VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 20 de Novembro de 2022

Normal

Uma vitória normal por números escassos na estreia na Taça da Liga. Dominámos o jogo contra o Estrela da Amadora e criámos ocasiões mais do que suficientes para um resultado mais confortável, mas acabámos por ter que nos contentar com uma vitória pela margem mínima por 3-2.

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Garantidas que estavam sete ausências - os seis mundialistas mais o lesionado Aursnes - o nmosso treinador mostrou ainda assim que quer levar esta competição a sério e fez alinhar o onze mais forte possível, mantendo a titularidade dos habituais Vlachodimos, Grimaldo, Florentino, Rafa e Neres. Depois o resto da equipa foi construída com as escolhas talvez mais óbvias: Gilberto, João Victor, Brooks, Chiquinho (no meio campo, no lugar habitual do Enzo), Diogo Gonçalves e Musa. Sem surpresa, o Benfica esteve quase sempre por cima no jogo, apesar do Estrela não se querer limitar a fazer papel de figura presente e tentar sempre que possível causar perigo, mas a verdade é que raramente pareceram confortáveis sempre que o Benfica resolvia fazer uma pressão alta mais agressiva. O Rafa (hoje capitão) foi o elemento mais activo no nosso ataque, mas no capítulo da finalização esteve muito pouco inspirado hoje. Apesar do desperdício, os bons hábitos são para manter e marcámos o primeiro golo cedo no jogo, aos treze minutos, num bom remate rasteiro do Musa à entrada da área depois de uma série de tabelas com o Rafa. Mas nem dez minutos decorreram e o Estrela fez o empate praticamente na primeira vez em que chegou com perigo à nossa área. Foi na sequência de um livre (resultado de um lance algo displicente do Diogo Gonçalves, que ficou parado à espera que a bola lhe chegasse aos pés e assim se deixou antecipar, obrigando-.o depois a puxar a camisola do adversário), com a bola a ser cruzada para a área e um toque de cabeça ao primeiro poste permitiu a finalização do João Silva do lado oposto com um bom remate cruzado. O Benfica reagiu imediatamente e tivemos um lance de autêntico tiro ao boneco, em que parecia que a equipa toda do Estrela estava enfiada na pequena área. Mas bastaram sete minutos para o Benfica voltar a ficar em vantagem, com o Chiquinho a converter um penálti cometido sobre o Rafa aos vinte e nove minutos de jogo. Depois foi mais do mesmo, com o Benfica sempre bastante por cima mas a mostrar desperdício e até displicência no ataque, o que foi mantendo o resultado em dúvida e fazendo o Estrela acreditar, ainda que só chegasse à nossa baliza esporadicamente, como foi exemplo um livre perto do intervalo que obrigou o Vlachodimos a aplicar-se para defender o pontapé de recarga. Para a segunda parte trocámos o João Victor e o Diogo Gonçalves pelo Morato e o Draxler. Foram trocas directas e continuou tudo na mesma, incluindo no futebol jogado. O Benfica teimava em não ampliar o resultado, desperdiçando ocasiões de finalização (algumas por mérito do guarda-redes do Estrela, que teve uma série de boas defesas) ou definindo mal jogadas em que recuperava a bola em zonas altas e criava situações de superioridade numérica no ataque para depois fazer mal o último passe. O que ao fim de algum tempo teve o condão de me irritar, porque apesar de pouco perigoso, a verdade é que o Estrela continuava no jogo e em qualquer altura um lance fortuito poderia custar-nos a a vitória. Só mesmo aos noventa minutos é que o merecido terceiro golo surgiu, quando em mais uma das referidas situações de superioridade no ataque o entretanto entrado Rodrigo Pinho deixou o Draxler completamente à vontade em frente ao guarda-redes e o alemão não perdoou. Ainda assim, já no último minuto de compensação um passe muito displicente do Morato permitiu ao Estrela recuperar a bola em apanhar a nossa defesa mal posicionada para repor a diferença mínima no marcador.

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O Rafa para não variar foi um dos jogadores em maior evidência, mas a qualidade de finalização dele hoje foi inaceitável - até parecia o Rafa dos primeiros tempos no Benfica. Mas no geral não vi grandes destaques na nossa equipa. O Chiquinho cumpriu no meio campo mas obviamente que não é o Enzo e notou-se muito a falta daqueles passes largos a mudar rapidamente o flanco do jogo. O Draxler regressou mas parece-me neste momento um jogador desmotivado e sem grande vontade para mostrar serviço, apesar do golo marcado. Tive pena que jogadores como o Henrique Araújo ou o Paulo Bernardo estivessem ausentes na selecção de Sub-21, porque este seria um jogo onde poderiam ganhar minutos e mostrar serviço.

 

Fiquei agradado por ver que o nosso treinador leva esta competição a sério e quer ganhá-la, e por termos entrado nela da melhor forma. Ainda assim, desperta-me muito mais interesse do que as ronaldices que se vão passando no Qatar, e no próximo sábado conto estar na Luz esperando ver-nos somar mais três pontos e prolongar a nossa invencibilidade por mais um jogo. Se o Aursnes já estiver disponível para jogar no meio campo, creio que poderemos fazer bastante melhor do que neste jogo.

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publicado por D'Arcy às 23:36
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2022

Justa

Tarefa cumprida: mais uma vitória sem discussão e agora vai haver uns quantos que vão ter que passar o Mundial a olhar para uma desvantagem de oito ou mais pontos em relação a nós. Desta vez, e para variar, não vou dizer que nos ficámos a dever uma goleada. A vitória foi justa e os números ajustam-se ao que se viu em campo, numa exibição menos fulgurante mas ainda assim sólida por parte da nossa equipa.

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Com a recuperação do Gonçalo Ramos pudemos apresentar o nosso onze base para este jogo. O que me pareceu um pouco preocupante foi a falta de opções no banco, que com as lesões do Draxler e do Aursnes me parecem demasiado limitadas. Cinco defesas no banco, dos quais três centrais, e apenas três opções do meio campo para a frente, que foram o Musa, o Chiquinho e o Diogo Gonçalves - talvez por isso mesmo apenas tenhamos feito três das cinco substituições. O Benfica entrou no jogo como de costume, em cima do adversário e a tentar marcar cedo. Sobre o Gil Vicente, nunca me pareceu que tivessem vindo para a Luz com o propósito de estacionar o autocarro e praticar anti-jogo. Tentaram sempre, na medida daquilo que o Benfica lhes permitia, jogar futebol, o que é uma agradável diferença para o que se vê na maioria das equipas que nos visitam. O Rafa foi dando os primeiros avisos do Benfica, e foi sobre ele que logo aos oito minutos foi cometida a falta para penálti, numa entrada pela direita do ataque. O João Mário converteu-a com a eficácia do costume e tudo parecia indicar mais uma noite descansada na Luz, provavelmente com goleada. Nos minutos que se seguiram o Benfica continuou em cima do adversário e a somar tentativas de finalização, mas pareceu-me que houve alguma sobranceria da nossa parte com o golo madrugador. Muitas das jogadas de ataque perderam-se porque mesmo dentro da área os nossos jogadores tentavam mais um toque ou mais um passe para um colega em vez de rematarem, caindo naquele lugar comum em que se diz que parecem querer entrar com a bola pela baliza. E aos quinze minutos de jogo foi o Gil Vicente quem beneficiou de um penálti, praticamente na primeira vez que chegou à área do Benfica. Um cruzamento largo desde a direita da nossa defesa para a zona do segundo poste, cabeceamento para trás do Navarro e a bola foi encontrar o braço do Otamendi. Um lance infeliz, até porque a jogada não parecia representar qualquer perigo para a nossa baliza. O mesmo Navarro converteu-a e deu o empate ao Gil Vicente. Este golo pareceu quebrar o nosso ímpeto, porque a seguir ao mesmo deixámos de atacar tanto a baliza adversária e sobretudo, a pressão quase que deixou de ser feita, o que permitiu ao Gil Vicente longos períodos de posse de bola - é verdade que pouco fizeram com ela em termos ofensivos, mas foram capazes de a guardar e circular por toda a equipa sem que o Benfica mostrasse capacidade para a recuperar. E sem bola não se marcam golos. Só a partir da meia hora começámos novamente a apertar o adversário e a acelerar no ataque, e por isso mesmo chegámos ao golo a dez minutos do intervalo. Tudo nasceu numa bola recuperada pelo João Mário e o Florentino ainda no meio campo do Gil Vicente, a bola seguiu par ao Rafa na zona central, daí para o Neres que entrou pela direita e cruzou já perto da linha fundo, com a bola a ser desviada por um defesa e pelo guarda-redes e a sobrar para o Gonçalo Ramos encostar quase em cima da linha. Tudo de volta ao normal, e agora era uma questão de marcarmos mais um para acabar com as dúvidas.

