VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Descubra as diferenças

No passatempo de hoje ilustramos – em forma de condenação! – dois momentos lúdico-agressivos em estádios de futebol. Observe atentamente cada um deles e assinale as diferenças… 

 
situação 1 
 
situação2 
 
 
soluções:
1 - no filme de cima, há um misto de agressão/chamada de atenção paternalista no acto. No filme de baixo a paternidade (tal como a irmandade) junta-se ao acto.
 
2- a situação de cima dura uns segundos. A situação de baixo é mais dura e continua por minutos.
 
3 - no filme de cima, o agressor, depois de efectivado o ilícito, volta ao seu lugar na bancada, onde será agredido pela Polícia de Intervenção, que o vai resgatar, sendo protegido pelo povo indignado com tanta bastonada zelosa. No filme de baixo, o(s) agressor(es) esquece(m) a coragem demonstrada na agressão e foge(m) bancada acima, vindo a ser protegido(s), não se percebe do quê ou de quem, por parte dos dirigentes donos do ringue.
 
4- em baixo os “guardas” conversam. Em cima os polícias bastonam.
 
5- no filme de cima, o agredido participa – e bem! - do agressor, sabendo-se que a agressão motivou uma ida ao Instituto de Medicina Legal, onde lhe diagnosticaram um traumatismo cervical. Ficou sem trabalhar cinco dias (in Expresso.pt). No filme de baixo, aconteceu o que na Justiça se intitula de “comer (e muito!) e calar”. Nem deu para arrotar uma desculpazita, apesar da diversidade de bufett(ada).
 
6– No filme de cima o agressor foi condenado, por um juiz, a uma pena prolongada por um ano. No filme de baixo foi o agredido a ser condenado, por um júri inteiro, e executada a pena imediatamente.
 
7- apesar de ambos equiparem de vermelho, as barbas do agressor de cima são maiores e têm muito mais estilo que as barbas do paternal agressor de baixo.
 
8- no filme de cima, o repórter cumpre a sua função de informador/jurista/juíz e alerta para o facto de ser “certo que é o clube da luz que vai sofrer as consequências”. No filme de baixo só se tratou de “um final infeliz para a RTP”.
 
9- no filme de cima, o acto acontece no calor do jogo. No filme de baixo a cena escorrega no gelo de uma derrota (e pelos personagens que aparecem, quanto muito, foi discutida no “Calor da noite”).
 
10- no filme de cima apareceu um adepto com a indumentária de um clube do Norte. No filme de baixo, apesar da indumentária, pareceram todos devotos a esse tal clube.
And so on 
publicado por Carlos Silva às 16:24
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Descanso

Carlos Xistra no V. Guimarães - Benfica

 

É bom saber que certas tradições não se perderam. Ou muito me engano, ou no próximo domingo teremos um grande espectáculo em Guimarães e não irá ser proporcionado por nenhuma das duas equipas de 11 jogadores. Uma pessoa pode dormir descansada quando sabe que as coisas estão em boas mãos. Este senhor dá mais que garantias que as crises dos outros ficarão certamente mais dissipadas se quem está à frente deles não se afastar muito na classificação. Ou seja, é um zelador da competitividade do campeonato. Só para relembrar os mais esquecidos, temos este exemplo, bem acompanhado por este e, claro está, a pièce de résistance.

 

P.S. – Não há mesmo vergonha na cara, pois não?!

publicado por S.L.B. às 01:00
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Quem diz o que pensa a mais não é obrigado. Ou qualquer coisa do género.

