha visto o Fejsa a jogar tão longe dos centrais e com tão poucas preocupações defensivas. O resultado disso foi um segundo golo quase tirado a a papel químico do primeiro, à passagem do quarto de hora. Nova subida do Grimaldo, perda de bola no ataque e nenhuma compensação a fechar aquele lado. Depois o Jardel foi facilmente ultrapassado e desta vez o centro saiu para a zona do segundo poste, onde o Pedro Nuno (outro ex-jogador nosso) encostou para o golo. 

 

 

Se as coisas já não pareciam bem, a partir deste momento fiquei com a nítida sensação de que os nossos jogadores estavam completamente perdidos em campo. Os assobios que se começaram logo a fazer ouvir também ajudaram à festa e imediatamente vimos toda a gente a tentar fazer sempre tudo demasiado depressa, e quase sempre mal. Mas ainda tivemos mais duas boas ocasiões para marcar: um cabeceamento do Jonas, que completamente à vontade na área atirou por cima, e uma situação em que o Rafa ultrapassou o guarda-redes e só com um defesa entre ele e a baliza conseguiu acertar no defesa. Mas quase toda a gente à minha volta na bancada percebia que a probabilidade do Moreirense voltar a marcar era grande, porque o Benfica simplesmente não conseguia travar as saídas deles para o contra-ataque. Era tudo feito de forma muito simples e eficaz, com os nossos jogadores quase a parecerem parados. Infelizmente tínhamos razão, e o desacerto ficou por demais evidente no lance do terceiro golo do Moreirense. Depois de uma bola comprida metida nas costas da nossa defesa, descoordenação entre o Odysseas e o Jardel, com o nosso guarda-redes a sair disparatadamente da área e a bola a ficar nos pés do Jardel. Depois o mesmo Jardel deixou-se pressionar e na ânsia de despachar a bola para não ceder um lançamento de linha lateral acabou por colocá-la nos pés de um adversário. Daí, a bola seguiu para a zona central, onde a uns bons vinte e cinco metros da baliza o Loum desferiu um remate colocadíssimo que levou a bola a entrar bem junto da base do poste (acho que ainda lhe bateu). Um golaço. Faltavam dez minutos para o intervalo e imediatamente o Benfica passou a jogar em 4-4-2, com o Félix a juntar-se ao Jonas no centro do ataque, o Rafa a ir para a esquerda e o Pizzi para a direita. Sem resultados práticos, diga-se. Seria necessário algo muito especial para que o Benfica conseguisse dar a volta a isto.

 

 

O Rui Vitória tentou mudar logo ao intervalo, retirando duas das piores unidades do campo - Pizzi e André Almeida - para colocar o Castillo e o Salvio como lateral direito. O João Félix regressou à esquerda e o Rafa foi para a ponta direita, num 4-4-2 clássico. Ao contrário da primeira parte, o Moreirense não se revelou tão atrevido a sair para o ataque e baixou as linhas, convidando o Benfica a atacar. Mas se os jogadores até mostraram vontade para inverter o rumo dos acontecimentos, faltou-lhes discernimento e até mesmo qualidade para o fazerem. Embora o Rafa e o Salvio até tivessem dado alguma velocidade ao lado direito, houve sempre demasiadas dificuldades em fazer a bola entrar na área, assistindo-se sempre àquele futebol rendilhado com demasiados passes pouco objectivos e que exaspera as bancadas, sobretudo quando o resultado não é de feição. Basta tentarmos lembrar-nos de quantas ocasiões de golo ou até mesmo remates na direcção da baliza conseguiu o Benfica fazer durante a segunda parte. Poucos, demasiado poucos para uma equipa que precisava de inverter um resultado negativo. E mesmo esses poucos, foram quase sempre fracos e na direcção do guarda-redes. A terceira alteração não mudou nada em termos tácticos, apenas fizemos entrar um extremo de raiz (Cervi) para o lugar do João Félix, que até trouxe alguma dinâmica à esquerda, mas o golo continuou a parecer sempre muito distante. Como se as coisas não estivessem já a correr mal, o Jardel fez-se expulsar (mais um central expulso). Na marcação de um livre perigoso contra o Moreirense, ele conseguiu dar uma cotovelada num adversário na barreira. Na marcação de um livre perigoso, estão a ver? Quando o árbitro está precisamente atento à formação da barreira e de olhos postos nos jogadores que lá estão. Com o árbitro de frente e a cinco metros, o nosso capitão de equipa dá uma cotovelada a um adversário. Simplesmente brilhante, e digno de qualquer um que envergue aquela braçadeira. A coisa acabou por não descambar para pior porque o Moreirense tinha o jogo na mão e por isso nem forçou à procura de mais golos, mas foi tipo a cereja no topo do bolo de uma noite pavorosa.

