Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
Não li jornais, não ouvi rádio, não vi noticiários na televisão, não visitei sites que falam sobre futebol (à excepção dos meus blogs). Foi assim o meu day after após a derrota de Sábado à noite. Quando o Benfica perde é normalmente assim; não quero ouvir sequer falar de futebol. Como tal, por exemplo, nem sequer vi ainda um resumo do nosso jogo (por isso é que no meu post digo que o passe errado que deu origem ao golo foi do Petit, quando afinal parece que foi do Rodríguez), só esta manhã é que descobri que os piqueniqueiros do Lumiar empataram em casa com o último e um ou outro lenço branco foi acenado no estádio, e também só hoje reparei que a performance da minha equipa na Fantasy League da Premiership foi horrenda esta semana.
Mas este comportamento também tem as suas vantagens. Nomeadamente, impede-me de ter contacto com o Dia do Juízo Final do Benfica. É que o Benfica nunca perde simplesmente um jogo. Quando a derrota acontece, é como se as trombetas do Juízo Final ecoassem. Como eu me desliguei da realidade, fiquei sem saber que afinal o plantel do Benfica é fraco e mal construído, que os nossos jogadores são todos coxos, que o Camacho é mau treinador, que o Luís Filipe Vieira é mau presidente, e mais mil e uma desgraças ou erros de palmatória que são evidentes para toda a gente com dois dedos de testa (mas curiosamente só se repara neles após um mau resultado do Benfica). Se das hienas do costume consigo compreender este tipo de comportamento e críticas, já que é para isto que vivem e, sinceramente, já deviam andar esfaimadas há algum tempo, custa-me sempre mais assistir a este tipo de comportamento apocalíptico em nós próprios, adeptos do Benfica. Acho que é importante termos espírito crítico, e dizermos quando algo está mal. Se nós jogamos mal, há que admiti-lo. Se um jogador nosso não dá uma para a caixa, o mais normal é criticá-lo por isso. Mas as extrapolações e exageros daí resultantes já são mais difíceis de digerir.
O Benfica no Sábado passado fez um mau jogo. Foi isso que eu basicamente quis dizer no meu post. E fez um mau jogo tendo em conta sobretudo a questão da atitude em campo, ainda para mais quando comparamos isto com o que tínhamos visto nos últimos jogos. Mas mesmo fazendo este mau jogo, o que jogámos poderia ter sido suficiente para termos vencido. Não, não acho que o Porto tenha feito uma exibição de encher o olho, ou sequer dominado o encontro. Tiveram mais oportunidades de golo do que nós? Bastava que uma das nossas oportunidades tivesse entrado (como entrou uma do Porto) e se calhar a história hoje seria completamente diferente. Eu alinho pela velha máxima de que o Benfica nunca perde, o que se passa é que às vezes o Benfica não ganha - e foi por isto que me irritei, porque fiquei com a sensação de que foi o Benfica quem não ganhou o jogo, e não o Porto quem o ganhou. Daí o motivo para a minha irritação: saber que somos capazes de mais, muito mais do que aquilo que mostrámos. Apesar de ter criticado a nossa equipa como critiquei no post sobre o jogo, nem por um único segundo duvido, ou alguma vez duvidarei que o Benfica é muito melhor do que aquilo que vi no Sábado, é melhor do que o Porto, e que tem valor mais do que suficiente no seu plantel para vencer qualquer Porto que nos apareça à frente. E por isso não consigo alinhar na chuva de críticas descabidas que aparecem da noite para o dia logo a seguir a uma derrota. Um pai pode ralhar a um filho que tem uma má nota num teste, e mandá-lo estudar mais para o próximo. O que não faz de certeza é desistir dele e pô-lo fora de casa.
