VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 27 de Outubro de 2020

Incontestável

Uma vitória incontestável do Benfica em mais um jogo complicado. A exibição pode não ter sido das mais vistosas em termos de qualidade, mas a superioridade do Benfica nunca chegou sequer a estar em causa.

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Foram três as alterações no onze para este jogo: Weigl, Rafa e Seferovic nos lugares do Gabriel, Pizzi e Waldschmidt. Isto na prática significou jogarmos com dois pontas-de-lança mais 'tradicionais'. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa, quase mesmo avassaladora. A receita foi a do costume, pressão alta e intensa, muita velocidade, transições rápidas, e as oportunidades a começarem a surgir muito cedo. Tanto que aos seis minutos já tínhamos chegado ao golo. Tudo começou numa falta marcada rapidamente pelo Taarabt ainda no meio campo, progressão do Everton, passe para o Rafa, toque de primeira para um cruzamento também de primeira do Grimaldo, e entrada fulgurante de cabeça do Seferovic. Um bonito golo e a melhor forma de começar a resolver este problema que é uma equipa treinada pelo Petit. Porque se o golo madrugador e os primeiros minutos deram a entender que seria um jogo fácil para o Benfica, isso foi engano. O B SAD defendeu sempre com muita gente atrás, e conseguiu quase sempre tapar bem os caminhos pela zona central, por onde o Benfica insiste preferencialmente. Depois do golo ainda criámos mais algumas boas ocasiões durante os quinze minutos iniciais - a melhor das quais quando o Everton se escapou pela esquerda e o seu remate cruzado foi bem defendido pelo guarda-redes com o pé - mas depois do adversário acertar com as marcações tornou-se mais difícil criar situações de perigo com tanta regularidade. Mas pelo menos tínhamos o conforto de já estarmos em vantagem, e o B SAD não conseguia ser incómodo no ataque. A única ocasião de perigo que criaram, na qual o Varela chegou mesmo a marcar, foi anulada por posição irregular.

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Na segunda parte, começámos um pouco melhor e o Everton falhou de forma quase escandalosa um cabeceamento quando apareceu no meio dos centrais adversários, em posição frontal. Mas o que acabou por mudar completamente o jogo foi a entrada do Waldschmidt para o lugar do Seferovic com quinze minutos decorridos. A mobilidade e velocidade do alemão, e o bom entendimento que tem com o Darwin começaram imediatamente a produzir resultados. Pouco tempo depois de entrar, o alemão isolou-se pela esquerda e rematou ao lado - provavelmente se tivesse tentado colocar a bola no meio, onde tinha o Darwin bem colocado, seria uma melhor opção. Logo a seguir o Darwin marcou, a passe do Waldschmidt, mas o golo foi invalidado porque a unha do dedo do pé dele estava adiantada. As oportunidades de golo agora sucediam-se a um ritmo semelhante ao que tínhamos visto nos quinze minutos iniciais do jogo, e o Darwin isolou-se pela esquerda depois de um passe do Rafa, mas rematou à figura do guarda-redes (também poderia ter pensado em assistir o Waldschmidt no meio). A má notícia deste jogo veio logo a seguir, com uma lesão aparentemente séria do Grimaldo, depois de ser acidentalmente pisado por um adversário quando efectuou um desarme e que obrigou à sua substituição pelo Nuno Tavares. A quinze minutos do final, o quase inevitável segundo golo apareceu mesmo, pelos pés do Darwin. Uma transição rápida que começa num passe longo do Weigl desde a entrada da área para o Waldschmidt no meio campo, e depois o passe deste isola o Darwin, que com classe tirou o guarda-redes que saía à bola da jogada e rematou para a baliza deserta. O jogo ficou resolvido com este golo, embora como as coisas estivessem ainda fosse perfeitamente possível o Benfica chegar a um terceiro golo, tendo o Waldschmidt desperdiçado um par de ocasiões para o fazer.

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O Darwin foi um dos destaques, mais uma vez muito em jogo, em especial durante a segunda parte. É um jogador de quem podemos esperar sempre que a qualquer momento crie uma jogada de perigo. Muito boa entrada do Waldschmidt no jogo, já que veio mexer muito com as coisas e a partir desse momento tornámo-nos muito mais perigosos. Gostei do jogo do Weigl, foi bastante sóbrio e seguro, e desconfio que a eficácia de passe dele deve ter andado muito perto dos 100%.

 

Cinco vitórias em cinco jogos. Parece até banal porque é o que nós esperávamos da nossa equipa, mas a verdade é que há quase quarenta anos que não conseguíamos um arranque assim. Há que continuar neste registo, e esperar que a equipa consiga dar a resposta necessária, especialmente na vertente física, para o manter. A pressão que o Benfica tenta exercer sobre os adversários é muito exigente neste aspecto.

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publicado por D`Arcy às 10:30
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2020

Talento

Um jogo bem mais difícil do que o resultado final de 4-2 poderá fazer crer. O Lech Poznan foi um osso duro de roer, nunca baixou os braços, mas o talento do Darwin acabou por prevalecer e permitir ao Benfica entrar com o pé direito na Liga Europa.

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Não houve nenhuma revolução no onze, ao contrário do que chegou a ser anunciado em alguns jornais. Com o André Almeida indisponível foi o Gilberto a ocupar essa vaga, e depois apenas mais uma alteração, com a saída do Rafa e a entrada do Taarabt, passando o Pizzi para a ala direita. O jogo foi demasiado caótico, com o Benfica a nunca ser capaz de agarrá-lo e assumir um claro controlo, mesmo quando se colocava em vantagem, acabando por permitir sempre uma reacção forte dos polacos. A entrada do Benfica até foi positiva e não fazia crer que passássemos por tantas dificuldades. Chegámos ao golo cedo, logo aos nove minutos, através de um penálti do Pizzi a punir um corte com a mão a um passe atrasado o Waldschmidt, depois de uma boa jogada da equipa. Infelizmente a vantagem durou apenas pouco mais de cinco minutos, já que uma bola colocada nas costas da nossa defesa pelo lado esquerdo permitiu um contra-ataque rápido e uma finalização fácil à boca da baliza. Este golo pareceu fazer o Lech Poznan perder o respeito e acreditar que podia jogar de olhos nos olhos com o Benfica, e na sequência de um pontapé de canto estiveram muito perto de chegar à vantagem, atirando a bola à barra. O jogo manteve uma toada de equilíbrio durante a primeira parte, parecendo até que o sinal mais tendia para os polacos, mas quase sobre o intervalo começou o espectáculo Darwin, ele que até aí e ao contrário dos últimos jogos nem tinha estado particularmente inspirado. Um grande cruzamento do Gilberto resultou num autêntico fuzilamento de cabeça por parte do nosso ponta-de-lança, que antecipando-se a toda a gente subiu ao terceiro andar e cabeceou a bola sem qualquer possibilidade de defesa, deixando o guarda-redes pregado ao chão. E depois disto, só não chegámos a mais um golo antes do intervalo porque num contra-ataque o Everton adiantou demasiado a bola quando estávamos numa situação de dois para um.

