VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 18 de Abril de 2021

Confrangedora

Uma derrota tão inesperada quanto justa ditou o fim da boa sequência de resultados do Benfica. Numa tarde francamente desinspirada, o Benfica deu uma parte de avanço, deixou que o Gil Vicente estivesse demasiado confortável durante a maior parte do jogo, e quando tentou reagir na fase final do jogo e finalmente conseguiu encostar o adversário à sua área já era tarde demais. O desacerto do Benfica fica bem expresso neste número: acertámos um remate na baliza durante todo o jogo, e isso aconteceu aos  oitenta e sete minutos, tendo o nosso golo sido um autogolo resultante desse remate.

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Mantivemos o onze da última jornada, que tão bem tinha estado em Paços de Ferreira. Mas deu para ficar logo muito cedo com um mau pressentimento para este jogo. O Benfica revelou desde início muita dificuldade para causar qualquer tipo de problema ao Gil Vicente, muito por culpa de uma grande lentidão de processos, regressando ao futebol de toques laterais excessivos, uma quase completa falta de profundidade e muito pouca agressividade - os jogadores adversários chegavam quase sempre primeiro às bolas e cedo ganharam superioridade na zona do meio campo. A nossa equipa pareceu reagir mal às linhas subidas do Gil Vicente, que se recusou a encostar-se à sua área e a entregar-nos a iniciativa de jogo, optando por tentar pressionar alto logo na nossa saída de bola, que consequentemente foi quase sempre feita com pouco critério - havia quase sempre pelo menos três jogadores do Gil Vicente a pressionar logo à saída da nossa área. As sucessivas perdas de bola que resultavam em contra-ataques rápidos nos quais demorava uma eternidade até aparecer algum jogador nosso a pressionar o portador da bola (quando surgia) - é inadmissível uma tão má reacção à perda da bola - iam fazendo temer o pior, mesmo que a maioria dessas jogadas acabassem por ser mal finalizadas. Mas a constante repetição da situação acabou mesmo por resultar no golo do Gil Vicente a dez minutos do descanso. Mais um contra-ataque (conduzido apenas por dois jogadores) com imenso espaço para o adversário no nosso meio campo, e à entrada da área um remate rasteiro, bastante colocado mas que nem levou assim tanta força, fez a bola entrar junto ao poste. Na minha opinião, alguma culpa para o Helton no lance porque a bola entra junto ao poste que é dele, e o remate foi desferido a uma distância suficiente para que lá chegasse se estivesse melhor colocado. Com o Benfica a revelar uma capacidade nula para reagir ao golo sofrido, fomos para intervalo comigo convencido que ou havia uma alteração radical no jogo do Benfica, ou os três pontos estavam irremediavelmente perdidos. Porque o Gil Vicente veio claramente com a lição bem estudada e durante os primeiros quarenta e cinco minutos banalizou o Benfica com uma equipa com muito menos recursos. Em termos tácticos, o Ricardo Soares deu uma master class ao nosso treinador.

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A alteração táctica fez-se, desmanchando os três centrais - saiu o Lucas Veríssimo, já amarelado, e entrou o Everton. O Benfica melhorou um pouco (não muito) e as alterações não me pareceram que fossem dar qualquer resultado. O Gil Vicente até desperdiçou uma boa ocasião para voltar a marcar logo nos minutos iniciais, e da mesma forma que o tinha feito na primeira parte. Bola recuperada, contra-ataque rápido e bola a chegar à zona de finalização em poucos toques, mas desta vez o remate saiu ao lado. Do nosso lado, o Seferovic a mostrar que estava num dia de forma clássica, falhando a baliza depois de ficar com o ressalto a uma primeira tentativa sua. Seguiu-se nova ocasião para o Gil Vicente, na qual o avançado se antecipou com alguma facilidade na área ao Diogo Gonçalves e em frente à baliza finalizou o cruzamento atirando por cima. Já eram avisos mais do que suficientes para perceber que o Gil Vicente não se iria limitar a defender a vantagem. O Seferovic, esse, não estava em dia sim e depois de um cruzamento-remate do Diogo Gonçalvez que foi defendido a custo pelo guarda-redes, tentou finalizar meio de calcanhar para aproveitar o ressalto e a bola saiu por cima quando a baliza estava escancarada (se calhar se tivesse deixado a bola seguir ela iria ter com o Rafa, que estava em óptima posição, mas compreendo que tenha tentado finalizar de qualquer maneira). A meia hora do final o Benfica trocou o Taarabt e o Waldschmidt pelo Pizzi e o Darwin, mas creio que o intensificar da pressão que se começou a ver nos minutos seguintes se deveu mais a um encolhimento progressivo do Gil Vicente do que a qualquer tipo de melhoria do nosso jogo. Até porque nada corria bem mesmo. Aos setenta minutos o Rafa em esforço conseguiu ganhar uma bola junto à lateral direita, progrediu até à linha de fundo e ofereceu um golo quase feito ao Seferovic - era daqueles que era só encostar. O suíço atirou enrolado e ao lado. Perante tanta inépcia, o xeque-mate apareceu aos oitenta e um minutos. Um contra-ataque conduzido apenas por três jogadores pelo lado direito da nossa defesa, o Diogo Gonçalves, a passo, não acompanhou o extremo e este conseguiu fugir por esse lado. O Otamendi ainda conseguiu recuperar de forma a apertar-lhe o ângulo, mas fiquei com a sensação de que o Helton demorou demasiado tempo a sair e mais uma vez deixou a bola passar entre ele e o poste mais próximo. O Gil Vicente fazia o seu segundo remate à baliza no jogo, e conseguia o segundo golo. A reacção do Benfica ficou-se pelo único remate que acertou na baliza, pelo Rafa aos oitenta e sete minutos e que mesmo assim foi um falhanço, já que só com o guarda-redes pela frente permitiu a defesa deste. No ressalto, a bola bateu num defesa que recuperava em corrida e foi para dentro da baliza. Mesmo sobre a hora, à entrada da área e em posição frontal, o Otamendi desperdiçou a possibilidade do empate atirando para a bancada.

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Num jogo tão mau acho que só consigo mesmo lembrar-me do Rafa como um dos menos maus. Pelo menos tentou, o golo surgiu de uma jogada individual dele, ainda ofereceu um golo feito ao Seferovic e nunca baixou os braços. Mas perante tanta falta de inspiração, também não era preciso fazer grande coisa para se destacar.

 

Uma exibição confrangedora resultou num resultado desastroso, que deixa o importante segundo lugar mais longe e ainda o terceiro em risco. Depois de uma sequência tão positiva, nada fazia esperar um jogo tão desligado da nossa equipa, ainda por cima numa fase tão importante da época, em que tantas decisões estão em jogo. Uma derrota destas em casa, da forma que aconteceu, é muito difícil de aceitar ou justificar. O Benfica tinha a obrigação de vencer este jogo, e para tal não podia dar a primeira parte de avanço para depois andar a correr atrás do prejuízo.

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publicado por D`Arcy às 00:27
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Sábado, 10 de Abril de 2021

Arrasador

Acho que hoje foi a segunda ocasião esta época em que podemos dizer que o Benfica foi arrasador (a primeira foi em Famalicão, logo na primeira jornada). Aproveitámos da melhor maneira o facto do Paços ter ficado em inferioridade numérica numa fase inicial do jogo, nunca tirámos o pé do acelerador mesmo quando a vantagem já era confortável, os golos foram-se acumulando com naturalidade e o resultado só não foi ainda mais desnivelado porque o guarda-redes adversário teve uma noite inspirada.

