Portugal perdeu com a Dinamarca. Nos dias seguintes assisti à dissecação psicológica das pregas que tal derrota deixou nos entrefolhos do orgulho luso e na crença cega no queirosianismo.
Na opinião de um, salvo erro a sumidade do Rui Santos, tudo não passou de uma conjugação fatal (porque estava escrita no Fado) entre a genética e a carpintaria: julgo que o ouvi dizer que o grande problema fora o confronto entre armários (os dinamarqueses) e as mesinhas de cabeceira (os portugueses). Relembro apenas que, antes da actual tese de Rui Santos, a última vez que alguém ousou juntar a genética com a carpintaria foi há 2008 anos e daí resultou o nascimento de um filho de Deus que também era filho de um carpinteiro.
Outros foram mais sagazes e mostraram que a coluna vertebral também se faz de genética e carpintaria. Foram capazes de mostrar com quantas tábuas se faz a coluna vertebral de um sacana. Esses não tiveram dúvidas e apontaram como grande responsável pela derrota o frango que o nosso guarda-redes deu no segundo golo.
Podiam ter chegado à conclusão de que a responsabilidade da derrota devia ser atribuída à relva, às cores da bancada, à orientação do vento, ao mérito dos dinamarqueses, à desorientação do Queirós, à táctica portuguesa, às oportunidades de golo desperdiçadas ou (vejam lá o cúmulo!) inclusivamente à falta de inteligência da equipa portuguesa nos últimos minutos do jogo. Mas não!! A culpa foi do Quim.
Aguardo, agora, uma entrevista do Ricardo a chamar cobarde ao Queirós, a naturalização portuguesa de um guarda-redes brasileiro e, para manter a tese da conjugação da genética com a carpintaria, o regresso ao nosso balneário de uma imagem em madeira de um santo. Desta vez, e depois da senhora do Caravaggio, proponho um santo digno de Carlos Queirós: São Suplício Severo, para quem não sabe é celebrado a 29 de Janeiro.
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a fotografia é de José Goulão
O ano passado, um determinado jogador, com alcunha de "cebola", ao chegar ao aeroporto, afirmou que esta alcunha significava que ele com as suas fintas colocava os adversários a chorar.
Ora nada mais de errado. Na verdade, ele ganhou essa alcunha não pela fintas que fazia aos adversários mas pelos biqueiros que lhes espetava. Hábito adquirido desde os tempos da primária, em que "cebola", com um cabelo mais apresentável que o actual, enfiava biqueiros nos colegas sempre que o jogo lhe estava a correr mal.
No último jogo, "cebola" fez justiça à alcunha, e toca a enfiar um biqueiro em Nuno Gomes. Mas para azar de "cebola", Nuno Gomes não chorou, mostrou ser um homem forte e viril.
Actualmente são cada vez menos os jogadores que "cebola" consegue fazer chorar, mas, pelos vistos, a alcunha é para manter, pois, ao que parece, existem outras caracteríscas em "cebola" que justificam a alcunha.
p.s: espero que o biqueiro de "cebola" tenha as mesmas consequências que o toque acidental de Luisão ao lateral direito do FCP com nome de detergente.
Os senhores jornalistas Rui Santos e Eugénio Queirós, além de escreverem para o Record (o que, por si só, constitui 3 paradoxos: Record-escrever-jonalistas), têm uma maneira muito peculiar de ver o mundo: vêem-no com aquela propensão para a incontinência verbal com que normalmente ficam os escribas que acabaram de ler as Rimas ao Bom Jesus e à Virgem Gloriosa sua Mãe de Diogo Bernardes (vénia) e a confundem com a ementa de fruta do “Calor da Noite” (duas vénias).
Este tipo de jornalistas, que têm relativamente ao Benfica opiniões tão imparciais como as arbitragens do Xistra, caso tivessem no Record um director que efectivamente o fosse estariam a fazer a cobertura dos concursos hípicos ou dos torneios de tiro aos pombos.
Neste último Domingo, vi na SICN o jornalista Rui Santos, com aquele ar angélico de quem tem excesso de cera nos ouvidos, fazer um pequeno esforço para se ouvir, um ligeiro esforço para não dar pulinhos na cadeira e um grande esforço para conseguir provar que o nosso Benfica deveria descer de divisão por coacção. Pensei que aquilo mais não fosse do que a excitação pueril de quem se achava momentaneamente tão maravilhado com a luz do seu brilhante raciocínio que até confunde a obra-prima do mestre com a prima do mestre-de-obras (peço desculpa pelo plebeísmo, mas não é fácil escrever sobre gente de pouco entendimento). Pensei (ó maldito optimismo o meu!) que a criatura, quando acordasse e se olhasse ao espelho, teria a percepção do seu ridículo e intelectualmente desonesto raciocínio. Mas não! Na passada segunda-feira, nas páginas do Record, aquele toleirão voltava à carga. Significa isto que aquilo era uma opinião ponderada e pensada. Ontem, em mais um momento de puro delírio no referido jornal, acusa o Benfica de mandar na Liga!!! A criatura é prodigiosa em regurgitar ideias tão intelectualmente honestas como aquela de que os adeptos do Benfica não têm exigência para com os futebolistas mais bem pagos do plantel. Ó homem, você não tem outro objectivo que não seja o de demonstrar constantemente a sua tacanhez intelectual? Então, os rapazes fizeram um (1) jogo em casa!! O que é que o senhor deseja? Que, à imagem do modelo portista, se coloquem uns petardos debaixo dos carros dos rapazes? Que os adeptos do Benfica façam aos futebolistas o que uns energúmenos lhe fizeram a si? O senhor parece fazer parte daquela espécie de atormentados que, normalmente, terminam a falar para paredes brancas e almofadadas.
