VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 19 de Abril de 2024

Poucochinho

Não sei qual será a opinião de quem gere o Benfica ou sequer da maioria dos benfiquistas, mas para mim a posição do Roger Schmidt depois deste jogo é pouco mais do que insustentável. Quando se abordam jogos decisivos com vistas curtinhas, a querer poucochinho, o resultado raramente é aquele que se ambiciona.

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Voltámos, previsivelmente, ao onze anterior à poupança do passado fim-de-semana. E (também previsivelmente, acrescento eu) entrámos no jogo com exactamente zero ambição. Perante uma equipa que a primeira mão já tinha mostrado ser-nos francamente inferior e que à entrada para este jogo ia em cinco derrotas consecutivas, a opção do Benfica foi entrar para defender. Ficou desde logo óbvio que não iríamos fazer absolutamente nada para sermos felizes. Diz-se que a sorte procura-se, mas a nossa opção foi ficar à espera que ela nos caísse no colo. Jogámos à defesa durante oitenta minutos por opção, não por a isso termos sido forçados. E a falta de capacidade do Marselha viu-se na forma como raramente nos conseguiram incomodar seriamente, mas quando se convida uma equipa a atacar durante todo o jogo há sempre a possibilidade de uma falha ou um azar. Foi pensar pequenino, jogar à equipa pequena, agarrarmo-nos à magra vantagem que trazíamos de Lisboa (e que era assim magra muito por nossa própria opção, já que na primeira mão achámos que já tínhamos feito o suficiente e que não era preciso mais, portanto desistimos de ir à procura de um resultado melhor e ficámo-nos pelo poucochinho - daí a razão para a manifestação de desagrado por parte do público no final) e esperar que isso fosse suficiente. Não foi, obviamente que não foi. E é por causa desta mentalidade do poucochinho, do suficiente, que a nossa época já acabou. Ganhámos apenas a Supertaça, com um plantel que deveria ter dado para fazer muito mais mas que fizemos curto por opção própria. Neste jogo aguentámos até dez minutos do final, altura em que consentimos o golo que empatava a eliminatória, e a partir daí lá demos algum sinal de vida e mostrámos um pouco que até teríamos capacidade para fazer mais. Mas a casmurrice de, mesmo com 120 minutos de futebol, não aproveitar as substituições que temos para fazer também se manteve. Fizemos apenas metade delas, e das que fizemos, tirar o Neres para meter o João Mário e tirar o Tengstedt para ficar a jogar sem ponta-de-lança era perfeitamente escusado, e mais um exemplo das vistas curtas e do poucochinho. Não fazemos substituições para ganhar, fazemo-las para gerir, para aguentar. Foi penoso vermos, por exemplo, o Di María duas horas em campo até ao ponto de quase se arrastar, com substituições por fazer e jogadores no banco que poderiam trazer algo novo ao jogo. Presumo que fosse já a pensar nos penáltis, a fazer fé que o Di María, como grande especialista na matéria, fosse útil. Não foi, se calhar porque com as pernas tão pesadas as coisas terão tendência para correr pior. Meteu a bola no poste logo no primeiro penálti, e a partir daí ficámos sempre na posição desconfortável de correr atrás. Depois o António Silva (é sempre discutível a escolha de quem marca, mas com jogadores mais experientes para marcar, tinha mesmo que ser ele o escolhido para marcar um penálti decisivo?) falhou outro penálti e acabou. Eliminados por uma equipa francamente inferior, que tem feito uma época deplorável e está a meio da tabela da sua liga, porque não tivemos ambição para mais. No fundo, o espelho de toda uma época. Ambicionámos poucochinho, ganhámos poucochinho, foi a época do poucochinho.

 

Não consigo escrever mais; quando vejo este tipo de mentalidade no nosso clube sinto-me completamente desmotivado. Só digo que um treinador que pensa sistematicamente assim não encaixa na visão que tenho do nosso clube. Defendi-o enquanto pude, fui criticando as opções dele com que discordava, mas acho que nunca me viram escrever aqui um apelo à sua saída. Até porque por norma sou avesso a decisões radicais ou precipitadas. Mas neste momento nem consigo sequer conceber o que será uma nova época com ele a dirigir a equipa, mantendo esta mentalidade e teimosia. Não sei o que aconteceu ao 'rogerball' da primeira época, mas nem um vislumbre dele houve esta época. Foi um investimento sem paralelo completamente desperdiçado, sempre com a sensação de que por culpa própria. Criticávamos o JJ pela gestão que fazia dos plantéis e do esforço dos jogadores, e o Roger Schmidt desta época conseguiu fazê-lo ainda pior. Não sei o que será feito, mas a mim parece óbvio que algo terá que mudar. Este tipo de mentalidade é como um cancro que depois alastra a todo o clube, e tem que ser extirpada.

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publicado por D'Arcy às 01:59
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2024

Gestão

Uma verdadeira revolução operada no onze, em nome da gestão de esforço, significou oito alterações no onze titular. Apesar disso o Benfica conseguiu uma vitória tranquila frente a uma das boas equipas desta liga, provando que temos um plantel com bastantes opções que poderia ter sido utilizado de forma mais eficaz durante a época.

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A revolução começou na baliza e apenas deixou três 'sobreviventes' no onze: o Bah, até porque não há realmente mais nenhuma opção para a posição de lateral direito sem ser o Aursnes (que estava suspenso), o sempre presente João Neves e o Neres. Na defesa, a dupla inédita esta época Tomás Araújo e Morato, com o Carreras a ocupar o lado esquerdo. No meio campo foi o João Mário a jogar ao lado do João Neves, tendo o Kökçü jogado um pouco mais à frente como prefere - o turco jogou em vez do Rafa mas não jogou propriamente no lugar/funções dele. São jogadores com características completamente diferentes, e pode-se considerar que desta forma jogamos com um meio campo a três. O Tiago Gouveia jogou na ala esquerda, com o Cabral a regressar à frente de ataque. Os primeiros minutos mostraram mais iniciativa, natural, por parte do Benfica, mas o Moreirense tentava sempre responder. O Moreirense é uma equipa que joga bom futebol e não veio para a Luz jogar fechado atrás, o que resultou num jogo agradável de seguir, com velocidade e espaço para as duas equipas saírem para o ataque sempre que a bola era recuperada. O Benfica acabou por inaugurar o marcador um pouco depois do primeiro quarto de hora, numa transição rápida. Após a recuperação de bola, a saída rápida para o ataque conduzida pelo Kökçü deixou-nos numa situação de superioridade numérica (4x3) e o turco tabelou com o Tiago Gouveia, sobre a esquerda, para depois rematar rasteiro à entrada da área, com o guarda-redes ainda a conseguir tocar na bola mas a não a impedir de entrar. A reacção do Moreirense foi boa e o período a seguir ao nosso golo foi talvez o nosso pior momento em toda a partida. Houve algum nervosismo e cometemos alguns erros na obsessão em sair a jogar a partir da defesa, com um toque displicente do Tomás Araújo na direcção do Samuel quase a oferecer o golo ao adversário. Tomás que, a meio da primeira parte, apoiou mal o pé e fez o resto do tempo até ao intervalo claramente em sacrifício, já que não deixou mais de coxear. Já depois da meia hora de jogo a melhor ocasião de golo do Moreirense, quando o Alan veio da esquerda para o meio e rematou rasteiro à entrada da área, fazendo a bola ir ao poste com o Samuel já completamente batido. Mas foi muito boa a reacção do nosso guarda-redes a impedir o golo na recarga, mergulhando aos pés do jogador do Moreirense. A resposta do Benfica veio logo a seguir pelo Cabral, que numa iniciativa individual se virou bem sobre o marcador directo, trabalhou bem na zona central e ainda bem de fora da área desferiu um remate com selo de golo, que o guarda-redes ainda conseguiu desviar ao de leve para a barra. Seria um golo fantástico. Este lance 'acordou' o Benfica, que a partir daí voltou a ficar bem por cima do jogo e nunca mais largou essa posição. Pouco depois foi o Carreras quem veio da esquerda para o meio e viu o guarda-redes negar-lhe o golo com mais uma grande defesa, a um remate de pé direito de fora da área. Já no período de descontos, na sequência de um pontapé de canto marcado pelo Neres na direita, o Tomás Araújo surgiu ao segundo poste a ganhar no ar para cabecear e ver o guarda-redes fazer mais uma grande defesa e desviar a bola para os ferros. Depois a tentativa de cortar para canto por parte de um defesa fez a bola ir ao poste, e a bola sobrou novamente para o Tomás Araújo marcar na recarga.