 

 

Não é possível destacar alguém pela positiva. Pela negativa sim, mesmo num jogo em que estivemos tão mal. Mas alguns estiveram ainda pior, e estranhamente estamos a falar de alguns dos jogadores mais experientes da equipa. Pizzi, André Almeida e Jardel estiveram um desastre absoluto. Não sei se conseguiram sequer fazer alguma contribuição positiva em todo o tempo que estiveram em campo. Uma palavra ainda para o Castillo: ou no futuro mostra muito mais do que aquilo que vi esta noite, ou então é um absoluto mistério o motivo pelo qual pagámos tanto por ele.

 

Se na derrota contra o Ajax ainda tínhamos mostrado qualidade de jogo, e contra o Belenenses ainda se podia dar algum desconto à inacreditável exibição do guarda-redes na primeira parte (a segunda parte já tinha sido muito má) neste jogo não consigo encontrar qualquer traço redentor. Foi tudo demasiado mau, vi uma equipa tacticamente perdida em campo e jogadores muitas vezes a parecerem desesperados. Perdemos em casa com o Moreirense e o que é mais grave é ter que admitir que perdemos muito bem, porque o adversário foi claramente a melhor equipa em campo. E realço isso mesmo: nós podemos ter melhores jogadores do que o Moreirense, mas eles foram a melhor equipa em campo. Sem discussão possível.

tags:
publicado por D`Arcy às 01:02
link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 28 de Outubro de 2018

Sem comentários

É como o título diz. Ontem não tive oportunidade para ver o jogo. Tencionava vê-lo depois em diferido, mas sabendo já o resultado nem sequer me vou incomodar a fazê-lo. 

 

É que perder com a SAD do Belenenses, que jogou numa casa emprestada e que nem tem adeptos, ainda por cima por dois golos é mau demais. Nem preciso de ver o jogo para imaginar que o único cenário possível é o Benfica ter feito um jogo inacreditavelmente mau, quase de certeza marcado pela péssima capacidade de finalização que a nossa equipa tem mostrado esta época. E confesso que a minha tendência para o pessimismo antes de quase todos os jogos já me fazia temer uma coisa destas. Simplesmente, o Benfica aproveitar o empate do Braga para vencer e se isolar no topo da tabela classificativa parecia-me ser demasiado bom para ser verdade. De alguma forma arranjaríamos maneira para estragar isto. E assim oferecemos um balão de oxigénio aos rivais, sobrecarregamos o negativismo que já tinha mostrado a sua cara depois da derrota em Amesterdão, e damos mais armas aos que se entretêm a atacar o Benfica. Uma semana em cheio, portanto.

tags:
publicado por D`Arcy às 13:26
link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

Cruel

No regresso a Amesterdão repetiu-se a sina da final da Liga Europa, e fomos derrotados com um golo mesmo ao cair do pano. É uma derrota cruel, sobretudo porque já era completamente inesperada naquela altura e porque o Benfica jogou e lutou para merecer outro resultado.

 

 

Com o Rúben Dias suspenso, coube ao Conti ocupar a sua vaga no centro da defesa, formando dupla com o regressado Jardel. A outra alteração foi o Gedson no meio campo, quando muitos apontavam o Gabriel à titularidade. Quanto ao jogo, acho que raramente vi jogos com tão poucos golos que me tivessem entretido tanto. Desde o primeiro minuto que vimos duas equipas a tentar marcar e ganhar este jogo. O Ajax com algum ascendente, ou não estivesse a jogar em casa, mas com o Benfica a conseguir sempre dar resposta e a manter os holandeses em sentido. Houve quase sempre espaço para atacar, um ritmo elevado e a bola a andar de uma área à outra. Que diferença para aqueles jogos a que estamos mais habituados, com uma equipa apenas interessada em destruir. O intervalo chegou com 0-0 mas podia estar facilmente 1-1 ou 2-2, porque as equipas contruíram ocasiões de perigo suficientes para isso. No Benfica eram os homens da frente, sobretudo Rafa e Seferovic, quem aproveitava o espaço e as muitas situações em que se apanhavam em um para um com os seus marcadores directos, já que cautelas defensivas houve sempre poucas, para se soltar e criar as jogadas mais perigosas. Pouco mudou na segunda parte e continuei com a sensação de que qualquer uma das equipas poderia marcar um golo que seria quase de certeza decisivo. Nenhum dos treinadores mostrou sequer vontade de alterar grande coisa, porque foram guardando as substituições para os minutos finais do jogo, e acabaram por nem sequer as gastar todas. E no último minuto do tempo de compensação, quando já nada o fazia prever, o Ajax chegou ao golo num remate de fora da área que fez a bola desviar no Grimaldo e trair o até então intransponível Odysseas. O lance começa numa falha do Conti (talvez a única no que até então estava a ser um jogo muito positivo) que não conseguiu um corte que parecia fácil, mas imediatamente antes houve um outro lance que me deixou muitas dúvidas na área do Ajax, já que me pareceu que o Cervi foi tocado em falta.

