VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 13 de Maio de 2018

Cinzenta

Uma exibição cinzenta para fechar uma época que não nos deixa boas memórias. Foi um jogo aborrecido e com pouco interesse, perante a pior assistência da época (um pouco menos de 42.000 espectadores) e que teve como prémio de consolação a conquista do direito a disputar a pré-eliminatória da Champions, graças ao espalhanço do nosso adversário directo na Madeira.

 

 

Mesmo estando o segundo lugar em disputa não tinha propriamente as expectativas muito altas para este jogo. Mas esperava que pelo menos o Benfica mostrasse algum empenho em fazer a sua parte, ou seja ganhar o jogo e, se possível, mostrar algum futebol na despedida da época. O onze apresentado foi o mais previsível, face aos jogadores que estavam indisponíveis. O Douglas manteve a titularidade, o Luisão foi titular no lugar do Jardel, e o Salvio no lugar do Rafa. Na frente, regresso do Jonas, a acusar claramente a falta de ritmo. O futebol que apresentámos foi, conforme disse, cinzento. Uma equipa desgarrada, com alguns jogadores a tentarem impor velocidade e outros quase alheados do jogo, pouco entrosamento, e o resultado foi um jogo quase sem interesse nenhum. A primeira parte foi jogada quase por inteiro dentro do meio-campo do Moreirense, mas ou eu adormeci, ou então só criámos mesmo uma ocasião de algum perigo - um desvio de um cruzamento vindo da esquerda por parte do Jonas que fez a bola passar muito perto do primeiro poste (ele ficou a reclamar canto, mas no estádio não percebi se o guarda-redes ainda tocou na bola). De resto houve umas correrias individuais, muita gente parada a ver enquanto um colega conduzia a bola, muito mais daquelas tabelas inúteis ou toques a mais à entrada da área quando o que se pedia era que se rematasse, e praticamente todos os lances de bola parada, fossem cantos ou livres, marcados de forma perfeitamente disparatada e a não causarem uma única ocasião de maior perigo. O somatório disto tudo era um nulo no marcador que não interessava para nada a arrastar-se até ao intervalo.

 

 

Na segunda parte (que se iniciou depois de um intervalo estupidamente comprido, à espera que recomeçassem os outros jogos) pelo menos a parte do resultado depressa se compôs. Penálti assinalado por corte com a mão de um cruzamento do Grimaldo, e o Jonas converteu-o de forma exemplar. Já a parte do futebol jogado, acho que ainda conseguiu piorar. Com a conjugação do nosso resultado com o da Madeira a garantir a conquista do segundo lugar, acho que ficámos satisfeitos e ainda passámos a jogar menos. Nesta altura, com os resultados que se verificavam, o Moreirense nem sequer precisava de pontuar para evitar a descida, mas de qualquer maneira resolveu abdicar da postura defensiva e avançar um pouco no terreno. E conseguiu mesmo passar a ter mais bola e jogar mais no nosso meio campo, mas valeu-nos que também não mostrou ter capacidade para fazer grande coisa em termos ofensivos. O Varela foi pouco mais do que um espectador e não me lembro de nenhuma defesa mais apertada que tenha tido que fazer. O Benfica trocou o Pizzi - que pareceu-me que já tinha entrado de férias ainda antes do apito inicial - pelo Samaris para acabar com as excessivas liberdades que os jogadores do Moreirense tinham na zona central, e teve algum sucesso nisso. Mas o jogo estava praticamente fechado, e os motivos de interesse eram quase nulos. Não vi as estatísticas do jogo, mas não devo andar muito longe da realidade se disser que este terá sido o jogo em que o Benfica menos remates fez em todo o campeonato. Restava apenas ficar à espera para saber se na Madeira apareceria mais alguma ajuda miraculosa para os subsidiados do Lumiar, mas desta vez isso não aconteceu. Aconteceu sim que o frango a que o Patrício foi poupado pelo Xistra no último jogo ficou guardado para esta jornada, e como resultado terminámos num pouco consolador segundo lugar.

 

 

Foi um jogo mesmo desinteressante da parte da nossa equipa, e naturalmente que não houve grandes exibições. Conforme disse, ainda houve alguns jogadores que tentaram imprimir alguma velocidade ao jogo, sendo nisso mal acompanhados pela maioria dos colegas. Acho que jogadores como o Grimaldo e o Zivkovic foram dos mais empenhados nesse aspecto. Até achei que mesmo o Douglas mostrou uma boa atitude, apesar das limitações que tem. E o Fejsa simplesmente não sabe jogar mal.

 

O segundo lugar serve de pouco consolo para a perda do campeonato. Quando muito significa apenas que a estratégia planeada pelos nossos inimigos, da qual obviamente fazia parte retirar-nos a possibilidade de acedermos às receitas da Champions, não resultou na perfeição. A autêntica fraude que é a equipa do Sporting - que se não fossem os absurdos empurrões arbitrais que recebeu ao longo de toda a época, incluindo em todos os jogos contra adversários directos como nós e o Braga, estaria neste momento confortavelmente instalada no quarto lugar - foi artificialmente mantida perto do topo da tabela até aos minutos finais do campeonato mas acabou por falhar no principal objectivo da época, que era ficar à frente do Benfica. Neste momento não consigo evitar um sorriso de escárnio quando recordo a forma como eles a semana passada celebraram mais um empate miraculoso contra nós, a imitar os islandeses, como se tivessem ganho alguma coisa. Quanto a nós, este segundo lugar obriga-nos a encarar de forma muito séria o início da próxima época. Vai ser demasiado dinheiro que estará em jogo logo nos primeiros jogos para que nos possamos dar ao luxo de cometer erros como aqueles que foram cometidos esta época, e iniciar a competição sem termos um plantel e as posições no onze titular minimamente definidas.

tags:
publicado por D`Arcy às 23:39
link do post | comentar | ver comentários (22)
Domingo, 6 de Maio de 2018

Frustrante

Já regressei do estádio há algumas horas, e ainda me custa aceitar que não tenhamos ganho este jogo. Tal como na primeira volta, fomos claramente superiores e acabamos com um empate muito frustrante como resultado. Pouco tenho a apontar à nossa equipa a não ser eventualmente a finalização, que foi um dos principais motivos para não termos ganho.

 

 

O onze para este jogo era um pouco uma incógnita devido aos vários jogadores que estavam em dúvida, embora na minha opinião aquele que mais poderia alterar a escolha da equipa seria o André Almeida, porque com a presença do Douglas no onze achei que o nosso treinador iria alterar mais peças. Foi isso que aconteceu mesmo, embora tivesse ficado surpreendido com a titularidade do Samaris, que assim 'empurrou' o Pizzi para a direita e o Rafa deslocou-se para a esquerda, ficando o Cervi no banco. Um pouco mais de músculo no meio campo, que se revelou adequado para equilibrar as forças com os dois médios mais defensivos que o Sporting também apresentou. Se o facto de jogarmos com Douglas e Samaris a titulares e ainda termos o Jonas de fora poderia causar alguma apreensão, esta depressa se dissipou. É que durante a primeira parte não nos limitámos a ser a melhor equipa em campo; fomos mesmo muito melhores. Com o Bruno Fernandes completamente engolido pelo Fejsa e os nossos dois centrais a fazerem um excelente trabalho quer na marcação ao Bas Dost, quer a cobrir a profundidade, o Sporting foi uma equipa muito manietada e que apenas esperava que o Gelson conseguisse resolver alguma coisa num rasgo individual. Do nosso lado o Zivkovic, Jiménez, Pizzi e Rafa (sobretudo este) mostravam uma enorme mobilidade e baralhavam as marcações adversárias, sempre com um bom apoio ofensivo por parte dos laterais. E logo nos instantes iniciais criámos uma grande oportunidade, com o Rafa a fugir pela esquerda (era ali que estava o ponto mais fraco do nosso adversário) e a atirar ao poste - e apesar de não ter visto ainda nenhuma repetição, ninguém me convence que o Patrício não cometeu penálti sobre o Rafa, porque não tocou na bola e derrubou o nosso jogador. Foi o mote para a primeira parte. O Sporting não conseguia quase ligar uma jogada de ataque - o Varela não fez uma defesa digna desse nome em todo o jogo - e o Benfica ia, por vezes até com alguma facilidade, criando ocasiões de perigo, desperdiçando-as ou por falta de pontaria, ou por excesso dela (o Rafa voltou a acertar no poste), ou mérito do Patrício (boas defesas a remates do Pizzi e do Samaris, isolado) ou por demorarmos um bocadinho mais e aparecer um pé no limite a conseguir o desvio. Algumas destas situações surgiam até como resultado de vários maus passes dos nossos adversários, que pareciam acusar alguma intranquilidade quando tentavam sair a jogar. Perto do intervalo, um lance a que já nos vamos habituando a ver em jogos contra a equipa que mais pontos pode agradecer a erros de arbitragem esta época: canto para o Benfica, o Jardel mesmo com o William a puxar-lhe a camisola consegue cabecear, a bola vai encontrar o braço do William e... falta assinalada ao Jardel. Brilhante. A melhor ocasião de golo do Sporting surgiu já no período de descontos depois de uma boa acção individual do Bas Dost, mas quando este estava em boa posição para tentar o remate optou pelo passe para o Gelson e o lance perdeu-se.

