VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

O Sanctum Sanctorum de uma equipa.

E de repente surgem jogos como o de hoje, um jogo determinante. Não é determinante para ver se o sistema táctico é o mais indicado, nem tão pouco para se aquilatar do valor do treinador ou questões afins. É determinante para perceber se ainda temos ou não um balneário que guarda respeito aos que, naturalmente, o lideram... e não estou a falar do treinador. Estou curioso.

publicado por Pedro F. Ferreira às 15:49
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

As palavras dos outros:

As palavras são de José Pacheco Pereira e estão escritas no Abrupto (neste post).

Aqui fica um excerto do post referido:


«Eu li o livro de Carolina Salgado com atenção e não devo ter sido o único. Pelos vistos, as polícias também o leram. […] E das duas uma: ou aquilo é para tomar a sério ou é de faz-de-conta. Parece que é de faz-de-conta.

[…]

E se o livro de Carolina Salgado acrescenta o detalhe dos actos individuais vistos de dentro, aquelas fabulosas histórias dos chocolatinhos aos árbitros, esse mesmo "meio" está retratado também nas escutas telefónicas do Apito Dourado, nos mil e um incidentes que envolvem a claque do Futebol Clube do Porto (seria bom conhecer os relatórios policiais e do SIS sobre a perigosidade desta claque), nas violências públicas diversas semeadas ao longo dos últimos 20 anos e que só têm em comum permanecerem impunes. Toda a gente sabe, vem nos jornais, é público, nada acontece. Há demasiado faz-de-conta para ser natural. Tem que haver cumplicidades.

[…]

Os incidentes naquilo que eufemisticamente se tem chamado a "noite do Porto" não estão longe deste "meio". Muitas personagens são comuns, muitos sítios são comuns, há fotos e circunstâncias comuns, amizades, companhias, más companhias, jantares, carros e seguranças.

[…]

Numa também típica reacção "italiana" - os mafiosos dos Sopranos quando são perseguidos pelos seus crimes respondem que se trata de uma perseguição aos italo-americanos -, levantam-se vozes indignadas a defender, imaginem, o Porto e o FCP "nojentamente" atacados por mim. Um deles escreve que "crimes como estes não são fáceis de explicar, as suas razões profundas são difíceis de entender. Fácil, fácil, é dizer que a culpa é do FC Porto", o que como é óbvio ninguém disse, e outro escreve esta pérola: "De Pacheco Pereira podemos esperar tudo, desde que vivamos na Área Metropolitana do Porto." As mais sinistras intenções me são atribuídas e as ameaças veladas ou às claras abundam. As mesmas pessoas que em público dizem que nada disto existe e que estou a exagerar, dizem-me depois em privado para ter cuidado, muito cuidado.

[…]

Os jornais do Porto e alguns desportivos, cujo papel na denúncia deste tipo de "meios" é escassa para não dizer nula, mesmo quando agressões violentas a jornalistas os deveriam ter obrigado a um sobressalto moral, fazem assim um péssimo serviço à cidade e aos seus valores. Deveriam lembrar-se do rol das agressões a jornalistas que se estende desde o final dos anos 80 até aos dias de hoje e em que os jornalistas desportivos têm um lugar de honra, mas não só. Carlos Pinhão, Eugénio Queirós, João Freitas, Manuela Freitas, Marinho Neves, Paulo Martins, entre outros, a que se associa José Saraiva, militante do PS e director durante muitos anos do Jornal de Notícias, já falecido, conheceram o "meio" na prática

[…]

O mais espantoso é que muitos deles nunca apresentaram queixa, outros nunca souberam o resultado das suas queixas, e mesmo quando as agressões são públicas, não se passa nada. Nunca se passa nada e nunca ninguém quer ver. E quando se fala do que está à vista de toda a gente, é uma conspiração "lisboeta", "benfiquista", contra o Porto, o Norte e o FCP e os tambores do ressentimento regionalista rufam contra os "mouros". Têm pouca sorte comigo, porque menos "mouro" que eu é difícil.

[…]»

publicado por Anátema Device às 14:32
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

A derrota proibida

O jogo com o Belenenses era, todos o sabíamos, um jogo de vitória obrigatória.  Porque era o primeiro jogo depois da derrota com o fcp, porque há muito que não perdíamos dois jogos seguidos para o campeonato, porque perder podia significar ficar a 10 pontos - como se comprovou.