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A segunda parte começou com o Rafa no lugar do Pizzi, provavelmente para dar mais alguma solidez ao lado direito, já que o Benfica se revelou bastante permeável pelas alas. E começou também com Benfica a falhar uma ocasião flagrante de golo, de forma escandalosa. Primeiro foi o Darwin, que ficou isolado depois de uma bonita tabelinha com o Taarabt e depois não conseguiu controlar bem a bola e rematou de forma defeituosa. Depois, ainda conseguiu recuperar a bola e tocá-la de cabeça para o Waldschmidt, que rematou e viu a bola ser cortada em cima da linha por um defesa. Não marcou o Benfica, marcou o Lech Poznan praticamente na resposta. Uma tabela pela direita da nossa defesa deixou um adversário isolado, o Vlachodimos ainda defendeu o primeiro remate mas depois a bola sobrou para o sueco Ishak, que já tinha feito o primeiro golo, empurrar de cabeça para a baliza vazia. Ficou intranquilo o Benfica e aproveitou o Lech Poznan para ficar por cima no jogo. Só que aos sessenta minutos, e um pouco contra a corrente, o Darwin apareceu de novo para voltar a colocar-nos em vantagem. Recebeu um passe do Everton no centro da área, tirou o seu marcador da jogada com um toque de classe, e colocou a bola para o poste mais distante. Mais um belíssimo golo de um avançado que tem tudo para dar muito que falar. Pela terceira vez no jogo estávamos em vantagem e acreditava-se que não cometeríamos o erro de a deixar escapar novamente. Trocámos quase de seguida o Taarabt e o Waldschmmidt pelo Weigl e o Pedrinho, pouco depois o Grimaldo pelo Nuno Tavares, e as coisas pareciam estar bem encaminhadas. Só que a cerca de vinte minutos do final o Lech Poznan também efectuou algumas substituições e a partir daí tudo mudou. De repente os polacos cresceram muito no jogo e começaram a carregar na busca do empate. Durante alguns minutos perdemos o controlo e não fomos capazes de acalmar o jogo e meter um travão no entusiasmo adversário. Depois seguiu-se um período algo anárquico em que o golo parecia poder aparecer para qualquer uma das equipas. Até que já perto do final o JJ resolveu mudar para um esquema de três centrais e finalmente as coisas estabilizaram. De tal forma que ainda deu para o Darwin chegar ao hat trick no último minuto do tempo de compensação, limitando-se a empurrar de cabeça já quase sobre a linha depois de um bom trabalho e cruzamento do Rafa.

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Só pode haver um destaque no jogo, obviamente o Darwin. Já procurava (e merecia) o primeiro golo pelo Benfica há alguns jogos, e hoje tirou a barriga de misérias. Foram logo três os golos, com os dois primeiros a serem muito bonitos e a revelarem enorme qualidade. Depois de termos visto os primeiros jogos dele percebia-se que era apenas uma questão de tempo até surgirem os golos, mas mesmo assim acho que não esperávamos logo três de uma vez.

 

Ao contrário daquilo que o nosso treinador disse no final, não achei que fosse 'uma vitória categórica do Benfica, sempre por cima do jogo e do resultado'. Foi uma boa vitória do Benfica, mas não estivemos sempre por cima do jogo. O Lech Poznan foi um adversário bem difícil, que em vários períodos do jogo conseguiu ser-nos superior. A qualidade dos nossos jogadores, e em especial do Darwin, acabou por revelar-se decisiva. Quanto à questão de, depois da saída do Pizzi ao intervalo, vermos o Otamendi envergar a braçadeira de capitão, não querendo alargar-me muito digo apenas que estou em completo desacordo com o nosso treinador e que não me revejo de forma alguma na argumentação dele.

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publicado por D`Arcy às 00:21
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2020

Qualidade

A visita a Vila do Conde é tradicionalmente difícil para o Benfica. Mas perante a possibilidade de abrir um fosso de cinco pontos para o segundo classificado, o Benfica não deu quaisquer hipóteses e a qualidade da nossa equipa tornou muito fácil aquilo que se antevia complicado. Foram três golos marcados, mais dois anulados pelo VAR e ainda um penálti revertido só para contrariar a tese dos lunáticos do Lumiar, que resolveram meter-nos ao barulho no arrufo conjugal que tiveram este fim-de-semana.

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Com uma máscara protectora a permitir o regresso do Vertonghen à titularidade e o Taarabt ainda lesionado, o Benfica apresentou o onze que era esperado, mantendo o Pizzi a titularidade no meio campo. Entrada a todo o gás do Benfica, com pressão constante sobre os defesas do Rio Ave, cortando logo à nascença as tentativas de sair a jogar. A defesa em linha do Benfica também jogou de forma bastante agressiva e muito bem coordenada, encurtando o espaço e conseguindo quase sempre deixar os jogadores mais avançados do Rio Ave em posição irregular, o que impedia os passes longos para as costas da defesa. Antes de completado um minuto já o Benfica tinha conquistado um canto, e ao fim de seis minutos quase todos jogados no meio campo do Rio Ave chegou o golo. A pressão deu resultado, e depois de mais uma tentativa do Rio Ave sair a jogar o Gabriel antecipou-se ao Geraldes e interceptou o passe. Cruzamento largo e imediato do Rafa, ligeiro desvio de cabeça do Darwin já na área, e toque de classe do Everton quando se esperava que ele rematasse, a deixar a bola para o estouro do Waldschmidt. Cinco minutos depois, uma nota negativa com a lesão do André Almeida numa bola dividida, que pareceu ser grave e obrigou à sua substituição pelo Gilberto. A pressão do Benfica continuava a dar resultado e novo erro na saída de bola permitiu ao Waldschmidt recuperá-la e oferecer o golo que o Darwin há muito merece. Infelizmente o VAR interveio e o golo foi anulado por alguns centímetros. Mas da forma como estávamos a jogar nem deu para ficar muito preocupado, porque o jogo só dava Benfica mesmo. O Vlachodimos era um mero espectador e o segundo golo do Benfica era apenas uma questão de tempo. Meia hora de jogo, e mais uma vez a bola dentro da baliza do Rio Ave, desta vez com os papéis invertidos: o Darwin assistiu o Waldschmidt, que correu para a área e com calma evitou os defesas do Rio Ave para finalizar à saída do guarda-redes. Mas novamente o VAR anulou o golo por posição irregular de alguns centímetros. Apesar do resultado nunca parecer estar em perigo, porque o Benfica dominava completamente, dois golos anulados em meia hora já eram motivo para alguma irritação. Foi preciso esperar até ao período de compensação da primeira parte para finalmente vermos o Benfica chegar ao merecido segundo golo. O Rio Ave beneficiou de um livre perto da linha do meio campo e mandou toda a gente lá para a frente - de assinalar o facto do Benfica ter formado a linha de defesa bem longe da sua área, em vez de cair naquele comportamento irritante de fazer o favor à equipa que marca o livre e colocar toda a gente dentro da área. A bola foi recuperada, o Pizzi fez um balão para a frente, e a partir daí o Darwin fez quase tudo. Ganhou a bola no corpo a corpo com o defesa, progrediu até à área, e depois deixou-a para o Waldschmidt, com toda a calma do mundo, colocar a bola onde quis. É também de realçar que para além do Waldschmidt, também o Rafa e o Everton apareceram na zona de finalização.