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Regressámos aos três centrais, sendo previsivelmente o Everton a sair da equipa para a entrada do Vertonghen. O jogo começou praticamente com um lance na área do Paços que na minha opinião seria penálti em qualquer lado. Sem sequer a bola estar ali perto, o Waldschmidt foi abalroado por um defesa pelas costas, e a seguir derrubado pelo guarda-redes do Paços. Siga jogo. O Benfica entrou por cima e à procura do golo, com o Paços a jogar com a defesa subida e em linha. Era um risco devido ao muito espaço que deixava nas costas, que podia ser aproveitado pelo Benfica para fazer lançamentos em profundidade, mas pelo menos no início a coisa ia funcionando, com o Seferovic a ser apanhado na armadilha várias vezes. Foi aliás isso que salvou o Paços de ver o seu guarda-redes expulso logo aos oito minutos, pois o Seferovic isolou-se após um passe longo do Otamendi desde a entrada da nossa área e depois de ultrapassar o guarda-redes foi derrubado por este. Valeu-lhes que o suíço estava ligeiramente adiantado no início da jogada. O Benfica dominava na posse de bola, o jogo disputava-se quase sempre no meio campo do Paços, mas o nosso adversário estava bem organizado defensivamente e era difícil encontrar o caminho da baliza. Até que cerca dos vinte minutos de jogo o Eustáquio teve uma entrada brutal sobre o Weigl à entrada da nossa área e o VAR indicou que tinha que ser expulso (o Hugo Miguel inicialmente mostrou-lhe o amarelo). A pressão do Benfica naturalmente acentuou-se e quase de seguida o guarda-redes do Paços evitou o golo do Waldschmidt quase que por milagre, com uma defesa por instinto muito também porque o alemão rematou-lhe quase à figura. Logo a seguir, uma boa combinação deixou o Rafa em óptima posição para finalizar já dentro da área, mas mais uma vez o remate saiu na direcção do guarda-redes Jordi. O Paços ia aguentando como podia a pressão do Benfica, mantendo-se organizado apesar da desvantagem numérica, mas os minutos finais da primeira parte foram-lhe fatais e deixaram o jogo resolvido. A sete minutos do intervalo o Diogo Gonçalves antecipou-se e interceptou um mau passe à entrada da área pacense, para depois rematar muito forte e cruzado para o golo. Em desvantagem, o Paços foi fiel à sua forma habitual de jogar e preferiu subir as linhas para ir à procura do golo em vez de tentar perder por poucos. Isso foi-lhe fatal. Aos quarenta e três minutos o Waldschmidt falhou de forma escandalosa um golo feito que lhe foi oferecido pelo Seferovic. Em frente à baliza aberta conseguiu bater mal na bola e esta nem sequer seguiu na direcção da baliza, tendo mesmo assim o guarda-redes feito uma defesa por instinto para canto. No minuto seguinte, o segundo golo do Benfica. O golo surge de um lançamento de linha lateral a favor do Paços junto à esquerda da nossa área. O Paços subiu quase toda a gente para a área, o Benfica recuperou a bola e o Seferovic, junto à linha de meio campo e encostado à lateral, soltou a bola para o círculo central, onde surgiu o Rafa lançado e isolado para ultrapassar o guarda-redes à saída deste e introduzir a bola na baliza deserta. Como o árbitro ainda deu nove minutos de compensação (justificados) ainda deu para o Benfica marcar um terceiro golo. Primeiro houve uma espécie de ensaio, no qual o Seferovic se isolou a passe do Taarabt, ultrapassou o guarda-redes e marcou de ângulo apertado. Anulado por mais um fora-de-jogo do suíço. A seguir, mesmo a acabar a primeira parte, novamente o Taarabt a solicitar a desmarcação do Seferovic, que desta vez estava em jogo e à saída do guarda-redes finalizou com muita classe, picando-lhe a bola com um toque de primeira. Três a zero e vantagem numérica à saída para o intervalo, o que significava que o jogo estava mais do que resolvido.

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Nestas circunstâncias até esperava que o Benfica se dedicasse durante a segunda parte a gerir o resultado e o esforço, abrandando o ritmo de jogo. Mas não foi isso que aconteceu, pois continuámos no mesmo ritmo e sempre em busca de golos. A estratégia do Benfica e substituições foram também de certa forma condicionadas pelo Hugo Miguel, que estava de gatilho leve e provavelmente tinha muita pressa em igualar as duas equipas no número de jogadores em campo. O Benfica na primeira parte fez quatro faltas no total, que lhe valeram três cartões amarelos. À sexta falta saiu o quinto amarelo (o Waldschmidt viu um após sofrer falta e se desentender com um adversário). Repito: as seis primeiras faltas do Benfica valeram-nos cinco amarelos. Num jogo em que o Benfica venceu facilmente e dominou de princípio a fim, acabamos com cinco amarelos e o adversário com um. Enfim, é o lagarto Hugo Miguel e está tudo dito. O Diogo Gonçalves, que era um dos amarelados, ficou logo nos balneários ao intervalo. Depois durante a segunda parte também os amarelados Waldschmidt e Grimaldo acabaram por ser substituídos. Quanto ao jogo jogado, foi agradável e adivinhavam-se mais golos do Benfica, que jogava de forma solta no ataque com muita mobilidade dos seus jogadores e constantemente à procura de caminhos para o golo. O maior adversário foi mesmo o guarda-redes Jordi, que foi evitando que o resultado se dilatasse. Com uma grande defesa evitou o golo do Everton num remate colocado ao segundo poste, e a seguir tirou o golo ao Grimaldo num livre directo. Mas era mesmo uma questão de tempo, e já depois de mais um possível penálti por mão na bola do Marcelo ter sido ignorado, aos setenta e oito minutos o Seferovic voltou a marcar, passando assim a ser o melhor marcador da Liga. Foi um golo muito bonito pela sua simplicidade, já que foi um movimento clássico de ponta-de-lança. Depois de uma troca de bola prolongada do Benfica, o Everton progrediu para o meio e meteu a bola rasteira nos pés do Seferovic, que estava de costas para a baliza à entrada da área. Com um defesa a pressioná-lo nas costas, o suíço rodou e rematou de pronto em força e colocado, fazendo a bola entrar rasteira junto ao poste mais próximo. Neste momento é um jogador com a confiança muito alta e isso faz-se notar. Quem está a necessitar de confiança é o Darwin, que entrou para os minutos finais, e numa noite tão inspirada até para isso o Seferovic conseguiu contribuir. Mesmo sobre o final da partida, recebeu no peito e já dentro da área um bom passe longo do Pizzi (outro dos que entraram no decorrer da segunda parte) e descaído sobre a direita fez o passe para o outro lado, onde surgiu o Darwin a empurrar para a baliza vazia.

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Obviamente que o Seferovic é o homem do jogo. Marcou dois golos, fez duas assistências, ainda ofereceu mais um golo ao Waldschmidt que parecia quase impossível de falhar, e no geral esteve envolvido em quase todas as jogadas de maior perigo do ataque do Benfica. Fez um jogo absolutamente brilhante, e até arrisco dizer que terá sido o melhor que o vi fazer com a nossa camisola. Achei também que o Weigl fez um óptimo jogo - mais uma vez, o esquema de três centrais permite-lhe jogar em terrenos mais adiantados e isso é benéfico para o nosso jogo. Gostei também do Taarabt e do inevitável Rafa. O Grimaldo esteve bem e o Diogo Gonçalves igualmente na outra ala, e muito provavelmente teria um destaque maior ainda se não tivesse saído logo ao intervalo, mas com a vontade que o Hugo Miguel estava e o jogo mais do que resolvido, tirá-lo foi a opção mais avisada.

 

E de um jogo previsivelmente complicado frente a uma das boas equipas do campeonato resultou uma goleada, a sétima vitória consecutiva (sexta na Liga) e sétimo jogo seguido na Liga sem sofrer golos. Depois da exibição algo titubeante a semana passada, parecemos ter regressado ao momento de forma de antes da pausa para as selecções. Uma vez que só dependemos de nós para chegar ao segundo lugar, o actual momento e a forma como a equipa parece estar mais rotinada e segura dão-nos confiança para que esse objectivo possa ser alcançado.

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publicado por D`Arcy às 22:50
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Terça-feira, 6 de Abril de 2021

Sofrível

Uma exibição sofrível e um triunfo sofrido, muito por culpa do incrível desperdício que os nossos jogadores revelaram em frente à baliza de um Marítimo que veio à Luz para defender com unhas e dentes, e que perante tanto desacerto nosso até podia ter sido feliz.

