VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Longe

Num jogo em que o que estava em disputa eram os pontos para o ranking, que nos poderiam também dar o estatuto da cabeça de série depois da queda para a Liga Europa, e o prémio monetário pela vitória fizemos o suficiente para justificá-la, mas continuamos ainda longe das prometidas mudanças no nosso futebol.

 

 

Mudanças houve no ataque para este jogo, onde o João Félix e o Seferovic renderam o Zivkovic e o Jonas. Mais atrás, coube ao Alfa Semedo ocupar a posição do Fejsa. Sem grandes surpresas, já que o Jonas e o Fejsa têm treinado condicionados nos últimos dias. Quanto ao futebol, mais uma vez deitámos metade de um jogo fora. O que jogámos na primeira parte foi uma prova cabal do porquê das más prestações europeias nos últimos tempos e do consequente deslizar pela tabela abaixo em termos de ranking. Foi um compêndio do típico futebol sem objectivo concreto aparente que conseguimos tantas vezes jogar. Muita circulação de bola sem ninguém (acho que incluindo os próprios jogadores) conseguir perceber exactamente a que se destina, com quase nenhum remate ou situação de finalização. Por vezes fico com a sensação de que toda aquela circulação de bola tem como objectivo libertar um jogador mais atrasado no terreno para que a bola lhe possa ser passada com segurança. E depois parece que a equipa está obrigada a fazer sempre a bola passar pelos pés do Pizzi. Eu consigo ser dos maiores fãs do Pizzi quando ele está em forma, mas definitivamente isso não me parece o caso. Só em pouco mais de um quarto de hora acho que contei oito cruzamentos feitos para adversários ou zona de ninguém e outros tantos passes sem nexo. Isto inclui cantos e livres, que pelos vistos têm obrigatoriamente que ser marcados por ele, quase sempre da mesma maneira. Pergunto-me qual é a necessidade de ter sempre o Grimaldo perto da bola para simular que vai marcar para depois ser sempre o Pizzi a fazê-lo. Sempre. Toda a gente sabe que é o Pizzi quem vai marcar os livres que são para cruzar. Será que após cinquenta livres marcados da mesma forma, o adversário ainda estará desconfiado e na dúvida se será o Grimaldo a marcá-lo? O resultado deste futebol monótono que chegou mais uma vez a enervar o público nas bancadas foram duas ocasiões mais perigosas: um livre do Grimaldo que passou muito perto, e um remate do Seferovic perto do final da primeira parte, depois de recuperar a bola numa das raras ocasiões em que resolvemos ir incomodar e pressionar os defesas do AEK. De assinalar também que perdemos o Rafa por lesão, tendo dado o seu lugar ao Zivkovic.

 

 

Para a segunda parte pelo menos a atitude voltou logo um pouco diferente. Houve mais velocidade e agressividade, e a equipa tentou jogar de uma forma mais vertical. Muito por culpa do Grimaldo, que já tinha sido dos mais decididos na primeira parte, e também do Gedson, que melhorou bastante de produção. Mesmo sem deslumbrar, pelo menos começámos a rematar bastante mais (acho que chegámos ao intervalo com meia dúzia de remates feitos, e no final do jogo tínhamos bem mais de vinte). Mas o futebol da equipa só melhorou visivelmente a partir da hora de jogo, altura em que o Pizzi cedeu o seu lugar ao Cervi. Este foi encostar-se à esquerda, o João Félix passou para a direita, e o Zivkovic passou a jogar como interior esquerdo. O lado esquerdo ganhou bastante vitalidade e as triangulações e constantes trocas de posição entre o Grimaldo, o Cervi e o Zivkovic começaram a causar problemas ao AEK, que se mantinha firme na disposição de segurar um empate que não lhes tinha qualquer utilidade. Os gregos apenas por uma vez criaram algum perigo, num pontapé de canto em que conseguiram fazer a bola passar perto do poste num cabeceamento (de notar que numa dúzia de cantos, creio que o Benfica não conseguiu transformar sequer um numa ocasião de remate à baliza). O Seferovic entretanto também se fixou um pouco mais no centro do ataque e quando não era ele a finalizar, servia como boa referência para as entradas dos médios. O suíço teve a maior ocasião para inaugurar o marcador, ao cabecear à barra após cruzamento do Zivkovic, e na fase final do jogo foi dos que mais tentaram a finalização. Para os minutos finais o nosso treinador apostou no Castillo para o lugar do João Félix, mas numa fase inicial o chileno foi ocupar exactamente o mesmo lugar, encostando-se à direita e não jogando no meio para formar uma dupla com o Seferovic. O AEK nesta altura apenas tentava arrastar o empate até final e parecia que o iria conseguir, porque o Benfica rematava muito e acertava pouco. Chegámos a ter uma situação em que o guarda-redes grego ficou fora da baliza durante algum tempo e andou por ali perdido, e não conseguimos que nenhum dos nossos jogadores ficasse em situação de rematar, até que finalmente quando o Grimaldo o fez foi na direcção das mãos do guarda-redes, que entretanto tinha conseguido recuperar a posição. O Gedson ficou isolado após tabelar com o Seferovic, mas o guarda-redes grego conseguiu evitar o golo. A justiça no marcador acabou por acontecer a dois minutos do final, num livre directo superiormente marcado pelo Grimaldo, após uma falta de um jogador grego que lhe valeu o segundo amarelo. Logo a seguir, mais infelicidade para o Seferovic, que viu um grande remate à entrada da área levar a bola a bater na barra e depois no poste, antes de ressaltar para fora. O final chegou com o Benfica como justo vencedor, já que mesmo sem deslumbrar fomos de longe a única equipa que tentou ganhar este jogo.

 

 

O melhor do Benfica foi claramente o Grimaldo. Foi sempre dos mais decididos a ir para cima do adversário e a romper com o futebol de passes laterais sem objectivo que praticámos durante a primeira parte. Creio que quando o nosso lateral esquerdo é, durante largos minutos, o nosso jogador mais perigoso no ataque diz muito sobre o tipo de futebol que estávamos a praticar. O Seferovic também esteve bem e merecia um golo, o Gedson subiu bastante na segunda parte e o Zivkovic também esteve bem, em particular quando passou para interior. Por outro lado, continua a preocupar-me que jogadores indiscutíveis no onze como o André Almeida ou o Pizzi estejam em claro sub-rendimento, sem que daí haja qualquer consequência para eles. Por pior que joguem, a titularidade nunca parece estar ameaçada.

