VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

Repartido

No espaço de uma semana, perdemos duas competições. No Porto, o jogo foi repartido mas acabou em decepção para nós, decidido por uma falha numa bola parada e um desperdício inacreditável da nossa parte.

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O António Silva recuperou e jogou, e as maiores surpresas no onze foram o Prestianni e o Sidny nas alas, tendo o Aursnes regressado ao meio e o Sudakov ficado no banco. Achei que até entrámos bem e o Prestianni fez aquilo que já o vi fazer demasiadas vezes: em boa posição na área, atirou para a bancada porque tem o defeito técnico de se inclinar constantemente para trás na altura do remate. Só que o Porto chegou ao golo ainda cedo, numa sequência de três pontapés de canto seguidos em que de alguma forma o Barreiro acabou a marcar o central adversário. O Porto ficou motivado com o golo e melhorou no jogo. Pouco antes do intervalo tivemos uma alteração forçada, trocando o Ríos pelo Sudakov, o que significou o recuo do Barreiro para uma posição que lhe é mais familiar. Mas mesmo mais recuado, foi dele a melhor ocasião de golo já em período de compensação, tendo obrigado o guarda-redes do Porto a uma boa defesa com o pé. Depois na segunda parte vimos o Benfica ter quase sempre mais bola e a iniciativa do jogo, mas sem grande surpresa porque é assim que o Porto se sente confortável, a jogar na transição. Se contra equipas mais fracas raramente conseguimos encostá-las às cordas e sufocá-las, também não estava propriamente à espera que conseguíssemos aproveitar a posse de bola para o fazer neste jogo. O jogo acabou por ficar marcado para nós pelo incrível falhanço do Pavlidis ao minuto noventa, quando após um cruzamento na esquerda do entretanto entrado Schjelderup, ele surgiu completamente à vontade ao segundo poste e a um ou dois metros da linha de golo não conseguiu desviar a bola para a baliza, tendo esta de alguma forma passado por debaixo do pé dele.

 

Não acredito em vitórias morais, e o facto de termos feito um jogo decente em que não fomos inferiores em nada ao adversário excepto no resultado não me serve de consolo. Chegar ao final de um jogo a dizer que merecíamos mais só aumenta a minha desilusão. O que fica é que foi mais uma competição perdida numa época que cada vez mais parece alinhar-se para passarmos quatro meses a jogar quase só para o calendário. As movimentações que estamos a fazer no mercado ou aquelas que supostamente estão em perspectiva pouco me agradam e nada me motivam, mas suponho que tenhamos logicamente que satisfazer os pedidos do treinador para formar um plantel do seu agrado. Agora, se estamos a fazer mais uma vez isto para depois no final da época trocarmos de treinador e recomeçar o processo do zero com o que se seguir, então é mesmo navegação à vista.

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publicado por D'Arcy às 09:03
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2026

Amadores

A primeira derrota interna da época ditou uma eliminação justa da Taça da Liga. Uma equipa que defende ao nível de amadores não pode esperar outro resultado que não este.

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Tinha escrito que se queríamos ganhar efectivamente ao Braga desta vez, convinha não darmos uma parte de avanço como da última vez. Pois não só o voltámos a fazer, como conseguimos fazer uma primeira parte ainda pior. Voltámos a cometer erros infantis, individuais e colectivos, e a sair para intervalo em desvantagem, obrigando-nos mais uma vez a ter que vir para a segunda parte para correr atrás do resultado. O onze escolhido já não tem surpresas para ninguém, é este o onze base (jogou o Manu em vez do Barrenechea porque o argentino está lesionado, mas de resto vai ser assim que vamos jogar quase sempre). Entrámos com uma enorme oportunidade para marcar, mas o Pavlidis na pequena área desviou o cruzamento para a figura do guarda-redes. O Braga atacava pouco e na transição, mas de cada vez que subia aproveitava os buracos que dávamos a defender e causava perigo. Por isso foi sem surpresa quando o Otamendi (que até aí já tinha mostrado estar num daqueles dias épicos) e o Tomás Araújo combinaram para dar todo o espaço para que o Braga, com apenas dois jogadores, chegasse ao primeiro golo. O Otamendi na esquerda deu tempo e espaço para que o passe fosse feito para o interior da área, e o Tomás Araújo, apesar de ter apenas um adversário para marcar, também lhe deu todo o espaço para receber, tendo-se posicionado de forma em que não estava a marcar o adversário nem estava em posição para interceptar o passe (tenho no entanto a certeza de que se tivesse sido o António Silva a dar uma casa destas já os adeptos o estariam a rifar). O segundo golo do Braga foi ainda mais patético do nosso ponto de vista. Mérito óbvio para a grande arrancada do Zalazar, mas um jogador adversário não pode fazer mais de meio campo a correr com a bola sem que ninguém o pare. O desgraçado do Sudakov parecia estar a arrastar-se atrás dele, incapaz sequer de o travar em falta, e o Otamendi, ainda e sempre em linha com a exibição desde o primeiro minuto, faz-se ao lance de forma completamente displicente e é facilmente ultrapassado. Ao intervalo trocou-se o Manu pelo Prestianni e o nosso jogo lá animou um pouco, bastante por culpa dele (apesar de diversas perdas de bola, mas tendo em conta que ele era o único jogador que pegava na bola e partia para cima dos adversários, é natural). Conseguimos reduzir num penálti assinalado sobre o Pavlidis e convertido pelo próprio, e nos minutos que se seguiram estivemos em cima do Braga e o empate pareceu possível. Mas a nossa defesa voltou a comprometer, e o Tomás Araújo desviou um livre lateral para a própria baliza que o Trubin defendeu à primeira, mas nada podia fazer para parar a recarga. Para fechar uma noite em beleza, o Otamendi levou uma trancada, a falta não foi assinalada e ele resolveu protestar como se não tivesse já amarelo e foi expulso, ficando de fora do próximo jogo no Dragão.

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Não sei se alguém merece algum destaque. O Prestianni conseguiu mexer com o jogo, é o melhor que arranjo. Os nossos dois centrais foram absolutamente pavorosos, o Dahl é lamentável de ver como titular indiscutível, sobretudo depois de anos a ver o Grimaldo e depois o Carreras, o Ríos parecia que estava a jogar futebol pela primeira vez e o Barreiro é aquilo, não dá mais. Entrega-se ao jogo, mas entregar-lhe aquelas funções continua a não fazer grande sentido para mim. O Sudakov ali é quase jogar com menos um; não é carne nem peixe, não é ala nem organizador de jogo, o que aliado ao Dahl resulta numa ala esquerda pavorosa.