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Já estamos também habituados a ver o Benfica entrar forte nas segundas partes e marcar cedo, e mais uma vez isso aconteceu. O jogo foi de sentido único desde o regresso dos balneários e ainda antes de cumpridos dez minutos o Benfica chegou ao terceiro. Uma jogada tantas vezes vista esta época, mas que continua a dar frutos. Pontapé de canto na esquerda do ataque marcado à maneira curta entre o João Mário e o Enzo, para depois sair um cruzamento do Enzo desde a projecção do canto da área que foi direitinho à cabeça do Gonçalo Ramos. O cabeceamento saiu certeiro para junto da base do poste e o guarda-redes, apesar de ainda tocar na bola, foi incapaz de impedir que entrasse. Com este golo pareceu-me que o Benfica entrou em gestão de esforço, mas controlando sempre o jogo. Não construímos a habitual sucessão de ocasiões flagrantes para marcar e o Gil Vicente até é capaz de ter sido uma das equipas que mais posse de bola conseguiu ter na Luz esta época, mas nada conseguiu fazer com ela. O Vlachodimos não fez uma única defesa na segunda parte, e o único remate do Gil Vicente surgiu já no período de descontos, ao lado da baliza. A meio da segunda parte trocámos o Gonçalo Ramos e o Rafa (convinha ter cautelas para que o sarrafeiro do Rafa não visse um amarelo que o retiraria do próximo jogo para a liga, que será em Braga) pelo Musa e o Chiquinho e o croata desperdiçou uma das melhores ocasiões de golo do Benfica na segunda parte - isolado por um excelente passe do João Mário, acabou por permitir a defesa ao guarda-redes para canto. Na sequência do mesmo, mais uma grande ocasião de golo para o Benfica. O Gil Vicente tentou sair a jogar e o Benfica recuperou a bola ainda no meio campo adversário, para depois o David Neres tentar um remate rasteiro e em arco à entrada da área, sobre a direita, fazendo a bola ir embater no poste. Teria sido mais um grande golo do brasileiro, que naquela zona do campo é sempre um perigo quando encontra espaço para rematar. O final de jogo chegou de forma tranquila, com o muito público que encheu as bancadas da Luz apesar do temporal em festa, despedindo-se da equipa antes da pausa com uma enorme ovação.

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O homem do jogo é obviamente o Gonçalo Ramos por mais dois golos somados. É uma espécie de goleador tranquilo; fala-se pouco dele, dá pouco nas vistas, mas os golos vão-se somando e é o melhor marcador da liga e da nossa equipa. Continua a fazer-me confusão quando ouço pessoas a dizer que o Benfica precisa de ir buscar um número nove, porque o Gonçalo Ramos não só marca golos como parece ser o tipo de jogador ideal para encaixar na nossa táctica. Outro destaque óbvio para o Enzo, que é um dos principais responsáveis pelo salto qualitativo dado esta época. Para mim o maior mérito dele é não parecer complicar nada: tudo aquilo que faz parece sempre ser a solução mais óbvia e simples para a situação em questão, e raramente erra. Andámos anos à espera de um jogador assim, e ficarei com muita pena se o vir sair já no final desta época. Rafa. João Mário e Neres também estiveram num bom nível.

 

Com o campeonato posto de lado durante o próximo mês, segue-se a Taça da Liga. A competição será certamente utilizada para dar minutos a alguns dos jogadores menos utilizados, conforme já foi admitido pelo nosso treinador, e dar ritmo aos que recuperam de lesões e que certamente serão muito úteis quando regressarmos à liga. Mas mesmo assim é uma competição que tenho a certeza que será levada muito a sério, não só porque devemos sempre ambicionar ganhar todas as competições em que participamos, mas também porque quereremos honrar o historial que temos na mesma, onde continuamos a ser de longe o clube com o melhor palmarés.

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publicado por D'Arcy às 19:04
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2022

Competência

Parece que guardámos as exibições de menor fulgor para a Taça de Portugal. Não que a vitória não tenha sido inteiramente justa, já que o Benfica foi muito superior ao adversário, controlou quase sempre o jogo e criou ocasiões mais do que suficientes para vencer de forma mais confortável. Mas já vimos a nossa equipa fazer melhor do que a simples competência (e confesso que é bom estarmos numa situação em que até dá para resmungarmos um pouco quando nos limitamos a ser competentes).

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Não houve facilitismos da nossa parte e jogou mesmo o onze mais forte que era possível nesta altura, com o Musa a manter a titularidade no ataque face à ausência forçada do Gonçalo Ramos. No Estoril houve uma pequena revolução, e para além do regresso dos jogadores que estavam impedidos de nos defrontar no último jogo, foram feitas mais três alterações. Uma equipa do Estoril com muitas caras conhecidas dos benfiquistas: Pedro Álvaro, Tiago Araújo, Tiago Gouveia e João Carvalho foram todos titulares. O que mudou do último jogo para este foi sobretudo um Estoril mais competente a defender, e um Benfica menos avassalador no ataque. Mesmo assim, tivemos quase sempre a bola em nosso poder e fomos construindo paulatinamente ocasiões para marcar. Um livre do Grimaldo à barra e o Rafa completamente isolado por um passe de primeira do Enzo a atirar de forma incrível ao lado da baliza foram as melhores ocasiões na primeira parte. A segunda parte começou com a expulsão do Geraldes por rasteirar o Rafa quando este se isolava - ainda bem que ele é um ex-jogador do Sporting, porque dá para imaginar o que se diria, escreveria e especularia se fosse um dos jogadores com passado ligado ao Benfica a ser expulso - e o jogo ficou ainda mais desequilibrado, resumindo-se ao Estoril a defender com todos enfiados no último terço e o Benfica a tentar chegar ao golo que, com quase toda a certeza, resolveria o jogo. Depois de muita insistência, e imediatamente a seguir à troca do Musa pelo Henrique Araújo após vinte minutos, esse golo finalmente apareceu. Uma saída a soco desastrada por parte do guarda-redes do Estoril a um cruzamento do João Mário (uma vez mais, ainda bem que o erro não foi de um jogador com passado no Benfica) fez a bola ir em balão ter com o David Neres no centro da área, que de costas para a baliza com um pontapé de trotineta (recuso chamar aquilo de bicicleta) enviou a bola para a baliza deserta. Como era previsível, o golo resolveu o jogo porque o Estoril não tinha capacidade para montar qualquer tipo de resposta convincente, e quando nos minutos finais tentou arriscar um pouco mais o que vimos foi o Benfica a não saber aproveitar o espaço adicional que lhe foi concedido na defesa adversária.

 

O Rafa foi o nosso jogador mais perigoso e que provocou a expulsão do Geraldes, mas a sua exibição fica indelevelmente marcada por aquele falhanço inacreditável na primeira parte. De resto, desempenhos competentes de quase toda a gente numa exibição homogénea, com menção particular para alguns dos suspeitos do costume: Grimaldo, Enzo ou Neres.

 

Estamos nos oitavos sem grandes sobressaltos, prolongámos a invencibilidade por mais um jogo, e agora só falta mais um para conseguirmos ir para a pausa do Mundial mantendo o registo que continua a irritar solenemente os nossos inimigos e os comentadores especialistas que por aí pululam. Vamos lá tentar garantir-lhes um Natal um pouco mais amargo.

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publicado por D'Arcy às 01:05
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2022

Naturalidade

Mais um jogo, mais uma vitória folgada obtida com toda a naturalidade. É sobretudo isto que há a destacar: os níveis de confiança estão tão altos que tudo parece acontecer com a maior naturalidade, com a equipa a dar a sensação de fazer tudo de forma simples e de tornar fácil aquilo que se afigura difícil.

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Já sabíamos que o Aursnes e o Gonçalo Ramos era ausências certas para este jogo, e por isso as escolhas do Florentino e do Musa para o onze não surpreenderam ninguém. A grande surpresa foi mesmo a presença do Chiquinho em vez do David Neres, uma espécie de recompensa pelo grande jogo que ele fez em Israel depois de ter entrado à meia hora de jogo. O jogo iniciou-se com uma grande ocasião para o Benfica, na qual o Rafa rematou ao lado depois de isolado pelo Musa. Os primeiros minutos foram relativamente equilibrados, como Estoril a tentar manter uma equipa muito compacta, de linhas muito juntas, de forma a evitar o habitual jogo entre linhas que o Benfica pratica. O médio mais recuado juntava-se aos defesas para formar uma linha de cinco, e depois a linha média ficava praticamente encostada aos defesas. O Vlachodimos ainda foi obrigado a fazer uma grande defesa com o pé quando o Estoril conseguiu isolar um jogador à sua frente - não sei se, caso desse golo, o lance seria validado porque pareceu haver um toque com o braço, mas com o Hugo Macron no VAR o mais provável é que fosse mesmo validado. Mas com este Benfica já nos habituamos a esperar que um golo surja em qualquer instante, e por isso quando os comentadores pareciam ir esfregando as mãos de satisfação com a réplica que o Estoril conseguia dar até aos vinte e cinco minutos de jogo, o Grimaldo arrancou um centro largo da esquerda e o Musa, muito à semelhança do que fez em Israel, apareceu na área a antecipar-se a toda a gente e a marcar com um belo cabeceamento. Estavam abertas as comportas e cinco minutos depois, dando sequência a uma pressão constante do Benfica que não abrandou com o golo, o António Silva aumentava a vantagem: canto do Enzo na direita, desvio de calcanhar do Chiquinho na zona do primeiro poste, e finalização também de calcanhar do miúdo para o golo. Mais um lance a demonstrar não só a confiança da equipa, mas o enorme à vontade com que o nosso central ainda júnior joga. Não vou mentir: depois deste golo antecipei logo uma goleada e comecei a fazer contas aos golos que ainda poderíamos marcar. O Estoril ainda criou mais um momento de perigo, num canto, em que o Musa cortou uma bola em cima da linha de forma um pouco desastrada chutando para cima e fazendo-a bater com força na parte inferior da barra. O António Silva evitou a recarga, o Benfica recuperou a bola e conduziu o contra-ataque pelo Rafa e Grimaldo, terminando com um passe para o Enzo e o remate foi defendido quase em cima da linha pelo guarda-redes, com a bola depois a ser afastada por um defesa quando rolava para dentro da baliza. Evitou o Estoril o terceiro golo aqui, mas logo a seguir, a quatro minutos do intervalo, já não conseguiu fazer o mesmo. Novo pontapé de canto, desta vez na esquerda, marcado de forma curta para o Rafa, centro largo para o segundo poste onde o Florentino ganhou e tocou de cabeça para o meio, e o António Silva apareceu completamente sozinho quase em cima da linha para confirmar o golo de cabeça.

