

Hoje atacaram
Todos dizem que o Santos vai sair. Um diz que o Katsouranis vai sair. Alguns já dizem que virá o Eriksson ou o Camacho (link). Daqui a uns tempos lançarão o pânico e dirão Peseiro, Paulo Sousa ou Santos. Depois voltarão ao que é internacional e dirão Le Guen, Gerets e palermices afins. Voltarão a Eriksson e Camacho quando nenhum dos outros já vender. Serão três meses de escarros no código deontológico.
Eles sabem bem o que nós, benfiquistas, queremos ler. Eles sabem bem lançar o isco. Eles sabem bem que nada daquilo é realidade. Eles sabem bem que, se não lhes comprarmos a ilusão (a mentira) publicada, a realidade deles é a falência declarada.
* 1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público. (link)
Indelével. Inolvidável. Impressionante.
Além de serem três palavras parecidas, na forma e no conteúdo, também têm outra característica em comum, e que é a seguinte: no futuro, nenhuma delas será empregue para definir a época de 2006/2007 do Benfica.
Ontem escreveu-se apenas mais um capítulo na triste história que terá o seu final em meados de Maio. É, por todas as razões, uma altura tremendamente difícil para o adepto: por um lado, é virtualmente impossível ficar contente ou desejar uma derrota do seu clube, ainda para mais quando esse resultado significa a ultrapassagem na tabela classificativa por um dos seus rivais; por outro lado, colhe-se a sensação de que, quanto maior a tempestade, mais hipóteses há de a cúpula directiva se decidir pela substituição do treinador, fonte primeira de todos os males que assolam o futebol benfiquista nos dias que correm.
Ok, provavelmente estarei a ser injusto e, além do responsável pela entrada do Mantorras aos 45’ de jogo de ontem, dando-lhe mais minutos num jogo do que havia dado em quase toda a 1ª volta, curiosamente, ou não, logo após uma tomada de posição do jogador exigindo mais oportunidades, também há que alargar a critica ao responsável pela preparação (?) física do conjunto, pois é por demais evidente que, utilizando um português corrente “os jogadores não podem com uma gata pelo rabo”.
Essa seria, aliás, uma das minhas primeiras perguntas caso, por absurdo e megalómano que este pensamento vos possa parecer, me fosse dada a hipótese de estar cara a cara com o treinador da nossa equipa: “Quais as razões objectivas que estiveram por detrás da escolha de um jovem com pouco menos de 20 anos e sem qualquer tipo de experiência comprovadamente positiva nos anteriores clubes pelos quais passou na sua ainda curta carreira profissional, para liderar a preparação física de um conjunto como o do Benfica, que no início da época já sabia que este seria além do mais um ano tremendamente desgastante, pois além de se seguir a um Mundial também principiou 1 mês mais cedo do que os restantes clubes devido à pré-eliminatória da Liga dos Campeões? E qual a relação causa/efeito, se é que a houve, de o último nome desse preparador físico ser Moura?”
Acontece que o Fernando Santos não pediu a ninguém para vir treinar o Benfica, portanto a SAD e o seu responsável máximo, Luís Filipe Vieira, não se podem eximir à responsabilidade por tudo quanto se está a passar esta época e que apenas não tem originado manifestações de desagrado por parte da massa adepta do Benfica, porque a sinto muito amorfa e estupidamente entregue à sua sorte. Sorte esta que mais parece ter sido importada directamente da estória da Cinderela, porque não consigo imaginar sorte mais madrasta…
Não defendo chicotadas psicológicas a meio da época e concordo com quem diz que esta foi uma das grandes evoluções que o Benfica teve nas últimas épocas, ou seja a manutenção do treinador mesmo aquando do surgimento de 2 ou 3 resultados menos positivos. No entanto, cada regra tem sua excepção e se bem que, a acontecer, esta chicotada configuraria uma admissão de culpa por parte de Luís Filipe Vieira, responsável máximo na escolha de Fernando Santos, por outro lado só erra quem lá está e, ainda por outro lado (é um problema bicudo como já vimos, pois os lados são imensos), há que colocar os interesses do Benfica acima dos interesses pessoais e tenho para mim que neste momento o Benfica deveria começar a preparar a próxima época com um novo treinador, entregando ao Chalana a responsabilidade de orientar a equipa nos jogos que restam desta não indelével, não inolvidável e não impressionante, temporada.
Não queria, também, deixar de referir alguns pormenores de que me apercebi ontem no estádio:
anti-jogo adversário idem, a arbitragem saloia também. No final, apesar dos pesares, grande parte do público aplaudiu e gritou “Benfica”. O Petit e mais um (Quim) ou outro futebolista lá agradeceram tamanha (e inesperada) generosidade. Afinal, os espectadores viram que não lhes faltou vontade: a alguns faltou talento, a outros faltou força, a outros faltou sorte e à equipa faltou um treinador.
