VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

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28/02/1904 - 28/02/2009
publicado por D`Arcy às 13:29
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Brio

Pode não ter sido com muito brilho, mas foi com imenso brio que o Benfica esta noite conseguiu vencer o Leixões, num jogo que começou por parecer ter tudo para decorrer a nosso favor, mas que terminou de forma exactamente inversa.

Alguma surpresa logo de início na nossa equipa, com o Quique Flores a optar por jogar com dois alas bem abertos, colocando o Di María de início na direita e o Reyes na esquerda, e colocando para além disso o Ruben Amorim no meio, ao lado do Katsouranis. Conforme esperado, na defesa o Miguel Vítor ocupou o lugar do Sídnei, enquanto no ataque o Cardozo regressou à titularidade. E começou muito bem o jogo o Benfica. Com a linha de defesa muito subida, uma pressão bem executada sobre os adversários, e depois a sairmos rápido para o ataque assim que a bola era recuperada, o Benfica terá esta noite feito uma das melhores entradas num jogo em casa esta época. Com o Amorim a mostrar-se como peixe na água no centro, e com a preciosa ajuda dos alas e, sobretudo, do Aimar (quantas bolas terá ele recuperado ou roubado esta noite?) sempre que não tínhamos a bola, o Benfica não dava tempo nem espaço para o Leixões desenvolver o seu jogo. Aliás, ainda não tinha decorrido um minuto de jogo e já o Benfica criava uma situação de perigo, só que o Aimar não conseguiu controlar a bola nas melhores condições. Foi bonito ver-nos jogar a toda a largura do campo, aproveitando a velocidade do Reyes e do Di María nas alas. Não surpreendeu por isso que chegássemos ao golo, após mais uma incursão do Reyes pela esquerda, que terminou num autogolo de um defesa do Leixões quando tinha o Cardozo nas suas costas para marcar. Pouco após o golo, O Luisão esteve perto de fazer um golão, com um pontapé de bicicleta que passou muito perto. Embora continuando a controlar o jogo à vontade, fiquei com a sensação de que retirámos um pouco o pé do acelerador após o golo (pelo menos a pressão sobre os adversários para recuperarmos a bola já não parecia ser tão intensa), mas o pior veio pouco depois da meia hora de jogo, com a lesão do Ruben Amorim (que estava a fazer um óptimo jogo até então), tendo que ser substituído pelo Carlos Martins. Aí sim, a equipa recuou a linha defensiva de forma mais nítida, e já foi então possível ver o Leixões a conseguir fazer a circulação de bola a meio campo que lhe é mais habitual. Mas também não passou disso, já que lances de perigo nem vê-los, tendo o Leixões que optar por tentar rematar a distâncias consideráveis da nossa baliza. Pelo contrário, era o Benfica quem, em transições rápidas, conseguia dar maior sensação de perigo, pelo que a vantagem mínima ao intervalo pecava quando muito por escassa.

A segunda parte mostrou o mesmo pendor da primeira. Logo no início, uma oportunidade para o Reyes, desmarcado sobre a esquerda a passe do Aimar. Ainda durante os primeiros minutos, o Leixões teve aquela que foi, para além do lance do golo, a única oportunidade digna desse nome durante todo o jogo, mas o remate do seu jogador, que num contra-ataque recebeu a bola à vontade, foi perfeitamente disparatado. No Benfica, os nossos alas começavam a perder algum fulgor, e o Reyes acabou por dar o seu lugar ao Nuno Gomes ao fim de quinze minutos. Com o jogo controlado, faltava ao Benfica um golo que nos desse maior tranquilidade, o que acabou por acontecer poucos minutos após a entrada do Nuno Gomes. Na direita o Cardozo (que um minuto antes, desmarcado pelo Di María, tinha desperdiçado uma ocasião soberana por ter deixado a bola escapar) ultrapassou um defesa adversário e, da linha final e com o pé direito, centrou para que o Nuno de cabeça se antecipasse ao seu marcador para marcar. Em condições normais, e face ao que tinha visto até então, isto seria o suficiente para pensar que iria ter um final de jogo tranquilo. Mas sabendo o que se tem passado esta época, acabei por não ficar muito descansado, e em vez disso preparei-me para o que aí viria.