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O jogo estava ganho, mas quando uma equipa parece divertir-se e ter tanto prazer em jogar sabemos que a procura por mais golos não vai parar. Que diferença para tempos recentes em que nos víamos chegar ao primeiro golo e imediatamente tentar 'gerir' o resultado diminuindo o ritmo e recuando linhas. Por isso o assalto à baliza estorilista continuou, com toda a naturalidade. O Rafa ameaçou, depois foi dele o passe para o Musa atirar ao poste e não havia meio do Benfica sair das imediações da área do Estoril, mesmo que nunca parecesse estar a forçar em demasia - é assim que se faz gestão de esforço, com a bola e a manter o adversário sempre em sentido, não é dando a bola ao adversário e oferecendo-lhe a iniciativa. Após vinte minutos fizemos três trocas de uma vez: Musa, Rafa e Chiquinho pelo Henrique Araújo, Diogo Gonçalves e David Neres, e na primeira vez que tocou na bola o Neres aproveitou um mau passe do Estoril para isolar o João Mário pelo meio, que só com o guarda-redes pela frente finalizou facilmente para fazer o quarto golo. Uma pequena inovação táctica depois destas alterações: o Neres pareceu ser testado a fazer de Rafa e a jogar mais no apoio directo ao avançado, com o João Mário mais pela direita e o Diogo Gonçalves pela esquerda. Não que isto seja uma coisa muito definida, porque os jogadores da frente jogam todos com bastante liberdade e trocam frequentemente de posições. Aos setenta e sete minutos o Henrique Araújo fez aquilo que nos vamos habituando a esperar dele e marcou, isto um minuto depois de ter visto o guarda-redes do Estoril negar-lhe esse golo com uma defesa quase impossível a um remate à queima-roupa, já na pequena área. Um grande golo, por sinal, depois de um cruzamento do Enzo na esquerda em mais um canto marcado de maneira curta para um toque de cabeça do Otamendi do lado oposto colocar a bola na zona frontal, onde o Henrique deu um primeiro toque com o joelho e depois finalizou com um remate à meia volta. Mas o Hugo Macron no VAR tinha que dar sinal de si e resolveu que já iria para casa minimamente satisfeito se nos roubasse um golo. Por isso invalidou a jogada por fora de jogo do Florentino, que não jogou a bola mas estava na zona onde o cruzamento do Enzo fez a bola chegar. Porque é que eu digo que nos roubou o golo? É lembrarmo-nos do golo validado ao Moreirense na Luz a época passada, que toda a gente achou muito bem porque o Rafael Martins não tocou na bola (mas impediu o Otamendi de o fazer), ou mais recentemente do penálti a favor do Porto neste mesmo estádio aos 90+9, que lhes permitiu chegar ao empate, no qual o Fábio Cardoso em posição claramente irregular disputou a bola pelo ar com o defesa do Estoril que acabou por cabeceá-la - mas aí toda a gente achou muito bem que o fora-de-jogo inicialmente assinalado fosse revertido para assinalar penálti para o Porto, porque ele não jogou a bola. Enfim, uma pequena satisfação mesquinha para o Macron, que deve andar aborrecido por já não nos poder presentear com a sua classe dentro do campo. Indiferentes a isto, a cinco minutos do fim trocámos o Grimaldo pelo Ristic e este não quis ficar atrás do Neres e na primeira vez que tocou na bola fez ainda melhor do que uma assistência: para aí a mais de trinta metros da baliza arrancou um míssil de pé esquerdo que só parou no fundo da baliza. O guarda-redes ainda conseguiu tocar na bola, mas ela levava demasiada força para poder ser parada. Já nos descontos, o Estoril chegou ao golo de honra num remate cruzado da direita da nossa defesa, o que acabou com o nosso registo defensivo imaculado fora de casa.

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Obviamente que o António Silva é o destaque, não é todos os dias que um defesa marca dois golos. Mas para além disso fez o seu trabalho defensivo com a competência habitual. O entusiasmo à volta dele já é suficiente, era escusado agora começar a marcar golos para que o comecem a comparar com o Humberto Coelho (que viu o Humberto jogar perceberá as comparações). Mais destaques para o João Mário - escrevi aqui várias vezes que não era fã do futebol dele, mas com o Roger Schmidt está um jogador transfigurado e é uma peça chave da equipa - Grimaldo e Florentino. As 'novidades' Musa e Chiquinho também se apresentaram num nível bastante alto, e é muito interessante que jogadores que no início da época eram considerados cartas fora do baralho, como estes dois ou o Diogo Gonçalves, se estejam a transformar em opções válidas. Mais um aspecto a realçar no trabalho do Roger Schmidt. Com outros, o que víamos era que jogadores que não contavam eram encostados e ficavam a ocupar lugares no plantel sem nunca deles tirarmos qualquer partido. Agora, a partir do momento em que ficam no plantel,  contam e podem ser opção. O que só pode motivar os jogadores a darem tudo para mostrar ao treinador que também podem conquistar o seu espaço e ajudar.

 

Não há tempo a perder e amanhã defrontamos o mesmo adversário para a Taça de Portugal. O Estoril terá certamente tirado conclusões do que se passou neste jogo e tentará dificultar ainda mais a nossa tarefa. Faltam dois jogos para a pausa da fantochada no Qatar e não é tempo de abrandar agora. Entretanto, ficámos a lamentar o azar no sorteio da Champions, já que nos calhou o melhor Brugges dos últimos cinquenta anos. Mas desconfio que daqui até Fevereiro o Brugges irá perder imensa qualidade, e se por acaso tivermos a felicidade de os vencer, passarão a ser uma equipa banal.

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publicado por D'Arcy às 09:58
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2022

Inesquecível

Antes desta última jornada da Champions obviamente que tinha esperanças de acabar no primeiro lugar do grupo. Mas essa esperança assentava sobretudo na convicção de que a Juventus quereria dar um último arzinho da sua graça perante os seus adeptos e tirar pontos ao PSG. O  que nunca me passou pela cabeça foi que o Benfica o conseguisse recuperando a desvantagem que tinha para o PSG na diferença de golos. Por ter sido assim, e da forma que isso aconteceu, é que torna esta jornada épica e inesquecível.

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Portanto, entrámos em campo com a calma de termos a questão do apuramento resolvida, e sabendo que para chegar ao primeiro lugar ou teríamos que fazer um resultado melhor do que o do PSG em Turim, ou então recuperar uma diferença de quatro golos para o PSG. A equipa apresentada não teve qualquer surpresa: na ausência do Enzo, o escolhido para a posição dele foi o Aursnes, e depois jogaram os do costume. Do outro lado, o Maccabi ainda sonhava com o terceiro lugar, bastando-lhe para isso fazer melhor do que a Juventus frente ao PSG. O primeiro sinal de perigo até foi dado pela equipa israelita, quando teve um jogador a surgir solto na área para rematar cruzado e fazer a bola passar muito perto do poste. A resposta do Benfica foi uma excelente incursão do Aursnes pela esquerda, seguida de um passe atrasado para o Gonçalo Ramos rematar de primeira ao poste. A entrada dos israelitas no jogo até foi forte e decidida, mas o Benfica não se deixou intimidar por isso e pelo ambiente no estádio, e com calma foi assentando o seu jogo até que, com aparente naturalidade, passou a controlá-lo e o Maccabi foi sendo empurrado para trás. O Rafa deu o segundo aviso, num remate em arco de fora da área que obrigou o guarda-redes a uma grande defesa. E aos vinte minutos chegou mesmo o golo. Na insistência a um pontapé de canto, na sequência do qual os jogadores do Maccabi perante a pressão a que estavam a ser sujeitos simplesmente aliviaram a bola de qualquer maneira, esta foi ter com o Bah sobre a esquerda, que aproveitando a presença do Otamendi na área colocou para lá a bola com um cruzamento largo e em balão. De cabeça, o Otamendi assistiu o Gonçalo Ramos no meio que, com um grande golpe também de cabeça, fez a bola entrar juntinho ao poste. Um belíssimo golo. Infelizmente não conseguimos ter muito tempo para apreciar a vantagem. Primeiro porque chegaram notícias do golo do PSG emTurim, que nos mantinha no segundo lugar, e depois porque apenas seis minutos após o nosso golo o Maccabi chegou ao empate, num penálti a castigar uma mão desastrada do Bah na área. À meia hora de jogo, mais uma contrariedade quando de forma surpreendente o Gonçalo Ramos e o Aursnes  foram substituídos pelo Musa e o Chiquinho - este último foi colocar-se sobre a esquerda, passando o João Mário para o meio ao lado do Florentino. O Gonçalo Ramos já se tinha queixado do pé, mas a saída do Aursnes foi mesmo inesperada. O Benfica continuou por cima no jogo até ao intervalo, mas sem criar muitas ocasiões de perigo. A posse de bola foi ficando cada vez mais desequilibrada a nosso favor, mas o Neres parecia estar em noite desinspirada, e na melhor situação que criámos o Musa isolou-se pela direita e finalizou a jogada com um remate completamente disparatado para a bancada, quando tinha dois colegas no meio a quem poderia ter tentado passar a bola - foi tão mau que até vimos uma rara manifestação de desagrado por parte do Roger Schmidt. Ao intervalo, entretanto a notícia de que a Juventus tinha chegado ao empate e portanto estava tudo como no início.