 

Sabíamos todos isso, e mais do que ninguém sabia-o a equipa.  Como explicar, então, a exibição de Sábado?  Não tenho explicação.  E é isso que mais me preocupa; é claro que todas as equipas do mundo têm maus momentos; é claro que perder acontece a todos; mas há momentos que uma grande equipa não pode falhar - a uma derrota tem sempre de suceder uma vitória; e a nossa equipa falhou quando não devia.

 

E agora?

 

1 - Os objectivos

 

Não me parece que os objectivos tenham mudado.  O primeiro continua a ser o campeonato, se não para ganhar, que se tornou difícil, pelo menos para defender o 2ª lugar que dá acesso à Champions.  Portanto, no campeonato teremos de continuar a lutar e a jogar para ganhar todos os jogos, sem abrandamento.  Se o conseguirmos, o 2º lugar não nos foge - e pode ser ainda que cheguemos ao primeiro.

 

A Taça é para ganhar, e a Taça UEFA para ir o mais longe possível.

 

Tudo na mesma, portanto.

 

2 - A equipa

 

A equipa é a menos boa dos últimos anos, é o que eu penso e já o disse anteriormente.  Mas é uma boa equipa, e com potencial para se tornar cada vez melhor.  Não é uma derrota, nem mesmo duas, que mudam isso.

 

Seria bom que em Janeiro contratássemos um bom médio-centro com capacidade defensiva e de transição defesa-ataque, que possa ser alternativa a Petit e Katsouranis e suprir as ausências e quebras de forma destes jogadores, como acontece actualmente.

 

Também um bom médio-ala direito seria útil, sobretudo se for um jogador que tenha cultura táctica e capaciade técnica para atacar bem e ajudar a defender.

 

E claro, se alguém souber de um goleador disponível e barato, pois digam e será bem-vindo.

 

3 - O treinador

 

Nunca fui um entusiasta de Camacho, como sabem aqueles que têm lido os meus "posts".  Mas isso não significa que ache que a solução passe pela sua demissão; bem pelo contrário.  Camacho deverá ficar duas épocas e no final das mesmas o seu trabalho deve ser avaliado.

 

Acho que já todos percebemos os resultados das precipitadas demissões dos treinadores anteriores - não vamos agora repetir o mesmo erro.

 

Não gosto de entrar pelo caminho da discussão das supostas capaicades ou incapacidades tácticas de um treinador.  Não sou treinador de futebol, não tenho formação para isso, e não estou todos os dias com a equipa e nem conheço em pormenor os jogadores como resultado de um trabalho diário.  Logo, a minha opinião vale, creio, pouco, como a de todos os "treinadores de bancada".

 

Camacho não será um grande treinador.  Se o fosse, não tinha estado mais de dois anos desempregado.  É um bom treinador, que confia num modelo de jogo e gosta pouco de o mudar, característica aliás que partilha com muitos outros treinadores no mundo.  Não vejo que daí venha mal ao mundo.

 

Os grandes treinadores são poucos - Eriksson, Capello, Mourinho, Ferguson, Ancellotti, etc. etc. - e custam fortunas que nós não podemos pagar.

 

E podendo ter treiandores apenas bons, não vale a pena passar a vida a trocá-los.  Acredito que só o trabalho continuado pode dar resultados positivos.

 

4 - O momento actual

 

A quebra da equipa tem  a ver principalmente com dois factores:

 

- a quebra de forma física de Petit e Katsouranis impede que o meio-campo seja pressionante e recupere bolas.  Logo, a defesa é submetida a maior pressão, aumentando a probabilidade de erro; e não recuperando bolas, a posse de bola diminui, logo diminui o volume de ataque.

 

- como somos uma equipa de baixa produtividade atacante (precisamos de muitos ataques para marcar um golo), a diminuição de posse de bola reduz drasticamente as nossas possibilidades de marcar golos, e logo de ganhar jogos

 

- Rodriguez, que durante várias jornadas foi o melhor jogador do nosso ataque, caiiu também ele de forma, o que agrava ainda mais os nossos problemas.

 

Alguém tem uma solução mágica para resolver estas questões?  Eu não tenho.

 

Arrisco-me a dizer que talvez neste momento seja útil fazer regressar Bynia à equipa, para aumentar a capacidade pressionante do meio-campo.  E talvez apostar mais em Di Maria e Adu em detrimento de Rodriguez e Maxi, caso estes jogadores estejam em momento de forma que o permita (e sinceramente das últimas observações aos mesmos não fiquei muito convencido).