Só foi necessário esperar oito minutos. Depois, no mesmo minuto, o Carlos Martins lesiona-se e, num lance em que foi algo feliz num ressalto, o Leixões marca. Como já tínhamos esgotado as substituições (o Balboa entretanto entrara para o lugar do Di María) o cenário que se apresentava era jogar os últimos quinze minutos (mais os eventuais descontos) com dez, perante uma equipa motivada pelo golo. Só que os dez encheram-se de brio, e apoiados pelo público da Luz, valeram por onze ou mais. Porque a verdade é que o Leixões não conseguiu criar uma única oportunidade de golo até ao apito final do árbitro, apesar de, durante este período, ter conseguido finalmente um ascendente sobre o Benfica, jogando a maior parte do tempo no nosso meio campo e equilibrando um pouco a posse de bola. Felizmente desta vez não houve golpe de teatro, e o Leixões não conseguiu sair da Luz com um empate que seria, de todo, imerecido.

Como destaques na nossa equipa, começo por escolher o Aimar. Não sei se ainda há grandes dúvidas sobre a sua condição física, mas quem viu aquilo que ele correu esta noite deverá ter ficado esclarecido. Movimentou-se livremente pelo ataque, e soube sempre dar velocidade ao nosso jogo, tendo combinado com e desmarcado diversos dos seus colegas. Deu ainda uma ajuda indispensável no trabalho de recuperação da bola a meio campo, e acabou o jogo praticamente como médio defensivo, ao lado do Katsouranis. Na defesa, destaco o Miguel Vítor, pela disponibilidade que mostrou e pelos inúmeros cortes que efectuou. Se o Leixões raramente conseguiu ameaçar a nossa baliza, a ele (e ao Luisão) muito o devemos. Foi pena a lesão do Amorim, porque aquilo que produziu enquanto esteve em campo foi muito positivo, estando directamente ligado à boa entrada do Benfica em jogo. Quem esteve um pouco abaixo da regularidade que lhe tem sido habitual foi o Maxi, que se atrapalhou um pouco na defesa, e até esteve pouco feliz nos cruzamentos quando se aventurou no ataque.

Ultrapassado este difícil obstáculo - e roubada ao José Mota a glória de ser o primeiro a conseguir vencer em casa do Benfica e dos outros dois no mesmo campeonato - resta agora sentarmo-nos tranquilamente no sofá e esperarmos pelo resultado do encontro fratricida de amanhã, com a certeza de que esta jornada ser-nos-á sempre positiva.

publicado por D`Arcy às 04:35
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Pensamento do dia

A todos os benfiquistas que, na sequência da indignação de uns quantos de nós quando soubemos da nomeação do Lucílio Baptista para o jogo de amanhã, vieram novamente com a cantilena de que o Benfica tem obrigação de vencer todos os jogos mesmo se jogar contra 14, porque não tornam a coisa mais interessante e além de jogarmos contra 14 também obrigamos o Moreira a jogar com as mãos presas atrás das costas, os centrais ao pé coxinho e os médios com vendas nos olhos?

publicado por Superman Torras às 20:08
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Cabeçudos, o caraças!

Ainda em relação ao amigo Lucílio. Sempre que me falam nele, lembro-me logo de várias das suas actuações memoráveis em jogos do Benfica, como a expulsão do Ricardo Rocha depois da 'falta' sobre o Deco, o arraial de pancadaria que lhe passou despercebido na final da Taça ganha ao FCP do Mourinho (que depois ainda teve a lata de se queixar da arbitragem), os critérios disciplinares 'flutuantes' que exibe nos nossos jogos, etc. Mas a performance mais memorável dele, aquela que me surge sempre nos pensamentos quando contemplo este triste figurão da arbitragem portuguesa, foi aquela no jogo que disputámos em Alvalade em 7 de Maio de 2000, jogo esse que poderia dar o título pelo qual o Clube do Lumiar (des)esperava há dezoito anos. Esse jogo para mim foi o verdadeiro deixar cair da máscara, e a partir daí nunca mais consegui confiar neste tipo. E um dos motivos pelos quais eu também nunca esqueço essa exibição arbitral memorável é também o texto que a Leonor Pinhão escreveu sobre o assunto. Ao saber que o Lucílio nos vai arbitrar na próxima sexta-feira, recordei-me novamente desse texto, e fui soprar o pó aos arquivos para o reler. Voltei a rir-me com o texto, e voltei a sentir uma pontinha de emoção quando me recordei que "Eu estive lá! Eu vi!". Por isso acabei por decidir partilhar esse texto com aqueles que não tiveram ainda a oportunidade de o ler. Aqui fica então, com a devida enorme vénia à Leonor Pinhão:


"'Lucílio Baptista prejudicou o Sporting!'

Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting à saída do Estádio José de Alvalade, no Domingo, 7 de Maio de 2000, às 21h58.

Extenuado, André Cruz ouviu o árbitro apitar. Incrédulo, passou a mão direita pela testa na tentativa vã de limpar o suor que caía em torrentes e que se misturava, sem glória, com as águas da extraordinária chuvada. A segunda parte ia já a meio e Cruz admitiu o pior quando, do seu campo, viu Acosta encostar-se a Sérgio Nunes e atirar-se para o chão em mais um momento agudo de crise ciática.«Oh não, outra vez não, este cara está a gozar comigo!» Mas a cara de Lucílio Baptista não enganava ninguém. Oh sim, outra vez sim! Perante meio conselho de vibrantes ministros, perante autarcas e dignitários religiosos, perante banqueiros e administradores dos capitais do Estado, cabia-lhe a ele, André Cruz, pela trigésima-quarta vez naquela noite, a responsabilidade de tentar marcar de livre um golo ao Benfica.

Lucílio Baptista apitara e agora apontava para o lugar onde a bola deveria ser colocada para a cobrança. Com dores musculares, em resultado do intenso treino a que Lucílio Baptista o obrigou, o brasileiro encaminhou-se para o local escolhido e, já sem forças para ajeitar o esférico, olhou para a baliza do Benfica. «Tem graça, daqui ainda nunca tinha rematado neste jogo», pensou. Os trinta e três livres anteriores tinham sido disparados de, praticamente, todas as partes do campo: de longe, de perto, de muito longe, de muito perto, sobre a esquerda, sobre a direita, ao meio, ligeiramente enviesados para qualquer um dos lados e sempre, sempre «bem ao gosto do pé de André Cruz», como gritavam ferventes de emoção os homens das rádios e das televisões de todo o mundo.

E nada. A bola não entrava. Na sua ânsia louca de prejudicar o Sporting, Lucílio Baptista interrompia sistematicamente todas as bonitas e eficazes jogadas do ataque leonino e convertia-as em livres. Recorde-se que, em todo o jogo, só por uma vez o árbitro deixou o Sporting concluir uma movimentação colectiva que terminou com um perigoso remate de De Franceschi. Era este o caminho para a vitória mas Lucílio Baptista não queria assim. Queria livres. André Cruz já estava farto de marcar livres e sempre que ouvia Lucílio Baptista apitar não conseguia deixar de sentir um calafrio pela espinha. «Mas porque é que este cara não marca um penálti igual ao que marcou ao Boavista no jogo com o Setúbal, o clube da terra dele, e resolve isto de uma vez por todas?»

Cruz tinha razão. A arbitragem estava a ser muito habilidosa. Veja-se, por exemplo, o caso dos cartões amarelos dados praticamente a toda a equipa do Benfica. Só os ingénuos não percebem que a ideia não era levar o Sporting a vencer o jogo por ausência de adversários mas sim queimar tempo com ninharias, tomar notinhas, enervar a plateia, desmoralizar, dar tempo aos jogadores do Benfica para se recomporem do cansaço de fazer barreiras atrás de barreiras. Por exemplo, quando o árbitro mostrou o cartão a Ronaldo até se enganou, de propósito, e em vez do amarelo tirou o bloco de apontamentos que exibiu peremptório e bem alto na direcção do atónito jogador do Benfica. Com isto passaram-se mais dez segundos.

