O jogo pelas vítimas do Haiti trouxe ao relvado da Luz algumas velhas glórias do nosso clube. Vimos o Chalana, o Shéu, o Poborsky e muitas outras caras importantes da nossa história. Por que é que venho falar disto hoje? Já o outro dizia que há certas coisas para as quais todos os pretextos são bons - e eu sirvo-me desse desfile de craques para abrir uma pequena rubrica aqui no blogue. Tem o propositadamente pomposo título Olimpo Vermelho. A ideia é falar dos meus jogadores preferidos do Benfica - falar com a alegria própria das melhores fintas daqueles que, pela sua grandeza, tornam ainda mais pequenas as já por si rasteiras ocorrências do mundo do futebol português. Antes de avançar para o primeiro texto do Olimpo Vermelho tenho de dizer que as glórias de que venho falar não são tão velhas assim: os meus menos de vinte anos de idade não permitem ir muito longe. Se outros escribas tiverem vontade de partilhar a sua mitologia benfiquista pessoal, força nisso.
Tenho de começar pelo jogador que desde cedo se tornou o meu ídolo nas quatro linhas. Falar doutro seria trair os olhos puramente maravilhados da meninice - e já se sabe que não existe coisa mais criminosa do que essa. Venho falar daquele que, mais do que qualquer outro, possuía o raro dom da elegância; aquele que tratava a bola com mais fineza e que erguia a cabeça com uma classe diferente; aquele que conseguia o prodígio de transformar o mascar da pastilha num gesto poético e o igualmente espantoso acontecimento de me fazer escrever esta frase sem a apagar de imediato. Venho falar do Rui Costa. Ele é o número um pela virtude do amor à camisola, por aqueles passes que multiplicavam as possibilidades do jogo, por me ter ensinado formas puras do espanto. Guardo a camisola da Fiorentina que comprei quando fui a Florença muito miúdo e que tem o nome e o número dele nas costas: guardo-a como quem guarda a memória da minha grande e infantil esperança em vir a ser um nº10 como ele. É verdade que não me lembro de o ver jogar antes de ir para Itália mas é ainda mais que não me esqueço do seu regresso. O anúncio da chegada, a segunda época, o jogo da despedida, a altura do seu benfiquismo. Podemos não ter ganho nada - mas quase que juro que as nossas camisolas ficaram mais vermelhas desde então. E é esse é o maior elogio que quem joga no Benfica pode receber.
Para mim pelo jogador que foi, mas essencialmente pelo Benfiquista e pessoa que é (por esta ordem) o Rui Costa é absulamente fantástico!!
De
Dylan a 3 de Fevereiro de 2010
Jonas Magnus Thern - A força escandinava
Isaías Marques Soares - A pujança física
Valdo Cândido de Oliveira Filho - O requinte técnico
Mats Ture Magnusson - A eficácia
Ricardo Gomes Raymundo - A subtileza
José Carlos Nepomuceno Mozer - A raça e o querer
João Vieira Pinto - A fibra nortenha
De Joaquim Varela a 3 de Fevereiro de 2010
Por mais anos que viva dificilmente um jogador me trará as emoções que Fernando Chalana me proporcionou - isto porque infelizmente nunca vi jogar o Eusébio e muitos dos que estão a história do clube.
Possivelmente terá a ver com a idade que eu tinha na altura em que ele apareceu. Ou seja, aquilo que dizes sobre o Rui Costa, aplico eu a Chalanix, com uma grande diferença: Devido ao nº de épocas e de jogos que o Rui Costa fez, nem sequer o considero uma referência no clube, enquanto jogador. Se falarmos de carreira, isso já é outra coisa. No Benfica propriamente dito, Rui Costa acaba por ter uma carreira "falhada" - poucos títulos e um nº de jogos relativamente reduzido. Chalana fez, salvo erro, 8 épocas a sério no clube (para mim o seu regresso não conta), ganhou 4 títulos nacionais e 3 Taças (estou a fazer contas de cabeça) e foi durante todas estas épocas o jogador mais desequilibrador do futebol nacional. E não fosse a pouca protecção os jogadores tinham na altura (quer das regras, quer dos árbitros e acima de tudo do equipamento), que o forçaram a algumas longas paragens, ainda teria tido uma passagem mais gloriosa pelo clube. Isso e o inicio do "polvo" que todos nós conhecemos sobejamente...
