E pronto, lá chegou ao fim mais uma época, terminada com um frustrante terceiro lugar. No jogo de hoje, satisfação por ver o Benfica finalmente conseguir dar a volta a um resultado num jogo para o campeonato e, pelo menos pessoalmente, satisfação por ver também o Benfica assinar a sentença de despromoção do Belenenses. Agora podem sempre pedir aplausos para o 'Senhor Pinto da Costa' antes do início do próximo jogo contra o Freamunde. Tenho a certeza que os fiéis trezentos e cinquenta adeptos belenenses que encherem as bancadas do Restelo para assistir a esse jogo corresponderão ao apelo de forma entusiástica. Foi um jogo com um certo cheiro a despedida, o que aliás acontece quase sempre que uma época chega ao fim. Pelo menos costumo estar a ver jogos assim e a pensar que se calhar não voltarei a ter a oportunidade de rever alguns daqueles jogadores com a nossa camisola. Hoje, e face às notícias que circulam, também a nossa equipa técnica se juntou ao grupo das eventuais despedidas.
Não houve grandes surpresas no onze. Com lesões e suspensões à mistura, era previsível que alinhássemos com aqueles jogadores (e eu, sem ser nenhum mestre da táctica ou perito em adivinhações, até consegui prever a constituição da nossa equipa). Nova oportunidade para o Urreta jogar na direita, e em relação a Braga, o Di María deixou a posição de segundo avançado, voltando a encostar-se à esquerda face ao regresso do Aimar. Quanto ao jogo em si, não poderia ter começado da pior maneira. É que logo na primeira vez que o Belenenses subiu à nossa área, marcou, através de um grande remate do Silas que, pareceu-me, fez a bola passar entre as pernas do Luisão. Previ logo que isto pudesse desencadear mais um daqueles jogos horríveis, com a equipa adversária a queimar tempo de forma descarada, já que aquele era o único resultado que lhe servia. Mas o Benfica não se desconcentrou com o golo, e respondeu bem, sobretudo a partir do lado direito, onde um Maxi incansável e um irrequieto Urreta iam causando dificuldades ao adversário. No meio, e um pouco surpreendentemente face à presença do Carlos Martins em campo, era o Katsouranis quem mais se encarregava de distribuir o jogo, fazendo a bola chegar aos extremos através de bons passes em profundidade. Foi mesmo pela direita que, aos vinte minutos, acabou por surgir a jogada do golo do empate, quando após mais uma das suas incontáveis subidas, o Maxi foi solicitado pelo Aimar e, de primeira, fez um cruzamento perfeito para o cabeceamento não menos exemplar do Cardozo.
Pouco depois o Benfica substituiu o Carlos Martins, não sei se por algum motivo de ordem física, ou se foi mesmo opção do Quique (é verdade que ainda só tinham decorrido vinte e seis minutos de jogo, mas até então a sua produção em campo tinha sido bastante fraca). O que é certo é que a substituição acabou por ser inspirada, já que o Fellipe Bastos, que o substituiu, acabou por ter uma boa prestação no jogo, vindo mesmo a revelar-se decisivo. Por esta altura o Benfica mantinha a superioridade no jogo, embora o Belenenses conseguisse incomodar através de contra-ataques que exploravam a nossa defesa em linha, e mostrava ser possível causar mais alguma surpresa. Mas perto do intervalo um dos seus jogadores agrediu o Di María com uma patada e foi consequentemente expulso, sendo que a partir daí o Belenenses desapareceu de vez do jogo. O empate ao intervalo era algo penalizador para o Benfica, mas face ao que se tinha visto era previsível que, salvo alguma surpresa, o Benfica acabasse por dar a volta à situação na segunda parte.