 

Está fechada mais uma campanha na Champions que não correu como desejaríamos. Vamos esperar que pelo menos na Liga Europa consigamos fazer melhor e amealhar mais uns pontos para o ranking. As mudanças no futebol jogado até agora não são visíveis, mas pelo menos desde aí ganhámos todos os jogos e não sofremos nenhum golo. Esperemos que a sequência se prolongue no próximo domingo.

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publicado por D`Arcy às 16:10
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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Arraial

Uma vitória magra que podia ter sido bem mais confortável, mas que foi o que se conseguiu arranjar num jogo em que foi bastante difícil jogar futebol, tamanho foi o arraial de pancadaria com que a equipa do Setúbal nos presenteou.

 

 

Voltámos a apresentar o mesmo onze do jogo contra o Feirense, com o Zivkovic e o Rafa nas alas e o Gedson como terceiro médio. E nem foi preciso um minuto de jogo para percebermos todos ao que o Setúbal vinha. A pancadaria começou logo a seguir ao apito inicial, com jogadores como o Semedo, o Mano ou o Mendy a baterem em tudo o que lhes passava ao alcance, fazendo uso de pés, pitons ou cotovelos. Sempre, claro está, perante a plácida complacência do camarada Xistra, que às vezes fazia-se de mau e para aí à quarta ou quinta falta do mesmo jogador do Setúbal até o avisou que já chegava e que para a próxima até seria capaz de fazer qualquer coisa - não sei se seria mostrar-lhe um amarelo, ou simplesmente fazer cara de mau para ele e ralhar-lhe. O Benfica tentou jogar futebol, mas era difícil fazer um jogo de grande qualidade nestas condições. Felizmente chegámos ao golo ainda relativamente cedo, porque se por acaso o nulo se tivesse prolongado no marcador isto tinha tudo para acabar mal. Foi aos dezassete minutos, numa boa jogada - das melhores que fizemos em todo o jogo. Progressão do Grimaldo pela esquerda, tabela com o Zivkovic, depois a bola seguiu no momento certo para o Gedson na ponta e o cruzamento deste, rasteiro bem para o centro da área, foi finalizado de primeira e com classe pelo Jonas. O mais difícil estava feito, até porque o Setúbal era quase inofensivo no ataque. Para além de pontapear e massacrar os nossos jogadores sobre cada metro quadrado do terreno, pouco mais pareciam saber fazer. Foi pena que não tivéssemos dado o golpe decisivo no jogo ainda na primeira parte, mas o remate de pé direito do Zivkovic à entrada da área foi esbarrar na base do poste.

 

 

Na fase inicial da segunda parte continuámos à procura do golo da tranquilidade. Criámos ocasiões para isso, em jogadas que invariavelmente tinham um toque de classe do Jonas. Só que infelizmente tivemos uma reedição do 'best of' do Rafa do ano passado, e entre a má finalização ou a inspiração do guarda-redes do Setúbal, o segundo golo foi teimando em não aparecer. O Zivkovic até ensaiou o que poderia ser o golo da época, com uma tentativa de chapéu quase da linha do meio campo, mas depressa ficámos a saber que em situações excepcionais (como por exemplo, quando o Benfica apanha a equipa contrária toda em contrapé) é possível assinalar-se posição irregular a um jogador que ainda está dentro do seu próprio meio campo. É um artigo das leis do jogo pouco conhecido do público em geral, mas que dá algum jeito. Depois, naturalmente, aconteceu o cenário habitual nestas situações. Com uma diferença mínima no marcador, à medida que nos aproximávamos do final do jogo até um bando de lenhadores da bola como os jogadores do Setúbal começaram a acreditar que seria possível chegar ao empate, enquanto que o Benfica se começou a encolher na procura de preservar a vantagem. Não que o Setúbal alguma vez tivesse conseguido ser uma equipa dominadora no campo, mas entre muitos pontapés para a frente a bola sempre se ia aproximando da nossa baliza e a qualquer altura um lance fortuito poderia ter consequências desastrosas para nós. E esse lance fortuito até aconteceu mesmo: aos oitenta e nove minutos de jogo o Setúbal teve a sua primeira e única verdadeira ocasião de golo em toda a partida. Cruzamento para a área e falha de marcação dos nossos centrais, que permitiram que um adversário saltasse quase à vontade para cabecear a dois metros da baliza. Felizmente o Odysseas reagiu por instinto (a bola foi-lhe praticamente à figura, mas o adversário estava mesmo em cima dele) e evitou o pior. E tivesse essa bola entrado e estaríamos aqui a desancar mais um péssimo resultado, enquanto se cantavam loas ao jogo 'viril' do Setúbal por essa comunicação social fora. Não foi violento, porque o Vidigal explicou-nos que Setúbal é uma terra de pescadores, homens machos, e sabemos que aqueles jogadores do Setúbal é tudo gente nada e criada ali nas margens do Sado, que mesmo antes de entrar em campo estava ali a arrumar as redes vinda directamente da faina. As regras do jogo são maleáveis e não se podem aplicar contra a natureza das pessoas: uma pantufada de um jogador do Benfica é falta para cartão, uma sarrafada de um setubalense é apenas um macho a dar largas à sua natureza piscatória.

 

 

Melhor em campo, por larga margem, o Jonas. Praticamente tudo o que de bom o Benfica fez no jogo teve um toque seu. A forma como por duas vezes isolou o Rafa com um simples toque na bola é deliciosa, a finalização de pé esquerdo no golo foi maravilhosamente simples e eficaz. O Zivkovic continua a deixar-me a interrogação do porquê de ter sido praticamente ignorado durante o primeiro terço da época.

 

O Setúbal estava apostado em travar-nos de uma maneira ou de outra e estes três pontos foram mesmo muito importantes. Tanto que, mesmo perante um jogo que não foi dos de maior qualidade da nossa parte, não consigo criticar muito a equipa. Era difícil ter nota artística quando o adversário via canela até ao pescoço e os árbitros de serviço estavam conscientes da margem alargada de manobra que se deve dar aos machos pescadores quando eles decidem tentar jogar à bola.