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Voltámos a jogar com defesa a quatro, e vimos o regresso do Everton à titularidade. Pela frente, apanhámos um Marítimo com um daqueles autocarros à antiga, incluindo trincos e ferrolhos e que veio à Luz claramente jogar para o pontinho. Foram praticamente inofensivos no ataque durante quase todo o jogo, sendo apenas capazes de chegar mais próximo da nossa baliza através de bolas paradas. O resultado magro também se explica com o facto da qualidade do nosso futebol ter regredido em relação aos últimos jogos. Pelo menos fiquei com a sensação de ter visto vários períodos com aquela circulação de bola irritante quase sem progressão, demasiados toques desnecessários entre jogadores quase sem sair da mesma zona de terreno, e poucas vezes a bola a chegar a zonas e situações de finalização. Aquele 'tiki-treta' a que infelizmente já nos fomos habituando a ver durante alguns períodos desta época. Ainda assim, apesar de criarmos muito menos situações do que nos últimos jogos, as que criámos foram suficientemente flagrantes para poder ter ganho este jogo com relativa tranquilidade. Mas a finalização deixou muito a desejar - mérito também para o guarda-redes do Marítimo - e por isso mesmo tivemos que ficar na expectativa até ao apito final que o Marítimo pudesse nalgum golpe do acaso chegar a um golo que nunca justificou. O Seferovic em especial voltou ao nível a que estamos mais habituados a ver, e falhou todas as ocasiões de que dispôs, por mais flagrantes que fossem. O nosso golo surgiu num até agora nunca visto penálti. O Rafa foi claramente tocado dentro da área, o árbitro apontou para a marca de penálti, mas o reflexo condicionado foi o de ficar à espera que o VAR, mais uma vez e como tantas vezes aconteceu esta época, encontrasse alguma razão para o reverter. Como estranhamente isso não aconteceu, o Waldschmidt converteu-o de forma irrepreensível. Estávamos a meio da primeira parte, e o resto do jogo resumiu-se a ficarmos à espera que o Benfica acabasse de vez com as dúvidas, sempre com o receio que o Marítimo chegasse ao golo. Verdade seja dita que só me recordo de duas ocasiões em que isso pareceu estar perto de acontecer. A primeira, aos sessenta e dois minutos, quando na sequência de um canto o Seferovic não consegue o corte na zona do primeiro poste e a bola atravessou toda a área para ir cair nos pés de um jogador adversário, valendo-nos uma defesa por instinto do Helton para evitar o empate. Na sequência da jogada, contra-ataque do Benfica de três para um, que após passe do Waldschmidt se transformou em dois jogadores na cara do guarda-redes, e o Seferovic em vez de dar um toque para o lado de forma a que o Rafa atirasse para a baliza deserta preferiu rematar de forma a permitir a defesa ao guarda-redes. Depois de já na primeira parte ter falhado também só com o guarda-redes pela frente depois de uma tabela com o Rafa, eu se fosse treinador não teria o auto-controlo suficiente para o manter em campo e tirá-lo-ia imediatamente. O segundo momento de maior preocupação foi já bem perto do final, mas o remate cruzado do jogador do Marítimo, já bem no interior da área, levou o efeito ao contrário e fez a bola passar ao lado. Mesmo a acabar o último minuto do período de compensação, mais um lance a exemplificar o que foi o desperdício do Benfica durante todo o jogo, quando novo contra-ataque deixou três jogadores do Benfica dentro da área em boa posição, mas o recém-entrado Chiquinho, em posição frontal e privilegiadíssima, conseguiu mais uma vez acertar no guarda-redes.

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O melhor do Benfica foi para mim o Rafa. Sofreu o penálti e foi dos jogadores que mais desequilíbrios conseguiu causar pela direita, sobretudo com o Diogo Gonçalves a ter um jogo muito apagado em termos ofensivos. Ofereceu dois golos quase cantados aos colegas, que conseguiram desperdiçar. O Waldschmidt também fez um bom jogo e foram as suas movimentações no ataque que provocaram uma boa parte dos desequilíbrios na defesa adversária.

 

É mais uma vitória e mais um jogo sem sofrer golos. A exibição já não foi tão interessante como as anteriores, mas a vitória do Benfica é incontestável e não fosse tanto o desacerto na finalização poderia ter sido bem mais tranquila. Os adversários mais directos também venceram, nos últimos suspiros dos seus jogos, portanto fica tudo na mesma na luta pela importante entrada directa na Champions. O lagartedo para variar não teve a visita do curral de vacas leiteiras que o tem acompanhado toda a época e não ganhou. Óbvia e previsivelmente culpou o árbitro, portanto estamos lentamente a regressar à normalidade.

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publicado por D`Arcy às 23:03
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Domingo, 21 de Março de 2021

Solidez

Foi uma exibição sólida e bastante sóbria do Benfica, que nos permitiu trazer a vitória do teste de fogo em Braga. Foi a primeira vitória sobre o Braga esta época, num jogo sobre o qual certamente vão querer colar o resultado à expulsão de um jogador do Braga, ignorando convenientemente que o Benfica já estava por cima do jogo desde o apito inicial.

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Era uma possibilidade falada para este jogo e confirmou-se, tendo o Benfica optado por entrar com três centrais com o regresso do Vertonghen. Entrámos no jogo de forma bastante personalizada, ganhando superioridade na zona do meio campo, mesmo actuando o Braga com três jogadores nessa zona. Os três centrais permitiram ao Weigl ter menos preocupações defensivas e actuar um pouco mais subido no terreno, e isso faz diferença. O Benfica tentou sempre explorar a profundidade pelos flancos, algo que o Braga revelou dificuldades em controlar, e conseguiu quase sempre manter o Braga muito longe da sua baliza. Praticamente não se viram jogadas de perigo por parte do Braga, e jogadores como o Galeno ou o Ricardo Horta, que costumam ser muito perigosos nos flancos, passaram quase ao lado do jogo, já que tiveram que se preocupar frequentemente com as subidas dos nossos laterais. Ainda na fase inicial do jogo criámos uma ocasião flagrante para inaugurar o marcador, quando o Grimaldo se isolou após um grande passe do Waldschmidt, mas rematou de forma a permitir a defesa do guarda-redes. O jogo estava fechado e apesar de estarmos mais por cima, as oportunidades de golo não eram muitas, e por isso ainda fiquei a remoer aquele falhanço durante algum tempo. A meio da primeira parte, repetiu-se um cenário que já vimos: penálti assinalado a favor do Benfica, por falta do guarda-redes sobre o Seferovic. Mas nesta altura sempre que isso acontece, eu só gfico à espera que o VAR reverta o lance, o que veio a acontecer mais uma vez. O Seferovic estava adiantado por dez centímetros, e portanto continuamos a prolongar o recorde de jornadas sem beneficiarmos de um penálti. Mais perto do intervalo, nova boa ocasião para o Benfica: livre sobre a direita marcado pelo Taarabt e cabeçada do Seferovic para uma defesa por instinto do guarda-redes. Fica a dúvida sobre se não terá havido mão de um defesa do Braga neste lance. Logo a seguir, o Fransérgio foi expulso por acumulação de amarelos, após falta sobre o Rafa, e dada a superioridade do Benfica até então adivinhava-se que esta se intensificasse. Curiosamente, foi a jogar com dez que o Braga teve a sua primeira ocasião de golo (e única na primeira parte), quando o Benfica foi pouco expedito a sair com bola e se deixou pressionar, tendo um passe à queima do Veríssimo para o Otamendi resultado numa perda de bola que só não acabou em golo porque o Helton foi rápido a reagir e a fazer a mancha. Praticamente na resposta e mesmo a terminar o tempo de compensação, o Benfica colocou-se em vantagem numa transição rápida. Lançamento muito longo do Grimaldo para o Seferovic, que aguentou a pressão do defesa e soltou para a entrada do Rafa pelo meio, que um para um com o Matheus não perdoou. Uma óptima altura para nos colocarmos em vantagem e deixar o adversário ainda sob maior pressão à saída para o intervalo.