 

Quanto à questão de jogar com um ou dois pontas-de-lança, levanta a óbvia questão de "quem retirar"; neste momento, com os problemas que acima referi de falta de capacidade pressionante do meio-campo, retirar Petit ou Katso e recuar Rui Costa como opção de base poderia ainda agravar os problemas da equipa.  Alternativamente, pode-se jogar com um só elemento do lado direito que faça todo o corredor (Nélson ou Maxi).

 

 

É esta a reflexão que me ocorre; deixo-a aqui na Tertúlia para apreciação e debate, como sempre. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Artur Hermenegildo às 12:16
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Fui só eu que reparei?

Ponto prévio: tal como disse aqui, jogámos pessimamente em Belém e merecemos a derrota.

 

No entanto, não posso deixar de referir dois lances de outras partidas, que deram golos e que curiosamente não vi ninguém referir que eram irregulares. No primeiro, a equipa da casa estava a ganhar por 1-0 e desta jogada resultou o 2º golo, sendo que a equipa visitante estava a mostrar-se bastante perigosa. No segundo, a equipa visitante marcou o golo da vitória na sequência do lance.

 

 

Só para que não haja confusões, o jogador que está em fora-de-jogo não foi o que marcou o golo, mas aquando do centro fez menção de ir à bola e não desistiu da jogada.

 

 

 

Neste lance, há dois jogadores fora-de-jogo na zona para onde a bola vai cair, sendo que o mais próximo de nós foi quem fez a assistência de cabeça para o marcador do golo.

 

E depois o livre do Léo em Paços de Ferreira é que é um crime lesa-pátria. Tirem daqui as vossas conclusões.

publicado por S.L.B. às 01:44
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Esta equipa treina? O quê?

Ao ver e rever o Benfica desta época, fica-me a ideia de que a filosofia Camacho se resume a um 4x2x3x1 em que só há uma variação possível, quando se decide colocar o Nuno Gomes e o Cardozo juntos na frente. Por outro lado, os movimentos da equipa indicam, parece-me, a velha máxima merengue das equipas de Camacho: o primeiro canto é nosso, a primeira oportunidade tem de ser nossa.
Parece-me curto.
Reparem que a equipa nunca muda verdadeiramente o seu funcionamento em campo.
Ou joga Maxi ou joga Di Maria. Ou joga Rodriguez ou Adu, mas nunca se muda o modelo pastoso do jogo, o que é grave, pois o modelo actual de jogo indicía, a meu ver, uma confrangedora falta de...treino.
As equipas são o futebol que treinam. E treinar é esforço físico, mas tem de ser também, e muito, trabalho táctico. Treinar o "pensar o jogo". Treinar as várias alterativas possíveis do modelo de jogo que pode ser necessário fazer durante uma partida.
E no Benfica desta época vê-se uma rotina de preguiça mental e de uma lógica de constante improviso, que me leva a pensar que o modelo de jogo do Benfica é só um 4x2x3x1 que às vezes é um débil 4x4x2, mas sempre sem ideias.
Cada um faz o que pode e consegue, em cada jogo. É também por isso, por viver num esquema de quase piloto automático mas sem plano de rota, que a equipa só respira quando a bola está nos pés do Rui Costa. Porque é o único que é capaz de pensar o jogo.
Jogadores como Di Maria, Cardozo, Adu, Fabio Coentrão (que é feito?) podem ser bons no futuro, mas se nos seus primeiros anos a este nível, não aprenderem a evoluir na leitura táctica do jogo e na necessidade dos jogadores pensarem tacticamente, vão provavelmente perder-se. Não basta dar palmadinhas nas costas e dizer Força míudo.
Tacticamente o Benfica vale zero, a verdade é esta. Se a equipa jogar com raça, com as ganas das equipas de Camacho, ainda consegue disfarçar, e ganhar por via do suor como em Paços de Ferreira ou contra os ucranianos. Mas quando à falta absoluta de outro modelo de jogo que não seja um pueril "Vamos salir a ganar", se junta um dia de apatia, de falta de atitude...dá o que vimos ontem. Um jogo em que temos uma equipa, com alguns jogadores de indiscutível qualidade, mas globalmente a mais fraca das últimas épocas, que só lhes falta olhar para o banco e gritar: Ò mister, ajude aqui!

publicado por PR às 22:28
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Palavras

Acho que não há muito a dizer sobre a derrota desta noite. Os principais culpados somos nós mesmo, que praticamente oferecendo a primeira parte ao adversário, e com uma exibição muito pobre durante quase todo o jogo, criámos todas as condições para sairmos derrotados do Restelo.