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publicado por D`Arcy às 23:28
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Panaceia

Uma vitória gorda sobre o Feirense, construída graças a uma segunda parte finalmente mas consentânea com aquilo que nós esperamos da nossa equipa, serviu para já de panaceia para os nossos males.

 

 

Foram-nos anunciadas ou prometidas mudanças, mas em termos de constituição da equipa titular ou mesmo variações tácticas elas foram quase imperceptíveis. Houve três alterações à equipa que tinha caído com estrondo em Munique, mas duas delas foram perfeitamente naturais (regresso do Jardel ao centro da defesa e do Gedson, que já tinha jogado a segunda parte na Alemanha, ao meio campo) e apenas a terceira foi uma pequena novidade: a titularidade do Zivkovic pela primeira vez no campeonato esta época - até agora acumulava apenas 79 minutos distribuídos por cinco jogos, sempre vindo do banco. Actuou na ala e não no meio campo, mas já foi alguma coisa. Se a constituição da equipa e a disposição táctica não acusavam as prometidas mudanças, aquilo a que assistimos drante a primeira parte confirmou isso mesmo. Foram mais quarenta e cinco minutos daquele Benfica que nos tem exasperado esta época, com uma imensa superioridade no que diz respeito à posse de bola e quase nenhuns resultados para mostrar. Não que não se notasse vontade nos jogadores para fazer mais, mas o futebol foi pobre e a escassez de ideias muita. Em termos de ocasiões de perigo e oportunidades de golo, foi quase um deserto, e só num livre directo marcado pelo Pizzi é que fizemos um remate à baliza digno desse nome. Muito pouco perante um Feirense completamente decepcionante. O treinador Nuno Manta Santos é frequentemente elogiado pelo bom futebol que a sua equipa pratica, mas esta noite na Luz não mostrou nada, nem sequer vontade de jogar. Apostou fortemente no antijogo praticamente desde o primeiro minuto, com vários jogadores a deixarem-se ficar no chão frequentemente para parar o jogo e o guarda-redes a queimar tempo em cada reposição de bola. Isto sempre perante a benevolência do árbitro, que perante tudo isto anedoticamente apenas concedeu dois minutos de compensação na primeira parte.

 

 

As mudanças prometida ficaram para a segunda parte. Os extremos Rafa e Zivkovic trocaram de lado, com o primeiro a ir para a esquerda e o segundo para a direita, e o Benfica surgiu a jogar mais agressivo, adiantando a linha de pressão vários metros - o Rafa foi um exemplo visível disso, aproveitando a sua velocidade para começar logo a pressionar as tentativas de saída de bola do Feirense, e com sucesso. Claro que o facto do génio do Jonas ter começado logo após quatro minutos a resolver o problema deverá ter feito maravilhas pela confiança de uma equipa que tem andado pela mó de baixo. O adjectivo 'brilhante' não faz justiça ao golo que ele marcou. Depois de uma combinação entre o Zivkovic e o Grimaldo na esquerda, com este último a fazer um cruzamento rasteiro para o centro da área, o Jonas com um primeiro toque de pé direito fugiu ao defesa que o marcava e depois de primeira e de pé esquerdo, já de ângulo apertado, colocou a bola no poste mais distante. Absolutamente genial. Era agora um Benfica completamente transfigurado que estava em campo, e que não se acomodou à vantagem como tantas vezes o tem feito esta época. Em vez disso foi à procura de mais como se isso fosse a coisa mais importante do mundo (não sei se mostraram isso na transmissão televisiva, mas no estádio eu reparei no pormenor do Rúben Dias a ir buscar a bola dentro da baliza e a levá-la para o centro do terreno). E percebemos logo que mais golos iriam acontecer. Num curtíssimo espaço de tempo a pressão do Rafa resultou numa recuperação de bola e no passe para o Jonas que, completamente isolado em frente à baliza, acertou mal na bola e levou-a ainda a raspar no poste. Depois o mesmo Jonas ainda marcou, mas estava em posição irregular. Mas ao fim de treze minutos a bola lá voltou a entrar na baliza do Feirense. Novamente com o Rafa na jogada: passe do Grimaldo em profundidade, o Rafa ganhou em velocidade ao defesa, passou pelo guarda-redes e sobre a linha de fundo tentou assistir o Jonas à boca da baliza, mas um defesa do Feirense antecipou-se e fez autogolo. Dez minutos depois, um merecedíssimo golo para o Rafa, numa jogada que começou precisamente numa recuperação de bola sua, e que terminou com uma finalização quase sobre a linha de golo depois de uma combinação entre o Zivkovic, Pizzi e Jonas. E o Benfica continuou sem tirar o pé, a controlar completamente o jogo e a procurar marcar mais golos que ajudassem a exorcizar os males que nos têm afectado. O Seferovic rendeu o Jonas a oito minutos do final e ainda entrou a tempo de ampliar o resultado mesmo sobre o minuto noventa, aproveitando uma má intervenção do guarda-redes depois de não ter conseguido desviar de primeira o cruzamento do Zivkovic.

 

 

Apesar da maioria provavelmente eleger o Jonas como o homem do jogo, a minha escolha vai para o Rafa. Foi sempre o elemento mais desequilibrador no nosso ataque e esteve em quase todas as jogadas de maior perigo da nossa equipa. Claro que entre ele e o Jonas não houve grande diferença, e o golo do Jonas foi algo de sublime. Pareceu-me que o Zivkovic aproveitou bem a oportunidade. Estranhamente, até o fez mais na segunda parte a jogar na esquerda, onde acabou por estar envolvido nas jogadas de três dos quatro golos. Digo 'estranhamente' porque por norma ele costuma render mais na direita do que na esquerda. Bom jogo também do Grimaldo.

 

Lá diz o velho ditado que uma andorinha não faz a Primavera, mas esta equipa estava claramente a precisar de um resultado destes e de uma exibição como a da segunda parte. Foi notório o alívio dos jogadores e a forma muito mais solta como jogaram à medida que o resultado começou a correr a seu favor. Resta agora saber se vão saber aproveitar isto e dar-lhe continuidade, ou se foi um mero fogacho. Espaço para mais passos em falso já deixou de haver.