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O Braga praticamente começou a segunda parte a causar muito perigo, num livre de muito longe do João Novais que levou a bola à barra da nossa baliza. Mas a intenção do Braga em ir à procura do empate deixava mais espaços atrás e o Benfica conseguia ser mais perigoso, ameaçando o segundo golo. O Rafa deixou o primeiro aviso, rematando ligeiramente ao lado do poste, mas aos onze minutos surgiu mesmo o golo da tranquilidade. Um alívio da nossa defesa foi ganho nas alturas pelo Seferovic, na zona do círculo central. O suíço deixou a bola de cabeça para o Rafa e desmarcou-se imediatamente, recebendo o passe que o deixou isolado para marcar com classe à saída do guarda-redes, colocando a bola no poste mais distante. O Braga nunca baixou os braços, mas sentia-se que aquele golo deixava o jogo quase resolvido. Pouco depois o Seferovic esteve muito perto de bisar, num cabeceamento espectacular em salto de peixe, onde foi buscar a bola que o Taarabt tinha centrado ligeiramente para trás dele, mas o Matheus voltou a fazer uma grande defesa. Depois disto o Benfica decidiu claramente acalmar o ritmo do jogo, optando sobretudo por fazer circulação da bola e mantê-la o máximo possível na sua posse. A troca feita entretanto do Waldschmidt pelo Pizzi também retirou alguma velocidade e repentismo ao nosso jogo no ataque, e imagino que a intenção tenha sido mesmo colocá-lo em campo para privilegiar a posse de bola. O Braga nunca desistiu de ir à procura de mais, mas apesar da boa vontade não teve muita capacidade para apertar o Benfica, tendo tido apenas uma ocasião de perigo, na qual o entrado Sporar se escapou pela nossa esquerda e já de ângulo algo apertado rematou muito forte mas à figura do Helton. Nos minutos finais, assinale-se também a troca do Lucas Veríssimo pelo Jardel, depois de já se ter queixado ainda durante a primeira parte de se sentir mal disposto. Felizmente parece que não há nada de grave, e aguentou em campo até o jogo estar praticamente resolvido.

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Os destaques vão para o Seferovic e o Rafa, cada um deles autor de um golo e de uma assistência. O suíço está claramente a atravessar uma fase de grande confiança e já leva quatro jornadas consecutivas a marcar. O Rafa é sempre um factor de desequilíbrio e repentismo no nosso ataque. Gostei também do jogo do Grimaldo e invariavelmente do Weigl, que eu acho que é um pêndulo nesta equipa.

 

Creio que este jogo terá servido de confirmação do momento mais positivo da nossa equipa. Metemos a quinta seguida, parece que finalmente atingimos o equilíbrio defensivo que se exige - temos um golo sofrido (de penálti) nos últimos oito jogos para o campeonato e a equipa já não parece tão perdida em campo. Até já conseguimos marcar golos em transições rápidas, que era algo que parecia impossível há umas semanas atrás. Infelizmente estas melhorias já vieram tarde demais, mas espero que pelo menos nos permitam subir até ao segundo lugar. Só dependemos de nós próprios para isso.

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publicado por D`Arcy às 23:02
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Domingo, 14 de Março de 2021

Escasso

Um triunfo do Benfica que acaba por ser escasso perante o domínio tão absoluto que teve num jogo no qual o adversário cedo ficou reduzido a dez. O Boavista resistiu enquanto foi possível, mas o jogo foi de tal forma desequilibrado que seria preciso um autêntico milagre para conseguir sair da Luz sem a derrota.

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Houve duas alterações num onze onde o Lucas Veríssimo e o Diogo Gonçalves parecem nesta fase ter agarrado a titularidade: Pedrinho e Taarabt nos lugares do Everton e do Pizzi. O Boavista até foi a primeira equipa a fazer um remate, logo no primeiro minuto de fora da área e para fora. Durante a maior parte do jogo, esse continuou a ser o único remate que eles fizeram, tendo mesmo chegado ao final sem acertar qualquer remate na baliza. Pouco depois, aos quatro minutos, o lance que acabou por marcar o jogo. O Waldschmidt isolou-se pela zona central, e foi derrubado pelas costas quando entrava na área. O árbitro fez o impensável e assinalou penálti. Parecia que o milagre ia acontecer e o Benfica iria finalmente ter um penálti a seu favor, interrompendo aquilo que já é um recorde na longa história do nosso clube. Mas calma, há sempre um VAR solícito. Afinal parece que não, como é o Benfica pelos vistos volta a aplicar-se a regra que a falta é assinalada no local onde começa e não onde acaba, e quase cinco minutos depois de ter sido assinalado o penálti é revertido - não só o Benfica não tem qualquer penálti a seu favor, como é também seguramente a equipa com o maior número de possíveis penáltis revertidos pelo VAR. A expulsão do jogador do Boavista é que o VAR não conseguiu arranjar maneira de reverter, e a partir daqui passou a ser um jogo de paciência para ver quanto tempo é que o Benfica demoraria até conseguir furar o esquema defensivo do Boavista, onde o nosso conhecido Javi García ia limpando quase tudo agora que tinha recuado para central. O nosso futebol não foi tão incisivo quanto desejaríamos, e tivemos que recorrer muitas vezes à circulação de bola à procura de alguma aberta no autocarro do Boavista. Uma excepção que começou a notar-se logo na primeira parte era o Diogo Gonçalves, que frequentemente conseguia furar pela direita e ia colocando a bola em zonas de finalização sempre que possível. E foi mesmo precisa paciência quer da equipa, quer dos adeptos porque quando conseguíamos criar ocasiões a finalização ia deixando a desejar, em especial pelo suspeito do costume Seferovic, que parecia estar em dia não. A cinco minutos do intervalo, o Taarabt conseguiu progredir da direita para o meio e com um remate muito colocado fez a bola entrar junto ao poste mais distante, mas o árbitro anulou o golo de forma ridícula por se ter deixado levar pela cada vez mais habitual fita dos jogadores de futebol, que mal sentem qualquer toque mínimo na zona do peito se atiram aos gritos para o chão agarrados à cara, como se lhes tivessem arrancado um olho. Felizmente não deu para ficar muito tempo irritado com esse lance, porque pouco depois o Diogo Gonçalves mais uma vez irrompeu pela direita, ganhou a linha de fundo, e literalmente ofereceu o golo ao Seferovic, que só teve que empurrar a bola quase em cima da linha de golo. Muito importante irmos para o intervalo em vantagem, para evitar nervosismos em excesso.

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Entrámos para a segunda parte como tínhamos acabado a primeira, sempre em cima do adversário e a procurar o segundo golo para ficarmos com maior tranquilidade no jogo - não porque o Boavista estivesse a causar qualquer tipo de problemas, mas pelo menos para ficar a salvo de algum lance fortuito. Não foi preciso esperar muito tempo, e ele surgiu por obra dos mesmos que tinham construído o primeiro golo. O lance começa com um bom passe do Taarabt a desmarcar o Diogo Gonçalves pela direita, e o cruzamento saiu perfeitinho para que o Seferovic, mais uma vez bastante perto da baliza, cabeceasse com sucesso. O cruzamento foi aliás tão bom que mesmo finalizando de cabeça o Seferovic conseguiu não falhar. Logo a seguir o Benfica resolveu mexer na equipa, fazendo três substituições de uma vez: Pizzi, Gabriel e Darwin para os lugares do Weigl, Taarabt e Waldschmidt. É compreensível a troca dos dois médios, porque estavam ambos amarelados e a última coisa que quereríamos era que algum deles visse um segundo amarelo que imediatamente o excluiria do importante próximo jogo, em Braga. Mas em termos práticos, a verdade é que o Benfica piorou com estas trocas. Até porque o Boavista, a perder por dois, também fez alterações e desmontou um pouco o seu autocarro, o que significou que passámos a ter um pouco mais de espaço na frente. Mas o nosso jogo foi na maior parte do tempo demasiado mastigado e nunca parecemos tão perigosos como tínhamos sido até então. É verdade que mesmo assim criámos situações para chegar ao terceiro golo: um remate do Darwin que foi interceptado por um defesa, outro do Chiquinho (que entrou para o lugar do Rafa para os minutos finais) que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa, e dois cabeceamentos do Lucas Veríssimo (que começa a mostrar ser muito forte no jogo aéreo), um defendido pelo guarda-redes e outro que levou a bola ao poste, tendo depois o Seferovic feito golo na recarga. Mas o potencial hat trick do suíço foi negado pelo VAR e as linhas de fora-de-jogo, que mostraram que estava adiantado por sete centímetros na altura do cabeceamento do colega. Mas achei o nosso jogo depois das substituições menos interessante e mais complicado, com muita insistência nas nossas conhecidas tabelinhas e passezinhos curtos nas imediações da área - o Diogo Gonçalves continuou sempre a ser uma boa excepção, tentando colocar constantemente a bola na área em zonas de finalização para os colegas.

