"Chega-lhe que ainda bole", ou, como ela verdadeiramente diz, "tchega-lhe qu'inda bole", é uma expressão que a minha avó usa quando, depois acertar com uma pancada num bicho qualquer para o matar, este fica ainda a estrebuchar e a querer viver. Ora, lembrei-me desta expressão quando hoje li as nomeações dos árbitros para a próxima jornada, pois parece que alguém com poder para isso, depois de ter acertado com uma paulada (com um pau-mandado) no entusiasmo benfiquista no último domingo, quer acabar com ele enviando um apitadeiro que, não sendo aparentemente um pau-mandado, já por várias vezes deu provas da sua incapacidade para apitar jogos do Benfica.
Mas podem vir as pauladas que os senhores que mandam nos apitos quiserem. Este ano, mais até que no ano passado, fazem todo o sentido as palavras que o Carlos Miguel Silva aqui escreveu: Venham os Pedros Henriques, os Carlos Xistras, os Olegários, os Lucílios, os Vítores Pereiras; mandem-nos os sumaríssimos, anulem-nos golos, tirem-nos foras de jogos inexistentes, expulsem-nos jogadores sem razão, cubram-nos de cartões amarelos, roubem-nos penalties atrás de penalties, assinalem-nos faltas à frente da nossa grande área em catadupa no final dos jogos, cortem-nos o fio de jogo com faltas inexistentes, não assinalem agressões sobre os nossos jogadores, inventem regras novas (dêem a lei da vantagem mas se for golo nosso voltem atrás; anulem golos limpos por mãos inexistentes de jogadores nossos que estão de costas, e depois de penalties não assinalados), sejam coniventes com o anti-jogo dos nossos adversários, provoquem os nossos jogadores, trocem de nós e da nossa massa associativa; aticem-nos capangas, façam de conta que não houve Apito Dourado, fabriquem histórias nos pasquins, inventem problemas no nosso balneário, persigam os nossos adeptos e os nossos dirigentes.
Apesar do título parecer desenquadrado do blog para o qual escrevo, não está.
O título foi escolhido de forma propositada.
A campanha que começou a ser feita em volta deste jogador está a deixar-me um tanto ou quanto irritado. Os dirigentes da Associação Recreativa das Antas tudo andam a fazer para proteger o brutamontes.
Quer dizer, agora os adversários não podem tocar no menino senão ele parte, mas o menino pode jogar como se não houvesse amanhã, pode considerar tudo que mexe bola, confundir encosto de ombro com empurrões com o ombro, ou baralhar disputa de bola com ganhar a bola a qualquer custo.
Mas entendo a campanha. Tudo para pressionar os árbitros para que, daqui a pouco tempo, todo o jogador que ouse tirar uma bola limpa ao Hulk ou fazer uma falta normal seja expulso.
Por falar em expulsões, é preciso ter lata para que o treinador do único clube (dos 3 grandes) que este fim-de-semana foi ajudado pela arbitragem venha dizer "é fácil expulsar o Hulk". O brutamontes tem uma entrada a pé juntos por trás, devia ter levado logo ai vermelho directo e só leva 2ªamarelo, e o treinador da Associação Recreativa das Antas vem falar que "é fácil expulsar o Hulk".
Acho que devíamos propor umas alterações às regras do futebol sempre que o Hulk jogue. 1) O adversário que não tenha a bola deve dar 2 metros de distância ao Hulk para que ele possa jogar sem ninguém o incomodar. 2) Sempre que o adversário tiver a bola e o Hulk a pedir o adversário é obrigado a dar-lhe a bola; se optar por não lhe dar a bola, tudo o que acontecer daí para a frente para o Hulk ficar com a bola é legítimo.
Compreendo contudo esta preocupação com o Hulk, porque a Associação Recreativa das Antas sem o Hulk vale 0, e eles começam a ter noção disso mesmo.
Aliás, a Associação Recreativa das Antas anda mesmo muito preocupada este ano, ao ponto de um dos seus administradores, um tal de Matreiro Henriques, ter vindo tecer comentários à gestão do Benfica.
Os sinais começam a aparecer, temos de estar atentos.
Hoje fiz algo que não é muito habitual: entreti-me a ver um jogo de uma equipa que detesto, a contar para a pré-eliminatória da Champions League. Talvez o termo 'detesto' seja algo forte, mas a verdade é que, por mais boa vontade que tenha, é-me impossível simpatizar com uma equipa que utiliza camisolas que parecem feitas com as lonas das barracas da praia da Figueira. A equipa visitante era à partida a favorita para o jogo. Joga num campeonato com mais qualidade, tem melhores jogadores, e um treinador mais talentoso e experiente.
