VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 10 de Novembro de 2019

Raça

Depois de uma primeira parte deplorável conseguimos dar a volta na segundo e regressar dos Açores com os três pontos. À falta de inspiração, a reviravolta teve que ser feita com base na raça, e por isso pelo menos é de assinalar a vontade que a equipa mostrou em dar a volta à situação e ir à procura da vitória.

 

 

Foi o regresso a um onze mais expectável. A titularidade do Jardel nem foi surpreendente, dada a lesão do Ferro em Lyon, e na frente desta vez foi o Seferovic a formar dupla com o Chiquinho. Cedo se percebeu que tínhamos pela frente um jogo muito difícil. O Benfica foi manifestamente incapaz de ultrapassar a teia montada pelo Santa Clara, e passou a maior parte do tempo a lateralizar jogo, trocando a bola entre centrais, médios e laterais sem ser capaz de progredir no terreno de jogo. As poucas tentativas de passes de ruptura  nunca resultaram - a tarefa foi quase sempre executada pelo Gabriel, que esteve um autêntico desastre neste particular. Aliás o nosso meio campo no geral foi perfeitamente anulado pelo Santa Clara, já que nem mesmo o Pizzi conseguiu ter qualquer tipo de influência no jogo quando vinha para a zona central, e o Florentino era um jogador redundante. O Santa Clara, quando recuperava a bola, conseguia sair rapidamente para o ataque em dois ou três toques e assim criar perigo. Foi numa jogada dessas que se colocaram em vantagem, ainda antes do primeiro quarto de hora de jogo. Um cruzamento largo a partir da esquerda da nossa defesa e depois o adversário ganhou no confronto directo com o André Almeida e cabeceou para golo. Adivinhavam-se grandes dificuldades para o Benfica, porque mesmo em desvantagem não fomos capazes de mudar a nossa forma de jogar e o Santa Clara continuava a ser perigoso nas poucas vezes em que saía para o ataque, ameaçando um segundo golo. Não sei sequer se o Benfica chegou a fazer um remate à baliza durante todo o primeiro tempo.

 

 

Na entrada para a segunda parte trocámos logo o Florentino pelo Vinícius, passando o Chiquinho para a zona central. Nos minutos iniciais o Santa Clara ainda conseguiu uma ou outra saída para o ataque, mas o Benfica foi progressivamente tomando conta do jogo até ao ponto em que se passou a jogar quase exclusivamente no meio campo do Santa Clara, sendo que mesmo as tentativas dos açorianos de sair para o ataque eram imediatamente cortadas. Em termos ofensivos é que as coisas continuavam a não ser as melhores para nós, já que o caudal ofensivo não se reflectia em ocasiões de golo em número suficiente. Mas pelo menos já conseguíamos fazer a bola circular com maior velocidade e causar desequilíbrios na muralha do Santa Clara. O primeiro grande sinal de perigo foi dado pelo Rúben Dias, num pontapé de canto, mas o guarda-redes adversário defendeu por instinto. Mas logo no minuto seguinte, e ainda antes de se completarem dez minutos na segunda parte, chegámos ao empate. Bola do Chiquinho para o Pizzi na direita, que ultrapassou o defesa no um para um e depois cruzou tenso e rasteiro para o Vinícius finalizar à boca da baliza. No período a seguir ao empate a pressão do Benfica intensificou-se, mas as ocasiões de perigo continuavam a não ser suficientes em número ou qualidade e a manutenção do empate até final era uma ameaça real. Trocámos o Cervi pelo Taarabt, que foi para o meio passando o Chiquinho para a direita e o Pizzi para a esquerda, mas a substituição não teve efeitos imediatos. O Santa Clara até pareceu começar a conseguir acalmar o ritmo de jogo conforme lhe convinha, libertando-se da pressão a que tinha estado sujeito. Até que a doze minutos do final, um mau alívio da defesa fez a bola ir parar aos pés do Seferovic a meio do meio campo açoriano. O suíço progrediu até à entrada da área chamando a si os defesas, e depois soltou para o Pizzi que, descaído sobre a esquerda, finalizou à saída do guarda-redes. Estava consumada a reviravolta, mas até podermos festejar a vitória ainda tivemos que passar por um enorme calafrio, quando em período de compensação o Ukra surgiu solto e rematou cruzado, fazendo a bola passar a centímetros do poste.

 

 

Melhor do Benfica tem que ser o Pizzi. Assistência para o primeiro golo e golo da vitória. Ser decisivo já se tornou um hábito para ele. De resto não consigo destacar mais ninguém numa exibição com tão pouco brilho.

 

Valeu, e muito, a vitória num campo complicado contra um adversário difícil. Mais difícil ainda porque foi um jogo fora arbitrado pelo inefável Artur Soares Dias, que conseguiu ignorar olimpicamente um penálti descarado sobre o Cervi nos minutos finais da primeira parte - ignorar penáltis a favor do Benfica é uma das principais qualidades que têm permitido a este árbitro progredir na carreira. Conforme escrevi no início, a exibição não foi lá grande coisa, mas fico satisfeito com a vontade mostrada pelos jogadores em dar a volta à situação. Quando há atitude, a probabilidade de sermos felizes é maior.

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publicado por D`Arcy às 14:13
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Quarta-feira, 6 de Novembro de 2019

Cinzenta

Foi o regresso à triste realidade da Champions. Mais uma exibição cinzenta como os equipamentos alternativos que insistimos em utilizar mesmo quando não parece haver razão lógica para isso e a consequente derrota, que faz com que o apuramento para a fase seguinte seja uma miragem e a própria continuidade nas competições europeias um objectivo complicado.