O Benfica não passava do meio campo. Nuno Gomes já ia na sua vigésima-nona falta atacante, um predador este avançado do Benfica. Lucílio Baptista não queria que o Sporting tivesse espaço para atacar e, vai daí, empurrou a equipa visitante para a sua baliza, de modo a formar um bloco compacto e intransponível. Um manhoso, este árbitro. André Cruz esfregou os olhos antes de partir para a marcação do seu trigésimo-quarto livre da noite. Depois, a custo, correu e rematou. A bola fez um arco pífio e saiu ao lado do poste direito da baliza de Enke. Agora era Lucílio Baptista que estava farto. Caramba, tinha uma reputação por defender! A partir daí o seu apito não trinaria mais, acontecesse o que acontecesse.

Mas mesmo sem apitar Lucílio Baptista não deixou de beneficiar escandalosamente o Benfica. Já bem pertinho do fim, aos 82 minutos, Nuno Gomes, por pura maldade, entra com a bola pela área do Sporting, apronta-se para passar por Toñito e ficar sozinho frente a Schmeichel. Mas não foi nada disto o que o feroz avançado benfiquista fez. Estão certamente recordados: Nuno Gomes entrou na área, desinteressou-se da jogada e sentindo Toñito no chão (o que estaria Toñito a fazer no chão?), sem piedade desatou aos saltos por cima do corpo do seu adversário numa dança selvagem. Toñito gritava, Gomes saltava por cima dele, agora a pés juntos e mordendo, em transe, a, entretanto arrancada, fitinha para o cabelo, imagem de marca do talentoso e espezinhado jogador do Sporting.

E não é que Lucílio Baptista nem cartão amarelo mostrou a Nuno Gomes que, descarado, reclamou um penálti? Não queria mais nada, não sabe, se calhar, que há mais de quatro anos que nenhum árbitro marca um penálti ao Sporting no campeonato nacional de futebol e que essa era, aliás, a única razão para que a imprensa internacional tivesse invadido, naquela noite, Alvalade. Ver para crer! Francamente, Nuno Gomes, bem pode agradecer à RTP que, em conluio com o Benfica, descreveria o lance com estas bem lisonjeiras palavras se atendermos à gravidade do que se passou: «Nuno Gomes pisa a perna do jogador do Sporting e acaba por se desequilibrar.» Ah, valentes!

Heynckes, vendo o comportamento do seu jogador, que arriscava a expulsão se se atrevesse a entrar mais uma vez na área do Sporting, resolve substitui-lo por João Tomás. A dois minutos do fim do jogo, João Tomás foge pela direita do ataque do Benfica e encontra-se frente a frente com André Cruz. «Depois de marcar trinta e quatro livres ainda querem que eu tenha pernas para agarrar este cara...», lamentou-se em surdina o jogador brasileiro enquanto via o avançado do Benfica passar por ele e entrar na área. Mas Cruz, num assomo de profissionalismo, foi a custo atrás de João Tomás e, sem forças para mais, derrubou delicadamente o rapazola.

O que se passou a seguir vai entrar na história do futebol português no capítulo dos mistérios mais inexplicáveis. Se Lucílio Baptista já tinha prometido a si próprio que não apitava mais, que loucura levou o árbitro a marcar, pela primeira vez em todo o jogo, um livre perigoso contra o Sporting? Em bom juízo deveria ter marcado falta atacante a João Tomás. Falta atacante e cartão amarelo para queimar tempo e continuar, assim, a prejudicar o Sporting como fez em todo o encontro. Mal sabia Lucílio Baptista que os comentadores da RTP, em conluio com o Benfica, chegaram mesmo a admitir que a falta, a existir, poderia ter sido cometida dentro da área, de danadinhos que estavam por uma vitória do Benfica. Um dos comentadores, por certo irresponsável, não teve medo da violência avulsa das palavras e, contra todas as regras da mais elementar decência, disse que Lucílio Baptista estava a ser «caseirinho». Mas que falta de respeito pela tribuna vip de Alvalade. Árbitros e jornalistas em compadrio para prejudicar o Sporting...