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Na segunda parte o jogo baixou um pouco de intensidade, mas o Benfica continuou sempre a ter um controlo quase absoluto do mesmo. Apesar das várias alterações feitas o Rio Ave nunca conseguiu criar-nos grandes problemas - recordo-me apenas de uma ocasião de perigo, na qual o Vlachodimos defendeu o remate do Piazon. O Benfica, mesmo sem forçar muito, ainda assim esteve sempre mais próximo do terceiro golo, e havia a nítida sensação que se quisesse forçar um pouco mais o resultado poderia facilmente disparar. O Darwin continuou a trabalhar muito e a procurar o golo, tendo talvez perdido a ocasião de oferecer o hat trick ao Waldschmidt quando optou pelo remate ainda de fora da área e tinha o colega em melhor posição para finalizar. Aos sessenta e oito minutos, nova jogada de insistência do Darwin, pela esquerda, terminou numa grande penalidade cometida sobre ele. Infelizmente o VAR voltou a intervir e descortinou novo fora-de-jogo de centímetros no início do lance e a decisão foi revertida - depois do que vi nas repetições, desconfio que o tempo que o VAR esteve a analisar o lance foi mais para conseguir encontrar um frame qualquer em que o Darwin estivesse adiantado. Reparei no entanto num pormenor: o Darwin foi pedir ao Pizzi, que se aprestava para marcar o penálti, para o deixar marcar e o Pizzi pelos vistos não aceitou. Estas coisas até são decididas no banco, mas é tão evidente que o Darwin está a procura do seu primeiro golo pelo Benfica (e merece-o) que teria sido um gesto bonito do Pizzi como capitão deixá-lo marcar. Mesmo que depois o JJ não deixasse. Enfim, são apenas pormenores. O jogo precisava mesmo de um terceiro golo do Benfica para dar uma expressão mais justa ao resultado, e a cinco minutos dos noventa isso finalmente aconteceu sem que o VAR encontrasse motivos para o anular. Uma boa combinação pela direita permitiu ao Pizzi cruzar para a tentativa de cabeceamento do Seferovic, que já tinha entrado para o lugar do Darwin, com o ressalto a sobrar para um remate de primeira quase à queima-roupa do Gabriel. Imparável, e bastante merecido que pelo jogador, quer pela equipa.

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Por via dos dois golos, o Waldschmidt é o homem do jogo. E ainda ofereceu um golo ao Darwin, que foi anulado. O Darwin continua à procura do seu primeiro golo, mas entretanto vai somando assistências. É incansável na frente, ganha a maioria dos duelos individuais, incluindo pelo ar, e está constantemente em movimento. Ontem teve o azar de ver um golo, uma assistência e um penálti sobre ele cometido todos anulados pelo VAR. Mas é uma boa indicação do quanto ele está em jogo e dos problemas que causa às defesas. Grande jogo também do Gabriel. É um jogador que eu sempre apreciei e considerei fundamental para o Benfica, mas com o JJ está a evoluir tacticamente a olhos vistos - basta ver o quanto se começa a alargar a sua área de acção - e, com as devidas distâncias, se pode começar a considerar como um Matic na nova versão do Benfica de JJ.

 

Depois do soluço exibicional que foi o último jogo contra o Farense, foi bom ver a equipa regressar ao trilho certo. Uma vitória convincente e contundente num jogo e num campo onde seria normal esperar maiores dificuldades, e liderança isolada à quarta jornada com um pleno de pontos conquistados. Não se podia pedir muito melhor.

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publicado por D`Arcy às 10:27
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Domingo, 4 de Outubro de 2020

Cinzenta

Exibição muito cinzenta da parte do Benfica, que durante largos períodos de tempo foi dominado pelo Farense, equipa recém promovida à primeira liga. Salvou-se o mais importante, os três pontos da vitória, mas a exibição de hoje representou uma regressão em relação aos dois primeiros jogos da liga.

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Onze mais ou menos previsível, com duas alterações forçadas no centro da defesa. O Rúben infelizmente já não é nosso jogador, e o Vertonghen está lesionado. Depois das desculpas esfarrapadas do nosso treinador dadas na conferência de imprensa, já se sabia que a escolha seria a dupla Jardel/Otamendi. O facto do Jardel já ter trabalhado muito tempo com o Jesus foi dado como justificação para a titularidade de um jogador que esteve lesionado e há dois meses não jogava. O critério aparentemente já não se aplicou ao Otamendi, que treinou um par de vezes e foi logo para titular. Honestamente, respeitaria mais o nosso treinador se ele fosse honesto e dissesse que para ele o Ferro não conta para o totobola e está apenas a fazer número. Eu confesso que depois de gastarmos quase 100 milhões e termos um treinador pago a peso de ouro, quando olho para o onze titular e continuo a ver por lá vários jogadores directamente associados ao degradante final da época passada não consigo evitar ficar com um mau pressentimento. Passando ao jogo, depois da bola ter rondado as duas balizas nos instantes iniciais, o Benfica pegou na iniciativa do jogo e foi à procura do golo, que obteve ao fim de quinze minutos. O Rafa aproveitou um mau passe para recuperar a bola, progredir pela direita e colocar a bola à entrada da área para o remate do Pizzi, que ainda desviou num defesa antes de entrar. Um bom início de jogo, confirmado pela tentativa de chegar rapidamente ao segundo golo. O Benfica continuou por cima no jogo e mantinha o Farense remetido ao seu meio campo. Até que perto da meia hora o Farense criou uma ocasião de algum perigo - cabeceamento do Stojiljkovic que o Vlachodimos defendeu com alguma dificuldade, apesar da bola levar pouca força - e a partir daqui o jogo mudou. O Farense não ficou exactamente por cima no jogo, mas o Benfica deixou de criar qualquer perigo no ataque, enquanto que as perdas de bola e passes sem nexo se sucediam. Por pouco um mau atraso do Jardel seguido de uma hesitação do Vlachodimos não resultou no golo dos algarvios.