 

 

Não me vou alongar muito, porque basta dizer que foi uma exibição na linha daquilo que tem sido o Benfica na Champions nas últimas épocas. Houve um par de alterações no onze, onde entraram o Tomás Tavares e o Gedson por troca com o André Almeida e o Pizzi. O Tomás Tavares revelou-se uma aposta falhada, já que o nosso lado direito foi quase sempre uma via aberta durante a primeira parte. Nada me move contra o jogador, que acho que tem um futuro promissor, mas não creio que esteja propriamente preparado para ser lançado às feras a este nível. Jogadores como o Rúben, o Ferro, o Florentino, o Félix ou outros já tinham pelo menos experiência na 2ª Liga quando foram lançados. O Tomás Tavares veio directamente dos sub-23 para a Champions. Tem dez jogos profissionais disputados, e quatro desses são na Champions. Parece-me excessivo. Isto de qualquer forma não é uma tentativa de crucificar o jogador pela derrota, porque toda a equipa esteve abaixo do exigível. Voltámos a ter uma entrada tímida e amedrontada no jogo e ficámos em desvantagem logo aos quatro minutos, na sequência de um cruzamento largo para a área que permitiu um cabeceamento muito à vontade a um dos centrais adversários. Minutos depois ficámos sem o Ferro por lesão, que deu o seu lugar ao Jardel. Mas continuámos a não ser capazes de sair para o ataque e a ser pressionados pelo Lyon. A partir da meia hora de jogo parecemos querer começar a dar alguns sinais de vida, e o resultado imediato foi levarmos com um segundo golo em contra-ataque. A jogada foi conduzida pelo lado direito da nossa defesa e acabou com um passe para uma finalização fácil do Depay bem no meio da área. Na segunda parte, o Lyon veio jogar mais em contenção e a tentar baixar o ritmo do jogo. Nós trocámos o Gedson pelo Seferovic, mais tarde o Cervi pelo Pizzi, e aproveitámos para ter mais bola e insistir no ataque. Tivemos algumas jogadas mais perigosas, rematámos mais, e a cerca de quinze minutos do final marcámos pelo Seferovic, que aproveitou um bom passe longo do Pizzi para as costas da defesa (o golo teve que ser validado pelo VAR, já que inicialmente foi assinalada posição irregular ao suíço). O golo devolveu uma réstia de esperança ao Benfica, mas a verdade é que não conseguimos sequer voltar a criar perigo. E a um minuto do final, quando surgiu uma situação em que o Traoré ficou um para um com o Jardel dscaído sobre a esquerda, o mundo inteiro percebeu o que iria acontecer: finta para o meio e remate cruzado. O mundo inteiro, menos o Jardel, que lhe deu tempo e espaço para fazer isso mesmo, resultando no terceiro golo do Lyon e num ponto final no assunto.

 

Menos mau no Benfica talvez o Florentino pelo número de recuperações de bola efectuadas. O Chiquinho tentou mas não esteve feliz na finalização. O Gabriel também foi dos mais esforçados.

 

A exibição foi má e não há outra forma de a descrever. Mas findo o previsível desnorte europeu, urge regressar às boas exibições e vitórias nas competições internas. Como de costume, um mau resultado europeu será utilizado pelos nossos inimigos, frustrados com a falta de argumentos internos, como arma de arremesso para tentar criar instabilidade em redor da equipa e da do treinador. É necessário colocar rapidamente um travão a isso, e tal só se consegue com vitórias.

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publicado por D`Arcy às 01:04
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Domingo, 3 de Novembro de 2019

Convincente

As melhorias apresentadas no último jogo prolongaram-se hoje e conseguimos aliar o resultado a uma boa exibição, a que só ficaram a faltar mais golos. Foi uma vitória convincente num jogo marcado pelo controlo quase absoluto do Benfica no mesmo e uma arbitragem simplesmente lamentável do Xistra enquanto o nulo se manteve no marcador.

 

 

Desta vez foram menos as alterações no onze: apenas três. Ferro, Florentino e Pizzi ocuparam os lugares que tinham sido do Jardel, Samaris e Gedson no jogo contra o Portimonense. A fase inicial do jogo não foi entusiasmante. O Rio Ave mostrou ter a lição bem estudada e entrou no jogo preparado para anular o nosso futebol. Duas linhas bem juntas a bloquear as tentativas de jogo interior, tentativa de pressionar logo na saída de bola, e os nossos laterais amarrados por dois extremos velozes - Gabrielzinho e o nosso ex-jogador Nuno Santos. Na esquerda a constante ajuda defensiva do Cervi ainda permitia ao Grimaldo soltar-se um pouco mais, mas do outro lado o André Almeida tinha que estar mais preocupado com o seu adversário directo, pois o Pizzi não é tão dado a essas tarefas. O primeiro sinal de perigo foi dado num remate do Cervi que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada, mas ironicamente acabou por ser a actuação do eterno Carlos Xistra a revelar-se um rastilho para incendiar a Luz e espicaçar a nossa equipa. Isto graças a uma série de decisões incompreensíveis que incluiram amarelos perdoados, ignorar faltas que dariam origem a livres perigosos perto da área do Rio Ave e um penálti sobre o André Almeida quando este poderia marcar um golo quase idêntico ao que marcou contra o Portimonense - não percebo sequer como não houve intervenção do VAR, já que não houve qualquer intenção do defesa do Rio Ave em jogar a bola e simplesmente foi empurrar o nosso jogador. Aliás, a 'inspiração' do homem começou logo a revelar-se no primeiro minuto de jogo, quando conseguiu vislumbrar um suposto jogo perigoso do Vinícius num lance em que ele e o Cervi ficariam numa situação perigosa para a baliza do Rio Ave. Para azar do Xistra, no pontapé de canto na sequência do penálti ignorado, o Rúben Dias cabeceou de forma fulgurante para dentro da baliza a bola cruzada pelo Pizzi. Mais uma vez um defesa na sequência de uma bola parada a ser responsável por desfazer o nulo, a exemplo do que aconteceu nos últimos jogos. O Benfica já estava bem por cima no jogo antes do golo, e depois dele essa tendência apenas se acentuou. Uma única excepção já perto do intervalo, quando o Nuno Santos se conseguiu escapar pela esquerda ao André Almeida e depois rematou de ângulo bastante apertado, acertando com estrondo no poste. Acabou por ser a única ocasião de perigo criada pelo Rio Ave em todo o jogo.