 

 

No geral achei que toda a equipa fez um bom jogo e não mereceu perder de uma forma tão cruel. Destaques maiores para o Odysseas, Rafa e Seferovic. O Conti também fez um jogo bastante bom e não merecia a mancha que foi o último lance do jogo.

 

Este resultado deixa-nos numa posição muito complicada no que diz respeito ao apuramento, pois deixámos de depender de nós próprios. Temos obrigatoriamente que vencer os dois jogos em casa e depois ver o que acontece nos outros jogos. Não tenho grandes críticas à forma como o Benfica se apresentou a jogar em Amesterdão. Acho que fizemos um bom jogo e procurámos ganhar. Fomos traídos por um lance de infortúnio, mas isso não altera a minha opinião sobre todo o jogo. Agora é fundamental não deixarmos que isto afecte a equipa, e que regressemos às vitórias já no próximo jogo.

tags:
publicado por D`Arcy às 23:25
link do post | comentar | ver comentários (16)
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

Competente

Exibição competente de um Benfica com muitas alterações na equipa, que chegou e sobrou para vencer o Sertanense de forma clara e tranquila, e assim carimbar a passagem à próxima eliminatória.

 

 

Dos jogadores que têm sido titulares ultimamente apenas o Rúben Dias e o Gabriel fizeram parte das escolhas iniciais. O resto da equipa: Svilar, Corchia, Alfa (a central), Yuri Ribeiro, Samaris, Gedson, Zivkovic, Rafa e Jonas. O jogo tem pouca história, porque resume-se a uma superioridade incontestável do Benfica. Mesmo sem acelerar muito, tivemos noção das nossas responsabilidades e assumimos desde logo as despesas do jogo, instalando-nos em permanência no meio campo adversário e remetendo-o para a sua área. Durante toda a primeira parte permitimos-lhes apenas um remate (num livre, ainda longe da baliza) e marcámos numa recarga do Rafa a um primeiro tiro do Zivkovic, isto depois de já termos visto um golo anulado ao Jonas num lance muito semelhante. Com um adversário a não mostrar capacidade para nos causar qualquer problema, o jogo pareceu ficar logo aí resolvido, e a segunda parte serviu apenas para acentuar a diferença entre as duas equipas. Mais uma vez apenas permitimos um remate ao adversário (que ainda assim obrigou o Svilar a fazer uma excelente defesa, a única durante todo o jogo). Da nossa parte, é de assinalar o excelente golo do Gedson, um disparo de muito longe a fazer a bola entrar junto ao ângulo e que nos deixou com dois golos de vantagem, e o regresso do Jonas aos golos, tendo feito o terceiro da nossa equipa. Tivemos ainda mais um golo anulado, desta vez ao Ferreyra. Por último, mencionar que depois das entradas do João Félix e do Jota (estreia absoluta na equipa principal) terminámos o jogo com seis jogadores da formação em campo.

 

O melhor do Benfica foi o Gedson, tendo sido bem acompanhado pelo Zivkovic. Tenho pena que o sérvio esteja a ter muito menos minutos esta época, porque tem talento e qualidade para dar e vender. Gostei de ver o Samaris com a braçadeira de capitão, ainda por cima a revelar muita tranquilidade depois de uma semana em que foi ele o escolhido para alvo de uma tentativa de desestabilização (antes tinha sido o Zivkovic).

 

Missão cumprida de forma perfeita. Um jogo tranquilo, uma exibição agradável, minutos para os menos utilizados e descanso para os titulares antes de um jogo decisivo para a Champions. Era difícil pedir mais.

tags:
publicado por D`Arcy às 03:50
link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 8 de Outubro de 2018

Batalha

Foi arrancada quase a ferros, foi preciso sofrer um pouco no final (muito por culpa de terceiros) mas a vitória no Clássico frente ao Porto assenta-nos muito bem. Num jogo equilibrado foi o Benfica quem foi aquele bocadinho melhor para vencer o jogo.

 

 

Regressos do Gabriel e do Cervi ao onze e estreia do Lema a titular foram as novidades, embora no caso do central argentino não houvesse propriamente grandes opções. Com Jardel lesionado e Conti suspenso, o Lema era a escolha óbvia. E fez bem o nosso treinador, porque apesar da muita especulação que vi na imprensa, como que a tentar 'matar' logo um jogador ainda antes dele dar um pontapé numa bola, se o Lema faz parte do plantel é porque é uma opção válida. Não faria qualquer sentido estar a recorrer a uma adaptação como o Samaris quando tínhamos um central disponível. Sobre a primeira parte não há muita coisa a dizer, porque apesar de extremamente disputado, o jogo teve poucos motivos de interesse. As equipas encaixaram uma na outra e anularam-se quase sempre, e nenhuma das duas parecia ter grande vontade de arriscar muito para desatar o nó que tinham dado. O Porto entrou na Luz com a clara intenção de jogar para o empate - o Casillas viu o amarelo logo aos dezoito minutos de jogo por andar a queimar tempo de forma abusiva em qualquer reposição de bola, por exemplo. O Benfica parecia estar mais preocupado em não perder do que ganhar, por isso quase não corria riscos. Os nossos laterais foram muito menos atrevidos do que o normal, subindo no terreno quase só pela certa, o Pizzi aparecia quase sempre em terrenos muito recuados, e o Seferovic jogava muito só na frente. Com ambas as equipas receosas do adversário praticamente não houve ocasiões de perigo e a bola rondava as balizas apenas em situações de bola parada. Honestamente, jogou-se mau futebol durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Intensidade sim, mas muitos passes falhados e pouquíssimas jogadas dignas desse nome.

