VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 16 de Janeiro de 2021

Frustrante

Um empate final que acaba por ser um resultado algo frustrante, porque ficamos com a sensação de que perdemos uma boa oportunidade para vencermos num estádio onde tradicionalmente temos muitas dificuldades. Mas fica a satisfação de termos visto, para variar, uma boa exibição da nossa equipa no Porto, muito assente numa atitude competitiva muito superior à que temos vindo a mostrar. Aquela que desejamos ver em todos os jogos da nossa equipa.

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Nos dias que antecederam o jogo já quase toda a gente tinha a certeza quase absoluta sobre qual seria o onze titular do Benfica. O nosso treinador acabou por surpreender ao retirar o Everton da equipa para colocar o Nuno Tavares, jogando o Grimaldo mais adiantado. O objectivo seria certamente controlar melhor as investidas do Corona por aquele lado, e a verdade é que isso foi conseguido, já que ele esteve muito menos em jogo do que costuma ser habitual nos jogos do Porto. O Benfica foi diferente, para melhor, daquilo que tem sido a norma nos últimos meses, e também daquilo que costuma ser mais habitual nas visitas a casa do Porto. E isso passou muito por uma diferença de atitude. Os nossos jogadores foram aguerridos, não se encolheram nem tiveram medo de meter o pé quando foi preciso. O jogo foi sempre equilibrado,, com cada bola a ser disputada até ao limite e muita luta no meio campo, com poucas ocasiões de golo de parte a parte. O Benfica tentou jogar com linhas subidas e pressionar a saída de bola do Porto, e depois sair rápido sempre que conseguia recuperar a bola. Em termos de saída de bola, conseguíamos quase sempre fazê-lo bem muito por culpa do Weigl, que vinha buscar a bola aos centrais e assim impedia que os dois avançados do Porto fossem capazes de fazer a pressão de forma mais eficaz. A defender, vimos muitas vezes o Nuno Tavares a fechar mais ao meio, com o Grimaldo a recuar na esquerda. O Porto jogou mais na habitual tentativa das bolas puxadas para os homens da frente, e procurar arranjar bolas paradas para serem marcadas pelo tipo que é uma espécie de exemplo perfeito do azeiteiro bimbo (Sérgio Oliveira). Um exemplo também de um jogador absolutamente mediano que no Porto é elevado a internacional à custa da marcação de penáltis e bolas paradas. O primeiro aviso do Benfica foi dado cedo, numa desmarcação do Darwin pela esquerda a passe do Weigl, para depois assistir o Seferovic que rematou ao lado. O nosso lado esquerdo parecia estar a funcionar bem com os dois laterais e era muito por esse lado que íamos insistindo mais. Foi precisamente daí que nasceu o nosso golo, pouco depois de concluído o primeiro quarto de hora: cruzamento largo no Nuno Tavares a encontrar o Seferovic na área, que com um toque de primeira de enorme classe isolou o Grimaldo. Depois este, à saída do Marchesín, picou-lhe a bola por cima. Uma bonita jogada de equipa a resultar num bonito golo. O Benfica mostrava-se confiante a seguir ao golo e continuou um pouco mais por cima, mas um bocado do nada (o lance nasce de um lançamento de linha lateral no nosso lado direito) o Porto acabou por chegar ao empate oito minutos depois. Um golo algo feliz porque o remate enrolado do Taremi, desferido bem no meio da área depois do Corona ter ganho sobre o Gilberto, não levaria a direcção da baliza mas o Marega, apesar de se esforçar para não tocar na bola, acabou mesmo por fazê-lo ao de leve, levando a que esta ainda fosse bater no poste antes de entrar. A resposta do Benfica foi quase imediatamente a seguir desperdiçar uma ocasião soberana para voltar à vantagem. Mais uma boa jogada da equipa, que começa na saída de bola pelo Weigl, com esta a viajar da esquerda para a direita passando por vários jogadores até que o Pizzi fez o passe rasteiro para a marca de penálti, onde o Darwin rematou para fazer a bola acertar em cheio no poste. O jogo continuou muito disputado, com poucas ocasiões de parte a parte mas pareceu-me que com uma ligeira superioridade nossa. O Porto teve uma boa ocasião num remate cruzado do Díaz que passou perto do poste, e o Benfica teve quase em cima do intervalo mais uma grande ocasião, na qual o Darwin se isolou descaído para a esquerda depois de uma boa transição feita pelo Rafa, e depois decidiu rematar de ângulo muito apertado quando bastaria ter dado um ligeiro toque para trás para apanhar o Rafa completamente sozinho em frente à baliza.

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No início da segunda parte vimos alguns sinais daquilo que o Porto tenta quase sempre fazer quando e sente apertado, que é levar o jogo para a arruaça e quezílias de forma a fazer os nossos jogadores perder a cabeça. Pena que o Pizzi, um dos nossos jogadores mais experientes, tenha sido precisamente aquele que caiu nesse embuste. E provavelmente com um árbitro mais solícito como o pasteleiro teriam conseguido arrancar a sua expulsão, quando o já citado azeiteiro ficou a rebolar agarrado à cara depois do Pizzi o ter atingido com a bola no peito quando estava no chão. Aliás isto foi uma constante durante todo o jogo. Acho que nos jogadores do Porto há uma ligação nervosa qualquer entre as canelas e a cara, porque qualquer toque ou falta que sofriam ficavam imediatamente a rebolar no chão agarrados à cara. No jogo jogado, as coisas continuaram muito no pendor da primeira parte, mas com ainda menos situações de perigo de parte a parte. Muitas faltas a travar as jogadas quase à nascença e as equipas a conceder muito pouco espaço ao adversário. Ainda assim, continuei a achar que o sinal mais era nosso. A melhor ocasião foi do Benfica, numa bola que sobrou para o Rafa dentro da área depois do Grimaldo a ter ganho de cabeça, mas a saída rápida do Marchesin aos seus pés conseguiu evitar o golo. A resposta do Porto, para variar, foi em mais uma bola parada, num cabeceamento de algum perigo do Marega que obrigou o Vlachodimos a defender junto ao relvado. A pouco mais de um quarto de hora do final, uma entrada brutal do Taremi sobre o Otamendi valeu-lhe o vermelho directo (assinalado pelo VAR, porque inicialmente o árbitro tinha-se ficado pelo amarelo) e um pouco paradoxalmente isto acabou por dificultar um bocado mais o nosso jogo. O domínio territorial do Benfica acentuou-se, mas por outro lado o Porto cerrou fileiras e baixou as linhas, e tornou-se mais complicado encontrar vias para atacar a baliza deles. Aliás, pouco depois da expulsão ainda tivemos um susto grande, quando o Marega surgiu solto ao segundo poste mas só conseguiu tentar finalizar com o peito, acabando por amortecer a bola para as mãos do Vlachodimos. Como já temos muitos anos disto e já sabemos o que é que a casa gasta, o Pizzi foi substituído pouco depois porque sabemos que nas raras situações em que um jogador do Porto vai para a rua contra nós, a tendência imediata é para tentar reequilibrar as coisas com uma expulsão do nosso lado. Tivemos algumas tentativas de golo como um cabeceamento do Vertonghen, um remate do entretanto entrado Everton ou novo cabeceamento do Gilberto, mas a verdade é que não conseguimos materializar a superioridade numérica numa pressão mais incómoda para o Porto e achei que o jogo até nos estava mais favorável quando estávamos a jogar contra onze.

