Sábado, 7 de Dezembro de 2013
Desabafado aquilo que me ia na alma no final do jogo, altura para tentar escrever um pouco sobre o jogo em si - não que haja grandes considerações a tecer. O jogo classifica-se exactamente pelo adjectivo que deu título ao post anterior: miserável.
Apenas duas alterações no onze que venceu o Rio Ave: Cortez em vez do André Almeida, e Markovic em vez do castigado Matic. O jogo esperava-se (exigia-se) fácil para o Benfica. O Arouca é uma das piores equipas da nossa liga, e o Benfica entrava em campo supostamente motivado com a ultrapassagem ao Porto. Praticamente na primeira jogada de ataque que fizemos, o golo esteve muito próximo de acontecer, mas o cabeceamento do Lima, em posição privilegiada após cruzamento do Rodrigo, passou ao lado. No pontapé de baliza que se seguiu (estamos a falar de algo que aconteceu aos três minutos de jogo), ficou evidente aquilo que o Arouca vinha fazer à Luz, pois imediatamente o seu guarda-redes tratou de queimar tempo de forma absurda para marcá-lo. Para quem se recordar, este tipo de antijogo total foi exactamente o mesmo que o treinador Pedro Emanuel apresentou o ano passado quando veio à Luz com a Académica, tendo na altura o Benfica ganho com um golo de penálti já a acabar o jogo. O Benfica durante a primeira parte tentou chegar ao golo de forma paciente, jogando pelos flancos e fazendo a bola viajar muitas vezes de um lado ao outro do campo, de forma a desposicionar a muralha defensiva do Arouca, que nada mais fazia do que defender - nove em cada dez passes que tentavam fazer para a frente eram praticamente alívios que saíam directamente para fora. Rematámos algumas vezes, mas com má direcção. Os problemas maiores para o Benfica começaram aos dezoito minutos. Na primeira vez que o Arouca foi ao ataque, o Fejsa cometeu uma falta na zona lateral esquerda da nossa área (depois de, mais uma vez, o Cortez ter sido batido após ter entrado 'à queima' ao adversário). O livre foi marcado pelo David Simão para o interior da área, onde o Artur, preocupadíssimo com a possibilidade da bola acertar no poste mais próximo, conseguiu precaver com sucesso essa situação, cobrindo-o com garbo. Pena foi que para o fazer tivesse deixado o outro lado da baliza completamente aberto, que foi onde a bola entrou sem que ninguém lhe tivesse tocado. Uma espécie de déjà vu do golo do Estoril a época passada, que foi para mim o momento em que perdemos o campeonato. O Benfica acusou o golpe, e o nervosismo pareceu começar a tomar conta da nossa equipa. Ainda assim conseguiu continuar a tentar chegar ao golo de forma razoavelmente organizada. Teve oportunidades para tal, sendo um cabeceamento do Lima para grande defesa do Cássio uma das melhores, mas apenas a cinco minutos do intervalo marcou mesmo, numa finalização fácil do Rodrigo, à boca da baliza, após uma boa incursão do Maxi pela direita concluída com um cruzamento rasteiro.
Ao intervalo o Benfica deixou o Cortez no balneário para entrar o Sulejmani, com o Gaitán a fingir de lateral - apesar do péssimo jogo do Cortez, colocar aquele que tem sido um dos nossos maiores desequilibradores e criadores de oportunidades nessas funções se calhar já indicava algum desnorte na cabeça da nossa equipa técnica. A segunda parte deixou-me preocupado logo de início. Isto porque me pareceu que os nossos jogadores acusaram muito cedo demasiada ansiedade - decorridos poucos minutos parecia que já jogavam de forma precipitada, como se faltasse pouco tempo para terminar o jogo. O Arouca encolheu-se ainda mais dentro da sua área e passou a queimar ainda mais tempo, o tempo foi correndo, e a verdade é que apesar da posse de bola esmagadora raramente vimos o guarda-redes adversário ser posto à prova ou mesmo qualquer remate verdadeiramente perigoso da nossa equipa. Depois foi o costume: o Arouca foi à frente, teve oportunidade para despejar a bola para a área em lançamentos laterais longos que não conseguimos afastar eficazmente, e num deles o Luisão tocou a bola de cabeça para trás, permitindo a um adversário um cruzamento acrobático de um poste para o outro, onde apareceu alguém completamente sozinho para marcar. Com pouco mais de quinze minutos para jogar até final, o espectro da derrota era bastante real. Chegámos ao empate através de um penálti convertido pelo Lima, depois de falta sobre o Sulejmani, deixando ainda sete minutos por jogar. E durante este período de tempo tivemos duas grandes oportunidades para vencer o jogo: primeiro num remate do Ivan Cavaleiro ao poste, e depois num cabeceamento do Luisão que, com a baliza escancarada, fez a bola bater no chão e subir demasiado. O ridículo período de compensações dado mostrou ainda que o estratagema de simulação de lesões e abusiva queima de tempo em qualquer oportunidade acaba sempre por compensar.