 

Parece que a lagartagem espumou (imagino o uso de adjectivos como ‘cocó’ e ‘possidónio’, à boa maneira da quecalhada) com a entrevista que o João Moutinho (nada menos que o capitão do conjunto de moços a que chamam, passo a citar: ‘equipa’) deu à revista masculina GQ, em que se percebe um desejo latente de jogar no Glorioso.
Honestamente, não percebo qual é a surpresa. Todos os jogadores querem sair dos clubes pequenos e ir jogar para um clube grande. Neste caso, para o Maior Clube do Mundo. É natural.
Há, no entanto, aqui uma dúvida que me assalta (é o que se chama de ‘doubtjacking’): tendo a entrevista sido publicada na revista ‘masculina’ GQ, como terá a turba réptil tido conhecimento da conversa? Haverá cross-selling entre a Elle, a Playgirl e a GQ? Ou há, tipo, um lagarto que informa todos os outros do que vai lendo nas revistas para homens?
 
Adiante.
É com o Glorioso que sonha (ao invés do Rochembolha, que sonha com quantidades industriais de bifes a cavalo e feijoadas, ou do moço do Veloso, que sonha com o Cláudio Ramos), e isso percebe-se muito bem, mas também acho que nesta altura até para a Associação Recreativa do Marmeleiro o rapaz sairia. Convenhamos, qualquer indivíduo com o mínimo de dignidade tenta fugir depois de lhe enfiarem uma juba pela fronha abaixo num bizarro anúncio que parece um cartaz promocional à versão gay do Feiticeiro de Oz.
 
Neste momento há outra dúvida que me assalta (acho que é a mesma de há bocado, que me lembro da arma branca que ela brande): pode a versão original do Feiticeiro de Oz ser considerada uma versão straight?
 
Não?
 
Bem me parecia.

 

publicado por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 17:47
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Quantas caras faltam para acabar?

 

Recentemente foi insinuado que a minha presença escrita neste tão relevante quanto exemplar espaço de discussão Benfiquista estaria a ter a mesma utilidade que um passe do Bynia. Nada mais verdadeiro, escrevo eu. Para além do penteado, as semelhanças no atabalhoanço do rendimento da equipa são indisfarçáveis.
 
A faculdade de perceber a futilidade dos meus conteúdos é legítima e, por si só, já revela a extrema inteligência de quem é Benfiquista, ainda para mais, apurada pelo facto de frequentar este espaço.
 
Resta-me, tal como ao citado africano, tentar entreter as “massas” com um malabarismo qualquer que se revele pertinente na forma e profícuo no resultado. Ele, que usa as mãos melhor que os pés, faz lançamentos laterais longos para a área. Eu também vou tentar usar as mãos (e deixar de escrever com os pés da cabeça) para entrar na área dos assuntos verdadeiramente interessantes para a vivência do nosso Clube. É por esse motivo que, em seguida, passarei a abordar o estimulante tema dos “placares electrónicos”.
 
Todos os que frequentavam o antigo estádio se recordarão daqueles monstruosos elementos que encimavam as cabeceiras. Os mesmos que recordam essas presenças indeléveis também guardarão na memória que aquelas estruturas se mantiveram apagadas durante longos anos, arrastando-se este silêncio luminoso até à sua demolição. Morreram – ou foram abatidos – muito antes do ninho que os aconchegava. Para mim, aquela escuridão era incompreensível e representava uma tristeza que me obrigava, durante os jogos, a desviar constantemente o olhar, na esperança de ver uma lampadazinha, que fosse, acesa ou o movimento de um dos ponteiros. Nada! Esconderam de vez todo o manancial informativo em luz monocromática para o qual foram ali colocados – o tempo de jogo, a constituição das equipas; o resultado do jogo; os marcadores dos golos; etc.; etc. E mesmo quando as coisas não corriam bem no relvado e os olhos precisavam de ir ali buscar refúgio, só encontravam aquele vazio negro que, qual poço de areia movediça, ainda afundava mais a alma…
 
Com o conhecimento de um novo estádio, um dos primeiros comentários que me lembro de fazer foi precisamente “até que enfim! vamos ter placares a funcionar outra vez”. Sim, eu acho que mais que o Euro2004, o verdadeiro móbil para um novo estádio foi a construção de um local onde se pudessem instalar uns ecrãs do mais à ponta da tecnologia possível. E assim foi, temos uns placares electrónicos como deve ser. Às cores e tudo!
 