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Este foi mais um daqueles jogos em que achei que a equipa valeu muito como um todo e isso torna mais complicado fazer grandes destaques. Mas acho que o Weigl merece ser mencionado. Foi um dos principais responsáveis para que conseguíssemos quase sempre sair a jogar com critério, pela sua visão de jogo e extrema calma e lucidez que tem com a bola nos pés. Sendo eu um admirador confesso dele desde que chegou ao Dortmund, é com imenso agrado que nos vejo finalmente a começar a tirar partido das suas qualidades. Os sucessivos jogos a titular e o progressivo entendimento daquilo que o treinador espera dele parecem estar a fazer-lhe maravilhas. Espero que não se volte mais a considerar o regresso do Gabriel à posição seis, até porque essa não é a posição dele. Bom jogo também do Grimaldo, que sem tantas preocupações defensivas jogou mais solto e marcou um grande golo. Também gostei da actuação dos nossos centrais. Impuseram-se na sua zona e jogaram da forma rija que estes jogos com o Porto exigem. Finalmente, uma menção também para o Rafa, que é sempre importante nas transições rápidas.

 

À excepção do jogo que vencemos lá com o Bruno Lage ao comando, este terá sido dos melhores jogos que o Benfica fez no Estádio do Ladrão nos últimos anos. E um dos principais motivos foi a atitude da equipa. Talvez pela falta de público, os nossos jogadores nunca se encolheram ou deixaram intimidar, e quando o Porto perde a capacidade de intimidação contra o Benfica e contra a arbitragem, perde mais de metade dos argumentos que tem. Talvez por isso o Sérgio Conceição estivesse tão irritado no final. Também confesso que não alinho completamente com a visão que o nosso treinador teve do jogo, porque não fomos propriamente avassaladores. Acho, isso sim, que jogámos para ganhar e que fomos a equipa que esteve um pouco mais perto de o conseguir. E quando conseguimos fazer isso neste estádio, é sempre algo muito positivo. Espero também que esta exibição sirva de motivação e mote para o resto da época. No fundo, que apesar dos dois pontos perdidos, tenhamos ganho uma equipa. Porque se jogarmos sempre com esta atitude, será muito mais difícil para qualquer equipa conseguir tirar-nos pontos.

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publicado por D`Arcy às 03:03
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021

Naturalidade

O Estrela da Amadora ainda conseguiu dar alguma réplica enquanto teve pernas para isso, mas as segundas linhas do Benfica acabaram por se impor com naturalidade e carimbar o apuramento para os quartos de final da Taça de Portugal, com uma vitória por números elevados e que até poderia ter tido maior expressão.

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Foram muitas as alterações na equipa em relação ao onze que entrou em campo contra o Tondela: apenas o Seferovic manteve a titularidade. Das dez alterações, destaque para a estreia do Todibo, que formou a dupla de centrais com o Jardel. Helton na baliza, laterais para o Diogo Gonçalves e o Nuno Tavares, Samaris e Taarabt no meio campo, alas entregues ao Pedrinho e Chiquinho, e o Gonçalo Ramos a completar a dupla de ataque. A fase inicial do jogo não foi muito fácil, com o Estrela a fechar-se relativamente bem atrás e depois a tentar sair rápido com bolas longas metidas nas costas dos laterais, mas os nossos centrais foram dando conta do recado na maior parte das vezes - o Helton ainda foi obrigado a fazer uma boa defesa ainda com o nulo no marcador. O Benfica ia ameaçando, quase sempre pelo Seferovic, mas o suíço estava num daqueles dias típicos em que precisa de meia dúzia de oportunidades para acertar com a baliza. O Pedrinho também falhou uma ocasião de forma escandalosa, atirando para a bancada depois de se isolar numa tabela com o Gonçalo Ramos. Só à beira do intervalo é que nos colocámos em vantagem, quando o Chiquinho recuperou a bola e fez a recarga a um falhanço incrível do Seferovic, que à boca da baliza conseguiu acertar no guarda-redes após uma boa investida e cruzamento do Diogo Gonçalves na direita. Não acertou nesta, mas logo nos minutos iniciais da segunda parte redimiu-se e fez finalmente o seu golo. Nova investida do Diogo Gonçalves pela direita, passe atrasado para o interior da área, e remate de primeira do suíço, que ainda tabelou num defesa antes de entrar. O Estrela ainda tentou a reacção e até chegou a marcar minutos depois deste golo, mas foi correctamente anulado por posição irregular (e antes disso tinha havido uma falta sobre o Gonçalo Ramos). O Benfica tinha agora muito mais espaço para jogar e foi com naturalidade que no espaço de quatro minutos (62 e 66) fez mais dois golos. O primeiro deles pelo Chiquinho, a passe do Pedrinho. Depois de um remate cruzado do Seferovic que foi defendido pelo guarda-redes, o brasileiro recuperou a bola sobre a linha de fundo na direita e passou-a para o Chiquinho, que no meio da área controlou no peito e rematou de primeira para fazer o seu segundo da noite. E depois foi nova assistência para o Pedrinho, que em posição frontal fez o passe de trivela para o entretanto entrado Waldschmidt entrar na área descaído sobre a direita e finalizar colocando a bola no ângulo oposto, sem dar qualquer possibilidade ao guarda-redes. O jogo estava agora numa fase em que o Estrela sabia que estava perdido mas queria chegar ao golo de honra, e o Benfica jogava descontraído e ia fazendo alterações na equipa. O Waldschmidt ainda falhou um golo de baliza aberta num lance em que depois foi assinalado fora-de-jogo (que não tenho a certeza se terá existido) e o Ferreyra também falhou de forma escandalosa quando, depois de ficar completamente isolado, tentou fazer a bola passar por cima do guarda-redes, mas rematou com tão pouca força que foi fácil ao guarda-redes esticar a mão e evitar o golo.

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Destaques no Benfica naturalmente para o Chiquinho, pelos dois golos, mas também para o Diogo Gonçalves e o Pedrinho, pelas duas assistências cada. O Seferovic esteve muito em jogo, mas se tivesse um pouco mais de acerto na finalização era muito bem capaz de ter acabado o jogo com pelo menos um hat trick. Quanto ao estreante Todibo, mostrou uma característica que já lhe era conhecida, a de gostar de ter a bola nos pés e sair a jogar, mas contra adversários mais fortes não pode arriscar tanto nesse aspecto.

 

Tínhamos a obrigação de passar a eliminatória e ela foi cumprida com competência, sem sobressaltos, e sem ser necessário recorrer aos mais habitualmente titulares, que assim puderam ser poupados para o jogo no Porto. A equipa mais sobrevalorizada da Liga ficou pelo caminho na Madeira e os nossos próximos adversários só não tiveram o mesmo destino na mesma ilha porque como sempre surgiu a ajudinha necessária para lhes amparar a queda. Agora é esperarmos pelo habitual freguês Soares Dias para que no próximo jogo continue a dar sequência à tendência da moda 2020/21.

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publicado por D`Arcy às 00:02
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Sábado, 9 de Janeiro de 2021

Reacção

Finalmente alguns sinais de reacção da equipa às críticas (justificadas) de que tem sido alvo. Mesmo não tendo sido uma exibição deslumbrante, foi de longe o melhor jogo do Benfica das últimas semanas. Vi sinais de melhorias, desta vez não vimos grandes quebras de rendimento ao longo dos noventa minutos e no final tivemos uma vitória incontestável, inclusivamente com dados estatísticos mais condicentes com aquilo que é esperado num jogo do Benfica.