 

 

O nulo ao intervalo era extremamente injusto, e temia que tivéssemos desperdiçado uma grande ocasião para ter este jogo resolvido, já que certamente o Sporting corrigiria alguma coisa e não permitiria uma segunda parte igual à primeira. Foi basicamente isso que aconteceu. O Sporting conseguiu pelo menos estancar o perigo que o Benfica tinha criado na primeira parte e conseguiu aparecer mais vezes no ataque, conseguindo até conquistar alguns cantos para gáudio dos seus adeptos - num deles até pareceu que quase marcaram, mas o cabeceamento saiu uns três metros por cima. Durante pelo menos dois terços da segunda parte houve um equilíbrio de forças, com as defesas a superiorizar-se claramente aos ataques, e por vezes parecia que quase se jogava num curto espaço de 30-40 metros na zona do meio campo. O empate não nos interessava e foi lançado o Salvio para o lugar do Pizzi, mas foi apenas na fase final do jogo, quando entrou o Jonas para o lugar do Zivkovic e passámos a jogar com dois avançados, que voltámos a ganhar um ascendente mais claro. Não que o Jonas tenha tido tempo para fazer muito, ou tenha deslumbrado, mas a sua presença em campo e movimentações ajudaram a renovar o nosso jogo ofensivo. Já o Sporting continuava a depender quase exclusivamente de acções individuais do Gelson para sair para o ataque e ia parecendo cada vez mais satisfeito com o empate a zero, que era um resultado que lhe servia. Mas apesar de mais acutilante, o Benfica já não conseguia criar tantas ocasiões como na primeira parte, destacando-se sobretudo uma jogada em que o Jiménez chega um pouquinho atrasado a um cruzamento da direita. Entretanto o Bruno Fernandes (um jogador que eu admiro, mas que não fez absolutamente nada neste jogo, muito por culpa do Fejsa e também do Samaris) provavelmente já frustrado resolveu agredir a pontapé o Cervi. Deu amarelo. Já em período de descontos, e para fechar com chave de ouro, o Patrício tem um erro grosseiríssimo ao largar uma bola após um lançamento longo para a área, e o solícito Xistra poupou-o ao embaraço ao assinalar uma suposta falta completamente inexistente, ainda por cima fora da pequena área. Compreende-se, não queremos traumatizar o guarda-redes que vai defender as balizas da equipa da FPF no Mundial que se aproxima. A forma eufórica como público e equipa da casa celebraram o nulo é um bom indicador do alívio com que o apito final foi por eles recebido. Não mereciam sequer um empate.

 

 

Acho que no cômputo geral todos os nossos jogadores estiveram num bom nível, tendo até ficado surpreendido com alguns deles, casos do Douglas ou do Samaris. Nada de extraordinário, mas fizeram um bom jogo para jogadores que têm jogado muito pouco esta época. Muito bem para mim esteve a nossa dupla de centrais, acompanhada pelo Fejsa. O Rafa esteve também muito bem durante a primeira parte, e poderia facilmente ter resolvido o jogo por si só. Acho que nosso treinador também esteve bem quer na forma como montou a equipa, quer nas substituições. Talvez a entrada do Cervi tenha pecado por um pouco tardia porque o Rafa parecia já ter perdido gás há algum tempo, mas ele foi o nosso jogador mais perigoso durante uma boa parte do jogo e por isso aceita-se que o tenha querido manter em campo mais algum tempo.

 

O segundo lugar agora fugiu-nos e deixou de depender de nós. Digo desde já que para mim já está mesmo perdido, porque não espero nenhuma ajuda na Madeira: a forma descarada como esta equipa (nem uma vitória ou sequer um futebol decente nos jogos contra os outros três dos quatro primeiros classificados) tem sido ajudada esta época significa que, se for necessário, alguma coisa acontecerá para os manter no segundo lugar. Nem que seja um pé de vento a derrubar o Bas Dost. Fica a frustração de, em dois jogos contra eles esta época os termos feito parecer uma equipa muito mediana e apesar disso não termos conseguido ganhar nenhum deles. Vitórias morais é coisa que não serve para nada. Em ambos o Rui Vitória ganhou claramente o duelo táctico ao auto-intitulado 'Mestre da Táctica', que nas declarações após o jogo voltou a mostrar o homem pequenino e mesquinho que é, incapaz de reconhecer mérito num adversário. Ou anda a aspirar do mesmo que o presidente dele, ou então durante os noventa minutos esteve noutro planeta a ver um jogo completamente daquele que ocorreu.

tags:
publicado por D`Arcy às 03:46
link do post | comentar | ver comentários (24)
Domingo, 29 de Abril de 2018

Lamentável

Um resultado lamentável, consequência de uma exibição no mesmo registo. Não há muito que eu possa escrever para explicar ou justificar o que se passou. Perder contra o Tondela na Luz e sofrendo três golos é um resultado que fala por si, de tão mau que é.

 

 

É fácil falar depois, mas a verdade é que quando ouvi a constituição da equipa, ainda fora do estádio, fiquei logo um pouco apreensivo. As nossas exibições desde que ficámos privados do contributo do Jonas têm sido aquilo que se viu, mas quando soube que iríamos jogar sem aquele que eu considero o outro fulcro da equipa (Fejsa) pensei no pior. O Jonas decide, o Fejsa equilibra. Não sei se foi uma questão de precaução pelos amarelos (duvido, porque o Rui Vitória não costuma fazer isso) ou se não estavam em condições de alinhar, mas saber que o Jardel e o Fejsa ficavam de fora diminuiu bastante a minha confiança para este jogo. Até porque o Luisão tem infelizmente a má tradição de regressar sempre bastante mal de uma longa ausência - e isso voltou a verificar-se hoje. Os minutos iniciais como que confirmaram as minhas baixas expectativas, já que com mais de dez minutos passados não tínhamos feito um remate ou sequer criado um lance de perigo. Mas as coisas até pareceram poder endireitar-se, já que no primeiro remate que fizemos, aos doze minutos, marcámos. Foi o Pizzi, após passe atrasado do Rafa. E nos minutos que se seguiram estivemos claramente por cima na partida, tendo o Cervi desperdiçado uma boa ocasião para ampliar a vantagem. Só que se a equipa já não me inspirava muita confiança na defesa, pior foi quando o André Almeida pediu para sair e deu o seu lugar ao Douglas. Imediatamente a seguir, à meia hora de jogo, o Tondela empatou. Tudo começou num mau passe do Cervi na saída para o ataque, que colocou a bola nos pés de um adversário, e depois a bola foi rapidamente colocada na zona central da nossa defesa, onde o Luisão ficou nas covas e o jogador do Tondela aproveitou a cratera existente entre ele e o Douglas para marcar à vontade. Nove minutos depois, a reviravolta completa no resultado. Começa numa displicência do Varela, que demora a aliviar a bola e depois já apertado cede um lançamento perto da nossa área, e no seguimento do mesmo o Luisão perde o duelo aéreo e a bola sobra para a zona do segundo poste, onde mais uma vez está um jogador adversário completamente solto dentro da área (e estava lá mais outro) para marcar. Para quem gosta de bater no André Almeida, reveja este lance - porque eu tenho quase a certeza de que ele não iria marcar o Luisão e deixar dois adversários soltos na sua zona.