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Segunda parte com mais Benfica e mais perigoso, com o primeiro aviso a ser um ensaio do golo que estava para vir. Cruzamento do Bah e o Chiquinho surgiu solto ao segundo poste, mas não conseguiu acertar bem na bola quando rematou de primeira, com esta a sair ao lado. Antes de fechado o primeiro quarto de hora, mais um grande cruzamento do Bah e desta vez o Musa antecipou-se ao seu marcador ao primeiro poste e mergulhou para cabecear para o golo. E assim o Benfica voltava à liderança do grupo, dado que o PSG continuava empatado. Dez minutos depois, falta sobre o Chiquinho à entrada da área, sobre a esquerda, e quase todos nós adivinhámos o que aí vinha. Marcação exemplar do livre pelo Grimaldo, bom a bola a sobrevoar a barreira e a cair rapidamente para o terceiro golo. A má notícia foi que nesse preciso momento o PSG também marcou e portanto voltámos a cair para segundo. Entretanto o Maccabi deve ter querido arriscar um bocado mais no ataque, já que precisaria do empate para seguir para a Liga Europa, e foi perdendo a pouca organização defensiva que já tinha. Disso se aproveitou o Benfica, que apenas quatro minutos depois fazia o quarto golo. O Maccabi fez uma tentativa desastrada de sair para o ataque numa iniciativa individual e o Neres recuperou a bola ainda no meio campo defensivo adversário. Progrediu até à entrada da área pelo meio e depois fez um grande passe pelo meio dos defesas para que o Rafa, com um simples toque 'em colher' picasse a bola sobre o guarda-redes para marcar - acho que só mesmo o Rafa chegaria àquela bola antes de toda a gente. Neste momento faziam-se as contas e ao percebermos que, caso nada mudasse em Turim, faltariam dois golos para chegar ao primeiro lugar, começámos a ver isso como uma possibilidade bastante real porque ainda faltavam dezassete minutos para os noventa. Foi por isso até uma vez mais surpreendente quando o nosso treinador, a oito minutos do final, retirou o Rafa e o Neres do jogo para colocar o Henrique Araújo (estreia na Champions) e o Diogo Gonçalves. Mas tal como os dois primeiros suplentes que entraram, também estes entraram em alta rotação - quando fizemos as substituições comentei com amigos que se o Henrique Araújo ia entrar então pelo menos mais um golo marcaríamos. E a dois minutos do final a 'previsão' confirmou-se, com a insistência do Benfica depois de um grande remate do Diogo Gonçalves ao poste a fazer-se com um passe fantástico do Bah a aproveitar a grande desmarcação do Henrique no meio da área e este a finalizar com um remate rasteiro de primeira junto do primeiro poste. Faltava pouco tempo mas toda a gente parecia acreditar mesmo que ia acontecer - fantástica a imagem dos adeptos do Benfica a festejar este quinto golo com gestos para os jogadores a indicar que só faltava mais um. Entretanto aproveitou-se para trocar o António Silva pelo Veríssimo e promover o regresso deste à equipa principal um ano depois da grave lesão que sofreu. Três minutos de descontos e no segundo destes o Chiquinho recuperou uma bola na esquerda, evitou um par de adversários e colocou-a no João Mário no meio. Este progrediu um pouco e a uns bons vinte e cinco metros da baliza desferiu um remate rasteiro que fez a bola entrar juntinho ao poste. Um grande, grande golo (um lance que foi quase uma cópia do remate do Diogo minutos antes que tinha acabado no poste) e o improvável acabava de acontecer. E foi quase icónico ver o João Mário, nos festejos, a perguntar se já estava ou se ainda seria preciso mais um. Não foi, o jogo acabou logo a seguir e só foi preciso esperar mais um minuto pelo final do jogo em Turim. Onde o PSG, confiante que acabaria em primeiro, o gastou a queimar tempo à espera do final do jogo, que fez deflagrar os festejos da nossa equipa em Israel.

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Seria injusto não elogiar toda a equipa depois daquilo que conseguiram. Mas uns elogios especiais para jogadores como o Bah, Grimaldo, Otamendi, João Mário ou Rafa não ficam mal. Quando à meia hora de jogo vi entrar o Musa e o Chiquinho (ainda por cima com o Gonçalo Ramos e o Aursnes a jogar bem) torci o nariz, mas não tinha razões para o fazer. O Musa deu início à cavalgada até ao primeiro lugar e o Chiquinho entrou em altíssima rotação, acabando por fazer um jogo muito bom - se calhar um dos melhores que o vi fazer pelo Benfica. E por falar em suplentes, o Henrique Araújo e o Diogo Gonçalves também entraram muito bem e ainda dinamizaram mais o nosso ataque, sendo importantíssimos no ataque final à procura dos dois golos que faltavam, com o madeirense a assinalar a estreia na Champions com um golo.

 

Quem diria, à data do sorteio, que o Benfica acabaria o grupo no topo? Mas neste momento parece que a nossa equipa acredita que nada é impossível. A motivação é mais alta do que nunca, os jogadores divertem-se a jogar futebol e cada um deles parece estar a jogar o seu melhor futebol. Os que entram para os lugares dos que saem dão tudo para mostrar que também podem ser úteis e a equipa não abana ou perde eficácia. É com muita pena que em breve irei ver este momento ser interrompido para irem brincar às selecções durante um mês.

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publicado por D'Arcy às 01:52
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Domingo, 30 de Outubro de 2022

Alegria

Um sábado muito agradável. Mais uma exibição portentosa do Benfica perante um Estádio da Luz quase cheio, vitória por números apropriados a essa exibição, e face aos resultados dos outros, alargamento da vantagem sobre os outros tradicionais candidatos.

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O regresso do Neres ao onze era esperado, e quem saiu para lhe dar lugar foi o Florentino. O Aursnes deslocou-se para o meio e o João Mário regressou à esquerda. O Chaves apresentou como credenciais para este jogo vitórias em casa do Sporting e do Braga, e quis começar logo com a gracinha da escolha do campo ao contrário. A estratégia do Chaves para este jogo certamente seria a mesma que resultou nesses dois jogos: sobrepovoamento da zona central, evitar o golo adversário o maior tempo possível e depois aproveitar o pânico progressivo e o recorrer aos cruzamentos já que os seus defesas são fortes no jogo aéreo. A estratégia saiu imediatamente furada porque a entrada do Benfica no jogo foi avassaladora. Ainda não se tinha completado o primeiro minuto e o Benfica já tinha conquistado dois pontapés de canto. Pressão alta sufocante, bola rapidamente recuperada, e aos dois minutos o Neres foi por ali fora, progrediu pelo meio e largou uma bomba de pé esquerdo a uns vinte metros da baliza que fez a bola entrar junto ao ângulo. À molhada de jogadores do Chaves na zona central o Benfica respondia jogando a toda a largura do terreno, com variações rápidas de flanco nas quais o Enzo era quase sempre o fulcro e que invariavelmente iam encontrar um dos laterais completamente solto, obrigando a equipa do Chaves a bascular constantemente com os inevitáveis desequilíbrios e desposicionamentos a aparecerem. Aos dez minutos, falta sobre o Rafa à entrada da área e apesar do livre ser sobre a esquerda e 'pedir' mais um pé direito, foi o Grimaldo quem o marcou colocando a bola na gaveta. Depois do esforço a meio da semana, nada melhor do que ter o jogo praticamente resolvido ao fim de dez minutos. Sim, ainda havia muito futebol para jogar, mas o Benfica jogava de forma tão fluída e mostrava uma superioridade tal que todos nós devemos ter começado logo a fazer contas a quantos golos mais conseguiríamos marcar. Até porque os ataques e ocasiões do Benfica se iam sucedendo a um ritmo diabólico, sem que o Chaves mostrasse capacidade de resposta - destaque para uma ocasião em que o Gonçalo Ramos falhou por muito pouco, depois do cruzamento do Neres ter saído ligeiramente por alto. Se calhar por isso mesmo, pouco depois da meia hora, houve ali um período de três ou quatro minutos de desleixo da nossa parte e imediatamente o Chaves mostrou o que poderia acontecer caso nos descurássemos. Primeiro houve um contra-ataque de seis adversários contra os nossos quatro defesas, com o resto da nossa equipa a recuperar a passo - o remate saiu para as mãos do Vlachodimos. Logo a seguir, o Enzo cometeu o seu único erro no jogo e com um mau passe isolou um adversário, correspondendo o Vlachodimos com uma excelente defesa. E a seguir, nova perda de bola na zona defensiva terminou com um remate ao lado. Isto deverá ter sido suficiente para despertar-nos outra vez, e a resposta foi chegarmos ao terceiro golo ao trinta e sete minutos. Desmarcação do Aursnes pela direita, cruzamento junto à linha de fundo e o Gonçalo Ramos marcou quase sobre a linha e de ângulo apertado, depois de ter conseguido controlar a bola desviada pelo guarda-redes. Não mais voltámos a dar ao Chaves tanta liberdade, e até ao intervalo até deveríamos ter marcado mais, com realce para uma combinação de toques de calcanhar entre o Grimaldo e o João Mário, que terminou com um remate deste último por cima quando estava em posição para fazer bem melhor.