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Três regressos no onze do Benfica: Otamendi, Pizzi e Seferovic. Ferro, Taarabt e Waldschmidt saíram para lhes dar lugar. O central português, diga-se, correspondeu no último jogo (foi, a par do Vertonghen, dos menos maus) e mostrou que está pronto para contribuir quando necessário. O figurino do jogo foi o habitual e esperado. O Tondela enfiou toda a equipa atrás da linha da bola, e o Benfica teve posse de bola avassaladora, que em momentos andou perto dos 80%. Mas houve algumas diferenças na forma como jogámos. Houve uma atitude melhor por parte dos jogadores, e apesar das naturais dificuldades que continuamos a revelar para furar a organização defensiva de equipas que defendem com toda a gente, houve maior velocidade na circulação de bola. Importante e interessante também, uma maior vontade em explorar as alas em vez de insistir constantemente pelo meio. Vimos quer o Grimaldo na esquerda, quer o Gilberto na direita (o brasileiro está a ganhar cada vez mais confiança e começa a ser uma presença constante em zonas mais adiantadas) muito mais em jogo. Outro pormenor importante foi a presença frequente do Everton na direita o que faz com que, por ser destro, acabe por procurar ganhar a linha e cruzar a bola em vez daquilo que acontece quando joga na esquerda, onde vem sempre para o meio. Mesmo que frequentemente não tivessem resultados práticos, a verdade é que o Benfica efectuou muito mais cruzamentos do que tem sido habitual, o que pelo menos faz com que a bola ande muito mais tempo na área adversária ou nas imediações dela e dai resultem mais situações de potencial perigo, em vez de a vermos a circular sem grande objectividade pelo meio campo. Foi uma primeira parte de sentido único, em que o Tondela não existiu no ataque e o Benfica, sem que se possa dizer que massacrou, fez pelo menos mais do que o suficiente para justificar ir para o intervalo em vantagem. Criámos algumas ocasiões de golo, as melhores das quais pelo Darwin (grande defesa do guarda-redes) e pelo Pizzi (remate interceptado por um defesa) mas não chegámos ao merecido golo, pelo que seria ainda mais importante que, ao contrário dos últimos jogos, não voltássemos a ter uma quebra de rendimento na segunda parte. Acho que o facto de eu próprio não me sentir completamente irritado à saída para o intervalo apesar de ainda estarmos empatados era para mim um sinal que algo estava a ser diferente, para melhor.

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Felizmente isso não aconteceu - pelo contrário, o Benfica conseguiu não só manter alguma regularidade como ainda melhorar alguns aspectos do seu jogo. Felizmente também, o merecido golo acabou por aparecer relativamente cedo, por isso não houve tempo para que um eventual nervosismo com a persistência do nulo pudesse começar a afectar a equipa. Esse golo surgiu logo aos nove minutos deste segundo tempo, depois de uma boa jogada de envolvimento entre o Darwin, o Pizzi e o Everton na esquerda da área. A bola conseguiu viajar entre estes três jogadores sem sequer tocar no chão, até o Darwin fazer o cruzamento para a finalização quase em cima da linha de golo pelo Seferovic. O golo foi inicialmente invalidado pelo auxiliar, mas a revisão do VAR acabou por confirmá-lo mesmo. Outra coisa positiva no jogo foi que o Benfica não se encolheu imediatamente a seguir a ter alcançado a vantagem. Continuámos a mandar no jogo e a procurar chegar ao golo da tranquilidade, ainda que com pouco acerto na finalização - parece-me natural dado que a confiança da equipa ainda não parece ser muita. O Tondela continuava incapaz de incomodar, e creio que terá feito o primeiro remate do jogo a quinze minutos do final - um remate muito torto, à entrada da área. Mas um resultado de 1-0 é sempre perigoso, porque um qualquer lance fortuito pode sempre deitar tudo a perder, e a cinco minutos do final tivemos um exemplo perfeito disso. Logo a seguir ao Weigl ter desperdiçado, na sequência de um pontapé de canto, mais uma ocasião para o segundo golo, o Tondela, absolutamente do nada e sem que nada tivesse feito para o justificar, dispôs de uma ocasião flagrante para empatar. Uma má abordagem do Grimaldo a um cruzamento largo vindo da direita deixou um adversário completamente sozinho e com a bola controlada em frente à baliza. Valeu-nos a intervenção do Vlachodimos. O nosso guarda-redes fez apenas uma defesa em todo o jogo, mas ela foi fundamental. Na resposta a este lance, o Benfica marcou pelo Darwin, mas o golo foi anulado. Pareceu-me que foi a decisão correcta, porque havia posição irregular. No início da jogada há um possível penálti por mão na bola de um defesa do Tondela, mas sinceramente acho que seria um pouco forçado - penáltis daqueles são para o Porto e o Sporting, os líderes destacados na tabela dos penáltis. Nós continuamos com zero. Foram dados sete minutos de compensação (justificados, já que para além das substituições todas o jogo esteve parado bastante tempo quer no golo que nos foi validado, quer no que foi invalidado) e ao contrário de os termos passado a sofrer, como tem sido mais habitual, chegámos mesmo ao segundo golo nesse período. Quem marcou foi o Waldschmidt, que entretanto já tinha entrado para o lugar do Seferovic. Foi na sequência de mais uma boa jogada, na qual a bola viajou rapidamente da esquerda até à direita (ao contrário dos cinco ou seis toques que habitualmente temos que dar para fazer isso acontecer) e depois o Darwin ultrapassou o adversário directo e fez a assistência. Jogo fechado, com justiça, e três pontos conquistados.

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O meu destaque vai para o Darwin, autor das duas assistências para os golos. Ainda não esteve bem na finalização, apesar de ter estado perto de marcar noutras ocasiões (na que marcou o golo foi bem anulado) e esteve bem melhor do que nos últimos jogos. Esperemos que possa regressar em breve ao nível pré-COVID, porque se é verdade que recuperou do vírus rapidamente, a forma tem demorado mais tempo a recuperar. Mais algumas menções para os dois laterais, que se integraram mais no ataque e em especial o Gilberto parece estar cada vez mais interventivo. Gostei também do Weigl - continuo a achar que nunca será o seis que o nosso treinador prefere, mas é um jogador de enorme classe a quem a titularidade regular está a fazer muito bem. E o Otamendi deve ter feito o melhor jogo pelo Benfica desde que chegou.

 

Como eu (e outros) já o disseram em várias ocasiões, mesmo quando as coisas não correm pelo melhor, quando a atitude competitiva é boa é meio caminho andado para se chegar a um bom resultado. O Benfica não fez uma exibição de encher o olho, mas os jogadores correram e esforçaram-se durante todo o jogo, e com isso conseguiram uma vitória absolutamente indiscutível. Foi contra o Tondela, é certo, mas já vimos o Benfica ter imensas dificuldades contra equipas como eles e que até estão mais no fundo da tabela. Não me parece que esteja a fazer qualquer favor ao dizer que a atitude da nossa equipa neste jogo foi claramente diferente para melhor - e mesmo se tivessemos sofrido a injustiça de um empate naquele lance quase no final, manteria a mesma opinião. Há ainda um longo caminho a percorrer, há que recuperar confiança e acima de tudo, assegurarmo-nos que este jogo não tenha sido apenas um acaso e que seja para seguirmos neste caminho.