 

Fomos para o intervalo a perder e sinceramente, a forma como a nossa equipa reagiu ao segundo golo já me fazia prever o pior. É que naqueles minutos até ao intervalo jogámos como se faltassem dois minutos para acabar o jogo, a querer fazer tudo muito depressa e atabalhoadamente.  Para a segunda parte veio o Salvio no lugar do Cervi, e continuámos a jogar da mesma forma. Mas ainda assim foi o suficiente para criar ocasiões para chegar bem cedo ao empate (é inacreditável o lance em que o Salvio remata para a bancada um centro do Douglas, quando estava sozinho em frente à baliza). Ao fim de alguns minutos deu-se a previsível entrada do Seferovic. O que já não era nada previsível foi a escolha do jogador que saiu - Zivkovic. Eu sei que estou a falar como treinador de bancada, mas dado o facto que era a nossa última substituição, e que o Tondela tinha praticamente abdicado do ataque e se dedicava a acumular gente dentro da área e na zona central, eu teria tirado mesmo o Luisão - ficaria o Samaris como central de emergência. Ou na pior das hipóteses sairia o Samaris mesmo, se eventualmente a esperança fosse que o Luisão pudesse resolver numa bola parada - pouco provável, já que nem nisso o nosso capitão mostrou inspiração. Portanto, tirámos um dos jogadores mais criativos da equipa para reforçar a presença no ataque. Só que não. Nós conseguimos ver os nossos dois avançados mais tempo junto às linhas laterais do que dentro da área - o Seferovic acrescentou exactamente zero ao nosso jogo, o que aliás é o que ele tem feito em todos os últimos jogos em que tem entrado. De qualquer maneira as perspectivas já eram muito más mesmo. Para além de facilitarmos a vida ao Tondela, insistindo frequentemente em tentar entrar pela sobrepovoada zona central com tabelas inúteis, o Tondela nesta fase já se dedicava afincadamente ao antijogo puro, com os jogadores a cair como moscas e a simular lesões, enquanto que a nossa equipa estava em campo sem qualquer rumo. E quando conseguíamos mesmo criar alguma ocasião, estávamos num daqueles jogos em que não havia maneira da bola entrar. Para acabar de vez com quaisquer ilusões, a dez minutos do final do jogo e em mais um lance com participação do Luisão, que perde o lance e se deixa ultrapassar infantilmente pelo adversário dentro da área, o Tondela fez o terceiro golo, conseguindo assim marcar três golos em quatro ocasiões criadas (a outra só não deu golo porque o Varela fez uma boa defesa). O Salvio ainda conseguiu atenuar o resultado já no período de descontos, mas a derrota estava selada.

 

Não há obviamente destaques, nem vou escolher bodes expiatórios. Quando perdemos em casa contra o Tondela é porque toda a gente, mas toda mesmo, esteve muito abaixo daquilo que é exigível. A exibição da nossa equipa hoje literalmente não teve ponta por onde pegar.

 

É uma forma muito triste de nos despedirmos quase de forma definitiva do título de campeão nacional. E pior ainda, agora é o segundo lugar que está em sério risco. Com a perda do Jonas, parece que perdemos também completamente o rumo. Não voltámos a fazer uma exibição consistente, e de forma inacreditável deitámos fora o objectivo do penta com duas derrotas consecutivas em casa depois de, se a memória não me falha, uns dois anos sem perder na Luz. Foi tudo muito mau, e quem gere o nosso futebol terá que analisar isto e retirar as devidas conclusões.

tags:
publicado por D`Arcy às 10:42
link do post | comentar | ver comentários (65)
Domingo, 22 de Abril de 2018

Desnecessário

Foi um sofrimento atroz e absolutamente desnecessário. Uma vitória arrancada a ferros, já em período de descontos, num jogo que podia (e devia) ter acabado numa goleada. Mas níveis de eficácia na finalização absolutamente inacreditáveis e inaceitáveis acabaram por deixar o resultado na incerteza até ao final e poderiam ter resultado na perda de pontos.

 

 

A lesão do Jonas no aquecimento em Setúbal continua a revelar-se uma coisa complicada de debelar, e mais uma vez não pudemos contar com o melhor marcador do campeonato e jogador mais decisivo da nossa equipa. E tendo em conta a abrupta queda de rendimento que se verificou na nossa equipa desde que isto aconteceu, estava preparado para mais do mesmo no Estoril. De forma até algo surpreendente para mim, não foi isso que vi. O Benfica entrou bem no jogo e dominou por completo a primeira parte. Boa capacidade de pressão e recuperação da bola em zonas adiantadas, jogo quase constantemente disputado no meio campo adversário, e o Estoril sempre muito bem controlado e incapaz de causar grandes calafrios à nossa defesa. Em cima disto, um golo logo na fase inicial (dez minutos) a ajudar a criar um cenário ideal, em que não se previam dificuldades de maior para o Benfica vencer este jogo. Foi um passe do Zivkovic a permitir ao Rafa explorar o espaço entre o lateral e o central, para depois entrar na área a finalizar bem com um remate cruzado. O Estoril é uma equipa que apesar da péssima posição na tabela é bastante aguerrida, sobretudo quando joga em casa, e essa postura já nos tinha criado bastantes dificuldades no jogo da primeira volta na Luz. Por isso o facto de os termos tão controlados durante a primeira parte apenas abona a favor da qualidade da nossa exibição. Infelizmente também foi logo na primeira parte que se começou a ver a principal pecha na nossa exibição: a má finalização/decisão junto à baliza adversária. À medida que o tempo passava, víamos o Benfica a desperdiçar ocasiões e jogadas para se colocar numa situação muito mais tranquila no encontro, e já se sabe que quando isto acontece e o resultado se mantém teimosamente equilibrado à medida que o tempo avança a probabilidade de termos chatices vai aumentando exponencialmente. O magro resultado que se verificava ao intervalo era portanto lisonjeiro para o Estoril e penalizador para o Benfica, que no entanto só se podia queixar de si mesmo e da sua incapacidade para transformar o domínio em golos.

 

 

Cedo se viu que a segunda parte seria bastante diferente da primeira. Sem nada a perder, o Estoril lançou-se para cima do Benfica e deixou logo um sério aviso nos minutos iniciais, quando chegou a um golo que só pela intervenção do VAR foi invalidado. Claro que o balanceamento ofensivo do Estoril também deixava mais espaço para o Benfica explorar, mas se houve uma coisa que se manteve constante da primeira para a segunda parte foi a péssima finalização da nossa parte. Continuámos a desperdiçar ocasiões flagrante para dar um golpe decisivo no jogo e a teimar em deixar-nos ao alcance de algum golpe de infortúnio, o que até se ia tornando mais provável tendo em conta que, ao contrário da primeira parte, o Estoril agora conseguia aparecer mais frequentemente em terrenos junto da nossa baliza. E pouco depois da hora de jogo o pior dos cenários concretizou-se, com o Estoril a alcançar o golo do empate na sequência de uma bola parada. Depois da marcação de um livre lateral, o Halliche antecipou-se a um quase estático André Almeida na zona do segundo poste e finalizou sem hipóteses para o Varela. E logo a seguir a coisa só não ficou ainda pior porque a sorte protegeu-nos, e um remate cruzado que desviou no Rúben acabou por bater no poste. Da nossa parte, a finalização desastrosa continuava a dar cartas e vimos o Rafa falhar duas ocasiões escandalosas, uma delas completamente isolado e a outra numa recarga a um primeiro remate de Jiménez que o guarda-redes defendeu por instinto. O Estoril, depois de obtido o empate, mudou de atitude a passou a focar-se quase exclusivamente em explorar o contra-ataque, com os seus jogadores a cederem à tentação do antijogo e a começarem a ficar lesionados com muito mais facilidade. O Benfica trocou o apagado Cervi pelo Salvio e posteriormente o Pizzi pelo Seferovic. Embora seja uma substituição que se compreende pelo resultado, esta última não resultou e achei o período menos inspirado do Benfica no jogo foi precisamente depois de colocar o segundo avançado em campo, já que deixámos de ser tão perigosos no ataque e o nosso futebol perdeu o rumo. Foi apenas no período de compensações e em fase de desespero, quando o Jardel já actuava como avançado, que o Grimaldo fez o cruzamento para o Salvio aparecer na zona central e à ponta-de-lança antecipar-se de cabeça ao central adversário, enviando a bola cruzada para o poste mais distante e garantindo os três pontos.