 

Perdemos e perdemos bem, não sei quais serão as consequências desta primeira derrota interna. Desconfio que nenhumas e que a equipa titular pouco ou nada mudará porque as opções não abundam. Em concreto, o que vemos é que a nossa época arrisca-se a acabar ainda este mês.

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publicado por D'Arcy às 03:09
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Domingo, 4 de Janeiro de 2026

Segura

Não foi um jogo fácil mas conseguimos uma vitória segura frente a uma boa equipa do Estoril, que veio à Luz para jogar futebol.

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Duas alterações no onze, que eram para ser três. Prestianni e Manu de início nos lugares do Barrenechea e do Aursnes, e o António Silva também devia ter sido titular, mas lesionou-se no aquecimento e por isso o Tomás Araújo manteve o seu lugar no onze. Voltámos a entrar meio adormecidos no jogo. O Estoril é uma equipa que pratica um bom futebol, com um treinador com quem eu simpatizo e que talvez por ser estrangeiro não partilha da mentalidade reinante da nossa liga, preferindo tentar jogar futebol em vez de montar esquemas ultra-defensivos. O Estoril costuma alinhar num esquema de três defesas que se desdobra num 3-4-3 quando tem bola, e não mudou nada para este jogo. Entraram a todo o gás e no primeiros minutos o Trubin teve que estar atento para lhes negar um golo madrugador. Uma tendência que revelaram de início e que acabou por se manter em todo o jogo foi insistirem muito sobre o lado esquerdo da nossa defesa, onde o Guitane causava sempre preocupação e fazia a cabeça em água ao Dahl. Acho aliás que o nosso lado esquerdo é um ponto que os nossos adversários revelam cada vez mais tendência para explorar - já contra o Braga vimos o mesmo acontecer. O Dahl, apesar da confiança total que o Mourinho parece ter nele, não é muito forte a defender, e à frente dele o Sudakov não é grande ajuda. Só ao fim do primeiro quarto de hora me pareceu que o Benfica assumiu verdadeiramente mas revelamos sempre alguma lentidão nos processos ofensivos, com o Sudakov sempre a afunilar o jogo para o meio (nem é uma questão dele vir sempre para o meio com a bola, é que mesmo quando ele tem o lateral a subir solto nas costas dele, ignora-o sempre e nunca lhe passa a bola, preferindo fazer o passe para dentro) e era o Prestianni quem ia dando alguns safanões no jogo. O Dedic, do mesmo lado, conseguiu quase sempre arranjar espaço para subir, mas sempre que chegava perto da área parecia não saber como dar continuidade às jogadas. O primeiro golo apareceu aos trinta e quatro minutos, num penálti que o VAR acabou por alertar o árbitro para assinalar, por braço na bola. O Pavlidis, como de costume, marcou sem problemas. O melhor momento do jogo foi já no primeiro minuto de compensação, quando o Pavlidis aproveitou um passe do Barreiro para as costas da defesa do Estoril, evitou bem a tentativa do defesa o carregar, e sobre a esquerda, logo no primeiro toque na bola, fez um chapéu perfeito e cheio de classe ao guarda-redes. Seria a maneira perfeita de sair para o intervalo, com a vitória na mão e a motivação em alta depois de um golo de tanta qualidade. Mas o Estoril ainda foi a tempo de reduzir a diferença, num bom golo de equipa. A jogada veio mais uma vez da esquerda, onde o Dahl e o Sudakov juntos foram incapazes de travar o Guitane, e depois o passe saiu rasteiro para a entrada da área, com uma simulação de um jogador do Estoril pelo meio a permitir que a bola chegasse ao João Carvalho, que solto rematou de primeira completamente fora do alcance do Trubin.

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Na segunda parte assistimos a um jogo mais amarrado. Jogou-se pouco, já que houve muitas faltas e interrupções - com um árbitro que na minha opinião, mostrou uma clara falta de qualidade para tomar conta do jogo, com critérios disciplinares incompreensíveis, e muitas perdas de bola de parte a parte. O aspecto mais positivo disto foi mesmo que o Estoril raramente conseguiu levar perigo à nossa baliza e o Benfica pareceu estar quase sempre confortável no jogo. Mas voltamos sempre a lembrar-nos das várias vezes esta época em que, por chegarmos aos instantes finais dos jogos com uma vantagem mínima, acabámos por sofrer o golo do empate no período de compensação, por isso era natural um certo desconforto por parte do público com este resultado. O Mourinho manteve-se fiel à sua tendência para mexer na equipa já em fase tardia dos jogos, e apenas aos setenta e sete minutos fez duas alterações, entrando o Aursnes e o Sidny para os lugares do Prestianni e do Sudakov - na mesma altura o Estoril fez entrar o Pizzi, e o público da Luz aproveitou para aplaudir um jogador que foi determinante na história recente do Benfica. O estreante Sidny não demorou muito a mostrar a vantagem de termos alguma profundidade pelo lado esquerdo. Depois de receber a bola, em vez de vir para o meio progrediu em direcção à linha de fundo, e perto da área fez um cruzamento rasteiro para a zona do segundo poste. Um defesa do Estoril ainda tentou o corte mas apenas conseguiu desviar ligeiramente a bola que foi encontrar o Pavlidis junto ao poste para empurrar facilmente para o golo, conseguindo mais um hat trick pelo Benfica. O Sidny veio mesmo trazer alguma animação ao nosso ataque para os minutos finais de um jogo que pouco mais teve para contar, com o Pavlidis a ser substituído perto do final para o mais do que merecido aplauso.

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Nem havia dúvidas que o Pavlidis seria o destaque. É neste momento o jogador mais decisivo do Benfica, e mesmo passando longos períodos quase a ser ignorado pelo resto da equipa, vem atrás para se envolver no jogo e consegue aproveitar as poucas ocasiões que tem para ir acumulando golos. O segundo golo que marcou foi classe absoluta, pela execução e pela rapidez na tomada de decisão - nem sequer deu um toque para controlar a bola, e quando esta lhe chegou aos pés já tinha decidido como finalizar a jogada.