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Viemos com um ritmo bem mais pausado para a segunda parte, mas sem nunca abdicar do controlo do jogo. O meu maior lamento neste jogo foi o golo que acabou por nos ser (bem) anulado aos dez minutos deste segundo tempo. Uma jogada fantástica de equipa, onde a bola passou por vários jogadores e que envolveu passes de calcanhar e toques de primeira até o Gonçalo Ramos tocar atrasado para a entrada da área, onde o Enzo rematou de primeira para meter a bola no ângulo. Infelizmente, um dos muitos passes apanhou o Aursnes em posição irregular na direita antes de meter a bola na área e assim o golo foi invalidado, mas seria um dos momentos mais altos do jogo. O Benfica continuou a gerir a posse da bola sem forçar grandemente e o jogo chegou a tornar-se até algo aborrecido, até ao momento das substituições. As entradas primeiro do Gilberto e do Florentino (saíram o Bah e o João Mário), e depois do Musa e do Diogo Gonçalves (saíram o Gonçalo Ramos e o Neres) vieram agitar bastante o jogo e nos quinze minutos finais assistimos a um assalto à baliza do Chaves como se o jogo não estivesse já mais do que resolvido e houvesse uma necessidade absoluta de marcar mais golos. As ocasiões começaram a suceder-se a um ritmo elevado - Otamendi, Rafa, Diogo Gonçalves - até que aos oitenta e um minutos o golo chegou mesmo. Combinação pela zona central entre o Enzo e o Diogo Gonçalves, com o argentino a escapar-se entre vários adversários para depois soltar a bola já na área para o Musa, solto sobre a direita. O remate rasteiro e forte fez a bola entrar junto ao poste, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes. Mas porquê parar no quarto se ainda havia tempo para mais? O assalto continuou e o Rafa parecia estar particularmente determinado em não deixar acabar o jogo sem inscrever o nome na lista de marcadores. E no último minuto dos três de compensação, conseguiu-o. O maior destaque no lance vai para o remate de ressaca do Gilberto, de primeira à entrada da área e de pé esquerdo. O guarda-redes pareceu ainda tocar muito ligeiramente na bola, esta embateu com estrondo na barra, depois no chão, e o Rafa reagiu mais rápido do que toda a gente para fazer a recarga de cabeça. Ao contrário do que aconteceu a semana passada no Porto, onde a bola foi embater na barra, desta vez foi mesmo para dentro da baliza. E se querem uma demonstração do que é neste momento o estado anímico desta equipa, é ver a forma como o Rafa e o resto da equipa festejaram o golo. O quinto golo, no último minuto de um jogo que estava mais do que decidido, mas que foi festejado com uma alegria que até parecia que tínhamos acabado de marcar o golo da vitória.

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Acho que toda a equipa se exibiu a um nível muito alto, incluindo os suplentes que entraram e que revitalizaram o nosso jogo. Quase que estranhamente, acho que nem sequer posso dizer que neste jogo tivemos uma exibição superlativa do Rafa ou do João Mário, dois jogadores que têm estado em grande destaque ultimamente. Mas acho que seria injusto não destacar o enorme jogo do Enzo - que pena aquele golo não ter valido. Eu ainda na primeira parte dei comigo a pensar que andámos anos à procura de um jogador assim, e que vários dos insucessos mais recentes se terão devido ao facto de não o termos conseguido encontrar. Um belíssimo jogo também do Grimaldo, o Neres muito bem na primeira parte, e mais uma vez o Aursnes excelente.

 

Acho que se precisasse de encontrar uma só palavra para caracterizar o futebol que a nossa equipa neste momento pratica, teria que ser alegria. Há muito tempo que não via os nossos jogadores demonstrarem tanto prazer em jogar futebol e a desfrutarem cada minuto em campo e cada jogada que fazem com os colegas. Pode até ser um mero pormenor, mas é bom ver tanta gente com a nossa camisola em campo a sorrir. E isto ajuda em muito a explicar o nosso actual momento. Que o saibamos cultivar e prolongar o mais possível. É que neste momento o campeonato, e mesmo não se tendo ainda atingido um terço do mesmo, começa a tornar-se cada vez mais não um campeonato que outros possam ganhar, mas sim que só nós o poderemos perder.

publicado por D'Arcy às 01:45
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2022

Pouco

O título pode parecer estranho para um texto a referir-se à exibição brilhante que o Benfica realizou frente à Juventus. Se, antes do jogo, tivessem perguntado a qualquer benfiquista se ficaria satisfeito com uma vitória por 4-3 frente à Juventus, julgo que não haveria um único a responder negativamente. No entanto, chegados ao final dos noventa minutos, creio que muitos de nós nos podemos dar ao luxo de dizer que este resultado acabou por saber mesmo a pouco, tal foi a superioridade evidente que o Benfica demonstrou durante largos períodos de tempo, ao ponto de uma goleada de contornos históricos ter sido uma perspectiva bastante realista.

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O Benfica manteve a fórmula de Paris e do Ladrão, e o Neres continuou no banco com o Aursnes a manter a titularidade sobre a esquerda, movendo-se mais uma vez o João Mário mais para a direita. Os primeiros minutos do jogo só se podem descrever como um sufoco para a Juventus. A forma como o Benfica pressionou e remeteu a Juventus para perto da sua área foi simplesmente exemplar, e os italianos mal conseguiram respirar. Foi ataque atrás de ataque sem que a Juventus conseguisse sequer responder com algum contra-ataque, porque a bola era quase sempre recuperada ainda bem dentro do meio campo adversário. As tentativas de saída dos italianos eram invariavelmente pelo Kostic em acções individuais pela esquerda e pouco mais. O golo que surgiu aos dezassete minutos era por isso quase uma inevitabilidade. Repetindo uma fórmula que teve sucesso no início da época, um canto marcado de forma curta na esquerda do ataque terminou com um cruzamento do Enzo para o cabeceamento com sucesso do António Silva, que assim se estreou a marcar pela equipa principal. Infelizmente, quase não tivemos tempo para saborear a vantagem, já que praticamente na resposta, e se calhar na primeira vez que a Juventus chegou à nossa baliza, marcou. Foi também no seguimento de um pontapé de canto, e depois de duas defesas fantásticas do Vlachodimos em cima da linha a remates do Vlahovic, a bola acabou por sobrar para o Kean (que durante toda a jogada tinha estado plantado em fora de jogo quase encostado ao nosso guarda-redes, mas que quase por acaso depois do último toque do Vlahovic já estava atrás da linha da bola) que aproveitou para marcar. Este revés injusto poderia ter afectado a equipa mas isso não aconteceu, até porque também não tivemos que esperar muito para regressar à vantagem. Um penálti tonto cometido pelo Cuadrado, ao tocar a bola com o braço, permitiu ao João Mário uma conversão exemplar para nos devolver a liderança no marcador ainda antes de atingida a meia hora. Depois disso o festival ofensivo do Benfica continuou, e aos trinta e cinco minutos voltámos a marcar. Um pontapé longo do Vlachodimos, a bola a sobrar para o Aursnes, que a endossou ao Rafa. O Rafa correu com ela, passou-a ao João Mário na direita e correu de imediato para o interior da área, onde recebeu o passe perfeito do João Mário e marcou com um toque artístico de calcanhar.  Dois golos de vantagem ao intervalo e uma demonstração de superioridade tão grande que poucos duvidariam que o apuramento para os oitavos não estivesse já selado.