 

 

Para a segunda parte o Benfica veio mais decidido a assumir finalmente as despesas do jogo. E conseguiu-o, passando-se a jogar muito mais tempo dentro do meio campo do Porto. Assinalo também que logo nos primeiros minutos o Otávio, um dos principais destruidores de jogo do Porto (apesar de ser médio ofensivo) finalmente viu um cartão amarelo, após cometer a sétima falta no jogo - hilariante a sinalética do árbitro a indicar que lhe estava a mostrar o amarelo pela terceira falta. Foi imediatamente substituído, não fosse chegar à décima quarta falta e arriscar-se a ser expulso. No Benfica, a entrada do Rafa também logo nos primeiros minutos dinamizou ainda mais a equipa. E justificava-se, porque era precisamente por aquele lado que tínhamos que insistir. O Maxi Pereira quase que dá pena porque mal se consegue mexer, e com o Marega o jogo todo encostado à direita não havia um verdadeiro médio ala para vir ajudar o trôpego lateral direito portista (o Otávio tinha andado a bater em tudo o que mexia por aquele lado mas o Sérgio Oliveira, que o substituiu, era incapaz de fazer o mesmo papel). Com o Benfica por cima no jogo surgiu a primeira grande ocasião de golo, num remate do Gabriel à entrada da área que proporcionou uma boa defesa ao Casillas. Certamente que isto terá lembrado muita gente das exibições inspiradas do espanhol nas últimas visitas do Porto a nossa casa, e que nos impediram de vencer. Mas neste caso a preocupação não durou muito, porque quase a seguir surgiu o golo que decidiu o jogo. Na sequência de um pontapé de baliza para o Porto ganhámos a segunda bola no círculo central, o Gabriel colocou-a em balão para as costas da defesa portista, o Pizzi (que ganhou em velocidade ao Maxi) assistiu de cabeça para a corrida do Seferovic, e este conseguiu o remate vitorioso apesar do esforço do Militão para fazer o corte. 

 

 

Estavam decorridos sessenta e dois minutos de jogo. Muito tempo portanto para jogar, e da minha parte a expectativa para ver se o Benfica iria mais uma vez cometer o erro de tentar defender o resultado, entregando a iniciativa ao adversário. Não foi isso que aconteceu. O Benfica continuou bem no jogo, com o Porto a conseguir apenas chegar perto da nossa baliza em bolas paradas. A precisar de carregar na procura do golo e perante a total inutilidade do Maxi Pereira, o Porto abdicou mesmo de jogar com um lateral de raiz e fez entrar o Corona para aquela posição, mas nem isso mudou grande coisa. O jogo caminhava para o final e eu estava plenamente convencido que a vitória já não nos fugiria, mas aos oitenta e três minutos o árbitro Veríssimo, que até aí nem tinha estado particularmente nefasto (depois de tantos jogos contra o Porto arbitrados pelo Soares Dias, uma arbitragem destas até nem parecia má de todo) resolveu aparecer e mostrar o segundo amarelo ao Lema de forma absurda, por um lance a meio campo. Para além de ter sérias dúvidas de que tenha sequer sido falta, mesmo se fosse nunca seria para cartão amarelo. O que é certo é que isto deu novo alento ao Porto, e da nossa parte foi altura de recuar o Alfa Semedo para central (tinha acabado de entrar) e cerrar fileiras. O Porto criou a sua melhor ocasião de golo numa iniciativa individual do Brahimi, tendo o seu remate cruzado passado muito perto do poste, mas no geral e apesar de uma pressão maior, continuou tudo muito como dantes, com o Porto apenas a conseguir chegar perto da nossa baliza em tudo o que fosse bola parada, que aproveitava para despejar para a área.

 

 

Melhor em campo, para mim, Rúben Dias. Mais do que uma bofetada, foi mesmo um murro de luva branca aos que semana após semana insistem em querer colar-lhe o rótulo de jogador violento. Foi uma exibição sem mácula, em que não me lembro de o ver perder um lance e limpou tudo, pelo ar e pelo chão. Mostrou a quem quis ver que é já um grande defesa central e que, consigamos nós segurá-lo, temos ali um líder para muitos anos. Uma palavra para o Lema, que se estreou a titular num jogo destes. Pareceu tremer um pouco no início, mas depois atinou e estava a fazer um bom jogo. Não merecia ter sido traído pelo árbitro. O Grimaldo é outro dos destaques, sem surpresa. Em particular quando se começou a soltar na segunda parte. Gostei também do Fejsa e do Seferovic, e já agora menciono também o Pizzi. Nao por ter feito uma exibição extraordinária, mas sim por ter mostrado uma atitude muito mais decidida e lutadora, como se exigia num jogo destes.