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Suponho que quase toda a gente irá considerar o Seferovic o homem do jogo, como aliás o fez a própria BTV. Mas para mim é o Diogo Gonçalves. O Seferovic apenas teve que encostar para golo as duas assistências que o Diogo fez e que seria difícil falhar, e até achei que ele não esteve particularmente feliz na finalização na maior parte das vezes. O Diogo fez, à vontade, uma dúzia de cruzamentos para a área, quase sempre bem executados e que causaram bastante perigo. Parece estar bastante confiante e a titularidade assenta-lhe muito bem. De resto, o Grimaldo também esteve bastante activo pela esquerda, e os nosso dois médios estiveram relativamente bem.

 

Quatro vitórias consecutivas já se pode mesmo considerar um luxo. O jogo de hoje não serve para tirar grandes conclusões, porque a expulsão pareceu deixá-lo muito cedo desequilibrado para o nosso lado, mas de qualquer forma parece-me que a equipa está nesta fase bastante melhor do que há umas semanas atrás. O teste de fogo ao momento actual da equipa virá para a semana, quando em Braga defrontaremos um adversário directo e uma das equipas que melhor futebol joga neste campeonato, num encontro que pode ser absolutamente decisivo para as nossas aspirações de pelo menos nos qualificarmos para a Champions da próxima época. Pelo menos já me sinto um pouco mais confiante do que me sentiria se este jogo fosse disputado há um mês atrás, mas este jogo será mesmo uma espécie de tira-teimas.

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publicado por D`Arcy às 01:32
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Terça-feira, 9 de Março de 2021

Profundidade

Conseguimos regressar às vitórias fora de casa depois de meses. Foi uma vitória incontestável, à custa de uma boa segunda parte na qual acrescentámos um ingrediente muito simples ao nosso futebol, que há meses que parecia andar estranhamente ausente: profundidade.

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Num onze sem grandes surpresas a maior novidade foi a titularidade do Pizzi no meio campo em vez do Taarabt. Não foi preciso ver muitos minutos para ficar com a sensação de que a coisa tinha tudo para correr mal. O Benfica revelava muitas dificuldades para conseguir desmontar o autocarro da B SAD, voltando a apresentar aquele futebol irritante de tabelas e tabelinhas, toques para o lado e para trás, e demasiada insistência em penetrar pelo meio, onde existia uma floresta de jogadores azuis. O já habitual estado do relvado do Estádio Nacional também não ajudou em nada - embora estivesse muitíssimo melhor do que já o vimos noutras ocasiões, ainda assim estava bastante irregular e isso dificultava a tarefa aos jogadores, tendo por isso sido normal vermos muitos passes errados e maus controlos de bola. Ainda assim, durante quase meia hora o jogo foi quase de sentido único, jogando-se quase sempre no meio campo da B SAD sem que o Benfica passasse por grandes dificuldades na defesa. Apesar da inépcia no ataque, conseguimos criar duas ocasiões flagrantes no espaço de um minuto, aos vinte e quatro e vinte e cinco. Na primeira, depois de uma boa incursão o Grimaldo conseguiu isolar o Pizzi, deixando-o na cara do guarda-redes, mas o melhor que ele conseguiu fazer foi rematar-lhe quase à figura. Logo a seguir, um cruzamento do Rafa da direita permitiu ao Seferovic antecipar-se de cabeça ao guarda-redes, mas a direcção que a bola levou apenas serviu para reforçar a minha opinião de que o suíço é um dos piores cabeceadores do Benfica. A partir da meia hora a B SAD começou a tentar dar arzinho no ataque e teve uma boa ocasião, na qual o Varela se apanhou em posição frontal para rematar mas fê-lo quase na direcção do Helton, que apenas teve que ter bons reflexos para evitar o golo. O nulo ao intervalo não era de todo desajustado, mas podíamos lamentar as duas boas situações desperdiçada.

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Percebeu-se logo no recomeço que o Benfica regressou com outra mentalidade para a segunda parte. Maior velocidade e sobretudo maior verticalidade no seu jogo. O primeiro golo demorou dez minutos a surgir. O primeiro momento decisivo na jogada é quando na transição o Rafa consegue evitar o corte de carrinho de um adversário no meio campo, deixando depois a bola no Everton. Esta seguiu para o Grimaldo na esquerda que depois fez uma coisa surpreendente. Em vez de tentar vir para dentro e tabelar com algum colega, decidiu-se por um cruzamento imediato, colocando a bola tensa no centro da área, onde o Seferovic se antecipou aos defesas e rematou de primeira para o golo. Revolucionário. Não refeito ainda da surpresa do primeiro golo, três minutos depois vejo o Diogo Gonçalves a fazer um passe em profundidade, permitindo ao Seferovic atacar o espaço vazio sobre a direita, fugir aos defesas, e à saída do guarda-redes finalizar de forma perfeita com um remate de pé esquerdo para o poste mais distante. De alguma maneira, após estes meses todos, parece que chegámos à conclusão que jogar de vez em quando a bola de forma mais directa ou na direcção da baliza adversária é capaz de ser uma forma eficaz de marcar golos, sobretudo quando as tabelinhas e os passes para trás e para o lado não estão a surtir efeito. Aos dois golos no espaço de três minutos seguiu-se um terceiro dez minutos depois do primeiro, isto depois de já termos desperdiçado mais duas grandes ocasiões para marcar, pelo Rafa e pelo Everton. Este surgiu de um canto marcado à maneira curta, com o Grimaldo a fazer um cruzamento muito semelhante ao que tinha dado o primeiro golo e surgindo três jogadores do Benfica na zona de finalização, sendo o toque final do Lucas Veríssimo com o peito. Depois do vendaval que foram estes minutos o Benfica foi fazendo algumas alterações e pareceu mais interessado em gerir o jogo até final, mas mesmo assim ainda criámos mais uma ocasião flagrante para o quarto golo, que seria também o terceiro do Seferovic, mas o suíço não acertou com a baliza quando estava em posição frontal. Das alterações feitas, achei que o Taarabt entrou particularmente destrambelhado (mesmo para aquilo que é habitual nele), voltei a gostar do Chiquinho, e nos minutos finais experimentámos outra vez o esquema de três centrais. Foi precisamente nesse período que a B SAD ressurgiu um pouco e ainda tentou o golo de honra tendo o Helton sido obrigado a uma boa intervenção para o evitar.

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O homem do jogo é o Seferovic pelos dois golos, mas podia ter marcado outros tantos pois teve oportunidades para os fazer. Os outros destaques vão sobretudo para os defesas, o que é até estranho num jogo que dominámos e vencemos com alguma facilidade. O Grimaldo fez duas assistências e só não foram três porque o Pizzi não conseguiu concretizar o golo que ele lhe ofereceu. O Diogo Gonçalves parece estar a tomar conta da lateral direita, e o passe dele para o segundo golo do Seferovic foi excelente. A dupla de centrais esteve em bom nível e raramente perdeu um lance.

 

Três vitórias seguidas no campeonato já parecem um luxo nesta altura. Parece-me que em termos de processos defensivos o Benfica já conseguiu estabilizar minimamente a coisa - temos apenas um golo sofrido nos últimos seis jogos para o campeonato, e esse golo foi de penálti. Agora falta que o ataque comece a render regularmente aquilo que o valor dos nossos jogadores exige. Tivemos um vislumbre disso naquele período inicial da segunda parte, agora é esperar ver isso durante períodos mais prolongados e com maior consistência.

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publicado por D`Arcy às 22:49
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Quinta-feira, 4 de Março de 2021

Domínio

Um jogo quase sem história, tamanho foi o domínio do Benfica. Foi um jogo de sentido absolutamente único, no qual o dever de vencê-lo e passar à final foi cumprido, e onde acho que ficámos a dever-nos uma goleada, porque o domínio territorial do Benfica foi demasiado evidente para que produzisse apenas dois golos.