Só que agora, em vez de serem usados para o seu propósito, o que é que lá está durante o jogo? O esgar da malta que está a assistir! Mas qual tempo de jogo, quais equipas? Temos um cantinho ínfimo e encolhido dedicado ao relógio e o resto é ocupado com as carantonhas dos utentes das bancadas àquela hora. Claro que, de vez em quando, por lá aparece os minutos de jogo que já se gastaram e a cara e o nome das substituições e dos cartões. Mas só de vez em quando. Eu quero é sempre! Preciso olhar para lá a qualquer altura e, sem preocupação se vou acertar no momento ou não, saber se falta muito para arrefecer o suor ou se posso já começar a pensar se vou comer uma bifana ou um coirato. E se este é bem ou mal passado.
 
Caros gestores dos placares, se eu quiser ver tipos embarretados com cara de quem quer ir ali ao fiscal de linha dar um calduço, olho para o lado, não preciso do placar. Da mesma maneira, se quiser ver uma mulher de meia-idade a disfarçar os afrontamentos da menopausa com os insucessos de cada jogada do Glorioso, ou jovens indecisos entre roer as unhas ou vazar o acne de uma borbulha, olho para cima ou para baixo (não necessariamente por esta ordem).
 
Se querem diversificar, exponham a cara dos adversários quando estão a perder ou, melhor!, passem a edição mensal online da Playboy*.
 
*Playboy é uma marca registada que não merecia ser referenciada num texto meu, muito menos onde também é citado o Bynia
publicado por Carlos Silva às 15:19
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

E agora? (parte II)

Quando escrevi este post, foi com a intenção de lhe dar continuidade noutro(s) post(s), antes que o novo treinador fosse escolhido e o plantel para 2008/09 definido, com o objectivo de partilhar com quem (ainda) tiver pachorra para ler os meus posts (quais posts? ...) a minha reflexão sobre o presente (e o futuro) do Benfica. No entanto, tal acabou por não se proporcionar.
Ainda que, como é óbvio, o contexto agora seja outro, nem por isso deixa de haver questões sobre o presente do Benfica que me fazem reflectir constantemente. A verdade é que, apesar de acreditar na competência da equipa técnica e na qualidade global do plantel (ainda que nem sempre ter bons jogadores signifique ter uma boa equipa...) e de a equipa ter tido exibições muito positivas (ainda que longe de perfeitas...) contra o SCP e o Nápoles, é ainda evidente que há um longo caminho a percorrer...

Começo por fazer uma pequena retrospectiva deste início de época 2008/09:
- Pré-época condicionada pela participação de alguns jogadores nossos no Euro 2008, pelas negociações para contratar um novo treinador e jogadores que representassem uma melhoria do nosso plantel. Como se não bastasse, Quique Flores ainda teve de observar os jogadores todos à disposição (mesmo os "casos perdidos"...) para poder "fechar" o plantel;
- Lesões que têm impedido de contar com o plantel em pleno;
- Tirando, como já referi, os jogos com o SCP e o Nápoles, o Benfica tem manifestado, até agora, alguma dificuldade em realizar exibições convincentes e com a qualidade e regularidade expectáveis.

Relativamente à pré-época e às lesões, limito-me a aceitar os factos (esperando, obviamente, que o problema das lesões vá diminuindo com o tempo...).
Quanto à qualidade das exibições, constato que, de o SCP e o Nápoles serem, em teoria, adversários de maior dificuldade (se compararmos com Leixões, Penafiel, Naval, etc.), a verdade é que foram adversários que adoptaram uma postura algo passiva. Em contrapartida, adversários como os outros que referi têm apresentado, perante o Benfica, uma postura bastante mais dinâmica, procurando sempre pressionar o Benfica logo junto à sua defesa, no sentido de dificultar o Benfica a exercer a iniciativa de jogo que por natureza é sua (por ser a equipa com mais ambições em jogo). E o que observo é que o Benfica tem manifestado alguma dificuldade em desenvencilhar-se dessa pressão.