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Ao intervalo a gestão continuou e o Neres e o João Neves já não regressaram, sendo rendidos pelo Rollheiser e o Florentino, e o Tomás Araújo também foi substituído pelo António Silva, certamente por já não estar a 100% desde o lance em que se lesionou na primeira parte. Os dois golos de vantagem conferiram bastante segurança à nossa equipa, que jogou toda a segunda parte de forma bastante tranquila e controlou o jogo perfeitamente à vontade. Não me recordo de nenhum lance mais perigoso por parte do Moreirense (que acabou o jogo sem fazer um único remate na direcção da baliza). O terceiro golo do Benfica parecia ter grande probabilidade de acontecer, e vimos a equipa trabalhar e ir à procura dele. Com a entrada do Florentino o João Mário soltou-se mais e apareceu mais frequentemente em terrenos mais adiantados (pouco se tinha dado por ele na primeira parte) a ligar mais com o Kökçü. O Cabral trabalhou muito no ataque e na direita o Rollheiser também trouxe uma boa dinâmica, sempre bem apoiado pelo Bah. Do outro lado, o Carreras foi subindo de rendimento ao longo do jogo e também esteve sempre bastante activo. De uma forma geral foi agradável ver-nos, para variar, jogar mais como equipa, a construir jogadas a envolver vários jogadores em apoio constante, em contraponto ao processo habitual de entregar quase sempre a bola ao Di María e ver o que é que ele consegue inventar, ou tentar colocar a bola no Rafa. O terceiro golo apareceu a dez minutos do final, numa jogada em que os extremos se tocaram. Um grande passe do Tiago Gouveia, na esquerda, a picar a bola para o meio, onde o Rollheiser apareceu depois de um bom movimento de desmarcação a partir da ala, surgindo na zona do ponta-de-lança. Controlou a bola no peito e depois finalizou com um remate de pé esquerdo, fazendo a bola passar entre as pernas do guarda-redes. De realçar também o facto deste golo ser o resultado directo de uma recuperação de bola logo à entrada da área adversária. O Benfica tinha atacado pela esquerda, o cruzamento do Carreras foi afastado pela defesa, e um toque do Florentino seguido de um corte do Bah, que surgiu na zona central, permitiu-nos continuar a carregar. Foi um terceiro golo merecido e um final de jogo tranquilíssimo na Luz, que nos instantes finais permitiu a estreia do Diogo Spencer, um dos laterais mais promissores da nossa formação. No total, neste jogo utilizámos oito jogadores formados no clube.

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O destaque maior do jogo vai para o Tiago Gouveia. Acaba com duas assistências, que são uma prova de que desta vez fez um jogo com muito menos ansiedade, com a preocupação de jogar para a equipa e menos individualismo, o que por vezes o traiu em jogos anteriores (mas esteve perto de assinar um grande golo numa iniciativa individual). Só jogou uma parte, mas o Tomás Araújo voltou a mostrar muita qualidade e que é uma opção muito a ter em conta para a titularidade. Velocidade, bom posicionamento e muito boa saída de bola, com o senão do excesso de confiança naquele atraso à queima para o Samuel. A jogar onde gosta o Kökçü foi outro dos destaques no jogo, a provar que pode ser muito útil à equipa, mas para o conseguir encaixar no onze de forma regular seria necessário alterar a forma habitual de jogar da nossa equipa e provavelmente isso implicaria ter que encostar ao Rafa a uma ala. O Cabral não marcou mas fez por merecê-lo. Na minha opinião fez um jogo muito positivo e a jogar assim, ao contrário do Tengstedt, é uma ameaça para as balizas adversárias. O Bah, como referido, está num momento bom e do outro lado o Carreras começou de forma hesitante, com alguns erros defensivos, mas foi ganhando confiança e fez um jogo sempre em crescendo. Os seus movimentos da esquerda para o meio podem ser um ponto forte a explorar. O Rollheiser, que pela primeira vez vimos durante mais do que meia dúzia de minutos, mostrou muito bom toque de bola e esteve muito em jogo, mostrando-se sempre disponível para receber a bola e participar nas jogadas de ataque. Gostei do que vi. Por último, confesso que gostei muito de ver o Morato de regresso à sua posição. E digo isto porque ele ao longo da época tem sido dos que mais sofreram com as críticas, por estar a jogar numa posição que não é a sua. Fez um jogo muito tranquilo, muito mais confiante com a bola nos pés do que quando tem que jogar a lateral. É um jogador pelo qual eu acredito que poderá passar o futuro próximo da nossa defesa.

 

Depois de jogos destes, em que no final o público se despede da equipa com um forte aplauso, a pergunta que fica no ar é sempre porque motivo não foi feita uma gestão do plantel assim mais vezes durante a época. Nem é a primeira vez que se fez isto, já no jogo em casa contra o Estoril tínhamos mudado mais de meia equipa e os que jogaram mostraram ter qualidade mais do que suficiente para dar conta do recado. Para além da gestão física jogos deste permitem também reforçar a confiança de todo plantel, porque os jogadores menos utilizados percebem que também contam e que não têm que ser sempre os mesmos a jogar, mesmo quando estão a atravessar um momento menos bom ou estão mais cansados. O Benfica para esta época construiu um plantel que regra geral oferece bastantes soluções (com uma ou outra excepção, caso da lateral direita). Pena que, por opção própria, tenhamos optado quase sempre por não explorar essa potencial vantagem.

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publicado por D'Arcy às 11:12
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2024

Curta

Uma vitória que, a julgar pela reacção da maioria do público presente na Luz no final do jogo, terá sido curta em relação às expectativas, sobretudo depois daquilo a que assistimos durante o jogo. Uma noite que fica sobretudo marcada pela justa homenagem ao 'meu' treinador do Benfica, que esteve no relvado acompanhado de muitos dos jogadores que tanto ajudaram a fazer-me a mim e a tantos outros da minha geração benfiquistas.

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Terceiro jogo consecutivo a apresentar o mesmo onze, o que se não foi algo inédito esta época deve andar perto disso. A história do jogo conta-se em poucas palavras: tivemos, durante cerca de uma hora de jogo, no Marselha um adversário quase inexistente. Mesmo tendo sempre a sensação de que nem estávamos a acelerar muito, dominámos completamente o jogo perante um adversário inofensivo no ataque, que revelava má organização defensiva e deixava imenso espaço à frente da sua defesa. Como habitualmente, procurámos quase incessantemente o Di María para decidir as jogadas de ataque. O Bah desperdiçou de forma quase inacreditável a primeira grande ocasião ainda numa fase inicial do jogo, mas chegámos à vantagem de forma relativamente rápida: à passagem do primeiro quarto de hora, e na finalização de uma boa jogada colectiva que começou nos pés do Trubin, o Rafa aproveitou o passe do Tengstedt na zona central da área e fez o golo (o passe nem foi particularmente bem feito, mas mérito para a forma como o Rafa ainda conseguiu recepcionar a bola apesar de lhe ter sido passada demasiado para trás). Não houve reacção do Marselha ao golo e continuou tudo na mesma, ainda e sempre com a sensação de que não havia grande urgência por parte do Benfica em voltar a marcar.