 

 

Para mim o melhor jogador do Benfica no jogo foi o Zivkovic. Jogou, fez jogar, transportou, distribuiu, assistiu e recuperou. Correu do primeiro ao último minuto e encheu o campo. Poderia ter sido acompanhado pelo Rafa, mas mais uma vez muito daquilo que ele fez de bom fica indelevelmente manchado pela finalização. Começou bem ao marcar o primeiro golo mas depois desperdiçou três ocasiões de golo feito, duas delas completamente isolado em frente ao guarda-redes. Tivesse ele melhor capacidade de finalização e já há muito que não estaria no Benfica, por troca com uns contentores de euros. Também gostei do jogo que fez o Jiménez, embora tal como o Rafa tenha pecado na finalização, já que apesar de talvez não terem sido tão flagrantes teve ocasiões suficientes para ter saído da Amoreira com um ou mais golos marcados. Por último o Fejsa, que como sempre não sabe jogar mal.

 

Conseguimos evitar aquilo que com toda a probabilidade seria o KO na luta pelo título. A probabilidade de o conquistarmos continua a ser diminuta depois do enorme erro cometido na recepção ao Porto, mas temos a obrigação de continuar a lutar até ao último segundo por todos os pontos em disputa. Infelizmente agora a bola já não está do nosso lado, e o máximo que podemos fazer é cumprir a nossa obrigação e esperar por um deslize dos nossos adversários.

 

P.S.- Mais uma arbitragem ordinária de um dos árbitros mais perigosos que há para o Benfica - o lagartão Hugo Miguel. Ele nem sequer disfarça, e de cada vez que é nomeado para um jogo nosso eu espero o pior. Inacreditável a tolerância para a pancadaria a que os nossos jogadores foram sujeitos, sobretudo na primeira parte. O Ailton nem sequer meia parte deveria ter ficado em campo, quanto mais ter feito os noventa minutos, e no entanto foi-lhe permitido quase tudo, o que incluiu uma agressão à cotovelada ao Jiménez dentro da área (seria penálti) que o deixou a sangrar da cara - antes já o tinha varrido por trás num lance para amarelo alaranjado. A única coisa positiva disto é que não será possível ter esta criatura a arbitrar mais uma vez o nosso jogo contra o seu clube do coração, mas suspeito que acabará por ser o seu colega na paixão clubística e parceiro no crime no jogo da primeira volta (Tiago Martins) a arbitrar esse jogo.

tags:
publicado por D`Arcy às 15:49
link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 15 de Abril de 2018

Desilusão

Uma enorme desilusão. É a única forma que encontro para descrever o jogo de hoje. E a desilusão nem é tanto pelo resultado; o que me deixou realmente desiludido foram a exibição e atitude da nossa equipa, em especial na segunda parte, numa ocasião única e muito difícil de repetir na história do nosso clube.

 

 

O anúncio da ausência do Jonas já não deixava bons augúrios, e só desejei que pelo menos não repetíssemos a má exibição do outro jogo em que não pudemos contar com ele - a semana passada, em Setúbal. A primeira parte nem foi má de todo, já que o Benfica foi a equipa mais dominante, ainda que apenas tenhamos conseguido criar um par de ocasiões, num remate do Cervi e numa ocasião flagrantíssima desperdiçada pelo Pizzi já perto do intervalo (a que o Porto respondeu de imediato com uma do Marega). Mas quando esperava que o Benfica viesse para a segunda parte ainda mais incisivo em busca de uma vitória que nos colocaria numa posição privilegiada para obtermos um feito ímpar na história do nosso clube, aquilo que vi foi uma equipa na qual o receio de perder parecia que claramente se sobrepunha ao desejo de ganhar. Então a partir da hora de jogo a exibição foi deplorável. Fomos uma equipa sem garra, sem crença, que via os adversários a ganhar quase todas as bolas divididas, quase todas as segundas bolas porque os nossos jogadores ou se encolhiam, ou desistiam dos lances. Quando perdiam a bola na frente, a maior parte deles deixava-se lá ficar ou recuava a passo. O Porto ficou com diversas bolas em que dois jogadores nossos que podiam ficar com ela encolhiam-se ambos à espera que fosse o outro à bola. Perante uma equipa que basicamente tem dois planos de jogo, o plano A que é mandar bolas compridas para os avançados, e o plano B que é passar a bola ao Brahimi, não soubemos apresentar qualquer tipo de soluções e ficámos simplesmente a ver o tempo passar, à espera do apito final. O Porto foi ganhando confiança e crença e foi recompensado mesmo sobre o apito final com um golo obtido num remate do Herrera em posição frontal de fora da área. Num lance de insistência em que a multidão de jogadores nossos que andavam por ali foram demasiado moles para meter o pé ou afastar a bola. De uma forma simples, ganhou a equipa que mais quis ganhar.

 

Acho que a grande excepção na nossa equipa foi o Fejsa. Esse meteu sempre o pé, o corpo, a cabeça e o que mais podia, mas não pode estar em todo o lado. O Varela não teve qualquer culpa (ou hipóteses) no golo e fez um dos jogos mais seguros que o vi fazer no Benfica. O Pizzi foi basicamente um empecilho. Desperdiçou a oportunidade mais flagrante do Benfica em todo o jogo, teve uma atitude péssima durante a maior parte do tempo (foi um daqueles que referi que se deixava constantemente ficar na frente de cada vez que perdia uma bola) e ainda passou uma data de tempo a refilar com os colegas, não sem bem porquê.

 

Já escrevi várias vezes que consigo aceitar de forma mais ou menos pacífica dias maus ou menos inspirados. O que nunca consigo aceitar bem são falhas na atitude. O Benfica tinha hoje, em sua casa, perante um estádio repleto de adeptos fiéis, uma ocasião única na sua história para se colocar na melhor posição possível para uma conquista inédita na vida do nosso clube. Era difícil pedir condições mais propícias. E a resposta foi uma equipa sem chama, sem crença, longe daquilo que uma ocasião destas pedia. O (previsível) resultado foi deixarmos de ser senhores do nosso destino e entregarmos esse privilégio ao principal adversário. O campeonato ainda não acabou e nada está definitivamente decidido, mas isto foi um erro que tem uma enorme probabilidade de vir a ser irreparável.

tags:
publicado por D`Arcy às 23:35
link do post | comentar | ver comentários (55)
Domingo, 8 de Abril de 2018

Estrelinha

Se há jogos a que se pode aplicar a expressão gasta de 'estrelinha de campeão', está foi um deles. Não fizemos uma boa exibição, em especial na segunda parte, mas soubemos lutar e a vitória acabou por nos cair no colo mesmo a fechar o encontro, garantindo a manutenção da liderança isolada.

