Obviamente, e como foi comentado no post anterior, a questão do treinador do Benfica é muito mais abrangente que a sua manutenção ou dispensa, como aliás quis deixar entender com o último parágrafo.
Para além do mais, as idiossincrasias do futebol português obrigam a que o Benfica tenha de fazer sempre muito mais do que seria exigido, em condições normais, num país normal e num verdadeiro estado de direito, onde a uma certa equipa até a prática do andebol é permitida em jogos de futebol... Ao Benfica estão vedados quaisquer deslizes ou abaixamentos de forma, pois contra o Benfica nunca nenhuma equipa se lembrará de deixar de fora titulares indiscutíveis, para fazer 'rodar' ex-juniores.
Sabendo disso, o Benfica terá sempre grandes dificuldades em, como diria Béla Guttmann, "ter cu para duas cadeiras" (referindo-se, obviamente, ao campeonato e às competições europeias). E como tal, deverá focar-se primordialmente na conquista do campeonato e aí apostar todas as 'fichas'. Foi isso que aconteceu há 3 anos, quando o Benfica, teve de aplicar a fundo para vencer a Naval, na Figueira da Foz, a poucos dias de ir a Liverpool...
No entanto, nesta fase final da época que agora termina, o Benfica apostou forte, em simultâneo, na Liga Europa e no campeonato. Apesar de o campeonato ser sempre apontado como prioridade, o certo é que, em função do desejo de estar na final, no jogo da 2ª mão com o Fenerbahçe não foram poupados quaisquer esforços. E isso acabou por ter um preço: o empate na Luz com o Estoril...
De certa forma, entendo esta opção de alto risco: uma presença numa final europeia traz prestígio e, consequentemente, aumenta a oportunidade de negociar transferências de jogadores por valores elevados (sem sustententabilidade financeira, nem vale a pena pensarmos em títulos...).
Mas o risco também se pode traduzir (como veio a acontecer) em perder ambas as competições... Vendo as coisas por outro prisma, a sustentabilidade financeira fica algo desprovida de sentido se o Benfica não conseguir alcançar os objectivos desportivos, que no nosso caso passam, necessariamente, pela conquista de títulos de Campeão Nacional.
E se Jesus tem responsabilidades ao falhar nesta aposta de alto risco, a direcção tem tantas ou mais responsabilidades, ao aceitar que pudesse ser comprometida a vantagem de 4 pontos em vésperas de visita ao FCP.
Precisamente porque sabemos que não podemos ter deslizes, não podemos facilitar, em momento algum, na luta pelo campeonato. E nesse aspecto, cabe à direcção do clube garantir, constantemente, que todos estão focados neste principal objectivo. A conquista de títulos europeus é, obviamente, o sonho de muitos Benfiquistas. Mas não podemos hipotecar a realidade, mesmo que esses sonhos estejam perto de se concretizar...
Por fim, como referi no post anterior, há ilacções que devem ser tiradas da nossa fraquíssima prestação no jogo do final da Taça. Não sendo o jogo que ia salvar a época, era um título que, sem querer fazer desmerecer o Vitória de Guimarães pela sua conquista (os meus parabéns ao Vitória: um clube com o seu histórico e massa adepta já merecia um trofeu importante no seu palmarés), o Benfica tinha a obrigação de conquistar.
Perante tudo isto, a permanência ou não de Jorge Jesus, não sendo um mero detalhe, está longe de ser o único problema do Benfica na definição do futuro próximo, que passa, necessariamente, por começar quanto antes a preparar a próxima época. Quero começar o campeonato a ganhar (o que já não acontece desde 2004/05...), seja com Jorge Jesus ou outro treinador. Se for Jorge Jesus, acredito que com ele o Benfica vai, finalmente, acabar com esta malapata da 1ª jornada e assim lançar-se numa senda de vitórias. Se for outro, confio que será alguém com, pelo menos, igual capacidade para o fazer.
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