Outro aspecto: como o Anestércio Leonardo bem referiu neste post, é que o Benfica, vendo-se em vantagem, tem tendência para relaxar um pouco... Se por um lado, é natural que a intensidade ofensiva diminua, a intensidade defensiva (que não é o mesmo que jogar à defesa...) tem de aumentar, pois o mais natural é que o adversário queira recuperar da desvantagem. Incompreensivelmente, o Benfica tem incorrido na mesma situação sucessivamente e a excepção foram, para não variar, os jogos com o SCP e o Nápoles, em que o Benfica, depois de marcar, continuou a exercer pressão para manter o adversário afastado da nossa área (no caso do SCP, de salientar que o 2-0 surgiu logo a seguir ao 1-0, precisamente porque o Benfica não deixou de atacar após inaugurar o marcador).
Apesar de tudo, os nossos adversários mais directos também têm, felizmente, revelado bastantes fragilidades, o que permite ao Benfica estar à sua frente (ainda que a diferença pontual seja pouco significativa) - obviamente, a liderança do Leixões e do Nacional não deverá durar muito mais tempo, mas não deixa de ser curioso constatar que tal acontece depois de já terem decorrido 6 jornadas (1/5 do campeonato).
Por fim, apraz-me constatar que Quique Flores apenas coloca a jogar os jogadores que apresentam condições para tal e que promove a rotação do plantel, essencial para que a equipa não esteja tão dependente de alguns jogadores. Infelizmente, no jogo contra o Penafiel, em que Quique procurou dar oportunidades a jogadores menos utilizados, a correspondência esteve longe de ser a desejada...

Posto isto, pergunto-me a mim mesmo: E agora?...
Será o Benfica capaz de encontrar a "fórmula" para ultrapassar com menor dificuldade adversários teoricamente mais fracos (mas cada vez mais bem preparados física e tacticamente)?
Irá o Benfica encontrar um modelo de jogo que consiga fazer sobressair a qualidade técnica de alguns dos seus jogadores, sem prejuízo do 'colectivo' (quando a equipa não tem a bola, todos têm de contribuir para a recuperar, e quando a tem, todos têm de se movimentar no sentido de a manter)?
Será que, atendendo às insuficiências até agora reveladas pelos adversários e à margem de progressão que, a meu ver, o Benfica ainda tem, será legítimo "exigir" que o Benfica seja campeão já este ano?
Será Quique Flores capaz de gerir a rotatividade do plantel (garantindo, ao longo dos jogos, o equilíbrio entre a qualidade dos "onze" titulares e as expectativas dos jogadores) essencial para consigamos também uma boa prestação na UEFA? ...

sinto-me: esperançado mas apreensivo...
publicado por tma às 15:38
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Hipocrisia - Os cães de fila do 'politicamente correcto'

 

Peço desculpa, mas vou ter escrever isto. Vai ter de ser.

 

Estes partidários do amordaçante movimento 'politicamente correcto', que vai matando a espontaneidade e a honestidade intelectual que felizmente ainda existe por aí, comportam-se como uns puritanozinhos de meia tijela e vislumbram fontes de ameaças ao bom gosto (ah, o bom gosto, como é importante preservá-lo, especialmente se for a nossa noção de bom gosto – a dos outros não vem ao caso) e ao decoro mal descobrem uma posição mais desalinhada com a ‘moral implícita’.
 