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Foram dez as alterações na equipa - apenas o Lucas Veríssimo se manteve no onze. Vlachodimos, Gilberto, Otamendi, Nuno Tavares, Gabriel, Pizzi, Pedrinho, Cervi, Chiquinho e Gonçalo Ramos completaram a equipa. Pouco há a dizer sobre um jogo onde só deu Benfica, e o Estoril se limitou a defender. Acho que só vi o Estoril passar do meio campo com a bola controlada já bem depois de completado o primeiro quarto de hora, período que aliás foi o melhor do Benfica na primeira parte. O Benfica pressionou muito alto, impediu completamente o Estoril de jogar e mostrou muito dinamismo no ataque, com os jogadores em constantes torcas de posição que baralhavam as marcações. Mesmo quando o ritmo foi abrandando um pouco à medida que o tempo decorria, a superioridade do Benfica e o domínio no jogo mantiveram-se de forma incontestável, com as oportunidades a irem surgindo regularmente. Mas quanto a metermos a bola na baliza, isso já foi uma coisa mais habitual, ou seja, revelámos dificuldade em fazê-lo. Fizemos vários cruzamentos perigosos para a área, vários deles pelo Nuno Tavares, e fiquei com a sensação que nos faltou presença na mesma para dar sequência a essas bolas. Só mesmo à beira do intervalo é que o domínio foi efectivamente concretizado em vantagem no marcador, quando o Chiquinho aproveitou um erro crasso do Estoril quando tentava sair a jogar e deixou a bola num Gonçalo Ramos completamente à vontade na área, que depois concretizou com facilidade. Quanto ao Estoril, zero remates feitos na primeira parte ilustram o quão controlado foi o jogo por nós. A segunda parte foi ainda melhor, porque o domínio do Benfica foi ainda mais constante e as situações perigosas foram em maior número. O Estoril também deixou de fora vários habituais titulares e foi lançando-os durante a segunda parte, o que me pareceu que fez com que tentassem ser mais atrevidos e consequentemente dessem mais espaço na defesa e fossem apanhados em contrapé com transições rápidas mais frequentemente. Em termos atacantes, a produção do Estoril na segunda parte (e consequentemente, no jogo inteiro) ficou-se por um único remate, feito ainda bem de fora da área e à figura do nosso guarda-redes. O Benfica também foi mexendo na equipa e as alterações deram-nos maior presença na área, pelo que as situações de perigo foram sendo cada vez mais frequentes. Inevitavelmente chegámos ao segundo golo, mesmo a acabar o jogo. Uma recuperação de bola no meio campo permitiu uma transição rápida em superioridade numérica, e o Taarabt só teve que escolher a quem passar a bola. Foi para o Waldschmidt, que entrou na área ligeiramente descaído sobre a direita e à saída do guarda-redes finalizou de pé direito.

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O Chiquinho deve ter sido o jogador que eu achei que melhor aproveitou a oportunidade. Esteve sempre muito em activo, teve ocasiões para marcar e emprestou dinâmica a quase todos os lances ofensivos da equipa. Mas acabou por ser uma exibição relativamente homogénea de toda a equipa.

 

Estamos de regresso à final da Taça, e já vai sendo altura de voltarmos a conquistar este troféu. Para já foram dois jogos consecutivos a ganhar, o que até tem sido uma raridade nos últimos tempos. Esperemos que seja possível manter a tendência contra o B SAD para podermos continuar a perseguir o objectivo do segundo lugar.

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publicado por D`Arcy às 23:52
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Terça-feira, 2 de Março de 2021

Finalmente

É caso para dizer 'finalmente'. No regresso a casa, o Benfica regressou também finalmente às vitórias depois de uma sequência horrível de jogos sem ganhar. Não foi, novamente, uma exibição isenta de erros, sendo irregular ao longo da partida, mas no cômputo geral a vitória é merecida, sobretudo pela exibição conseguida na segunda parte.

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Com as indisponibilidades de última hora do Vertonghen e do Darwin a juntar-se à suspensão do Otamendi, o Benfica entrou em campo com uma dupla de centrais completamente nova: Lucas Veríssimo e Jardel. O Diogo Gonçalves manteve a titularidade na direita, as alas ficaram entregues ao Rafa e ao Everton, e na frente jogou a dupla Seferovic e Waldschmidt. O Benfica teve uma boa entrada no jogo, o que até nem é surpreendente. Pressão alta, tentativa de jogar em toda a largura do campo e velocidade no jogo deixavam no ar a possibilidade de que as coisas se alinhassem para o nosso lado. O Seferovic deu o primeiro aviso, num cabeceamento quase à figura do guarda-redes quando podia ter feito bastante melhor. Logo a seguir um grande remate em arco do Everton, à entrada da área, levou a bola a embater no canto superior da baliza. Só que esse lance acabou quase por ser o canto do cisne do Benfica na primeira parte, e estavam decorridos apenas cerca de dez minutos. A seguir a isso, passámos longos minutos sem fazer sequer um remate - basta reparar que chegámos ao intervalo com três remates feitos, quando dois deles foram aqueles que descrevi, ainda durante os primeiros dez minutos. O Rio Ave foi ganhando confiança e crescendo no jogo, tornando-se progressivamente mais perigoso, com as ocasiões de golo a começarem a acumular-se. O Helton teve uma boa intervenção a um remate perigoso de fora da área, logo a seguir acertou com uma bola no poste e a partir desse momento ficou definitivamente por cima no jogo, com o Benfica demasiado retraído e incapaz de controlar a grande mobilidade dos homens da frente de ataque adversária. Perto do intervalo o Helton voltou a negar o golo ao Rio Ave, desta vez num remate do Geraldes quase à queima-roupa, e logo a seguir um corte em esforço do Lucas Veríssimo quase deixou um adversário de baliza aberta, depois da defesa de recurso do Helton. O nulo ao intervalo era, honestamente, um resultado lisonjeiro para o Benfica.  Claramente, muito teria que mudar na segunda parte se queríamos evitar mais um resultado desastroso.

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A verdade é que mudou mesmo. O Benfica veio muito mais rápido e agressivo do balneário (depois de obrigado a uma espera mais prolongada pelo regresso do adversário) e logo nos primeiros cinco minutos já tinha feito tantos remates como em toda a primeira parte. Com o Weigl muito mais adiantado no terreno e o Waldschmidt e o Everton muito mais interventivos e movimentados, o Benfica conseguiu finalmente causar dificuldades ao Rio Ave como nunca o tinha feito durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Infelizmente, também veio ao de cima a péssima capacidade de finalização que nos tem acompanhado ao longo de toda a época, começando o contador de ocasiões desperdiçadas a crescer, enquanto que o guarda-redes adversário ia também brilhando. Nem vale a pena começar a enumerar todas as ocasiões criadas, porque então nunca mais saía daqui, mas a perdida mais escandalosa de todas foi do Seferovic, que depois de (mais) uma recuperação de bola do Weigl em terrenos adiantados recebeu a bola completamente à vontade no interior da área, e acabou por rematar de forma a permitir a defesa do guarda-redes. Mas mesmo com tanto desperdício, as frequência com que criávamos situações de golo era tanta que inevitavelmente a bola acabou por entrar mesmo ainda antes de concluído o primeiro quarto de hora. Mais uma recuperação do Weigl, depois a transição foi bem conduzida pela esquerda pelo Grimaldo, que fez a bola chegar à entrada da área ao Everton, seguindo depois para o Seferovic. O suíço ainda complicou o lance com uma má recepção, mas num remate um bocado a meias com o defesa lá fez a bola entrar finalmente na baliza do Rio Ave. Ainda tivemos que passar pelo habitual crivo apertadíssimo do VAR que é aplicado nos jogos do Benfica (foram quase três minutos à espera) mas o golo valeu mesmo. Logo de seguida o Benfica mexeu, fazendo sair algo surpreendentemente o Waldschmidt e também o Taarabt, para entrarem o Chiquinho e o Pizzi. O Waldschmidt estava a ser dos melhores na segunda parte, mas a verdade é que o Benfica melhorou com as substituições, ganhando uma consistência no meio campo que o Taarabt não estava a conseguir dar. É importante também ressalvar que o Benfica não tentou defender a vantagem alcançada, e em vez disso continuou à procura de golos. E por isso o resto da segunda parte foi basicamente o Benfica a criar mais ocasiões de golo e a dar continuidade ao festival de desperdício. O Pizzi conseguiu falhar o golo com a baliza completamente aberta, na recarga a um remate do Seferovic, mas foi mesmo ele quem a pouco mais de dez minutos do final fez o golo da tranquilidade. Recuperação de bola do Weigl (quem mais?), bom passe para o Everton à entrada da área, e este amorteceu a bola para o remate do Pizzi, que saiu à figura do guarda-redes mas com bastante força, a suficiente para que a bola entrasse. Aliás o Pizzi podia perfeitamente ter acabado o jogo com o hat trick, pois ainda teve mais uma ocasião flagrante para voltar a marcar, atirando por cima quando estava em posição frontal dentro da área (só para continuar a tendência: a jogada começa numa recuperação de bola do Weigl).