E para esta segunda parte o Benfica entrou forte e decidido a alcançar a merecida vantagem rapidamente. No primeiro quarto de hora 'cheirámos' o golo em diversas ocasiões, a mais flagrante delas uma perdida escandalosa do Di María que, isolado após uma falha grosseira de um defesa adversário, conseguiu rematar por cima da baliza. O Aimar também esteve perto de marcar, assistido pelo Cardozo, mas atirou igualmente por cima, e até o Maxi teve um grande remate de fora da área, bem defendido para canto. O golo acabou, naturalmente, por surgir. Foi dos pés do Fellipe Bastos que saiu uma bomba indefensável, ainda de bem fora da área, que levou a bola a entrar no ângulo da baliza do Belenenses. Apesar da vitória ser o único resultado que interessaria ao Belenenses, a verdade é que na segunda parte eles pouco mais fizeram do que defender, e ainda assim mal, já que multiplicavam-se as brechas na defesa, e era previsível que o Benfica conseguisse voltar a marcar. Sobretudo pelo nosso lado direito, onde a velocidade do Urreta, apoiado pelo incansável Maxi, continuava a fazer estragos. Quando o Mantorras entrou a cerca de quinze minutos do final, não era difícil prever que a probabilidade dele marcar era elevada, o que se confirmou já em período de descontos, após uma cavalgada do Balboa (tinha entrado minutos antes para o lugar do Aimar) que terminou numa assistência para o remate de primeira do angolano. Terá sido para fazer jogadas destas (ganhar a linha e centrar, coisa que pelo menos já mostrou que sabe fazer bem) que o Balboa foi contratado. Pena que não o tenha feito com frequência durante a época, justificando assim o elevado investimento que fizemos nele. Tendo em conta os apontamentos positivos que tem vindo a deixar aqui e ali nos últimos jogos desta época, talvez seja conveniente não o despacharmos às três pancadas, e ver se nos poderá ser útil para a próxima época. Voltando ao jogo, este acabou por fechar em ambiente de festa devido ao golo do Mantorras, que deu a expressão final a um resultado justo.
O melhor do Benfica foi, para mim, o Maxi. Aliás, digo-o já, ele foi para mim o melhor jogador do Benfica durante toda a época. Se quiserem dizer que ele é uma adaptação a lateral (que não é; adaptação era quando ele jogava a médio ala) estão à vontade, mas duvido que se encontre um lateral direito melhor no nosso campeonato. Hoje voltou a fazer daquele corredor direito uma avenida, por onde correu incansavelmente durante os noventa minutos, não concedendo espaços na defesa e apoiando sempre o ataque. O cruzamento para o golo do Cardozo foi simplesmente perfeito. Foi muito bem secundado pelo Urreta, cuja velocidade e mobilidade foram sempre um quebra-cabeças para os adversários. Ainda comete de vez em quando alguns erros, mas tendo ele dezoito anos é natural, e tem tempo para aprender. Já vi alguém numa caixa de comentários comparar o estilo dele ao do Simão, e a comparação não me parece descabida. Por último, quero mencionar também o Katsouranis, naquele que poderá ter sido o último jogo com a nossa camisola. Neste jogo, fez por demonstrar a razão pela qual sempre o admirei, e terei pena de o ver partir. Conforme já referi antes, bom jogo também do Fellipe Bastos. Quanto a quem esteve menos bem, para mim foi o Di María. Foi demasiado individualista em algumas ocasiões, complicou em outras, e aquele falhanço é inacreditável.
Época terminada, silly season iniciada (se bem que no nosso caso, esta silly season até parece ter começado antecipadamente, incluindo até personagens anormalmente cómicos que nem fazem parte do habitual circo de contratações e vendas). Agora vamos ver o que nos trazem os próximos meses. Como de costume, enterramos as frustrações de uma época mal conseguida e, quer queiramos, quer não, deixamos que a esperança se renove a cada nova época. Eu vou começar a riscar no calendário os dias que faltam até Agosto, que isto é muito tempo sem futebol e, sobretudo, sem futebol do Benfica.
Acaba hoje a época. Acaba com a sensação da frustração. Falhados os objectivos, abertas as feridas, rasgada a carne, resta assistir ao festim que se seguirá.