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O que se manteve no regresso para a segunda parte, mas ainda nos minutos iniciais e perante tão pouca oposição, o Benfica chegou mesmo ao segundo golo. Mais uma boa jogada do Benfica, em transição após uma bola recuperada à entrada da nossa área, colocou-nos em situação de superioridade no ataque, com quatro jogadores para apenas três defesas adversários. Já dentro da área, boa combinação entre o Di María e o Neres, com este a deixar a bola atrasada para uma finalização relativamente fácil do primeiro. Uma vez mais, reacção nula por parte do Marselha, e nesta altura a sensação geral seria que com um bocadinho de esforço o Benfica até poderia deixar o assunto quase resolvido na primeira mão. Mas ao fim de uma hora mais uma vez começou a ficar a sensação de que houve alguma quebra física por parte da equipa - digo isto porque da bancada começa a ser visível que a maior parte dos jogadores começa a correr muito menos sem bola. Foi mais notória nos jogadores da frente, mas estendeu-se depois aos médios, porque começámos a perder o meio campo. Para piorar as coisas, as facilidades que encontrámos até então devem também ter influenciado o António Silva, que sendo o último defesa e perante o jogador mais perigoso do Marselha, em vez de jogar simples e cortar a bola tentou controlá-la para sair a jogar. Foi desarmado, deixando o Aubameyang sozinho para correr até à baliza e fazer o golo. Um erro muito básico do nosso defesa. Do banco, a nossa reacção ficou-se pela troca conservadora do Neres e do Tengstedt pelo João Mário e o Marcos Leonardo. Eu já não vou estar a bater na tecla das substituições, nesta altura acredito que seja uma questão religiosa da parte do nosso treinador e eu não gosto de mexer com as crenças dos outros. Com três jogos de alta intensidade no espaço de nove dias, apresentando sempre o mesmo onze e nunca fazendo todas as substituições, se se insiste nesta opção só pode mesmo ser por crença. A sensação geral que ficou foi no entanto que houve um certo conformismo da nossa parte e uma opção por segurar a vantagem mínima, em vez de ir à procura de algo mais. O que, obviamente, não caiu bem num público que durante uma hora tinha visto o quão superior o Benfica conseguia ser ao Marselha. Não foram surpresa portanto (pelo menos para mim) as manifestações de desagrado no final.

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Consegue enervar muita gente pelos exageros que comete, mas acho que o Di María volta a ser o destaque do Benfica. A verdade é que a equipa está sempre à procura dele para que decida, o que também o leva aos tais exageros. Marcou um golo e esteve como sempre na maioria dos lances de perigo que criámos. Outras exibições positivas da parte do Rafa, Neres, João Neves e Bah.

 

Perante as manifestações de desagrado no final, o nosso treinador afirmou que os assobios parecem fazer parte do Benfica. É possível que seja verdade, mas é preciso que perceba quando e como é que eles aparecem. Os benfiquistas não assobiam por assobiar, e nem sequer o fazem por causa dos resultados. Já vi a equipa ser assobiada depois de vitórias (como ontem) e aplaudida depois de resultados negativos (como a semana passada após o empate no jogo da taça). É tudo uma questão de atitude. O que os benfiquistas querem é chegar ao final dos jogos com a sensação de que demos tudo em campo pelo melhor resultado possível. E ontem não foi essa a sensação com que ficaram. De qualquer maneira, e tendo em conta não só aquilo a que assistimos ontem mas também o momento actual do Marselha, acho que temos todas as condições para conseguir o apuramento. Desde que não decidamos ir para França jogar com mentalidade pequena - e vem-me imediatamente à memória o nosso jogo em Toulouse. Se assim for, então poderemos passar por grandes dificuldades.

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publicado por D'Arcy às 11:27
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Domingo, 7 de Abril de 2024

Perdido

Uma entrada a dormir e uma saída de rastos, e o título praticamente perdido. Tal como na terça-feira, podíamos ter ganho este jogo mas acabámos a pagar pelos nossos erros, com a sorte a sorrir ao adversário nos instantes finais num jogo que só teve golos dos laterais direitos.

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O nosso treinador tem feito muito disparate, mas acho que mesmo assim ninguém esperaria que houvesse mudanças no onze titular, o que veio a verificar-se. Foi com este onze que dominámos o jogo da taça e fazia todo o sentido mantê-lo. O problema foi uma entrada completamente desastrada no jogo. Não se pode oferecer um golo na primeira vez que o adversário chega à nossa baliza. Não compreendo tamanha passividade quando o Pedro Gonçalves recuperou a bola e entrou pela direita, com os nossos jogadores a ficarem a olhar em vez de alguém cair em cima dele. O cruzamento acabou por sobrar para o lado oposto, onde o Catamo estava solto para finalizar de baliza aberta. A reacção foi boa - jogámos no mesmo registo do último jogo, a ser capazes de pressionar alto e com eficácia a saída de bola do Sporting, e assumimos o controlo do jogo, com a equipa da casa a jogar literalmente em contra-ataque, um luxo a que se podia dar dada a oferta inicial da nossa parte. Uma vez mais, no entanto, más decisões no último terço - e por mais de uma vez tivemos recuperações de bola que nos permitiram apanhar a equipa do Sporting descompensada e em situação de igualdade da defesa para o ataque - impediram-nos de criar muitas ocasiões flagrantes de golo, especialmente porque precisamente hoje tivemos um dos nossos jogadores mais determinantes, o Rafa, em noite completamente não. Na primeira parte foi dele a melhor situação de golo, quando recebeu a bola completamente à vontade à entrada da área, e depois finalizou para a bancada. O empate, que já se justificava, acabou por surgir no último lance na primeira parte: um livre marcado pelo Di María a partir da esquerda, ainda bem longe da área, com a bola a ir cair na zona do poste mais distante, onde o Bah entrou de forma fulgurante para fazer o golo de cabeça.

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Para a segunda parte, o Sporting pareceu entrar mais decidido nos primeiros minutos, mas aos poucos o Benfica equilibrou e num jogo dividido conseguiu criar as situações mais perigosas para marcar. E a maior parte das vezes novamente graças a recuperações altas de bola e maus passes por parte dos jogadores do Sporting, que pressionados acabavam por nos entregar a bola. O Neres viu uma bola cortada por um defesa quando esta se encaminhava para a baliza, já depois de ter passado pelo guarda-redes (grande passe do Di María), o Rafa viu um desvio de calcanhar ser também cortado no momento certo por um defesa, e o guarda-redes do Sporting negou o golo ao Di María com uma grande defesa, com a bola ainda a tocar no ferro da baliza. A resposta do Sporting continuava quase sempre a ser em lances de transição, tendo o Gyökeres acertado com estrondo na barra num remate cruzado. À entrada para o último quarto de hora o jogo estava claramente num cenário em que quem marcasse ganharia, mas parecia mais provável que a acontecer, esse golo fosse nosso. Só que a nossa equipa começou a dar sinais de cansaço. Em especial os jogadores da frente, pelo muito trabalho que tiveram a pressionar e a cortar linhas de passe constantemente. O cansaço era dos dois lados, mas enquanto que o treinador do Sporting foi constantemente refrescando a equipa com substituições, o nosso manteve-se na sua teima de nunca fazer todas as substituições, e de fazer aquelas que ainda faz tarde e a más horas. Trocou apenas de avançado a vinte minutos do final, e depois ficámos a ver a equipa a perder progressivamente gás enquanto o Sporting crescia nos minutos finais. O Sporting retirou mesmo o Hjulmand do campo, que arriscava ver um segundo amarelo, enquanto que o Benfica nada fez e acabou com o Aursnes expulso (nota: o Benfica fez apenas dez faltas durante todo o jogo e acabou com sete cartões amarelos). Já no período de descontos, estivemos durante largos minutos com o jogo parado à espera do VAR enquanto não se marcava um pontapé de canto (depois de uma situação claríssima de golo por parte do Sporting) e eu comentei mesmo para o meu colega de bancada que com tanto tempo parado arriscavamo-nos a perder as marcações e a sofrer um golo. Que foi mesmo o que aconteceu, com o Catamo a receber a bola completamente sozinho sobre a esquerda à entrada da área e a rematar cruzado para o golo. Depois do mal feito, aí sim, duas substituições feitas para jogarem um par de minutos, o Kökçu mais uma vez para jogar na esquerda no lugar do Neres, e o Marcos Leonardo no lugar do Rafa. Ainda assim, na sequência de um livre ainda tivemos uma situação muito perigosa do Marcos Leonardo, que foi cortada nem percebi bem como por um defesa já perto da linha de golo.