Regressando ao avançado único, com dois trincos (Petit e Katsouranis - este actuando mais recuado) atrás do Rui Costa, o Benfica nunca pareceu conseguir atinar durante o primeiro tempo. Frente a um adversário com o meio-campo bem povoado, os nossos jogadores mostraram dificuldades em acertar com as marcações, em particular quando os adversários partiam em diagonais do centro para as laterais, criando situações de 2 x 1 contra os nossos laterais, muito por culpa dos uruguaios Pereira e Rodríguez, que ou defenderam mal (Pereira), ou nem sequer se incomodaram em ajudar a defender, acompanhando quem subia pelo seu lado (Rodríguez). Para ajudar à festa, mesmo os avançados adversários caíam sobre as alas, procurando abrir espaços para as entradas do Silas ou do Zé Pedro, e aqui foram os nossos trincos que muitas vezes pareceram perdidos nas marcações. Em termos atacantes o Cardozo passou grande parte do jogo entregue à sua sorte, e o pouco que ainda fizemos durante os primeiros quarenta e cinco minutos acabou por sair dos pés do Rui Costa, que ainda assim teve uma noite infeliz, já que não me recordo de algum dia ter visto um jogo em que ele tivesse falhado tantos passes, ou entupido tanto o jogo. O nulo ao intervalo era natural para o nosso lado, já que a produção ofensiva era quase inexistente, o mesmo não se podendo aplicar ao Belenenses, que esteve perto de marcar em mais de uma situação.

A segunda parte trouxe melhorias, mas poucas. O Benfica conseguiu ter mais iniciativa no jogo, enquanto que o Belenenses adoptou uma attitude de maior expectativa, tentando explorar o contra-ataque sempre que possível. A luta a meio-campo passou a tender ligeiramente para o nosso lado, e isso permitia-nos jogar mais tempo no campo adversário. Mas a qualidade continuou a deixar muito a desejar, e o Cardozo continuou a ser um jogador muito só na frente. Numa tentativa de alterar isto entraram o Nuno Gomes e o Di María para reforçar o ataque, e o jogo pareceu entrar numa fase em que se qualquer das equipas marcasse, isso provavelmente seria garante de vitória. Quem marcou foi o Belenenses, numa jogada de contra-ataque. Muitas culpas para o Luisão no golo, já que o avançado adversário estava sozinho, descaído para o lado direito da nossa defesa, e o Luisão permitiu-lhe fintar para dentro, dando-lhe depois espaço e tempo suficiente para que pudesse rematar cruzado, sem hipóteses de defesa para o Quim. Reagiu o Benfica mais com o coração, estando perto de marcar em apenas duas ocasiões: num falhanço incrível do Cardozo após cruzamento do Di María, e num golo (bem) anulado ao mesmo Cardozo por fora-de-jogo. Na fase final da partida o Benfica já procurava chegar à frente da forma mais rápida possível, quase sem qualquer organização, e o Belenenses deu ideia de até poder aproveitar para dilatar a vantagem. O jogo acabou com o 1-0 no marcador e, face ao que vi esta noite fria no Restelo, aceito o resultado como justo.

Em geral, os nossos jogadores esta noite voltaram a descer para níveis exibicionais preocupantes. O caso mais flagrante parece ser o do Rodríguez, que desde o jogo com o Porto (inclusive) anda irreconhecível. Também mal esteve o Pereira, demasiado trapalhão, inofensivo no ataque e inútil na defesa. Mau jogo. sobretudo no aspecto táctico, também dos dois trincos da equipa, em particular do Katsouranis. Se calhar os únicos que se salvaram da mediania geral acabaram por ser o David Luíz, que mostrou sempre uma boa atitude em campo, tentando empurrar a equipa para a frente, e efectuou diversos cortes importantes, e o Nélson, que fez incontáveis dobras aos colegas da defesa.

Se já era difícil, depois do resultado desta noite o título parece agora uma miragem. Mas independentemente da desvantagem para o primeiro classificado, o Benfica não pode apresentar-se em campo e exibir-se como o fez esta noite. Esta noite, o salir a ganar ficou-se pelas palavras.
publicado por D'Arcy às 01:35
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Léo.