Onde uns tentarão cantar amanhãs, outros começarão a entoar a ladainha da encomendação das almas. Uns profetizarão o inferno com condução alheia e o céu com condução própria. Os outros farão exactamente o mesmo, mas mudando a orientação celestial e infernal. Depois há sempre uns outros que, independentemente de profetas e profecias, e de promessas e de messias, acreditam não em céu nem em inferno, mas apenas no cemitério.
Eu sei o caminho que seguirei: voarei com as águias em quem confio. Desde o início das suas actuais funções que confiei e confio na competência de Rui Costa. A sinceridade com que o apoiei no início é a mesma com que o apoio agora.
Aprendi com Miguel Torga que “Ser sincero é, sobretudo, continuar no caminho dos primeiros passos conscientes. Não há uma sinceridade de cada momento, mas sim a que se prolonga, se cultiva, e se vigia. Quem é sincero por jactos, faz da traição o seu valor constante. Entrega ao anoitecer o Cristo que escolheu de manhã.”
Já tentaram, mas sabem que não contam comigo para Judas.
Não vou poder estar na Catedral no jogo com o belenenses, por razões pessoais.
Mas sabem o que eu gostava de ver amanhã, por parte dos adeptos Benfiquistas que lá forem?
Uma grande Manifestação de Apoio a Rui Costa e a Quique Flores.
Não sei, mas parece-me que é importante fazê-lo, nesta altura.
Gostaria de saber se a maior parte dos oitenta e tal por cento de diversas sondagens que acha que o Jorge Jesus é uma boa opção para treinar o Benfica (caso o Quique Flores não fique na próxima época) não serão os mesmos que há cerca de 10 anos também defendiam que o então treinador português da moda era o ideal para nós. Quantas vezes não ouvi eu nessa altura que "o que nós precisávamos era do Jaime Pacheco"...?
P.S. - Uma coisa é certa: o próximo campeonato vai ser muita difícil.
Tenho para mim que, com o actual plantel, será mais importante o Benfica investir o que for possível para manter os jogadores que tem do que vender alguns para comprar outros. Tirando, claro, as óbvias necessidades de um defesa direito (já colmatada com Patric), de dois defesas esquerdos (um dos quais pode ser Ruben Lima, ou Sepsi) e de dois pontas de lança para acompanhar Cardozo (Mantorras é intermitente e Nuno Gomes há muito que não é um ponta de lança).
Especificamente, há alguns jogadores cuja continuidade me parece importante, ou mesmo imprescindível. Concretamente, imprescindíveis há dois - Luisão e Cardozo.
Luisão não deve sair do Benfica. Para além da sua qualidade como jogador, tem 5 anos de Benfica, é Capitão e um líder de balneário. Jogadores destes são fundamentais e substituí-los muito complicado. Vender Luisão seria a meu ver uma tremenda estupidez - a menos que o próprio jogador deseje sair.
Cardozo nem tem discussão possível. Cresceu muito como jogador, está mais rápido, com mais sentido táctico, com capacidade para jogar de costas para a baliza e tabelar com colegas ou desmarcá-los, enfim, um jogador muito mais completo do que quando chegou, sem nada perder da sua maior qualidade - que é "só" ser um grande marcador de golos. Para o ano, vai-se afirmar como um dos mlehores pontas de lança do futebol europeu - para mim, já é o melhor do futebol português.
Ou seja, Cardozo e Luisão não deveriam sair do Benfica por nenhum dinheiro.
Já Reyes é um caso complicado. De um ponto de vista estritamente desportivo, acho que o devíamos manter, e os 6,5 milhões não deviam ser um problema. O que sim pode ser um problema é o seu vencimento. Se é verdade que Reyes aufere o dobro de outros jogadores importantes na equipa, não creio que isso se justifique. Se o acordo com o jogador apontar para um salário mais razoável, então sim. Caso contrário, seria mais importante abrir os cordões à bolsa com Luisão e Cardozo do que dar um salário milionário a este jogador.