O outro, além de ser o jornalista que mais erros de português produz por frase, é o tal que escreveu o post mais ordinário da blogosfera (com o qual já perdi tempo ao responder). Ora, o geninho também escreve para o Record e, tal como o seu colega (nunca esta palavra foi tão adequada), também gostaria que o Benfica fosse despromovido por coacção. Deste geninho dizem-me (mas são certamente más línguas) ser muito útil como elemento decorativo em festas familiares, redacções de jornais, museus de cera e conferências de imprensa. Há quem o julgue apenas como mais um jornalista desportivo que, por usucapião, tem a patente da lusitana arte de dobrar a espinha perante o dono. Eu tenho dele ideia melhor: considero-o uma pessoa influente e bem informada no mundo do jornalismo e do futebol, pois não é qualquer um que acompanha com o Leirós do apito, tira fotografias a segurar microfones ao pé de pessoas importantes e trata o major por tu quando ele não está presente. Sinto que tem boa memória, mas infelizmente parece sentir prazer em fazer alarido da sua condição de desgraçado. Também este geninho, por motivos que se prendem com a sua reconhecida independência de pensamento, vem fazer a apologia de que o Benfica deveria descer de divisão porque um adepto ébrio e vestido de carnaval deu um empurrão num fiscal de linha. Isto, na sua perspectiva, é coacção. Lamentavelmente, o geninho não percebeu que coacção consiste nos afamados (ainda que não comprovados) apertos (fiquemos pelo eufemismo) que supostamente levou a mando de um famoso corrupto na forma tentada. Ou será que percebeu até bem demais?
A estes dois exemplos de ética deixo um desafio: se lerem com atenção os regulamentos, à luz da vossa inteligência e da independência que vos norteia nas apreciações relativas ao Benfica, certamente que descobrirão uma alínea nos regulamentos que implica não só a descida de divisão como a demolição do estádio ou em alternativa a obrigatoriedade de todos os adeptos do Benfica serem obrigados a assistir do princípio ao fim a um programa do Jorge Gabriel enquanto ouvem o vosso guru Pinto da Costa a declamar José Régio perante o olhar atento do emplastro.
Vá, experimentai e vede que sois capazes de chegar a tal conclusão.
Ainda assim, nem tudo é mau nestes dois senhores jornalistas: com os seus textos podem fazer-se em casa candeeiros de pé alto muito inúteis, mas com algum valor decorativo. Ainda que este valor decorativo não esteja comprovado, parece-me justo que o saliente, pois não acredito que exista alguém completamente imprestável.
"Domingo logo te digo".
Sentado ao meu lado na Luz, antes do jogo com o Inter, o Armando, meu amigo de há 25 anos, responde-me com esta frase lapidar às minhas declarações de esperança na conquista do campeonato.
"Domingo porquê?" - pergunto eu, distraído, ingénuo. - "Porque domingo é o jogo com o Rio Ave e aí se verá se o sistema continua na mesma".
Três semanas depois, começo a pensar com tristeza que o Armando tinha razão.
Após duas jornadas, já ninguém fala de futebol-futebol, de futebol-jogado-em-campo. Fala-se é do sumaríssimo, do fiscal de linha agredido, da visita do presidente ao balneário. O corrupto suspenso passeia-se em público, é entrevistado na tv, tem a companhia solícita de funcionários da liga. O CJ da federação implodiu. O treinador do outro clube de Lisboa queixa-se dos árbitros logo na 1ª jornada num jogo que ganhou sem problemas. Os jornais inventam notícias para desestabilizar o Benfica.
O circo, em suma, voltou à cidade. Notamos inicialmente com alegria que alguns elefantes morreram, há umas focas novas, mais malabaristas, alguns palhaços ricos foram substituídos. Mas receio que no final do espectáculo nos fique a sensação de déjà-vu.
Uma cotovelada não vista pelo árbitro mas transmitida pela televisão é igual a castigo.