Como é que esta gente, que aparentemente não tem nada melhor para fazer do que andar a navegar pela blogosfera armados de um marcador azul virtual a classificar o que é de ‘bom gosto’ ou o que é ‘despropositado’, descobre no post sobre o Reinaldo Reles uma – ah, o horror; ah, a blasfémia – ofensa ao 'valor da vida humana' ultrapassa-me. Mas, convenhamos, também me ultrapassa o que faz correr esta gente morta em vida que vive com um açaime na boca e com uma trela ao pescoço em nome da ‘decência’ e da ‘moral’. Gente que gosta de proferir axiomas sobre o que é aceitável e sobre o que passa o limite, segundo uma linha por eles imposta e por eles gerida, do alto da sua presunção e da sua pretensa superioridade moral.
 
Para as madalenas ofendidas que para aqui andam a manifestar o seu incómodo face ao conteúdo do post ‘De lamentar’, e a brandir irritantemente perto dos narizes de quem não pensa como eles considerações vagas e abstractas sobre o valor da ‘vida humana’, quero-vos perguntar se passam os vossos dias a fazer um sem número de mini-velórios em honra dos milhões que morrem todos os dias por esse mundo fora. Quero-vos perguntar se o vosso dia-a-dia é perturbado pelo ‘valor da vida humana’ dos milhões que são vítimas de catástrofes naturais pela Ásia fora, se perdem tempo a pensar nos milhões que morrem como resultado de conflitos armados absolutamente imbecis por África ou se vos aflige o suficiente para irem comentar para blogs os milhões que morrem e que sofrem de doenças incuráveis. Fazem luto e escrevem comentários em blogs pelas vítimas dos acidentes aéreos, que são raptados das suas vidas de forma rude e estúpida e que deixam à deriva as famílias?
Não? Continuam a divertir-se, almoçar, jantar, ver filmes, ler livros alegremente como se nada fosse? Sim?
Cambada de hipócritas, manada de jumentos paternalistas auto-proclamados arautos da moral e dos bons costumes que acham que têm legitimidade para julgar e criticar os outros, alguma destas coisas vos tira o sono? Não?
 
Então vão para o raio que os parta e vão ser cinzentos, mortos por dentro e politicamente correctos para vossa casa e deixem os outros fazer as considerações que entenderem e exercer o seu direito de escrever o mundo como o vêem (e que não é necessariamente igual ao vosso, e ainda bem, ainda bem).
O que vos dá o direito, quem acham que são, para decidirem o que é de ‘bom gosto’ e o que é ‘propositado’? E mais, porque sentem a necessidade e têm a presunção de vir repreender (de forma paternalista e ofensiva) quem não pensa como vocês e vir ditar juízos sobre a ‘decência’ e o ‘bom gosto’? Precisam de normalizar os restantes?
 
Tanta gente boa e nobre a morrer e a sofrer por este mundo fora e estes amorfos preocupados com um proxeneta no hospital, fora de perigo, a recuperar de um enfarte do miocárdio.
 
p.s. é por estas e por outras, Lord Henry, que tenho moderação de comentários (que vai, naturalmente, funcionar para este post). Dá-me, entre outras coisas, o poder de imaginar o mundo sem estes obtusos.

 

publicado por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:24
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Jornalismo desportivo. 1

Ao longo dos anos tenho acompanhado a carreira do jornalista João Querido Manha, não o conheço pessoalmente, mas não têm conta o número de horas que passei a ler as suas crónicas dos jogos ou as suas reflexões sobre algumas realidades do futebol. Tenho-o, também pela sua antiguidade (como o tempo passa!) e pela responsabilidade do cargo que ocupa, como um jornalista que já está naquela fase da carreira em que se deve assumir como exemplo para os jornalistas mais novos.

No entanto, desde há uns tempos – diria que coincide com a nomeação de Rui Costa como Director Desportivo – João Querido Manha tem demonstrado uma tal sanha no afã de criticar tudo o que lhe cheira a intervenção de Rui Costa que, inevitavelmente, tem caído no descrédito.