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publicado por D`Arcy às 03:17
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2018

‘Feeling’

'Volte face': Rui Vitória permanece

 

Portanto, deixem-me ver se eu percebi bem isto: a administração de um clube reúne-se à tarde para discutir um assunto importante, a reunião dura várias horas e é tomada uma decisão pensada e amadurecida, com a qual todos concordam. A comunicação social em uníssono noticia essa decisão, mas de manhã, quando acorda, o presidente tem um “feeling” (sic) e dá uma pirueta de 180º, decidindo completamente à revelia do que tinha ficado acordado na noite anterior. De tal modo que, segundo o próprio, o director-geral para o futebol do clube, que esteve nessa reunião, ficou “perplexo” quando soube da decisão. Foi isto que se passou? É assim que é suposto gerir-se um clube? Por ‘feeling’? Por ‘epifania’? Por uma “luz que se dá” (sic)?

 

O Luís Filipe Vieira veio dizer ontem em conferência de imprensa que já teve esse “feeling” em 2013, que o levou a manter o Jorge Jesus contra a opinião generalizada, e que não é “resultadista”. Sou insuspeito para falar disto, porque na altura era totalmente a favor da manutenção do treinador. Ora, estar a comparar estas duas situações é um primeiro sintoma do desnorte do LFV. Senão vejamos: em 2013, vínhamos de três derrotas, é verdade, MAS em FINAIS, sendo que nas duas primeiras sofremos os golos aos 92’ em jogos que NÃO merecíamos perder. Mais: em toda essa época fomos CLARAMENTE a melhor equipa nacional. É preciso estar noutra galáxia para comparar essa situação com a actual, onde fomos derrotados em casa pelo Moreirense, ganhámos a uma equipa dos últimos lugares da II Liga no tempo de compensação e fomos humilhados em Munique. Para além do facto nada despiciendo que não estarmos a jogar NADA há uma série de tempo e não se ver forma de a equipa técnica dar a volta à situação, com os jogadores a estarem perdidos em campo. Não, a situação não é de todo comparável.

 

Mas o que mais me espanta nesta decisão incompreensível é o LFV desvalorizar o facto de isto lhe ir rebentar no colo se correr mal (e eu mais depressa acredito no ‘milagre’ de Fátima do que na capacidade do Rui Vitória para dar a volta a esta situação). Ou seja, o odioso da questão vai passar do RV para ele. A culpa de um eventual fracasso desta época deixou de ser do treinador e será totalmente do presidente. O que poderá significar, no limite, o início da sua própria queda. Porque, arrisco-me a dizer, devem contar-se só com uma mão (e ainda sobrarão dedos) os benfiquistas que concordam com a manutenção deste treinador, perante a miséria futebolística que temos exibido. E ele desvalorizar este facto só posso atribuir a um aspecto: muito tempo no poder provoca inevitavelmente alguma cegueira. A pessoa julga-se imune a tudo. Mas temos ‘n’ exemplos de como as coisas mudam muito depressa no futebol...

 

P.S. – Em termos de decisões ‘não-resultadistas’, o que se irá passar se não ganharmos amanhã ao Feirense? Duvido que continue tudo na mesma, porque as coisas ficarão para lá do insustentável. Só que serão mais pontos perdidos e a distância para o primeiro lugar começará a ficar difícil de ultrapassar. Ou seja, tudo isto terá sido tempo perdido. (ESPERO BEM QUE ME ENGANE!)

publicado por S.L.B. às 17:02
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018

Pequeno

Um Benfica pequeno, demasiado pequeno em Munique para um jogo que era decisivo para manter viva a ténue esperança de seguir em frente na Champions. Acho que poucos acreditariam num milagre, mas também era escusada mais uma vergonha.

 

 

É certo que o resultado vem na linha do péssimo histórico de resultados do Benfica na Alemanha, e em particular contra este adversário (a única honrosa excepção foi aquela derrota há dois anos por apenas um golo, já com o Rui Vitória ao leme). Mas se o resultado é uma vergonha, o pior é mesmo a forma natural como ele aconteceu. Porque a exibição não tem ponta por onde se lhe pegue. É um daqueles jogos em que ficamos com a nítida sensação de que os jogadores entraram em campo já derrotados. Uma equipa sem vontade, sem alma, sem qualidade e sem rumo aparente. Foi mesmo uma exibição em linha com aquilo que tínhamos mostrado contra o Arouca, só que desta vez o adversário (que tinha para aí metade da equipa indisponível) era outro. Espaço e mais espaço dado aos jogadores adversários, que se quisessem pegavam na bola e corriam a direito para a baliza deixando três ou quatro dos nossos pelo caminho. A defesa a meter água pelo meio, pelas alas, pelo chão e pelo ar, e o Odysseas provavelmente a sentir-se completamente entregue à sua sorte enquanto fazia o pouco que podia para evitar males ainda maiores. Que outro resultado poderíamos esperar? Foram três golos na primeira parte, dois do Robben (quase iguais) e um do Lewandowski, e podiam ter sido outros tantos, que a sensação com que ficamos é a de que cada vez que o adversário atacava arriscava-se a marcar. Este Benfica é uma bênção para qualquer equipa em crise. Logo no início da segunda parte a única jogada digna desse nome que fizemos deu em golo do Gedson, mas bastou um punhado de minutos para o Bayern voltar a marcar. Depois de uma jogada em que o jovem Ribéry arrancou por ali fora e furou pela defesa adentro como se fosse manteiga, o Odysseas safou para canto. E depois da forma mais básica, golo. Foi só despejar a bola para a área e o Lewandowski saltou bem no meio dos nossos centrais para cabecear. Já que tínhamos permitido ao Robben fazer dois golos quase iguais, porque não permitir o mesmo ao Lewandowski? O Ribéry depois acabou mesmo por fazer o resultado mais pesado e o Bayern parou nos cinco, provavelmente porque nem sequer quiseram esforçar-se demasiado por um treinador para o qual andam de costas voltadas.