Tenho a certeza que as hienas, sempre insaciáveis, já aguçam os dentes à espera do jogo de amanhã na Ucrânia. Seria bom que nós, benfiquistas, não nos juntássemos a elas, até porque o riso das hienas é uma coisa muito feia (a única coisa louvável das hienas é não suportarem leões). Por mim, estou à espera que a má noite de Sábado seja rapidamente esquecida, e que consigamos trazer da Ucrânia a continuidade na UEFA. Mas se por acaso o Benfica se lembrar de não ganhar outra vez, no próximo fim-de-semana lá estarei mais uma vez na Luz. E sem lenço branco.
A derrota de sábado passado, confesso, deixou-me muito abalado. Eu fico sempre triste com as derrotas, como penso ser normal, mas esta custou-me muito. Não estava à espera. Estava mesmo muito confiante na vitória.
A nossa equipa atravessa um bom momento. Tinha feito uma excelente exibição contra o Milan. Não perdíamos no campeonato há mais de um ano, e em casa em competições nacionais há quase dois. O jogo nesta altura era muito importante porque poderia acentuar a nossa recuperação. E perder em casa com este adversário é sempre um mau resultado, em qualquer circunstância. Por tudo isto, esperava a vitória.
No futebol como noutras coisas o que distingue frequentemente o sucesso do insucesso é a capacidade de superação em momentos chave, estando ao seu melhor nível precisamente nesses momentos. No sábado, tal não aconteceu.
Friamente, os factos: a equipa falhou os seus dois principais objectivos desta semana, a manutenção na Champions e a aproximação ao primeiro lugar. Se na 4ª feira ainda sse aceitou o falhanço com um sorriso - porque era contra o Milan, porque o resultado foi um empate, porque ainda podemos ir à Taça UEFA, e, sobfretudo, porque a equipa jogou muito bem - já no sábado esse sorriso foi-me impossível. Na 3ª feira, temos o terceiro objectivo; tenho esperança que a equipa não vai falhar desta vez.
Dito isto, nada está perdido. Perdemos uma batalha, não a guerra. Estamos a 7 pontos do 1º lugar, e o ano passado estávamos a 8. A equipa é boa e está em crescendo de forma, e não é uma derrota que põe isso em causa. E penso racionalmente que, tal como o ano passado, será difícil ao actual comandante do campeonato fazer uma segunda volta igual à primeira (recordo que o ano passado, depois de 40 pontos na 1ª volta, os nossos adversários fizeram 29 na 2ª; nós, 32-35).
E é preciso dizer o seguinte; mesmo no sábado, mesmo jogando menos bem, tivemos oportunidades suficientes para pelo menos empatar o jogo, assim a sorte tivesse estado connosco.
É preciso continuar a confiar e a apoiar o nosso Benfica!
PS - Escrevo estas linhas dois dias depois do jogo, mas propositadamente sem ter lido ou ouvido nenhum comentário ao mesmo. Nem sequer li ainda o que foi escrito aqui na Tertúlia, o que só vou fazer agora.
Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Quem que ser campeão não pode perder jogos como o de ontem contra os andrades. Ao longo do jogo criámos três situações de golo. As soluções do banco não o foram e, mais do que as mais-valias do plantel, sobressaíram algumas debilidades do mesmo. Ainda assim, acredito que, mais do que por mérito alheio, perdemos por demérito próprio. Estas são, para mim, evidências de um jogo. Um jogo apenas. Pode ter sido um jogo determinante, mas espero que não. A "senhora gorda ainda não cantou", logo a ópera ainda não acabou. Esta águia voará alto.
No entanto, há, para mim, mais duas evidências que importa não esquecer:
- É indispensável que os benfiquistas não embarquem no discurso apocalíptico da desgraça total e que, deste modo, hipotequem o que de bom tem sido feito no Benfica desde a chegada de Camacho. Hipotecando, da mesma forma, não só o que resta desta época, mas, essencialmente, a próxima. Repito: esta águia voará alto.
- É indispensável que a factura da conta do que de menos bom está a acontecer seja entregue a quem tem a responsabilidade efectiva de a pagar. Ainda que eu também saiba que o verdadeiro responsável nunca se apresentará para assumir responsabilidades do que quer que seja… desde que seja negativo.