Há aspectos no Benfica que são criticáveis (como em todos os clubes), mas não são todos e quando as motivações de um jornalista ultrapassam o razoável começa a cegueira. Esta cegueira pode levar a caminhos tortuosos e nada recomendáveis. A prova disso é a crónica de João Querido Manha em que, escondendo a mão na defesa de Nuno Gomes, atira a pedra a Rui Costa. Quando isto acontece, deixamos o jornalismo e entramos na questão pessoal. Deixamos a frontalidade da opinião e entramos no campo da cobardia (e não é, de todo, esta a imagem que tenho de JQM).

__

Vejamos a prosa em questão: Título: Nuno Gomes - Morte anunciada é um exagero - Correio da Manhã , 18 Outubro 2008. (link)

 

No 2º parágrafo, assume como uma certeza a ideia de que Nuno Gomes (o capitão de equipa) é ”perseguido” dentro do clube, chegando ao ponto de escrever que há, dentro do Benfica, quem deseje que Nuno Gomes “desampare a loja” (esta pérola de linguagem é exemplificativa de como se não deve escrever num jornal…); não contente, assume que no Benfica há um “preconceito contra a veterania”. Fundamentação: nenhuma!

 

No 3º parágrafo, defende a tese de que o sucesso de Nuno Gomes é um problema para Rui Costa. Fundamentação: nenhuma! Má-fé: bastante! Alvo: Rui costa.

 

No 4º parágrafo, a ideia-chave é esta: “Agora, fica entregue aos desígnios da sorte benfiquista, lutando para não ser uma cara velha num plantel que se alimenta, de forma viciada, das novidades do mercado.” Apresenta-nos um Nuno Gomes humilhado, ofendido, entregue à sua sorte e, aqui chegamos ao requinte, vítima de um Benfica que se alimenta no mercado (atenção, vem ai a punchline) de forma viciada! Fundamentação: zero. Objectivo: atacar Rui costa, de forma torpe, acusando-o de entrar em esquemas de mercado viciado.

 

No 6º parágrafo, a forma de ‘defender’ Nuno Gomes é, no mínimo, estranha: “No Benfica, para satisfazer a turba-multa, tornou-se obrigatório contratar estrangeiros.” Muito bem, se quiser entrar pelo mesmo caminho de honestidade intelectual, sempre poderia dizer que, quando o Correio da Manhã apresenta diariamente aqueles títulos sensacionalistas do mais puro jornalismo (algures entre o The Sun e o Jornal do Incrível), também é para satisfazer a “turba-multa”. E, já que estamos com a mão na massa, é turbamulta e não “turba-multa”. Objectivo: atacar Rui Costa! Objectivo falhado, pois o melhor que conseguiu foi ofender a turbamulta que compra o jornal.

 

No 7º parágrafo, a forma de 'defender' Nuno Gomes é dizer “A opção do Benfica para este ano, com a tomada de poder por Rui Costa […]” A tomada de poder!? Bem, quando chegamos a este tipo de discurso, é porque a questão começa a ser deontológica...

__

Lamento que um jornalista como João Querido Manha enverede por este tipo de jornalismo.

Nuno Gomes não merecia este tipo de 'defesa' e, penso eu, os leitores do Correio da Manhã deveriam merecer um pouco mais de respeito por parte deste jornalista. Mereciam que, pelo menos, não os tomassem como lorpas. Em suma, quem escreve um artigo como aquele enferma de uma grande falha: parte do princípio de que os seus leitores não passam de turbamulta.

publicado por Pedro F. Ferreira às 13:04
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

De lamentar

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o convite que me foi formulado para juntar a minha voz a este magnífico blogue e só espero estar ao nível dos excelsos benfiquistas que por aqui escrevem. Não irá ser uma tarefa fácil, mas vou tentar estar à altura.