 

Melhor do Benfica num desastre destes? Só mesmo se for o Odysseas. Sofremos cinco golos e se não fosse ele se calhar tinham sido oito ou nove ou algo assim. 

 

A manutenção desta situação é incomportável. Ou o Rui Vitória já não tem mão na equipa, ou a equipa é incapaz de perceber as ideias dele, ou pior ainda, ele nem sequer tem ideias sobre como solucionar isto e sair deste buraco onde nos enfiámos. E quando não somos parte da solução, é porque somos parte do problema.

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publicado por D`Arcy às 00:15
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2018

Miséria

Uma miséria de jogo contra o 14º classificado da Segunda Liga, do qual apenas se salva a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal, arrancada a ferros com um golo já no período de compensação.

 

 

Foi uma equipa com várias alterações aquela que se apresentou frente ao Arouca: Svilar, Corchia, Conti, Alfa, Krovinovic (regresso após dez meses de ausência) e Zivkovic foram titulares, aos quais se juntaram Rúben Dias, Grimaldo, Gabriel, Jonas e Seferovic, num regresso ao 4-4-2 no qual o Krovinovic ocupava a ala esquerda. Mas mesmo todas estas alterações não servem de justificação para mais uma exibição tão pobre, onde voltámos a exibir os problemas e a cometer os erros do costume. Apesar de uma quase avassaladora superioridade na posse de bola, muita falta de ideias sobre o que fazer com ela resultou em muito poucas situações de finalização para o que seria exigível perante um adversário do escalão inferior. Muita circulação de bola lateral e muita falta de verticalidade, chegando a ser exasperante a incapacidade para desequilibrar ou romper a defesa do Arouca. E para não variar, os cada vez mais habituais desequilíbrios defensivos que tiveram mais uma vez como resultado sofrermos um golo na primeira vez que o adversário se acercou da nossa baliza. Uma transição rápida, um adversário a receber de forma inadmissível a bola em posição frontal, entre os dois centrais, e depois a soltá-a para a esquerda para uma finalização colocadíssima sem deixar possibilidades de defesa ao Svilar. Nesta altura passou-me pela cabeça (e tenho a certeza de que não fui o único) aquele jogo com o Gondomar - faz amanhã exactamente 16 anos que se disputou esse jogo, e eu estava na Luz nesse triste dia. O golo foi aos vinte minutos, e só na resposta criámos a primeira verdadeira ocasião de golo, um remate cruzado do Seferovic que passou muito perto do poste. Felizmente ainda conseguimos chegar ao empate antes do intervalo numa transição rápida conduzida pelo mesmo Seferovic pela esquerda, com passe para o Jonas na zona central e finalização deste com um remate forte.

 

 

Mais do mesmo após o intervalo, altura em que aproveitámos para trocar o Krovinovic pelo Rafa. Apesar das boas intenções deste último, que atravessa claramente a sua melhor fase desde que está no Benfica, as ocasiões de golo continuaram a ser muito escassas e a nossa equipa pareceu sempre afectada de uma desinspiração confrangedora. Mesmo a tradicional e expectável substituição do minuto 62, em que trocámos o Gabriel pelo Pizzi (é preocupante que até num jogo como este não conseguimos evitar ter que recorrer a jogadores fulcrais e com mais minutos de utilização como o Rúben, Grimaldo, Jonas ou Pizzi) pouco trouxe de novo e o jogo ia-se arrastando penosamente para um cada vez mais previsível prolongamento. O progressivo maior balanceamento ofensivo do Benfica (sem grandes resultados práticos, diga-se) ia deixando cada vez mais espaços atrás, porque eram cada vez menos os jogadores que se preocupavam em recuar quando perdíamos a bola, e a possibilidade do escândalo acontecer tornava-se assustadoramente real. E só não aconteceu porque o Svilar fez uma defesa espantosa por instinto a um cabeceamento que levava selo de golo, e logo na jogada a seguir um jogador adversário apareceu a finalizar a um metro da linha de golo, mas felizmente acertou mal a tentativa de rematar de calcanhar e a bola saiu fraca e à figura do nosso guarda-redes. O Benfica para os últimos minutos acabou a jogar de forma ainda mais ofensiva, tendo entrado o João Félix para o lugar do Grimaldo e o Zivkovic recuado para lateral esquerdo (houve alguém que ainda hoje é recordado por meter um criativo como o Bernardo Silva a jogar a lateral esquerdo, mas nos treinos, nunca o tentou num jogo a sério). Nem sei se foi realmente opção táctica ou necessidade, porque o Grimaldo levou tanta porrada durante o jogo que pareceu sair com problemas físicos - lá está, nem nestes jogos certos jogadores podem ser poupados e depois estamos sujeitos a isto. Em período de compensação, e quando já estávamos mais ou menos resignados a aturar mais meia hora daquilo, o Rafa lá nos poupou a isso. Cruzamento do Seferovic da esquerda (depois de ter andado várias vezes a tentar fazer cruzamentos da direita, ou seja, com o seu pior pé), tentativa de cabeceamento do Jonas na zona central que levou a bola para a zona do segundo poste, e o Rafa a conseguir antecipar-se à saída do guarda-redes e a colocar a bola na baliza, de ângulo apertado. Uff!

 

 

Melhores do Benfica ainda assim nesta pobreza de jogo: Seferovic, que esteve nos dois golos, com assistência para o primeiro e cruzamento para o segundo - aliás, praticamente os únicos desequilíbrios que o Benfica conseguia criar durante todo o jogo eram quando o Seferovic caía para os flancos, porque caso contrário nunca fomos capazes de os explorar decentemente via laterais/extremos; Jonas, que marcou o primeiro e esteve no segundo e nunca deixou de tentar vir atrás buscar e criar jogo, tendo acabado completamente esgotado; e o Rafa, por ter marcado o golo decisivo e ter ainda assim conseguido agitar um pouco o jogo com a sua entrada. Uma menção ainda para o Svilar, que não teve qualquer hipótese no golo mas cuja defesa provavelmente garantiu que não saíssemos já da Taça.