Estou em crer que mais nenhum jogador desde o seu período de ouro no Benfica (1976 a 1984) conseguiu colocar na mente do adepto a sensação de que sempre que a bola lhe chegava aos pés, o mais provável era nascer dali um lance de perigo. Então quando a equipa atacava de Norte para Sul no estádio anterior a este (junto ao original 3º anel) parecia que as coisas ainda corriam melhor e acontecia algo de simbiótico, muito difícil de explicar por palavras.
Acredito que muitos nomes irão surgir por aqui, mas não me interessam para nada. Conheço-os todos. Por certo vi jogar a esmagadora maioria e por maior qualidade que tenham ou tiveram, jamais irão substituir aquele senhor semi-calvo, de cabelo grisalho e bigode, que mereceu, com toda a justiça uma das maiores ovações no jogo da semana passada. Só quem o tenha visto jogar como eu tive a felicidade de ver, poderá compreender o que aquilo significa.
De Arquivo Vivo a 3 de Fevereiro de 2010
Vou nessa
Limito-me a por o meu ídolo de infancia:
Joaquim SANTANA da Silva Guimarães.
um dia escreverei aqui sobre o meu grande ídolo de infância: Manuel Galrinho Bento.
De Tavares a 3 de Fevereiro de 2010
Bem não posso deixar de referir Michel Preud'Homme! O melhor de sempre!
De
Brandus a 3 de Fevereiro de 2010
Rui Costa é simplesmente o melhor e o maior jogador de sempre! Um SENHOR!!!!!
De Candeias a 3 de Fevereiro de 2010
Em primeiro lugar, parabéns pela ideia de criar esta rubrica para que todos nos lembremos daqueles que fizeram um Benfica grandioso e capaz de rivalizar com os grandes da Europa.
Para mim o grande ídolo de meninice foi um dos futebolistas que deveria ter estado no jogo contra a pobreza a envergar a sua merecida camisola nº 8 (quero acreditar que não foi por falta de convite). e que dá pelo nome de João Vieira Pinto.
Ao contrário de alguns, este "pequeno" enquanto jogou de águia ao peito foi um senhor, e um exemplo a seguir, lembro-me que o ver deambular por entre as defesas contrárias como se fosse impossível parar aquele "piolho" de cabelo grande. Lembro-me dos golos que nos deram tantas alegrias, lembro-me do 6-3, lembro-me da forma como foi dispensado. Mas, e apesar de ter saído da forma injusta como saiu, sei que ele será sempre um benfiquista e que merece estar no quadro de honra deste grande clube.
O BENFICA NUNCA ESQUECE OS SEUS!
BENFICA!!!!!
De utopiamaior a 3 de Fevereiro de 2010
Como eu quase o invejo na sua meninice, não que seja velho, só tenho 41, pouca coisa... ainda... mas memórias meu caro... cá vão...
Não por ordem cronológica, só por ordem emocional do momento...
Humberto Coelho... um monstro...
Manuel Bento... a pulga elástica...
Claro Preud'homme... enormissimo...
Ricardo Rocha e Mozer... admiráveis...
Chalana "o asterix"... fabuloso...
Shéu... a elegância e a inteligência ao serviço do futebol...
Stromberg... uma força da natureza...
João Alves... pura arte...
Nené... Nené é Nené e está tudo dito...
Ainda vi jogar Jordão, meu Deus que avançado fantástico...
Filipovic enorme avançado...
Edilson um brasileiro fenomenal... rapidissimo...
Valdo... bem Valdo é como Nené... Valdo é Valdo...
Magnusson outro astro brilhante...
E lembro-me de deuses menores... Alberto - o defesa esquerdo, que acabou para o futebol prematuramente - não vi jogar o Artur nem me lembro bem do Vitor Batista, mas lembro-me do tosco o Maniche, o Reinaldo, meu Deus não me quero deter mais sobre tempos de Alegria imensa...
Viva a nossa história...
De utopiamaior a 3 de Fevereiro de 2010
Estive a ler joaquim varela... sim Chalana sem dúvida... ENNOORRMISSSIIIMMMO...
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