Sim, ainda acredito no 1º lugar. Mas é forçoso que a equipa também acredite.
É necessário que Jorge Jesus (JJ) analise quem está no Benfica de alma e coração e que aja em conformidade retirando aqueles que eventualmente não estejam do 11. Ah (!), não quero crer no que ficou subentendido numa das últimas declarações de Luis Filipe Vieira de que o próprio treinador estava entre esses "profissionais".
A sensação com que tenho ficado em muitos jogos esta época é precisamente esta: a solidariedade na equipa já viu melhores dias. E se a compararmos com a época passada a diferença é abissal e explica em grande parte, muito mais do que as ausências de Di Maria ou Ramires, os diferentes resultados alcançados. Há uma expressão americana (ou será inglesa?) que traduz o que quero dizer: "go the extra mile". Traduzido um pouco toscamente quer dizer ir para além das suas próprias capacidades para ajudar alguém.
Não posso propriamente apontar o dedo a nenhum jogador porque, lá está, todos me parecem estar a dar 100%. Mas não é suficiente! Não neste nosso futebol e, SOBRETUDO, não neste clube. Não tenho quaisquer dúvidas de que o ano passado deram mais.
Devo igualmente dizer que pese também eu não estar a morrer de amores neste momento por JJ, precisamente por não lhe reconhecer o mesmo nível de sagacidade que era seu apanágio na época passada, estou longe, muito longe, de lhe colocar a etiqueta de "o maior, ou o único, responsável pela péssima época que estamos a realizar até agora". Continuo a achar que é parte da solução e não do problema.
Na quarta-feira por exemplo concordei com a equipa apresentada e, salvo a substituição que tirou Salvio do jogo para dar lugar a Carlos Martins, concordei também com as restantes substituições operadas. É simplesmente inacreditável, o azar ou a falta de sorte não explicam tudo (!), que em cerca de 20 cantos não tenhamos aproveitado um para meter a bola dentro da baliza adversária e que em 3 ou 4 lances de bola parada contra tenhamos conseguido a proeza de sofrer 2 golos.
Referindo-me mais especificamente ao clássico de ontem, fiquei ainda mais convencido que todas as loas tecidas ao clube que lidera o campeonato são exageradas. É possível pará-los, sim! E teria sido possível ao Benfica fazê-lo no jogo do dragão caso JJ tivesse feito jus ao epíteto, que neste momento tem servido para uma série de primeiras páginas escritas em tom jocoso, de "rei da táctica". Como me parece óbvio tem de se povoar o meio campo com 3 jogadores e não permitir a Hulk ou Varela enfrentar os defesas com a bola dominada. Hulk a receber a bola de costas para a baliza é pouco mais que inofensivo. Agora se lhe derem 3 ou 4 metros para a receber, para se virar e para embalar...
E esse foi apenas mais um jogo em que a dupla Martins/Aimar demonstrou a sua incompatibilidade. São ambos muito bons e incluem-se nos poucos que esta época têm estado bem mas "coincidentemente" tal tem acontecido quando um joga sem a presença do outro. E este ano até tinhamos (temos?) jogos suficientes para os rodar.
Se eu não estou completamente lunático e sozinho nesta fé de achar que o campeonato ainda é viável de ser ganho (que caramba ainda nem chegamos a Dezembro!) é FUNDAMENTAL que a equipa reaja já hoje e que em Dezembro se vá contratar no mínimo dos mínimos um jogador de meio campo que feche no meio mas que, quando em posse da bola, seja capaz de encostar à linha. Tenho dado por mim igualmente a pensar que, como clube desportivo que é, será mais benéfico vender um ou outro jogador que não esteja com a cabeça no Benfica mesmo que isso implique a venda por valores mais baixos do que teria acontecido no verão por exemplo. Num balneário é imprescindível que todos estejam a remar para o mesmo lado e que se deixe de pensar nos jogadores como umas máquinas de jogar futebol, analisando-os como se estivessemos a jogar a um qualquer jogo de computador (este tem 'x' de técnica, aquel'outro tem 'y' de capacidade de drible). Não duvidem que a mensagem passada aos restantes jogadores seria uma mensagem de esperança e de força e que o círculo se voltaria a fechar com todos lá dentro e ninguém do lado de fora.
Para finalizar o post gostava de citar algumas palavras que li num comentário inserido no post "Atroz" com as quais concordo e que me parece merecerem a chamada à "primeira página" para deixarem a semi-obscuridade dos comentários. Portanto e com a devida vénia ao "ibenfiquista" seguem algumas das palavras por ele escritas no comentário de 25/11 às 13h14:
"(...) O problema é mais profundo, tem razões psicológicas e passa não só pela forma como a época foi (mal) planeada, passa pela atitude (errada) de todos os responsáveis do Benfica, adeptos incluídos, que pensaram que por termos ganho um campeonato, o 2º já estava no papo. Isto foi dito pelo treinador e pelos adeptos. Ao longo do ano. Lembra-me um bocado a história da formiga e da cigarra. Fazendo nós de cigarra e os nossos adversários de formiga.