 

Com este resultado pelo menos voltámos a depender de nós para chegar ao segundo lugar (o primeiro, continuo a achar que é impossível). A seguir vem aquela taça que todos os anos a Liga se esforça para fazer ainda pior e menos interessante do que na época anterior, mas que é uma competição oficial e como tal quero e espero sempre ganhá-la. Depois de sairmos de Braga com o Mourinho a dizer que tínhamos ganho, espero que confirmem isso na quarta-feira, e para isso seria útil que desta vez não déssemos uma parte de avanço.

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publicado por D'Arcy às 18:20
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Domingo, 28 de Dezembro de 2025

Lamentável

Acho que se ainda havia alguém com dúvidas, o resultado desta noite deve ter acabado com elas: o título é uma miragem, porque na liga portuguesa não se conseguem recuperar 10 pontos numa volta. E a culpa disso foi mais uma parte dada de avanço, com uma exibição que só consigo classificar de lamentável, que depois uma segunda parte completamente transfigurada não conseguiu corrigir.

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O onze apresentado não teve qualquer surpresa. Assentámos nesta fórmula sem extremos de raíz, e com o Barreiro como apoio mais próximo do avançado, e parece-me que não irá variar muito mais até ao final da época. O Benfica até pareceu que ia entrar com vontade de assumir o jogo, mas foi um completo engano. Permitimos que o Braga tivesse quase sempre a iniciativa, defendendo com uma linha de cinco em que o Dedic se juntava aos centrais e o Aursnes fechava à direita, e com uma linha de quatro à frente dela, em que às vezes até um dos médios conseguia cair para o meio dos defesas. Mal existimos no ataque, e no entanto chegámos à vantagem por volta da meia hora de jogo, no primeiro remate que acertámos na baliza - obviamente, contra a corrente do jogo. Livre na direita e o Sudakov assistiu para o cabeceamento do Otamendi. Mas oito minutos depois, o Dahl compôs o esforço extraordinário que vinha a fazer desde o apito inicial para comprometer a equipa com um penálti perfeitamente escusado, por saltar de braços no ar e ter assim interceptado um cabeceamento com a mão. Conseguido o empate, o Braga depois chegou à vantagem já no período de compensação, com o Ríos a colaborar preciosamente com o Dahl. Depois do sueco ter sido facilmente ultrapassado na esquerda (uma constante ao longo de todo o jogo) o Ríos até conseguiu interceptar o cruzamento feito mas em vez de afastar a bola tentou controlar e sair a jogar, tendo caído e perdido a bola para depois assistirmos a uma demonstração de ineficácia da nossa defesa que incluiu ninguém conseguir meter o pé enquanto o jogador do Braga progredia pelo meio dos nossos jogadores, e uma típica e habitual entrada desnecessária de carrinho do Otamendi que não serviu para nada. Portanto, saída para intervalo atrás no marcador, resultado que espelhava a nossa má primeira parte e que se calhar até podia ser pior.

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Segunda parte, sem quaisquer alterações, e um Benfica completamente transfigurado. A segunda parte foi praticamente toda nossa, tendo conseguido chegar relativamente cedo ao empate e construído ocasiões mais do que suficientes para vencer o jogo. O golo do empate surgiu logo aos oito minutos, quando (finalmente) o Benfica fez uma jogada de transição e o Pavlidis fez a bola chegar aos pés do Aursnes. Descaído sobre a direita e à entrada da área, o norueguês inventou um remate colocadíssimo que fez a bola entrar junto ao ângulo do lado oposto. Depois tivemos mais de quarenta minutos para chegar à vantagem. O guarda-redes do Braga negou-nos alguns golos, outros fomos nós que falhámos quando deveríamos ter finalizado melhor, e tivemos dois golos anulados. O primeiro, bem anulado por posição irregular do Pavlidis, que apareceu em frente ao guarda-redes e finalizou bem, o segundo, do Dahl, anulado por qualquer coisa que o árbitro viu e decidiu marcar *depois* da bola ter entrado, e confirmado pelo inevitável Tiago '5 cêntimos' Martins, que depois do excelente trabalho na última final da taça já deve finalmente ter feito o luto e foi-lhe permitido voltar a ser VAR num jogo nosso. O Braga ainda acabou reduzido a dez nos instantes finais, mas pouco ou nenhum partido tirámos disso. Voltámos a não fazer todas as substituições, e voltámos a insistir naquela coisa bizarra do Ivanovic encostado à ala esquerda. O que eu vi na prática foi que raramente conseguimos voltar a meter a bola na área, numa altura em que devíamos estar a pressionar para aproveitar a vantagem numérica.

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Os jogadores do Benfica que mais me agradaram foram o Pavlidis e o Aursnes. O Sudakov continua a mostrar que tem qualidade, mas repito que gostaria de o ver jogar mais no meio, onde pode intervir mais no jogo. O Ríos, depois de alguns jogos em que mostrou mais qualidade e utilidade, fez um jogo muito fraco e ficou directamente ligado a um golo do Braga. O Dahl foi desastroso.

 

Pode ser que face a este resultado evitemos entrar em gastos descontrolados em Janeiro para alimentar uma esperança no título que já era ténue. O plantel tem obviamente lacunas, especialmente aos olhos do treinador, já que repetidamente prefere nem fazer todas as substituições e manter os jogadores em que confia os noventa minutos em campo. Mas assim pode ser que as contratações sejam feitas numa perspectiva mais da próxima época em vez de estarmos a gastar descontroladamente à procura de resultados imediatos. O que continuo a ter muita dificuldade em compreender, porque isto já aconteceu demasiadas vezes esta época, é como é que o Benfica consegue apresentar duas faces completamente distintas durante um mesmo jogo. Hoje, a incompreensivelmente má primeira parte foi determinante. De certeza que quase todos nós chegámos ao final do jogo com uma sensação de alguma injustiça depois de assistirmos àquela segunda parte, mas os jogos têm noventa minutos.

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publicado por D'Arcy às 22:31
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2025

Controlado

Uma vitória justa contra um adversário bastante complicado, num jogo muito disputado que não foi particularmente fácil e não teve muitos momentos memoráveis.

