VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

De regresso *

Apesar de ter estado "ausente" da Tertúlia nas últimas semanas (não só porque estive de férias mas também porque no período que as antecedeu não tive grande disponibilidade), não deixei de estar atendo ao meu Benfica (e sempre que pude também vim "espreitar" os posts e respectivos comentários aqui da Tertúlia), mesmo não podendo acompanhar algumas das transmissões televisivas dos jogos (e menos ainda ir ao estádio). Vi um Benfica completamente desgarrado a ganhar ao Copenhaga graças as dois momentos de inspiração de Rui Costa, ouvi um Benfica com grandes dificuldades perante o recém promovido Leixões e a deixar escapar a vitória por entre os dedos, senti um Benfica entregue ao destino, com jogadores a jogarem na espectativa de que a bola entrasse como que por milagre na baliza adversária e que o Quim (que apesar das suas limitações, está a ter um excelente início de época) fosse suficiente para impedir que os adversários marcassem. Em suma, um Benfica à imagem do seu treinador (até ao jogo com o Leixões), entregue à (má) sorte, a lamentar-se depois do azar, preso por espartilhos tácticos mas desprovido do essencial: a vontade de jogar à bola, pelo "simples" prazer que isso proporciona, e uma verdadeira ambição de vencer, em cada instante do jogo. O Benfica era um conjunto de jogadores, não uma equipa. E quando assim acontece, todos os jogadores parecem fracos, pois muitas vezes pareciam não saber muito bem o que fazer em campo.

Seguiu-se a dispensa do Fernando Santos, o que foi para mim meia surpresa. Por um lado, LFV garantia que o treinador não estava em causa (se bem que saibamos que o valor da palavra do LFV seja relativo...). Por outro lado, e perante este fraco início de época, com uma equipa completamente apática, fruto de uma pré-época mal preparada (o problema é que nem se tratava de as coisas correrem mal, apesar de os jogadores tentarem: a verdade é que os jogadores pareciam nem ser capazes de tentar, pois pareciam presos à relva...). Se a dispensa de FS foi um erro, só se foi por um motivo: ter sido contratado, há pouco mais de um ano atrás. De resto, estava a tornar-se insuportável ver a equipa a ter um início de época idêntico ao do ano passado. Embora a saída de jogadores importantes pudesse explicar alguns problemas, não explicava o problema de os jogadores praticamente não se mexerem em campo, ainda que muitos deles fossem novos na equipa.

Para mim a contratação de Camacho, para substituir FS, foi uma escolha acertada, dentro das disponibilidades (continuo a preferir o Eriksson...), essencialmente porque já conhece o Benfica e já interiorizou bem, nos anos que cá esteve, que o Benfica é um clube vencedor, que seja qual for o adversário, entra para vencer (o que não significa necessariamente, como é óbvio, jogar desenfreadamente ao ataque), que não se contenta com 2ºs lugares. E para além disso, consegue incutir aos jogadores esse espírito. Pode não ser um prodígio da táctica, pode não debitar teorias a esse respeito como o Luís Freitas Lobo, mas mais importante que jogar em 4-3-3, 4-4-2, 4-2-3-1, em losango ou em "pirilau", é a atitude dos jogadores, os princípios básicos como procurar recuperar a bola quando se está a defender, e quando é necessário marcar um golo, é necessário chegar à área adversária, e para isso é necessário que os jogadores se movimentem. É isso que já se vai vendo com Camacho e que não se via com FS. Contra o Guimarães já deu para sentir um pouco essa mudança de atitude, com o Copenhaga, apesar do sofrimento inicial (também por mérito dos dinamarqueses e da sua envergadura física), também já foi possível ver o Benfica a jogar com mais personalidade (sobretudo na 2ª parte) e ontem, contra o Nacional, e ainda que o Benfica tenha permitido alguma reacção do adversário após o 0-1, o resultado final demonstra inequivocamente a superioridade do Benfica. Outra coisa importante é que Camacho não tem problemas em apostar nos jovens. Assim foi com Miguel Vítor (embora não houvesse outra alternativa) e Romeu Ribeiro. Não fica à espera que os jogadores tenham provas dadas (o que é difícil, quando entram a 2 minutos do fim do jogo ou ficam a ver o jogo todo do banco...) para lhes confiar responsabilidades. Arrisco-me ainda a dizer que se a contratação do Camacho tivesse sido feita antes do 1º jogo com o Copenhaga, talvez o Manuel Fernandes não tivesse saído...