Di Maria é um jogador com lugar em qualquer equipa do Mundo, neste momento. Pessoalmente, gostaria muito de o ver no Benfica por muitos anos.
Tenho pena se Katsouranis sair. Mas parece que é mesmo essa a vontade do jogador, e sendo assim acho que o Benfica faz bem.
Dos outros, Aimar, claro, tem de ficar, tal como Ruben Amorim e Maxi Pereira.
Um caso à parte - Nuno Gomes. Nem se deve pôr a hipótese de não acabar a carreira no Glorioso.
A dispensar, talvez Jorge Ribeiro, que confirmou aqui que não é um defesa esquerdo, e Felipe Bastos por empréstimo, para se ver o que vale.
Assinámos contrato com ele por dois anos. A viagem vai a meio. O homem parece inteligente, creio que está a aprender com os erros e que pode montar melhor a equipa para o ano. O Benfica não ganhou nada em mudar de treinador todos os anos. O Jorge Jesus aguentaria a pressão? Quanto tempo?
Ficar com Quique seria, a meu ver, prova de serenidade em tempos de ferro e fogo, a prova cabal de que existe, realmente, a tão falada linha de rumo, e que o Benfica não é gerido de fora para dentro, consoante as pressões. Além do mais, pagar 3,5 milhões de euros para rescindir contrato com um treinador contratado por dois anos, só mostra uma coisa, a meu ver: fraqueza de convicções.
Vamos fazer diferente este ano, boa? Claro que acho que o Quique é a grande desilusão do ano, e que, com os jogadores que temos, descontados alguns evidentes erros de casting, deveríamos ter feito melhor! Mas acho que, se ele tiver aprendido com os erros, se usar o conhecimento do futebol português e do Benfica que existe, dentro do clube (Diamantino, Chalana, Rui Costa, alguns jogadores), se estudar melhor os adversários, podemos ter um ano bom. E damos um sinal, para dentro de para fora, de que existe responsabilidade e genuína convicção nas opções que se tomam. Vamos parar com a bagunça, de uma vez por todas!
Pronto, agora podem cair-me em cima.
Já o disse publicamente e repito-o: Quique Flores merece uma avaliação justa por parte de quem está acima de si na hierarquia. Merece que essa avaliação não seja feita com base nos resultados, mas sim na observação das suas práticas diárias e na percepção fundamentada das possíveis e reais possibilidades de, sob o seu comando, virmos a construir uma equipa vencedora. Isto é o que defendo para este treinador.
Quique não merece o abandono precoce por parte de quem tem o dever de o defender. E todos os momentos em que o nosso treinador não seja defendido são sinais de abandono.
Quique mereceu aquela vitória de ontem. Foi uma vitória para o Benfica, foi uma vitória para Quique, foi a demonstração de que há muita gente no plantel que está com o treinador. Foi uma vitória sobre todos os que são sérios… a 'negociar' nas suas costas. Ontem, o 'quarto golo' foi de Quique, quando disse: «eu confirmo que sou uma pessoa muito respeitosa e que quando trabalho para uma equipa sou incapaz de ter uma conversa com qualquer dirigente de outra equipa. Sou assim, muito sério» Simples, com dedicatória, certeiro e bem claro.
'Golos' destes não há Soares Dias que os anulem, nem ‘reis da táctica’ que os contestem.
Pelo que se tem dito e escrito nos últimos dias, Quique merecia aquela vitória. Se Quique merece ou não continuar como treinador do Benfica, isso são contas para outros rosários…
Até pareceu fácil. Foi uma equipa muito personalizada do Benfica que, em Braga, aproveitou as oportunidades que teve, e manteve quase sempre o adversário controlado, mesmo tendo de lutar na segunda parte contra a adversidade adicional de uma arbitragem horrorosamente caseira. Não sei se o Jorge Jesus (a propósito, ele anda a fazer madeixas negras no cabelo, ou está envolvido em algum projecto ultra-secreto que envolve a recombinação dos genes capilares do seu DNA com os de um guaxinim?) virá para o Benfica ou não, mas neste momento, tendo em conta as notícias que circulam, o Quique deverá estar com um sorriso irónico na cara, sorriso esse plenamente justificado face ao que se passou hoje.