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A única novidade no onze foi a titularidade do Prestianni sobre a direita com o Aursnes a passar para o meio, desempenhando as funções que recentemente têm sido feitas pelo Barreiro. O Famalicão é uma das melhores equipas da nossa liga fora daquela que habitualmente ocupam os lugares de topo, e entrou no jogo para mostrar isso mesmo. Não foi uma boa entrada do Benfica no jogo, que nos primeiros dez minutos praticamente viu o Famalicão jogar e ter uma boa parte da posse de bola. Mas depois do Benfica dar o primeiro sinal de perigo num remate do Sudakov, acabou por conseguir pegar no jogo de, e a partir daí esteve sempre por cima e mais próximo do golo. Não foi, de todo, um jogo agradável de assistir. Foi intensamente disputado, mas foi difícil verem-se boas jogadas - ambas as equipas tentaram pressionar o adversário de forma agressiva, o que resultou em diversas perdas de bola de parte a parte, posses pouco prolongadas, muitas bolas divididas e muitas faltas, em especial da parte do Famalicão, a matar jogadas à nascença. O golo, que acabou por ser o único do jogo, surgiu aos trinta e quatro minutos de jogo, num penálti assinalado pelo VAR após um defesa do Famalicão ter acertado com o braço na cara do Otamendi. Acho que depois do que se passou nos Açores, agora até olhar de lado para um adversário dentro da área pode dar penálti, portanto não me admirarei que passemos a ver cada vez mais penáltis assinalados em lances de bolas divididas na área. O Pavlidis converteu com a eficácia do costume e o Benfica foi para o intervalo na frente. Na segunda parte o Benfica continuou por cima e desperdiçou algumas ocasiões para fazer o segundo golo (Aursnes, Prestianni, Dedic). À medida que o tempo avançava para o final, e ainda com apenas um golo de vantagem, provavelmente terá passado pela cabeça de todos os três empates em casa com golos sofridos nos instantes finais, e a equipa retraiu-se um pouco, permitindo ao Famalicão ter novamente mais bola. Mas não me recordo de nenhuma ocasião de perigo por parte do Famalicão, e acho que os nervos apenas estiveram na nossa cabeça porque o Benfica teve sempre o jogo relativamente bem controlado.

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Tenho dificuldade em escolher um melhor em campo, talvez os dois laterais tenham sido dos que estiveram num nível mais alto. Mas foi um jogo que não proporcionou grandes oportunidades para brilhar, porque foi muito fechado.

 

Conquistámos os três pontos, o que tendo em conta o nosso péssimo registo em case esta época é por si só um motivo de satisfação. A exibição, essa, não foi coisa para grande satisfação, mas fomos a única equipa a merecer a vitória neste jogo. E defensivamente acho que estivemos bastante sólidos contra uma boa equipa, que ainda não tinha ficado em branco nos jogos fora esta época. Desde o empate com o Casa Pia, no início de Novembro, que temos sete vitórias e um empate nos oito jogos disputados. Falta agora a sempre complicada deslocação a Braga para fecharmos o ano em alta.

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publicado por D'Arcy às 12:38
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2025

Influência

Vitória fácil, normal e esperada em Faro, que garantiu a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal.

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Muitas alterações no onze habitual (seis no total) que começaram na baliza, merecendo destaque a titularidade do Manu após vários meses de ausência. Apresentámos também um ataque completamente renovado, com Prestianni, Schjelderup e Ivanovic. O jogo não teve grande história: o Farense até pareceu entrar com bastante vontade, mas o Benfica marcou logo aos onze minutos, pelo Ríos com um remate rasteiro de primeira após um livre na direita do ataque, e ficou com o jogo na mão. O jogo foi em geral feio - relvado a parecer pesado, muitos passes errados, perdas de bola desnecessárias, muitas bolas divididas e várias interrupções devido a faltas, porque o Farense nunca teve grandes problemas em fazer faltas, e muitas delas com dureza desnecessária. O Sudakov acabou por ser vítima disso mesmo e teve que ser substituído pelo Aursnes ainda durante a primeira parte. Mas a sensação para quem viu o jogo foi que, mesmo com apenas um golo de diferença no resultado, o Benfica foi sempre superior e teve sempre o jogo completamente controlado, tendo ficado a dever-se a si próprio ir para o intervalo com um resultado mais confortável. A melhor ocasião para isso foi um penálti assinalado por falta sobre o Schjelderup, que o Otamendi foi estranhamente chamado a marcar (achei estranho sobretudo, porque tínhamos em campo jogadores que eram marcadores habituais de penáltis nas suas anteriores equipas, como o Schjelderup, o Sudakov ou o Ivanovic, eo Otamendi não é um especialista). O Otamendi acabou por fazer exactamente o mesmo que tinha feito na eliminatória contra o Atlético, e com um remate demasiado denunciado permitiu a defesa ao guarda-redes. Mesmo antes do intervalo o Ivanovic ainda fez um golo, mas foi bem anulado por posição irregular do mesmo.

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Logo nos instantes a seguir ao regresso do intervalo, do qual o Samuel Soares já não regressou por aparentes problemas físicos, mais um episódio daqueles que parecem acontecer sobretudo ao Benfica cá por dentro. O Ivanovic aproveita um mau passe de um defesa para seguir para a baliza, e quando se ia isolar foi claramente derrubado, em posição frontal e sobre a linha da área. O árbitro assinalou a falta e resolveu dar amarelo. O VAR chamou-o para rever o lance porque era lance para vermelho, mas o árbitro não aceitou a recomendação e manteve a decisão inicial. O VAR nos jogos do Benfica a maioria das vezes parece não existir, e quando intervém a nosso favor, a nova tendência agora pelos vistos é ignorá-lo quando possível. Mas o Benfica voltou a marcar, e novamente aos onze minutos. Bom trabalho do Ivanovic, a receber a bola ligeiramente descaído sobre a direita e a abrir para a entrada do Dahl na esquerda. O sueco rematou forte e cruzado, e o Ivanovic foi o mais rápido a surgir junto à linha de golo para fazer a recarga da bola que o guarda-redes apenas tinha conseguido desviar. Com o jogo completamente controlado e resolvido, perto do final houve mais uma estreia de um campeão do mundo de sub-17, desta vez o lateral direito Banjaqui (que foi jogar como médio desse lado). No último minuto da compensação o Farense ainda conseguiu reduzir, mas o golo foi anulado por empurrão nas costas do António Silva.

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Sem grandes brilhos, ainda assim acho que o Ríos foi o jogador em maior destaque. Marcou um bom golo e parece aparecer em todo o lado, a atacar, a defender, sobre as alas. Ao contrário da fase inicial da época, parece agora estar a atravessar uma fase de enorme confiança. O Ivanovic voltou a trabalhar muito e foi recompensado com um golo. Vai-se tornado numa opção válida no plantel, mas tecnicamente está muito distante do Pavlidis.