 

Este resultado permitiu-nos regressar ao topo da tabela antes de nova interrupção na competição. Temos que aproveitar o ímpeto e a motivação que um resultado destes dão e consolidar esta posição. Frente ao nosso maior adversário na luta pelo título, que não tem olhado a meios para nos derrubar, não nos deixámos intimidar e desta vez nem sequer mais uma arbitragem em tons dourados nos afastou da vitória. Esta tem que ser a atitude até final. A guerra que será este campeonato (guerra essa que foi declarada e nos está a ser movida desde o ano passado, sem quartel) só poderá ser ganha se encararmos cada jogo como uma batalha.

tags:
publicado por D`Arcy às 01:52
link do post | comentar | ver comentários (13)
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Masoquismo

Um supremo exercício de masoquismo. É a melhor forma que encontro para descrever o jogo disputado na Grécia frente ao AEK que colocou um ponto final na série de maus resultados do Benfica na fase de grupos da Champions. Um jogo em que tivemos tudo para conquistar uma vitória tranquila, e de repente parecia que tudo fazíamos para deixar que essa vitória nos escapasse por entre os dedos.

 

 

O Benfica apresentou-se com o Conti no lugar do Jardel, Gedson no do Gabriel, e com o Rafa a manter a titularidade, tendo sido o Cervi a sair da equipa para permitir o regresso do Salvio. Este era um jogo que teria que ser ganho se queríamos manter intactas as nossas possibilidades de apuramento, e a entrada dificilmente poderia ter sido melhor. Dois golos no primeiro quarto de hora colocaram-nos numa situação muito confortável e deixaram o AEK completamente abananado. O primeiro surgiu aos seis minutos, numa recarga do Seferovic a um remate do Gedson, e o segundo aos catorze, num improvável cabeceamento do Grimaldo, que surgiu ao segundo poste para finalizar um bom cruzamento do Pizzi. Tudo a correr sobre rodas, Benfica completamente à vontade no jogo perante um adversário que parece ser manifestamente mais fraco. Só que depois disto, veio a face mais feia do Benfica, a que já nos vamos habituando. É como se fosse um combate de boxe, em que acertamos com um directo e um uppercut no adversário, ele fica ali meio zonzo quase a cair, e em vez de darmos o murro decisivo para o K.O. decidimos recuar para o nosso canto. Isto até poderia não ser dramático se - e reforço este 'se' - o Benfica já tivesse mostrado ser uma equipa capaz de gerir jogos e resultados. Não é. O Benfica tem dois modos: ou está em cima do adversário, ou então quando decide 'gerir' simplesmente recua as linhas para cima da área e entrega quase por completo a iniciativa de jogo ao adversário (e também uns 75% do domínio territorial). Ora um adversário que levou dois golos logo a abrir e que nessa altura devia era estar a pensar como evitar ser goleado em casa, de repente apanha-se com espaço para respirar, tempo para organizar ideias, e progressivamente vai-se aproximando da nossa baliza e até começando a acreditar que se calhar é possível conseguir um resultado positivo. Foi isto que vimos acontecer, com o AEK a tornar-se cada vez mais perigoso à medida que  tempo decorria (enquanto o Benfica se entretinha a passar a bola para os lados e para trás, deixando de ameaçar o que quer que fosse no ataque) até que a pressão fosse mesmo real e intensa nos minutos imediatamente antes do intervalo. O Odysseas mais uma vez foi dizendo 'presente', mas como o masoquismo ainda não era suficiente o Rúben Dias conseguiu ver um segundo cartão amarelo (justo e perfeitamente escusado) mesmo a fechar a primeira parte, para animar ainda mais um adversário que já tínhamos feito o favor de ressuscitar. Não estarei a exagerar se disser que nesta altura já me vinha à cabeça aquele jogo contra o Besiktas em que chegámos ao intervalo a vencer 3-0 para acabarmos por empatar 3-3. 

 

 

