A melhor comparação de que me consigo lembrar para definir a época do Benfica é a de uma montanha russa de emoções, sendo que infelizmente para mim e para todos nós a viagem acabou com um loop a meio do qual nos apercebemos que não tinhamos o cinto de segurança posto.
Assim, se já na pré-época as expectativas de uma temporada na senda da anterior começaram a ser postas em causa devido a alguns lances menos normais, digamos, do guarda-redes contratado precisamente para defender aquelas bolas impossíveis às quais o Quim raramente ou quase nunca chegava, provando o velho ditado que mais vale 1 pássaro na mão do que dois a voar, isto é, mais vale um guarda-redes que não defende as bolas impossíveis mas que defende a maior parte das que são possíveis (!); por outro lado e aparte esta situação que muitos, eu inclusivé, tentaram perceber à luz de uma situação pontual que rapidamente e também/sobretudo devido ao preço pago na sua aquisição só podia mesmo ser temporária, por outro lado como dizia e a espaços a equipa praticava um futebol muito agradável à vista utilizando por vezes um esquema táctico diferente do anterior e que fazia uso de uma das aquisições efectuadas atempadamente, Jara de seu nome. Mal sabíamos nós que essa experiência começara e acabaria pouco tempo depois.
Vem então o 1º troféu oficial da época e o 1º de 5 clássicos que haveríamos de disputar com o nosso grande rival em Portugal. Se bem me recordo estava razoavelmente confiante de que iríamos levantar o caneco. Afinal, basicamente continuavamos com o mesmo plantel da época anterior, salvo as saídas importantes de Di Maria e Ramires (além do já supracitado Quim) que teriam sido em parte colmatadas pela aquisição de Gaitan; e mais importante ainda continuavamos com o mesmo treinador que até à data tantas alegrias nos tinha dado e que tão poucos defeitos tinha demonstrado até então. O nosso adversário esse tinha contratado um treinador jovem que estava em presença do maior desafio profissional da sua ainda curta carreira.
Pois bem, 0:2, sem espinhas, e a primeira de quatro derrotas, cada qual mais dolorosa do que a anterior, que viríamos a sofrer contra o fêcêpê durante a época.
Chega então o campeonato e apesar do desaire anterior as expectativas ainda eram elevadas procurando-se (me) justificar esse resultado devido a uma conjunção de factores, nomeadamente a um dia menos bom nosso e a um dia exepcionalmente bom do adversário. Nem nos meus piores pesadelos poderíamos ter iniciado de pior forma a defesa do campeonato tão bravamente conquistado, com 3 derrotas a pontuarem os 4 primeiros jogos! E na 5ª jornada chegava o 1º derby da época, na Luz. A hecatombe estava à porta. Estaríamos afastados da luta pelo título em Setembro?!? Olhando em retrospectiva e apesar de esse jogo ter marcado a reviravolta estatística, quando a exibicional já se fizera sentir no jogo anterior em Guimarães onde só uma arbitragem verdadeiramente pornográfica conseguiu impedir a nossa vitória, sim nessa altura já estavamos afastados do título, apesar de ainda não o sabermos. No entanto o futebol agradável e ofensivo estava de volta. O próprio Roberto beneficiou de um momento cinematográfico para mostrar o valor que só posso acreditar que tenha estado na base da sua aquisição quando após ter perdido a titularidade para Júlio César é forçado a entrar a frio para tentar defender uma grande penalidade que a ser convertida colocaria o Estádio da Luz em polvorosa, e cuja defesa o catapultou para exibições que de facto e a bem da verdade nunca vi o Quim fazer. Tudo corria portanto sobre rodas nessa altura, pelo menos a nível nacional, uma vez que às várias vitórias consecutivas na Liga se contrapunha uma participação desastrada na Champions com duas derrotas que apenas não foram mais pesadas devido ao tal factor Roberto...hood.