Se o Benfica quisesse mesmo renovar, já o teria feito.
O resto são tretas.
publicado por PR às 00:11
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Encomendas

Surpreendeu-me e, acima de tudo, irritou-me sinceramente o artigo hoje n'A Bola, assinado pelo José Manuel Delgado, intitulado 'A Peso de Ouro', e em que são analisados os custos da passagem do Miccoli pelo Benfica. Surpreende-me por duas razões: pelo teor, e pela oportunidade do mesmo. Miccoli era um 'menino bonito' dos adeptos benfiquistas. Devido a dois motivos: a sua qualidade indiscutível, e a sua paixão - real - pelo nosso clube, que lhe permitia ter uma empatia única com os adeptos. A propósito disto, um aparte: a semana passada, em conversa com alguém bem informado sobre os meandros do futebol, soube de alguns pormenores deliciosos sobre o pequeno italiano. Sabiam que a alcunha que os colegas de equipa do Miccoli no Palermo lhe puseram é... 'Eusébio', devido ao facto dele passar o tempo todo a falar do Benfica? Ou que a forma como ele se refere à nossa camisola é 'O Manto Sagrado', tendo sido este o termo por ele utilizado quando se recusou terminantemente a ouvir sequer a proposta que tinha chegado à Juventus, vinda de um clube do Norte de Portugal (até à última ele ficou à espera de uma proposta do Benfica)? Não duvido que a vontade do Miccoli seria ficar no Benfica, e a justificação da pressão da família para que regressasse a Itália, ou de que era demasiado caro para os nossos cofres são, no mínimo, convenientes.

Quem me conhece sabe que eu sou um apoiante do trabalho da actual direcção, reconheço tudo o que de bom têm feito, e como tal até tenho uma grande margem de tolerância para erros que eventualmente cometam. O que eu não admito é que me tentem comer por parvo. E quando hoje li a encomenda, perdão, 'artigo' do José Manuel Delgado n'A Bola, essa foi a sensação com que fiquei. A oportunidade do mesmo não deixa de ser curiosa: pouco depois da publicação do livro do José Veiga, em que a saída do Miccoli é apresentada como arma de arremesso à política desportiva da actual direcção. Dias depois, surge um artigo como este, em que essa mesma saída nos é vendida como uma inevitabilidade do ponto de vista financeiro. A finalidade de encomendas, perdão, 'artigos' como este sei eu qual é. Mas em mim provoca o efeito adverso: é que me deixa a matutar que se calhar até é capaz de haver mais verdade nas divagações do Veiga do que inicialmente eu estaria disposto a conceder.

Não sei quem terá oportunamente feito chegar ao José Manuel Delgado os números que ele utiliza para elaborar o 'artigo' - embora o detalhe dos mesmos me leve a concluir que o mais provável é que tenham saído de dentro do próprio Benfica, o que ainda aumenta mais o cheiro a encomenda. Agora o que me parece é que mesmo assim esses números estarão a ser manipulados. A título de exemplo, o ordenado do Miccoli na segunda época de Benfica é apresentado como um valor próximo dos dois milhões e meio de euros anuais. Eu até estaria disposto a acreditar que esse fosse o ordenado dele, só que sabemos que metade dele era suportado pelo seu clube de origem, a Juventus. No entanto, e para efeitos de cálculo dos custos do italiano ao Benfica, o valor utilizado é mesmo o total. Ou seja, estão à espera que eu acredite que o ordenado total do Miccoli seria próximo dos cinco milhões de euros anuais (como comparação, posso dizer que o ordenado anual do Kaká cifra-se em cerca de 6 milhões de euros por ano, ou que o do Totti é de 5,5 milhões/ano)? Mesmo os próprios valores apresentados para o ordenado do Miccoli no referido artigo (1,980 milhões de euros no primeiro ano, e 2,375 milhões no segundo) me parecem exagerados. Pelo menos se forem apresentados como aquilo que ele viria auferir para o Benfica - até poderiam ser os ordenados totais que ele recebia enquanto jogador da Juventus, mas isso não significa que ele viria auferir valores dessa ordem de grandeza caso se transferisse para o Benfica. Se não acreditam, basta consultarem a lista dos ordenados dos jogadores da Serie A que a Gazetta dello Sport publicou em Setembro deste ano. Está lá tudo. Reparem no ordenado do Miccoli: 1 milhão de euros por ano! Mesmo tendo em conta eventuais prémios ou luvas, o Miccoli seria um jogador caro? Mentira! E tendo em conta a vontade que ele tinha em continuar, acham que ele iria pedir ao Benfica muito mais do que aquilo que foi receber para o Palermo? Eu não.