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publicado por D`Arcy às 15:21
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2021

Falta

Mais pontos inaceitavelmente desperdiçados, por via de um empate nos Açores por culpa exclusivamente nossa. Quando há falta de quase tudo, não se pode esperar que nos continuemos consistentemente a safar com os três pontos. Falta de qualidade (no campo e na orientação a partir do banco), falta de empenho, falta de brio, falta de lucidez, e somando todas estas faltas, para mim o que falta mesmo acima de tudo é profissionalismo.

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Já nem me apetece estar a escrever sobre os jogos ou o futebol apresentado pela nossa equipa, porque é sempre a mesma coisa. Sempre. Entrámos bem no reinício da primeira parte, depois do jogo que nem deveria ter iniciado ter sido interrompido ontem ao fim de cinco minutos. Estivemos toda a primeira parte em cima do adversário, que jogou o tempo todo com toda a gente atrás da linha da bola e mal passou do meio campo. O domínio do Benfica resultou num golo do Darwin, a finalizar uma jogada muito boa entre ele, o Waldschmidt e o Rafa. Um golo de vantagem era até curto para o que jogámos nos primeiros quarenta e cinco minutos. Ao intervalo comentávamos entre amigos que até estávamos a jogar bem, mas que agora era preciso ver se não voltávamos a apresentar o habitual comportamento de vir completamente desligados depois do intervalo. Claro que foi isso que aconteceu. É que nem seria necessário estarmos toda a segunda parte em cima do Santa Clara como o fizemos na primeira, bastaria pelo menos manter alguma intensidade no jogo. Mas não, nada disso. Regressámos para a segunda parte (no início da qual perdemos o Gilberto por lesão) e como habitualmente, assim que fomos um pouco pressionados perdemos completamente a calma e começámos a tremer. Estivemos quinze minutos literalmente a ver o adversário jogar até que empatassem, com um golo do nosso ex-jogador Fábio Cardoso. A reacção imediata do banco devia, para mim, dar direito a multa pesada com justa causa: a precisar de voltar a marcar, retirámos um avançado do campo que até nem estava a jogar particularmente mal (Waldschmidt) e metemos o Pizzi, que esteve este tempo todo sem treinar com a equipa por causa da COVID-19. O empecilho Taarabt, claro está, continuou naturalmente em campo até perto do final. Depois nos minutos finais, em desespero, fizemos entrar mais um avançado, que teve que ser o quase esquecido Ferreyra. Andámos o resto do tempo a correr atrás do prejuízo que nós próprios causámos, mas perto do final do jogo foi exibida uma estatística que exemplificou bem o resultado destas alterações tácticas: a precisar de marcar, o Benfica estava há vinte e sete(!) minutos sem rematar. Como ainda foram adicionados oito minutos de compensação e não me recordo de nenhum remate do Benfica nesse período, estivemos portanto mais de meia hora sem fazer um remate. Parece-me que não é preciso muito mais para exemplificar a objectividade do futebol actual praticado pelo Benfica do Jorge Jesus.

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Só para manter o hábito de destacar alguém, escolho o Vertonghen. Não foi por ele que o Santa Clara empatou, e no período inicial da segunda parte em que estivemos a ver o adversário jogar, se não tivesse sido ele acho que o empate teria surgido mais cedo.

 

Esta equipa do Benfica, a quem não foi cortado um cêntimo dos seus salários em tempo de pandemia, a quem são dadas todas as condições mais do que ideais para fazerem aquilo para que são principescamente pagos, é repetidamente superada em vontade e crer dentro do campo por qualquer outra equipa que nem metade das condições tem. Estes jogadores andam repetidamente a não dignificar o emblema que representam. E não digo isto pelos resultados negativos, porque esses podem sempre acontecer por razões fora do nosso controlo. O problema não são os maus resultados, é a forma como eles acontecem. Perder quando se dá tudo para ganhar acontece. Mas quando não ganhamos e no final ficamos com a sensação que isso foi porque nós próprios criámos as condições para que isso acontecesse, é muito difícil de aceitar.

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publicado por D`Arcy às 21:58
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2020

Incompreensível

Quando aos vinte e cinco minutos de jogo o Benfica já vencia por dois golos e realizava uma exibição agradável, pensei que poderia escrever que finalmente tínhamos tido direito a um jogo minimamente normal para aquilo que esperamos do nosso clube e uma vitória tranquila. Obviamente que estava enganado.

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O mesmo onze da supertaça para defrontar em nossa casa o último classificado Portimonense. Uma entrada agradável do Benfica no jogo perante um Portimonense pouco mais do que inofensivo, suportada por um Rafa em alta rotação, acabou por resultar num golo ainda na fase inicial do jogo. O Waldschmidt deu o primeiro sinal, e aos treze minutos uma boa combinação Rafa/Waldschmidt permitiu libertar o primeiro para entrar na área descaído pela esquerda e depois fazer a assistência para uma finalização fácil do Darwin de baliza aberta. O mesmo Darwin, na jogada anterior, já tinha falhado completamente o remate depois de assistido pelo Grimaldo, quando estava numa óptima posição na área. Continuou a dar só Benfica e o Waldschmidt, em boa posição, conseguiu rematar com o seu pior pé directamente para as mãos do guarda-redes. A sequência natural das coisas foi o segundo golo do Benfica. Nova combinação entre o Rafa e o Waldschmidt pelo meio, atrapalhação da defesa do Portimonense a afastar a bola e esta a sobrar novamente para o Rafa, que em posição frontal dentro da área finalizou com um remate rasteiro. Tudo normal, Benfica completamente por cima do jogo e o Portimonense inofensivo - durante toda a primeira parte fizeram um único remate à nossa baliza, bem de fora da área e à figura do Vlachodimos. Tudo portanto a correr da melhor forma e a encaminhar-se para um final de tarde tranquilo para os benfiquistas, provavelmente com um ampliar natural do resultado. Mas infelizmente já nos vamos habituando a que isso não aconteça, e nos minutos finais da primeira parte começámos logo a ver alguns sinais pouco motivadores quando me pareceu que estávamos nitidamente a abrandar o ritmo.

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Esses sinais foram-se agravando no início da segunda parte. Nos minutos iniciais ainda tivemos uma ocasião soberana para fazer o terceiro golo, que teria muito provavelmente acabado de vez com o jogo. Mas de uma forma que se poderá considerar escandalosa o Darwin, completamente à vontade bem no meio da área depois de receber um passe do Waldschmidt, e só com o guarda-redes pela frente, conseguiu acertar no poste. Depois o jogo foi piorando progressivamente, passando a segunda parte a ser francamente desinteressante e mal jogada. O Benfica simplesmente pareceu não querer incomodar-se muito. Os jogadores deixaram de correr muito às bolas ou de meter o pé nas divididas. Não é um termo que eu goste de usar, mas pareceu-me claramente displicência e até mesmo desleixo. O Portimonense, sinceramente, não parece ter capacidade para grande coisa. No final o seu treinador pareceu estar convencido que fizeram um grande jogo, mas o que eu vi foi um Portimonense a ter bastante mais bola muito pelo facto do Benfica não se esforçar sequer para contrariar isso, mas a não conseguir fazer nada com ela. A segunda parte foi morníssima e o Vlachodimos nem sequer foi posto à prova durante a maior parte do tempo, nem a nossa baliza passou por qualquer perigo. Aliás, até aos minutos de descontos a melhor ocasião de perigo foi nossa, num remate do Nuno Tavares já dentro da área que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada. Não quero com isto esconder que jogámos mal - nós na segunda parte jogámos a um nível inadmissível para o Benfica - mas o Portimonense nunca foi dominador. A jogada mais 'perigosa' do Portimonense foi a cerca de um quarto de hora do final quando um jogador deles tentou sacar um penálti à Taremi na Supertaça (é desviar a bola e arrastar as pernas para cima do guarda-redes). Como nós fizemos o favor de não ganhar o jogo tranquilamente, isso já deu motivo para as habituais manobras para fazer crer que o Benfica é que é a equipa mais beneficiada pelas arbitragens. E não ganhámos o jogo tranquilamente porque se a segunda parte foi toda jogada com uma displicência inadmissível, então o período de compensação foi simplesmente lamentável. O Benfica não foi capaz de manter um mínimo de posse de bola, nem sequer de mantê-la afastada da sua área. Por isso num cruzamento de insistência, ainda fizemos o favor de deixar o Portimonense reduzir, com um autogolo de cabeça do Gilberto que não deu qualquer possibilidade de defesa ao Vlachodimos. Depois foi o natural nervosismo nos minutos que restavam e ainda mais a compensação sobre a compensação (foram dados dois minutos para além dos cinco que tinham sido dados inicialmente, mas o Portimonense queria ainda mais) mas acabou por ser mesmo só nervosismo, porque ocasiões concretas de perigo não foram nenhumas.