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Melhor jogador em campo: Weigl. Aliás, para mim é neste momento o melhor jogador do Benfica. Depois da desconfiança e críticas iniciais, está finalmente a mostrar a sua qualidade. O raio de influência dele é cada vez maior, o número de bolas que recupera é enorme, e é um jogador que parece sempre saber já o que vai fazer com a bola ainda antes dela lhe chegar aos pés. É raro o lance em que a bola não sai jogável dos pés dele. O Everton também fez um jogo positivo e acabou sendo o autor das duas assistências para os golos. Pena que aquele remate tenha ido embater no ferro, porque seria o golo da jornada. O Seferovic só não tem mais destaque porque pecou na finalização, como aliás é habitual, mas esteve em grande parte das jogadas de perigo do Benfica. E o Waldschmidt regressou muito bem para a segunda parte.

 

É apenas uma vitória, pode não significar muito mas era importante travar a tendência negativa. O jogo não foi isento de erros e poderia até ter corrido muito mal, se o Rio Ave tivesse concretizado alguma das ocasiões que construiu durante a primeira parte, quando esteve por cima no jogo. De positivo, a reacção da equipa na segunda parte - para variar não tivemos uma quebra notória de rendimento da primeira para a segunda parte e em vez disso fizemos o contrário - e as muitas situações de golo que conseguimos criar. O título é quase uma miragem, mas o segundo lugar não, e este tem especial importância. Esperemos que esta equipa consiga fazer uma fase final da época condigna, que nos permita alcançar esse objectivo.

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021

Sina

Hoje até fiquei com a sensação de que a equipa e os jogadores deram o máximo que podiam para ganhar esta eliminatória, por isso apesar da enorme frustração com mais este insucesso vou tentar não ser mais um a desancar o ceguinho - para ataques indiscriminados ao Benfica já chegam os da comunicação social, os dos nossos inimigos, e ainda os que nós próprios fazemos. Mas a aura negativa que neste momento rodeia a nossa equipa parece ser demasiado forte, e é quase sina que as coisas acabem sempre por correr mal.

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Regresso do Benfica aos três centrais, num esquema que parecia ser mais próximo de um 5-4-1, deixando o Seferovic isolado na frente, para depois se tentar transformar num 3-4-3 quando atacávamos. Laterais da defesa entregues ao Grimaldo e ao Diogo Gonçalves, alas para o Pizzi e o Rafa, e o duo do meio campo habitual, mas como Weigl a surgir muitas vezes em terrenos mais adiantados - tendo três centrais atrás dele já não tem necessidade de ser ele a descer para junto da dupla de centrais. O Benfica iniciou o jogo tentando pressionar a posse do adversário, jogando com a linha de defesa muito subida e depois o meio campo muito encostado à defesa, para não deixar quase espaço para explorar entre as duas linhas. Na primeira mão a defesa subida e em linha resultaram quase sempre bem e conseguimos apanhar os jogadores do Arsenal, e em especial o Aubameyang, várias vezes na armadilha do fora de jogo. Apesar da boa vontade do Benfica, que quando ganhava a bola tentava sair rapidamente para o ataque com o Rafa ou o Taarabt a romperem rapidamente linhas, o Arsenal assumiu o controlo do jogo desde o início. Mais bola, mais jogo no nosso meio campo, mas apesar disto sem conseguir criar ocasiões de perigo, pois o Benfica ia defendendo de forma organizada. Só que se já contra os adversários internos basta falharmos uma vez que quase invariavelmente sofremos um golo, então contra o Arsenal era quase certo que uma falha seria a morte do artista. Aconteceu aos vinte minutos, quando o Lucas Veríssimo não resistiu à tentação de ir atrás do Aubameyang em vez de segurar a linha do fora de jogo quando a bola foi metida nas costas da nossa defesa, e obviamente que foi ele quem acabou por colocar o adversário em posição legal, que depois finalizou com um toque sobre o guarda-redes quando este lhe saiu ao encontro. Eficácia quase total, coisa a que já vamos ficando habituados qualquer que seja o adversário. O Benfica não acusou muito o golo e o jogo continuou na mesma toada, com o Arsenal a ter mais bola mas quase sem se verem ocasiões de golo. Mais perto do intervalo o Benfica teve finalmente meia ocasião (antes disso o lance mais perigoso tinha sido uma fuga do Seferovic pela esquerda, na qual entrou na área e depois tentou assistir o amigo imaginário para finalizar) num cabeceamento do Vertonghen após livre do Pizzi. E já mesmo a finalizar a primeira parte, beneficiámos de um livre à entrada da área, descaído sobre a esquerda, depois de uma falta sobre o Weigl. O Diogo Gonçalves encarregou-se de o marcar e enviou um míssil teleguiado que sobrevoou a barreira e entrou bem no ângulo superior da baliza. O empate era um bom resultado ao intervalo.

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A segunda parte iniciou-se com mais equilíbrio, apesar de logo nos primeiro minutos o Arsenal ter voltado a introduzir a bola na nossa baliza. Novamente o Lucas Veríssimo a cair na tentação de ir atrás do Aubameyang, que lhe ganhou as costas e marcou de forma quase idêntica à do primeiro golo, mas desta vez o lance foi anulado por um fora de jogo milimétrico. Depois de decorrido quase um quarto de hora sem grande história, em que o jogo estava equilibrado e nenhuma das equipas estava a ser capaz de ameaçar seriamente a baliza da outra, o Benfica arriscou e fez três substituições de uma vez, entrando o Everton, Gabriel e Darwin para os lugares do Pizzi, Taarabt e Seferovic. Não foi certamente um resultado directo disso, mas chegámos mesmo ao segundo golo um par de minutos depois disso. Um pontapé longo do Helton foi mal interceptado por um adversário, o que permitiu ao Rafa isolar-se e, para variar, ter muita calma para ultrapassar o guarda-redes e depois atirar para a baliza vazia. Agora o Benfica apanhava-se na frente da eliminatória e com vinte e nove minutos para jogar o Arsenal via-se obrigado a marcar dois golos. Só que na fase em que estamos parece que tudo o que pode correr mal, corre. Era importante não permitir que o empate surgisse rapidamente - resistimos seis minutos. O Arsenal entretanto tinha feito entrar o Willian, que se foi encostar bem ao lado direito da nossa defesa. Por aquele lado, o Everton preocupava-se sempre mais em cair sobre o Xhaka, que se colocava sobre a meia-esquerda, o que deixava uma autêntica auto-estrada para o lateral esquerdo do Arsenal, Tierney, subir como queria e fazer o 2x1 sobre o Diogo Gonçalves. O nosso central desse lado, Lucas Veríssimo, não podia ajudar porque estava sempre mais preocupado com o Aubameyang, que também caía para essa zona. Era portanto evidente que era por ali que vinha o maior perigo, e foi obviamente por ali que chegou o empate. Subida do Tierney, que teve demasiado tempo e espaço dentro da área para desferir um remate cruzado que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. Isto só ficou mais controlado quando o Weigl começou a cair também para aquela zona do terreno. Da nossa parte, acho que houve excessivo retraimento assim que obtivemos a vantagem. Pode ser apenas sensação minha, mas acho que as coisas andam tão más que assim que marcámos o segundo golo a preocupação em que o adversário ainda conseguisse dar a volta sobrepôs-se à motivação que a vantagem poderia dar. Abdicámos muito do ataque; houve lances em que tínhamos a bola perto da área do Arsenal e em vez de sair uma tentativa de passe de ruptura ou cruzamento, preferíamos lateralizar ou passar para trás, chegando muitas vezes a fazer a bola ir até ao nosso guarda-redes. Mas apesar do golo do empate, o Benfica foi mantendo algum controlo emocional e sendo capaz de não permitir um assalto do Arsenal à nossa baliza. Mas já se sabe que no momento actual, a sensação é a de que se o adversário precisar de marcar três golos em dez minutos, marca-os, enquanto que se o Benfica precisar de marcar um golo nesse mesmo período, acerta duas vezes nos ferros e o guarda-redes adversário faz uma defesa impossível. Não querendo ser agoirento, a verdade é que quando vi o Nuno Tavares entrar para o lugar do Grimaldo tive o mau pressentimento de que era por ali que nos íamos lixar. E claro, a três minutos do final aconteceu mesmo. Nuno Tavares a marcar o Saka com os olhos (começa a ser exasperante o número de vezes que ele faz isto - perdemos em Alvalade também por causa de um lance assim) enquanto este o tira do caminho e cruza para o segundo poste, onde o Aubameyang mais uma vez ganhou as costas ao Lucas Veríssimo para cabecear facilmente quase em cima da linha de golo. Nos descontos ainda vimos o Rafa acertar no poste, mas o lance foi invalidado por posição irregular.