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Se esperávamos melhorias após o intervalo, passou-se exactamente o contrário. O Farense tomou mesmo conta do jogo, e pressionou à procura do empate. Ainda nem cinco minutos tinham decorrido e um penálti cometido pelo Otamendi (bem assinalado pelo VAR) deu-lhes a ocasião para o conseguirem. O Vlachodimos defendeu a primeira tentativa do Gauld, mas o árbitro mandou repetir quando me pareceu que se houve alguma infracção, foi invasão da área por parte dos jogadores do Farense. Mas o Vlachodimos também defendeu a segunda tentativa, seguindo a bola para canto. Na marcação do mesmo, golo do Farense, num cabeceamento quase sem oposição bem no coração da área. Reacção ao golo do empate? Não houve. O Farense continuou por cima no jogo e chegou mesmo a introduzir a bola na nossa baliza uma segunda vez, mas o golo foi bem anulado por posição irregular. O Benfica fez três alterações de uma assentada logo aos dez minutos da segunda parte, retirando Rafa, Waldschmidt e Gabriel para entrarem Pedrinho, Weigl e Seferovic. E acabaria por ser o suíço a chave para os três pontos. Não imediatamente, porque o Benfica continuou sem conseguir reagir ao ímpeto do Farense e durante mais alguns minutos o cenário mais provável continuava a parecer ser o segundo golo do Farense. Só quando entrámos nos vinte minutos finais é que conseguimos reestabelecer algum controlo no jogo. Entretanto, talvez surpreendentemente para alguns, o Jardel rebentou e teve que sair. Como não há apanha-bolas e suponho que nenhum tratador de relva estivesse ali pronto para o substituir, lá teve que entrar o Ferro. Que a dez minutos do final acabou por ter um papel importante no segundo golo do Benfica, ao fazer o passe para a desmarcação do Grimaldo pela esquerda, que depois cruzou a bola de forma certeira para a entrada de cabeça do Seferovic. O Farense acusou o golpe e já não conseguiu reagir a este golo, ficando o Benfica por cima no jogo e mais próximo de chegar ao decisivo terceiro golo. Este apareceu a um minuto do final do tempo regulamentar, numa recuperação do Weigl que depois lançou o Seferovic pela zona central. Este combinou com o Darwin já descaído sobre a esquerda, que depois de bater um defesa lhe devolveu a bola para que o suíço, com bastante tempo no interior da área, controlasse a bola e a rematasse cruzada para entrar na baliza depois de ainda bater no poste. O jogo só não ficou fechado porque no último minuto de descontos o Otamendi perdeu a bola para um adversário em zona proibida e o Farense reduziu para 3-2 (fiquei no entanto com a nítida sensação que houve falta sobre ele).

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O Seferovic é obviamente o homem do jogo. Foram os seus dois golos que resolveram uma situação potencialmente muito complicada para nós e nos permitiram somar os três pontos. De resto, não consigo mesmo pensar em mais nenhum jogador que se tenha evidenciado muito acima dos outros a não ser o Vlachodimos. Fez o que foi possível para evitar os golos do Farense, incluindo defender duas vezes um penálti. Mas não consegue parar tudo. Quanto ao estreante Otamendi, dificilmente conseguiria ter uma estreia mais desastrosa. Na fase inicial do jogo ainda fez vários cortes e recuperações de bola, mas acabou por cometer um penálti, depois foi batido no ar no pontapé de canto que resultou no primeiro golo do Farense (quase nem tirou os pés do chão) e para fechar em beleza, foi directamente responsável pelo segundo golo algarvio. Não é um jogador com quem eu simpatize, mas vale certamente muito mais do que isto e terá que o mostrar.

 

Esta foi a pior exibição do Benfica esta época, incluindo todos os jogos de preparação. Acabámos por conseguir somar os três pontos, o que foi ainda mais importante dada a derrota do Porto. Não será mau se conseguirmos ir ganhando mesmo quando jogamos mal. Mas vai ser necessário jogar mais e regressar ao nível dos primeiros jogos se quisermos ganhar alguma coisa esta época. Este jogo só serve mesmo como exemplo do que não devemos fazer.

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publicado por D`Arcy às 22:52
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Domingo, 27 de Setembro de 2020

Curto

Quem tiver assistido a este jogo não achará estranho que eu comece por escrever que uma vitória por 2-0 frente ao Moreirense foi um mau resultado. É que o desperdício foi a nota dominante, e não é exagerado dizer que uma vitória por cinco ou seis golos de diferença seria mais ajustada ao que se passou em campo. Por isso os 2-0 são um resultado muito curto.

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Nem sei o que posso escrever. Em relação ao jogo de Famalicão fizemos apenas uma alteração, forçada, que foi a troca do Taarabt pelo Pizzi. De assinalar também a braçadeira de capitão envergada pelo Rúben, mesmo com o André Almeida e o Pizzi na equipa. Para mim o Rúben já a merecia há muito tempo, mas neste caso infelizmente parece ter sido apenas uma forma de nos despedirmos dele, porque deverá estar de saída. Dentro do campo, foi um jogo de sentido único. Muita velocidade, muita agressividade de toda a equipa na recuperação da bola - perdi a conta ao número de vezes que vi a bola a ser recuperada por um dos nossos jogadores mais adiantados - e ocasiões de finalização a surgirem quase desde o apito inicial. Infelizmente, a pontaria esteve pouco afinada e houve muita falta de frieza. O Moreirense ficou enfiado quase dentro da área durante a maior parte do tempo porque foram mesmo obrigados a isso. Chegámos ao golo aos vinte minutos, pelo Rúben Dias na sequência de um canto marcado pelo Everton - o Pizzi ter deixado de marcar todas as bolas paradas é um pormenor relevante. Um momento agridoce se pensar que provavelmente foi o último golo que vi o Rúben marcar pelo Benfica. Já nessa altura tínhamos construído ocasiões suficientes para este poder ter sido para aí o terceiro golo.  E peço desculpa por ser repetitivo, mas não consigo mesmo encontrar muito mais para escrever sobre o jogo, porque só me lembro do Benfica a falhar ocasiões umas a seguir às outras, e o resultado a manter-se inacreditavelmente em aberto durante tanto tempo. À beira do intervalo o Darwin isolou-se e meteu mesmo a bola na baliza, mas o golo foi bem anulado por posição irregular. Na segunda parte foi sempre mais do mesmo e os nervos a aumentarem sempre que pensava que um jogo em que a nossa superioridade era tão evidente podia não ser ganho caso houvesse algum lance fortuito a beneficiar o Moreirense. Tivemos que esperar até dez minutos do final para finalmente descansarmos, quando o Darwin arrancou imparável pela direita até à linha de fundo e ofereceu a bola para o Seferovic (que tinha entrado para o lugar do Waldschmidt) empurrar para a baliza. Tenho a certeza que a maior parte de nós terá exclamado 'Finalmente!' quando isto aconteceu.