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Destaques no Benfica, o Di María, de cujos pés nasceram a maior parte das situações de perigo, e para o Bah, que marcou o golo e voltou a mostrar estar na sua melhor forma. Já do outro lado, o Aursnes desta vez teve um jogo para esquecer. A dupla de médios teve um jogo de muito trabalho, recuperou imensas bolas, mas também foi caindo fisicamente na fase final do jogo, em especial quando o Sporting refrescou completamente o meio campo e nós nada fizemos.

 

Foram dois jogos seguidos que podíamos e deveríamos ter ganho, em especial o da taça, e em que acabámos por perder dois troféus. O que acabou por marcar a diferença nestes dois jogos foi sobretudo o aproveitamento. Uns marcaram sempre mais do que as ocasiões que criaram, e nós marcámos sempre menos. O autismo do nosso treinador no que diz respeito às substituições não foi hoje que apareceu, tem-se revelado ao longo de toda a época e culminou hoje, em que provavelmente perdemos mesmo o jogo com grande peso desse factor. E não serve o argumento de falta de qualidade no banco, porque temos lá muito melhores jogadores do que o adversário (por exemplo, aquele ex-Estoril que entrou para o meio campo foi péssimo e quase que nos ofereceu um golo, mas pelo menos tinha pernas para correr). Só que o treinador adversário, perante a evidência da falência física, não hesitou em fazer as mudanças que se impunham. O nosso ficou a contemplar, perdido nas ideias dentro da sua própria cabeça.

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publicado por D'Arcy às 01:52
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2024

Frustrante

Um empate muito frustrante que nos afasta da final da Taça de Portugal. E é frustrante porque hoje, e de forma até surpreendente para mim, fomos claramente a melhor equipa (muito melhores do que eles o conseguiram ser na primeira mão) e fizemos mais do que o suficiente para ter dado a volta à eliminatória, acabando penalizados sobretudo pela falta de eficácia no ataque e por um erro individual do nosso guarda-redes.

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Pareceu-me que o nosso treinador hoje acertou no onze escolhido - pelo menos tenho pouco a apontar - e fomos capazes de fazer uma pressão eficaz sobre a defesa do Sporting, ao ponto de durante a primeira parte nem sequer terem conseguido recorrer à jogada de marca deles (chutão para o Gyokeres quando estão apertados). Foram vários os erros que conseguimos provocar na saída de bola do Sporting, conseguindo muitas recuperações de bola ainda no meio campo adversário e expondo, por exemplo, de forma bastante evidente as deficiências que o Diomande tem nesse particular (por algum motivo já não voltou do intervalo). Se tenho alguma coisa a apontar aos nossos jogadores, foi algum excesso de individualismo, em especial pelo Di María ou o Neres, que por diversas vezes se agarraram em demasia à bola quando se exigia um passe em progressão. Mas quando o Tengstedt acertou na barra e, sobretudo, quando o Di María conseguiu falhar um golo feito que lhe foi oferecido pelo Aursnes comecei a ficar pessimista sobre as nossas possibilidades. O empate ao intervalo era penalizador, e depois entrámos na segunda parte a dormir: pela primeira vez no jogo a jogada do chuto para a frente para o sueco funcionou sobre a esquerda, e depois foi-lhe permitido todo o tempo e espaço do mundo para colocar a bola na entrada da área, onde o Hjulmand também estava demasiado à vontade para rematar para o golo. A resposta foi boa e o Otamendi empatou minutos depois a centro do Neres a partir da direita (grande trabalho individual), aparecendo solto ao segundo poste depois de se antecipar ao Gyokeres, só que praticamente de seguida o Trubin borrou completamente a pintura, defendeu para a frente um cruzamento inócuo que iria sair pela linha de fundo e deu a possibilidade ao Paulinho de empatar. Voltámos a reagir bem e a reestabelecer o empate, pelo Rafa à boca da baliza depois de novo centro da direita do Bah (depois de um toque de calcanhar do Neres a desmarcá-lo) e ficámos novamente a apenas um golo de empatar a eliminatória (na jogada anterior o Gyokeres numa iniciativa individual tinha feito a bola tocar no poste num remate de fora da área). Até poderíamos ter tido uma ocasião flagrante para o fazer pouco depois, quando o tronco do Coates cometeu um penálti desastrado sobre o Rafa, mas nem o árbitro nem o VAR quiseram marcar. O andor este ano está muito poderoso e ninguém tem coragem para decidir contra eles nestes jogos - depois de dois penáltis grosseiros perdoados no jogo da Liga (pisão do Diomande ao Musa e cotovelada do Morita ao Otamendi) e um golo limpo anulado ao Di María na primeira mão, foi apenas mais um exemplo de como o Sporting é constantemente prejudicado, sobretudo contra o Benfica. Não foi penálti porque simplesmente não quiseram marcá-lo, mas já conhecemos bem o esquema de lavagem automática, e este lance absolutamente decisivo será rapidamente abafado sob o destaque ao 'grande espectáculo proporcionado por ambas as equipas' (fosse ao contrário e teríamos berreiro e luto). O Sporting passou praticamente a última meia hora a queimar tempo e a tentar responder com o habitual chuto para frente para o sueco, enquanto que nós ainda tivemos algumas ocasiões para marcar. Só que os entrados Tiago Gouveia e Marcos Leonardo (em especial o primeiro) revelaram muito pouco acerto na finalização, para além do guarda-redes do Sporting ter negado o golo ao Di María na sequência do lance do penálti não assinalado.

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Gostei da atitude de quase toda a equipa e muito da nossa dupla de médios. Voltaram a provar ser a melhor dupla que temos para aquela zona, e em relação ao João Neves já me faltam palavras. Tal como gostei da exibição dos dois laterais, com o Bah finalmente a parecer chegar à sua forma ideal, pena que tão tarde na época - basta ver como o jogo do Sporting pelas laterais, que costuma ser bastante forte, foi quase inexistente e o Amorim viu-se mesmo obrigado a trocar os dois laterais ao intervalo. O Di María teve algumas das habituais perdas de bola e os referido excessos, mas foi sempre dos nossos jogadores mais perigosos quando a bola lhe chegou aos pés, e chegou muitas vezes. Eu acho que preferiria até tê-lo na esquerda, a jogar como extremo puro, com o Neres na direita. Neres que pareceu por vezes pouco ligado ao jogo, mas acabou por estar nos dois golos (na direita). Continuamos no entanto a ter um problema no ataque. O Tengstedt foi útil na pressão, mas tem uma completa falta de instinto goleador na área e deve ter perdido praticamente todas as bolas disputadas com os defesas adversários.

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Deve ter sido um dos jogos mais conseguidos dos últimos tempos, mas ficou a faltar-nos um bocadinho para atingir o objectivo. Se jogássemos sempre com esta atitude provavelmente a época estaria a correr melhor. O que eu acho é que se conseguirmos jogar da mesma forma no sábado, teremos boas hipóteses de conseguir um resultado positivo. Mas vou manter as minhas expectativas baixas. Para mim, se conseguir pela primeira vez esta época sair do estádio após um jogo contra o Sporting sem estar a apalpar os bolsos para ver se ainda tenho a carteira, já será positivo.

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publicado por D'Arcy às 02:07
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Sábado, 30 de Março de 2024

Desoladora

Em casa, frente ao último classificado, o Benfica lá se conseguiu arrastar até à vitória e aos três pontos que nos mantêm perto do topo da tabela. Mas foi uma vitória que, pelo menos para mim, foi desoladora, e não são muitas as vezes em que me sinto tão desmotivado após ganharmos um jogo. Mesmo o consolo dos três pontos não é suficiente para afastar as más sensações com que fiquei deste jogo, que muito honestamente considero estar entre os piores que já jogámos esta época.