 

Foi o terceiro jogo que fizemos esta época na taça, e o terceiro fora de casa. Seguir-se-á mais um, frente a Porto ou Famalicão, mais uma vez fora de casa - é uma sina que nos persegue. Parece-me que estamos na melhor fase sob o comando do Mourinho, em que a equipa recuperou confiança e já joga mais como equipa, em vez de parecer um conjunto de jogadores meio perdidos no campo. Tivemos uma boa semana, onde em três jogos conseguimos três vitórias, com oito golos marcados e zero sofridos. Acho que muitos torceram o nariz e ficaram desconfiados com o regresso do Mourinho (eu incluído) mas parece-me que nesta fase já começa a ser notória a influência positiva dele, dentro e fora do campo (contratar Mourinho é praticamente o mesmo que contratar um departamento de comunicação novo para o futebol, e a forma como o Benfica era constantemente destratado nas conferências de imprensa parece ter os dias contados). Se calhar ele era precisamente o tipo de treinador que o Benfica, na fase que atravessa, estaria a precisar.

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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

Momento

Previa-se uma deslocação complicada a Moreira de Cónegos, mas o Benfica deu sequência à exibição altamente competente da Champions e conseguiu conquistar os três pontos sem grandes problemas, construindo um resultado bastante dilatado.

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Em relação ao jogo com o Napoli, apenas uma alteração e esperada: o regresso do Pavlidis à titularidade por troca com o Ivanovic. O jogo começou praticamente com mais um episódio de rotina nesta nossa liga, para não nos esquecermos daquilo com que é preciso lidar: logo ao terceiro minuto de jogo, o Pavlidis foi derrubado na área para penálti, o árbitro mandou seguir e o VAR ficou mudo. Foi um bom mote para o resto da noite, que incluiu foras-de-jogo erradamente assinalados pelo auxiliar só para que o Benfica não beneficiasse de um pontapé de canto, ou uma falta inventada ao Ríos quando ele já ia na direcção da baliza depois de recuperar a bola. Foi uma fase inicial de jogo complicada, com o jogo dividido e o Moreirense bastante agressivo, com quase uma dúzia de faltas na primeira meia hora para travar as iniciativas do Benfica, que incluíram uma cacetada no Barreiro num lance muito semelhante ao que tinha valido a expulsão ao Prestianni na última jornada - aqui, obviamente, deu amarelo. A cacetada acabou por eventualmente arrumar com o Barreiro, apesar de ainda se ter aguentado em campo até ao intervalo. Confesso que durante bastante tempo na primeira parte pensei que iria ser bastante complicado conseguirmos desatar o nó deste jogo, porque não estávamos a conseguir criar grandes ocasiões de perigo e o Moreirense estava a conseguir travar o nosso jogo. Tudo se começou a resolver aos trinta e seis minutos, quando após uma tabela com o Tomás Araújo na direita o Aursnes fez um grande cruzamento para a área, e o cabeceamento do Pavlidis foi ainda melhor, fazendo a bola entrar bem junto ao poste. O Benfica nessa fase já estava por cima no jogo e o golo surgiu na altura certa. E não permitimos qualquer reacção ao adversário, já que continuámos a ter o jogo bastante controlado - uma saudável mudança, que temos visto nos últimos jogos, ao irritante hábito de marcar e imediatamente encostar atrás e convidar o adversário a atacar.

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Ao intervalo o Barreiro ficou no balneário e regressou o Rodrigo Rego no lugar dele. Foi-se colocar sobre a direita, passando o Aursnes a ocupar as funções do Barreiro. A segunda parte acabou por ser bastante tranquila, e não consigo mesmo recordar-me de uma ocasião de maior perigo criada pelo Moreirense. O Benfica foi uma equipa sempre muito bem organizada e que soube fechar os caminhos para a sua área logo à saída da área adversária, com uma pressão muito bem executada. Como o Moreirense se quis manter fiel aos seus princípios de sair a jogar, acabou por pagar caro por isso. Aos cinquenta e sete minutos, uma bola recuperada no meio campo defensivo do Moreirense chegou aos pés do Pavlidis depois de um passe do Aursnes, e sobre a esquerda o grego veio mais para o meio e rematou cruzado, com a bola ainda a desviar ligeiramente num defesa, mas não o suficiente para impedir o segundo golo. O jogo ficou praticamente resolvido aí, e até final, com relativa tranquilidade, fomos dilatando o resultado. Marcámos dois golos no espaço de seis minutos, entre os minutos setenta e setenta e seis, e o que se antevia complicado acabou numa goleada. O terceiro golo foi o do hat trick do Pavlidis, que depois de marcar de cabeça e de pé direito, aproveitou um mau passe de um defesa do Moreirense em mais uma tentativa de sair a jogar e rematou cruzado de pé esquerdo. O quarto foi um mais do que merecido golo para o Aursnes. Desta vez foi o guarda-redes do Moreirense quem errou o passe na saída de bola, permitindo a intercepção ao norueguês. Com o guarda-redes fora da baliza, ele optou por um chapéu de medidas perfeitas, que fez a bola ainda tocar na barra antes de entrar. Foi o golo mais bonito da noite. Até final, mais uns minutinhos para o Neto e o Manu.

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Se o Pavlidis, pelos três golos, merece o maior destaque, o Aursnes não lhe ficou muito atrás. Marcou o melhor golo da noite e fez duas assistências, mostrando também que pode fazer exemplarmente o papel que tem andado a ser desempenhado pelo Barreiro. Gostei também do jogo do Dedic.

 

Foi muito positivo termos conseguido manter o bom momento que trazíamos do jogo da Champions. A equipa está a ganhar confiança a cada jogo e alguns processos já começam a sair de forma natural. Gostei muito que o Mourinho no final não tivesse deixado que se varresse o lance do penálti para baixo do tapete só porque o Benfica acabou por ganhar tranquilamente - um penálti logo aos três minutos pode ter grande influência num jogo, e este lance nem era assim tão difícil de ajuizar. E a referência ao prémio fair play (um dos insultos recorrentes que nos fazem no final das épocas) foi perfeita. Mas presumo que para um jogo em que se apostavam algumas fichas numa escorregadela do Benfica, começar logo com um penálti a nosso favor fosse pouco conveniente.

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publicado por D'Arcy às 13:24
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025

Vivos

E continuamos vivos. No segundo jogo de tudo ou nada na Champions, o Benfica arrancou uma exibição sólida e venceu o campeão italiano de forma indiscutível, permitindo-nos a manutenção na corrida pelo apuramento para a próxima fase da competição.

