Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Caros jogadores e equipa técnica do futebol profissional do Sport Lisboa e Benfica, com todo o devido (muito) respeito que me merecem, dado representarem o meu clube, queria apenas dizer-vos uma coisinha após o jogo desta noite: Vão-se todos lixar! Se não são maus profissionais, e não andam a fazer estas coisas de propósito, então deixem que vos diga que imitam muito bem. De resto, não tenho palavras para classificar o que vi esta noite, e daí o título deste post.
É certinho como um relógio: sempre que conseguem uma boa exibição ou resultado, logo a seguir estragam tudo. Sempre que o líder do campeonato escorrega e nós aproveitamos para nos aproximarmos, passamos uma semana a ouvir as vossas declarações que o título ainda é possível, e que é preciso acreditar, e depois, no jogo seguinte, são vocês os primeiros a mostrar que parecem não acreditar, e a borrar a pintura toda. É que isto é ainda mais doloroso para os adeptos. Esta montanha russa emocional custa muito mais a aguentar. Nós somos benfiquistas, e como tal queremos sempre acreditar. Vemos a nossa esperança esmorecer semana após semana, e quando atingimos o ponto mais baixo (aquele em que somos capazes de ponderar a possibilidade de não irmos golear no próximo jogo) vocês surpreendem-nos (ex: Shakhtar ou Guimarães) e nós, uma vez mais, perdoamos e esquecemos todas as mágoas anteriores que nos deram, pensando que finalmente estamos no caminho certo. E sadicamente, logo a seguir, vocês voltam ao mesmo e esmagam o nosso optimismo à nascença. Se vocês fossem todos um bando de cepos e coxos, então paciência. Mas não são. O problema é que nós sabemos muito bem (porque já o vimos) que vocês sabem fazer muito mais e muito melhor. E é por isso que jogos como o desta noite são tão difíceis de digerir.
O que eu vi esta noite foi uma vergonha de jogo. Uma primeira parte hedionda, e uma segunda parte um bocadinho melhor, que foi, vá lá, apenas horrível. E isto frente a um adversário como o Nacional que, sem menosprezo, não é propriamente um colosso, e que nem sequer se apresentou na Luz com uma disposição exageradamente defensiva. Aliás, a coisa foi tão má da nossa parte que até deu para o Nacional jogar o jogo abertamente. A jogar em 4-4-2, desde o início do jogo que foi evidente o quão orfã a equipa estava do Rui Costa. E se não havia Rui Costa, o mais natural seria que estivesse alguém em campo capaz de segurar a bola no meio campo e progredir com ela. O Katsouranis e o Petit definitivamente não são esse tipo de jogador, e passaram a maior parte do tempo a atrapalharem-se um ao outro e aos demais colegas, e a complicar o nosso jogo. Com um Maxi Pereira que não defendia nem atacava, a equipa do Benfica ficou quase exclusivamente dependente do Di María para causar alguma aceleração ou desequilíbrio no jogo. O Nuno Gomes, até se lesionar, passou completamente ao lado do jogo (ou até poderia dizer que foi verdadeiramente atropelado pelo jogo), e o Cardozo até fez pena. Pouquíssimos remates e apenas uma oportunidade real de golo, através do inevitável Di María, foi a produção do Benfica na primeira parte. De resto foi muito pontapé para o ar e para onde quer que estivessem virados, raramente mais de três passes seguidos em progressão, e um desfilar de cantos e livres pessimamente marcados pelo 'especialista' Petit.
Na segunda parte, já com o Rodríguez em campo, as coisas foram um bocadinho menos más, mas produção ofensiva e fio de jogo nem vê-los. A equipa mudou, passando o Di María para a direita e o inenarrável Pereira para o centro, e apenas por isso conseguimos passar a criar mais algum perigo pela direita. Mas o Don Camacho resolveu ser excêntrico, e apesar da evidente falta de organização no meio campo optou por manter os dois trincos em campo durante os noventa minutos. Mais os brilhantes Luís Filipe e Maxi Pereira. Na altura das substituições, o inevitável Nélson lá saiu, e depois, inexplicavelmente, saiu o único jogador em quem eu ainda depositava alguma esperança para inventar alguma coisa, que era o Di María. Para o seu lugar entrou mais um para contribuir para a confusão que era o jogo do Benfica. Duas oportunidades flagrantes de golo foi o que o Benfica conseguiu criar, pelo menos que eu me lembre: um remate de ressaca do Pereira, bem defendido pelo guarda-redes adversário, e um centro perfeito do Di María para o Cardozo, que em posição frontal conseguiu cabecear na direcção da bandeirola de canto. O nulo final não é apenas justo, é o único resultado que poderia sair de uma exibição tão desastrada como a desta noite.
O melhor jogador do Benfica foi, para mim, o Di María, e continuo sem perceber porque razão é que ele saiu. Ou melhor, porque razão é que o Maxi Pereira tem lugar cativo. Se calhar foi para não colocar em causa esse lugar cativo que o Benfica na reabertura de mercado optou por não ir buscar nenhum jogador para a posição de médio direito, aquela em que é evidente estar mais necessitado. Quanto ao pior, foram todos os outros. Ou melhor, corrijo: o pior de todos foi o Camacho. Foi visível desde o início o que estava mal, e ele optou por fazer duas substituições disparatadas que em nada nos ajudaram. E sentadinhos no banco, ao lado dele, ficaram o Nuno Assis e o Adu, que na opinião deste ignorante blogger seriam as escolhas óbvias para o tipo de jogo a que estávamos a assistir. Só que eu não percebo nada disto.
Depois de mais uma marretada no optimismo dos benfiquistas, estou para ver quanta gente vai aparecer no próximo jogo contra o Paços. Eu por acaso até já tenho bilhete, por isso o melhor é ir-me preparando para mais hora e meia de irritação.