 

 

A segunda parte só se pode descrever como domínio total do Benfica. É que foi mesmo quase jogada só dentro do meio campo do Rio Ave, com o nosso adversário desta noite a ser incapaz de criar qualquer jogada de perigo. Só numa ou outra investida individual por parte do Nuno Santos (acredito que se não tem tido aquela lesão gravíssima, a carreira dele no Benfica poderia ter sido bem diferente) é que conseguiam trazer a bola para mais perto da nossa área. O Benfica foi muito eficaz na pressão sobre o adversário, cortando quase todas as tentativas de saída para o ataque quase no seu início (com o Florentino a evidenciar-se nas recuperações) e empurrando o Rio Ave para junto da sua baliza. Convém salientar que isto não foi postura do Rio Ave - eles não se apresentaram com qualquer autocarro e vieram à Luz para tentar jogar futebol, simplesmente foi o Benfica que conseguiu remetê-los a esta situação. Também como aconteceu contra o Portimonense, fizemos o segundo golo muito cedo na segunda parte - aos cinco minutos. Passe do Gabriel a solicitar o Grimaldo na esquerda, combinação com o Cervi, e passe atrasado deste para a entrada da área, onde o Pizzi com uma simulação tirou dois adversários da frente e rematou para o golo. Depois só ficámos a dever-nos a nós próprios um resultado mais dilatado, porque ocasiões para isso não faltaram. Conforme escrevi, o domínio do Benfica foi completo e os dois golos de diferença acabam por ser um resultado enganador, porque na minha opinião esta até foi uma das exibições mais conseguidas do Benfica desde o início da época. Faltou talvez uma melhor definição das jogadas no ataque para ampliarmos o resultado como merecíamos. Por vezes fiquei com a sensação que as coisas estavam a correr tão bem e conseguíamos encontrar e criar espaços no ataque de forma tão fácil que havia a tentação de enfeitar ainda mais as jogadas com mais um passe de primeira para um colega que estivesse em ainda melhor posição e acabava por se perder a oportunidade de remate. De qualquer forma a partir de uma certa altura também fiquei com a sensação que já não era para forçar muito, talvez já a pensar no jogo da Champions, e até o Grimaldo foi substituído apenas para gestão de esforço. Mas nada belisca a justiça da nossa vitória.

 

 

Gabriel, Rúben Dias ou Cervi foram dos melhores no jogo desta noite. Ao argentino só ficou mesmo a faltar-lhe um golo para coroar a exibição, pois bem fez para o merecer. O Pizzi acaba o jogo com uma assistência e um golo e a ser mais uma vez decisivo. Como habitualmente, ganha protagonismo quando aparece nas zonas mais centrais do campo, porque quando está encostado à ala desaparece muito do jogo.

 

Foram duas boas vitórias seguidas com exibições que só podem aumentar a confiança dos adeptos e da própria equipa. Nestes jogos já conseguimos ver a nossa equipa conseguir aproximar-se mais daquilo que já a vimos produzir, e agora esperemos que esta tendência seja para manter.

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publicado por D`Arcy às 02:50
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019

Melhorias

Apresentando nítidas melhorias em relação aos últimos jogos, o Benfica despachou o Portimonense com relativa tranquilidade e aproveitou para se isolar no topo da tabela da Liga.

 

 

Foi quase meia equipa que mudou em relação ao jogo em Tondela - cinco alterações no total. Entraram no onze Jardel, Samaris, Gedson, Chiquinho e Vinícius, por troca com Ferro, Florentino, Pizzi, Taarabt e Seferovic. Curiosidade maior para ver como funcionaria a dupla Chiquinho/Vinícius. O primeiro porque parece ser o jogador do plantel com melhores características para assumir o papel desempenhado a época passada pelo Félix; o segundo porque tem vindo a aproveitar bem as oportunidades que lhe são concedidas, enquanto que o Seferovic tem andado abaixo daquilo que já o vimos fazer. Achei que se viu logo de início mais alguma dinâmica no nosso jogo, mesmo que nem sempre as coisas saíssem bem na primeira parte. Alguma influência do Chiquinho nisto, porque é um jogador com capacidade para fazer recepções orientadas, que procura quase sempre a progressão no campo quando recebe a bola (tenho muita vontade de vê-lo simultaneamente em campo com o Rafa) e movimenta-se muito para oferecer opções de passe aos colegas. Na esquerda, a presença do Cervi pareceu deixar as costas um pouco mais quentes ao Grimaldo, que foi bastante mais ofensivo neste jogo. O Samaris também deu mais alguma agressividade ao meio campo, que resultou numa linha de pressão mais subida. O primeiro sinal de perigo até foi dado pelo Portimonense, naquela que acabou por ser a sua única ocasião de perigo no jogo. O Vlachodimos opôs-se bem ao remate cruzado do japonês Anzai, que surgiu solto ao segundo poste depois de um cruzamento da esquerda da nossa defesa. Mas decorridos poucos minutos, à passagem do quarto de hora de jogo, o Benfica colocou-se em vantagem. Tal como em Tondela, na sequência de um pontapé de canto. Bola metida pelo Grimaldo para a zona do primeiro poste, um primeiro toque do Gabriel, e entrada fulgurante do André Almeida ao segundo poste para finalizar. Um lance estudado que levou a equipa a comemorar com o Veríssimo, responsável pelo treino das bolas paradas. O golo fez com que o Benfica, que já estava por cima no jogo, ficasse completamente à vontade, mas não pareceu haver muita vontade para forçar o andamento em busca de um segundo golo. Houve uma ou outra ocasião, mas as tentativas de remate foram sempre interceptadas por defesas adversários. Ficaram também na retina diversos cruzamentos muito mal feitos pelos nossos jogadores.

 

 

A entrada na segunda parte não podia ter sido melhor, pois o Benfica marcou logo na segunda jogada. A primeira tinha sido uma investida do Gedson pela direita que acabou num pontapé de canto. Na sequência deste, o André Almeida cabeceou em balão à trave e a bola foi recuperada pelo Grimaldo, que fez um novo cruzamento para o Rúben Dias finalizar na pequena área. Objectivamente o jogo ficou ganho nesse momento, porque o Portimonense continuava a ser incapaz de causar qualquer tipo de incómodo à nossa defesa. Mas gostei de ver os nossos jogadores mais soltos e a jogar mais à vontade com esta vantagem mais dilatada, o que fez logo antever que a probabilidade de vermos mais golos era elevada. Vi-nos atacar em equipa, com vários jogadores junto da área adversária, em vez de haver aquele fosso enorme entre o ataque e o resto da equipa. O Chiquinho esteve perto de marcar, mas acabou por ser o Vinícius a marcar dois de rajada, no espaço de dois minutos. Aos sessenta e três e sessenta e cinco minutos de jogo ficou selada a goleada. No primeiro destes golos é de realçar o fantástico passe do Grimaldo, de pelo menos meio campo a solicitar a corrida do Vinícius nas costas da defesa. Este resistiu à carga do defesa e teve tranquilidade suficiente para ultrapassar o guarda-redes e rematar para a baliza vazia. No segundo, novo passe longo do Grimaldo a solicitar a corrida do Chiquinho na esquerda, que com um passe de trivela de primeira deixou o Vinícius na cara do guarda-redes para finalizar. Este golo foi para mim uma espécie de regresso ao que de melhor fazíamos a época passada: mobilidade e transições rápidas com ataque ao espaço vazio. É aquilo que me tenho vindo a queixar que sinto falta esta época, já que os jogadores da frente me parecem quase sempre demasaido estáticos para permitir este tipo de jogadas. Como o jogo mais do que decidido o chiquinho e o Vinícius foram poupados á fase final do jogo, altura em que o Gedson esteve muito perto de aumentar o resultado, mas o seu remate foi defendido pelo quarda-redes de forma a fazer a bola viajar ao longo da linha de golo e sair pertíssimo do poste.