No entanto, não nos deixemos iludir. Não basta ter Camacho como treinador para que os principais problemas fiquem resolvidos. A gestão do futebol do Benfica tem sido praticamente desprovida de estratégia de há muitos anos a esta parte. Tem-se resumido, essencialmente, à gestão de contratações e dispensas, mas do ponto de vista desportivo, tem dependido em demasia dos treinadores. E a prova é que o Benfica contratou Fernando Santos, que não vejo onde possa encaixar com qualquer estratégia desportiva condigna do Benfica. E por outro lado, este 'corropio' de contratações e dispensas também não é tolerável num clube que se pretende grande. Por muito bons que sejam, uma equipa não se forma de um dia para o outro. É preciso que o Benfica tenha uma estrutura directiva capaz de capitalizar as mais-valias trazidas pelos seus treinadores e de gerir as entradas e saídas de jogadores numa perspectiva de evolução e não de revolução. Tal figura não pode ser o LFV, como já demonstrou, nem ex-empresários de jogadores, menos ainda se os seus objectivos pessoais não incluirem, primordialmente, o sucesso do Benfica. Espero, portanto, que o Benfica não cometa os mesmos erros do passado recente e saiba tirar partido ao máximo do trabalho de Camacho, mesmo na eventualidade de ele, mais cedo ou mais tarde, sair do Benfica. E para tal, é necessário criar as condições para que isso aconteça.

* Muito mais importante do que o facto de eu estar de regresso de férias e ao blog, é o facto de o Benfica parecer estar de regresso às vitórias, assim como a competitividade do futebol praticado.

PS: Queria também assinalar o facto de, durante este período, os nossos atletas Nélson Évora e Vanessa Fernandes se terem sagrado campeões do mundo no triplo salto e triatlo, respectivamente. Parabéns, Nélson e Vanessa!
publicado por tma às 12:55
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Equipa

Depois do jogo desta noite, será que ainda há quem pense que trocar o Nandinho pelo Camacho não valeu a pena, porque os problemas maiores da equipa do Benfica equipa continuam todos a existir? É que eu esta noite vi uma equipa do Benfica em campo, coisa que há alguns meses não via. Não vi um grupo de onze jogadores, mais ou menos sem rumo. Vi sim um conjunto, um colectivo, vi jogadores a reagirem e a movimentar-se quando um colega tinha a bola, de forma a proporcionarem opções de passe e a protegerem-no em caso de falha. Não vi dez tipos parados a olharem para o portador da bola, como que a perguntarem o que é que será que ele vai fazer a seguir. E isto é após apenas duas semanas de trabalho. Não é qualidade que falta ao nosso plantel, como muitos quiseram fazer crer. O que faltava era atitude, e essa parece estar a voltar.

Uma única alteração em relação ao onze de Copenhaga, com a saída do Nélson por lesão e a estreia do Maxi Pereira. E uma entrada em força do Benfica, à procura de marcar cedo. Logo aos três minutos, uma arrancada fantástica do Di María deixou o Cardozo na cara do guarda-redes, mas ele finalizou mal e a oportunidade perdeu-se. Nesta altura notava-se muita vontade por parte do Benfica em ter a bola, e recuperá-la o mais rapidamente possível. Mesmo os dois alas participavam activamente nas tarefas defensivas, e como resultado o Benfica conseguia mandar no jogo. Já depois do Nacional ter conseguido equilibrar, o Cardozo teve a oportunidade de se redimir do falhanço anterior, e aproveitando um mau pontapé de baliza do guarda-redes adversário, correu para a baliza isolado e colocou-nos em vantagem, marcando o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. Conseguido o golo, o Benfica relaxou um pouco, deixando que fosse o Nacional a tomar mais conta do rumo do jogo. Mas o Benfica fez isto sem nunca abdicar do ataque, e esta é uma grande diferença em relação ao passado recente. É que assim que o Benfica recuperava a bola, toda a equipa subia em bloco no terreno para o ataque, não era apenas um ou dois jogadores a levar a bola para o ataque enquanto o resto da equipa ficava cá atrás a ver - esta atitude deu-nos mais do que um dissabor no passado. Assim sendo, o ascendente do Nacional nunca conseguiu ser mais do que ligeiro, e salvo uma falha do Petit, que amorteceu a bola para um remate adversário, não conseguiram criar mais nenhuma oportunidade de golo.

A segunda parte foi diferente, para melhor. A estratégia do Benfica manteve-se em relação ao final da primeira parte, mas as oportunidades de golo começaram a surgir com bastante frequência, e adivinhava-se o segundo golo que mataria o jogo. Primeiro o Nuno Gomes falhou um cabeceamento na pequena área, após centro do Di María. Depois foi o Pereira quem, após combinação com o Cardozo, surgiu isolado mas acabou por rematar de pé esquerdo e permitir a defesa ao guarda-redes. Teve que ser o grande Rui Costa, num lance tão típico dele, a dar a estocada final. Após receber a bola, serpenteou entre os defesas do Nacional da forma elegante do costume, com a bola colada ao pé, e finalizou com um remate cruzado que não deu hipóteses de defesa. Este golo não só matou o jogo, como praticamente matou o Nacional. A partir daqui o Benfica quase que passou a criar uma oportunidade de golo de cada vez que se aproximava da área adversária. Pouco depois, nova diagonal do Pereira após combinação com o Cardozo resultou num penalti claro, que permitiu ao Cardozo bisar. Logo a seguir, nova oportunidade do Pereira, salva com uma defesa incrível do Benaglio. E podia continuar a enumerar mais oportunidades que o Benfica construiu até final, de tal forma que até se pode dizer que o 3-0 peca por escasso.