Até ao momento só há uma explicação para aquela apitadela de Lucílio Baptista. Obnubilado pelo cansaço de uma noite inteira à chuva a orientar barreiras, o árbitro, já próximo do delírio, da alucinação, reconheceu em João Tomás alguns traços físicos de Jardel, o poderoso avançado do FC Porto. De perfil, o formato da cabeça, o corte de cabelo... são mais do que vagas parecenças do benfiquista com o goleador das Antas. E foi nesta confusão, neste êxtase de troca de indentidades que Lucílio Baptista caiu inocentemente porque, é uma regra do futebol português, em caso de dúvida beneficia-se sempre os grandes. Livre, livre a favor do FC Porto! André Cruz suspirou de alívio: «Pôxa, este ao menos não sou eu que tenho de marcar!» Depois, Cruz viu um egípcio pequenino a beijar a bola e riu-se da infantilidade. Mas não se riram os duzentos adeptos do Benfica que no topo Norte do estádio assistiam ao jogo, sacrificados por amor ao seu clube à imolação programada, arriscando-se à suprema humilhação na esperança tão ínfima e tão sublime de tudo sair ao contrário e de, um dia, poderem dizer aos filhos e aos netos: «Eu estive lá. Eu vi!» E viram. Viram Abdelsatar Sabry marcar o livre virado para Meca, viram a bola a descrever um arco por cima da fresquíssima barreira do Sporting entrar direitinha no canto superior esquerdo da baliza de Schmeichel.

Este é um jogo para a lenda. Seria sempre, independentemente do resultado. Quem perdesse estava destinado a ser pasto de anedotas pelos próximos vinte anos. Cabeçudos, o caraças! Na segunda-feira, no regresso ao trabalho, os seis milhões de benfiquistas puderam entrar inteiros nas suas fábricas, escritórios, quartéis, centros comerciais, cafés, restaurantes e repetir o gesto redentor do egípcio, levando o dedo indicador da mão direita aos lábios e fazer sair um «shhhhhhhh» bíblico."


P.S.- Por acaso lembro-me bem que na segunda-feira, no regresso ao trabalho, também eu me virei para os colegas lagartos, levei o dedo indicador da mão direita aos lábios, e fiz sair um «shhhhhhhh» bíblico :)

publicado por D`Arcy às 10:00
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Vai uma cerveja?

publicado por LMB às 00:20
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

O jogo mais importante da época, Lucilio e o Artur Jorge é que tinha razão

Sexta-feira joga-se boa parte do futuro do Benfica esta época. Qualquer desfecho que não se traduza no amealhar dos três pontos em disputa implicará, na minha opinião, o afastamento da luta pelo título.

 

Às naturais dificuldades que o Leixões vai colocar, naturais porque tem demonstrado variadíssimas vezes que é uma equipa muito bem orientada intrometendo-se inclusivamente na luta pelos primeiros lugares, ficamos hoje a saber que teremos o desprazer de receber no nosso estádio um dos apitadores mais indecentes que pisa os palcos portugueses. E isso, não o ignoremos, acrescentará uma pitada extra de dificuldades que teremos de ultrapassar.

 

Além disso, como se já não fosse empreitada suficiente, teremos muito provavelmente a enésima demonstração prática de como não se deve encarar uma partida em que temos "obrigação" de ganhar, como é o caso de cerca de 90% dos jogos que disputamos em casa. Custará assim tanto apresentar de ínicio o fulgor que temos demonstrado bastas vezes possuir nas segundas partes das partidas jogadas na Luz? Repare-se, nesta fase já nem exijo um futebol particularmente belo e/ou agradável à vista, não, nesta fase contentar-me-ia(ei) com a demonstração cabal por parte da equipa, jogadores e treinador (já lá vamos), que entenderam finalmente que ao Benfica ninguém dá nada, tem de ser tudo conquistado, e ainda bem que assim é, à custa do seu suor e do nosso sacrificio. E assim sendo não há tempo a perder, esqueçam o jargão que implica a concessão de 15 minutos iniciais geralmente epitetados de "estudo do adversário", disfarcem o respeito devido ao adversário partindo para cima dele como se uma equipa da 2ª divisão se tratasse, olvidem a segunda parte do jogo do passado fim de semana, em suma, vão-se a eles que nem tarzões assim que o apitador der o primeiro de muitos (óh se serão muitos!) silvos no apito!