Para a segunda parte voltou o Lema no lugar do Salvio. Uma alteração a contribuir para encolher ainda mais o jogo e logo à partida, pelo menos intuitivamente, errada. Se estamos a jogar com menos um jogador parece-me que seria intuitivo ter em campo jogadores com garra, não alguém como o Pizzi que quando as coisas correm mal tem muito pouca reacção e que desiste de praticamente todos os lances divididos. A defender também não ajuda muito. O André Almeida estava a ter um jogo mau e precisava de toda a ajuda possível, coisa que o Pizzi era incapaz de fazer - e aquele lado depressa se tornou uma autêntica avenida, por onde o lateral esquerdo sueco do AEK andou a passear à vontade. Com o Benfica a jogar em modo de contenção máxima, nem foram precisos vinte minutos para os gregos marcarem dois golos e empatarem o jogo. O primeiro nasce de um cruzamento (claro) do lado direito da nossa defesa e depois, no centro da área, um jogador grego chega primeiro à bola, isto apesar de estar lá sozinho contra cinco defesas do Benfica. Acho que vale a pena assinalar que no início da jogada, antes do passe ser feito para o lateral esquerdo do AEK, o Pizzi teve a possibilidade de afastar a bola, mas em vez disso e fiel à intensidade que um jogo nestas condições exigia, preferiu ficar parado e levantar o braço a pedir uma falta inexistente. O segundo nasce de um cruzamento para a zona do segundo poste, seguindo-se depois o clássico toque de cabeça para o poste oposto onde apareceu um colega a finalizar à vontade. Este golo aconteceu imediatamente a seguir ao nosso treinador se ter rendido às evidências e ter trocado o Pizzi pelo Alfa Semedo, passando o Gedson a fechar o lado direito. Por esta altura o Benfica era uma equipa perdida em campo, incapaz de alinhavar uma jogada de ataque e a abrir brechas na defesa com uma enorme frequência. O AEK poderia perfeitamente ter-se colocado em vantagem, pois dispôs de uma ocasião com dois jogadores isolados em frente ao Odysseas. Resolveu a situação o nosso guarda-redes, com mais uma grande defesa, valendo-nos também que o jogador deles tenha decidido rematar em vez de passar a bola ao colega que estava completamente sozinho à frente da baliza. Não marcou o AEK, marcou o Benfica quase na resposta. Uma recuperação de bola do Alfa Semedo sobre a linha do meio campo, progressão até perto da área, e tendo em conta que pouco mais poderia fazer (só estava lá por perto o Seferovic) um remate ainda bem de fora da área, rasteiro e cruzado, que levou a bola a entrar bem juntinha à base do poste mais distante. Um grande golo. Foi aos setenta e cinco minutos de jogo, e foi o primeiro remate que o Benfica fez na segunda parte (e não sei se não acabou por ser mesmo o único). O AEK acusou, e de que maneira, o golo, o Benfica finalmente sossegou um pouco, e com o Gedson finalmente a conseguir estancar um pouco as investidas do Hult pela esquerda e ainda a entrada do Cervi para os minutos finais, lá conseguimos levar o jogo até final sem mais nenhum sobressalto.

 

 

A destacar alguém neste jogo começo pelo Odysseas. Mais intervenções de grande dificuldade que evitaram que o resultado tivesse sido pior, e a mostrar que o Benfica pode contar com ele. De resto, acho que o Grimaldo e o Fejsa não estiveram mal. Menção também para o Alfa, pelo golo e por ter ajudado a colocar alguma ordem numa equipa que até à sua entrada parecia estar tacticamente à deriva. Mal, mesmo muito mal, o André Almeida. O seu lado foi sempre uma dor de cabeça para nós. É certo que enquanto o Pizzi esteve encarregue de ajudar a fechar a direita praticamente não teve apoio, mas mesmo durante a primeira parte foram vários os erros e desatenções. O Rúben vê o primeiro amarelo numa falta que vai cometer ao lado direito (aliás, o segundo também). Por falar no Rúben, ele não pode cometer um erro daqueles e comprometer a equipa com a sua expulsão. É jovem e impetuoso, mas aquela falta era perfeitamente evitável e deveria ter abordado o lance de outra forma sabendo que já tinha amarelo. O Pizzi foi outro jogador com uma má actuação, salvando-se apenas o passe para o golo do Grimaldo. Num jogo em que estamos reduzidos a dez não podemos dar-nos ao luxo de ter em campo um jogador com uma atitude tão macia e quase desinteressada.

 

Estão garantidos os três pontos, agora é preciso dar seguimento a isto. O outro jogo do grupo teve um resultado pouco interessante para nós, já que seria melhor se o Bayern limpasse todos os seus jogos contra os outros adversários do grupo. Tudo se configura para que o Ajax seja o principal adversário na luta pelo apuramento, e por isso os próximos dois jogos deverão deixar muita coisa definida. Entretanto, é pensar no próximo jogo contra o Porto. Pelo menos já fiquei a saber que me deixam ir ao estádio vê-lo. Já não é mau.

tags:
publicado por D`Arcy às 01:01
link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2018

Péssimo

Um empate que, face ao desenrolar do jogo, é um péssimo resultado. Mas honestamente não fizemos assim tanto para o ganhar. Fizemos uma exibição bem abaixo daquilo que é exigível, e fomos incapazes de controlar o jogo contra uma equipa manifestamente inferior. Mas deixar escapar os três pontos em período de descontos, mesmo reduzidos a dez, dói e é obviamente frustrante.