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Duas surpresas no onze, a maior delas a titularidade no Ivanovic no lugar do Pavlidis no ataque. A outra foi a escolha do Tomás Araújo em vez do António Silva no centro da defesa (só por curiosidade, estes dois jogadores que foram titulares são precisamente aqueles que depois da má exibição no jogo da Taça contra o Atlético, a comunicação social especulou terem sido aqueles que o Mourinho 'culpou'). A titularidade do croata foi para termos um avançado mais móvel na frente, para permitir atacar o espaço que o Napoli dá atrás dado que, como é normal nas equipas do Conte, gosta de jogar com as linhas muito subidas. Quanto ao Tomás Araújo, imagino que a melhor qualidade de passe que tem em relação ao António Silva tenha pesado na escolha. Uma coisa que reparei cedo foi que o Aursnes raramente se encostava à direita quando atacávamos (já o Sudakov do outro lado, é normal vir mais para dentro). Vimos portanto muita gente no meio campo, que os médios do Napoli não eram capazes de controlar ou acompanhar. A defender, então o Aursnes e o Sudakov ajudavam a fechar as alas, enquanto o Barreiro se juntava ao Ivanovic na primeira linha de pressão. A forma como podíamos explorar o espaço deixado atrás pelo Napoli com transições rápidas ficou exemplificada cedo: um passe fantástico do Sudakov para a desmarcação do Aursnes deixou-nos numa situação de dois para um no ataque. O Aursnes conseguiu deixar a bola no Ivanovic com um passe de calcanhar, e o croata ficou completamente à vontade para marcar, tendo desperdiçado a oportunidade de forma escandalosa, com um remate a meia altura e sem muita força que permitiu a defesa ao guarda-redes. Na insistência, o Ivanovic ainda meteu a bola no Aursnes que, sobre  esquerda, fez um remate cruzado que passou perto do poste. Poucos minutos depois, foi o Aursnes a desperdiçar. A pressão alta permitiu-lhe interceptar um passe do guarda-redes e ficar ele completamente solto na área, e ainda com o Ivanovic sozinho em frente à baliza para lhe passar a bola. Optou pelo remate, acertou mal na bola e o remate nem sequer foi à baliza. Desperdiçar dois golos praticamente certos dentro dos primeiros vinte minutos nunca é um bom augúrio, mas foi quase na jogada a seguir a este falhanço do Aursnes que chegámos finalmente ao golo. Após um cruzamento do Dahl, a bola foi dividida no ar entre o Ivanovic e um defesa e sobrou para a pequena área, onde o Ríos se antecipou a todos e desviou a bola do guarda-redes. Depois deste início forte do Benfica, assistimos finalmente a uma ténue tentativa de reacção por parte do Napoli, mas excluindo alguns cruzamentos do Neres, a nossa baliza nunca passou por grandes apertos, acabando por ser nossa a melhor ocasião para voltar a marcar, pelo Otamendi já perto do intervalo.

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No início da segunda parte, voltámos a entrar bem e aconteceu o melhor possível, que foi o segundo golo. O lance começa com um passe do Ríos ainda no nosso meio campo defensivo, a solicitar o Ivanovic sobre a direita. Este progrediu até perto da área e esperou que o mesmo Ríos, que veio numa corrida desenfreada desde lá de trás sem que ninguém o conseguisse acompanhar, chegasse perto para lhe devolver a bola. O Ríos depois, ainda sobre a direita, aproximou-se mais da linha de fundo e fez o cruzamento que o Barreiro, antecipando-se a um defesa, desviou para o golo com um toque subtil de calcanhar. Tudo bem feito e vantagem importante para deixar a equipa mais tranquila e confiante para a segunda parte. O que se assistiu depois disso foi Mourinho vintage. Ou o Benfica a fazer aquilo que já por várias vezes não soube ou não conseguiu fazer esta época, pagando caro por isso: meter o jogo no congelador. O Benfica teve muito pouca bola durante a segunda parte, mas não deixou o Napoli fazer grande coisa com ela. Exceptuando uma iniciativa individual do Neres, que terminou com um remate que o Trubin defendeu com relativa facilidade para canto, não me recordo de mais nenhuma aproximação perigosa à nossa baliza. Quebrámos o ritmo do jogo sempre que possível, obrigámos o Napoli a fazer inúmeras faltas para recuperar a bola, e bloqueámos quase todos os caminhos para a nossa baliza. Quando, para os últimos quinze minutos, o treinador do Napoli fez entrar o pinheiro Lucca para se juntar ao Hojlund na frente, o Mourinho respondeu com a entrada do António Silva, passando a jogar com três centrais (e o Barreiro sobre a esquerda, passando o Benfica a jogar em 5-4-1). Entrou também o Pavlidis para o lugar do esgotado Ivanovic, e nos pés do grego ainda tivemos duas ocasiões muito boas para aumentar a vantagem ambas negadas pelo guarda-redes do Napoli. Já nos instantes finais do jogo, ocasião para duas estreias: o Tiago Freitas rendeu o Aursnes, para dar continuidade à nossa cada vez mais implementada tradição de ter médios centro a actuar nas alas, e o Neto, que eu acho que tem grande potencial para vir a ser o nosso futuro lateral esquerdo a breve prazo, rendeu o Barreiro.

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O Ríos, com um golo e uma assistência, foi naturalmente o homem do jogo. O Mourinho parece estar a conseguir transformá-lo num jogador que justifique o que pagámos por ele, e gostei bastante da forma como ele descreveu a melhor maneira de o utilizar. Gosto do enorme raio de acção que ele tem, e do ritmo com que joga os noventa minutos (o que é ainda mais surpreendente tendo em conta os jogos que leva nas pernas). O Barreiro é outro jogador que, não sendo um artista, joga sempre em alta rotação, e a verdade é que nos dois últimos jogos da Champions conseguiu marcar dois grandes golos e ser decisivo. Neste momento começa a parecer-me difícil que perca o lugar no onze. O Ivanovic lutou bastante e saiu esgotado, foi importante na estratégia para este jogo e esteve directamente envolvido nas jogadas dos dois golos. Mas um avançado do Benfica não pode falhar um golo daqueles. Também gostei do Aursnes, que fica igualmente marcado por um falhanço imperdoável. No geral estiveram todos num bom nível, numa boa exibição da equipa como um todo.