 

Quanto a Quique Flores, vai ter muito provavelmente que perceber que terá de colocar  em campo uma equipa desiquilibrada se quer que o Benfica passe da teoria à prática no que respeita à superioridade que possui em relação à grande maioria, para não dizer totalidade, dos competidores da 1ª liga portuguesa. Já não vou tão longe em querer ver Suazo encostado à direita, suprimindo dessa forma a ausência de um extremo direito com que se possa contar no plantel, para permitir a entrada de Cardozo no 11, mas a entrada de um jogador que tenha rotinas de ala é de todo necessária para obrigar os médios adversários a cobrirem ambas as alas e não apenas aquela em que tem actuado Reyes. Se isso será feito com Di Maria, com Balboa ou com o improvável Aimar, desconheço, mas já que falo no Aimar sempre vou acrescentando que estou muito longe de estar convencido da bondade da decisão em continuar a reservar-lhe uma das duas posições mais ofensivas da equipa.

 

Na direita ou mais atrás fazendo a ligação com o(s) médio(s) mais recuado(s), permitindo dessa forma a entrada de mais um jogador ofensivo, creio ser essa a melhor solução para os tais 90% dos jogos em que assumimos um claro favoritismo.

 

Por último é chegada a hora de sossegar os ânimos mais irrequietos devido à parte do título que lá foi colocada para precisamente provocar uma espécie de curiosidade mórbida, do género daquela que faz os portugueses abrandar o carro na autoestrada quando há um acidente na faixa contrária, e de dessa forma poder eventualmente garantir a leitura completa deste post por parte dos leitores mais exigentes, dizendo-lhes que não se trata do súbito reconhecimento que Isaías, Vitor Paneira, Edilson, Stanic (a lista é infindável) foram bem dispensados e que o Artur Jorge não concorreu com essas decisões para o início da nossa travessia no deserto, não, apenas chamei o dito senhor à prosa porque me apercebi recentemente do quão acertada era a sua decisão de ver os jogos enquanto ouvia música clássica. É verdade, mudando apenas o tipo de música de clássica para blues ou jazz, a verdade é que os últimos jogos que tenho visto em casa são acompanhados de um movimento que ameaça tornar-se automático de tirar o som da televisão e de ligar a aparelhagem. Claro que isso já tem levado a certos episódios que parecem directamente saídos de um guião da twilight zone uma vez que à posteriori verifico que tive a ver um jogo diferente daquele que os comentadores e os jornalistas presenciaram mas isso, aproveitando para parafrasear o dito senhor uma última vez antes de prometer que não voltarei a referir o seu nome por muitos anos em que continue a escrever no blogue, é uma situação perfeitamente normal.

publicado por Superman Torras às 22:22
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Preparemo-nos para mais uma lucilíada.

Um dia teria de ser.

A aberração estatística do grande descendente do Pinto Correia e do Fortunato Azevedo teria de voltar a passar-se por árbitro num jogo do Glorioso. Sempre pensei que Vítor Pereira, Ali Baba da arbitragem portuguesa, o enviasse para o jogo do passado fim-de-semana… mas isso seria demasiado até para a pouca vergonha do Vítor Pereira.

Assim, envia o árbitro que mais, e de forma mais despudorada, tem prejudicado o Benfica nas últimas épocas para mostrar as suas habilidades no nosso jogo do próximo fim-de-semana.

 

Sinceramente, considero Lucílio Baptista um árbitro incompetente, não sei o preço da sua incompetência, mas sei os custos da mesma.

publicado por Pedro F. Ferreira às 19:11
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Elogio de João Gobern

A propósito da substituição de Fernando Seara no "Dia Seguinte", referida aqui no post do D'Arcy, queria aqui deixar a minha homenagem pública à pessoa que mais e melhor tem defendido o Benfica nas TVs generalistas - João Gobern.