Foi um Benfica com muitas alterações aquele que entrou hoje em campo. A começar pela baliza, onde surgiu o Moreira no lugar do Quim, reassumindo uma titularidade que tinha sido perdida sem razão muito aparente. Na defesa, regressou o Jorge Ribeiro à esquerda, 'empurrando' o David Luíz para a sua posição natural no centro, ao lado do Sídnei. E à direita surgiu o Miguel Vítor, isto porque o Maxi subiu para médio direito, evitando assim a habitual adaptação do Rúben Amorim, que ocupou o seu lugar no centro ao lado do Katsouranis. Na frente, coube ao Di María o papel de apoiar o Cardozo. O Benfica teve, ao contrário do habitual, uma entrada forte no jogo. Notou-se desde o início que havia vontade em pressionar logo os jogadores do Braga no seu meio campo defensivo, o que acabou por ser um dos factores chave deste jogo, pois foram diversas as perdas de bola provocadas nesse sector. E a boa entrada do Benfica em jogo foi rapidamente recompensada, já que aos sete minutos, aproveitando um óptimo passe do Katsouranis, o Cardozo isolou-se e aproveitou a saída precipitada do guarda-redes adversário para inaugurar o marcador. Logo a seguir, um momento de alguma infelicidade com a lesão do David Luiz, mas ainda assim isto não foi de todo negativo, já que o Urreta, que foi quem o substituiu (foi ocupar o lugar do Maxi na direita, regressando este à lateral da defesa e o Miguel Vítor ao centro) teve uma contribuição bem positiva no jogo (apesar de uma das suas primeiras intervenções ter sido desastrosa, quase oferecendo um golo - valeu-nos o instinto matador e habilidade do Rentería). Antes do primeiro quarto de hora, o marcador voltou a funcionar para as nossas cores, desta vez com o Di María a interceptar um mau passe do Eduardo e depois, com calma, a ultrapassá-lo e a marcar de ângulo apertado.
O Braga parecia atordoado com os dois golos sofridos tão cedo, e só perto da meia hora começou a reagir, mas encontrou sempre pela frente uma equipa organizada e, em último caso, um Moreira atento. Entretanto, por essa altura, o árbitro do encontro resolveu começar a mostrar a sua motivação ao mostrar um amarelo ao mesmo Moreira por perda de tempo. Quem me dera ver este rigor em todos os árbitros que nos apitam em casa. Creio que nenhuma equipa terminaria um encontro na Luz com um guarda-redes na baliza. Mesmo com a reacção do Braga, o Benfica nunca se encolheu, e continuou a contra-atacar com perigo, pelo que nesta altura o jogo estava bastante agradável de seguir, adivinhando-se que poderiam surgir mais golos. O intervalo chegou com a nossa vantagem justa no marcador.