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Utilizámos um onze esperado, com o Tomás Araújo no lugar do suspenso António Silva, uma dupla Florentino/João Neves no meio campo, e o ataque com as alas entregues ao Neres e ao Di María, com o Cabral como homem mais avançado. Eu sei que tenho tendência para o pessimismo, mas a verdade é que fiquei com más sensações sobre este jogo logo nos primeiros minutos. E porquê? Porque o Chaves mostrou, desde muito cedo, porque motivo está em último lugar. De uma forma excessivamente optimista, nem me pareceu ter vindo com o tradicional autocarro das equipas pequenas (apesar da excessiva calma do seu guarda-redes nas reposições de bola) mas sim com vontade de jogar de forma mais aberta, apenas sem grande capacidade para o fazer. Não sei se esta época vi alguma equipa cometer tantos erros defensivos que resultaram em verdadeiras ofertas aos nossos avançados, com perdas de bola comprometedoras em zona defensiva e passes transviados, e no entanto mostrámos uma completa incapacidade para os aproveitar. Acima de tudo, fiquei (mais uma vez) com a sensação de uma enorme falta de dinâmica de equipa. Sim, os jogadores quando tinham a bola corriam, mas o resto da equipa ficava muito estática. Inventámos uma nova jogada em que juntamos uns quatro jogadores perto da esquina da área e eles ficam ali durante um tempo exasperantemente longo a trocar a bola entre si em passes curtos, numa espécie de meiinho com os defesas adversários, até que finalmente nem se ganha a linha, nem se progride para a área, nem se cruza, e a bola ou é perdida ou é passada para um dos centrais. A sensação constante é a de que praticamos um futebol desgarrado, muito cada um por si à espera que o talento individual acabe por resolver, e quando o adversário é muito inferior, como foi o caso de hoje, há a tendência para algo que roça a displicência. Houve muito desacerto na altura de finalizar, já que à parte num livre perigoso logo na fase inicial do jogo, o guarda-redes do Chaves até nem teve muito trabalho. Mas tivemos uma oportunidade flagrante para desfazer o nulo ainda na primeira parte, quando o VAR assinalou um penálti por cotovelada na cara do Bah, mas o Di María fez a paradinha, esperou que o guarda-redes caísse para um lado, e depois passou-lhe a bola, frouxa, para as mãos. Um penálti muito, muito mal marcado e um bom indicador da desinspiração geral.

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Que continuou na segunda parte, na qual voltámos a ter mais uma oportunidade soberana para ir para a frente do marcador. Novamente o VAR a detectar um penálti por falta sobre o Di María, e desta vez foi o Cabral a bater. Tal como o Di María, fez a paradinha, deixou o guarda-redes cair, e escolheu o mesmo lado do guarda-redes, permitindo a defesa deste. Mas teve direito a segunda oportunidade, pois foi detectada invasão da área por um jogador do Chaves na marcação. Papel químico da primeira marcação: paradinha, queda do guarda-redes, remate para o mesmo lado, nova defesa. Absolutamente exasperante - e louve-se a atitude do público que, perante uma exibição tão desinspirada da nossa equipa, geralmente continuou a apoiar e guardou as manifestações de desagrado para depois do apito final. Não deu para ficar muito tempo a mastigar o assunto porque pouco depois chegámos ao golo. Um livre sobre a direita do ataque, mal marcado pelo Di María, que enviou a bola tensa para a área mas demasiado baixa, quando a intenção seria colocá-la na zona do segundo poste. Mas felizmente que pelo caminho apanhou o João Neves no meio da área, que com um desvio bastante intencional de cabeça a fez ir embater no poste mais distante e entrar na baliza. Um alívio, porque começava a parecer muito complicado meter a bola na baliza. Pouco depois trocámos de avançado, e o Marcos Leonardo no tempo em que esteve em campo revelou-se um pouco mais activo do que o Cabral até então. O golo não serviu de calmante à nossa equipa, que continuou a jogar aos repelões e de forma descoordenada. A cerca de dez minutos do final, ocasião para revermos uma das inovações tácticas desta época, com as entradas do João Mário e do Kökçu (altura em que aí sim, foram audíveis assobios para o turco) para os lugares do Neres e do Di María, para jogarmos com quatro médios centro (cinco, se contarmos com o Aursnes). A outra inovação táctica desta época é obviamente a dos quatro centrais. E mais uma vez, apenas por opção, não utilizamos todas as substituições, no que se começa também a tornar uma imagem de marca. Seria de pensar que perante tanto desacerto e tendo a felicidade de estar em vantagem, o Benfica aproveitasse os minutos finais para assentar o jogo e geri-lo com uma certa dose de segurança. Puro engano. Os minutos finais foram horríveis, com o jogo aos repelões, completamente partido e aberto e sem qualquer tipo de organização táctica, sobretudo em termos defensivos. Poderíamos ter marcado um segundo golo que nos descansaria, mas também poderíamos perfeitamente ter sofrido o empate porque, repito, não vi qualquer tipo de organização na nossa equipa. Aquilo para mim deixou de ser um jogo de futebol e mais parecia uma peladinha entre amigos ao fim de semana: cada um por si, com o resto da equipa a ver jogar.

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João Neves e o Florentino são os destaques que consigo fazer. Ambos estiveram constantemente em jogo, o João Neves como habitualmente pareceu ter o jogo todo a passar constantemente pelos seus pés e marcou o golo decisivo, enquanto que o Florentino teve um desempenho defensivo notável, com diversas recuperações de bola bem dentro do meio campo adversário. Continuo a achar que esta é a dupla do meio campo que neste momento melhor se complementa e resulta.

 

Segue-se uma sequência de três jogos de dificuldade elevada e que no fundo poderão decidir toda a época no espaço de uma semana, e é muito difícil sentir-me com a confiança em alta para os enfrentar. Será necessário superarmo-nos e fazer muito, muito mais e melhor do que isto se quisermos alguma coisa positiva deles. O problema é que o nosso treinador não parece ver grandes problemas com o que estamos a jogar e normalmente até exprime satisfação com isso, por isso não sei se será realista nesta fase esperar grande evolução. Se calhar sou eu que estou a ser demasiado pessimista, mas muito sinceramente eu hoje achei que jogámos francamente mal e que acabámos por ganhar porque simplesmente temos muito melhores jogadores do que o Chaves. Continuarei sempre a apoiar porque não sei fazer outra coisa; estive no descalabro do Dragão e estarei em Alvalade no próximo fim de semana, mas neste momento é muito difícil sentir confiança ou entusiasmo perante o que vejo esta equipa produzir. Espero sinceramente que se consigam superar esta semana.

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Segunda-feira, 18 de Março de 2024

Persistência

Foi preciso persistência e uma boa dose de paciência, especialmente depois de um arranque em falso numa primeira parte pouco conseguida, mas acabámos por conseguir os importantes três pontos na visita ao Casa Pia.

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Uma alteração na equipa, saiu o David Neres e entrou o João Mário. Natural, porque o João Mário não poderia ficar de fora dois jogos seguidos. A primeira parte do Benfica não foi boa. Tentámos ter a iniciativa do jogo, mas encontrámos pela frente um Casa Pia muito fechado atrás e que quando conseguia recuperar a bola contra-atacava em transições rápidas - logo nos primeiros minutos foi apenas por aselhice de um jogador do Casa Pia que não ficámos em desvantagem numa jogada destas, pois ele surgiu completamente solto em posição frontal à baliza e conseguiu rematar de forma disparatada para fora. Quanto a nós, revelávamos as dificuldades muitas vezes vistas esta época para ultrapassar equipas a defender com um bloco muito baixo: muita circulação de bola sem progressão, constantemente à procura de rasgos individuais do Di María - o que resultou em mais um jogo com muitas perdas de bola por parte deste, já acaba por estar constantemente a recorrer a arrancadas individuais ou tentativas de passes de risco. Na frente, o Marcos Leonardo nunca conseguiu antecipar-se aos defesas do Casa Pia sempre que a bola era cruzada para a área, e apenas uma vez conseguiu escapar à marcação para fazer um remate cruzado que saiu muito frouxo. Tivemos um golo anulado ao João Neves por posição irregular deste, num lance eu que eu tenho algumas dúvidas sobre o critério de considerar a bola do Otamendi um 'remate'. Para mim foi um cruzamento para a área (altura em que sim, o João Neves está adiantado) onde o António Silva disputa a bola com o guarda-redes, com este a afastar a bola de forma deficiente e a deixá-la para o João Neves finalizar. Enfim, foi decidido contra o Benfica, está sempre bem decidido. Com o Casa Pia a jogar num bloco tão baixo, havia também pouco espaço para explorar pelo Rafa, que assim teve pouca intervenção no jogo  - e quando isto acontece, normalmente é mau sinal para nós - e quando apareceu foi para rematar de fora da área, o que é muito pouco usual nele.