O inefável Rui Santos, numa demonstração da sua supina inteligência e argúcia, disse, no seu “Freak Show” televisivo de ontem, que o Benfica não ganhou nenhum dos quatro últimos jogos com o Rui Costa em campo. Até o jornalista que o acompanha para fingir que aquilo não é um monólogo se sentiu na obrigação de intervir, dizendo que lhe parecia um abuso estabelecer qualquer relação de causa/efeito. Rui Santos, então, escancarou um sorriso pacóvio e disse «estou, simplesmente, a constatar um facto». Repetiu, muito orgulhoso da gracinha, o facto que constatou e lá continuou a repetir-se durante mais uma boa meia hora.
A SIC, incluindo a SIC Notícias, tem ao longo dos últimos três anos perdido audiências… desde que o Rui Santos por ali arranjou uma gamela. Estou apenas a «constatar um facto».

Quem aprecia futebol, aprecia a técnica e a inteligência do Nuno Gomes em campo. Fora do campo, basta ouvir o testemunho dos seus colegas para se aquilatar da sua importância.
Facto: Fomos eliminados da Taça UEFA.
Pormenor: “Fomos” e não “foram”, como alguns benfiquistas de formação instantânea costumam dizer quando os resultados não correspondem aos seus anseios.
Nestes momentos existe a tendência, muito útil pois facilita imenso as análises que se fazem, de se procurar culpados individuais ou únicos ao invés de olhar para a “Big Picture”. Assim, ontem a culpa não irá certamente morrer solteira, mas também não há-de falecer simplesmente acompanhada por Fernando Santos, Nuno Gomes ou pelo azar, por exemplo.
Há, no entanto, aqui um binómio que pode ser interessante realçar e que implica duas das três entidades supracitadas. Esqueçamos, então, por agora o Nuno Gomes, e foquemo-nos no Fernando Santos e no Azar.
Provou-se novamente que o treinador que lá temos parece ter um qualquer pacto com a infelicidade (ao jogo, pelo menos), não dá hipótese, o homem puxa todos os deuses da má fortuna para si e, portanto, nem sequer a sorte ajuda a esconder as péssimas opções que, jogo após jogo, continuam a pôr a nu todas as suas imensas fragilidades como treinador de futebol. Destaco o momento das substituições: na televisão provavelmente não deu para reparar, mas no estádio foi visível a olho nu (toda esta nudez já me está a deixar ligeiramente excitado) que os jogadores entraram perdidos e os que já lá estavam dentro, se perdidos não estavam, perdidos ficaram. Ele era o Rui Costa a perguntar ao Katsouranis para onde deveria ir, o Mantorras a dizer ao Miccoli onde se devia posicionar e, o mais sintomático de tudo, é que, a partir das alterações, o Benfica não voltou a criar perigo. Nesta altura há perguntas que permanecem por responder, nomeadamente no que respeita ao posicionamento que os jogadores substituídos foram ocupar em campo, já que se me afigura de difícil compreensão os motivos que levaram o Derlei a ocupar a faixa direita, o Katsouranis a colocar-se numa posição meio híbrida de defesa lateral direito/médio-defensivo, quando naqueles últimos 10/15 minutos o Benfica precisava de marcar um golo, isto se queria passar a eliminatória.
O mais natural teria sido colocar os jogadores mais fortes fisicamente e que joguem melhor de cabeça à entrada da área, ou pelo menos nas imediações desta para acorrerem ao chuveirinho de que se revestiu, basicamente, o nosso jogo a partir do momento em que o Fernando Santos começou a mexer na equipa, pouco interessando para o caso se acabássemos o jogo com o David Luiz como ponta de lança ou o Miccoli como defesa lateral direito. Sempre se ouviu dizer que para alturas extremas, há que tomar medidas extremas. E ontem era um desses casos, penso, portanto, que faltou fazer algum trabalho de casa, pois a equipa e, particularmente, o seu (nosso) treinador deveria ter um plano b (já nem peço um plano c ou d ou e, porque isso implicava um treinador excepcional e eu, neste momento, contentar-me-ia com um treinador razoável) para utilizar no caso de se chegar à última meia hora com a eliminatória em aberto e com a balança perfeitamente equilibrada, com vista ao fecho da primeira e ao desequilíbrio da segunda.