Não houve nenhuma exibição muito meritória no Benfica. O Rodrigo foi dos menos maus, o Enzo dos que mais lutaram, e o Sulejmani agitou um pouco as coisas no ataque. O Fejsa consegue cumprir no apoio à defesa, mas está bastante longe de ser um Matic. O Markovic continua a ser um corpo estranho na equipa encostado a uma ala. O Cortez foi péssimo na parte que jogou. Perdeu várias vezes a bola a atacar por não se libertar rapidamente dela e insistir em iniciativas individuais, e na defesa cometeu erros infantis. Quando eu jogava futebol (e era defesa lateral) uma das coisas que os treinadores mais me martelavam na cabeça era para não ir 'à queima' quando o adversário vinha para cima de mim com a bola controlada. O Cortez fez isso diversas vezes. E em todas elas, sem excepção, foi ultrapassado com facilidade. Custa-me também compreender porque razão foi lançado a titular vindo de uma lesão quando o André Almeida até tinha cumprido em Vila do Conde. Quanto ao Artur, voltou a comprometer. Já disse aqui diversas vezes que não sou fã dele - não tenho qualquer confiança nele. Não vou dizer que é mau guarda-redes, porque isso seria um exagero. É simplesmente um guarda-redes normal, sem grande capacidade para o extraordinário - a melhor defesa do Artur desde que está no Benfica foi feita com o jogo já interrompido. Em dias bons cumpre e não compromete. Em dias maus tem falhas grosseiras que nos custam caro. Resumidamente, na minha opinião é um guarda-redes incapaz de nos valer pontos, mas perfeitamente capaz de no-los custar.
Mais uma exibição miserável em casa contra uma equipa fraquíssima, situada no fundo da tabela quando entrou no relvado da Luz, e mais dois pontos deitados fora. Tal e qual como contra o Belenenses, em vésperas de um confronto da Champions. Deve ser apenas coincidência, certamente.
Os Inácios já estão em primeiro e festejam como se fossem campeões europeus. Mas a verdade é que, mesmo jogando pouco, já conseguiram criar uma onda de euforia, que empurra mais gente aos estádios que o Benfica e o Porto juntos, como hoje se viu e que, se o velho cacique não tomar cartas no assunto, bem os pode levar à conquista do ceptro nacional.
É a diferença entre ter um presidente e ter um líder.
"Com base em imagens transmitidas pela BTV, Enzo Pérez arrisca um sumaríssimo e o subsquente castigo, que pode ir até 4 jogos, por gesto polémico dirigido ao árbitro Rui Costa, já depois de terminado o jogo com o Arouca.
O amadorismo e a incompetência, no seu esplendor. "
Não sejas parvo. A imagem do Enzo a fazer aquilo foi transmitida em directo, não foi nenhuma repetição posterior.
A incompetencia é o quê? Dizer ao realizador da transmissão "assim que for assinalada uma falta ou um fora ou que o jogo pare por qualquer razão, deixas imediatamente de filmar jogadores do Benfica"? Tem juízo.
Também já vi aí alguém revoltado com o facto do Garay estar a atar as botas quando o Lima ia marcar o penalty. Mas está tudo parvo? Então o jogo está parado para ser marcado um penalty e o gajo não pode atar as botas???
Sim, perdemos dois pontos, foi miseravel e o boi preto mostrou bem como se fazem as coisas. Só estou admirado é como assinalou o penalty, porque aos amarelos podiam saltar com os braços em cima dos nossos, mas qualquer sopro na direcção dos outros era logo falta nossa.
De António a 9 de Dezembro de 2013
Mas o problema deve ser dos jogadores!!!
De Vitor Monteiro a 9 de Dezembro de 2013
.
http://aguia-real.blogspot.pt/2013/12/blog-post_9.html
.
De Manuel Afonso a 9 de Dezembro de 2013
Anda para aqui gente muito alegre. Alegre e ocupada, a procurar parvoíces para dizer mal, ou a desenterrar assuntos que já cheiram mal.
Também é por causa de gente desta que o Jesus ainda é funcionário do clube.
É que ninguém com juízo ou sentido de higiene intelectual gosta de ter tão reles companhia, mesmo na crítica lógica e merecida.
Até apetece dizer bem do JJ só para contrariar esta gente.
Dizia eu à uns tópicos atrás que não percebia aqueles que apoiam o Jesus porque acham que assim defendem a direcção.
Mesmo continuando a achar que defender a continuidade de JJ é defender a saída da direcção, começo a perceber.
De Jorge a 9 de Dezembro de 2013
Concordo com a análise mas sublinho que só vi 2 jogadores a jogar com raça: Enzo e o Maxi. Todos os outros esperavam que a bola viesse redondinha para só depois iniciar a jogada. Isto chama-se falta de motivação, para ser simpático. O futebol é imprevisível, mas com esta equipa técnica, sempre a inventar e esta falta de atitude, o campeonato já foi. O Artur não será nunca um guarda redes que ganhe pontos, como o Helton e ás vezes o Rui Patricio, o Bruno Cortez tem lugar é na peladinha em Copacabana, e as promessas João Cancelo, André Almeida, Ivan Cavaleiro, só em desepero de causa, são lançadas ás feras. Isto já foi visto e revisto, o que me leva a conluir: Incompetência.