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Melhor do Benfica foi o Rafa, naturalmente, com um golo e uma assistência. O Waldschmidt também não esteve mal, já que participou em ambos os golos e ainda ofereceu mais um ao Darwin, que se encarregou de o desperdiçar. Em relação ao Darwin, acho que está praticamente completo o processo de transformação e adaptação dele ao nosso futebol. Recebemos um avançado rápido, móvel e explosivo. Agora já está muito mais fixo, a encostar-se frequentemente aos defesas, toma más decisões e a finalização está cada vez pior. Acho que temos uma espécie de fábrica de clones do Seferovic no Seixal.

 

A segunda parte do Benfica foi pobre demais para ser admissível. É incompreensível a falta de chama desta equipa e a ausência de vontade em ser feliz. O Benfica, assim o querendo, é muito superior ao Portimonense e, conforme o demonstrou durante a primeira parte, poderia ter ganho facilmente este jogo. Mas a partir de um determinado momento a equipa pareceu achar que já chegava e que não valia a pena esforçar-se mais. Isto não tem explicação. Os minutos finais então foram de um completo desleixo. Isto já é mais do que falta de vontade, é mesmo falta de profissionalismo. Lá vamos ganhando e mantemo-nos a dois pontos da liderança, mas isto não deixa qualquer confiança para o futuro. Não é que os adversários directos estejam muito melhor - quando ganham à rasca contra equipas do fundo da tabela são sempre postos nos píncaros, enquanto que o grau de exigência para o Benfica é muito maior e somos sempre severamente criticados mesmo quando ganhamos - mas com o mal dos outros posso eu bem.

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publicado por D`Arcy às 12:23
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2020

Previsível

Uma derrota previsível e mais um objectivo deitado fora. Se alguém esperava algum milagre, não aconteceu. Jogámos como temos jogado e perdemos como seria esperado se continuássemos a jogar assim, com o pormenor de termos perdido como tipicamente se perdem jogos com o Porto: quando eles não jogam nada também, cai qualquer coisa do céu.

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Detesto ser pessimista, mas para mim o mau agoiro já estava dado com a titularidade do Taarabt. Tacticamente é um jogador a menos, e voltou a comprová-lo neste jogo. Perdi a conta aos maus posicionamentos, ao número de perdas de bola e de passes errados, muitos deles em situação comprometedora (entretanto já consultei as estatísticas: neste jogo ele teve vinte(!) perdas de bola e zero(!) desarmes - que números estupendos para um médio centro). Vou até mais longe: enquanto o Taarabt continuar a ter lugar a titular na nossa equipa, não vamos ganhar nada - porque se não temos no plantel melhor do que ele, então é muito mau sinal. O Benfica não estava a jogar muito e o Porto não estava melhor, viam-se maus passes e bolas perdidas a meio campo sem grandes oportunidades de golo (um par de saídas perigosas do Benfica que foram desperdiçadas pelo Rafa de forma absurda sem sequer conseguirmos finalizar) quando o Taremi entrou pela área para aí a primeira vez no jogo, foi à procura do Vlachodimos e arrastou as pernas até o encontrar. O Lagarto Macron fez aquilo que tem regido toda a sua carreira: bufou no apito contra o Benfica, penálti para o Porto, penálti à Porto, e basicamente o jogo perdido naquele instante, porque a probabilidade de marcarmos um golo a jogar como estávamos era quase nula. Aliás, a probabilidade era a mesma para ambas as equipas, tão mau era o futebol apresentado. A partir daí foi ver o tempo a correr com mau futebol de parte a parte, com as poucas oportunidades que surgiam a virem naturalmente de bolas paradas. O Benfica teve um livre do Grimaldo que o guarda-redes do Porto defendeu com dificuldade, o Porto na sequência de um canto quase marcou, com o Otamendi a tirar a bola quase em cima da linha num pontapé acrobático e o Gilberto a desviar a recarga para canto. Perto do final, novo livre perigoso do Grimaldo e bola a bater no ferro da baliza portista. Na resposta, o nosso treinador deve ter achado que o Taarabt não estava a fazer estragos suficientes, e portanto retirou do campo o Weigl, que até estava a ser um dos mais certinhos, e colocou o marroquino como médio mais recuado (o Grimaldo, que tinha sido o autor dos remates mais perigosos do Benfica, ainda que de livre, também foi premiado com a substituição). Efeito imediatíssimo: na jogada seguinte ele tem uma péssima abordagem ao lance e é facilmente ultrapassado por um adversário na zona frontal, que encara a defesa de frente e faz a assistência para o segundo golo do Porto. Brilhante jogada táctica, mister! Eu já disse aqui várias vezes que não aprecio nada o Taarabt e isso nota-se perfeitamente, nem tento disfarçar. Não quero fazer dele o bode expiatório da derrota, porque toda a equipa esteve medíocre e houve outros jogadores que jogaram assustadoramente mal (Rafa, Waldschmidt ou Darwin, por exemplo). Mas depois de já estar de cabeça meio perdida com tanto disparate que o marroquino tinha feito durante os noventa minutos, a jogada táctica de o colocar como médio mais recuado foi a gota de água para mim. A crítica não é portanto totalmente dirigida ao jogador, mas também à insistência em colocá-lo a jogar em funções para as quais não está minimamente talhado.

 

Depois do acesso à Champions, novo objectivo perdido com mais uma derrota frente ao Porto na Supertaça. Hoje alinharam de início seis dos novos reforços para esta época, mas ficou óbvio que com um treinador pago a peso de ouro e quase 100 milhões em reforços estamos a jogar pior do que alguma vez vi esta equipa jogar com o Bruno Lage. Presumo que sejam necessários outros 100 milhões, para substituir os cinco que alinharam de início que já cá estavam, para que possamos enfim jogar algo que se veja. Porque até agora parece que a única explicação que vamos tendo para o pouco que vemos é que não deram ao treinador todos os reforços de que ele necessita para meter a nossa equipa a jogar algum futebol, e que pelo menos vença de forma convincente equipas com um décimo ou menos do nosso orçamento.

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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2020

Paciência

Nova vitória obtida com algum sofrimento em mais um jogo onde a paciência dos adeptos foi posta à prova. Acho que nesta fase o melhor é mesmo começar a aceitar isto como a nova normalidade, e ficarmos pelo menos felizes com o facto de irmos somando os três pontos em jogos destes.