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Descontando a parte da finalização, destaco o Rafa, o Darwin e o Everton pelo muito que trabalharam durante todo o jogo. Constante movimento, inúmeras recuperações de bola, e os principais responsáveis pelas muitas ocasiões criadas. Destaque também para o nosso capitão Rúben Dias pelo golo que desatou o nulo. Num jogo destes, se já fiquei uma pilha de nervos estando nós a ganhar por 1-0 nem quero imaginar o que seria assistir a todo aquele desperdício se estivéssemos empatados.

 

Se se confirmar a saída do Rúben, desejo-lhe as maiores felicidades porque merece e trabalhou para isso. Em treze épocas no Benfica, e dos muitos jogos que o vi fazer (incluindo antes de chegar à equipa principal) não vi um único em que não ficasse com a sensação que tinha dado tudo e defendido a nossa camisola como só alguém que a sente e percebe o significado dela pode fazer. Um exemplo para todos, incluindo muitos que estão ou estiveram à frente dele na hierarquia de capitães. Compreendo a venda, mas isso não significa que não fique lixado com ela, como fiquei quando vendemos o Félix, o Renato, o Semedo e muitos outros. Infelizmente, ver sair aqueles que mais admiramos ou que vemos como referências já se tornou rotina desde que as leis do mercado tomaram conta do futebol. Quanto aos adeptos, nós ficamos agarrados a uma equipa com plantéis com os quais cada vez sentimos menos afinidade (e a eventualidade de recebermos refugo do Manchester City, ainda por cima com um passado pouco desejável, acentua mais este sentimento).

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publicado por D`Arcy às 22:39
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Domingo, 20 de Setembro de 2020

Vendaval

Na ressaca de uma desastrosa eliminação europeia, apenas três dias depois respondemos com um vendaval ofensivo e uma goleada a abrir a Liga, num campo onde a época passada não tínhamos sido capazes de vencer nas duas ocasiões em que lá jogámos. Foram cinco golos marcados e se calhar outros tantos ficaram por marcar, numa das exibições mais convincentes do Benfica dos últimos meses.

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Várias alterações no onze e em especial no ataque, saindo Weigl, Pizzi, Pedrinho e Seferovic, que foram rendidos pelo Gabriel, Rafa, Waldschmidt e Darwin. Primeira diferença, para melhor, do jogo na Grécia: uma muito maior agressividade, que teve como efeitos práticos empurrar o Famalicão para a sua área. O PAOK também esteve remetido à sua área, mas foi muito voluntário. Neste jogo fomos nós que obrigámos o Famalicão a isso, já que a maior parte das saídas para o ataque eram travadas ainda bem dentro do seu meio campo. Muito por culpa do trabalho incansável dos médios Gabriel e Taarabt, mas também vimos diversas vezes os homens da frente a efectuar essas recuperações de bola. Segunda diferença: muito mais velocidade e verticalidade no ataque. Jogadores adiantados em constante movimento, quase sem posição fixa, no ataque constante ao espaço em vez de se fixarem à frente dos defesas à espera de receber a bola no pé. Era evidente que a coisa tinha tudo para correr bem, e no espaço de dois minutos resolvemos o jogo. Aos dezanove minutos o Waldschmidt isolou-se a passe do Darwin, e à saída do guarda-redes finalizou com enorme classe, com um toque subtil a fazer a bola passar-lhe por cima. Dois minutos depois surgiu o segundo golo, num remate rasteiro e colocado do Everton à entrada da área depois de um passe atrasado do André Almeida. E o terceiro golo só não chegou logo no minuto seguinte porque o Waldschmidt ficou a centímetros de desviar, ao segundo poste e quase sobre a linha, o cruzamento em força do Rafa. O jogo estava naquele estado de que todos gostamos, em que a dúvida não é se o ganharemos mas sim por quanto o ganharemos. É que outra diferença para tempos mais recentes foi que não vimos a equipa abrandar e entrar numa qualquer estúpida 'gestão' assim que atingimos a vantagem, isto apesar de virmos de um jogo europeu. Os ataques continuaram a suceder-se e o terceiro golo apareceu num livre exemplar do Grimaldo, que quase sobre a linha da área sobre a direita fez a bola descrever um arco perfeito, sobrevoar a barreira e entrar no ângulo superior.

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A segunda parte começou praticamente com o quarto golo, um remate do Rafa de pé esquerdo, já no interior da área, depois de uma combinação com o Everton. De realçar a persistência do brasileiro, que mesmo tendo escorregado não desistiu da jogada e ainda conseguiu fazer o passe para a finalização do colega. E mesmo sem tanto fulgor como nos primeiros quarenta e cinco minutos, sempre o Benfica completamente por cima no jogo e o nosso guarda-redes a ser um mero espectador. O quinto golo esteve quase a surgir logo de seguida, mas o Zlobin defendeu por milagre quase em cima da linha com o pé o cabeceamento do Waldschmidt, depois de um cruzamento perfeito do Grimaldo da linha de fundo. Mas estava escrito que o alemão assinalaria mesmo a estreia oficial pelo Benfica com dois golos, e o segundo surgiu aos sessenta e seis minutos numa das melhores jogadas do Benfica no jogo. Tudo simples, rápido e vertical. Saída do Taarabt a partir da nossa área, bola passada para o Waldschmidt ainda à saída do nosso meio campo, progressão por mais alguns metros e passe para as costas da defesa, para o Darwin atacar o espaço. Depois o Darwin progrediu até à direita da área, levantou a cabeça e fez o passe rasteiro com precisão para o mesmo Waldschmidt, que se tinha desmarcado após passar a bola, finalizar. O Famalicão reduziu logo no minuto seguinte, pelo nosso ex-jogador Guga (voltou a marcar-nos), que apareceu solto no meio da área para desviar um passe atrasado vindo da esquerda, após o Grimaldo ter sido ultrapassado. Este golo não mancha a grande exibição, mas é pena que tenhamos concedido um golo naquela que foi praticamente a única ocasião criada pelo adversário durante os noventa minutos. Continuámos por cima e criámos mais ocasiões para marcar - maior destaque para uma situação em que o Pizzi, que tinha entrado para o lugar do Rafa após o quarto golo, falhou o remate quando estava em óptima posição, já depois de na mesma jogada a bola ter sido afastada quase em cima da linha por duas vezes. As sucessivas substituições depois acabaram por tirar algum ritmo ao jogo (vale a pena mencionar a muito boa entrada do Nuno Tavares, que substituiu o Grimaldo) e o resultado não se alterou mais.