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E o regresso par a segunda parte encarregou-se de confirmar isso mesmo, porque o Benfica continuou a ser imensamente superior e a carregar na procura de mais golos. O Rafa era um autêntico demónio à solta e qualquer bola que lhe fosse parar aos pés significava problemas para a Juventus. O Aursnes e o Florentino levavam enorme vantagem nos duelos a meio campo e os ataques do Benfica sucediam-se. Bastaram cinco minutos para chegar ao quarto golo. A tentativa da Juventus sair pelo Bonucci resultou numa perda de bola graças a uma antecipação do Grimaldo, que depois viu bem a desmarcação do Rafa pelo espaço que tinha ficado aberto com a subida do defesa italiano, e o Rafa com toda a calma picou a bola sobre o guarda-redes. Neste momento já não era a vitória ou o apuramento que estavam em causa, mas sim que contornos esta goleada poderia assumir, porque com o volume ofensivo do Benfica era fácil pensar que iriam surgir mais golos. Do lado oposto, a Juventus nem sequer existia em termos ofensivos. As ocasiões para o Benfica sucediam-se e falhámos várias oportunidades para fazer o quinto golo, com o Gonçalo Ramos a destacar-se neste aspecto particular. O cenário era de tal forma desfavorável para os italianos que a vinte minutos do final pareceram literalmente atirar a toalha ao chão, substituindo dois jogadores nucleares como o são o Vlahovic e o Kostic. Indiferente a isto, o Benfica continuava por cima e voltou a falhar uma situação flagrante para marcar, quando o Rafa concluiu mais uma grande jogada do Benfica rematando de pé esquerdo por cima quando tinha a baliza completamente à sua mercê. Ironicamente, foi o miúdo inglês Iling-Junior, que tinha entrado para o lugar do Kostic, quem logo a seguir fez uma incursão pelo lado direito da nossa defesa e cruzou para um golo que a Juventus não justificava de todo. Marcou o Milik com um remate de primeira, deixado demasiado à vontade pelo Otamendi. Um minuto depois, o mesmo protagonista a entrar pelo mesmo lado, aproveitando um evidente cansaço do Bah, e novo cruzamento que terminou em golo do McKennie depois de alguma insistência na área. E quase do nada, pouco fazendo para o justificar, a Juventus voltava ao jogo. Respondeu o Benfica refrescando a direita e trocando o Bah pelo Gilberto, o que estancou as entradas por aquele lado. E voltou a desperdiçar, quando o Rafa se isolou e correu meio campo sozinho para depois acertar no poste à saída do guarda-redes. Foi substituído para a ovação juntamente com o Gonçalo Ramos logo a seguir, e já no período de descontos o Neres, que o substituiu, ainda teve tempo para desperdiçar nova ocasião de golo.

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Homem do jogo obviamente o Rafa. Dois golos e ficou a dever-nos outros dois. Foi um quebra-cabeças para a Juventus sempre que a bola lhe chegava aos pés, sem que os italianos conseguissem encontrar soluções para ele. A diferença de velocidade para os defesas da Juventus fizeram-no quase impossível de travar. Está em grande forma e parece jogar com uma felicidade talvez nunca vista. Fez-lhe bem o adeus ao clube da FPF, e espero que seja inflexível nessa posição. Mais um grande jogo do Aursnes, mesmo a jogar numa posição que não parece ser a mais natural, encostado mais à esquerda. Creio que já não deixará dúvidas a ninguém o acerto da sua contratação. Muito bem também o João Mário, e mantenho a opinião que jogar mais pela direita do que pela esquerda parece beneficiar o seu jogo, mas naturalmente deverá abandonar esse posicionamento assim que o Neres regressar ao onze. Destaques também para mais um jogo enorme do Florentino e também do Grimaldo - não sei se me recordo de uma situação de perigo que a Juventus tenha criado pelo seu lado.

 

Mais um objectivo da época fechado - depois do apuramento para a fase de grupos, a qualificação para os oitavos. Quando o sorteio nos ditou o PSG e a Juventus como adversários muitos dos nossos inimigos terão esfregado as mãos de contentamento e antecipado a nossa eliminação. Quem diria que com um jogo por disputar estaríamos ainda invictos e com a qualificação selada? A equipa continua a dar grandes mostras de confiança, a mostrar-se fiel a um plano de jogo, e a presentear-nos com grandes exibições. A desta terça-feira teve momentos brilhantes e só foi pena que aqueles dois golos de rajada da Juventus tenham dado uma expressão mentirosa ao resultado, porque a superioridade do Benfica sobre o seu adversário foi muito maior do que aquela que o resultado possa deixar adivinhar. Agora é manter a atitude contra o Chaves. Há muita gente ansiosa por nos ver escorregar.

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publicado por D'Arcy às 11:48
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2022

Cabeça

Uma vitória muito importante e difícil para o Benfica, como costumam ser quase todas arrancadas no Porto, e que foi acima de tudo o resultado de um jogo feito com muita cabeça por parte do Benfica. Havia um plano para este jogo e ele foi posto em prática, com a nossa equipa a não se desviar dele mesmo quando os acontecimentos do jogo convidavam a fazê-lo. Foi uma exibição sóbria e uma vitória justa, deixando depois ao adversário o habitual papel de tentar inventar polémicas e vitimizar-se, coisa em que são peritos, mas o que não percebem é que só mesmo eles próprios é que acreditam nas fantasias que criam.

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Durante todo o caminho para o estádio, no Metro, etc, nem um adereço do Benfica visível. Mas bastaram poucos minutos sentado no meu lugar para perceber que ao meu lado estava um casal de benfiquistas. Bom começo. O mesmo não se pode dizer da entrada do Benfica no jogo. Apresentando o mesmo onze de Paris, apesar do Rafa ter feito a primeira aproximação à baliza e ter conquistado o primeiro pontapé de canto, depressa o Porto assumiu o controlo do jogo. Uma pressão bastante agressiva, sobretudo sobre os nossos médios logo na saída de bola, foi algo com que não conseguimos lidar. Um pormenor interessante é que naquele estádio a pressão sobre a equipa de arbitragem começa ainda antes do apito inicial. Aos dois segundos de jogo então o povo já acha que está a ser espoliado. Urram de descontentamento com qualquer decisão tomada que lhes seja desfavorável, por mais evidente que seja, e exigem um cartão amarelo a cada falta assinalada a um adversário. Foi por isso que rejubilaram com o gatilho leve do árbitro na amostragem de cartões, que fez com que logo nos minutos iniciais e à primeira falta o Bah e o João Mário fossem logo amarelados (os amarelos pareceram-me justos, diga-se). O Benfica revelava grandes difuldades para acalmar e jogar o seu futebol, e a pressão agressiva pareceu afectar sobretudo o Enzo, a quem eu vi cometer mais erros na saída de bola só nos minutos iniciais deste jogo do que em toda a época até agora. Os amarelos aos nossos jogadores, aliás, resultaram de perdas de bola quando tentávamos sair, com muito maus passes. A pressão do Porto culminou com uma grande ocasião de golo à passagem do quarto de hora - que acabou por ser a melhor ocasião de golo de que dispuseram em todo o jogo - quando o Zaidu conseguiu o cruzamento em esforço sobre a linha de fundo e o Taremi cabeceou para uma defesa espantosa do Vlachodimos, daquelas defesas que valem pontos, voando para ir afastar a bola junto ao canto superior da baliza. Esta situação, curiosamente, foi uma espécie de canto do cisne para a pressão intensa do Porto. E não, ao contrário da fantasia que querem vender de que só após a expulsão é que o Benfica conseguiu começar a jogar, isso aconteceu antes, e mais precisamente neste momento. Logo na resposta o Rafa conduziu um contra-ataque perigoso que finalizou com um remate cruzado que infelizmente saiu frouxo, e depois disso o Benfica criou duas ocasiões perigosas. Na primeira o Grimaldo cruzou e o Rafa apareceu completamente sozinho no meio da área para cabecear directamente para as mãos do Diogo Costa, quando poderia ter feito muito melhor, e na segunda o Bah antecipou-se ao Zaidu e cabeceou em balão um cruzamento muito largo, fazendo a bola passar bastante perto do poste.

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Esta tendência só se acentuou quando no espaço de três minutos o Eustáquio enfiou duas sarrafadas no Bah e viu dois amarelos, sendo excluído do jogo aos vinte e sente minutos. Amofinaram-se os da casa perante tamanho atrevimento - onde é que já se viu penalizar um jogador do Porto só por cravar uns pitons nas canelas de um adversário - e a partir desse momento o plano do Porto tornou-se óbvio. Liderados pelo Verme, e com o incentivo ululante das bancadas, dedicaram-se afincadamente a tentar fazer cumprir a longa tradição de meter um jogador do Benfica na rua. O Verme atirava-se para o relvado e contorcia-se a cada toque que levava, a turba urrava, e estava o espectáculo armado. O Benfica, em superioridade numérica, não cometeu o erro de se atirar desmioladamente para o ataque, o que certamente permitiria o tipo de jogo partido com transições rápidas de parte a parte que não só seria muito mais vantajoso para a equipa em inferioridade, como se tornaria propício a mais lances que permitissem ao Porto arrancar o tão almejado cartão amarelo. Jogando um futebol de paciência, com muita circulação da bola e variações rápidas de flanco para aproveitar o jogador que acabava sempre por 'sobrar' solto na ala, fomos esperando pela nossa oportunidade para ferir o Porto, e esta poderia ter aparecido a dez minutos do intervalo. Uma excelente iniciativa do Aursnes pela esquerda, na qual deixou o Taremi para trás, terminou com um remate já de ângulo apertado que levou a bola a embater em cheio no poste. Depois ressaltou nas costas do Diogo Costa e foi para a zona frontal da baliza, onde o Rafa se antecipou a toda a gente para cabecear, mas com tanta falta de sorte que levou a bola a embater na barra. Entretanto esta jogada acabou por motivar ainda o Porto na perseguição do seu plano, porque ao tentar rematar na recarga ao remate à barra o Enzo cometeu falta e viu amarelo. As fichas estavam todas colocadas em voltar a igualar as equipas em termos numéricos, mas o resultado prático foi apenas um amarelo patético ao Aursnes depois de uma queda do Taremi no meio campo. Já o Verme, tinha fixado o Bah como alvo e voltou a contorcer-se à procura do segundo amarelo ao dinamarquês, mas apesar de toda a pressão o árbitro lá achou que uma falta normal na zona lateral da área do Porto e outra na lateral da nossa área quando o adversário corria para trás não eram motivo para satisfazer a turba. Revoltou-se e contorceu-se o povo com saudades de um Soares Dias, mas lá fomos para intervalo.