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Uma nota final para um rafeiro chamado Jesualdo Ferreira. Desde há uns tempos este indivíduo insiste em cuspir no prato que lhe deu o sustento durante todos os anos em que se andou a arrastar pelo nosso Clube. No ano passado foi o grande Rui Costa que teve de o lembrar de que estava numa casa de gente que não constrói lares em lupanares. Este ano foi o nosso Nuno Gomes a ter de recordar o dito animal que não se insulta impunemente um benfiquista na Catedral. (link)
Não há muito a dizer. Hoje foi tudo demasiado horrível. Fomos uma equipa sem alma, desgarrada e sem ideias. Alguns dos jogadores pareciam que tinham acabado de se encontrar com os colegas de equipa, estando a jogar com eles pela primeira vez na vida. Outros pareciam até que achavam a própria bola um objecto estranho. Foi um Benfica irreconhecível.
Nos primeiros quarenta e cinco minutos o Benfica praticamente resumiu-se a uma oportunidade flagrante aos cinquenta segundos de jogo, desperdiçada pelo Nuno Gomes, e uns minutos iniciais de algum pendor ofensivo. De resto, foi uma primeira parte quase oferecida de bandeja ao adversário, por uma equipa que pouco correu, pouco pressionou, pouco meteu o pé, e quase sempre insistiu em complicar o que era fácil. Sair com a bola controlada para o ataque era mentira: ou o faziam mal, ou então o Quim optava por chutar a bola para a frente, oferecendo a bola ao adversário. Mesmo quando os defesas lhe iam pedir a bola, ele mandava-os embora para poder despejar a bola. Os jogadores adversários podiam fazer as suas jogadas no nosso meio-campo, às vezes com apenas dois ou três jogadores, que ninguém os incomodava. A pressão sobre eles foi praticamente nula (ao contrário do que eles faziam quando éramos nós a ter a bola). Para compor o ramalhete, sofre-se um golo infantil, com uma perda de bola na zona do meio-campo na saída para o ataque (passe cretino do Petit), e o adversário a aproveitar o facto da defesa ser apanhada em contrapé (o Léo tinha subido) para marcar. Pior ainda: essa nem sequer foi a primeira vez que esse mesmo erro foi cometido.
Na segunda parte apenas melhorou um pouco o querer da equipa, conseguindo remeter o adversário mais tempo para o seu meio-campo, mas a qualidade deixou muito a desejar. Houve duas boas oportunidades (Nuno Gomes no primeiro minuto, e Adu mal entrou) que foram bem resolvidas pelo guarda-redes adversário. Alguns dos nossos jogadores estiveram irreconhecíveis, até mesmo aqueles que costumam ser mais fiáveis: o Rui Costa passou o tempo todo a agarrar-se demasiado à bola, a tomar opções mais que previsíveis, e falhou mais de metade dos passes; o Petit insistia sempre em complicar, dando mais um toque na bola, e houve alturas em que parecia perdido em campo; do Katsouranis nem sequer vale a pena falar: mal dei por ele; o Luisão parecia um infantil, com medo de meter o pé aos lances em não sei quantas ocasiões; o Rodríguez, o Pereira, o Luís Filipe, todos estiveram mal. Mal, mal, mal. Foi uma espécie de pesadelo dos piores dias do Nandinho. Para vencer, ao Porto bastou manter sempre a sua organização, e explorar os nossos erros. Quanto a nós, apesar de alguma vontade demonstrada na segunda parte, apresentámos um futebol demasiado lento e previsível para conseguirmos furar essa mesma organização.
Nem vou escrever mais nada, porque senão só vou continuar a bater nos nossos jogadores, que hoje me entristeceram muito. Foi um dia demasiado mau. Paciência. Lá teremos que ir ganhar ao Porto na segunda volta.
Apeteceu-me fazer um post com este título. Só isto.