 

 

Não me apetece escrever muito sobre o jogo porque a irritação com o resultado ainda é muita. Tivemos que esperar uma hora para que o jogo finalmente começasse por causa do dilúvio que se abateu sobre Chaves mas não foi preciso esperar muito para ficarmos em vantagem, pois o Rafa marcou logo aos três minutos depois de um cruzamento do Cervi. Parecia que tínhamos tudo para uma noite tranquila, mas pura ilusão. Fomos completamente incapazes de meter alguma ordem no jogo e controlar o adversário. O nosso meio campo foi incrivelmente macio e permitiu ao Chaves vir para cima de nós quase como quis. À parte um remate do Gabriel ao poste, foi o Chaves a equipa mais perigosa durante quase toda a primeira parte, valendo-nos o Odysseas em duas ou três ocasiões para evitar o empate. Tivemos também a primeira grande contrariedade do jogo, com o Jardel a lesionar-se sozinho ao fim de um quarto de hora e a dar o lugar ao Conti. A segunda parte foi um pouco melhor, pois conseguimos congelar um pouco mais o jogo. O Chaves chegava pouco à nossa área e o empate parecia ser muito menos provável. Poderíamos até ter aproveitado para matar o jogo, mas em duas ocasiões quase seguidas à passagem da hora de jogo o guarda-redes do Chaves negou o golo ao Seferovic, e aí comecei a antecipar que iríamos sofrer até ao final. Tal como no jogo anterior voltámos a ter um segundo jogador a sair lesionado, desta vez o Gabriel, e mais uma vez a lesionar-se sozinho. Mas o jogo até continuava relativamente tranquilo, sem que o nosso adversário assustasse muito. Só que a fase final do jogo acabou por ser um carrossel de emoções. A quinze minutos do final, o Chaves empatou literalmente do nada. Um livre em posição frontal, ainda muito longe da baliza (que nasceu de mais um dos infinitos disparates do Pizzi durante todo o jogo), uma barreira só com dois homens e colocada de forma a que parecia estar mais interessada em proteger a badeirola de canto, e o Odysseas muito mal batido. Face ao que tínhamos jogado até então não acreditei que conseguíssemos ganhar o jogo, mas o Benfica contrariou-me e a cinco minutos do final o Rafa aproveitou um passe do Rúben para as costas da defesa, correu para a baliza e fez o golo. Tudo voltava a parecer encaminhado, mas apenas dois minutos depois lá veio mais uma contrariedade, pois o Conti foi expulso com um vermelho directo (que me pareceu exagerado). Antecipação de mais sofrimento, e infelizmente o Chaves acabou por empatar mesmo quase no último suspiro do jogo, isto quando parecia que mesmo com dez jogadores estávamos a ser capazes de manter o Chaves controlado. Um remate colocadíssimo e inesperado do lado esquerdo da nossa defesa fez a bola entrar junto ao poste mais distante.

 

 

O melhor jogador do Benfica foi obviamente o Rafa. Foi aquele que mais fez para que o Benfica trouxesse os três pontos. Dois golos e mais meio golo oferecido ao Seferovic, que foi outro dos que acabou por se destacar da mediania, apesar de ter sido deixado quase ao abandono durante a maior parte do jogo. De resto quase toda a equipa esteve abaixo do que é exigível. Em particular o meio campo, que foi muito pouco combativo e onde o Pizzi foi literalmente um jogador a menos. O Odysseas esteve muito bem na primeira parte, mas tem muitas responsabilidades no primeiro golo do Chaves, pois a barreira estava pessimamente colocada e deveria ter mais do que dois jogadores, e mesmo assim ele tinha obrigação de fazer melhor numa bola rematada de tão longe.

 

Dois pontos deitados fora e com uma boa dose de certeza o desperdício da vantagem psicológica que seria entrar em campo contra o Porto em situação de vantagem. Tudo isto porque nos revelámos incapazes de controlar um jogo contra o Chaves, mesmo tendo entrado nele a ganhar. Não sei se estavam com a cabeça no jogo da Grécia, mas se estavam isso não é admissível. Não há forma de pintar isto forma positiva: a exibição foi má e foram dois pontos que deixámos fugir.

tags:
publicado por D`Arcy às 00:42
link do post | comentar | ver comentários (17)
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

Fácil

Vitória fácil do Benfica num jogo relativamente simples, em que foi muito superior ao adversário e onde mesmo sem fazer uma exibição de gala, o que jogou deu e sobrou para vencer. E poderia até ter construído um resultado bem mais confortável do que o 2-0 com que acabou.