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A equipa apresentou-se sem o Otamendi, Gabriel, Rafa e Waldschmidt a titulares (os primeiros três nem no banco estiveram), o que acabou por ser algo surpreendente. Talvez tenha havido alguma cautela adicional a pensar na Supertaça já esta quarta. Jardel, Weigl, Pedrinho e Seferovic foram os escolhidos para esses lugares. A primeira parte nem se pode dizer que tenha sido particularmente má. De forma objectiva, foi um jogo de sentido único, com o Benfica a assumir a despesas totais do jogo. A parte mais positiva foi mesmo que, ao contrário de outros jogos, o adversário não conseguia sair frequentemente com grande facilidade no contra-ataque e assustar de cada vez que passava o meio campo - o Gil Vicente criou apenas uma situação fortuita no ataque, um cabeceamento que passou muito perto do poste da nossa baliza. A parte negativa, a habitual incapacidade do Benfica para criar perigo de forma consistente apesar de ter tanta posse de bola. Como sempre, demasiada insistência em entrar pelo centro - os nossos extremos não actuam como tal - e excessivas lateralizações ou passes para trás. O Benfica neste momento é uma equipa que quase não faz uma transição rápida para o ataque. Isto é para mim um mistério absoluto, até porque é completamente atípico numa equipa treinada pelo Jorge Jesus. As transições rápidas são aliás uma imagem de marca das equipas dele. Os comentadores mencionaram durante a transmissão que o nosso treinador pedia aos jogadores para jogarem a bola no pé. Isto para mim é capaz de ser parte do problema. O Benfica simplesmente não tenta atacar o espaço, ou seja, não há passes para o espaço vazio a pedir desmarcações - algo que a equipa fazia na perfeição durante aquele período com o Bruno Lage em que jogámos o futebol mais entusiasmante dos últimos anos. Os passes são feitos para os pés de um colega que está parado à espera que a bola lá chegue. É difícil criar desequilíbrios assim. São várias as situações que vejo em que bastaria um passe de primeira para a frente para desmarcar um colega, mas o primeiro instinto dos jogadores quando recebem a bola parece ser controlá-la, e depois procurar uma linha de passe para o lado ou para trás. Parece haver receio de falhar e procura-se quase sempre a opção mais segura. Aliás, o receio de falhar também ficou expresso em situações de desequilíbrio que conseguimos criar, onde um jogador nosso ficou em posição para rematar (na maior parte das vezes o Darwin) e nem sequer olhou para a baliza, preferindo procurar um colega a quem entregar a responsabilidade do remate - e fê-lo sempre mal. Perto do final da primeira parte o Gil Vicente ficou reduzido a dez e pensei que a nossa tarefa poderia ficar um pouco mais facilitada.

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Mas não ficou. Ao intervalo entrou o Taarabt para, com a sua habitual capacidade para jogar simples, desembrulhar o nosso jogo (para quem não esteja familiarizado com a opinião que tenho dele, estou a ser irónico) e o que vimos foi um Gil Vicente muitíssimo mais perigoso a jogar com dez. Deu logo sinal com um contra-ataque conduzido apenas por dois jogadores (contra cinco nossos) que terminou num remate de fora da área defendido pelo Vlachodimos. Pouco depois, uma sequência de três pontapés de canto em que o mesmo jogador ganha sempre a bola de cabeça na zona do primeiro poste. No primeiro, o Vlachodimos defendeu por instinto e evitou um golo quase certo. No segundo, a bola foi com estrondo à barra e na recarga o Vlachodimos ainda teve que se aplicar, embora a bola fosse para fora. E no terceiro cabeceou para fora. Quase na resposta, e naquele momento até se pode dizer que contra a corrente do jogo, o Benfica marcou. Uma rara situação de desequilíbrio na ala direita, causada pela subida do Gilberto e combinação com o Pizzi, resultou num cruzamento para a zona do segundo poste. O Everton cabeceou com pouca força e a bola morreria nas mãos do guarda-redes, mas na tentativa de intercepção um defesa do Gil Vicente acabou por desviá-la para a própria baliza. Não esmoreceu o Gil Vicente, que respondeu de imediato com nova saída rápida para o contra-ataque e a melhor ocasião de golo do jogo. O Vlachodimos defendeu o primeiro remate cruzado mas não conseguiu segurar a bola, e depois fez nova defesa miraculosa por instinto à recarga, ainda que o jogador do Gil Vicente que fez a recarga já estivesse a ser estorvado pelo Grimaldo. Depois repetiu-se a história e o Benfica voltou a marcar quase na resposta. Outra vez pelo lado direito, desta vez foi o Seferovic quem teve um bom trabalho individual e ultrapassou um defesa para centrar de pé direito e o Everton encostar de cabeça ao segundo poste. Este golo acabou por significar na prática o fim do jogo, apesar de ainda faltarem vinte e cinco minutos para o final do mesmo. O Gil Vicente já não teve impeto para ir à procura de algo do jogo, e o Benfica não mostrou grande vontade de se esforçar muito para obter mais. O tempo foi quase todo passado com os nossos jogadores a fazer a bola circular de pé para pé e sem grandes acelerações, que na quarta há novo jogo.

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O homem do jogo para mim é o Vlachodimos. Evitou dois golos certos e com isso sérios problemas para a nossa equipa. Para variar não sofremos golos, e bem lhe podemos agradecer por isso. Depois o Everton merece também destaque, já que marcou um golo e meio, e parece ser dos jogadores com menos receio de arriscar no remate quando tem oportunidade para isso. É que o Darwin parece estar a passar pelo processo de adaptação ao Benfica, no qual transformamos um avançado explosivo e de remate fácil num jogador que tem medo de ser feliz. Também uma menção para o Gilberto, que continuo a achar que está a mostrar claros sinais de evolução. Está mais agressivo e interventivo nas subidas ao ataque, e ontem foi responsável pela assistência para o primeiro golo, tendo tido ainda um remate perigoso na primeira parte.

 

Segue-se a Supertaça, prova onde temos um péssimo registo contra o nosso adversário da próxima quarta-feira. Pode ser que a nossa equipa consiga surpreender, e quando falo em surpreender até estou a pensar mais em nós próprios do que no adversário. E confesso que nem é tanto a qualidade do futebol que terá que mudar muito se queremos vencer, porque a qualidade do futebol apresentada pelo nosso adversário também anda muito longe da ideal. O que terá certamente que mudar, e muito, é a atitude da equipa: será necessário muito mais garra e vontade de ganhar do que a que temos visto ultimamente. E isso normalmente é uma coisa que não falta aos jogadores do nosso adversário sempre que jogam contra nós. Um bom resultado e uma exibição convincente neste jogo pode ser o impulso que falta para afastar esta inércia que parece consumir a nossa equipa.

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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2020

Sofrido

Um apuramento muito sofrido para a Final Four da Taça da Liga num jogo em que fomos superiores mas no qual, para não variar, voltámos mais uma vez a cometer exactamente os mesmos erros e a exibir as mesmas lacunas no nosso futebol que resultam sempre em dificuldades acrescidas para vencer jogos, mesmo quando os dominamos.