 

 

O melhor em campo foi o Grimaldo. Conseguiu ser interveniente nos quatro golos da equipa, com duas assistências directas, para o golo do Rúben Dias e o primeiro do Vinícius. Nos outros dois, foi ele quem marcou o canto que deu origem ao primeiro golo, e fez o passe para a desmarcação do Chiquinho no quarto golo. Naturalmente, destaques também para o Vinícius e o Chiquinho, e ainda para o Gabriel, o Rúben Dias e o Cervi. A este último ninguém pode acusar de falta de empenho em aproveitar as oportunidades que lhe são dadas.

 

E agora uns números: com a vitória de hoje, Bruno Lage venceu 26 dos 28 jogos que fez para a Liga, tendo perdido apenas um. É uma percentagem de vitórias de 93%, com 93 golos marcados e apenas 19 sofridos. Resultados práticos disto são um campeonato ganho em meia época e a liderança isolada na presente época. Desafio qualquer um a tentar encontrar um treinador com números melhores. E no entanto, há para aí uma campanha que não tem outro objectivo que não o de tentar criar instabilidade na nossa equipa que nos quer convencer que Bruno Lage é um treinador contestado e com o lugar em risco. Enquanto que outro treinador - que em meia época conseguiu perder para o Benfica de Bruno Lage um campeonato em que dispunha de sete pontos de vantagem e como bónus ainda recebia o Benfica em casa, que conseguiu perder duas finais de taças para os pelintras caloteiros do Lumiar, que conseguiu falhar de forma estrondosa um dos principais objectivos desta época, o apuramento para a fase de grupos da Champions, que se pega frequentemente com os seus próprios jogadores, que perde as estribeiras em conferências de imprensa - é a imagem da estabilidade. É que não custa nada perceber quem alimenta esta campanha contra o Bruno Lage. Que os comentadores e adeptos dos nossos adversários dêem eco a esta campanha, não é nada que eu não esperasse. Que haja benfiquistas a dar para este peditório é que já me ultrapassa completamente.

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publicado por D`Arcy às 01:55
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Domingo, 27 de Outubro de 2019

Tangencial

Uma vitória tangencial em Tondela num jogo que para mim ficou marcado sobretudo por pouca ambição da parte do Benfica. Obtida a vantagem, a prioridade foi gerir o tempo e o resultado com talvez excessiva confiança em que o Tondela seria incapaz de marcar.

 

 

O regresso do André Almeida foi o principal destaque num onze onde o Cervi manteve a titularidade conquistada no jogo da Champions. Taarabt e Pizzi também regressaram à equipa, saindo o lesionado Rafa e o Gedson. O jogo praticamente começou com dois sustos para o Benfica, pois foi necessário o Vlachodimos intervir duas vezes para deter remates perigosos do Tondela que poderiam perfeitamente ter dado golo. Mas a verdade é que essas duas ocasiões iniciais acabaram por ser as únicas que o Tondela criou em todo o jogo, pois não conseguiu voltar a ameaçar seriamente a nossa baliza. O Benfica voltou a mostrar muita lentidão de processos nas saídas para o ataque e demasiada insistência no jogo interior, o que facilitou a tarefa à defesa do Tondela. Mas chegámos à vantagem relativamente cedo, quando estavam decorridos dezanove minutos: um canto na esquerda apontado pelo Grimaldo e o Ferro conseguiu cabecear para golo sem sequer ter que tirar os pés do chão. A partir do golo, sinceramente, não tenho muito mais a dizer. Nem sobre a primeira parte, nem sobre a segunda, porque não se passou quase nada de relevante. O Benfica limitou-se a gerir a vantagem e não pareceu ter qualquer vontade de forçar ou arriscar demasiado para chegar a um segundo golo que desse maior tranquilidade. Por outro lado, o Tondela não revelou ter capacidade para alterar o estado das coisas. Foi um jogo francamente aborrecido - nem tenho bem a certeza se não cheguei a adormecer durante alguns instantes na segunda parte. Basta dizer que nesse período o primeiro remate a qualquer uma das balizas foi feito a menos de quinze minutos do final. Não houve qualquer lance de perigo junto da nossa baliza e objectivamente a nossa vitória nunca esteve em risco. Mas um golo é sempre uma vantagem magra e dá para ficarmos nervosos até final com receio de algum lance fortuito que resulte no empate. Um ponto positivo acabou por ser o regresso do Chiquinho à competição após a lesão, tendo entrado durante a segunda parte mas sem grandes resultados práticos.

 

Talvez o Gabriel tenha sido dos melhores do Benfica neste jogo, e o Grimaldo também esteve bastante em jogo, mas não houve ninguém que se destacasse muito.

 

Foram três pontos sempre importantes e agora seguem-se dois jogos em casa num curto espaço de tempo, nos quais temos que somar a pontuação máxima. Apesar da nossa vitória não ter sido posta em causa, a exibição esteve longe de ser convincente. Continua a faltar-nos muita dinâmica nos processos ofensivos e nesse aspecto a equipa chega a lembrar os piores tempos sob o comando do Rui Vitória. É imperioso melhorar a qualidade do nosso jogo.

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publicado por D`Arcy às 21:01
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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2019

Calhou

Começo este post com uma declaração de intenções: quem costuma ler o que eu escrevo sabe que não tenho por hábito criticar gratuitamente, nem me dá qualquer especial prazer falar mal da nossa equipa. Posto isto, em relação ao jogo desta noite, só posso mesmo dizer que foi uma vitória caída do céu (ou neste caso, das mãos do Anthony Lopes) num jogo em que o que produzimos pouco a justificou. Quase que posso dizer que ganhámos porque calhou.