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Aparecemos completamente diferentes, para melhor, na segunda parte. Muito mais agressivos e rápidos, conseguimos dominar completamente o Casa Pia e o jogo passou a ter apenas um sentido, sempre disputado no meio campo do Casa Pia e sem permitir sequer qualquer tipo de transição mais perigosa para a nossa baliza - o Trubin foi um mero espectador. O Rafa teve a primeira grande ocasião, mas depois de lançado pelo Di María e de fugir à defesa, adiantou demasiado a bola e acabou por finalizar já quase sobre a linha final, com o guarda-redes em cima dele, fazendo a bola cruzar toda a baliza a centímetros da linha de golo. Com a pressão a intensificar-se, ao fim de um quarto de hora fizemos duas substituições que vieram a revelar-se decisivas. Entraram o Neres e o Cabral, saíram o Marcos Leonardo e o Florentino. O Neres deu maior largura ao nosso ataque, e nem sequer vou dizer que o João Marío melhorou quando passou para o meio, ele literalmente apareceu, porque até aí acho que nem tinha reparado que estava em campo. Quando ao Cabral, foi uma presença muito mais ameaçadora no ataque, mostrando mobilidade e força física para disputar os lances com os defesas - ao contrário do que o Marcos Leonardo fazia, que era esperar atrás dos defesas por uma falha destes. Logo a seguir, o António Silva falhou uma ocasião flagrante para marcar: bola cruzada pelo Aursnes da esquerda e o António conseguiu antecipar-se a toda a defesa e guarda-redes, mas cabeceou para fora quando tinha a baliza à sua mercê. A pressão do Benfica acabou por dar resultado a um quarto de hora do fim. Numa transição, o João Mário colocou a bola no Cabral sobre a direita, que progrediu até à área e tirou o defesa da jogada puxando a bola para dentro, para o seu pé esquerdo, para depois rematar cruzado. Bom golo do nosso ponta-de-lança, a desatar finalmente um nó que estava cada vez mais complicado. Tal como em Glasgow, depois do golo o Benfica conseguiu com sucesso pausar o ritmo de jogo e controlar completamente até ao apito final - o Casa Pia não conseguiu esboçar qualquer tipo de reacção ao golo. Apesar da sobrecarga de jogos, mantivemos a nossa imagem de marca de não utilizarmos todas as substituições e apenas perto do final fizemos a terceira, trocando o Bah pelo Tomás Araújo.

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Num jogo que não foi exuberante, acho que acabo por escolher como destaque o Cabral mesmo. Entrou quando o jogo pedia mesmo alguém com as suas características, resolveu-o, e se calhar se não tivesse entrado não teríamos conseguido deitar abaixo a resistência do Casa Pia. É repetitivo mencionar sempre o João Neves, mas ele não sabe jogar mal e acaba por se destacar sempre pelo menos pela entrega. Gostei do António Silva e da profundidade que o Bah conseguiu dar pela direita.

 

Depois de termos estado quatro jogos consecutivos sem vencer fora de casa (Vitória, Toulouse, Sporting e Porto), conseguimos agora duas vitórias importantes nos últimos dois. No fundo o regresso à rotina: nada de particularmente entusiasmante mas cumprimos a nossa obrigação, vencemos e mantivemo-nos na luta. Temos agora também que lidar com o caso criado pela entrevista do Kökçu, que em nada ajuda. Eu confesso que compreendo e até concordo com muito daquilo que ele diz, pelo menos no que diz respeito às opções tácticas do nosso treinador em relação a ele, mas a oportunidade desta entrevista é completamente errada e não deixa outra opção ao clube senão agir disciplinarmente. Espero apenas que isto não tenha ramificações no balneário, porque a sensação que tenho é a de que o turco não deverá ser o único descontente com as opções do treinador.

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Sexta-feira, 15 de Março de 2024

Cumprida

Acho que todos nós tínhamos a noção de que o Benfica era uma equipa superior ao Rangers e por isso mesmo, apesar do empate em casa na primeira mão, havia a expectativa legítima de que um Benfica minimamente competente conseguiria ir ganhar a eliminatória a Glasgow. Tarefa cumprida, portanto.

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Houve quatro alterações no onze em relação àquele que tinha vencido o Estoril: Otamendi, Di María, Rafa e João Neves voltaram, por troca com Tomás Araújo, Tiago Gouveia, Kökçu e João Mário. Pela frente apanhámos um Rangers motivado pelo resultado da primeira mão, uma estádio cheio a apoiá-los (com um cantinho vermelho que, desta vez, parece ter-se portado bem) e ainda uma intempérie que se abateu sobre Glasgow, que foi tornando o relvado cada vez mais pesado. Esperava por isso uma entrada forte por parte dos escoceses, que de facto até se verificou. Eles estiveram mais por cima na primeira fase do jogo, mas raramente criaram ocasiões de grande perigo - a situação mais complicada acabou por ser um remate à figura do Trubin, que ele acabou por deixar escapar entre as pernas e que saiu ao lado da baliza. O Benfica revelou sempre uma boa organização defensiva, com o António Silva a ser um esteio na defesa e a limpar tudo o que lhe aparecia, pelo ar ou pelo chão. O meio campo com o João Neves e o Florentino é também aquele que melhor cobertura dá aos nossos defesas que, ao contrário daquilo que tantas vezes vimos esta época, não têm que estar constantemente a apanhar com adversários embalados pela frente quase sem oposição. À medida que o tempo foi decorrendo o Benfica estabilizou o seu jogo e começou lentamente a conseguir explorar o espaço que tinha à frente, criando mesmo situações de maior aperto na área do Rangers - Di María, Rafa ou Marcos Leonardo dispuseram de situações em que poderiam ter dado melhor sequência ou finalizado melhor. Na altura em que soou o apito para o intervalo achei aliás que já estávamos mesmo por cima no jogo, e que havia maior probabilidade de sermos nós a marcar do que o Rangers.

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Ao intervalo trocámos de ponta-de-lança, entrando o Tengstedt. O Marcos Leonardo ainda não parece estar na melhor forma física e já revelava dificuldades em lutar com os defesas adversários num jogo com tendência para se tornar cada vez mais físico. Dada a forma como tinha acabado a primeira parte, foi surpreendente o início da segunda. O Rangers veio com tudo, e aquele primeiro quarto de hora foi complicado e deixou-me preocupado que o Rangers pudesse chegar à vantagem - naquela altura tinha a sensação que a primeira equipa a marcar daria um passo de gigante para o apuramento. É verdade que ainda assim o Trubin nunca teve muito trabalho, e a melhor ocasião dos escoceses foi um remate que foi desviado no limite pelo Aursnes, com a bola a passar perto do poste. Ainda mais um susto quando um desvio do António Silva fez a bola passar muito perto do poste, quase acabando em autogolo. Pouco depois do primeiro quarto de hora o Benbfica deu um grande aviso ao Rangers, quando uma boa transição que começou no Di María pela direita acabou com o Aursnes do lado oposto a ganhar a linha de fundo (ultimamente ele parece estar a conseguir fazer isto muito bem) e a oferecer literalmente o golo ao Tengstedt, que acabou por fazer um passe para as mãos do guarda-redes. Dado o aviso, cinco minutos depois veio o golo. Surge numa transição após um canto para o Rangers, na qual o Florentino acabou por finalmente conseguir colocar a bola na frente. O Di María tocou-a de cabeça para o Rafa mais sobre a esquerda, e a velocidade e classe deste fez o resto, fugindo aos defesas e vindo para a zona central para finalizar de forma perfeita. O lance foi inicialmente invalidado em campo, mas o VAR acabou por confirmar que no momento do toque de cabeça do Di María o Rafa ainda estava dentro do nosso meio-campo (aposto que na nossa liga o golo teria sido anulado). Este golo matou o Rangers, que nunca mais conseguiu voltar a ser o mesmo. Até final tivemos o jogo sempre completamente controlado e até poderíamos ter ampliado a vantagem, com destaque para um falhanço do António Silva que não conseguiu fazer o desvio quando estava à vontade à frente da baliza.