 

 

As coisas começaram a correr mal logo no aquecimento quando o Jonas, melhor jogador e marcador do nosso campeonato, se lesionou e ficou de fora da partida. Para o seu lugar avançou o Jiménez, que mesmo sendo uma espécie de décimo-segundo jogador, atravessa um dos melhores momentos da sua carreira no Benfica. E continuaram a correr mal quando o Setúbal se colocou em vantagem logo no dealbar do jogo: um cruzamento largo da direita para a esquerda da nossa defesa, onde surgiu o Costinha sem oposição para rematar cruzado e fazer o golo. A reacção do Benfica foi boa, e aos poucos fomo-nos acercando da baliza adversária em busca do golo do empate. Um remate perigoso do Cervi, depois uma grande defesa do guarda-redes a um cabeceamento do Jardel, nova oportunidade para o Cervi, até que aos vinte e oito minutos chegou mesmo o golo do empate, que nessa altura já se justificava. Foi um cruzamento largo do Rafa a partir da direita, que fez a bola atravessar toda a área até ao Jiménez surgir sozinho do outro lado, junto ao poste, para marcar. O Benfica estava nesta fase por cima do encontro e continuou a carregar até ao intervalo em busca do empate, mas a tarefa não era fácil. A exemplo do que fez o nosso adversário a semana passada, o Setúbal fechava-se atrás com duas linhas muito juntas a deixar muito pouco espaço para explorar, e nas ocasiões em que conseguia recuperar a bola tentava sair rápido para o ataque - numa ocasião chegou mesmo a introduzir a bola na nossa baliza, mas o lance foi bem invalidado por fora-de-jogo.

 

Para a segunda parte esperava uma pressão fortíssima do Benfica logo desde o apito inicial, de forma a obter um golo o quanto antes e evitar o nervosismo inerente a ver-se o tempo passar e um resultado que não nos interessava de todo a persistir. Não foi isso que aconteceu. Após uns minutos iniciais em que a equipa revelou vontade mas pouco acerto, não tenho problema nenhum em reconhecer que foi o Setúbal quem esteve melhor e justificou a obtenção do segundo golo - construiu aliás ocasiões para o fazer. A defender, o nosso adversário continuava quase irrepreensível, a conseguir bloquear quase completamente as faixas e a obrigar os nossos alas a vir para dentro e a afunilar o jogo. Durante largos minutos, aliás, parecia que a única forma que o Benfica encontrava para chegar ao ataque eram bolas longas, quase sempre condenadas ao insucesso. O facto de termos três dos jogadores mais importantes na recuperação da bola extremamente limitados por receio de um amarelo que os retiraria do próximo jogo (Fejsa e Jardel) ou até mesmo deste (Rúben Dias) limitava seriamente a nossa agressividade, o que fez com que por diversas vezes víssemos o Edinho a conseguir receber bolas no nosso meio campo defensivo sem qualquer tipo de pressão, pois os centrais nem sequer encostavam nele. Num curto espaço de tempo passámos por três calafrios que poderiam ter resultado em golo para o Setúbal, em especial num falhanço clamoroso do Edinho, que atirou por cima quando parecia mais fácil marcar. À medida que o jogo caminhava para o final o Benfica arriscou tudo, colocando o Seferovic e o Salvio em campo e colocando o Cervi como lateral esquerdo enquanto que o Setúbal apostava mais na defesa e fazia entrar jogadores mais defensivos. Mas o nosso jogo ofensivo continuava a ser quase sempre bloqueado e o recurso às bolas longas mantinha-se. Numa delas, a cinco minutos do final, os centrais adversários atrapalharam-se e o Salvio seguiu isolado para a baliza, rematando por cima. Já no período de descontos, noutra delas o alívio do defesa adversário ressaltou no Jiménez e sobrou para o Salvio, que foi derrubado em falta dentro da área. Nestas alturas é sempre reconfortante saber que se tem na equipa um jogador que nunca falhou um penálti na carreira, e o Jiménez fez questão de mostrar porquê. É que o guarda-redes do Setúbal adivinhou o lado e a bola só entrou porque foi colocadíssima para junto da base do poste. Um golo importantíssimo a dar-nos uma vitória quando se calhar já poucos a esperariam.

 

Homem do jogo, obviamente, Raúl Jiménez. Dois golos e a habitual atitude de lutar por todas as bolas, que acabou por resultar no lance do penálti. De resto nem consigo fazer outros destaques. Foi um jogo difícil e chato, e não deu para grandes brilhos individuais numa equipa que claramente se sentiu orfã do melhor jogador da Liga, aquele que acaba por servir de elo de ligação para quase todas as dinâmicas ofensivas.

 

Na minha opinião foi das exibições menos conseguidas do Benfica nos últimos meses, mas estamos numa fase em que o mais importante é conquistar os três pontos mesmo que para isso seja necessário jogar feio. Era fundamental ganhar hoje, era fundamental consolidar a liderança isolada e não dar uma nova alma aos nossos adversários. Era fundamental entrar em campo na próxima jornada para defender esta liderança e não para a conquistar a outros. E assim estamos um pequeno passo mais perto do inédito pentacampeonato.

tags:
publicado por D`Arcy às 02:26
link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

Paciência

Foi uma vitória da paciência. Perante uma equipa montada com um único objectivo em mente, que era tapar todos os caminhos possíveis para a sua baliza, só mesmo um jogo muito paciente da parte do Benfica é que permitiu ultrapassar a boa organização defensiva do Vitória e conquistar mais três pontos.

 

 

O onze titular não teve qualquer surpresa. A pausa para os inúteis jogos da inútil equipa da FPF teve a consequência positiva de permitir a recuperação completa do Rúben Dias (e ainda do Salvio, que começou no banco) e por isso jogámos com a equipa que tão boa conta tem dado de si nos últimos jogos. Ficou evidente ndesde o início que tínhamos uma tarefa complicada pela frente. O Peseiro é um treinador experiente, que evidentemente estudou bem a nossa equipa e montou a sua de forma a bloquear completamente o nosso jogo ofensivo, com duas linhas sempre muito juntas e organizadas, deixando o Raphinha sozinho na frente. Perante uma equipa que voluntariamente entregava a iniciativa de jogo e que se limitava a defender é sempre complicado conseguir jogar de forma positiva, por isso estou um pouco dividido sobre a quem atribuir a maior quota parte de culpa pela enfadonha primeira parte. Por um lado achei que o nosso futebol foi demasiado lento e previsível para conseguir ter ambições legítimas em ultrapassar a muralha defensiva do Vitória, mas por poutro lado compreendo que pode ser muito difícil encontrar soluções contra um adversário com esta postura. E claro que num jogo assim há sempre o risco acrescido de sofrer um golo numa das raras ocasiões em que o adversário consegue ir à frente, sobretudo nos lances de bola parada. Isso esteve perto de acontecer, quando na sequência de um canto o Vitória introduziu mesmo a bola na nossa baliza, mas felizmente o lance foi anulado por fora de jogo. Quando o nulo ao intervalo parecia ser o mais provável -  o mais ajustado, porque não me recordo de uma boa ocasião de golo para o Benfica na primeira parte, nem de uma defesa do guarda-redes do Vitória - apareceu um penálti providencial. O penálti é claríssimo por uma mão flagrante de um defesa do Vitória na sequência de um pontapé de canto, mas foi mesmo caído do céu. O Jonas não desperdiçou esta oportunidade soberana e assim saímos para intervalo em vantagem, e com uma boa parte do problema que o Vitória representava resolvido.

 

 

Seria expectável que a perder o Vitória arriscasse um pouco mais mas nada disso aconteceu, pois mantiveram a mesma postura defensiva. O que até tem alguma lógica. O Peseiro foi o último treinador a vencer na Luz, com o Porto, e na altura fê-lo exactamente desta forma. Jogou sempre à defesa, e apesar do Benfica ter marcado primeiro conseguiu dar a volta ao resultado graças à eficácia de marcar nas poucas oportunidades que construiu e um guarda-redes numa noite diabólica. Mas o Benfica veio um pouco mais agressivo e conseguiu logo nos primeiros minutos criar duas grandes ocasiões de golo, ambas na sequência de diagonais do Grimaldo para o centro a aproveitar dois bons passes de rotura para as costas da defesa. O domínio do Benfica foi ainda mais evidente durante toda a segunda parte, mas o nervosismo permanecia pelo facto de não conseguirmos obter o golo da tranquilidade. O Vitória não existia em termos atacantes, mas há sempre a possibilidade de algum lance fortuito ter consequências desastrosas. E isso até poderia ter acontecido, porque do nada um pontapé para as costas da nossa defesa deixou o Raphinha a correr isolado em direcção à nossa baliza. O auxiliar assinalou posição irregular mas o árbitro (bem) deixou o lance seguir, porque poderia depois verificar a regularidade ou não do mesmo pelo VAR. Felizmente o Varela conseguiu evitar que a bola entrasse na nossa baliza, porque o lance seria mesmo validado. Era necessário acabar com estes sustos e para isso recorremos ao 'descomplicador' do costume. A vinte e um minutos do final o Jiménez entrou para o lugar do Cervi (mais apagado do que tem sido habitual) e nove minutos depois fazia, de letra, o cruzamento junto da linha de fundo para o Jonas encostar de cabeça para o golo. O lance tinha começado numa recuperação de bola do Grimaldo quando o Vitória tentava sair para o ataque. Até final mais duas boas situações para o Benfica, uma para o Zivkovic depois de interceptar um mau passe da defesa adversária e outra para o Seferovic, que tinha entrado para os últimos minutos.