 

 

Tomás Tavares, Cervi e Gedson foram as surpresas num onze que contou com os regressos do Florentino e do Rafa à titularidade, tendo o Pizzi sido relegado para o banco. A entrada do Benfica no jogo até foi agradável, quase sempre impulsionado pelas investidas do Rafa, e foi mesmo o Rafa quem inaugurou o marcador logo aos quatro minutos, aproveitando um passe do Cervi no meio de uma confusão para rematar cruzado. Mas cedo no jogo ficámos privados do Rafa por lesão (entrou o Pizzi para o seu lugar) e a partir daí a opção do Benfica foi simplesmente jogar para o resultado. Linhas fechadas atrás, iniciativa de jogo dada ao Lyon e quase nenhum risco nas saídas para o ataque - quase todas as transições eram travadas para se optar pelo ataque organizado. Logo aí dei por mim a pensar que estava a ver o filme do costume na Champions, e que mais cedo ou mais tarde o empate surgiria. Verdade seja dita que conseguimos impedir o Lyon de ter qualquer ocasião de golo, e até podíamos ter chegado ao segundo golo se o Seferovic não tivesse desperdiçado de forma absolutamente incrível uma ocasião soberana, quando apareceu sozinho em posição frontal para finalizar um bom passe do Tomás Tavares e atirou por cima. Por isso ao intervalo nem podia dizer que a estratégia era má de todo. Só que na segunda parte as coisas foram bem piores. As nossas linhas recuaram ainda mais e o Lyon passou a ter toda a iniciativa no jogo. No ataque simplesmente não existimos, e chegou a fazer-me impressão ver aquilo que parecia basicamente falta de ambição nos nossos jogadores. A Champions é a maior prova de futebol para clubes, a maior montra que existe, e no entanto os nossos jogadores pareciam ter medo de arriscar, de meter o pé, de correr a uma bola que não lhes fosse direitinha para os pés. Continuámos de facto a impedir o Lyon de criar ocasiões de golo, mas como sempre na Champions é apenas uma questão de tempo. Basta uma situação para o adversário marcar, e isso acabou por acontecer a vinte minutos do final. Um cruzamento longo da direita para o poste mais distante, onde de alguma forma apareceram três jogadores adversários para apenas o Tomás Tavares, e o Depay finalizou de primeira. E nos minutos que se seguiram ao empate a sensação com que se ficou era a de que o Lyon iria à procura da vitória. Só nos minutos finais é que a nossa equipa finalmente deu um arzinho da sua graça e subiu linhas, passando a ganhar e a recuperar mais bolas no meio campo. O Pizzi acertou no poste a cinco minutos do final, num remate de fora da área, e um minuto depois em antecipação interceptou uma reposição de bola do Anthony Lopes para a zona central e de primeira rematou para a baliza deserta. Obtida a vantagem, foi tempo de cerrar fileiras e segurá-la até ao apito final.

 

Numa exibição sem grande brilho acho que o Rúben Dias foi um dos melhores. O Gabriel também não foi mau de todo, e o Cervi e o Tomás Tavares deram boa conta de si pelo menos no aspecto defensivo. O Seferovic esteve muito mal, tal como o Gedson - sobretudo quando passou para segundo avançado depois da saída do Rafa.

 

Foi importante conquistar os três pontos, que nos relançaram na corrida para o apuramento. Talvez esta vitória possa retirar alguma da pressão sobre a equipa na Champions - eu continuo convencido que sofremos de um verdadeiro bloqueio mental nesta competição, em que tudo o que pode correr mal acaba por correr mal. A qualidade do futebol apresentado deixou mesmo muito a desejar e será necessário muito mais do que isto se queremos ter algumas ambições em prosseguir nas competições europeias, mesmo em relação à Liga Europa. De qualquer maneira, já foram muitos os jogos na Champions em que eu vi a vitória cair do céu para os nossos adversários. Hoje caiu para nós.

 

P.S. - Não alinho na campanha miserável que anda a ser semeada na comunicação social contra o nosso treinador e a favor do JJ, muito fomentada pelos amigos que o nosso antigo treinador tem estrategicamente colocados. O Bruno Lage é o meu treinador e nem nos meus piores pesadelos consigo imaginar o regresso de JJ.

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publicado por D`Arcy às 01:26
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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2019

Brindes

Mais um jogo na Champions e mais um cenário e desfecho que infelizmente já se vão tornando hábito para o benfiquistas. Quando vejo o Benfica jogar na Champions as minhas expectativas já são sempre baixíssimas, e os jogos, quer estejamos a jogar bem ou mal, resumem-se a esperar pelo momento em que vamos dar um brinde ao adversário e ele vai inevitavelmente marcar.

 

 

Para hoje houve uma aposta em jogadores mais experientes como o Jardel e o Fejsa, o regresso do Gabriel e o adiantamento do Taarabt para o apoio mais directo ao Seferovic. A excepção forçada foi o jovem Tomás Tavares no lugar do lesionado André Almeida. O jogo começou praticamente com uma ocasião de golo para o Zenit e outra para o Benfica na resposta, um cabeceamento do Seferovic que passou perto do poste. Isto não foi exemplo para o resto do jogo, que foi muito mais calmo e com poucas ocasiões. O Benfica voltou por diversas vezes a exibir padrões vitorianos de jogo, com muitas trocas de bola sem progressão. Talvez a intenção fosse tentar manter a posse de bola, mas fazer apenas isso e não ter outro objectivo não faz muito sentido. Continuo a notar grandes diferenças em relação à época passada. Nessa altura atacávamos o espaço vazio, ou seja, os jogadores sem a bola faziam movimentações para esses espaços, o que permitia ao colega com bola fazer passes para lá. Hoje o que eu vi foi passes quase sempre feitos para os pés de colegas quase estáticos, e se não houvesse linha de passe quase nem havia a tentativa de criar uma, e o jogador que tinha a bola que se arranjasse. Conforme disse, para mim estes jogos limitam-se a ser uma espera pelo brinde, por aquele erro quase de principiante que na Champions resulta quase sempre no golo adversário. E ele aconteceu, obviamente. Quando tudo indicava que a melhor opção seria mesmo afastar a bola da nossa área, tentámos fazer uma saída sob pressão com um passe do guarda-redes para o Fejsa, que estava de costas voltadas para o meio campo adversário e com adversários por perto. Foi de imediato pressionado, perdeu a bola, o Jardel estava perto da linha da pequena área e por isso assegurou que o avançado russo que estava acampado na área ficava em jogo, e golo. Uma história tantas vezes vista. A entrada na segunda parte foi má, com os russos a ameaçarem o segundo golo, e só depois da hora de jogo é que melhorámos um pouco com as trocas do Pizzi e do Fejsa pelo Caio e o Vinícius. Não que os referidos jogadores tenham jogado particularmente bem (o Vinícius não fez absolutamente nada para além de falhar um golo quase feito nos instantes finais do jogo) mas a equipa num todo pareceu ganhar alguma dinâmica. Só que por outro lado o meio campo com Gabriel e Taarabt deixava mais espaço livre nas suas costas, que o adversário podia explorar. E num contra-ataque o Rúben Dias fez auto-golo (mais um brinde) e a equipa perdeu a compostura de forma inadmissível. Levámos logo com um terceiro, num lance que já nem nos iniciados se admite - um livre marcado rapidamente para as costas da defesa, com um adversário a ficar isolado. E não levámos logo a seguir o quarto porque o lance em que mais uma vez um adversário ficava isolado foi anulado por um fora-de-jogo de centímetros. A dez minutos do final o De Tomas rendeu o calamitoso Seferovic e ainda conseguiu dar um ar da sua graça, marcando o primeiro golo pelo Benfica - um pontapé bem de fora da área que levou a bola ao ângulo.

