Sempre tive para mim que a qualidade de um homem – a sua indisfarçável e íntima natureza, a sua essência - vem inevitavelmente ao de cima quando este é confrontado com o sucesso. Mais, por vezes - e contrariamente ao que sói dizer-se - do que quando passa por dificuldades, que a necessidade é amiga do aperfeiçoamento do animal humano.
Gente bem formada, de qualidade e bom fundo, encara o sucesso como o corolário do seu esforço e estima-o com a humildade de quem sabe exactamente qual a sua génese e com a percepção de quem sabe que este pode ser replicado noutras circunstâncias, com o mesmo volume de trabalho e dedicação. Trata-se de pessoas cujas estimáveis qualidades inatas são exacerbadas pela felicidade do êxito, e a quem os inevitáveis e apetecíveis efeitos do sucesso não inebriam nem corrompem o espírito, mas – muito pelo contrário – lhe aumentam a generosidade.
Ao invés, gente sem valor, mesquinha e invejosa - criada no ódio e no convívio com as mais desprezíveis características do vício humano - normalmente alcança o sucesso por factores fortuitos ou que nada têm a ver com o mérito, e como tal encara o sucesso como um tesouro que lhes caiu nas mãos, sendo dominados por um pavor irracional que este acabe a qualquer momento. Sabem que foi acidental e imerecido e agarram-se a ele desesperadamente, sabem que há que o espremer ao máximo enquanto dura, e vêem em toda a gente uma potencial ameaça, um eventual salteador da fugidia ribalta. O sucesso exacerba-lhes os mais infames atributos: tornam-se tratados de arrogância, fanfarronice, petulância e presunção.
Resta como conforto para quem tudo isto percebe que, normalmente, o Universo trata de emendar o que entorta a ordem normal das coisas, pelo que os arrogantes cagarolas normalmente acabam por se espetar ao comprido e partir as trombas no chão (porra, que estava a ser difícil manter o tom distante e mais elevado).
Lembrei-me de tudo isto ao ler, entre vómitos, as declarações do fanfarrão cagarolas do Domingos no âmbito do Glorioso – Porto B de amanhã (com as devidas adaptações, porque – apesar da forma como começa o texto - não se trata de um homem, mas de um animal de trela que já vendeu a dignidade há muito).
Estou desertinho para ver o Universo a corrigir-lhe o focinho.
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