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Destaque do jogo para o Waldschmidt, pelos dois golos e por ter mostrado aquilo que o Benfica precisa que um segundo avançado faça. Constante mobilidade, nunca se escondendo do jogo, e aparecendo frequentemente em zonas de finalização. Mas todos os jogadores da frente foram importantes para este resultado. O Darwin não marcou mas fez duas assistências, e a diferença para o Seferovic na Grécia foi enorme. O Everton será muito provavelmente a melhor contratação do Benfica dos últimos anos, e se ficar mais do que esta época por cá será uma sorte. É um jogador de eleição e os vinte milhões que pagámos por ele foram uma pechincha. Muito importante também a acção dos dois médios centro. O Taarabt desta vez não acabou ao intervalo, e durante quase todo o jogo deu-nos qualidade técnica e agressividade na recuperação. O Gabriel, estando fisicamente bem, é para mim um jogador indispensável, e nunca consegui compreender as notícias que davam conta da sua possível venda estando o Benfica à procura de um médio. A capacidade de luta e choque que dá ao meio campo e qualidade de passe à distância não me parecem existir noutro jogador do plantel. Os dois médios complementaram-se nas diferentes soluções de transição: o Taarabt mais no transporte da bola, e o Gabriel no passe directo.

 

Foi muito importante reagir desta forma, e calar cedo a vontade de arranjar crises desportivas logo no arranque da época. Sabemos a qualidade que existe neste plantel, e agora é uma questão de haver estabilidade para a colocar em campo. Ainda me lembro bem da última vez que ganhámos por 5-1 em Famalicão. Foi na época de 1993/94, o jogo foi disputado numa segunda-feira à tarde, e o Paneira fez uma exibição brutal. Sabemos como acabou essa época.

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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020

Fracasso

Não vou dizer que foi completamente inesperado, porque desde que o sorteio se realizou que achei que nunca seriam favas contadas conseguirmos o apuramento num único jogo, a disputar fora de portas (fomos o único cabeça de série a ter o azar de jogar fora). Depois fiquei mais desconfiado quando nos caiu na rifa o árbitro alemão que nos roubou uma Liga Europa - não que ele acabasse por ter alguma influência no resultado ontem, apenas acho que não nos dá sorte. A verdade é que, achando eu que o Jorge Jesus é apenas mais um treinador e não um iluminado com o toque de Midas, sendo que o que o diferencia é que temos que pagar muito mais por ele do que pagaríamos por qualquer outro treinador da mesma valia, nunca achei que fôssemos fazer algum tipo de brilharete na Champions, mesmo com os milhões investidos. Ainda me recordo demasiado bem de todas as outras carreiras feitas nesta prova sob o comando dele para ter qualquer tipo de ilusões. Mas também não esperava cair logo no primeiro jogo e nem sequer lá chegarmos.

 

1.jpg

 

Nem vou dizer que a culpa é exclusiva do treinador, porque de há algum tempo a esta parte que tenho a má sensação de que existe uma falta de ambição e uma espécie de espírito conformista e até derrotista instalado na nossa equipa, personificado nalguns elementos específicos do plantel - não vou nomeá-los, mas julgo que quem partilhar desta minha opinião os saberá identificar com alguma facilidade. A forma escandalosa como o último campeonato foi entregue de mão beijada ao Porto, com uma transfiguração do dia para a noite da primeira volta para a segunda não pode ser uma coisa da responsabilidade exclusiva do Bruno Lage. Já vejo futebol há alguns anos e nunca vi uma equipa soçobrar de forma tão descarada. A sensação com que fiquei foi a de que houve ali muita gente a puxar para baixo, ou no mínimo sem vontade de dar aos braços quando a água começou a chegar ao queixo. Por isso mesmo, apesar dos milhões gastos, enquanto certos elementos se mantiverem no plantel vou continuar sempre a olhar para a nossa equipa com alguma desconfiança. Quanto ao jogo, foram mais ou menos uns noventa minutos típicos do campeonato português. Uma equipa completamente enfiada na sua área a defender com unhas e dentes e a tentar surpreender se possível no contra-ataque, e o Benfica com uma posse de bola avassaladora. Infelizmente, tudo o resto foi também típico do Benfica dos últimos meses. Sinceramente, não vi nada de diferente em relação aos tempos do Bruno Lage ou do Veríssimo. Muita posse de bola inconsequente, muito afunilar do jogo - os dois extremos com o 'pé trocado' (Pedrinho e Everton) vinham sempre para dentro, e nenhum dos laterais deve ter ganho uma única vez a linha de fundo, pois optavam quase sempre por cruzamentos assim que chegavam perto da projecção da esquina da área, que saíam quase todos directos para os defesas - não que o poderio aéreo do Seferovic pudesse propriamente ser uma ameaça caso os cruzamentos fossem bem medidos, já que numa das poucas vezes em que a bola saiu com conta, peso e medida, do pé do Everton, o Seferovic encarregou-se de nem sequer acertar na baliza quando estava sozinho quase em cima da pequena área. Foi tudo um cenário demasiado familiar. Desperdício em barda das ocasiões criadas, e depois o habitual desacerto na defesa a permitir que o adversário (seja qual for) marque em cada meia oportunidade que cria. Num contra-ataque em que um jogador adversário ganhou a linha de fundo pelo lado do André Almeida, o Vertonghen acabou por fazer autogolo quando faltava já menos de meia hora para o final, e a partir daí foi o descalabro a que estamos habituados. A equipa perdeu a cabeça e do banco também não veio grande lucidez - por exemplo, o Taarabt já tinha rebentado há muito e depois de uma boa primeira parte passou a segunda a acumular disparates sem que se mexesse no meio campo - e as substituições foram aliás também típicas da época passada, ou seja, a perder mandam-se avançados lá para dentro: Darwin, Vinícius e Rafa. Para fazer as coisas ainda piores, deu-se o golpe que se calhar muita gente quase adivinhava: o dispensado Zivkovic foi lançado em jogo pelo PAOK, e oito minutos depois de ter entrado foi por ali fora e face a uma fraca oposição do Grimaldo flectiu para o meio e marcou, com o Vlachodimos a parecer-me mal batido. Faltavam treze minutos para acabar e acho que ninguém ficou com quaisquer ilusões sobre o desfecho da eliminatória. Ainda reduzimos nos descontos, com o Rafa a mostrar que apesar de ser baixinho consegue ser mais eficaz de cabeça do que o Seferovic, mas depois veio o apito final e com ele o primeiro grande fracasso da época.