Aliás, eu já ando com a pulga atrás da orelha há algum tempo com isto das encomendas. O outro exemplo que me parece evidente é o do Léo. Há umas semanas começámos a ver notícias que davam conta das exigências do Léo para a renovação: três anos de contrato (já sabemos, pela boca do próprio, que é mentira, ele quer dois anos) e uma melhoria substancial de ordenado. Assim que li isto, a minha reacção foi logo 'Já estão a fazer a cama ao Léo'. Sinceramente, daquilo que conhecemos do Léo desde que chegou ao Benfica, quer dentro, quer fora do campo, acham que isto é verdade? O Léo é um profissional ideal, fora do campo responde sempre com elevação, mesmo às perguntas e insinuações mais sórdidas dos jornaleiros, na sua constante demanda para tirarem nabos da púcara, nunca se lhe ouviu uma palavra negativa em relação ao Benfica ou a qualquer pessoa ligada ao Benfica, tem um rendimento em campo que não pode ser criticado, e que nem sequer oscilou quando ele sofreu problemas graves na sua vida pessoal, sempre manifestou total dedicação ao clube e vontade de permanecer. E agora, tendo ele 32 anos, acham que desataria a fazer exigências disparatadas para essa mesma permanência? Não brinquem comigo.

Se há quem não tenha interesse na permanência do Léo, seja por razões desportivas ou outras, que o assuma. Tal como deveriam ter assumido que não havia interesse na adquisição do Miccoli. Podiam dar as justificações que quisessem: que ele se lesionava demasiado, que o seu rendimento não correspondia ao esperado, ou que não se encaixava no perfil do jogador que o técnico desejava para aquela posição no terreno. Mas por favor, não tentem atirar-nos poeira para os olhos. Se têm medo da reacção dos adeptos, então falta ali estofo de liderança.
publicado por D'Arcy às 19:26
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Um árbitro de bolso.

Dia 2 de Setembro. Jogo entre o Marítimo e a Académica. Aos 4 minutos de jogo Makukula levou um cartão amarelo. Aos 7 minutos de jogo levou um segundo amarelo e foi expulso. O árbitro era o português Paulo Costa. O Marítimo, na jornada seguinte, defrontou os andrades. Makukula não jogou por estar castigado.

Dia 2 de Dezembro. Jogo entre o Braga e o Marítimo. Aos 53 minutos de jogo Makukula levou um cartão amarelo daqueles normais em qualquer país do mundo; aos 68 minutos levou um cartão amarelo daqueles que são normais nas regras de um árbitro chamado… Paulo Costa, português evidentemente. Foi expulso. Quem viu aquela expulsão não compreendeu nada daquilo. Levou três jogos de castigo. No próximo fim-de-semana, o Marítimo defrontará os lagartos. Makukula não jogará por estar castigado.

Os maluquinhos da teoria da conspiração viram logo ali que, depois de por razões idênticas não ter jogado contra os andrades, estava em causa uma cabala montada pela União de Leiria e pelo Leixões para que esse avançado não jogasse contra eles.

Mas isso é gente maldosa e mal intencionada. Ao contrário de quem dá ordens ao Paulo Costa.

publicado por Anátema Device às 15:15
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

As eventualidades do momento.

A quem interessa todo o ruído em torno da renovação do contrato de Léo? Basta ver os jornais online de hoje. Todos afirmam que o futuro de Léo se decide hoje numa reunião entre o seu empresário e a Direcção do Benfica. Há uns tempos garantiam que Léo pedia três anos de contrato e um aumento substancial no vencimento. Hoje sabemos pelas palavras de Léo que o que é pedido são dois anos de contrato. Também sei que não foi pedido por Léo nenhum aumento salarial. Portanto, importa perguntar a quem interessa levantar tantos entraves à renovação de contrato com o Léo.

A resposta surge nos jornais de hoje que noticiam com aquele grau de exactidão tão típica do nosso jornalismo que um eventual acordo com Gilberto está quase garantido. [link] [link]  [link]

Deste modo, no mesmo dia, preparam-se os sócios para uma eventual saída de Léo com uma eventual entrada de Gilberto. Eventualmente alguém sairá a ganhar com esta eventualidade. Duvido que seja o Benfica.

publicado por Pedro F. Ferreira às 18:38
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