 

 

Num jogo em que não houve exibições individuais de encher o olho o Jonas acaba por ser o homem do jogo por ter marcado os dois golos que definiram o resultado. Mas a destacar alguém acabaria por escolher o Grimaldo, curiosamente por ter sido o jogador que mais deu nas vistas no ataque. Para além dos golos, a maior parte dos lances de perigo do Benfica saíram dos pés dele. De lamentar apenas os amarelos ao Jardel e ao Fejsa, tendo este último parecido claramente exagerado. Assim ficam ambos à beira de uma suspensão que os deixaria de fora do jogo com o Porto, o que pode sempre condicionar as escolhas para o nosso próximo jogo.

 

Mais um adversário que se empenhou afincadamente em conquistar um ponto - que neste caso de pouco lhe serviria, já que o Vitória está numa posição tranquila na tabela e praticamente não tem objectivos a conquistar. Foi difícil, mas ultrapassámos mais um obstáculo e somámos a oitava vitória seguida. Segue-se um jogo tradicionalmente complicado em Setúbal, mas se mantivermos esta atitude e a onda vermelha em movimento, conseguiremos receber o Porto na posição de dependermos de nós para ficarmos no primeiro lugar.

tags:
publicado por D`Arcy às 00:25
link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 18 de Março de 2018

Incontestável

Era a última saída do Benfica até ao Norte esta época e previa-se uma tarefa complicada. Mas se alguma complicação houve, foi exclusivamente da nossa responsabilidade. Porque o adversário ou o péssimo relvado nada puderam fazer para impedir um jogo de sentido único do primeiro ao último minuto, no qual o Benfica dominou todos os seus aspectos de forma incontestável.

 

 

O natural regresso do Pizzi ao onze foi a única alteração na equipa. E logo nos instantes iniciais deu para perceber que a intenção do Benfica era ir atrás da vitória e não esperar que esta lhe caísse no colo. Imediatamente vimos o Benfica instalar-se no meio campo adversário, e mesmo jogando num relvado cujo estado deixava muito a desejar - pesado, irregular, onde a bola prendia e não rolava, sendo que pelo menos podemos estar gratos pelo facto de não ter chovido durante o jogo - conseguimos fazer um jogo onde a toda a (pouca) largura do campo, com ambos os laterais muito subidos no terreno e a conseguir com bastante frequência explorar com sucesso as alas, com os nossos jogadores a ganharem por diversas vezes a linha de fundo e assim a poderem cruzar com relativo à vontade para a área. Já o destino e direcção desses cruzamentos é que nem sempre foi o melhor, porque encontravam quase sempre algum dos muitos adversários acantonados à frente da sua baliza. Mas mesmo assim a aparentemente permeabilidade da equipa do Feirense a defender deixava-me a impressão de que os golos seriam uma inevitabilidade neste jogo, e só mesmo muita inépcia na finalização da nossa parte é que poderia impedir isso de acontecer. Convenhamos no entanto que durante a primeira parte até tivemos exemplos de que essa inépcia estava presente, a começar pela primeira ocasião em que o Rafa se apanhou isolado em frente ao guarda-redes, fez tudo bem, e atirou a bola ao poste. Mas eu nem posso estar a descrever as ocasiões flagrantes de golo de que o Benfica dispôs neste jogo, porque se o fizesse nunca mais sairia daqui. O facto é que mesmo com total supremacia no jogo e com as ocasiões a surgirem fomos para intervalo ainda empatados, mas com o Feirense reduzido a dez depois de uma expulsão quase a fechar a primeira parte antevia-se um verdadeiro massacre na segunda parte.

 

 

E foi mais ou menos isso que aconteceu, tendo apenas o resultado ficado muito longe de corresponder ao que vimos no campo. Já escrevi antes que não posso estar a descrever ao pormenor todas as ocasiões flagrantes de golo que o Benfica criou porque foram demasiadas, mas mesmo que o Benfica tivesse concretizado apenas metade delas, muito provavelmente teríamos saído de Vila da Feira com a maior goleada desta liga. Foi preciso esperar pela hora de jogo e pela entrada do Jiménez para desfazer o nulo. E foi literalmente esperar pelo mexicano, porque ele marcou no primeiro toque que deu na bola, aproveitando um ressalto em si próprio após um mau corte de um defesa adversário. A direcção queria 'três bancadas pintadas de azul' e proibiu a entrada de símbolos do Benfica para as tais bancadas, mas quando aconteceu o golo percebeu-se que o que havia eram três bancadas e meia de benfiquistas (meia bancada atrás da baliza do Feirense é que parecia estar ocupada por alguns azuis que se calhar não conseguiram bilhete para o derby da invicta). Normalmente eu sou sempre desconfiado e acho que um jogo nunca está resolvido até ao apito final, mas com o que tinha visto até então pareceu-me que seria impossível o Feirense recuperar - o Varela não tinha feito uma única defesa. Mas mesmo achando que o jogo estava resolvido, o desperdício contínuo do Benfica no ataque era suficiente para aumentar os meus níveis de irritação, pelo que foi com bastante satisfação que vi finalmente o Rafa aproveitar mais uma ocasião flagrante para marcar o segundo golo. Desmarcado pelo Jiménez ainda antes da linha do meio campo, correu isolado em direcção à baliza, evitou o guarda-redes e rematou para a baliza deserta. Ainda havia mais quinze minutos para jogar e portanto, para manter a tendência, mais quinze minutos de desperdício. Num jogo onde ainda vimos a bola bater no poste mais duas vezes os grandes mistérios para mim foram: como é que o Jonas acabou o jogo em branco, e como é que o Rafa acabou o jogo apenas com um golo marcado. Antes do final, nota ainda para mais uma expulsão de um jogador do Feirense, um rapaz que começou o jogo como se estivesse a jogar futsal, celebrando cada intercepção como se tivesse ganho o jogo. Nesta ocasião, varreu o André Almeida pela raiz com uma entrada de sola e foi festejar para o chuveiro.

 

 

O jogador em maior destaque voltou a ser o Rafa. Acho que mais de metade das jogadas mais perigosas do Benfica tiveram a sua intervenção. Mas ser o jogador em maior destaque não é o mesmo que ser o melhor em campo. Seria impossível classificar a exibição dele como negativa, apenas tenho dificuldade em classificar como melhor em campo um jogador que tem seis ocasiões flagrantes de golo, cinco das quais isolado em frente ao guarda-redes, e marca apenas um golo. De resto, atirou duas vezes ao poste, deixou-se desarmar por um defesa vindo de trás noutra, e por duas vezes permitiu a defesa ao guarda-redes. De qualquer forma, e como já tinha previsto há umas semanas, é um dos grandes dinamizadores do nosso jogo de ataque e a jogar assim o Salvio não terá uma tarefa fácil para regressar ao onze. O homem do jogo para mim é mesmo o Jiménez. Voltou a ser decisivo após entrar. Marcou o golo que desfez o nulo, assistiu o Rafa para o segundo e ainda esteve envolvido em diversos outros lances de perigo, tendo enviado uma bola ao poste. O Benfica beneficiou muito de uma presença mais constante dentro da área adversária e o mexicano entra sempre com muita vontade de mostrar serviço, o que acaba por contagiar toda a equipa. De resto, os suspeitos do costume como o Fejsa, o Cervi ou o Zivkovic (sobretudo quando se encostou à esquerda) fizeram um bom jogo, mas no cômputo geral toda a equipa esteve bem.