 

Objectivamente, o maior investimento que já fizemos, no qual se inclui o treinador mais caro da nossa história, resultaram numa derrota num estádio onde mesmo com público nunca tínhamos perdido e numa eliminação que é desastrosa em termos desportivos e financeiros. Como não quero deixar dúvidas sobre a minha opinião, repito que detesto o Jorge Jesus e que por mim nunca mais voltaria a pôr os pés no Benfica. Não acho que seja a solução para os nossos problemas, mas agora que o mal está feito e ele veio mesmo, para bem do Benfica espero que seja bem sucedido. Mas tenho a convicção de que algo mais terá que mudar naquele balneário, porque senão será difícil qualquer treinador ter sucesso. E se não é para mudar, então era escusado estar a gastar tanto num treinador para termos os mesmos resultados que teríamos com o Lage ou qualquer outro. Para já, o primeiro teste foi um rotundo fracasso, talvez mesmo o maior fracasso desportivo do Benfica dos últimos anos. Não é o cartão de visita ideal para o regresso do 'filho pródigo' que me tentaram vender.

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Domingo, 2 de Agosto de 2020

Balanço

Optei por não escrever crónicas sobre os jogos que realizámos no regresso pós-confinamento simplesmente porque não tinha condições para o fazer de forma minimamente honesta. O meu entusiasmo era pouco mais do que nulo, não vi (por opção) vários dos jogos, e quanto aos que vi, em nenhum deles vi os noventa minutos (cheguei mesmo a adormecer a meio de alguns jogos). Agora que finalmente está fechada a época, e com uma exibição que podia perfeitamente ser um resumo da mesma, posso tentar fazer o meu pequeno balanço dela.

 

O balanço só pode mesmo ser catastrófico. Sem qualquer explicação racional, na segunda metade da época deitámos tudo a perder. Imitámos o Porto da época passada e desperdiçámos uma vantagem de sete pontos, conseguindo passar de um registo de dezoito vitórias em 19 jogos para o campeonato para apenas três vitórias em doze jogos. Foi aliás ainda pior do que aquilo que o Porto fez a época passada, porque nós na altura fomos quase perfeitos, enquanto que agora o Porto foi pouco mais do que medíocre e mesmo assim nós conseguimos ser piores do que eles. Parecia que quanto pior fosse o Porto, nós conseguíamos baixar ainda mais o nível de forma a mantermo-nos abaixo deles. Literalmente entregámos o ouro ao bandido e persistimos no péssimo hábito de dar vida a um adversário moribundo, o que mais uma vez se confirmou no jogo de ontem, onde lhes oferecemos mais um troféu quando tínhamos tudo para o conquistar. Não o conquistámos, lamento concluir, porque os jogadores do Porto quiseram mais ganhá-lo do que os nossos jogadores, e isto para mim é inadmissível. E um dos pormenores que mais me revolta nisto é o que acho ser um aburguesamento da nossa equipa (para não lhe chamar falta de profissionalismo). Ao contrário do que aconteceu  noutros clubes, não houve cortes de ordenados no Benfica. Não houve layoffs, toda a gente recebeu por inteiro, a tempo e horas, ordenados e prémios. Foram dadas todas as condições aos nossos profissionais para que fizessem aquilo que se lhes exige, que é desempenhar as suas profissões com o mais alto rendimento. A resposta? Jogadores muitas vezes a arrastar-se em campo, de cabeça e ombros caídos, olhar no chão, e resignação. E incapacidade para levar de vencida equipas como o Tondela, o Portimonense, o Marítimo ou o Santa Clara, cujos profissionais, com muito menos condições do que os nossos, dignificaram muito mais as camisolas que envergaram. Não vou citar nomes, mas termino a época com a firme convicção de que uma boa parte dos jogadores que compõem o nosso plantel não são dignos de envergar a nossa camisola, e ficarei muito feliz quando os vir pelas costas.

 

Agora o foco é começar a pensar já na próxima época, celebrando o regresso do 'filho pródigo' Jorge Jesus. Faço desde já a minha declaração de interesses: não me revejo nesta decisão. Sou frontalmente contra o regresso deste homem ao Benfica e sinto-me mesmo magoado com isto. Claro que isto pouco importa para o Benfica, é apenas a minha opinião, e objectivamente o mais importante é que o Benfica regresse às vitórias o quanto antes. Mas por mais vitórias que se consigam com o Jorge Jesus (e espero muito sinceramente que elas venham em catadupa) isso não mudará a minha opinião sobre ele, nem apagará a mágoa que sinto por vê-lo de regresso ao nosso banco. Para mim há pontes que são queimadas que não podem ser reconstruidas, e o Jorge Jesus encarregou-se de se assegurar que várias dessas pontes fossem incineradas quando saiu. Talvez o profissionalismo não se compadeça com o lado emocional e o que interessam são os resultados, mas para mim a ligação emocional à minha equipa é importante e não é a fazer regressar uma pessoa que eu detesto que se fortalece essa ligação. Tal como não são decisões mercantilistas para porventura agradar a mercados asiáticos que ditam que apresentemos um equipamento para a próxima época tão horrível como aquele que usámos ontem. É talvez apenas um pormenor, mas se eu já embirrava com o emblema monocromático nas camisolas alternativas, ver agora o nosso emblema ser também adulterado na camisola principal desilude-me ainda mais, tal como a ausência completa do branco nas mesmas (nem os números nas costas escaparam).

 

Resumindo, estou profundamente desiludido com o que foi esta época, e muito pouco entusiasmado em relação à próxima. Mesmo tendo poucas dúvidas que os resultados terão que ser forçosamente melhores do que os desta época, a verdade é que pela primeira vez em muitos, muitos anos sinto que a minha ligação emocional à equipa de futebol do Benfica foi severamente abalada pelo que se passou esta época, ao ponto de neste momento a indiferença ser o sentimento predominante em relação à mesma.

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Domingo, 19 de Julho de 2020

Regresso de Jorge Jesus

Uma das vantagens de já ter um blog há 16 anos é poder revisitar o que escrevi no passado e verificar se continuo a pensar o mesmo. Claro que o exercício é mais fácil com o considerando “se eu soubesse o que sei hoje”, mas, como não se pode voltar atrás com o conhecimento que entretanto se adquiriu, a principal questão para mim é sempre a mesma: pensar se, com os dados que eu tinha na altura, voltaria hoje a ter a mesma opinião? Serve este preâmbulo para dizer que, apesar de (FELIZMENTE) me ter enganado com a previsão do 35 (ou melhor, da falta dele), cinco anos depois mantenho tudo o resto que escrevi na altura da saída do Jorge Jesus (eventualmente retiraria o “histórico” do erro, porque afinal fomos três vezes campeões, mas ter sido um erro foi indirectamente admitido pelo próprio presidente do Benfica ao ir buscá-lo novamente).