 

 

O onze inicial incluiu duas estreias a titulares: o Gabriel no lugar do Gedson, e o João Félix do lugar do Cervi. Expectativa portanto para ver em acção um dos reforços mais sonantes desta época e ainda o puto Félix, cujo potencial e talento já conhecemos bem. E ele depressa quis mostrar ao que vinha, pois na primeira vez que pegou na bola deixou logo dois adversários para trás de uma forma que até pareceu fácil. O Benfica nunca tentou impôr um ritmo frenético ao jogo, que se iniciou com os campos trocados devido a uma qualquer jogada psicológica que o Aves quis fazer. O calor que se fazia sentir provavelmente não era convidativo a grandes correrias. Os esticões que apareciam era sobretudo dados pelo suspeito do costume (Salvio) embora uma boa parte deles acabasse em perdas de bola devido a individualismos exagerados. A presença do Gabriel no meio campo dá mais músculo à equipa e o brasileiro deixou boas indicações. Tem um bom pé esquerdo e tenta quase sempre jogar simples, endereçando rapidamente a bola a um colega melhor colocado e fazendo fluir o jogo. Ao lado dele, o Pizzi mostrava a faceta inversa ao preferir conduzir a bola no pé e frequentemente demorando demasiado até fazer o passe. O Aves era inofensivo no ataque, ainda que tentasse fazer uma pressão alta na nossa saída de bola. Mas o principal objectivo era não sofrer golos, e por isso pouco arriscavam. Mesmo a jogar sem grande velocidade, as ocasiões começaram a aparecer, e quase sempre pelo Salvio, que poderia perfeitamente ter chegado ao intervalo com um hat trick. Mas coube ao miúdo João Félix abrir o marcador (já tinha visto um golo ser bem anulado por fora-de-jogo) após um óptimo passe do Pizzi, que o deixou isolado para uma finalização cheia de classe. Logo a seguir o Salvio somou mais uma grande ocasião, acertando um remate cruzado no poste naquilo que seria um grande golo. Só mesmo no último minuto é que Aves deu um ar da sua graça, numa iniciativa individual do Elhouni (não sei se este jogador ainda nos pertence ou não).

 

 

A segunda parte começou praticamente com nova ocasião de golo para o Aves. Um livre directo em óptima posição, e o Odysseas a voar para impedir a bola de entrar mesmo junto ao ângulo superior da baliza. Foi a defesa do jogo e poupou-nos os aborrecimentos que naturalmente resultariam do facto do Aves empatar logo a abrir. Pouco depois uma contrariedade para o Benfica, com o João Félix a lesionar-se sozinho e a ter que sair, dando o lugar ao Cervi. Mas depois de mais um susto numa jogada em que um adversário fugiu com demasiada facilidade ao Jardel e rematou à malha lateral, acabou por ser precisamente o Cervi a marcar o golo da tranquilidade. Uma jogada de envolvimento pela direita levou a bola ao argentino no limite da área e o remate deste, que nem parecia particularmente forte (foi feito de pé direito) acabou por desviar num defesa e fazer a bola acabar no fundo da baliza. A partir daqui o jogo mudou para pior. O Aves já tinha aberto um pouco mais quando minutos antes tinha colocado um segundo avançado em campo, e o Benfica fez o mesmo poucos minutos após o golo. Assistimos ao regresso do Jonas à competição e passámos a jogar em 4-4-2. O resultado disto foi um jogo muito mais aberto de parte a parte, mas onde ambas as equipas cometiam erros atrás de erros, quer na defesa, quer no ataque. Maus passes, perdas de bola infantis, erros na saída de bola, etc. Tudo isto resultou num jogo animado, mas que chegou a deixar-me irritado ao ver situações promissoras no ataque a serem desperdiçadas por maus passes ou más decisões, e os nossos defesas por vezes a complicar aquilo que parecia ser fácil (até o Fejsa eu vi a fazer disparates, ele que por regra não complica nada). Poderíamos ter marcado mais um ou dois golos - e o Jardel ainda acertou na barra - mas também poderíamos ter sofrido. Ficou tudo na mesma mas infelizmente vimos mais um jogador a sair lesionado, desta vez o Grimaldo, depois de uma entrada de um adversário.

 

 

O Salvio, pese os muitos disparates individualistas que fez, foi um dos principais animadores no ataque. Gostei do que vi do Gabriel e acho que poderá vir a ser um jogador muito importante nesta equipa, porque nos dá bastante poder de choque no meio sem no entanto perdermos capacidade técnica. O João Félix também estava a fazer um jogo bastante interessante, e espero que a lesão não seja grave (tal como a do Grimaldo, que é um jogador fundamental). O Seferovic esteve bastante interventivo no jogo, mas faltou-lhe o golo que tanto procurou.

 

Na ressaca europeia os três pontos foram somados, conforme se exigia. Depois do início de época infernal, finalmente começámos a ver alguma rotação a ser feita, e quando penso no regresso do Jonas e em breve do Krovinovic acho que temos plantel mais do que suficiente para podermos gerir o esforço dos jogadores de forma eficaz sem perder qualidade. Seguimos na frente e agora é preparar bem a visita a Chaves, num jogo que acabei de descobrir vai ser estranhamente jogado na quinta-feira.

tags:
publicado por D`Arcy às 00:24
link do post | comentar | ver comentários (5)

escribas

pesquisar

links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

tags

todas as tags

posts recentes

Normalidade

Selado

Horrível

Sem comentários

Cruel

Competente

Batalha

Masoquismo

Péssimo

Fácil

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com
blogs SAPO

subscrever feeds