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Melhores do Benfica, para mim, o trio de meninos do Seixal. António Silva, João Neves e Florentino foram os esteios desta vitória, muito bem acompanhados pelo Aursnes. O António Silva esteve intransponível na defesa, lidando perfeitamente com o jogo tipicamente britânico que os escoceses tentaram implementar e sendo dominador pelo ar. Sobre o João Neves já vão faltando palavras para descrever o pequeno dínamo que alimenta todo o nosso jogo. Quanto ao Florentino, se um jogo destes não é suficiente para perceber a utilidade dele na nossa equipa, não sei o que será. O Aursnes é, objectivamente, o nosso melhor lateral esquerdo. Infelizmente, acrescento eu, porque poderia ser muito mais útil noutras funções e zonas do campo. Mas antes tê-lo a ele ali do que o Morato.

 

Estamos, pelo terceiro ano consecutivo, nos quartos-de-final de uma competição europeia. Todos nós, por sermos adeptos, achamos sempre que podemos e devemos fazer melhor, e raramente estamos satisfeitos com o que a nossa equipa produz. O jogo de ontem não será excepção, mas mesmo sem estarmos ao nosso melhor, creio que no conjunto das duas mãos ficou bem claro que somos melhores e fomos melhores do que o Rangers dentro do campo. No entanto toda a comunicação social parece ter muita vontade em destacar que o Benfica jogou mal, e que terá tido sorte na passagem - curiosamente, a imprensa escocesa considera que o Benfica mereceu passar, e uma visita rápida a fórums de adeptos do Rangers também me permitiu ver que eles nos consideram melhores e que ontem merecemos ganhar. Talvez porque nesta altura não há contabilidades a fazer como quantos golos o Benfica sofreu, há quantos jogos não ganha, ou há quantos jogos é que Rafa não marca, o melhor é carregar na tecla do mau jogo que o Benfica fez. A mesma comunicação social é aquela que perante dois jogos em que o Porto se enfiou na defesa contra o Arsenal, não se cansa de elogiar o épico desempenho deles. Ou que tendo o sapal sido claramente dominado pela Atalanta nos dois jogos, já tendo tido a sorte de seguir para Itália com um empate, se agarra às oportunidades por eles criadas nos últimos minutos para classificar a exibição deles como 'autoritária', com o jornal não-oficial do sapal (vulgo Record), liderando o pranto, a chegar ao absurdo de escrever que foram 'muito melhor equipa' numa negação e inversão completa da realidade. É vergonhosa a diferença de tratamento que existe. Dá a impressão que a única expectativa admissível para o Benfica é que domine todos os jogos do princípio ao fim e massacre todos os adversários. Qualquer coisa menos do que isso é motivo para crítica severa. Pois que fiquem com as suas magníficas vitórias morais, que eu me contento com mais uma má exibição e a passagem marcada para a próxima eliminatória.

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Segunda-feira, 11 de Março de 2024

Chave

Dois golos em momentos chave ajudaram um Benfica com um onze muito renovado a regressar, de forma justa, às vitórias. O Estoril ainda chegou a assustar, mas a resposta dada pelo Benfica foi suficiente para justificar uma vitória sem grande margem para discussão, num jogo em que assistimos a um novo patamar de palhaçada na arbitragem.

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Foi uma mão cheia de alterações no onze inicial: Tomás Araújo na defesa, Kökçu e João Mário no meio campo, e Tiago Gouveia e Marcos Leonardo no ataque foram as entradas. Destaque para agora sim, uma verdadeira poupança em alguns dos jogadores mais utilizados esta época, com o Rafa, Di María e João Neves a começarem no banco. As alterações também significaram uma mudança em termos tácticos, porque se se pode dizer que o Kökçu jogou no lugar do Rafa, a verdade é que ele é um jogador completamente diferente, o que na prática significou jogarmos num esquema de três médios, com o turco a ocupar o vértice mais adiantado do triângulo. Os últimos resultados tiveram efeitos na confiança dos jogadores e da equipa, que não entrou de forma muito decidida no jogo. A sensação que dá é que há muito receio de falhar, e portanto raramente se arrisca um passe mais vertical, o que resulta em posses mais prolongadas nas quais a bola circula demasiado entre os nossos jogadores sem haver progressão, para algum exaspero dos adeptos. Ou em que vemos a bola chegar perto da área para depois voltar para trás e recomeçarmos o processo todo outra vez. Perante um Estoril que jogou da forma esperada, com linhas muito fechadas e juntas atrás, a procurar depois partir rápido para o contra-ataque a partir das faixas laterais, e que cedo procurou enervar com perdas de tempo e calma excessiva em todas as reposições de bola, tivemos o melhor remédio para isso com um golo ainda relativamente cedo. Sobre a direita, o Benfica recuperou a bola ainda numa zona adiantada e o passe atrasado do Neres para a entrada da área foi correspondido por um grande remate em arco do Kökçu, que colocou a bola junto ao ângulo superior do outro lado. Tudo a alinhar-se para uma noite tranquila, mas infelizmente não conseguimos evitar uma tendência cada vez mais frequente: sofrer um golo na primeira vez que o adversário chega à nossa baliza. Apenas sete minutos depois de estarmos em vantagem e sobre a esquerda da área, o António Silva resolveu imitar o comportamento habitual do Otamendi e entrou à queima sobre o Heri, que o bateu de forma demasiado fácil no um para um. Depois o Trubin apenas conseguiu sacudir para a frente o cruzamento/remate, fazendo com que a bola fosse cair mesmo à frente do Rodrigo Gomes, que fuzilou a baliza. Com o golo regressaram as inseguranças e o Benfica acusou o golpe. Durante largos minutos fomos incapazes de rematar sequer à baliza ou criar ocasiões de perigo, o que levou mesmo a manifestações de impaciência por parte dos adeptos. Até que num instante tudo mudou, pois conseguimos regressar à vantagem num momento chave, mesmo antes do intervalo. Cruzamento largo do Neres na direita, com o Tiago Gouveia a aparecer ao segundo poste para colocar a bola, de cabeça, na zona central, onde o Marcos Leonardo se antecipou aos defesas e empurrou a bola de cabeça para o golo. Extremamente importante para permitir um intervalo mais descansado e um regresso do intervalo sob muito menos pressão.