Para a segunda parte, previa-se uma entrada forte do Braga, na tentativa de marcar cedo para poder lançar alguma incerteza no resultado, mas quase nem deu tempo para ver o que quer que fosse. É que logo no reinício, após mais uma recuperação de bola no meio campo defensivo do Braga, o Di María assistiu de calcanhar (noutras paragens talvez isto fosse apelidado de 'magia') o Urreta que, com classe, entrou na área, ultrapassou um defesa, e marcou calmamente o terceiro golo. Se algumas dúvidas havia quanto ao vencedor, este lance dissipou-as. Mas ainda tínhamos mais de quarenta minutos pela frente. Só que o Benfica controlou sempre o jogo com relativa calma. O maior (e talvez único) susto foi dado numa jogada individual do Paulo César, que ultrapassou uma série de jogadores nossos e, isolado, atirou ao lado. Não fosse um árbitro ou muito competente, ou muito estúpido a querer mostrar serviço, e o jogo teria sido ainda mais calmo. O recém entrado Luís Aguiar teve duas entradas animais sobre o Katsouranis (e ainda bem que não acertou a primeira), que eventualmente até forçaram a sua substituição, e nem um amarelo (quem levou foi o Amorim). O Yebda, que entrou para o lugar dele, conseguiu estar apenas onze minutos em campo, sendo que o segundo amarelo poderia consistir um case study para o que é um cartão a pedido. A falta do Yebda (se é que existe) é a meio campo, e perfeitamente inócua. O árbitro assinala a falta, e só passados vários segundos, após a gritaria do Braga, resolve mostrar o segundo amarelo. Ridículo. Faltas sobre jogadores do Benfica, quase nem vê-las, sobretudo se fossem perto da área do Braga (o Reyes que o diga). Já o contrário, era sempre falta. Culminou com um penálti rigorosíssimo assinalado sobre os noventa minutos, que permitiu ao Braga alcançar o golo de honra. O Quique Flores, que só agora deve ter começado a perceber como é que tudo funciona por aqui, e que ser cavalheiro nestas coisas não serve de nada (já na primeira parte se tinha revoltado pelo assinalar de uma falta inexistente ao Di María quando este ficava isolado), perdeu as estribeiras e disse ao quarto árbitro 'Es una vergüenza!'. Foi expulso. Para a próxima, ele tem é que fazer gestos sugestivos com as mãos, ou saltar como um macaco junto ao banco enquanto tem atitudes de doente mental. Assim não será castigado de certeza.
A equipa num todo esteve de parabéns, embora tenhamos fraquejado um pouco pelo lado esquerdo da defesa durante alguns períodos da primeira parte (não aponto o dedo ao Jorge Ribeiro, já que ele teve pouco auxílio do Reyes nessas ocasiões). Bom jogo do Cardozo - está a ter um final de época muito bom e, sinceramente, considero que seria um erro monumental não o mantermos no plantel. Muito bem também o Di María (um golo e uma assistência), a jogar numa posição (segundo avançado) em que me parece render mais do que quando encostado às alas. Conforme referi antes, o Urretavizcaya teve também uma boa entrada em jogo, e marcou um óptimo golo. Menção também para o óptimo jogo que o Ruben Amorim fez. Não terá dado muito nas vistas, mas de uma forma discreta esteve um pouco por toda a parte. Finalmente, menciono também o regresso do Moreira à baliza. Tudo o que teve que fazer, fê-lo bem. Hoje, para variar dos últimos jogos, não sofremos um golo em cada remate que foi à baliza, e não merecia ter sido traído por aquele penálti.
O jogo de pouco ou nada interessava, a não ser por uma questão de brio. E esse objectivo, julgo, foi cumprido. A vitória não merece contestação, e hoje até foi contra o adversário e contra a má arbitragem. Agora, para a última jornada, reservo o desejo de mandar um capacho crónico do Porto para a Liga de Honra.
Os nossos gloriosos juniores ganharam aos corruptos no antro da máfia, por 2-0. É uma vitória importante, quando se previa que os andrades se preparavam para, também nos juniores, ganharem o campeonato. É muito fácil vir aqui dar estas notícias, eu sei. Acusar-me-ão de estar a desviar as atenções do que é realmente importante e de estar deliberadamente a ignorar os verdadeiros problemas do Benfica. Talvez sim, mas não posso deixar de escrever este post, sobretudo por três razões: em primeiro lugar, tratando-se dos juniores, podemos pelo menos pensar que as coisas poderão melhorar; em segundo lugar, esta equipa tem referências: Nélson Oliveira, que hoje marcou dois golos, David Simão e João Pereira são algumas delas; por fim, num tempo em que os corruptos na forma tentada são o exemplo em tudo para quase toda a gente, deu-me um prazer tremendo dar aquele título ao post.
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