 

Na RTPN, João Gobern (que até está ali creio como comentador e não como "representante do Benfica", ao contrário de Seara ou APV), tem defendido como ninguém o Glorioso, e denunciado o "polvo", batendo-se quer contra o bruno pratas quer contra o suposto "moderador" do debate (cujo nome não recordo), que passa mais tempo a atacar Gobern e o Benfica do que a "moderar" o que quer que seja.

 

Np último programa, JG denunciou um facto interessante - nesta fase decisiva do campeonato, foram marcadas 7 (sete) grandes penalidades a favor do CRAC nas útlimas jornadas, algumas delas duvidosas ou inexistentes - isto perante os ataques cerrados e concertados do pratas e do "moderador", que quase não o deixavam falar.

 

Creio que seria muito interessante ver JG no "Trio de Ataque", programa de maior audiência que o espaço onde agora intervém.

publicado por Artur Hermenegildo às 11:48
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Mudança

Ontem fui surpreendido pela ausência do Fernando Seara no 'Dia Seguinte', programa da SIC Notícias. Depois vim a descobrir que a ausência é permanente, já que o nosso comentador deixou o programa de vez, e passou para a concorrência (TVI 24). Não querendo tecer considerações sobre a pessoa do Fernando Seara, e centrando-me apenas no seu papel de comentador, não sentirei saudades. O Fernando Seara é claramente demasiado educado e delicado para continuar a nadar no mesmo lago daqueles dois tubarões que o acompanhavam no programa. Quanto ao Sílvio Cervan, que o substituiu, não o conheço suficientemente bem para saber como se sairá. Mas sabendo da forma apaixonada como vive o Benfica, acredito que será capaz de fazer melhor. Pelo menos, espero eu que não deixe que algumas das barbaridades ditas pelos outros dois sobre o Benfica (em particular, pelo tubarão de águas profundas que representa o clube da ladroagem) sem resposta.

E já agora, se calhar também já era tempo de começarem a pensar na substituição do António Pedro Vasconcelos no outro programa. É que abanar a cabeça em silêncio e emular um ligeiro ataque de grand mal sempre que (mais uma vez) o representante do clube da ladroagem debita patacoadas sobre o nosso clube não me parece, de todo, uma forma eficaz de defesa das nossas cores. O Manuel dos Santos deixou saudades.

publicado por D`Arcy às 18:45
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Péssimo

É verdade que custa muito perder estes jogos. Mas quando as coisas se passam como se passaram hoje, pouco mais há a fazer do que reconhecer a justiça do resultado e o mérito do adversário, e olhar para dentro de casa para identificar o que correu mal, de forma a corrigi-lo. Uma segunda parte paupérrima, má demais para uma equipa como o Benfica, em contraponto com aquilo que o nosso adversário conseguiu produzir durante esse período do jogo, acabou por ditar uma derrota inevitável.

A verdade é que a primeira parte não fazia antever este desfecho. Repetindo o onze do Estádio do Ladrão, o Benfica cedo se viu em desvantagem, pois sofremos um golo logo no primeiro remate que a lagartagem fez à baliza (na sequência de uma canto cedido devido ao primeiro do infindável rol de más decisões e erros do David Luiz ao longo de toda a partida). Só que a equipa não abanou com o golo, e pelo contrário, de forma personalizada soube manter a calma, assentar o seu futebol e levar o jogo para o meio campo adversário, enquanto que este ia tentando responder em contra-ataques. Não me surpreendeu por isso que tenhamos chegado ao empate ainda durante o primeiro tempo, a cerca de oito minutos do intervalo. Quer dizer, o facto de chegarmos ao empate não me surpreendeu, mas a forma como lá chegámos sim. É que, pela primeira vez em vinte e cinco anos, o Benfica teve um penálti assinalado a seu favor no Lumiar. Foi precisa uma falta clara sobre o Suazo, mas ainda assim foi o auxiliar quem teve que assinalar a infracção. O Reyes encarregou-se de a converter, dando justiça ao resultado. Olhando agora em retrospectiva, talvez os minutos finais da primeira parte devessem ter servido de aviso para o que aí vinha. É que fiquei com a sensação de que o Benfica, obtido o empate, abrandou, e o Recreativo do Lumiar voltou então a ver-se aparecer junto da nossa área, ainda assim sem criar grande perigo. Sentia-me ainda assim confiante ao intervalo, pela forma como conseguimos reagir bem ao golo sofrido, e jogar descomplexados.