De Anónimo a 9 de Dezembro de 2013
Pessoal, polémicas à parte, vamos mas é a votar no golo do Matic para golo do ano:
http://pt.fifa.com/ballondor/puskasaward/index.html?intcmp=promo_ballondor_puskasaward_pt
De Joao Coelho a 10 de Dezembro de 2013
Adivinhem de quem estamos a falar :
1. Eliminado, em casa, da Taça de Portugal 2009/2010 contra a fraca equipa do Guimarães.
2. Após ser Campeão, faz chantagem ao revelar uma suposta oferta do Porto pelos seus serviços e assim sacar um contrato milionário como nunca se tinha visto em Portugal.
3. Derrota 5-0 com o Porto no Dragão.
4. Fica em 3º num grupo acessível da Liga dos Campeões 2010/2011 e só não fica em 4º, atrás de um Hapoel Telaviv porque o Lyon marcou um golo no último minuto. O Lyon, não o Benfica.
5. Faz o Benfica passar por cabeçudo ao perder em casa contra o Porto, levando-os a sagrarem-se Campeões na Luz, algo nunca visto. Bastava o empate.
6. Perde em casa o acesso à final da Taça de Portugal por 3-1 contra o nosso principal rival, depois de trazer uma vantagem de 2-0 no 1º jogo.
7. Perde o acesso à final de uma Competição Europeia frente a uma equipa de 2ª linha do principal Campeonato português.
8. Ao não vencer o Porto nenhuma vez, contribuiu para que o Porto acabasse, pela 1ª vez, um Campeonato sem derrotas, algo que só o Benfica tinha conseguido.
9. Eliminado da Taça de Portugal 2011/2012 frente ao Marítimo.
10. Num Campeonato que deveria ser de retoma. De "vingança" pelas humilhações que sofremos na época anterior, chega aos 5 pontos de vantagem com jogo em casa frente a principal rival, vantagem essa que desbarata em 3 jornadas. Culminando nesse jogo da Luz onde, praticamente, dá o título ao adversário. Mais uma vez frente ao Porto, mais uma vez no Estádio da Luz.
11. Liga dos Campeões 2012/2013. Grupo bastante acessível, fica mais uma vez em 3º, falhando o acesso aos oitavos-de-final da prova... Outra vez.
12. Depois de andar o Campeonato todo à frente e depois da triste figura de andar aos saltinhos após o jogo na Madeira, reabre a questão do título após empatar em casa... contra o recém-promovido Estoril.
13. Jogo do título, perde-o no Dragão e ajoelha-se como derrotado que é, em casa do inimigo, numa das imagens mais tristes que me lembro do meu clube.
14. Final da Taça de Portugal... Mais uma derrota frente a um Guimarães formado, na sua maioria, por jogadores que foi buscar no decorrer da época à equipa B. Com o jogo ainda a decorrer, mostra mais uma vez o derrotado que há em si, ao chorar compulsivamente durante o mesmo, passando assim uma imagem de "confiança" aos jogadores.
15. Os jogadores faltam-lhe ao respeito. Perde o balneário. Ainda assim acha que tem condições para continuar e assina um contrato chorudo.
16. Com o plantel mais caro da história do Benfica falha, mais uma vez, o apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões que, por acaso, até se disputa no Estádio da Luz.
17. Com o plantel mais caro da história do Benfica, em 19 jogos oficiais tem 12 vitórias e 7 não vitórias (4 empates e 3 derrotas).
18. Com o plantel mais caro da história do Benfica sofre golos em quase todos os jogos.
19. Com o plantel mais caro da história do Benfica, a equipa não joga nada.
20. Com o plantel mais caro da história do Benfica, o máximo que consegue é estar igual ao pior Porto dos últimos 9 anos.
21. Com o plantel mais caro da história do Benfica consegue estar 2 pontos atrás do Sporting que tem o plantel mais barato da sua história.
22. Com o plantel mais caro da história do Benfica, já jogou 2 vezes contra o plantel mais barato da história do Sporting e nunca conseguiu vencer no tempo regulamentar.
PS: Post partilhado via Blog A Perna Esquerda do Eusébio
De João Silva a 10 de Dezembro de 2013
Pelo menos este mau jogo serviu para alguma coisa...
Deu oportunidade aos anti-Vieira, anti-Jesus, anti-Formação,etc., para debitarem as costumeiras idiotices!
De Ao Idiota do costume apetece opiniar a 10 de Dezembro de 2013
Jorge Jesus = Não sou treinador para um grande clube, confesso. Estou no Benfica porque agora este clube é uma empresa, deixou de ser um enorme clube desportivo. Isso é passado, e já não volta.
LFV = Não se está a ver? Eu sou é empresário. Não sou lá grande fã de desporto. Está tudo a correr bem na empresa, não se vê?
Comentar post