 

Reinaldo Teles internado no Porto

 

Queria comentar esta notícia, por me parecer ser da mais elementar justiça colocarmos clubismos à parte e lamentarmos este facto. Numa altura em que o ódio no futebol está cada vez mais espalhado, quando um ser humano sofre um problema de saúde devemos estar todos solidários. Ainda para mais, um ser humano como este que é um verdadeiro modelo a seguir, um baluarte de fair-play, desportivismo, lisura de processos, classe e dignidade. Um enorme exemplo para os nossos filhos e filhas. Um homem que jamais fomentou ódios, que nunca agrediu ou mandou agredir membros da direcção de clubes rivais, jornalistas ou juízes e que sempre respeitou os seus adversários. Um verdadeiro benemérito, empregador de centenas e centenas de jovens raparigas que sem ele certamente estariam na miséria e passariam fome.

 

Por todas estas razões, lamento muito o que se passou e daqui lhe desejo o que ele certamente desejaria se isto acontecesse a um qualquer Ricardo Bexiga: as mais rápidas melhoras.

publicado por Lord Henry Wotton às 18:40
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Benfica em análise.

Muito se tem falado do Benfica, se joga o Nuno Gomes e o Suazo, o Suazo e o Cardozo, o Cardozo e o Nuno Gomes, o Aimar e o Suazo, o Suazo e o Cardozo, etc etc etc.

 

A mim isso não me tem preocupado em nada, porque o problema do Benfica não tem sido o marcar golos.

 

Senão vejamos. Na UEFA temos em três jogos 5 golos marcados. No campeonato em 6 jogos já marcamos 11. Ainda não ficamos um jogo quer na UEFA quer no Campeonato sem marcar um golo. O único jogo que ainda não marcamos foi para a Taça. Ora bem, feitas as contas em 10 jogos temos 16 golos.

 

O pior é se fizermos as contas aos golos sofridos, é que os números assustam. Em 10 jogos sofremos golos em quase todos, menos contra o Napoles em casa, contra o Sporting e contra o Penafiel. Ou seja já sofremos 10 golos em 10 jogos.

 

Ao falar nisso não quero criticar a defesa, que apesar de tudo este ano me dá mais seguranças. Quero criticar a mentalidade dos jogadores do Benfica. Vi isso contra o Leixões, contra o Hertha de Berlim, e ontem contra a Naval.

 

O Benfica marca o golo e começa a defender o resultado. Se contra o Hertha ainda aceito isto, contra o Naval ontem, e contra o Leixões há uma semana foi inaceitável.

 

Por princípio sou contra a defesa de resultados. Uma equipa para ganhar o jogo tem de ter a bola em sua posse e tentar continuar atacar, e a marcar mais um golo que dê tranquilidade. Com uma diferença de dois golos, já acho bem que uma equipa tente gerir o resultado. Mas nunca a defender na sua linha de defesa.

 

Quando uma equipa quer defender, deve defender logo na linha de defesa do adversário, e não na linha da sua defesa.

 

E o Benfica tem defendido na retranca. Resultado, tanto com o Hertha como contra o Leixões, empatou um jogo que teria ganho facilmente, se continuasse a tentar atacar, ou a defender mais em cima. Contra o Naval, com alguma sorte, ainda tivemos força para marcar o 2º.

 

Penso que esta atitude tem de mudar e rapidamente, que como vimos, não tem dado resultado.

 

Alguém explique aos jogadores que a camisola que eles vestem é a do Benfica, e o Benfica joga em qualquer campo para ganhar, e sem medo dos adversários.  Defender resultados de 1-0 com Leixões, Navais, não é coisa do Benfica, nem dos seus jogadores.

 

Vamos lá, porque marcar golos temos marcado, agora é só deixar de sofrer os golos estúpidos que temos sofrido.

 

Anastércio Leonardo

publicado por LMB às 13:01
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Karma

Esta cena do karma às vezes é tramada...

Gostava de poder dizer que tenho muita pena, mas a verdade é que não tenho. E ele já devia saber no que é que se ia meter. Afinal, não é a primeira vez que coisas destas acontecem por aqueles lados.

Quanto a nós, paciência, lá tivemos que ir buscar o Reyes. Esta cena do karma às vezes é linda.

publicado por D`Arcy às 11:37
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