 

A qualificação continua a ser complicada face aos adversários que nos falta defrontar, mas continua a ser uma possibilidade real. Esperemos que daqui a um mês, quando os jogos se disputarem, continuemos a evoluir e nos possamos apresentar ainda mais fortes. Entretanto, a prioridade é o jogo muito difícil que teremos já este fim-de-semana, contra uma equipa que costuma ser forte em casa e está a fazer uma boa época. Seria muito importante não desperdiçarmos imeditamente a motivação que esta exibição e resultado nos deram.

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Sábado, 6 de Dezembro de 2025

Curto

Foi, objectivamente, um resultado curto. Fomos melhores no total dos noventa minutos, mas a vitória era o único resultado que nos interessava, e uma entrada que só se pode adjectivar de desastrosa no jogo acabou por comprometer esse objectivo.

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Apesar do papel inportante que o Prestianni e o Schjelderup tiveram na reviravolta na Madeira, foi sem surpresa nenhuma que vi o Benfica regressar ao onze mais previsível, com o Aursnes na direita e o Sudakov na esquerda. A entrada no jogo foi, como referi, simplesmente desastrosa. O Sporting entrou melhor, foi capaz de pressionar alto com eficácia, e cedo começou a tirar proveito disso. O Trubin já tinha sido obrigado a uma defesa, quando aos doze minutos de jogo mais um episódio daquelas saídas de bola suicidas, que já referi aqui antes que acabariam por nos trazer dissabores, em que o Trubin coloca a bola no médio defensivo à entrada da área com este de costas para o jogo, resultou numa perda de bola do Barrenechea e um golo fácil para o Pedro Gonçalves. Ainda mais frustrante foi no final ouvir o Mourinho dizer que durante a semana treinaram especificamente para nunca fazerem este tipo de saída de bola. O golo abanou ainda mais a nossa equipa, que não conseguiu fazer praticamente nada até quase à meia hora de jogo - se quisermos ser mais precisos, até aos vinte e sete minutos de jogo. Porque foi nesse minuto que a reacção do Benfica surgiu, e da melhor maneira, com o golo do empate. Grande passe do Ríos a desmarcar o Dedic na direita, que cruzou a bola para a boca da baliza, onde quase em cima da linha de golo o Sudakov se embrulhou com um adversário mas acabou por conseguir ser mais lesto e empurrar a bola para o golo. A partir daqui o Benfica passou para cima no jogo e não mais deixou de estar até ao final do mesmo. Isto literalmente - os dados estatísticos mostram que o último remate do Sporting no jogo foi aos 26 minutos. O resto do jogo foi para o Benfica tentar emendar a péssima entrada e ir atrás dos três pontos de que necessitava, muito mais do que o adversário. Não foi um domínio avassalador, não sufocámos o adversário (que conseguiu quase sempre passar tempo a trocar bolas na zona defensiva sem grandes problemas) mas fomos a equipa que mais procurou a vitória e mais perto esteve de a conseguir - tendo em conta os zero remates do adversário a partir do golo do empate, seria difícil o contrário.

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Na segunda parte acentuou-se um pouco mais a superioridade do Benfica no jogo. Não acho que o Sporting tenha deliberadamente tentado jogar para o empate, porque também não seria um resultado que lhes interessasse, mas não mostraram muita capacidade para reagir ao ascendente do Benfica no jogo e nunca representaram qualquer ameaça para a nossa baliza. Apesar de se jogar maioritariamente longe das áreas (o jogo, objectivamente, apesar de bastante disputado foi também algo aborrecido de ver) o Benfica foi sempre a equipa mais perigosa, e vimos um jogador do Sporting praticamente tirar um golo certo ao Barreiro com um ligeiro desvio na bola na altura certa, depois de uma bola parada bem trabalhada na qual o Ríos apareceu solto na ponta para fazer a assistência de cabeça para o meio da área, e depois o mesmo Ríos, após uma boa iniciativa individual que incluiu um túnel a um adversário, rematar de pé esquerdo à entrada da área para fazer a bola passar muito perto da baliza adversária. Quando se antecipava uma investida final do Benfica nos poucos minutos que ainda faltavam para o fim, depois de fazermos entrar o Prestianni e o Ivanovic para refrescar o ataque, o argentino foi expulso com vermelho directo por travar uma tentativa do Sporting sair para o ataque e a investida ficou-se pela intenção. O Ivanovic acabou por ter que ir fechar uma ala, ficando o Barreiro como homem mais adiantado, e nos minutos de compensação viu-se o Sporting finalmente com alguma vontade de chegar novamente à nossa área, aproveitando o baixar de linhas do Benfica. Tiveram mais bola e jogaram mais no nosso meio campo, mas o resultado concreto foi o mesmo: zero remates feitos, tendo conseguido apenas conquistar um pontapé de canto.

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O Ríos tem estado a subir progressivamente de rendimento, e se calhar este foi mesmo um dos melhores jogos que o vi fazer pelo Benfica. Foi dele o passe a desmarcar o Dedic no lance do golo, e ele foi sempre um dos principais dinamizadores do nosso jogo. Gostei francamente do que vi, e este jogador já começa pelo menos a fazer-nos crer que o investimento que fizemos nele pode ser justificado. Achei que o Sudakov também esteve bem, mas continuo a desejar vê-lo num papel mais central como verdadeiro organizador de jogo. Entretanto, continuo a pensar em todos os jogos se ficámos mesmo a ganhar com a troca do Florentino, que era um dos sacos de pancada preferidos de uma franja dos sócios, pelo Barrenechea, porque o argentino parece-me ser claramente inferior no aspecto defensivo, que é aquilo que eu considero ser mais importante num médio... defensivo. Neste momento a minha esperança é que o Manu regresse ao seu melhor nível rapidamente.

 

Se fôssemos avaliar este resultado exclusivamente pela antevisão que a comunicação social euforicamente verde andou a fazer do jogo, e pela chinfrineira que os mesmos têm andado a fazer durante toda a época e os encómios a esta equipa do Sporting que não é nem mais nem menos do que uma equipa normal para um dos três grandes em Portugal, que domina sem grandes dificuldades a maioria das outras equipas do nosso campeonato, isto foi um resultadão. Houve alturas em que cheguei a pensar que iríamos defrontar um dream team, uma espécie de Milan do Sacchi ou Barcelona do Guardiola, e que se calhar mais valia dar falta de comparência porque tudo o que não fosse perder de goleada já seria aceitável. Mas objectivamente, o empate é um resultado bastante negativo. Tinha expectativas altas para este jogo, mas pela quarta vez esta época empatamos um jogo que deveríamos ter ganho em casa. São oito pontos perdidos, que é precisamente a distância que potencialmente nos separa do primeiro lugar. Já começam a ser demasiados pontos - é verdade que já nos vi recuperar desvantagens destas, mas tendo em conta que as equipas grandes cada vez perdem menos pontos contra as chamadas pequenas, será muito difícil chegarmos ao topo.