 

 

Acho que o único jogador do Benfica que se destacou foi o Gabriel. Ele bem tentou fazer o nosso jogo fluir, recuperou bolas, distribuiu jogo, e perto do final até apareceu na área adversária a tentar o golo de cabeça. Mas por vezes parecia estar a jogar sozinho.

 

Estamos no último lugar do grupo e a continuar assim até a Liga Europa será um objectivo muito difícil de alcançar. Honestamente, a sensação que tenho quando nos vejo jogar na Champions é que estamos completamente fora do nosso ambiente, como um peixe fora de água. E depois as exibições e resultados acabam por reforçar esse sentimento. Não é algo propositado, é simplesmente o acumular de maus resultados e exibições nos últimos anos que faz com que seja assim. Custa-me ver a equipa parecer quase sempre descrente em si própria nestas ocasiões.

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publicado por D`Arcy às 23:13
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Domingo, 29 de Setembro de 2019

Caro

O ponto está muito caro por estes dias. E esta noite, num jogo que em termos exibicionais teve períodos que até se poderiam encaixar numa fase menos boa da era Rui Vitória, confirmámos isso mesmo. Somámos os indispensáveis três pontos mas foi preciso suar muito, e resta por saber qual o preço exacto que pagámos por eles.

 

 

Voltámos ao onze mais habitual, sendo a maior novidade a aposta no Gedson para segundo avançado, relegando o De Tomas para o banco de suplentes. O jogo previa-se complicado frente ao mais do que esperado autocarro do Setúbal e infelizmente não foram necessários muitos minutos para se ficar com a certeza de que seria mesmo assim. Achei aliás que o lance em que, logo nos primeiros minutos, o Seferovic se isolou e conseguiu ir a correr direito ao guarda-redes e chutar desastradamente a direito contra ele (apesar do lance depois ser anulado por fora-de-jogo) foi um presságio para a falta de inspiração ofensiva da nossa equipa. O Setúbal foi jogar claramente para o nulo. Não admira que tenha apenas um golo marcado no campeonato, porque não mostrou a menor intenção de procurar o golo. Foi simplesmente defender com unhas e dentes, com um bloco muito baixo e toda a gente atrás da linha da bola, recorrendo ao antijogo se fosse necessário - logo na primeira parte já o guarda-redes se dedicava a perder tempo em qualquer reposição de bola. Só que perante equipas destas exige-se que o Benfica procure o golo de forma mais decidida do que o fez, porque senão apenas está a facilitar o trabalho à equipa adversária. Em relação ao Benfica que conquistou o último campeonato graças a uma segunda volta brilhante, este Benfica parece ter perdido objectividade. O que caracterizava o Benfica da época passada era uma procura incessante do golo, transições rápidas que faziam a bola chegar a zonas de finalização através de futebol vertical e simplicidade de processos, e depois muita gente a aparecer nessas zonas para resultar em muitas finalizações por jogo. Esta noite vi demasiada complicação de processos. Muitos passes desnecessários sem progressão (daí virem-me à memória jogos da era Rui Vitória) e a lentidão daí resultante a permitir sempre ao adversário reorganizar-se e preparar-se para cada ataque nosso. E se compreendo que por vezes a progressão era dificultada pelo autocarro do Setúbal e éramos mesmo obrigados a fazer a bola circular, também achei que essa circulação foi quase sempre feita sem muita velocidade, e nas ocasiões em que tínhamos oportunidade para sair mais rápido complicámos quase sempre o processo. E quando a bola era metida para zonas mais próximas da baliza adversária, havia muita falta de presença na área - por diversas vezes andava lá o Seferovic sozinho (quando não estava em fora-de-jogo) no meio de cinco ou seis adversários. Por isso, mesmo tendo o jogo tido sentido único e sendo quase todo disputado no meio campo do Setúbal, o nulo ao intervalo não era surpresa.

 

 