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No baralha e volta a dar que a sequência de jogos próximos acaba por causar na constituição do onze titular, dos mais previsíveis ou habituais titulares mantiveram-se os quatro da frente (Rafa, Everton, Darwin e Waldschmidt) e o Vertonghen. O resto foram as cada vez mais habituais alternativas: Helton, João Ferreira, Jardel, Nuno Tavares, Weigl e Taarabt. O jogo começou como seria de esperar: Benfica ao ataque e com mais bola, Vitória à defesa e a tentar jogar no contra-ataque. Que nos primeiros minutos nem conseguiu, porque o Benfica esteve constantemente a jogar no meio campo adversário. Só que aos quinze minutos, na primeira vez que o Vitória veio à frente, marcou. E sem surpresa alguma, da forma expectável. Transição rápida ultrapassando a primeira linha de pressão, e a habitual cratera no meio campo à frente da defesa que deixa os avançados em situação de igualdade numérica com os defesas. Ver um jogo do Benfica nos últimos tempos é isto. Por um lado, é ver a equipa ter imensa bola e a jogar no meio campo adversário mas termos muito pouca confiança que consigamos marcar um golo, porque passamos a maior parte do tempo a tentar entrar pelo meio (três médios a fechar o meio à frente da defesa é mais ou menos a fórmula padrão anti-JJ, à qual se adiciona um homem deixado isolado na frente e dois alas rápidos para as transições). Por outro lado, é estarmos com a sensação que de cada uma das (poucas) vezes que o adversário passa do meio campo, podemos sofrer um golo devido à fragilidade do meio campo. Normalmente temos um número dez a jogar a oito, que não faz a menor ideia do que um oito deve fazer, e um oito a jogar a seis. Neste jogo alinhou o Weigl a seis, mas ele nunca será o seis que o JJ quer e nunca funcionará nesta táctica. Ainda mais estranho é que o único seis à JJ que tínhamos no plantel foi dispensado (Florentino). Quaisquer sinais minimamente encorajadores dos primeiros quinze minutos desapareceram com o golo, e assistimos a um resto de primeira parte com algum do futebol mais desinspirado que conseguimos produzir - houve talvez uma situação de maior perigo criada, com uns remates do Everton dentro da área que embateram sempre em algum dos muitos jogadores que o Vitória ali acumulava. Já não foi mau não termos sofrido um segundo golo em mais alguma das raras saídas deles para o ataque.

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Ao intervalo entraram o Seferovic e o Gilberto para os lugares do Waldschmidt e do João Ferreira. O Benfica melhorou um pouco - o Gilberto está a ficar mais atrevido nas acções ofensivas e com isso ganhamos um pouco mais de jogo pela ala direita - mas foi sobretudo com as entradas um pouco depois do Pizzi e do Pedrinho (saíram o Weigl e o Rafa) que conseguimos transformar a superioridade territorial em reais ameaças à baliza do Vitória. O Vitória nesta fase simplesmente tentava defender com unhas e dentes a vantagem, e já quase nem tentava sair para o contra-ataque. Depois de algumas boas ocasiões desperdiçadas (o Darwin cabeceou escandalosamente ao lado um grande cruzamento do Pedrinho, que o encontrou completamente isolado sobre a linha da pequena área; o Pizzi rematou à figura depois do Darwin o ter deixado à vontade dentro da área para rematar) o Benfica acabou por chegar ao golo a sete minutos do final, num penálti convertido pelo Pizzi depois do Pedrinho ter sido abalroado na área. Até final, o Benfica ainda dispôs de mais algumas boas ocasiões para evitar o desempate por pontapés da marca de penálti, em especial duas por parte do Darwin, que não esteve particularmente inspirado na finalização. Chegados aos penáltis, a tarefa acabou por se tornar simples, até porque o primeiro pontapé do Vitória esbarrou no poste e deixou-nos logo em vantagem desde o início. Everton, Pizzi e Gabriel marcaram os seus, o Helton defendeu o terceiro penálti do Vitória (muito mal marcado) e o Seferovic fechou as contas.

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Tendo em conta a péssima primeira parte (dar primeiras partes de avanço também parece que começa a tornar-se um mau hábito da nossa equipa) torna-se claro que os únicos jogadores que conseguem merecer algum destaque foram aqueles que contribuíram para alguma melhoria na segunda parte e acabaram por permitir salvar a eliminatória. As entradas do Gilberto, Pizzi e Pedrinho permitiram melhorar um pouco o nosso futebol (os dois brasileiros dinamizaram bastante o lado direito) e fizeram a nossa equipa mais perigosa no ataque. Por outro lado, mantenho o meu trauma com o Taarabt - sempre que o vejo a titular num meio campo a dois, instintivamente acho que a coisa vai correr mal. Provavelmente se ele algum dia aprender a jogar simples em vez de ter que dar 23 toques na bola e duas piruetas enquanto esbraceja de forma descontrolada antes de passá-la as coisas possam melhorar. Reconheço que não morro de amores pelo marroquino (reconheço-lhe empenho, mas não aprecio o futebol dele) e talvez possa estar a ser demasiado ríspido, mas acho sempre que as coisas correm melhor quando ele não está em campo.

 

Acabámos mais uma vez por nos safar apesar de não termos jogado bem. Por um lado podemos ser optimistas e pensar que vamos conseguindo ganhar mesmo não jogando bem, e que só podemos evoluir e portanto as coisas correrão ainda melhor quando voltarmos a jogar melhor - como já o fizemos no início da época. Por outro lado, preocupa-me ver e ouvir o nosso treinador a tapar o sol com uma peneira, porque se não conseguimos identificar um problema, então é impossível resolvê-lo. Parece-me inegável que neste momento não estamos a jogar bem, estamos aliás muito longe disso e a qualidade individual dos jogadores que compõem o nosso plantel exige que joguemos muito mais e melhor. Mas quando ouço o nosso treinador falar sobre os jogos, só posso tirar duas conclusões: ou eu não sei mesmo ver futebol, ou o nosso treinador não anda a ver os mesmos jogos que eu.

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Domingo, 13 de Dezembro de 2020

Treino

Foi um treino muito tranquilo frente ao Vilafranquense esta noite na Luz. Uma vitória dilatada, num jogo que foi decidido muito cedo e por isso mesmo permitiu que a economia de esforços pudesse começar a ser feita ainda cedo.

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Houve algumas poupanças, mas não muitas. A equipa apresentada foi um misto de titulares e suplentes, destacando-se a dupla Gonçalo Ramos e Seferovic na frente e o Pedrinho a jogar encostado sobre a direita. Na defesa alinhou o Jardel, mas isso já foi atrevimento suficiente e ao lado dele jogou o Otamendi. O Vilafranquense, orientado por um treinador que deixou saudades nas nossas camadas jovens (João Tralhão) tentou entrar atrevido na Luz, e cedo pagou caro esse atrevimento. Ao fim de quinze minutos já o Benfica tinha feito três golos e resolvido a eliminatória. O Gonçalo Ramos abriu o activo depois de um passe em profundidade do Gabriel pelo meio, limitando-se a rodear o guarda-redes e a empurrar para a baliza vazia. O Pizzi fez um segundo num remate cruzado de primeira à entrada da área, após cruzamento do Nuno Tavares. E o Seferovic fez o terceiro depois de entrar na área pela direita a passe do Pedrinho, tirar um adversário da jogada, e rematar para o poste mais distante. Depois disto o Vilafranquense passou a ficar quase sempre encolhido junto da sua área, com raras saídas para o ataque, e o jogo passou a disputar-se quase sempre em metade do campo. Podíamos ter feito mais golos e o Gonçalo Ramos acertou na barra numa das jogadas mais bonitas do encontro, depois de solicitado por um grande passe do Pedrinho, mas o quarto golo foi novamente da autoria do Seferovic, que emendou um cruzamento do Nuno Tavares. Depois na segunda parte o ritmo baixou brutalmente e assistimos mais ou menos a uma peladinha, na qual o Benfica só não construiu um resultado ainda mais volumoso por clara descontracção e até mesmo displicência. Fizemos apenas mais um golo, e um grande golo, por sinal - o melhor da noite. Um remate em arco do Pedrinho bem de fora da área que fez a bola entrar na gaveta, junto ao ângulo do lado oposto. Ainda entraram o Darwin, o Everton, o Taarabt ou o Waldschmidt, mas não acrescentaram nada de novo ao jogo e foi mesmo só para para participarem na pelada.