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Acho que o Benfica como conjunto não esteve mal, mas para mim o Rafa acaba por ser o destaque individual. Foi quase sempre ele a trazer as acelerações e desequilíbrios necessários ao nosso ataque e que mais problemas causavam à defesa do Arsenal. No pólo oposto, o Lucas Veríssimo fez um mau jogo. Foi batido três vezes pelo Aubameyang - quase sempre por não manter a disciplina na linha do fora de jogo e cair na tentação de perseguir o adversário. Nessas três vezes, a bola acabou sempre dentro da nossa baliza. Uma delas foi anulada, as outras duas não, e assim estamos fora da Liga Europa. Parece-me naturalmente difícil que o jogador que chegou há menos tempo esteja muito rotinado com as movimentações defensivas da equipa, mas na primeira mão a coisa até tinha funcionado bem. Destaque negativo também para a passividade do Nuno Tavares no lance do terceiro golo. Normalmente até acharia que era apenas um lance normal, mas já não é a primeira vez que isto acontece. Ele é pouco agressivo na marcação, e em vez de encostar no adversário acaba por lhe dar demasiado espaço para que este consiga fazer um cruzamento perigoso.

 

Conforme disse no início, não vou desancar a equipa só porque perdemos. Defrontámos um adversário forte, acho que estivemos até melhor do que em muitos dos jogos mais recentes, e custa perder assim porque conseguimos o mais difícil, que foi dar a volta ao resultado, para depois permitirmos que o adversário voltasse ao jogo. Infelizmente a coisa caiu para o outro lado, como tantas vezes acontece no futebol. E assim caiu também mais um objectivo da época. Estamos reduzidos à Taça de Portugal e à miragem do segundo lugar - digo que é uma miragem porque face ao que temos vindo a assistir na nossa Liga, o Porto acabará no segundo lugar seja de que maneira for, nem que seja necessário nomear o Vasco Santos para VAR de todos os seus jogos e o Hugo Miguel para todos os nossos jogos. Não sei como é que se conseguirá motivar uma equipa do Benfica quando a meses do final da época já pouco resta por que lutar, mas é isso mesmo que terá que ser feito. Quanto mais não seja por qualquer réstia de dignidade ou brio profissional que esta equipa possa ter. Se não gostam de ser criticados ou acham que o são injustamente, é dentro do campo, jogo a jogo, que o têm que mostrar. Paciência ou tolerância por parte dos benfiquistas é coisa que há muito se esgotou. E pensem que as críticas e pressão seriam bem mais incisivas se por acaso houvesse público na Luz.

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Domingo, 21 de Fevereiro de 2021

Martírio

Mais um empate absolutamente ridículo ficando em branco contra a única equipa que nunca tinha conseguido evitar sofrer golos esta época. Ver o Benfica jogar neste momento é um autêntico martírio, porque é uma repetição constante de tudo aquilo que é mal feito e que corre mal.

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Já nem vale a pena estar a escrever sobre os nossos jogos. São sempre a mesma coisa: qualquer jogo do Benfica a que eu assista neste momento, ao fim dos primeiros cinco minutos eu já não acredito que, salvo algum muito improvável acaso, consigamos marcar um golo. Depois é mais uma questão de saber que tipo de asneira vamos cometer na defesa para que o adversário marque. O Benfica neste momento defende mal e ataca ainda pior. Os nossos jogos podem ser resumidos a um chorrilho de más finalizações e péssimas decisões no ataque - vemos jogadores pagos principescamente a rematar para a bancada em posições privilegiadas vezes sem conta (Darwin, Seferovic, Pizzi com falhanços inacreditáveis) ou saídas para o ataque, muitas vezes em situação de superioridade numérica, desperdiçadas porque o jogador que conduz a bola ou a passa mal, ou a passa na altura errada, ou não a passa sequer e insiste no lance individual até perder a bola. Nas raríssimas oasiões em que conseguem de facto acertar na baliza, o guarda-redes adversário, qualquer um que seja, faz uma defesa impossível. Se houver algum lance de dúvida na área, é sempre decidido contra - para mim há penálti claro sobre o Rafa na primeira parte, e não me venham com histórias de 'intensidades' porque o toque na perna dele é claríssimo (claro que ajuda termos sempre árbitros andrades ou lagartos a apitar os nossos jogos e no VAR - não percebo porque motivo temos que levar constantemente com o lagarto Hugo Macron nos nossos jogos). Isto não é desculpa para nada, é apenas um desabafo porque é mais uma coisa a contribuir para me irritar - até fiquei surpreendido por terem anulado o golo ao Farense, porque nos tempos que correm estava à espera que passasse. Finalmente, do banco vêm constantemente as mesmas decisões que não resultaram uma dúzia de vezes antes, mas pelos vistos acredita-se que desta vez é que é. Até agora a única dupla de ataque que vi funcionar de forma eficaz esta época foi Darwin/Waldschmidt, no início da mesma. É a que menos joga porque de uma forma ou de outra o Seferovic tem que entrar na equação - eu hoje cheguei a ver o Seferovic receber a bola isolado na área e literalmente ficar à espera que um defesa se colocasse à frente dele para depois rematar (obviamente, contra o referido defesa). Ouvi no final queixas de que nos falta alguém que meta a bola dentro da baliza. Se calhar despachar o melhor marcador da última época não terá ajudado muito. O que me parece mais do que evidente é que com o plantel que temos, temos obrigação de jogar muito mais do que aquilo que estamos a ver. Não há ordenados em atraso nem cortes dos mesmos. Não há falta de condições para que treinem e exerçam as suas profissões. Se não jogam mais do que isto, então é porque das duas uma: ou estão mal orientados, ou são maus profissionais. Só sei que neste momento não estou a ver de que forma é que vão conseguir afastar a forte aura negativa que rodeia a nossa equipa. Não sei o que é que esta equipa treina em termos de ataque e finalização. Vi cenas simplesmente surreais não só em termos de finalização, mas também em termos de decisões tomadas. Jogadores a fazer passes sem olhar para zonas onde não está nenhum colega. Jogadores a chutar para onde estavam virados - a bancada - quando estavam em frente à baliza. Em bolas paradas devemos ser a equipa menos eficaz e menos perigosa de toda a Liga. 99% dos nossos pontapés de canto nunca são marcados para o coração da área ou qualquer zona perigosa, são quase sempre marcados em balão, para a que a bola viaje imenso tempo pelo ar e permita a qualquer defesa antecipar a jogada, para a zona do segundo poste e longe da baliza. Ainda por cima são marcados 'ao contrário', ou seja, com a bola a fazer o arco de forma a afastar-se da baliza.

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Não escolho ninguém para destacar neste jogo. Simplesmente não consigo destacar um jogador numa equipa incapaz de marcar um golo a um dos últimos classificados da liga, e que até agora tinha sofrido golos em todos os jogos. Tanta incompetência é simplesmente absurda. Se fosse possível, jogadores como o Seferovic ou o Rafa, só para citar alguns, deviam ser multados por incompetência.

 

Da forma como as coisas estão, se ninguém tem mão nisto e inverte a situação acabaremos na melhor das hipóteses em quinto lugar, atrás do Paços de Ferreira. Com uma equipa milionária na qual se investiu como nunca, quer em jogadores, quer na equipa técnica. Esta época já ultrapassou o limite do mau e entrou no domínio do desastroso. O não apuramento para a Champions poderá ter sérias consequências para o futuro do clube, e face a uma época tão fraca nem sequer se devem conseguir fazer vendas para equilibrar as contas, o que quase sempre acaba por resultar em vendas ao desbarato. Mas o pior de tudo para mim é chegar ao fim de cada jogo sem vontade para ver o próximo jogo. Não ter vontade de ver o Benfica jogar e fazê-lo como uma espécie de tarefa ou obrigação é algo que há muito tempo não me recordo de sentir.

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publicado por D`Arcy às 23:32
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