Alteração imediata para a segunda parte, com a troca do Fejsa pelo Gabriel na tentativa de acrescentar maior capacidade de passe para desposicionar a camião TIR sadino. E o Benfica até melhorou mesmo e imprimiu mais velocidade ao seu jogo, mas curiosamente foi nessa altura que o Setúbal conseguiu pela primeira vez no jogo criar uma ocasião de maior perigo e fazer o seu primeiro remate, num contra-ataque que consistiu numa iniciativa individual pela direita que terminou num remate à malha lateral. Continuava a ser muito difícil ao Benfica ultrapassar o autocarro de Setúbal, e só à passagem da hora de jogo, quando o Vinícius rendeu o Pizzi, é que o Benfica conseguiu finalmente aumentar de forma notória a pressão sobre a baliza adversária. E não demorou muito até obter resultados directos disso, pois apenas quatro minutos depois de ter entrado o Vinícius conseguiu finalmente derrubar a muralha sadina. Na sequência de um canto marcado pelo Grimaldo o Makaridze fez uma defesa incrível a um primeiro remate do Ferro, tendo o Rafa recuperado a bola. Depois de ganhar a linha de fundo tentou o centro, o Makaridze tentou afastar a bola mas deixou-a ao alcance do Vinícius, e este com um bom trabalho individual antecipou-se à tentativa do guarda-redes de agarrar a bola e depois de se virar fez um remate algo enrolado que levou a bola a entrar bem junto do poste. O mais difícil estava feito, até porque o Setúbal não parecia mostrar capacidade para atacar e colocar a nossa baliza em risco. Foi aliás o Benfica a estar completamente por cima no jogo, entusiasmado pelo golo e pelo apoio nas bancadas. Pensei que caminharíamos para uma vitória mais ou menos tranquila, provavelmente com pelo menos mais um golo marcado, mas a dez minutos do final o lagartito do apito resolveu entrar em acção e dar mais emoção ao jogo - já tinha ficado com a impressão de que tinha ignorado um possível penálti sobre o Rafa quando este foi abalroado na área. Numa bola dividida em que o Taarabt entra em carrinho, joga a bola e acerta também no adversário, resolve expulsá-lo. A partir daqui o Benfica passou a jogar com nove, porque o Vinícius foi fechar a esquerda e foi literalmente um jogador a menos, incapaz de acompanhar o lateral daquele lado ou prestar qualquer tipo de auxílio a defender. O amarelo mostrado ao Vlachodimos mostrou a intenção do lagarto Martins: chegado a casa fui contar o tempo, e ele conseguiu amarelar o nosso guarda-redes por perda de tempo quatro segundos depois da bola ter saído pela linha final. Isto depois de ter permitido ao Makaridze tudo e mais alguma coisa no que diz respeito à perda de tempo. Mas o Setúbal é uma equipa demasiado rotinada a defender e portanto muito pouco capaz no que diz respeito a procurar o golo. Apesar do domínio territorial exercido até ao final e do natural nervosismo dos adeptos, o número de ocasiões de perigo criadas durante o tempo que passou até ao lagarto Martins desistir de tentar dar uma pequena alegria às suas hostes no meio de tanta desgraça foi exactamente zero. Não vou dizer que foi por causa do árbitro que o Benfica teve tantas dificuldades em vencer este jogo, mas a opinião com que fico (mesmo dando o desconto que tenho péssima opinião deste árbitro) é que foi uma arbitragem claramente desastrada e mesmo tendenciosa.

 

 

É muito difícil escolher algum jogador a destacar na exibição do Benfica esta noite. Gedson foi uma aposta falhada a segundo avançado. O Seferovic dividiu o seu tempo entre estar fora-de-jogo e falhar ocasiões. O Pizzi esteve apagadíssimo, o Taarabt, apesar de tentar passes de ruptura, quase sempre deu mais um toque na bola e atrasou o jogo o tempo suficiente para permitir a intercepção a um adversário. Talvez o Rafa, como de costume, tenha o mérito de tentar criar desequilíbrios mesmo que através de iniciativas individuais.

 

Como disse no início, vamos esperar para ver qual o preço a pagar por esta vitória. O André Almeida teve que ser substituído antes do final. O Rafa, um dos nossos jogadores mais influentes, terminou o jogo em grandes dificuldades, sobretudo por causa de uma trancada que levou no tornozelo num lance que não mereceu por parte da arbitragem o mesmo critério que utilizou em relação ao Taarabt. De qualquer forma parece-me que é evidente para todos, incluindo o Bruno Lage, que temos que melhorar a nossa produção ofensiva. Senão vamos ter grandes dificuldades contra todas as equipas que se fecham assim atrás quando jogam contra nós. Que são quase todas as equipas do nosso campeonato.

 

P.S.- Já acabavam com a parvoíce do fogo de artifício e labaredas e outras coisas tais, não? Andar a atirar foguetes antes do jogo é estar a pedir para depois ir apanhar as canas. Que desperdício de dinheiro numa coisa perfeitamente inútil. Já basta ter que levar com música aos berros que nem deixa uma pessoa ouvir ou apreciar as manifestações do público como aplausos à equipa ou vaias ao lagarto que arbitrou. Hoje em dia parece que já nem sequer temos tempo para festejar um golo do Benfica sem levar logo com música aos berros e o speaker aos gritos em cima.

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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019

Descolorida

Exibição descolorida de uma equipa secundária do Benfica e um nulo final que até podemos considerar um pouco feliz, já que o Vitória poderia perfeitamente ter ido em vantagem para o intervalo e parece-me que seria particularmente complicado para o Benfica recuperar dessa situação.

 

 

Foi uma equipa do Benfica muito transfigurada, na qual houve apenas três 'sobreviventes' da última equipa do campeonato: Rúben Dias, Taarabt e Seferovic. De resto, Zlobin na baliza, Jardel na dupla com o Rúben Dias, e laterais entreges aos miúdos Tavares, Tomás e Nuno. Samaris, Gedson, Jota e Caio completaram o onze. Ao ver a constituição da equipa pensei que o plano fosse entregar uma ala ao Jota e colocar o Gedson no apoio mais directo ao avançado, mas de início foi ao contrário, tendo o Gedson jogado na direita. Mas a meio da primeira parte trocaram mesmo de posição, e o nosso jogo até melhorou um bocadinho. Não muito, porque em geral o nível foi sempre abaixo do exigível. Na minha opinião faltaram várias coisas ao nosso futebol: envolvimento ofensivo dos laterais, velocidade nas transições, agressividade e verticalidade. Acho que na primeira parte em termos ofensivos nos ficámos por um remate do Gedson para a bancada e uma cabeçada do Jardel para fora num canto. O Vitória apostou numa estratégia paciente, não se importando de ficar a trocar a bola atrás por longos períodos de forma a chamar a equipa do Benfica e depois tentar a transição rápida. Mesmo antes do intervalo podia ter chegado ao golo, num lance caricato em que a nossa equipa foi pouco expedita a afastar a bola da sua área e a bola acabou por bater nos ferros duas vezes - instantes antes já a bola tinha embatido no poste depois de uma defesa do Zlobin. Na entrada para a segunda parte não houve alterações na equipa, mas notei um maior atrevimento dos laterais. Conseguimos também controlar melhor o jogo, e o Vitória viu-se muito menos no ataque do que aquilo que tinha acontecido durante a primeira parte. Mas o Benfica só ficou realmente por cima no jogo quando, entre os sessenta e os sessenta e cinco minutos de jogo, o Rafa e o regressado Gabriel renderam o Jota e o Samaris. O Rafa veio trazer velocidade e o Gabriel a qualidade de passe que lhe conhecemos, permitindo variações de flanco e passes a rasgar para as costas da defesa adversária. Durante os vinte e cinco minutos finais começámos a criar ocasiões de perigo e a estar no ataque de forma mais consistente e prolongada - nos minutos finais já com o De Tomas no lugar do Caio - mas não houve acerto para chegar ao golo. As ocasiões do Caio, do Seferovic e do Rafa (as duas últimas resultantes de subidas do Tomás Tavares pela direita, realçando a importância do envolvimento ofensivo dos laterais) mereciam melhor finalização.