Ficavam à vista algumas limitações do plantel e também do nosso treinador uma vez que Jorge Jesus optava por basicamente seguir a mesma estratatégia que tão bons resultados tinha dado na época anterior, apesar de faltar dentro do campo aquele jogador que segurava o meio campo, ora esticando-o quando a equipa tinha a posse da bola ora diminuindo os espaços assim que a posse da bola era perdida. Falo como é óbvio de Ramires, que estranhamente nunca foi substituído. Erro crasso. Se a esperança era Amorim, essa cedo ficou dissipada devido a uma desgraçada chamada fora de tempo para disputar o Mundial da África do Sul que o fez perder a pré-época e posteriormente boa parte da época. As opções para a direita ficavam reduzidas a Carlos Martins (!) e a um míudo de 20 anos emprestado pelo Atlético Madrid que apesar de também ele jogar sobre a direita tinha mais parecenças com Ramires na cor da pele do que em termos de características do seu estilo de jogo. Nesta fase César Peixoto por exemplo era uma das presenças constantes no 11 titular. O próprio Maxi que poderia ser opção para alguns jogos, subindo no terreno, pagava também ele a presença no Mundial onde se cotara como um dos melhores laterais direitos da competição e a ausência de uma opção credível no plantel para o substituir.
Juntavam-se a estes factores prestações individuais muito aquém do que já se lhes vira fazer por parte de alguns dos principais obreiros das conquistas anteriores, com David Luiz, Saviola e Cardozo à cabeça.
É nessa fase que chega a deslocação ao Dragão para o campeonato. E JJ borra a pintura. Decide-se a colocar David Luiz na esquerda, onde passou o jogo a levar com o Hulk, entrando Sidnei para fazer dupla com Luisão. Dificilmente poderia ter corrido pior. Se o campeonato não estava perdido, perdido ficou. Restavam as competições a eliminar onde ainda tínhamos hipóteses em todas elas, nomeadamente na passagem à próxima fase da Champions, caso cumprissemos com a nossa obrigação de ir vencer a Israel e de depois discutir o 2º lugar com o Shalke na Luz. Recordo-me que antes de ir ao Dragão vinhamos de uns 75 minutos verdadeiramente estrondosos com o Lyon em casa, estando a aviar o campeão francês por 4:0. Terá o último quarto de hora desse jogo assustado JJ e terá sido esse um dos factores para a mudança de estratégia para a partida do Dragão? Só ele o saberá.
Curiosamente e quando nada o faria prever o jogo do Dragão marca um ponto de viragem na época, o qual muito sinceramente não consigo explicar, e embalamos para uma série extraordinária de vitórias consecutivas nas competições nacionais, interrompida somente pelos jogos da Champions, sendo que do jogo do Dragão, disputado a 07/11/2010, até ao jogo de Braga, a 06/03/2011, parecia estar de volta o rolo compressor. Pelo meio fomos dar uma machadada decisiva (pensava eu) nas aspirações do FCP de chegar à final da taça de Portugal e estavamos a colocar o máximo de pressão que era possível de aplicar devido ao péssimo arranque no campeonato nacional, onde o nosso adversário sabia que a perda de pontos poderia tornar quase decisivo (a esperança era essa) o jogo de volta a disputar na Luz.
Mas nem o adversário perdeu esses pontos nem o Benfica resistiu a mais uma arbitragem pornográfica (quando se f*de alguém sem procurar disfarçá-lo e se usa um enredo básico e batido como tudo só o posso comparar mesmo a uma película XXX) que fez a série vitoriosa se quebrar no Municipal de Braga. Restavam as competições a eliminar em que estavamos bem lançados para fazer a tripla, já que à vitória alcançada no Dragão na 1ª mão das meias-finais da taça se juntava a presença nas fases decisivas da Liga Europa e da Taça da Liga. Mas assim como tiveramos a subida estratosférica de forma depois da derrota copiosa com o Porto para o campeonato também presenciamos o reverso da medalha após a derrota em Braga. JJ apercebendo-se quiçá tardiamente das limitações do plantel começou a fazer mudanças maciças nalguns jogos para poupar os jogadores mais importantes para os jogos decisivos das competições nas quais tinhamos aspirações legítimas de conquista e chegamos aos tais jogos em que se iria decidir se basicamente a época iria ser para recordar pelos melhores motivos ou se seria pelos piores.