Conforme disse, o Benfica hoje jogou como equipa, por isso não é fácil individualizar uma exibição de um jogador. Mas claro que o Petit, Rui Costa, Di María ou Cardozo, só para citar alguns, merecem ser destacados. Sobre o Petit ou o Rui Costa, o que é que se pode dizer que não saibamos já todos? O Petit parece ter o dom da ubiquidade, aparecendo em todo o lado ao mesmo tempo. O Rui Costa é classe pura, tem um toque de bola único, e é um autêntico prazer de cada vez que a bola lhe chega aos pés. O Di María voltou a brilhar, e a deixar-me água na boca perante a perspectiva do que poderá vir a fazer no nosso clube. Tem um estilo meio desengonçado a jogar, mas é rápido, tem uma técnica muito acima da média, tenta sempre levar a bola para a frente e não tem medo de partir para cima dos adversários. Além disso é muito lutador nas ajudas defensivas. Hoje só lhe faltou um golo. Quanto ao Cardozo, julgo que terá feito o melhor jogo desde que chegou ao Benfica. O número de oportunidades de golo que criou para os colegas mostrou a sua inteligência e utilidade. Volto a dizer: há muito, muito tempo que o Benfica não tinha um ponta-de-lança com estas qualidades. Por último menciono o Pereira, já que se estreou esta noite. Fez uma primeira parte discreta, preocupado sobretudo em fechar o lado direito. Na segunda parte apareceu mais solto, a fazer diversas diagonais para o centro, combinando com o ponta-de-lança, e mostrou ter um bom sentido de desmarcação. Além disso, também mostrou ser disciplinado tacticamente, fechando sempre bem o seu flanco e ajudando o Luíis Filipe. Para estreia, não esteve nada mal.

Duas semanas de 'efeito Camacho' já deram para se fazer sentir em campo. Sinto-me confiante, porque a equipa também parece estar cheia de confiança em campo, e só quero é que o próximo jogo chegue depressa, porque dá-me gozo ver-nos a evoluir. Que chatice que o campeonato pare agora.
publicado por D`Arcy às 00:17
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

O homem.

O homem não é um sábio da táctica, e claro que ainda vou desesperar-me com ele muitas vezes ao longo da época; mas há coisas neste treinador espanhol que eu adoro:
Por exemplo, a simplicidade da ideia de que uma equipa grande tem de jogar bem à bola, sem medo de a ter na sua posse; e a atitude "sem tretas e sem medos" com que pega em putos dos juniores e os põe a jogar. A mesma atitude que o leva a ter tomates para não inscrever Mantorras na UEFA. Claramente nem Koeman nem FS teriam cojones para tal.
Ainda estranho um Benfica com tanto jogador desconhecido, mas a atitude da equipa mudou completamente. E isso deve-se a este espanhol que traduz tudo em frases simples.
Como "salir a ganar".
Dá-le José António, dá-le.
publicado por PR às 23:20
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Não vi, mas senti.


Regresso ao país com a saudade de ver o nosso Clube na nossa Catedral. Não vi ao vivo nenhum dos jogos. Não vi, nem pela TV, o jogo com o Leixões; não vi os jogos com os tais dinamarqueses de quem o Santos tanto medo teve na época passada. Vi na RTP Internacional o jogo contra o Guimarães. Não vi bom futebol, não vi milagres, não vi nada que não estivesse à espera de ver. Senti o Benfica, o nosso Benfica, mais forte, mais confiante, senti que não havia adeptos a ter vergonha de ver no nosso banco de suplentes aquele canteirinho de camélias meladas que durante demasiados dias lá se sentou: não estava o Rosarinho, o Justino, o miúdo Moura e o Fernandinho. Não os vi, mas senti que muita da incompetência que lá deixaram se vai repercutir no futuro imediato. Senti a confiança que o público tem no futuro desta equipa: e o futuro não é o próximo jogo...

Senti que há quem considere que apostar nos jovens não é pôr o João Coimbra durante cinco minutos em campo. Senti que há quem tenha coragem de apostar na juventude formada no nosso Clube, há quem saiba responsabilizar essa juventude e saiba tirar o melhor dela.

Ouvi, pela televisão, o grito de 'Benfica' com que o público brindou a equipa depois do empate. Nesse grito está o sentir de milhões que sabem e sentem que, com tempo e paciência, seremos campeões, pois está a nossa equipa de futebol a ser orientada por um líder e não por um loser.

Eu acredito. E acredito que, caso estejamos todos unidos, será mais fácil.

À margem:
vejo, com agrado, a pluralidade de opiniões que os escribas deste blogue apresentam. É bom sinal, é sinal de vitalidade e independência. É uma forma saudável de ser/viver aquilo que nos une: o Benfica.

publicado por Pedro F. Ferreira às 12:41
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