Como prometi a mim mesmo não canalizar o ónus da responsabilidade todo numa só personagem, tenho de dizer, a bem da verdade, que a condição física dos jogadores em geral, e de alguns casos em particular, é péssima, e também ajuda a explicar algumas coisas, mas ao fim e ao cabo acabamos por ser mandados para fora da UEFA por uma equipa espanhola para lá de mediana; e temo, mas temo mesmo bastante, que também o campeonato seja neste momento apenas uma miragem. Infelizmente, para ele, o nosso treinador não se pode eximir a parte da responsabilidade da parca condição física apresentada (será apenas física ou também psicológica? Talvez um pouco despropositadamente lembrei-me da frase “Mente sã em corpo são”), pois cumpriu a ele a escolha do preparador físico; além de que se o plantel é constituído por mais de uma vintena de jogadores, seria perfeitamente normal e sinceramente mais compreensível que a equipa perdesse ou deixasse de ganhar um ou outro jogo “menor” por ter havido alguma rotação na equipa para poupar os jogadores mais importantes e mais desgastados para embates como o… de ontem. Como todos sabemos, não tem sido esse o entendimento do treinador e, pelo que me é dado a perceber pela recolha de opiniões várias e pela antecipação do futuro próximo, a situação será debelada para o ano com a feitura do plantel a ser maioritariamente da responsabilidade do Fernando Santos. Acreditar ou não nesta explicação depende de cada um e não será pretensão deste que vos escreve encaminhar o pensamento dos benfiquistas para aqui (sucesso) ou para ali (fracasso).
José Veiga e a sua ausência são outra das minhas preocupações actuais (imediatamente antes do pagar das contas da água, da luz e do gás, lá em casa). Não foi a presença do ex-empresário no balneário da equipa, ou nas suas imediações, sempre considerada pelo nosso Presidente como extremamente importante e definidora do que se pretendia para a gestão do futebol do Benfica? Se assim era, porque é que à demissão (?) do Veiga não se seguiu a sua substituição? Se se pensava que o Presidente poderia tomar como seus os problemas inerentes à gestão directa da equipa profissional de futebol penso que se incorreu num erro de apreciação do que é actualmente a gestão do Universo Benfica, e também se menosprezou a exigência do futebol profissional nos dias que correm; além de que, se a natural ausência do Luís Filipe Vieira teria como contrapartida o aumento de competências do treinador (sempre ele), à expressão “erro de apreciação” terei de acrescentar a palavra “crasso”.
Um último pormenor, nada mais do que isso, para ilustrar parte da minha noite de ontem, e que culminou com vários socos e um pontapé (que não de trivela) na cadeira mais próxima na ocasião, e reporta-se ao lance que ajuda a ilustrar a diferença entre jogadores que dão campeonatos e/ou eliminatórias e, desse modo, ajudam a esconder as incapacidades da equipa que representam, e os outros:
Trata-se da jogada em que o Rui Costa, sempre ele, ganhou espaço na área dos espanhóis e fez um cruzamento/remate que viria a encontrar, completamente desmarcados, 2 (dois!) jogadores do Benfica a cerca de 1 metro da baliza:
Terei sido dos poucos no Estádio que não viu o Nuno Gomes falhar esse lance. Não vi, simplesmente porque continuo a ser ingénuo (ia escrever “estúpido”) o suficiente para não imaginar que aquele lance não iria dar golo pelo motivo de não entrar na baliza (condição primeira para um golo ser marcado), mas sim porque o fiscal de linha o iria anular por um suposto fora-de-jogo. Então quando a bola saiu rematada pelo Rui Costa e eu me apercebi (eu e o Estádio) que iria encontrar completamente desmarcados dois jogadores do Benfica ao segundo poste, quando o guarda-redes estava a cobrir o primeiro, a não entrada da bola na baliza nem sequer me passou pela cabeça, pelo que a minha reacção instantânea foi olhar para o fiscal de linha para ver se este deixava a bandeirola em baixo.
E foi naqueles 2 segundos, se tanto, que fui do Paraíso ao Inferno. Sendo o paraíso o instante em que reparei que a bandeirola ficou em baixo e o inferno o momento em que, com a estupefacção natural de quem acaba de presenciar um episódio do Twilight Zone, verifico que os jogadores continuam a correr atrás da bola pelo simples motivo de esta não se encontrar anichada no seu lugar natural, ou seja, o fundo da baliza dos espanhóis.
* estou a ganhar coragem para escrever um post, que pode até nem chegar a ver a luz do dia, acerca das expectativas que todos, uns mais outros menos, temos no que concerne às prestações europeias do Benfica e à possibilidade de não estarmos a ser muito racionais ou razoáveis na fasquia que nos propomos suplantar.
não cheguei ao Estádio a horas de ver o início do jogo. Já levava quase uma dezena de minutos quando ocupei o meu lugar. O Corto já me tinha dado as coordenadas do seu lugar no Estádio. Estava no lado oposto ao meu. Estive entretido a ver o público e a olhar para a claque do Espanhol. Estavam no sítio onde ficara a claque dos andrades. Desta vez não houve petardos nem cadeiras. Tal como nunca houvera antes daquela gentalha por ali ter arribado.
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