Porque a ansiedade mata. Mata a melhor das intenções das melhores equipas. Os andrades já há muito tempo que aprenderam que a ansiedade quando se apodera de uma equipa a paralisa e a faz perder pontos e jogos. Por isso encarregam-se de marcar cedo nos jogos, e de começar a ganhar cedo no campeonato. Vejam os últimos anos e vejam como eles fazem. Este ano foi igual. Por isso encarregam-se de ter os árbitros a ajudar logo no início. Uma vez que começam a ganhar, os níveis de ansiedade diminuem, o nervosismo diminui, começa-se, por isso a pensar melhor e mais claro, a jogar melhor, e com isso vêm as vitórias. Cria-se um círculo virtuoso. Com o consequente efeito, exactamente inverso, nos adversários directos, que caem num círculo vicioso.
A ansiedade é uma forma de pânico, bastante mais suave, mas tem os mesmos efeitos. Paralisa o cérebro, paralisa a tomada de decisões e o tempo funciona como um amplificador. Foi o que aconteceu ontem. A ansiedade era tanta de marcar que, de cada vez que se falhava um ataque tanto a ansiedade como o consequente nervosismo, aumentava a olhos vistos. Quando o adversário atacou, os defesas como que ficaram paralisados. Estavam programados apenas para atacar. Podemos dizer que estavam cegos para atacar, ficando de tal modo inseguros que os golos do Hapoel foram verdadeiramente caricatos. Ora revejam-nos.
Agora que o diagnóstico está feito, vem a pergunta seguinte: de quem é a culpa? Pois de quem dirige a equipa. Eu diria que a mais importante missão de um líder é diminuir o nervosismo, a ansiedade e a insegurança nos liderados. E quanto mais jovem a equipa, maior essa responsabilidade. Gaitan, Jara, Kardec sáo ainda miúdos, sem experiência, mas já se lhes exige que joguem como se jogassem há muito tempo. O Roberto, um pouco mais velho e vindo dum campeonato melhor, já entrou nos eixos.
Alguém disse que com o Mourinho isto não acontecia. Pois não. Porque o Mourinho, para além de uma grande bagagem táctica como o JJ, tem outra característica que o JJ não tem. É sagaz. A sagacidade combina bem com o conhecimento, dá-lhe uma amplitude e, neste caso, marca a diferença. É um dos componentes da inteligência. O JJ neste campo ainda tem muito que aprender. Enfim aprende-se todos os dias.
Tudo começou com a má preparação da época. Começou com o jogo da Supertaça que se perdeu. E aí começou o nervosismo e a ansiedade. Tudo o que se pensava, que ganhar eram favas contadas, afinal não ia ser bem assim. Uma equipa tão jovem como a do Benfica, capaz do melhor e do pior, com ansiedade não tem (ainda) as soluções para os problemas que lhe foram sendo postos ao longo deste ano.
Isto de ser catedrático do futebol tem muito mais que se lhe diga. Por isso, um pedido ao JJ e restantes dirigentes: o Benfica não joga sozinho, os adversários também têm treinadores que percebem alguma coisa de futebol e de táctica. O JJ não tem (não tem mesmo) o monopólio do conhecimento. A humildade, desde que não roce a indigência de espírito é sempre, neste caso, uma virtude.
É necessário possuir-se uma grande dose de sagacidade e de empatia, saber colocar-se no lugar dos adversários e perceber o que eles vão fazer para contrariar tacticamente o nosso jogo. Uma coisa que o Mourinho faz muito bem e que o faz ser diferente, para melhor, do que os outros. E isso aumenta, e de que maneira, a confiança dos jogadores (diminuindo-lhes a insegurança e a ansiedade), a capacidade que o treinador tem de prever as jogados dos adversários. Saber o que fazer para contrariar apenas o jogo do adversário não basta.
Começar um ano novo é começar do zero. É como começar um novo ano lectivo: o facto de termos passado no exame anterior, não assegura passagem no exame deste ano. E isto serve também para os adeptos que, ao longo do ano, humilharam os adversários. Eu ia lendo e não gostava. Porquê? Porque mais tarde ou mais cedo isso iria virar~se contra nós. Eles iam ficando cada vez mais ressentidos e juravam vingança. E refiro-me não só aos andrades como também aos lagartos. Agora é a vez deles de gozarem connosco. Que nos tenha servido de lição.
Temos de ser magnânimos, e humildes, nas vitórias. E não o fomos.(...)"
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.