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E para dar sequência ao segundo golo, nada melhor do que começar a segunda parte com um golo para afastar dúvidas e dar ainda mais confiança à equipa. Passe do Kökçu da zona central a solicitar o Tiago Gouveia, que desta vez até estava de posição trocada com o Neres e apareceu sobre a direita, este enfrentou o Mangala e já dentro da área fez um bom remate cruzado que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. A partir daqui a equipa conseguiu soltar-se e jogar de uma forma mais fluida, e assistimos a alguns momentos de bom futebol da nossa parte, também potenciados pelo facto do Estoril já não poder adoptar a posição negativa com que tinha entrado no jogo e ser agora obrigado a jogar o jogo pelo jogo de forma mais aberta. Construímos ocasiões para ampliar o resultado, que incluíram um momento que pode ficar para a história desta liga. Sobre a esquerda, e dando sequência a uma boa jogada do Benfica em que o remate cruzado do Kökçu do outro lado não levou a melhor direcção, o Benfica ainda recuperou a bola e o Aursnes ganhou a linha de fundo já dentro da área e perto da baliza. Fez o passe atrasado para a finalização do Marcos Leonardo, que o guarda-redes do Estoril defendeu por instinto, e depois o nosso avançado foi varrido pelo Mangala. Logo na altura ficou a sensação de que seria lance para penálti, que o árbitro Manuel Oliveira (que até aí já estava a ter uma actuação no mínimo 'inclinada') resolveu ignorar. Mas o VAR chamou-o mesmo para rever o lance, que mostrava de forma clara que o Mangala não só entra de pé em riste ao lance, atingindo com a sola o pé do Marcos Leonardo depois deste rematar, como com a outra perna acaba por varrer o pé de apoio do nosso avançado. Depois de um longo período a analisar as imagens, tivemos o privilégio de ouvir em directo e ao vivo a conclusão do árbitro de que o número 22 do Estoril não cometeu nenhuma infracção. Portanto agora não só temos a possibilidade de sermos roubados, ainda podemos ouvir a forma como o estamos a ser. Foi uma explicação muito útil. A quinze minutos do final começaram as alterações na equipa, com as trocas do Neres e do Marcos Leonardo pelo Rollheiser e o Cabral. O Manuel Oliveira nessa altura já estava com a corda toda e ignorou olimpicamente uma falta grosseira precisamente sobre o Cabral à entrada da área. Minutos depois, mais duas alterações e a inevitável entrada do Morato para lateral esquerdo, no lugar do Aursnes, e do João Neves para o lugar do Kökçu. Mas o toque de bizarro ainda estava para vir, pois logo a seguir entrou o Carreras. Face aos jogadores em campo, esperava que o espanhol fosse para a lateral esquerda, o Morato passasse para o meio, e o Tomás Araújo para a lateral direita, onde já jogou algumas vezes esta época. Mas não, o Carreras foi para a direita e preferimos jogar com duas adaptações na defesa. É uma imagem de marca. O jogo nessa altura ficou muito partido, e o João Neves ainda atirou uma bola à barra, enquanto que do outro lado o Trubin teve que se aplicar para evitar o golo do Estoril num par de ocasiões.

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Os jogadores a quem foram concedidas oportunidades na generalidade aproveitaram-nas. O Tiago Gouveia é um dos destaques óbvios, com um golo e uma assistência, e capacidade para pegar na bola e ir para cima da defesa, oferecendo largura e profundidade ao nosso jogo. O Tomás Araújo voltou a mostrar ser uma opção muito válida para o centro da defesa. É capaz de ser o nosso central com melhor saída de bola. O Kökçu, sem surpresa, revelou-se um jogador muito mais útil a jogar na sua posição, e num esquema de três médios. Bom jogo também do Aursnes, do Marcos Leonardo - que não esteve muito em jogo mas que revelou bom sentido de oportunidade, aparecendo quase sempre para criar perigo - e do Florentino.

 

Não foi uma exibição que nos enchesse o olho ou afastasse completamente as muitas dúvidas que nos assolam, mas fiquei satisfeito. Gostei da rotação feita, e que a equipa escolhida tivesse mostrado capacidade mais do que suficiente para dar conta do recado. O que é mais uma prova que não precisamos de estar constantemente agarrados aos mesmos jogadores, sobretudo quando estes aparentam contribuir para alguns dos problemas que nos afectam. Esperemos agora que consigamos ir a Glasgow resolver a eliminatória, conforme é nossa obrigação.

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Sexta-feira, 8 de Março de 2024

Reflexo

Um resultado que não espelha aquilo que se passou dentro do campo, mas que acaba por ser o reflexo da nossa ineficiência na defesa e ineficácia no ataque.

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Houve alterações no onze, que surpreendentemente não teve o João Mário e teve apenas uma adaptação: o Aursnes na lateral esquerda. Uma raridade esta época. O Florentino regressou ao meio campo, o Neres e o Cabral ao ataque. Achei que tivemos uma das melhores entradas em jogo dos últimos tempos, mas literalmente na primeira vez que o Rangers foi à frente, marcou, o que acabou por marcar muito o jogo. Nem foi muito diferente daquilo que seria um jogo habitual da nossa liga entre o Benfica e uma equipa pequena. O Rangers tentou quebrar o ritmo de jogo e encostou-se atrás, fazendo uma linha de cinco com outra de quatro muito junta, deixando apenas um homem na frente. O Benfica foi o habitual: muita bola, muito passe de um lado para o outro, e uma cerimónia exasperante na hora de finalizar aliada a alguma dose de infelicidade, foram mantendo o resultado até perto do intervalo. Até que mesmo a fechar, beneficiámos de um penálti, que permitiu ao Di María anular alguma da injustiça no resultado e empatar o jogo. Só que conseguimos no período de compensação que se seguiu voltar a defender como uma equipa amadora, e com muita passividade permitir novo golo do Rangers. Creio que a bola cruzada a partir da nossa direita, rasteira, terá passado por uns cinco jogadores nossos sem que ninguém a tenha atacado, permitindo a entrada de um adversário à vontade na zona do segundo poste. Pareceu-me que havia um jogador na zona do primeiro poste em posição irregular que até tenta jogar a bola, mas o árbitro não se chamava Veríssimo e nós (felizmente) não jogamos no Lumiar e portanto o golo foi mesmo validado. A segunda parte foi de ainda mais domínio territorial por parte do Benfica, e de ainda mais exaspero pela má decisão e finalização no ataque. Conseguimos o empate num autogolo, após livre do Di María, mas é extremamente enervante ver a falta de confiança para arriscar a finalização, havendo sempre mais um toque ou um passe que acabam por fazer a jogada perder-se. As alterações feitas (apenas três) não mudaram quase nada: a troca do Cabral pelo Marcos Leonardo revelou-se inconsequente, e nos minutos finais refrescámos a ala esquerda com as entradas do Carreras e do Tiago Gouveia, mas continuámos quase sempre a insistir muito pelo outro lado. Rematámos muito, mas rematámos mal, quase sempre para fora da baliza. E tivemos diversas situações em que os nossos jogadores surgiram em boa posição na área - em que conseguimos ganhar a linha e fazer o passe atrasado para a entrada de um jogador vindo de trás, e incrivelmente não conseguimos concretizar nenhuma dessas situações, ou por má finalização, ou porque os jogadores não tiveram confiança para tentar finalizar de primeira e deram sempre um toque a mais. Por comparação, o Rangers teve apenas uma situação dessas e marcou.

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Já começa a ser um pouco repetitivo destacar o João Neves no final dos nossos jogos, mas o que é que posso fazer? Até acho que ele próprio teve alguns exageros, arriscando demasiado em iniciativas individuais, mas percebo que a frustração em certos momentos o leve a essa opção. O Di María está ligado aos dois golos, mas perdi a conta às perdas de bola que teve (julgo que deve ter batido um recorde qualquer), fruto de péssimas decisões. Também me levou quase ao desespero com a quantidade de pontapés de canto mal marcados, sobretudo quando teima em tentar marcá-los directos. Gostei sinceramente da dinâmica do nosso meio campo com o Florentino e o João Neves (sei que sou sempre suspeito quando escrevo isto), para mim bem melhor do que qualquer coisa que eu tenha visto recentemente com o Kökçu ou o João Mário a fazer dupla com o indispensável João Neves. O Aursnes para mim começa a acumular bastante cansaço e se calhar alguma saturação das constantes mudanças de posição, e hoje gostei muito pouco do que lhe vi na lateral esquerda.

 

Em termos de entrega tenho pouco a apontar à equipa hoje. Acho que o resultado é injusto, mas é normal que se pague caro pelos erros crassos cometidos. Dizer que estivemos melhor do que nos últimos jogos é pouco útil, porque o mais difícil seria continuar no registo anterior. Acredito que temos valor para ir a Glasgow ganhar esta eliminatória, mas é preciso recuperar animicamente esta equipa. A falta de confiança é visível e os jogadores parecem duvidar muito de si próprios. Gostava era que pelo menos o facto de não termos conseguido vencer este jogo não significasse termos que levar com nova revolução no onze já no domingo (e estou a pensar em particular na manutenção do Florentino a titular) e que tentássemos estabilizar minimamente a equipa titular.

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publicado por D'Arcy às 02:41
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