 

O jogo foi muito fácil e fazer destaques é um exagero. Assinalo apenas termos finalmente visto o Pedrinho mais participativo. De um jogador que custou aquilo que ele custou e que tem as credenciais que tem esperamos muito mais do que aquilo que vimos até agora, por isso é bom que ele vá ganhando ritmo de jogo e possa começar a dar uma maior contribuição à equipa.

 

A tarefa na Taça de Portugal está cumprida, segue-se já a Taça da Liga na quarta. Temos o historial mais rico nesta prova e já passou demasiado tempo desde a última vitória, pelo que espero que esta competição seja tratada com todo o respeito e que consigamos carimbar a passagem às meias finais.

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publicado por D`Arcy às 23:38
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2020

Ineficácia

Mais um jogo muito na linha do que têm sido as nossas exibições esta época. Um empate na Bélgica, fruto de uma grande ineficácia no ataque e do já mais do que habitual desleixo defensivo, que persiste independentemente dos jogadores que alinhem.

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Eram esperadas naturais poupanças neste jogo e por isso houve mudanças no onze, em especial na defesa. Helton, João Ferreira, Jardel, Pedrinho e Waldschmidt lançados a titulares. No meio campo, a dupla Weigl/Taarabt manteve a titularidade. O Benfica entrou bem, mas quando por volta dos dez minutos já tínhamos desperdiçado umas três ocasiões para marcar (o Everton por exemplo conseguiu atirar por cima quando devia estar a uns dois metros da linha de golo) disse para mim mesmo que era certinho que a primeira vez que os belgas fossem à frente, marcavam. Bingo. Subida do lateral direito deles, cruzamento para a área, e golo de cabeça em antecipação ao Jardel, porque estavam lá três jogadores do Standard para os nossos dois centrais sem que tivesse havido ou acompanhamento dos médios ou no mínimo o lateral do outro lado a vir fechar ao meio - o nosso médio mais defensivo, neste caso o Weigl, tem que passar a maior parte do jogo a acudir ao buraco que as subidas do lateral esquerdo deixam, porque o Everton não sabe como compensá-las (e mesmo assim acho que uns três quartos dos golos que sofremos nascem sempre por aquele lado) e o outro médio, o Taarabt, deve achar que defender é uma marca de insecticida. Felizmente a resposta foi boa, ou melhor, não nos deixámos abalar porque continuámos por cima e a criar ocasiões, e o empate surgiu logo depois. Um bom passe do Pedrinho desmarcou o Taarabt, e em esforço e quase sobre a linha de fundo, já com o guarda-redes a sair-lhe aos pés, o marroquino conseguiu fazer o cruzamento para a entrada de cabeça do Everton. Apesar do golo sofrido contra a corrente do jogo, este parecia ter tudo para nos correr de feição dada a facilidade com que o Benfica criava situações de desequilíbrio no ataque e ocasiões para finalizar. Se não chegámos ao intervalo em vantagem - que podia mesmo ser confortável - foi por uma conjugação de vários factores. Inspiração do guarda-redes adversário, que fez uma série de defesas de bom nível; má finalização dos nossos jogadores; e sobretudo - e foi isto que conseguiu deixar-me seriamente irritado - uma péssima capacidade de decisão e definição das jogadas. Não estou a exagerar se disser que contei pelo menos uma mão cheia de situações em que nós recuperámos a bola, saímos para o ataque e ficámos numa situação de quatro jogadores nossos para três defesas belgas, e em nenhuma dessas situações conseguimos sequer rematar. Ou o passe final era mal feito, ou o portador da bola agarrava-se demasiado tempo a ela e soltava-a na altura errada, ou inexplicavelmente punha um travão na progressão e parecia ficar à espera que os adversários tivessem tempo para se recompor.

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Na segunda parte, durante o período inicial resolvemos adormecer e o Standard teve três ou quatro ataques, que obviamente acabaram num golo. Nós podemos fazer vinte ataques que andamos alegremente a desperdiçar, mas basta darmos um par de ocasiões aos adversários que eles imediatamente aproveitam. O golo nem foi nada de particularmente elaborado, simplesmente uma saída para o ataque e um remate em zona frontal, ainda fora da área, que desviou ligeiramente no Vertonghen e acabou por entrar quase a meio da baliza - apesar do ligeiro desvio ainda acho que o Helton poderia ter feito mais. Foram entrando no jogo os suspeitos do costume - Pizzi, Rafa, Gabriel, Seferovic - e chegámos ao empate num penálti que na minha opinião foi, na melhor das hipóteses, muito forçado. O João Ferreira, numa incursão até à área adversária, acabou por cair numa disputa de bola e o árbitro considerou que tinha sido falta. O Pizzi transformou-o exemplarmente e reduziu a injustiça que era aquele resultado. Com tanta incompetência na finalização, só mesmo de penálti é que chegámos ao golo. E podíamos perfeitamente ter ganho, já que continuámos sempre por cima no jogo e a criar situações para marcar. O Darwin acertou no poste já de ângulo muito apertado, depois de já ter ultrapassado o guarda-redes, e o Pizzi, em período de descontos, acertou na trave - se tivesse levantado a cabeça também poderia ter tocado a bola para o lado, o que deixaria o Darwin com uma finalização simples. A jogada final do encontro foi apenas mais uma oportunidade para me deixar ainda mais irritado do que já estava com tanta ocasião falhada para ganhar este jogo. Com um minuto para jogar, a nossa equipa não se mostrou minimamente interessada em fazer a bola chegar até à área adversária, progredindo lentamente de lateralização em lateralização até ao apito final do árbitro. Com a bola numa zona lateral e a poder fazer no mínimo um cruzamento largo para a área (como aquele que o Gabriel fez que resultou no golo contra o Paços), sabendo perfeitamente que o árbitro poderia apitar a qualquer momento, os nossos jogadores preferiram fazer um passe para trás. Duvido que fizesse alguma diferença, e a vitória de pouco serviria porque o Rangers ganhou o seu jogo, mas a atitude conseguiu enervar-me ainda mais.

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Não me parece que tenham havido jogadores a destacar-se muito. Houve tanta asneira feita que quando penso em qualquer um dos jogadores que actuaram só me consigo lembrar dos respectivos erros e é-me impossível dizer que estiveram bem. Foi-nos 'prometido' que jogaríamos o triplo, mas eu vejo jogadores que até parecem ter regredido esta época.

 

Num jogo em que se calhar podíamos ter marcado meia dúzia de golos e no final acabamos por empatar a irritação é o que eu mais retiro dele. E a somar à ineficácia a atacar, a constante incompetência a defender tem que ser um motivo de séria preocupação para a nossa equipa técnica. É incompreensível como se continuam a cometer os mesmos erros jogo após jogo. O Benfica sofreu nove golos em seis jogos da Liga Europa, tendo como adversários o Rangers, Lech Poznan e Standard de Liège. Quando tivermos que jogar contra equipas que vieram da Champions, como será?

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publicado por D`Arcy às 09:32
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