 

Por mais benevolente que queira ser, por mais optimismo que tente ter, não há outra forma de ver este jogo. Foi mau, demasiado mau contra um adversário deste calibre. Sem querer desrespeitar o Arouca, nós somos muito melhores e temos a obrigação de fazer muito melhor. Até a nossa equipa B, e prejudicada de forma descarada pela arbitragem, conseguiu ir ganhar a casa do Arouca esta época. Não sei se é falta de confiança da equipa, se é o treinador que não consegue fazer passar a mensagem aos jogadores, se estamos com uma quebra de forma, o que quer que seja é certo é que a jogar assim é altamente improvável que possamos terminar esta época com um sorriso na cara.

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publicado por D`Arcy às 03:45
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Normalidade

Regresso às vitórias, que desejamos que seja também o regresso à normalidade. Não foi uma exibição perfeita, longe disso, mas creio que não terá deixado dúvidas sobre se os jogadores estão ou não com o treinador, ou sobre a vontade que têm de dar a volta por cima a este ciclo negativo.

 

 

Conti no lugar do Jardel, o regresso do Pizzi por troca com o Gedson e do Rafa para render o lesionado Salvio foram as mudanças no onze em relação ao jogo com o Ajax. Era impossível ter começado pior o jogo. O Tondela entrou de forma bastante agressiva e nem sequer o primeiro minuto tinha terminado e já o Conti desviava para a própria baliza um cruzamento, colocando-nos em desvantagem no marcador. Vindos de quatro jogos sem vencer, iniciar um jogo assim seria um potencial mote para uma noite desastrosa, ainda por cima porque o relvado ensopado poderia ser um obstáculo adicional. Mas a equipa não pareceu acusar muito o golpe e demorou apenas oito minutos a empatar o jogo. Centro largo do André Almeida e grande cabeceamento do Jonas, a enviar a bola cruzada para entrar junto ao poste mais distante. O golo fez bem ao Benfica, que assumiu as despesas do jogo e foi à procura de mais. Mas o Tondela nunca foi uma equipa conformada e tentou sempre responder, o que resultou num jogo aberto e com boas oportunidades a surgir para as duas equipas, ainda que com sinal mais para o nosso lado. Exemplos flagrantes disso, uma iniciativa do Rafa pela direita que terminou com a bola a embater no poste, e um corte do Conti mesmo em cima da linha de golo que evitou um golo do Tondela que já parecia certo. Embora o Benfica tenha sido melhor, ainda assim o empate ao intervalo aceitava-se como um resultado justo para aquilo que se tinha visto no terreno de jogo.

 

 

Entrámos bem na segunda parte, mais em cima do Tondela e a pressionar à procura do segundo golo. O Pizzi esteve muito perto de o conseguir logo nos minutos iniciais, mas o seu remate a passe do André Almeida saiu rente ao poste. Pouco depois tudo ficou mais fácil para o Benfica quando o lateral direito do Tondela viu dois amarelos no espaço de três minutos e foi expulso. A partir daí o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, ainda que o Tondela continuasse sempre a espreitar o contra-ataque e a dar mostras que poderia a qualquer momento, mesmo reduzido a dez, fazer estragos. O Benfica reagiu rapidamente à expulsão alterando o esquema táctico para 4-4-2 com a entrada do Seferovic para o lugar do Cervi. E dez minutos após a expulsão o Benfica colocou-se então em vantagem, numa das melhores jogadas que fez em todo o jogo. Triangulação entre o Pizzi, Jonas e André Almeida, com o passe depois a sair para o Seferovic encostar à boca da baliza. Uma substituição que resultou em cheio. Mas conforme disse antes, o Tondela nunca foi uma equipa conformada e mesmo reduzidos a dez tiveram uma oportunidade flagrante para voltar a empatar o jogo. Numa saída rápida em contra-ataque colocaram um jogador completamente à vontade e isolado em frente ao Odysseas, mas para nossa sorte o toque a desviar a bola do nosso guarda-redes fê-la passar muito ligeiramente ao lado. Quase na resposta, e quando faltavam cerca de quinze minutos para o final, o Benfica chegou ao golo da tranquilidade. Um passe feito de forma pouco ortodoxa pelo Pizzi já em queda na zona frontal da baliza, deixou o Rafa sozinho à frente do guarda-redes para uma finalização simples. Foi preciso esperar uns segundos pela confirmação de que o Rafa estava de facto em posição legal (ele de repente apareceu tão à vontade que até pareceu estranho) mas foi mesmo tudo legal e pudemos então relaxar um pouco. E foi possível fazê-lo ainda mais nos minutos finais quando o Tondela ficou reduzido a nove, depois de uma entrada em carrinho por trás ter resultado num vermelho directo para o seu autor (Ícaro).

 

 

A presença do Jonas em forma no onze faz tudo e todos parecer e jogar melhor. A começar pelo André Almeida, que reencontrou o principal destinatário das suas assistências o ano passado e somou duas neste jogo, uma para cada um dos avançados. O Pizzi também se apresentou em muito melhor nível. Gostei também do Fejsa e o Rafa é provavelmente o nosso jogador em melhor forma neste momento. Mereceu o golo que marcou, e só foi pena que aquela sua iniciativa que esbarrou no poste não tenha acabado em golo.

 

Conforme disse no início, o melhor deste jogo foi ver nos jogadores vontade em dar a volta, e perceber que não vale a pena especular sobre algum distanciamento entre eles e o treinador, porque se assim fosse então teria sido bem mais complicado dar a volta a um jogo em que literalmente se entra a perder. Agora esperemos que esta vitória significa um regresso à normalidade de vencer, e que no final da época possamos olhar para este período como um mero soluço.

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

Selado

Sinceramente, já não me sobra muita paciência para continuar a escrever muito sobre jogos de uma equipa que parece insistir em sabotar-se a si própria. Hoje essa sabotagem ditou um empate em casa com o Ajax, que praticamente deixa selado o nosso destino na Champions.