Uma bola na baliza (recordo aqui uma "espécie" de frango à la Baía" cozinhado com violência pelo Petit) que o árbitro não viu ou um golo que nasce de um lance irregular é o mesmo que dizer "temos pena, talvez p'rá próxima sejam vocês os beneficiados!"
Ou seja, é aqui que eu me sinto burro, as imagens televisivas afinal servem para quê? Melhor ainda, as imagens televisivas devem e isso sim, servir para meio quê! A outra metade do quê não se pode avaliar pela televisão.
Muito coerentes! Meus amigos, deixemo-nos de merdas tretas! Ou é para tudo ou não é para nada!
E como diz o Pedro F. Ferreira, "sinto-me a viver em Portugal!"
A pedido de Dias Ferreira e Guilherme Aguiar (que se limitaram a cumprir o seu papel de adeptos) a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu instaurar um sumaríssimo a Luisão por uma cotovelada que este terá dado em Sapunaru.
Não questiono a justiça desta sanção. Questiono os critérios desportivos que conduzem à aplicação de sumaríssimos a futebolistas do Benfica (recordo o Petit e o Derlei, por exemplo) e a não aplicação desses mesmos sumaríssimos, por exemplo, a um futebolista como Bruno Alves que, como toda a gente vê (com a excepção do seu treinador, dos membros da referida Comissão Disciplinar e dos árbitros de três associações – Setúbal, Braga e Porto), considera que tudo (desde a testa aos dedinhos dos pés) é canela e que tudo lhe é permitido. Da mesma forma, não percebo por que motivo os famosos cotovelos do António Leonel (conhecido entre os adeptos como Tonel e entre colegas de profissão por nomes que o decoro me impede de reproduzir) não são alvo de atenção por parte dos membros do referido órgão disciplinar.
A tese é a de que as agressões desses sarrafeiros são observadas pelos árbitros e, como tal, não são passíveis de observação por outros órgãos disciplinares. Neste caso, e considerando que os outros órgãos disciplinares consideram que muitos desses lances são passíveis de castigo maior do que o ralhete ou do cartãozito amarelo, qual é o castigo sumário para o árbitro que, vendo, não age em conformidade com o que vê? Nesta actual lógica, compensa ao agressor ser sancionado no momento não pela agressão cometida, mas pelo estranho critério que leva um árbitro a considerar as entradas assassinas de Bruno Alves como “entradas ligeiramente mais viris”. Ou seja, compensa ser um verdadeiro sarrafeiro desde que os árbitros amigos demonstrem claramente que vêem a agressão e não ajam em conformidade, provando, deste modo, a sua dependência do famoso dono de clube que é conhecido por ser corrupto na forma tentada.
Olhando para o fenómeno numa outra perspectiva, e como muito bem tem referido repetidamente o benfiquista Fernando Seara, a sanção baseada no visionamento de imagens televisivas faz todo o sentido se, entre todos os competidores, existir equidade no tratamento. Isto implica que em todos os jogos de todas as jornadas esteja presente um igual número de câmaras escrutinadoras. Não sendo isto o que acontece, os futebolistas dos clubes cujos jogos são sistematicamente transmitidos estão a ser colocados num pressuposto desigual perante as regras praticadas pela Comissão Disciplinar da Liga. Este princípio aplica-se a todos os futebolistas com a clara excepção dos dois case study supracitados.
Ainda no que respeita às imagens visionadas pelas transmissões televisivas, tenhamos todos a noção de que aquilo a que chamamos vulgarmente “objectividade da imagem” tem um grande grau de subjectividade: em primeiro lugar, está dependente da arte, perícia e competência dos 'cameraman' e, mais do que tudo, está dependente da selecção criteriosa que o realizador faz dessas mesmas imagens. A este respeito, basta ver (perdoe-se-me a ironia da utilização verbo neste contexto) a sonegação de imagens feita, primeiro pelo realizador e depois pelo próprio canal televisivo, da posição de Lucho no momento em que lhe passam a bola antes da atabalhoada atitude de Katsouranis a provocar a grande penalidade que sagazmente o famoso insuspeito Jorge Sousa assinalou. No estádio fiquei com a clara impressão de que o argentino estava fora-de-jogo. Tal como os senhores da Comissão Disciplinar da Liga fiquei com vontade de tirar dúvidas pelas imagens televisivas. Eles, tal como todos nós, tiveram a possibilidade de ver e rever de diferentes ângulos as imagens do lance do Luisão. Pelo contrário, nenhum de nós teve a possibilidade de tirar dúvidas sobre a posição irregular do argentino. Há quem lhe chame critérios, mas todos nós sabemos por quanto se compram esses critérios.
Efectivamente, lutamos com armas diferentes um combate que, tal como o caso Apito Dourado provou, se combate tanto fora das quatro linhas como dentro delas. Neste particular, o polvo continua com os tentáculos bem activos.
bola nossa
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Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
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