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Domingo, 30 de Novembro de 2025

Justiça

Estivemos a um passo do inferno, mas uma ponta final carregada de crença resgatou-nos de um resultado que seria (uma vez mais) de uma injustiça atroz e conseguimos regressar da Madeira com os mais do que merecidos três pontos.

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Não havia Ríos para este jogo, por isso a alteração feita em relação ao onze de Amesterdão foi a entrada do Rodrigo Rego para a direita, tendo o Aursnes regressado ao centro do terreno. O jogo foi dominado pelo Benfica do princípio ao fim, perante um Nacional cujo comportamento foi deplorável. Foi uma equipa completamente remetida à defesa, executando um hino ao anti-jogo, preocupada sobretudo em que se jogasse o mínimo possível. Só o guarda-redes 'lesionou-se' umas três ou quatro vezes durante o jogo. O Benfica, sobretudo durante a primeira parte, foi mais daquilo que tem sido muitas vezes esta época, para nosso exaspero. Muita posse de bola, muita circulação, mas má finalização/definição dos lances. Verdade seja dita que neste jogo chegámos muito mais vezes a zonas de finalização e rematámos muito mais - o que perante uma equipa completamente enfiada na área nem é assim tão surpreendente - mas a qualidade da finalização deixou sempre muito a desejar. Em quinze remates feitos na primeira parte, só um cabeceamento do Pavlidis à figura do guarda-redes e um remate exterior do Barreiro é que deram maior sensação de perigo. A regra foram mais finalizações como uma absolutamente desastrada do Aursnes, que à vontade à entrada da área rematou quase na direcção da bandeirola de canto (com o Pavlidis ainda a conseguir desviar a bola mais para perto da baliza). O mesmo Pavlidis ainda conseguiu introduzir a bola na baliza perto do intervalo, num lance de confusão e insistência na área do Nacional, mas estava adiantado no início da jogada.

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Na segunda parte o Benfica continuou por cima e quando vi o Barreiro, completamente à vontade na pequena área, a falhar de forma inacreditável um desvio simples para a baliza depois do Sudakov lhe oferecer o golo numa bandeja, comecei a pensar mesmo que isto iria ser mais um daqueles jogos horrivelmente frustrantes. Ficou também um penálti claro (e estúpido) por assinalar a nosso favor, mas acho que isto já se tornou de tal forma a nossa normalidade que foi quase como se nada se tivesse passado. Após poucos minutos trocámos o Rego pelo Prestianni, mas o cenário familiar deste tipo de jogos continuava a compor-se: o Otamendi teve uma falha escandalosa na defesa, entregando a bola a um adversário quando tentávamos sair para o ataque, e apanhando a nossa defesa completamente descompensada, o Nacional chegou ao golo. Sem ter feito praticamente nada para o justificar, apanhava-se agora à frente no marcador. Se defender e não deixar jogar já era a palavra de ordem desde o apito inicial, é fácil adivinhar o que aconteceu a seguir. A reacção do Benfica foi imediatamente lançar o Ivanovic no lugar do Barrenechea, mas não me parece que a nossa equipa consiga tirar grande partido da dupla Ivanovic/Pavlidis. Minutos depois trocámos o Barreiro pelo Schjelderup, e foi sobretudo a partir desse momento que achei que começámos verdadeiramente a sufocar o Nacional. Dupla de meio campo Aursnes/Sudakov, com o ucraniano a assumir-se finalmente como organizador de jogo, alas bem abertos, laterais projectados. Ainda que os cruzamentos saíssem quase sempre mal, conseguimos jogar na largura total do campo, com a bola a circular rapidamente de um lado ao outro a causar mais dificuldades à defesa adversária. Apenas aos 89 minutos fomos finalmente recompensados, num golo fabuloso do Prestianni. Completamente descaído sobre a direita, e quando se esperaria que saísse um cruzamento, saiu em vez disso um remate cruzado fortíssimo e colocado ao poste mais distante. Um dos melhores golos desta época. Quando, para espanto meu, o árbitro concedeu nove minutos de compensação (mais do que justificados) percebeu-se que toda a gente acreditava que ainda seria possível ir buscar a vitória. Que surgiu com um golo do Pavlidis, que aos 95 minutos fez aquilo que o Barreiro não tinha conseguido, desviando na pequena área uma bola oferecida pelo Schjelderup após um bom trabalho na esquerda. Desta vez o 'crime' não compensou e o anti-jogo do Nacional acabou punido com justiça.

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Gostei do jogo do Pavlidis, mas gostei também muito de ver o Sudakov, talvez pela primeira vez desde que chegou, nas funções de verdadeiro maestro da equipa. Normalmente joga sobre a esquerda (onde não gosto particularmente de o ver) ou quando jogou no meio, assume uma posição mais adiantada, quase ao lado do Pavlidis. Gostei de o ver mais recuado, atrás dos avançados, com o nosso jogo ofensivo a passar quase sempre pelos pés dele. Gostei também, como gosto sempre, de ver a equipa com dois extremos verdadeiros a jogar a toda a largura do campo. Contra equipas pequenas é assim que eu gostaria que o Benfica jogasse quase sempre. O Otamendi é o líder da equipa, mas voltou a cometer um erro grave. A quantidade de vezes que ele já comprometeu a equipa com este tipo de erros é imensamente superior às falhas que o António Silva também comete por vezes, mas é sempre o António quem leva mais na cabeça à menor falha.

 

O Benfica dos últimos vinte e cinco minutos estará certamente muito mais próximo do Benfica que quase todos nós ambicionamos ver. Apesar de continuar a ser preocupante passarmos por tantas dificuldades para vencer uma equipa tão inferior, tendo estado perto de, pela quarta vez esta época, desperdiçar dois pontos contra uma equipa deste nível, de positivo fica o facto da equipa nunca ter baixado os braços e ter acreditado até ao fim. A forma como a vitória foi festejada revelou uma forte união, e isso é sempre positivo. E depois de tantas desilusões e injustiças ao cair do pano, pelo menos desta vez fica o consolo de termos visto a justiça chegar no mesmo período de tempo. Já era tempo.

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publicado por D'Arcy às 18:22
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