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Ou o Roger Schmidt já está informado sobre como é que as coisas funcionam normalmente em Portugal, ou alguém o terá avisado, porque ao intervalo substituímos imediatamente três dos quatro jogadores amarelados. Enzo, João Mário e Bah saíram, Neres, Draxler e Gilberto entraram. O Aursnes foi formar a dupla do meio campo com o Florentino, e os outros dois foram ocupar os lugares nas alas. E logo aí a estratégia do Porto ficou esvaziada. Era óbvio para todos que mais cedo ou mais tarde, mais mergulho menos mergulho, mais grito e espernear do Verme, e o desejado amarelo surgiria. Assim sendo, tudo o que o Porto podia fazer era tentar resistir. Até porque o Benfica veio para a segunda parte com um jogo muito paciente, escondendo a bola do Porto e esperando por uma oportunidade com a confiança de que ela acabaria por surgir. Depois, a entrada do Neres para a direita veio causar bastantes desequilíbrios, obrigando mesmo o Verme a vir ajudar a fechar esse lado e assim impedindo-o de ir para o meio tentar arrancar um amarelo ao Aursnes, o único amarelado que permanecia em campo. Durante mais de vinte minutos, desde o reinício do jogo, o Porto limitou-se a cheirar a bola enquanto o Benfica fazia o seu jogo paciente, com o desequilíbrio na estatística da posse de bola a atingir níveis raramente vistos em jogos entre estas duas equipas. A maior obrigação de vencer o jogo pertencia ao Porto e um empate não seria nunca um mau resultado para o Benfica, mas esta era uma oportunidade demasiado boa de ganhar para ser desperdiçada, pelo que convinha que o Benfica conseguisse causar mais desequilíbrios para chegar ao golo. Pela direita era o Neres quem causava problemas, pela esquerda era sobretudo o Grimaldo, sobrando para o Rafa o papel de arrancar com a bola para cima dos defesas sempre que possível.

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O Draxler só durou pouco mais de quinze minutos, e infelizmente o nosso treinador decidiu-se pela entrada do Musa (acho que será muito difícil eu ser um admirador dele), o que fez com que a equipa se reorganizasse com o Gonçalo Ramos como segundo avançado e o Rafa mais encostado à esquerda - a vantagem disto foi que o Grimaldo passou a ter alguém com quem combinar. Entretanto o Porto trocou o Evanilson pelo Veron e conseguiu agitar o jogo, voltando-se a ver algumas transições rápidas. Ironicamente, foi numa delas que o Benfica chegou ao golo. Depois de uma boa iniciativa individual do Pepê pelo nosso lado esquerdo ter terminado num cruzamento a quem ninguém deu sequência, a bola foi ter com o Neres, que a deixou no Rafa. O Rafa fez a condução pela esquerda aproveitando a ausência do Pepê, combinou com o Neres e apesar do passe do Neres desde a linha de fundo ter saído demasiado atrasado, o Rafa ainda conseguiu recolher a bola no meio da área e rodar para fazer o golo com um remate colocado junto ao poste. O auxiliar levantou a bandeirola, o povo rejubilou, mas como o lance foi mesmo à minha frente eu estava com bastante confiança que o golo acabaria por ser validado, o que acabou por se verificar. Entretanto o Verme aproveitou os festejos do golo para tentar agredir o Gonçalo Ramos e obviamente passar impune. Depois, estranhamente, perdemos um bocado o controlo que tínhamos tido até então e permitimos que o Porto recuperasse mais bolas e com isso conquistasse bolas paradas para despejar para a área. Não passámos por grandes apuros, é verdade - os lances de maior perigo foram um cabeceamento do Toni Martínez solto na área, mas que foi direito às mãos do Vlachodimos, e um mau passe atrasado do António Silva que obrigou o Gilberto a fazer um atraso já apertado por um adversário e que acabou por ser mais um remate para a própria baliza - mas isto não nos permitiu um final de jogo tranquilo. Da nossa parte, o maior destaque para um lance em que na direita da área o Neres deixou o Verme sentado e centrou, com a bola a desviar no Carmo para depois o Diogo Costa fazer uma grande defesa para retirar a bola de dentro da baliza, aproveitando para emular mais um pouco o Vítor Baía, e outro lance no qual quase à vontade junto da pequena área o Musa fez aquilo que eu esperaria dele, atirando a bola para a bancada. Final do jogo, a peixeirada habitual, o Verme a agitar o dedo ao árbitro, o cão raivoso a reclamar e a ser expulso, o mergulhador a tentar provocar os nossos adeptos que, ignorando-o, celebravam, a turba ululante a acreditar na fábula de que tinham de alguma forma perdido por causa da arbitragem, e os nossos a festejar tranquilamente a vitória. Foi bonita a festa.

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A minha escolha para o melhor jogador do Benfica vai para o Rafa. Não apenas pelo golo, mas também por ter sido sempre o jogador mais perigoso do Benfica durante o jogo. Foram as suas arrancadas que causaram maiores problemas à defesa do Porto e era dele que se esperavam os necessários desequilíbrios para chegarmos à vitória. Felizmente que se auto-excluiu do bando do Santos, e só tenho pena que não haja mais jogadores do Benfica a fazer o mesmo - especialmente tendo que partilhar o balneário com o Verme, o que por si só já deveria ser motivo de auto-exclusão para qualquer jogador do Benfica. Foi bem acompanhado como jogador desequilibrador pelo Neres, cuja entrada na segunda parte foi decisiva. Grande jogo também do Aursnes, que apesar do amarelo arrancado pelo Taremi nunca perdeu a compostura e foi um pêndulo do princípio ao fim; está jogo a jogo a provar o acerto da sua contratação. Gostei também do Grimaldo, em especial na segunda parte. O Vlachodimos foi um guarda-redes sólido, e aquela defesa no início do jogo foi decisiva, porque se o Porto tem marcado nesse lance duvido que o Benfica tivesse conseguido reentrar no jogo.

 

Vamos em dezanove jogos sem conhecer a derrota (apesar de ainda não termos enfrentado um teste a sério) mas nada está ganho. A atitude e personalidade mostradas no Porto têm que ser mantidas até ao último dia da época. Termos sabido manter a cabeça fria e sermos fiéis ao plano elaborado foi decisivo para esta vitória num jogo em que eles simplesmente aplicaram a fórmula bafienta do costume. Provocações e faltas de respeito antes e durante o jogo, pressão sobre os árbitros, quezílias e tentativas de levar o jogo para o clima conflituoso que sempre os favoreceu, a tudo isso os nossos jogadores foram incólumes. Nada de euforias desmedidas ou triunfalismos - ganhámos um jogo importante no caminho para os nossos objectivos, num campo e ambiente tradicionalmente difíceis, nada mais do que isso. E tenho poucas dúvidas que tudo poderia ter sido diferente se, por exemplo, o árbitro tivesse cedido à pressão que colocaram sobre ele - bastaria por exemplo ter tido um pasteleiro a arbitrar que não sairíamos dali com a vitória. Os dados continuam viciados, como sempre têm estado nas últimas quatro décadas. E é por isso mesmo que não nos podemos descuidar ou desviar um milímetro do caminho traçado.

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publicado por D'Arcy às 01:36
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Domingo, 16 de Outubro de 2022

Aviso

Quase que houve surpresa na Taça. Ao fim de duas horas de futebol e penáltis acabámos por seguir em frente, mas devemos sentir-nos envergonhados por ter permitido que um escândalo ficasse tão perto de poder acontecer.

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Mudanças houve, mas já deu para perceber que o nosso treinador não é fã de mudanças radicais, e portanto quando é para rodar muda no máximo metade da equipa. Por isso mantiveram-se no onze o António Silva, Grimaldo, Florentino, Enzo e João Mário e entrou o Helton para a baliza, e depois Gilberto, Brooks, Aursnes, Pinho e Draxler. Os problemas do Benfica começaram pela forma como entrámos no jogo. Contra um adversário mais fraco eu acho que é para entrar para matar completamente à partida quaisquer veleidades, não é deixar o tempo passar e a confiança deles aumentar. E o Benfica entrou no jogo a jogar de smoking, naquela atitude de 'isto há-de se resolver'. O que ficou evidente nos muitos lances em que perdíamos a bola porque os nossos jogadores ficavam parados à espera que a bola lhes chegasse aos pés, e entretanto os jogadores do Caldas corriam e antecipavam-se. Criámos muito poucas situações de golo e houve excesso de individualismo da parte da maioria dos jogadores. A melhor ocasião de golo foi mesmo do Caldas, num remate de fora da área que o Helton desviou para o poste. Para a segunda parte entraram o Musa e o Diogo Gonçalves para os lugares do Florentino e do Pinho, e o Benfica melhorou. Chegámos então ao golo quando o Musa se enganou e fez um bom golo, com um remate rasteiro e colocado a fazer a bola entrar junto do poste. Escrevi que ele se enganou porque no espaço de poucos minutos que se seguiram ele se encarregou de mostrar que o golo tinha sido obra do acaso. Duas vezes isolado à frente do guarda-redes, finalizou sempre de forma destrambelhada, com a agravante de que na segunda, depois do guarda-redes defender o primeiro remate, a bola foi cair-lhe nos pés outra vez. Com o Draxler e o João Mário ao seu lado e o guarda-redes em cima dele, bastando por isso passar-lhes a bola para que eles pudessem rematar para a baliza sem guarda-redes, preferiu tentar finalizar outra vez e obviamente voltou a acertar no guarda-redes.

