Intróitozeco:
O blog tem estado muito sossegado e tem estado tudo muito orientadinho e as pessoas todas muito sérias e tudo um bocado panhonha. Isto está claramente a precisar de parvoíce. E, como sabem - é uma das leis do Universo - parvoíce = lagartagem.
Ora vamos lá:
Parece-me evidente, após as célebres declarações do Cabeça de Cotonete (alguém escreva um livro, sff) em que este preconizava uma ‘gestão à Porto’ e olhando para a espécie de equipa da Velha Guarda do FC Porco que o Costeletinha anda a tentar montar, que por esta altura na lagartagem se está a tentar construir uma espécie de imitação barata (porque não há, de facto, dinheiro) do clube do Mestre Pinto. A emulação é, no entanto, perigosa (para a lagartagem - e, vendo bem, no fundo, boa) e parece-me que condenada ao fracasso. Porquê?
Porque ter como enquadramento para a gestão desportiva de uma agremiação (por mais apatetada que seja) a construção de uma cópia ranhosa da equipa dos andrades do tempo do Mourinho é um bocado parvo: aquilo já foi há uns 6 ou 7 anos e, por exemplo, o Maniche cada vez está mais parecido com uma mulher de meia idade obesa. Feia. Muito, muito feia.
Mas, principalmente, porque é preciso ser-se orientado da cabeça para brincar aos gangsters.
Para se emular o clube do Guarda Abel é preciso ser um canalha, sim, mas um canalha orientado e um canalha profissional na trafulhice que faz. Eficiente na aldrabice. Uma gestão à Sopranos não se compadece com pacóvios que nem conseguem tomar conta de uma camisola.
Ou seja, e no fundo, a lagartagem até teria hipóteses de ter algum sucesso com esta estratégia de emulação do clube da fruta se o Cabeça de Cotonete não fosse um asno de proporções pantagruélicas. Cheira-me que, se nem o raio de uma camisola consegue entregar, era gajo para, por exemplo, dar aconselhamento familiar ao árbitro errado (ou ao tipo da Telepizza, se lhe tocar à campainha) ou para dar, ao telefone, as direcções erradas no caminho para a casa de tal modo que o árbitro nunca mais apareceria em lado nenhum ou, sei lá, de achar que a ‘fruta’ seria mesmo fruta e mandar cestos com ananases, peras e bananas para os hotéis das equipa de arbitragem, ou até comprar (penhorando o passe do Pongolle) uma máquina de café para tirar ‘galões’ em condições. Ou então comprar viagens ao Brasil para oferecer ao Xistra e depois perder os bilhetes e ter de oferecer fins-de-semana na Quarteira.
Ainda por cima tem claramente a pinta de ser indivíduo para, numa festa de um núcleo qualquer da lagartagem, entusiasmado por umas valentes imperiais, tinto carrascão e Vat 69 (que as festas da lagartagem não dão para mais) e por uma sessão de abano de maracas ao som de Dias Ferreira em registo Zé Cabra (mas para pior), conseguir virar-se para a matrafona desbocada do lado ou para um jornalista presente e dizer coisas como ‘não diga nada a ninguém, mas arranjámos um gajo na CML que nos arranja pedras da calçada para as claques poderem brincar, que a polícia limpou os baldes que lá tínhamos. Aquilo é que vai ser arrear nos lampiões’.
Convenhamos, estamos a falar de um pachola que veio com a teoria do ‘trabalho de sapa’ nas famílias e com aquela história das sportinguistas terem a infelicidade de casar com benfiquistas e outras pérolas de qualidade inquestionável. Estou muito bem a vê-lo a passear pela rua e a deixar cair post its dos bolsos com notas como ‘Comprar uma camisola para o Renato’, ‘Ligar ao Vítor Pereira e pedir o Xistra’, ‘Pedir ao Bernardo uma capa do Record com o Sá Pinto em miúdo e os 10 putos da Academia que fizeram o crisma ’ ou ‘Falar com o Jorge Nuno para dizer o que queremos este ano para estar calados: pode ser caixas de Cutty Sark, que o Oliveira e Costa não me larga.’
De qualquer maneira, agora mais a frio, e depois do choque da saída do Salema (e agora quem, naquela casa, é que vai escolher os cortinados dos quartos do Abrigo de Alcochete ou pegar no projecto muito pessoal da adaptação para musical da Casa na Pradaria, que implicava vestir todos os jogadores como filhas adolescentes do Michael Landon?), parece-me que há espaço para algum conforto: um clube que tem nos seus estábulos gente como o João Braga, Rui Oliveira e Costa, Dias Ferreira, aquela égua dos Delfins, o trambolho do Eduardo Barroso e inimputáveis como o Cabeça de Cotonete e aquele obtuso do Ernesto não sei das quantas que também tem um espaço, por caridade, n' A Bola, tem, com toda a certeza, massa crítica para nos continuar a deslumbrar.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.