 

 

A primeira parte do Benfica teve tão pouco de relevante que acho que o Rafa e o Gabriel conseguiram ser dos melhores jogadores do Benfica, apesar de terem jogado menos de meia hora. Dos que jogaram de início, talvez o Taarabt mereça o destaque por ter sempre jogado a uma rotação mais alta que os restantes.

 

Não foi o melhor começo para a Taça da Liga, e é provável que o apuramento possa vir a decidido pela diferença de golos. Vamos ter que jogar mais e melhor do que isto para no próximo sábado ultrapassarmos uma das defesas mais complicadas da Liga - em seis jogos apenas sofreram golos num deles.

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publicado por D`Arcy às 23:46
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Domingo, 22 de Setembro de 2019

Uff!

Uma vitória arrancada no último suspiro de um jogo complicadíssimo, em que a qualidade do nosso futebol esteve bastante longe daquilo que esperamos da nossa equipa. Por falta de inspiração nossa (apenas dois remates em vinte e um levaram a direcção da baliza) e também por mérito do Moreirense.

 

 

O Benfica apresentou um onze mais próximo do habitual, com os regressos à titularidade do André Almeida, Rafa, Seferovic e Fejsa, em comparação com a equipa que jogou na Champions. O Cervi passou directamente do campo para a bancada. A entrada do Moreirense no jogo foi bastante boa e serviu imediatamente de aviso para o Benfica que não teria uma noite fácil. Só ao fim de um quarto de hora é que o Benfica deu o primeiro verdadeiro sinal de perigo, numa boa jogada entre o Seferovic e o Pizzi, que terminou com um remate deste último às malhas laterais quando estava um muito boa posição. Esse lance pareceu despertar o Benfica, que nos minutos que se seguiram conseguiu encostar o Moreirense bem atrás, recuperando quase sempre a bola ainda dentro do meio campo adversário e raramente permitindo qualquer saída para o ataque. vi diversas vezes os nossos centrais bem metidos no meio campo adversário, e o Fejsa a recuperar bolas à entrada da área adversária, o que era indicativo da atitude da equipa. Mas no que diz respeito a criar situações de golo e rematar à baliza não conseguimos ser competentes - devemos ter feito no máximo meia dúzia de remates durante a primeira parte, o que é manifestamente pouco em jogos destes contra equipas que se fecham bem atrás. Houve pouca velocidade no nosso jogo, que só parecia ser dada quando a bola chegava aos pés do Rafa. No lado direito achei o André Almeida demasiado encolhido, e faltou profundidade por esse lado.

 

 

A segunda parte começou da pior forma possível, com o Moreirense a chegar à vantagem logo nos instantes iniciais. Um cruzamento a partir da direita sofreu um desvio no centro e fez a bola ir cair do lado oposto, onde estava um adversário completamente à vontade para finalizar com um remate cruzado. A partir daqui a nossa tarefa ficou exponencialmente mais complicada. Com bastante mérito para o Moreirense também, diga-se. Foi uma constante durante todo o jogo a forma organizada como jogaram, com os jogadores sempre muito solidários, conseguindo assim limitar muito o nosso jogo. Fiquei sempre com a sensação de que não conseguíamos encontrar espaço para jogar, especialmente espaço entre linhas, que é algo em que o Benfica insiste sempre muito. Mas esse espaço simplesmente não existiu durante quase todo o jogo. A meio do segundo tempo trocámos o Fejsa pelo regressado Gedson e pareceu-me que foi uma alteração benéfica para o nosso jogo. De qualquer forma o cenário continuou a parecer muito negro para as nossas cores. Falta de vontade ou atitude nos nossos jogadores não me pareceu que faltassem, mas faltava sim inspiração e espaço para chegar ao golo. Até que a cinco minutos do final o Rúben Dias despejou a bola para a área, um defesa do Moreirense desviou-a e fez com que fosse ter com o Rafa, que de cabeça e parecendo quase que um bocado por acaso fez o empate. E de repente os benfiquistas que ocupavam a maior parte das bancadas pareceram acreditar que ainda seria possível chegar á vitória, e essa crença que incendiou as bancadas passou para a equipa. A dois minutos do final ainda fizemos entrar o Jota para o lugar do André Almeida e passámos a jogar apenas com três defesas (ou na prática dois, já que o Grimaldo era mais extremo do que defesa). O bom do Soares Dias fez o que lhe competia e, com o jogo empatado, deu três minutos de compensação, que isto de seis, sete, oito minutos quando se está empatado é só para alguns. Para azar dele, já no período de compensação o Rúben Dias voltou a fazer um despejo para a área e a bola seguiu para a ponta esquerda. Aí, o Jota recolheu-a e fez um cruzamento perfeito para que o Seferovic, entre os dois centrais do Moreirense, cabeceasse para a vitória. E como os três minutos já tinham sido dados, o jogo acabou logo a seguir - aposto que se o 2-1 tivesse surgido antes do minuto noventa o Amigo Soares Dias teria dado uns seis minutos de compensação.

 

 

Num jogo com vontade mas pouco brilho da nossa equipa acho que o melhor em campo foi o Rafa. Fez o importante golo do empate e durante todo o jogo foi quase sempre o principal responsável por imprimir velocidade e verticalidade ao nosso jogo, indo à procura dos espaços que teimavam em não aparecer.

 

E também com jogos destes que se ganham títulos. Foi importantíssimo regressarmos a Lisboa com os três pontos, até porque não custa muito imaginar o circo e o chinfrim que se montaria em redor da nossa equipa se isso não acontecesse. A julgar pela forma por vezes quase vil como o nosso treinador foi atacado depois da derrota na Champions, por ter tomado opções que pareceram pouco menos que inevitáveis (até uma 'guerra interna' vi um canal descobrir no Benfica) é óbvia a sede de sangue que têm as hienas que rondam o nosso clube.

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publicado por D`Arcy às 16:38
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