Só que, a exemplo do que aconteceu o ano passado no jogo para a Taça, na segunda parte o jogo nem parecia o mesmo. Claro que sofrer um golo aos dois minutos (mais uma vez com o David Luiz no lance) não ajuda nada, mas bastou ver os poucos minutos que se seguiram ao golo para perceber que o Benfica não ia conseguir reagir ao golo da mesma forma da primeira parte, e que dificilmente evitaríamos a derrota. A lagartagem continuou a pressionar, o nosso lado esquerdo, onde ao jogo desastroso do David Luiz se juntou a desinspiração do Reyes, era uma auto-estrada, os nossos centrais não atinavam com a marcação aos avançados adversários, e no meio campo éramos incapazes de fazer três passes seguidos, perdendo bolas atrás de bolas. Em termos atacantes, a única ideia que tínhamos era enviar balões para as cabeças do Reyes, Aimar ou Suazo, com resultados nulos. Só foi mesmo surpresa o tempo que demorou aos nossos adversários para marcarem o terceiro golo, porque este já se adivinhava há algum tempo. Mais uma vez pela esquerda da nossa defesa, o David Luiz foi deixado aos papéis, para depois o cabeceamento do mergulhador entrar junto ao poste, sem hipóteses de defesa para o Moreira. Só após o terceiro golo, num pequeno assomo de dignidade, a nossa equipa se dispôs a produzir um bocadinho mais, o que resultou num segundo golo, mesmo sobre o minuto noventa, com o Cardozo a cabecear bem um cruzamento do Maxi na direita. Este golo pelo menos garantiu mesmo que ficaríamos em vantagem no confronto directo com a Agremiação de Queques do Lumiar, e mostrou que, se é para jogar da forma que jogámos, faz todo o sentido e mais algum que seja o Cardozo o avançado escolhido para o onze titular. Andar a despejar bolas para a cabeça do Suazo não faz sentido nenhum. O jogo acabou pouco depois, com uma derrota que foi o desfecho natural para a péssima segunda parte que fizemos.

Por ser precisamente a imagem da segunda parte que perdura, é difícil não achar que toda a equipa esteve a um nível lamentável. Mas o David Luiz, em particular, teve um jogo para esquecer. Esteve ligado aos três golos adversários, e para além disso raramente conseguiu tomar uma decisão certa, ou ter uma acção positiva durante todo o jogo. Sabemos que ele joga naquela posição por adaptação, e que rende muito mais como central, mas é preocupante a falta de opções que temos para aquela posição. O Reyes esteve também muito desinspirado. Esperava bastante mais dele para este jogo, mas vi-o muito trapalhão, quase sempre com medo de arriscar no 1x1 com o adversário directo, e perdendo demasiadas bolas. Do naufrágio colectivo poucos se safaram, e podia agora estar aqui a bater no resto dos nossos jogadores, um por um. Gostei da entrada do Cardozo no jogo. Ainda foi a tempo de marcar, e julgo já ter dado provas mais do que suficientes de que é mais produtivo do que o Suazo. Na minha opinião, idealmente até gostaria de ver jogar os dois juntos, mas duvido que isso venha a acontecer. O Di María também veio agitar um pouco as coisas, e acabou por ter uma prestação decente.

Agora há que levantar a cabeça. As coisas ficaram mais difíceis, mas nada está perdido ainda. Custa perder estes jogos, mas é importante saber reagir à Benfica. E isso começa por ganhar já o jogo que se segue. Eu vou lá estar.

publicado por D`Arcy às 23:57
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