 

Mais uma etapa ultrapassada. Faltam sete, e em relação à última, agora já só dependemos de nós próprios para chegar ao objectivo do penta. Daqui até final da época iremos andar perto de casa, e será necessário que os benfiquistas daqui respondam presente de forma tão convicta como os benfiquistas do Norte o fizeram. Com o apoio de todos e da forma como estamos a jogar, será muito difícil travarem-nos.

tags:
publicado por D`Arcy às 18:42
link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 11 de Março de 2018

Difícil

Uma vitória muito difícil num jogo contra uma equipa que veio à Luz para jogar um futebol troglodita e focado quase em exclusivo em destruir, sem qualquer tipo de ambição que não jogar para o pontinho como se toda a sua existência disso dependesse.

 

 

Tínhamos uma indisponibilidade para este jogo. O Pizzi tinha forçado o quinto amarelo contra o Marítimo e o jogador escolhido para o substituir foi o João Carvalho. Já escrevi em várias crónicas que há jogos que me dão uma má sensação logo nos minutos iniciais, e este foi mais um desses. Primeiro porque, perante uma equipa orientada pelo José Mota, um dos dinossauros do futebol português, só se poderia esperar um futebol jurássico. Ou seja, uma equipa completamente enfiada no último terço do terreno, muito pouco interessada em fazer algo mais que não destruir ou queimar tempo, com os jogadores a chutar a bola para a bancada para onde quer que estivessem virados (por algum motivo tivemos tantos pontapés de canto durante o jogo - quando os defesas estava voltados para a sua baliza, aliviavam a bola nessa direcção). Segundo, porque hoje não entrámos no jogo da forma mais entusiasmante. Eu compreendo que deva ser difícil e até frustrante tentar jogar futebol contra uma equipa que se apresenta em campo com a disposição descrita, mas faltou intensidade ao nosso futebol. Faltaram acelerações, movimentações sem bola e até mesmo agressividade. E um futebol mais mastigado e previsível facilitou a tarefa ao adversário. Foram poucas as ocasiões que conseguimos criar durante a primeira parte, e foram até poucos os remates que fizemos, com ou sem perigo. Os maiores safanões no jogo foram quase sempre dados pelo Rafa, que na direita conseguia quase sempre ganhar muito facilmente em velocidade ao adversário directo. Infelizmente, quando optou pelo remate não o fez na melhor direcção, e quando tentava servir alguém havia pouca presença dentro da área, e no meio da floresta de pernas avense havia sempre alguém pronto para aliviar para onde estivesse virado. Estes jogos têm o perigo acrescido de que na menor das ocasiões para fazer a bola chegar perto da nossa área (uma bola parada, normalmente) o adversário desloca a horda de destruidores da sua área para a nossa e pode criar perigo, e de facto ainda apanhámos um susto quando um desses lances resultou numa enorme confusão junto da nossa baliza - acabou por ser assinalado um fora de jogo, mas nem sequer percebi se foi logo ao matulão que primeiro ganhou a bola nas alturas ou se foi posteriormente.

 

 

A segunda parte, apesar de começar praticamente com o Zivkovic a desperdiçar a melhor ocasião de golo até à altura, rematando ao lado uma bola que tinha sobrado dentro da área, parecia trazer mais do mesmo. As coisas só começaram realmente a mudar quando o nosso treinador, ainda antes de se completar uma hora de jogo, fez a alteração que se impunha: troca do João Carvalho pelo Jiménez. A partir desse momento passámos a ser muito mais perigosos, e as ocasiões de perigo começaram a suceder-se junto da baliza do Aves. Tal como na primeira parte, também passámos por um enorme susto quase na única vez que o Aves passou do meio campo, com o Paulo Machado a rematar para as nuvens quando estava solto na marca de penálti (este é Super dragão, por isso provavelmente não o vão acusar de estar a facilitar). Mas todos os caminhos do jogo apontavam para a baliza do Aves, onde o Adriano ia alternando momentos brilhantes com ataques de dores súbitas que obrigavam a intervenção médica. E ao minuto setenta e dois, numa altura em que a equipa já parecia começar a acusar algum nervosismo com a manutenção do nulo no marcador, finalmente conseguimos derrubar a muralha defensiva do Aves. Depois de mais uma intervenção brilhante do Adriano, a um bom remate do Fejsa de fora da área (nesta fase o Aves estava tão recuado que até o Fejsa e o Jardel apareciam a jogar junto da área adversária) a bola sobrou para o Cervi na esquerda, que de imediato assistiu para o Jonas, em posição frontal, se limitar a empurrar a bola para a baliza. E para acabar de vez com todas as dúvidas, quatro minutos depois chegou o segundo golo. Desta vez foi o Rúben Dias a aproveitar o ressalto de mais uma boa defesa do Adriano, desta vez a um remate do Jiménez na sequência de um pontapé de canto. Obviamente que o jogo estava nesta altura mais do que decidido. De uma equipa que só vinha para defender pouco se poderia esperar depois de se apanhar a perder por dois golos. Quem ainda não tinha acabado era o Adriano, que com mais uma defesa incrível ainda conseguiu 'roubar' o terceiro golo ao Jardel já perto do final do jogo, após mais um pontapé de canto marcado pelo Cervi (eu já estava a gritar golo).

 

 

Não havendo exibições propriamente de encher o olho, eu destacaria alguns dos suspeitos do costume. O Rafa,  Zivkovic e o Cervi, por terem sido jogadores que tentaram sempre acelerar o jogo e jogar um futebol mais incisivo, em direcção à baliza adversária - mesmo que por vezes, ao tentarem fazer isto, tenham caído em alguns exageros individuais. O Fejsa foi o pêndulo do costume e fiquei bastante irritado com o amarelo que viu já no período de compensações. Também quero mencionar o Jiménez, porque a sua entrada voltou a ser bastante importante para resolver uma situação complicada. A nossa equipa passou a ser bastante mais perigosa com ele em campo, e mais uma vez esteve directamente envolvido nas jogadas dos golos. Por último, umas palavras sobre o João Carvalho. Voltou a ter uma oportunidade depois de ter desiludido no Restelo, e na minha opinião voltou a não a aproveitar. Para mim não está em causa a qualidade dele, porque sei que a tem. Mas se quer um lugar no plantel do Benfica precisa de conseguir jogar com outra atitude. Sobretudo de jogar com muito mais confiança e não ter medo de arriscar. Não pode é passar a maior parte do tempo a esconder-se do jogo e a disputar cada lance como que a medo.

 

Está ultrapassado mais um adversário que vendeu cara a derrota. Com mais sofrimento do que aquilo que provavelmente a maior parte de nós esperaria, mas nunca ninguém disse que o caminho seria fácil. Temos que continuar a fazer a nossa parte e a não dar tréguas aos nossos adversários. Tenho a sensação de que nunca se conjugaram tantos esforços dos nossos inimigos dentro e fora do campo para nos derrotar. Só dando o nosso melhor como clube, só fazendo de todos um, poderemos fazer-lhes frente.

tags:
publicado por D`Arcy às 04:08
link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 4 de Março de 2018

Serenata

Foi debaixo de um autêntico dilúvio que o Benfica decidiu presentear-nos com uma espécie de serenata à chuva, que incluiu um recital a solo do Jonas, e esmagar o Marítimo por cinco golos sem resposta mesmo sem ter jogado sempre com o prego a fundo.