 

 

O Ajax veio jogar para o empate e obviamente que saiu de Lisboa com o empate. A primeira parte quase que meteu dó, com longos períodos em que os holandeses se limitavam a trocar a bola na sua zona defensiva, sem quaisquer intenções de avançar no terreno. As jogadas de ataque deles consistiam quase todas em bolas chutadas para a frente, e pouco mais. O Benfica, sem jogar grande coisa, sempre ia tentando chegar ao golo e acabou por se apanhar em vantagem à meia hora de jogo, depois de uma dupla prenda do guarda-redes adversário. Primeiro deixou-se pressionar pelo Jonas e acabou por ter que atirar a bola para fora nas imediações da área. Na sequência do lançamento lateral longo feito pelo Salvio, saiu disparatadamente da baliza e permitiu ao Jonas marcar. O Ajax fez o primeiro remate do jogo aos 38 minutos, na sequência de um livre ainda bem longe da baliza. E o segundo em tempo de descontos, em novo livre a uma boa distância (em ambos os livres esteve perto de marcar). Na segunda parte, o Benfica dedicou-se à sua tradicional gestão do resultado. Ou, como eu prefiro chamar a essa táctica, 'Fazer o adversário acreditar'. E o adversário acreditou mesmo, e acabou por chegar ao golo ao fim de quinze minutos num lance que é uma autêntica ode à imbecilidade. Foi tão simples quanto isto: um chuto da linha do meio campo para a frente. Foi esta a elaboradíssima jogada que o Ajax fez para chegar ao golo. Lá na frente estava um jogador do Ajax sozinho e entalado entre os dois centrais. Apesar dos centrais terem partido à frente, ninguém atacou a bola, o Odysseas saiu já demasiado tarde, e quase em cima da linha de fundo o jogador do Ajax fez um remate enrolado que conseguiu pôr a bola para lá da linha de golo. Depois, como habitualmente, foi preciso correr atrás do prejuízo e nos minutos finais, sempre muito mais com o coração do que com a cabeça e à base de muito pontapé para a frente, quase que chegámos à vitória. Na sequência de um pontapé de canto a bola sobrou para o Gabriel no interior da área, que completamente à vontade rematou para um defesa por instinto do guarda-redes.

 

O apuramento na Champions é uma espécie de miragem (passaria sempre por ganhar os dois últimos jogos) e com sorte pode ser que consigamos passar para a Liga Europa, o que seria um mal menor. Assumindo que não mantemos este nível exibicional até ao jogo com o AEK, senão até isso somos capazes de estragar. A nossa equipa parece andar emocionalmente descontrolada (basta ver a linguagem corporal dos jogadores) e pior do que isso, estamos sem fio de jogo nenhum. Dependemos sobretudo de iniciativas individuais (Rafa pela direita, Grimaldo pela esquerda) para fazer a bola chegar ao ataque e quando ela lá chega (isso viu-se neste jogo) muitas vezes ninguém tem coragem para assumir a finalização. Muita coisa tem que mudar na forma como estamos a jogar.

 

 

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publicado por D`Arcy às 23:23
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Sábado, 3 de Novembro de 2018

Horrível

Uma exibição horrível e um resultado vergonhoso como consequência. Mas o mérito a quem é devido: o Moreirense fez uma excelente exibição esta noite na Luz (principalmente na primeira parte) e justificou completamente a vitória. Sem autocarros, sem anti-jogo, e a jogar bom futebol. Era ao Benfica quem cabia fazer muito mais e melhor.

 

 

Duas alterações na linha da frente para este jogo: João Félix e Jonas renderam Seferovic e Salvio. De resto, os mesmos que tinham defrontado o Belenenses. Foi precisamente esta dupla a dar o melhor início possível ao jogo, pois ainda não estavam decorridos dois minutos e já o João Félix assistia o Jonas para o primeiro golo da partida. Seria natural começar desde logo a pensar que uma vitória tranquila se seguiria, mas estávamos muito enganados. O Moreirense veio à Luz para jogar futebol, e de forma bastante eficaz e descomplexada. Linhas subidas, agressivos no ataque à bola e muito bem nas saídas da pressão, conseguindo em três quatro toques aquilo que o Benfica não conseguia em trinta: colocar três ou quatro jogadores na zona de finalização e libertar alguém para fazer o remate. E depois, uma tremenda eficácia, num enorme contraste com aquilo que temos andado a fazer. Nem três minutos durou a vantagem do Benfica, porque o Moreirense imitou-nos e chegou ao golo também no primeiro remate que fez. Uma subida do Grimaldo não foi devidamente compensada (o nosso meio campo, Fejsa incluído, esteve completamente desastrado) e o Moreirense aproveitou a cratera que se abriu do lado esquerdo para entrar e fazer o passe para a entrada da área, onde surgiu o Chiquinho (jogador que fez a pré-época connosco e acabou dispensado) a rematar para o golo. De notar também que nesta jogada o Moreirense saiu para o ataque e chegou à área com quatro jogadores para apenas três defesas nossos. Médios nossos, nem vê-los. O Benfica ainda respondeu com uma grande ocasião do Rafa, na qual o guarda-redes tirou a bola em cima da linha depois do Rafa lhe ter feito um chapéu, mas o Moreirense estava a jogar de uma forma que só deixava antever mais problemas para nós. O Chiquinho, apesar de ter marcado o golo, continuava a gozar das maiores liberdades para receber a bola à entrada da área. Acho que nunca tinha visto o Fejsa a jogar tão longe dos centrais e com tão poucas preocupações defensivas. O resultado disso foi um segundo golo quase tirado a a papel químico do primeiro, à passagem do quarto de hora. Nova subida do Grimaldo, perda de bola no ataque e nenhuma compensação a fechar aquele lado. Depois o Jardel foi facilmente ultrapassado e desta vez o centro saiu para a zona do segundo poste, onde o Pedro Nuno (outro ex-jogador nosso) encostou para o golo. 

