Desde que acabou o jogo de ontem - durante a interminável viagem de volta e através da noite escura, assombrada e mal dormida – passei o tempo a tentar integrar isto (esta facada nas costas) que nos aconteceu na minha concepção do mundo, a tentar perceber como é que este pontapé do destino tem lugar no meu sistema de valores, na percepção que tenho das coisas, da existência, no sentido da vida. No fundo, sendo honesto, a tentar desesperadamente arranjar uma estrutura que alicerce uma forma de reacção a isto tudo, a esta dor, esta morte surda e injusta.
Percebo, envergonhado, que é uma perda de tempo: a resposta devia ser imediata e apenas não o foi por força do cansaço extremo da viagem a Amesterdão, do preço que isto teve no meu corpo, da dor aguda na alma que me tolda os sentidos e o discernimento.
A resposta é desarmantemente simples. Reage-se a isto da única forma que é fiel àquele momento cravado no tempo em 1904 que alumia (especialmente nos momentos mais negros), com uma chama imensa e pura, o caminho do Sport Lisboa e Benfica e dos Benfiquistas; da única forma que isto de ser do Benfica exige: levantamo-nos, sacudimos a poeira, olhamos para aquele símbolo imortal e honrado, amparamo-lo e abraçamo-lo por entre as lágrimas, e preparamo-nos, de cabeça erguida e com um orgulho inabalável, para a próxima luta. Não há - não há - outra forma de reagir que não nos atraiçoe naquilo que somos.
De ontem o que me fica, agora que as nuvens permitem ver algum sol, é Orgulho por pertencer a esta alma imensa. Orgulho por - como a imagem ilustra – ter lá estado literalmente a segurar o meu Benfica na ponta dos dedos.
Força, Benfica! Sempre, e para sempre.
Numa nota mais pessoal, também serviu, esta provação, para fazer uma filtragem muito útil e reveladora - que, percebo-o, urgia fazer - na minha teia de relacionamentos e amizades. As conclusões, na verdade (e digo-o, sinceramente, com o coração aquecido por isso), só vieram confirmar e vincar o que tenho tido para mim. Os meus melhores amigos – verdadeiros, do peito, aqueles que estão connosco sempre, que nos amparam – são os meus melhores amigos. Conhecem-me profundamente, sabem o que isto significou para mim, a dor que me dilacerou e me rasgou o peito, respeitam isso, respeitam-me, e ampararam-me e seguraram-me nas suas mãos. E falo aqui – além, obviamente, dos meus amigos, companheiros de sempre, que comigo fizeram a inesquecível viagem a Amesterdão - de amigos do Sporting e do Porto. Gente que me orgulha de uma forma que me comove. Os outros, os conhecimentos e os de ocasião que, não respeitando quem sou, desrespeitaram aquilo que é uma grande e indissociável parte de mim, em nome de um egoísmo e de uma mesquinhez demonstrativos da pequenez que os amordaça e que impossibilita que algum dia venham a ser meus amigos, digo-lhes adeus. Não preciso deles, não os quero.
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