Por outro lado, muito se falou, muito se fala e muito se irá falar (pelo menos nestes primeiros tempos) de tudo o que se passou na altura da saída, em especial naquele primeiro ano de Jorge Jesus na lagartada. O que ele disse sobre nós, a maneira como tratou o nosso treinador da altura, as desconsiderações e faltas de respeito, etc. Foi feio. Muito feio! Mas, da mesma maneira que eu acho que os meus filhos, se fizerem asneira na escola, não merecem um tratamento especial só por serem meus filhos, o Benfica só por ser o Benfica não é inimputável perante tudo o que faça. Sim, o Benfica também erra! E, naquela altura, os dirigentes do Benfica (ou melhor, a inefável ‘estrutura’) não se portaram nada bem com o Jesus. Acusações de roubo de material informático, pedido de indemnização numa soma ridícula em tribunal, etc. É como naqueles lances de bola parada em que na área o defesa e o avançado se estão a agarrar mutuamente. Não se marca falta. Neste caso, houve culpas mútuas na falta de nível do pós-separação (separação essa que partiu da nossa parte, convém recordar). Portanto, para mim, ainda estar ressabiado com o Jesus pelo que ele disse na altura sobre nós não faz sentido (até porque isso acabou por ser importante para o ‘reunir das tropas’ que conduziu ao tri, logo até lhe podemos agradecer o facto). Se nós dissemos o que dissemos dele, não estávamos à espera que ele tivesse nível e não respondesse, certo? Era preciso que não o conhecêssemos bem.

Agora, a parte desportiva. Também aqui mantenho o que disse na altura: a passagem de Jesus pelo Benfica foi globalmente muito positiva. Em seis campeonatos, jogámos muito bem em cinco deles e ganhámos três. Na Europa, só um dos anos foi péssimo com a saída das competições em Dezembro. Fomos a duas finais da Liga Europa, a uma meia-final (perdida com o Braga, eu sei, mas era uma meia-final) e a uns quartos-de-final, e na Champions a outros quartos-de-final (portanto, nas seis épocas, cinco com pelo menos quartos-de-final; nas últimas cinco, fomos duas vezes aos quartos...). Na Taça de Portugal, é que só uma vitória em duas finais é muito pouco para seis anos. Na menos importante de todas as competições, mas ainda assim uma competição oficial, a Taça da Liga, tivemos cinco vitórias naqueles seis anos (por contraponto a uma vitória nos últimos cinco...). Outros olharão para resultados embaraçosos que tivemos (e sim, houve uns quantos), mas eu prefiro ver a capacidade que o Jesus teve para se reinventar durante aquele tempo: o Benfica de 2014/15 não jogava da mesma maneira do que o de 2009/10. Para jogadores diferentes, tácticas e processos de jogo diferentes. E isso, para mim, é sinal de sagacidade de um treinador. Sagacidade essa que manteve nos outros três clubes que treinou, onde o impacto foi imediato e ganhou sempre títulos (felizmente menos num deles, do que nos outros dois).

Dito isto, esta decisão do Luís Filipe Vieira é obviamente um all in da sua parte. Mas infelizmente não é para ganhar um inédito penta ou o bicampeonato deste ano perante um CRAC intervencionado pela Uefa, cuja vida seria muitíssimo complicada se não fosse campeão. Para isso, não houve nenhum investimento semelhante a este. Este é um all in para ganhar eleições. Porque o Jesus é o treinador que mais probabilidade lhe dá de resultar no imediato e o LFV, depois do que se passou esta época, não pode correr o risco de as coisas começarem tortas, sob pena de perder essas mesmas eleições. E isso, meus caros, eu não gosto de ver: não gosto que altos responsáveis do meu clube dêem piruetas e consigam fazer um oito com a coluna vertebral só para ganharem eleições. Porque isso é indefensável, pelo menos para mim. Que fosse para conquistas desportivas, eu ainda admitia, há sapos que eu não me importaria de engolir para ganhar títulos. Agora, engolir sapos com objectivos eleitorais faz-me sentir vergonha alheia e sentir isso de altos responsáveis do meu clube é o pior que me podem fazer. Porque, como óbvio, depois do que a ‘estrutura’ do Benfica disse do Jesus, ele nunca poderia voltar com essa mesma ‘estrutura’ ainda em vigor. Porque do Jesus eu não espero mais do que pôr a equipa a jogar (bem) à bola. A personalidade dele é por demais conhecida e levar com ela é um preço que eu estou disposto a pagar para ganhar títulos (e só estou disposto a pagá-lo, porque eu não disse do Jesus o que a ‘estrutura’ do Benfica disse). Agora, dos dirigentes do meu clube eu espero um pouco mais de rectidão nos valores e nas atitudes que se tomam. Se se diz que se manda embora um treinador porque “não apostava nos jovens da formação”, se se reitera há pouco mais de um mês que o projecto da formação era para se manter, não se vai buscar esse mesmo treinador de volta. Então, e o projecto do clube? Era tudo conversa fiada e o importante é a manutenção do poder a todo o custo? Há coisas que se dizem das quais não há retorno possível. Muito menos para a prossecução de objectivos pessoais. Como é ganhar umas eleições.

publicado por S.L.B. às 19:26
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2020

Treinador interino

Vamos lá a ver se eu percebi bem isto: o treinador principal, Bruno Lage, pede a demissão, o presidente do Benfica aceita e, ainda com seis jogos importantes até final da época (há que manter o 2º lugar e ganhar mais uma Taça de Portugal), nomeia como treinador o... adjunto do Bruno Lage, Veríssimo. Portanto, o principal elemento da equipa técnica não servia, mas o adjunto já serve. Ainda por cima, o adjunto que tinha como responsabilidade o treino das bolas paradas, que tão bons resultados tem tido ao longo da época... 'Tá certo, isto tem tudo para continuar a correr muito bem...

P.S. - Eu não conheço o Renato Paiva de lado nenhum, mas ainda não vi ninguém que não lhe reconheça competência, gostei do pouco que vi as equipas dele a jogar e de cada entrevista dele que li. Se era preciso "agitar as águas" neste momento, sendo ele o treinador da equipa B, parecia-me a escolha mais lógica. Que pena que quem de direito não tenha visto a luz...

publicado por S.L.B. às 16:42
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