 

 

Se as coisas já não pareciam bem, a partir deste momento fiquei com a nítida sensação de que os nossos jogadores estavam completamente perdidos em campo. Os assobios que se começaram logo a fazer ouvir também ajudaram à festa e imediatamente vimos toda a gente a tentar fazer sempre tudo demasiado depressa, e quase sempre mal. Mas ainda tivemos mais duas boas ocasiões para marcar: um cabeceamento do Jonas, que completamente à vontade na área atirou por cima, e uma situação em que o Rafa ultrapassou o guarda-redes e só com um defesa entre ele e a baliza conseguiu acertar no defesa. Mas quase toda a gente à minha volta na bancada percebia que a probabilidade do Moreirense voltar a marcar era grande, porque o Benfica simplesmente não conseguia travar as saídas deles para o contra-ataque. Era tudo feito de forma muito simples e eficaz, com os nossos jogadores quase a parecerem parados. Infelizmente tínhamos razão, e o desacerto ficou por demais evidente no lance do terceiro golo do Moreirense. Depois de uma bola comprida metida nas costas da nossa defesa, descoordenação entre o Odysseas e o Jardel, com o nosso guarda-redes a sair disparatadamente da área e a bola a ficar nos pés do Jardel. Depois o mesmo Jardel deixou-se pressionar e na ânsia de despachar a bola para não ceder um lançamento de linha lateral acabou por colocá-la nos pés de um adversário. Daí, a bola seguiu para a zona central, onde a uns bons vinte e cinco metros da baliza o Loum desferiu um remate colocadíssimo que levou a bola a entrar bem junto da base do poste (acho que ainda lhe bateu). Um golaço. Faltavam dez minutos para o intervalo e imediatamente o Benfica passou a jogar em 4-4-2, com o Félix a juntar-se ao Jonas no centro do ataque, o Rafa a ir para a esquerda e o Pizzi para a direita. Sem resultados práticos, diga-se. Seria necessário algo muito especial para que o Benfica conseguisse dar a volta a isto.

 

 

O Rui Vitória tentou mudar logo ao intervalo, retirando duas das piores unidades do campo - Pizzi e André Almeida - para colocar o Castillo e o Salvio como lateral direito. O João Félix regressou à esquerda e o Rafa foi para a ponta direita, num 4-4-2 clássico. Ao contrário da primeira parte, o Moreirense não se revelou tão atrevido a sair para o ataque e baixou as linhas, convidando o Benfica a atacar. Mas se os jogadores até mostraram vontade para inverter o rumo dos acontecimentos, faltou-lhes discernimento e até mesmo qualidade para o fazerem. Embora o Rafa e o Salvio até tivessem dado alguma velocidade ao lado direito, houve sempre demasiadas dificuldades em fazer a bola entrar na área, assistindo-se sempre àquele futebol rendilhado com demasiados passes pouco objectivos e que exaspera as bancadas, sobretudo quando o resultado não é de feição. Basta tentarmos lembrar-nos de quantas ocasiões de golo ou até mesmo remates na direcção da baliza conseguiu o Benfica fazer durante a segunda parte. Poucos, demasiado poucos para uma equipa que precisava de inverter um resultado negativo. E mesmo esses poucos, foram quase sempre fracos e na direcção do guarda-redes. A terceira alteração não mudou nada em termos tácticos, apenas fizemos entrar um extremo de raiz (Cervi) para o lugar do João Félix, que até trouxe alguma dinâmica à esquerda, mas o golo continuou a parecer sempre muito distante. Como se as coisas não estivessem já a correr mal, o Jardel fez-se expulsar (mais um central expulso). Na marcação de um livre perigoso contra o Moreirense, ele conseguiu dar uma cotovelada num adversário na barreira. Na marcação de um livre perigoso, estão a ver? Quando o árbitro está precisamente atento à formação da barreira e de olhos postos nos jogadores que lá estão. Com o árbitro de frente e a cinco metros, o nosso capitão de equipa dá uma cotovelada a um adversário. Simplesmente brilhante, e digno de qualquer um que envergue aquela braçadeira. A coisa acabou por não descambar para pior porque o Moreirense tinha o jogo na mão e por isso nem forçou à procura de mais golos, mas foi tipo a cereja no topo do bolo de uma noite pavorosa.

 

 

Não é possível destacar alguém pela positiva. Pela negativa sim, mesmo num jogo em que estivemos tão mal. Mas alguns estiveram ainda pior, e estranhamente estamos a falar de alguns dos jogadores mais experientes da equipa. Pizzi, André Almeida e Jardel estiveram um desastre absoluto. Não sei se conseguiram sequer fazer alguma contribuição positiva em todo o tempo que estiveram em campo. Uma palavra ainda para o Castillo: ou no futuro mostra muito mais do que aquilo que vi esta noite, ou então é um absoluto mistério o motivo pelo qual pagámos tanto por ele.

 

Se na derrota contra o Ajax ainda tínhamos mostrado qualidade de jogo, e contra o Belenenses ainda se podia dar algum desconto à inacreditável exibição do guarda-redes na primeira parte (a segunda parte já tinha sido muito má) neste jogo não consigo encontrar qualquer traço redentor. Foi tudo demasiado mau, vi uma equipa tacticamente perdida em campo e jogadores muitas vezes a parecerem desesperados. Perdemos em casa com o Moreirense e o que é mais grave é ter que admitir que perdemos muito bem, porque o adversário foi claramente a melhor equipa em campo. E realço isso mesmo: nós podemos ter melhores jogadores do que o Moreirense, mas eles foram a melhor equipa em campo. Sem discussão possível.

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Domingo, 28 de Outubro de 2018

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É como o título diz. Ontem não tive oportunidade para ver o jogo. Tencionava vê-lo depois em diferido, mas sabendo já o resultado nem sequer me vou incomodar a fazê-lo. 

 

É que perder com a SAD do Belenenses, que jogou numa casa emprestada e que nem tem adeptos, ainda por cima por dois golos é mau demais. Nem preciso de ver o jogo para imaginar que o único cenário possível é o Benfica ter feito um jogo inacreditavelmente mau, quase de certeza marcado pela péssima capacidade de finalização que a nossa equipa tem mostrado esta época. E confesso que a minha tendência para o pessimismo antes de quase todos os jogos já me fazia temer uma coisa destas. Simplesmente, o Benfica aproveitar o empate do Braga para vencer e se isolar no topo da tabela classificativa parecia-me ser demasiado bom para ser verdade. De alguma forma arranjaríamos maneira para estragar isto. E assim oferecemos um balão de oxigénio aos rivais, sobrecarregamos o negativismo que já tinha mostrado a sua cara depois da derrota em Amesterdão, e damos mais armas aos que se entretêm a atacar o Benfica. Uma semana em cheio, portanto.

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publicado por D`Arcy às 13:26
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