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Apesar da exibição cinzenta, a superioridade do Benfica era evidente e parecia que iríamos seguir em frente, mas um raro erro do António Silva, ao não conseguir controlar uma bola, permitiu a um avançado do Caldas recuperar a bola e marcar com um remate por entre as pernas do Helton. E ficou o caldo entornado. A partir daí o jogo passou a disputar-se em apenas trinta metros de terreno, mas o que foi preocupante foi a falta de imaginação do Benfica para ultrapassar uma equipa que defendia com quase toda a gente à frente ou dentro da área. Criámos poucas situações de golo, mas mesmo a acabar o jogo o prolongamento até poderia ter sido evitado quando um defesa do Caldas, sem que ninguém lhe tocasse, quando a bola ia sobrar para o Musa em frente ao guarda-redes (OK, era o Musa, a probabilidade de dar golo era reduzida) caiu e 'acidentalmente' os seus braços foram precisamente tirar a bola dos pés do nosso avançado. Pelos vistos isto não é penálti. Siga para prolongamento, mais do mesmo, o Enzo ainda acertou nos ferros da baliza mas houve muito pouca inspiração do Benfica frente à muralha do Caldas. Nos penáltis, o Caldas falhou logo o primeiro e nós marcámos todos os nossos cinco (Enzo, Ristic, Aursnes, Chiquinho e João Mário). Seguimos em frente apesar da má exibição mas honestamente, em futebol jogado, seria uma enorme injustiça se fosse o Caldas a passar. É certo que se bateram bem, mas o Benfica dominou praticamente todo o jogo enquanto que eles passaram a maior parte do tempo enfiados na sua área, marcaram numa das duas ocasiões de perigo que criaram (que surgiu de um erro individual nosso) e ainda viram um penálti claríssimo não ser assinalado mesmo a fechar o jogo, de forma incompreensível. Merecem elogios pela forma como se bateram com tamanha desigualdade de meios, mas também não vamos entrar em exageros.

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O único destaque que consigo fazer é ao Enzo. Contra o Caldas, contra o PSG, contra o Rio Ave, contra a Juventus, joga sempre da mesma maneira. Acho que é o jogador mais fundamental da nossa equipa e parece-me que irá jogar até não se aguentar de pé. Ontem foram mais 120 minutos num jogo que até deveria ter servido para poupar algumas energias, tivéssemos nós sabido ser minimamente competentes. O António Silva cometeu o erro individual que resultou no golo do Caldas, mas só acontece a quem lá anda e de resto fez um jogo perfeitamente ao nível a que nos tem habituado. Não é pelo erro que vamos cair em exageros apesar de, como era previsível, o jornal da lagartagem já ter aproveitado a oportunidade para iniciar a sua campanha. O Musa marcou um bonito golo, mas praticamente tudo o que fez a seguir ao golo parecia ser uma confirmação de que o lance do golo foi puro acaso. Não me conseguiu convencer até agora. Esforça-se, dá trabalho aos defesas, tudo bem, mas é tecnicamente atroz e é pouco inteligente na forma como se posiciona e movimenta. Honestamente não consigo deixar de me interrogar como raio pode estar à frente do Henrique Araújo nas prioridades para aquela posição. Antes dele, o Rodrigo Pinho foi uma nulidade completa.

 

Espero bem que esta quase repetição do episódio com o Gondomar sirva de aviso para que nunca baixem a guarda ou relaxem. O Benfica é e sempre foi o maior alvo em Portugal, o prémio mais apetecido que todos querem exibir na sua sala de troféus. Dar menos do que tudo é meio caminho andado para que nos tornemos a presa. A resposta ao que se passou nas Caldas tem que ser uma atitude completamente diferente no jogo que se segue, que é dos quase impossíveis de ganhar todas as épocas. É o jogo em que nos é atirado tudo o que é possível arranjar, porque sabem que saindo de lá sem perder é sempre meio caminho andado para o sucesso no final. São nomeações cirúrgicas, é intimidação onde quer que seja possível fazê-la, são adversários dentro e fora do campo a espumar da boca e com línguas azuis, tudo vale para nos tentar abater. Muito da nossa época joga-se na próxima sexta-feira. Se ainda não têm noção disso, ganhem-na. Senão já estamos em desvantagem ainda antes do apito inicial.

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publicado por D'Arcy às 22:45
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2022

Repetição

Repetição do resultado frente ao PSG, o que nos deixou ainda mais perto do apuramento e prolongou a série invencível deste início de época. Não foi um jogo tão aberto como o disputado na Luz, foi muito mais táctico e teve muito menos ocasiões de golo, mas mais uma vez conseguimos bater-nos olhos nos olhos com os franceses e conquistar um resultado inteiramente justo, já que ambas as equipas acabaram por se anular uma à outra.

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Devido à ausência forçada do Neres, foi necessário mexer no onze e o Roger Schmidt apostou numa estratégia mais conservadora, colocando mais um médio - o Aursnes foi o escolhido. Isto significou jogar sem extremos, pois o Aursnes jogou mais pela esquerda e o João Mário pela direita, fechando no meio sempre que necessário. Quem esperasse um qualquer massacre do PSG desde o apito inicial depressa terá ficado desiludido. As equipas encaixaram uma na outra e o jogo foi, pode mesmo dizer-se, aborrecido. Muito poucas chegadas à baliza, e nem sequer os desequilibradores mais óbvios conseguiam criar grandes problemas às defesas adversárias - acho que durante o jogo houve dois remates à nossa baliza e um à baliza do PSG, incluindo os dois penáltis, e não me recordo de nenhuma defesa mais apertada por parte dos guarda-redes. O golo do PSG apareceu a cinco minutos do intervalo num penálti cometido pelo António Silva, que chegou atrasado ao lance e acabou por derrubar o Bernat, e convertido pelo inevitável Mbappé. Na segunda parte, fiquei com a sensação de que os dois médios-ala, em especial o Aursnes, apareceram a jogar mais junto dos dois médios centro, dando-nos superioridade numérica no meio campo. Se calhar o raciocínio do nosso treinador pode ter sido sufocar o génio Vitinha, que um pseudo-jornal da nossa praça descobriu que é o verdadeiro responsável pelo facto do Messi, o Mbappé ou o Neymar serem estrelas mundiais. Mas passou a ser frequente vermos sobretudo o Enzo com bastante liberdade para receber a bola e decidir como dar seguimento às jogadas, enquanto que o Verrati andava por ali a correr desenfreadamente para acudir a todos o os fogos. Numa dessas situações entrou de forma mais impetuosa ao lance e já não conseguiu evitar o toque no Rafa. Como não estamos em Portugal, o VAR fez o seu trabalho e alertou o árbitro sobre a falta (é simplesmente absurdo comparar a frequência de penáltis assinalados a nosso favor nos jogos europeus - nos quais nem sequer habitualmente submetemos os adversários a pressão tão intensa e portanto não temos tantas jogadas na área deles - com aquela que ocorre nos jogos das competições nacionais). O João Mário não tremeu e marcou o penálti de forma bastante semelhante à que tinha feito contra a Juventus. A partir daqui não vou dizer que ambas as equipas se conformaram com o resultado, mas pelo menos não me pareceram particularmente incomodadas com ele e portanto não pareciam muito dispostas a correr riscos desnecessários para voltar a marcar. A situação mais perigosa para o Benfica foi uma na qual o recém entrado Draxler andou à procura de espaço para rematar na área, mas acabou por ter o remate bloqueado por um defesa.

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Num jogo que não foi tecnicamente brilhante, achei que os maiores destaques terão sido os argentinos Otamendi e Enzo, bem acompanhados pelo João Mário, que atravessa um momento de grande confiança. Aliás, a confiança é tanta que por mais de uma vez o vi tentar ganhar lances em velocidade aos adversários. Quando o fez com o Hakimi, achei piada. Quando o fez com o Mbappé, ri-me mesmo.

 

Com uma sorte descomunal, continuam a atravessar-se no nosso caminho adversários que estão na sua pior forma de sempre, e portanto a invencibilidade vai-se prolongando. Aqueles que esfregavam as mãos de contentes na altura do sorteio quando viram os nomes da Juventus e do PSG no nosso grupo entretanto já chegaram à conclusão que eles são, na verdade, fracos. Já vi inclusivamente lançada a teoria de que as estrelas do PSG se estão a poupar para o Mundial. Indiferentes a isto, a conjugação de resultados significa que em princípio um empate num dos dois jogos que restam deverá ser suficiente para assegurar a passagem, mas tal até poderá não ser necessário - para não passarmos, uma das outra duas equipas terá forçosamente que vencer o Benfica e o PSG nos dois jogos que faltam, o que não sendo impossível, é pelo menos pouco provável. A seguir, Caldas para a Taça, para abordar com exactamente a mesma seriedade que este duelo com o PSG o foi.

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publicado por D'Arcy às 17:11
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