No entretanto já não morava David Luiz, vendido em Janeiro ao Chelsea e substituído na equipa primeiro por Sidnei e posteriormente por Jardel, contratado ao Olhanense, e era Roberto que ia segurando as pontas bem ladeado por Luisão e os inexcedíveis Maxi e Coentrão. Mais uma vez e parecendo (com)provar que uma das principais lacunas do guarda-redes espanhol é (a falta de) estofo psicológico, o jogo de Braga e um golo muito consentido que permitiu na altura o empate à equipa bracarense levou ao regresso da tremideira tanto na baliza como nas bancadas da Luz sempre que havia um cruzamento para a área do Benfica.
E chegaram então os 2/3 jogos que decidiram a época. Primeiro a possibilidade/obrigação de impedir a festa do campeonato para outras cores no nosso estádio e posteriormente a confirmação da passagem às finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Ambas pareciam perfeitamente possíveis de alcançar. No entanto JJ não quis deixar de dar razão aos que diziam, eu incluído, que ele tinha deixado para esta época a divulgação dos seus defeitos como treinador, ausentes ou disfarçados pelas exibições e pelos resultados da equipa na época anterior, e a lesão de Salvio que o incapacitou para o resto da época, cuja subida de forma juntamente com a de Gaitan tinham sido decisivas para os 4 meses brilhantes da equipa, foi a gota de água que fez transbordar o copo.
Assim, no jogo da 2ª mão da Taça de Portugal JJ teve opções que no mínimo dos mínimos devem ser consideradas peculiares, uma vez que sabendo que defendia um resultado positivo optou e bem por dar as despesas de jogo ao adversário mas por outro lado colocou um avançado a fazer as vezes de médio direito (Jara), a que juntou (in)decisões fatais na leitura do jogo. Quem não se recorda de ver Aimar a aquecer e a desaquecer indefenidamente quando se percebia que às perdas de bola perigosas de Jara se juntava a condição física cada vez mais limitada de Carlos Martins deixando as despesas defensivas do meio campo basicamente para Javi e Peixoto que tinham de lidar com 3 e por vezes 4 jogadores adversários.
E após o 1º golo do adversário, quando a elminatória ainda estava a pender para o nosso lado tudo se desmonorou. A equipa, o treinador, os adeptos, tudo. Olhando retrospectivamente acho que JJ e a equipa paralisaram de medo. Nem viram o que lhes estava a acontecer. Naqueles 10 minutos fatídicos a diferença entre estarem em campo com a camisola da águia ao peito os diversos internacionais pelos seus países ou um qualquer grupo de amigos que se juntam ao fim de semana para dar uns toques era praticamente nula.
E foi a mesma paralisação que terá afectado a equipa após se ver em desvantagem no jogo e na eliminatória no jogo da 2ª mão das meias finais da Liga Europa que a impediu de marcar um golo, um golo que fosse, em 75 minutos que voltasse a fazer pender a eliminatória para o nosso lado.
Paralisação provocada pelo medo de falhar/falta de condição física/ausência de opções no plantel para algumas posições chave/falta de espírito de grupo provocada por razões que a mim são desconhecidas, algures aqui pelo meio ou talvez em todas elas estará a explicação para o balanço necessariamente (muito) negativo que se tem de fazer da época 2010/11 do Benfica. E é na sua identificação e na sua expurgação que reside o segredo para que uma época como esta não se repita. A começar já pela próxima! Estou confiante em que as mesmas pessoas responsáveis pelo que de bom se fez há 2 épocas corrijam o que de errado se fez (fizeram) na preparação desta e cá estarei para dar voz ao que penso quando se vir com mais propriedade o esqueleto do plantel bem como as primeiras indicações dos jogos de preparação.
Até lá...que viva o Benfica e o benfiquismo!
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