 

 

A repetição do onze titular tem sido uma constante nas últimas jornadas, e um sintoma da estabilidade que a equipa construiu. Por isso já nem é necessário ouvir a constituição da equipa para saber quem vai jogar. O mau tempo que se fez sentir durante quase todo o dia e em especial à hora do jogo podia ser mais um adversário a ter em conta. O relvado da Luz é bom e aguenta muito mas há limites, e gostando esta equipa de jogar um futebol rápido e de trocas constantes de bola, um terreno mais pesado em teoria não seria o ideal. O período inicial do jogo nem sequer fazia antever uma vitória tão folgada. Não custa nada admitir que durante o primeiro quarto de hora o Marítimo - que teve a esperteza saloia de nos pôr a atacar para a baliza grande na primeira parte - em nada foi inferior ao Benfica, e teve até algum ascendente no jogo. Tentaram jogar com uma linha de pressão bastante alta, a condicionar a nossa saída de bola, e causaram-nos dificuldades. O Benfica tem tido no lado esquerdo e em especial quando o Grimaldo, o Zivkovic e o Cervi começam a trocar a bola entre eles um dos factores mais desequilibradores dos últimos jogos, mas durante esta fase tentávamos sobretudo atacar pelo lado direito, provavelmente porque o Marítimo estava avisado e vigiava de perto as subidas do Grimaldo e as movimentações do Zivkovic. Mas quando se tem na frente um jogador como o Jonas, às vezes basta meia oportunidade para começar a resolver uma tarefa que se prevê complicada. Bastou aos dezasseis minutos uma bola solta na área resultante de uma intervenção em esforço do André Almeida junto da linha de fundo para que o Jonas rematasse de primeira e fizesse o primeiro golo, e a partir daqui começou a escrever-se uma história completamente diferente neste jogo. 

 

 

Até porque seis minutos depois o lado esquerdo funcionou e uma combinação entre o Zivkovic e o Grimaldo deixou o espanhol sozinho em frente ao guarda-redes para uma finalização com classe. E este foi para mim o momento em que o jogo virou por completo. Ao ver-se a perder por dois golos com apenas vinte e dois minutos decorridos o Marítimo assustou-se, esqueceu-se por completo daquilo que tinha feito bem na fase inicial e recuou as linhas para junto da área, parecendo ter pressentido que uma goleada estava iminente. Mas hoje o Benfica estava em dia de se redimir de jogos onde a finalização esteve menos inspirada, e com o Jonas a jogar desta forma de pouco serve recuar linhas e jogar pelo seguro. Ele não precisa de quase nada para inventar um golo, como o comprovou aos trinta e cinco minutos. É daqueles golos que qualquer descrição que eu tente fazer não lhe faz justiça: é preciso vê-lo. Cruzamento largo do André Almeida para a área e o Jonas, apesar de estar atrás do defesa, consegue chegar com o pé à bola antes para lhe dar um toque de primeira que a fez passar sobre o guarda-redes, tocar na barra e entrar na baliza. Certamente um dos melhores golos desta liga. E o livro ainda não estava fechado na primeira parte, porque pouco antes do intervalo uma tabela entre o Jonas e o Rafa acabou com este a ser derrubado dentro da área. Penálti claro, e expectativa para ver se o Jonas interrompia a série negra de três penáltis seguidos falhados (Rio Ave, para a taça, Belenenses e Boavista). Problema resolvido com mestria, porque nem com asas o guarda-redes chegaria à bola, que foi rematada para o ângulo superior direito da baliza. Quatro golos em quarenta e cinco minutos e um jogo competentemente resolvido com rapidez, o que era conveniente quando a chuva não dava sinal de querer abrandar e o terreno ia ficando cada vez mais difícil.

 

 

A segunda parte foi naturalmente de gestão de esforço, feito com posse de bola. Era evidente que com mais golo ou menos golo, o Benfica iria vencer este jogo. O Marítimo não estava interessado em apanhar uma goleada histórica e o Benfica não estava interessado em despender demasiados esforços à procura de mais golos. E tudo ficou ainda mais definitivo quando o Marítimo, ainda antes de findo o primeiro quarto de hora, se viu reduzido a dez jogadores. Mérito para a actuação do VAR neste lance, que alertou o árbitro para a entrada brutal do Gamboa sobre o Zivkovic - pitons em riste ao joelho do pequeno maestro do nosso meio campo. Apesar do terreno não ser propício a grandes toques artísticos, a equipa do Benfica pareceu procurar divertir-se a jogar futebol e a tentar construir lances bonitos. O Cervi e o Zivkovic dão uma dinâmica impressionante ao nosso jogo ofensivo, e à medida que o Rafa vai ganhando confiança começa a entrar também neste carrossel, onde os jogadores surgem um pouco por toda a zona de ataque de forma imprevisível. A vitória estava tão assegurada que foi possível o luxo de dar descanso a jogadores imprescindíveis como o Fejsa ou o André Almeida - entrou o Douglas para o lugar dele, que já não víamos jogar há bastante tempo. Não deu para avolumar muito o resultado, porque o Marítimo parecia fazer ponto de honra em não sofrer mais golos e a chuva continuava a não abrandar, mas o único golo que marcámos valeu bem a pena. A nove minutos do final mais um golaço de levantar o estádio, da autoria do Zivkovic. Na esquerda e já dentro da área evitou um defesa puxando a bola do pé esquerdo para o direito, e depois com o seu pé menos forte colocou a bola em arco no ângulo do lado oposto, com o guarda-redes a não poder fazer mais do que ficar a ver a bola a entrar. Golo mais do que merecido para um jogador que voltou a fazer uma grande exibição. Pena, pena, só mesmo que o Cervi não tenha conseguido acertar com a baliza para fazer o sexto golo já perto do final, a culminar uma jogada que envolveu trocas sucessivas de bola entre vários jogadores, incluindo dois toques de calcanhar.

 

 

Não há forma de evitar considerar o Jonas o homem do jogo. Absolutamente decisivo e letal. O seu segundo golo (terceiro do Benfica) é uma obra de arte apenas ao alcance de jogadores especiais. Mesmo o primeiro golo, que começou a resolver a questão, é muito bom, quer pelo repentismo do remate, quer pela colocação do mesmo (a bola entrou bem junto do poste). Na vertente qualidade/preço, é provavelmente a melhor contratação do Benfica das últimas décadas e é um privilégio poder continuar a ver este jogador com a noss camisola. O Fejsa é outro dos destaques, e para mim um dos jogadores mais fundamentais deste Benfica. Merecida a ovação de pé quando foi substituído. Menção também para o Zivkovic. Sou suspeito para falar sobre ele, porque confesso que sempre tive uma predilecção especial pelo futebol deste jogador. Não vou cometer a injustiça de dizer que o Benfica ficou a ganhar com a troca do Krovinovic por ele (para mim jogavam os dois) mas se perdemos algumas coisas com a lesão do Krovinovic, ganhámos outras com a entrada do Zivkovic para aquela posição. Tem sabido aproveitar a oportunidade para agarrar o lugar e está a tornar-se um jogador fundamental. Outro jogador que está a aproveitar a oportunidade e vai ganhando confiança a olhos vistos é o Rafa. Mais um jogo positivo e vai ganhando influência à medida que soma minutos nas pernas. Por último, uma referência (mais uma) ao André Almeida. Duvido que, por exemplo, consiga ir ao Mundial porque não é um jogador suficientemente mediático para isso; é humilde e nunca se coloca em bicos de pés. Mas nem posso reclamar dele ser injustiçado pela generalidade do público e imprensa quando somos muitos de nós, benfiquistas, os primeiros a injustiçá-lo. Não é um artista capaz de malabarismos com a bola, mas poucos fazem aquilo que têm que fazer com a eficácia que ele o faz. Soma sete assistências para golo e dois golos marcados no campeonato, ao mesmo tempo que continua a ser um dos mais competentes defesas dos principais campeonatos europeus (a sério, quem não acreditar que vá ver as estatísticas). Para mim é imprescidível nesta equipa, e a assistência para o primeiro golo diz tudo sobre a forma como encara cada lance.

 

Mais uma vitória, mais uma goleada, mais uma exibição a reforçar os níveis de confiança da equipa e adeptos. Não se afigura fácil o caminho para o penta, mas vamos lutar por ele com todas as nossas forças. O fundamental é continuar neste caminho e manter a pressão, para que à menor escorregadela do líder possamos voltar a depender exclusivamente de nós próprios.

tags:
publicado por D`Arcy às 03:35
link do post | comentar | ver comentários (10)

escribas

pesquisar

links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

tags

todas as tags

posts recentes

Cinzenta

Frustrante

Lamentável

Desnecessário

Desilusão

Estrelinha

Paciência

Incontestável

Difícil

Serenata

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com
blogs SAPO

subscrever feeds