Mas após ter visto o jogo, tenho que dar o braço a torcer: a equipa visitada, apoiada por um público fantástico que encheu as bancadas do seu estádio, fez das tripas coração e até conseguiu disfarçar as suas fragilidades e falta de talento, equilibrando a partida durante largos períodos, e dando mesmo a ideia de que poderia conseguir uma surpresa no resultado. Para piorar, teve ainda o azar da arbitragem não ter sido nada amiga, com algumas decisões que, a serem tomadas ao contrário, poderiam ter ditado outro resultado. Mas no final, imperou a lei do mais forte, e os visitantes acabaram por sair com um resultado que os coloca em vantagem na eliminatória. De qualquer forma, não tenho problemas em admitir mérito a uma equipa, mesmo que eu a deteste, quando assim lhe é devido. Rendo-me por isso às evidências e admito que a equipa visitada está de parabéns pela raça demonstrada, por terem lutado do primeiro ao último minuto, e por terem contado com um público fantástico que se dedicou exclusivamente a apoiá-los durante todo o jogo.
Infelizmente para eles quando se pode, como a equipa visitante, contar com jogadores como Fábregas, Van Persie, Gallas ou Arshavin, a sorte está sempre mais inclinada a sorrir-lhes.
- As equipas do Carvalhal metem nojo porque não jogam futebol e são infantis. Jogam a qualquer coisa semelhante a futebol humano, porque não precisam da bola para nada, e gostam de brincar aos médicos, a julgar pela quantidade de vezes que se atiraram para o chão e pediram assistência;
O Adriano parece que não percebeu a realidade a que se vinculou ao assinar o contrato, depois acontecem-lhe estes acidentes. Se tivesse sido um jogador do Benfica, a esta hora já os avençados andavam a esfregar as mãos e a bater à porta da Maria José Morgado, mas, como não é, é bom que estejam quietinhos, porque os acidentes acontecem a qualquer um...
Se tivéssemos "estofo de campeão" (como gostam de dizer os catedráticos do esférico), ontem à noite teria havido pelo menos mais um acidente, felizmente não temos esse estofo, até porque não precisamos dele para sermos campeões (mesmo estando nós em Portugal).
Adenda: o Adriano não só não vai apresentar queixa deste acidente como ainda vai levar um processo disciplinar do clube (pegando nas palavras de um comentador aqui do blog, quem é que o manda andar a comer hóstias a horas tardias?).
Foi um duro contacto com a realidade do campeonato português esta noite. Reviver um cenário tantas vezes repetido. Encontrar pela frente uma equipa que apenas quer, a todo custo, evitar a derrota; que nada - nada - faz para vencer o jogo, que desde o primeiro minuto adopta as técnicas mais grosseiras de desperdício de tempo (e tendo em conta a regularidade com que isto acontece quando jogamos contra equipas orientadas por ele, ninguém me consegue convencer que isto não são instruções específicas do merdas do Carvalhal - peço desculpa pelo termo, mas aquele tipo não me merece o mínimo de respeito) e que, por ironia do destino, parece ter toda a sorte do mundo do seu lado. É a bola que bate no poste, é o guarda-redes que arranca uma exibição impossível, é o golo que cai do céu praticamente na primeira e única vez que entram na nossa área, são as oportunidades desperdiçadas em catadupa pelos nossos jogadores, tudo parece estar contra nós. No final saimos do estádio com uma tremenda sensação de injustiça.
Claro que isto não é apenas o destino, o Benfica também se pode queixar de si próprio. A primeira parte foi, comparativamente ao que produzimos na pré-época, mais fraca, sobretudo por falta de velocidade. Houve menos Aimar e Saviola; apesar de bastante activo, menos inspiração do Di María e, sobretudo, muito menos Cardozo, que hoje parecia estar naqueles dias em que se ficasse lá o resto da noite provavelmente não marcaria. Os dois laterais adaptados, David Luiz à esquerda e Rúben Amorim à direita, talvez dêem segurança defensiva mas tiram-nos dinâmica ofensiva. Cedo perdemos o Carlos Martins (num lance em que é ele quem faz uma falta desnecessária à entrada da área adversária), mas não ficámos a perder com a entrada do Coentrão. O Aimar ainda acertou na barra, num livre, mas a primeira parte, pelo menos nos períodos em que se conseguiu jogar (entre as sucessivas assistências médicas ao guarda-redes do Marítimo) já deixava antever que, perante uma equipa que defendia com unhas e dentes, colocando dez jogadores acantonados num espaço de menos de quarenta metros à frente da sua baliza, a nossa tarefa não seria fácil. Mais difícil ficou quando, caída do céu, a vantagem chegou para o Marítimo, através de um penálti, e até ao intervalo não conseguimos ameaçar a baliza adversária em muitas ocasiões.
A segunda parte pode resumir-se na palavra 'massacre'. O mote foi dado nos primeiros minutos, com o guarda-redes adversário, miraculosamente recuperado da fractura múltipla de vértebras de que parecia padecer, defendeu de forma incrível um cabeceamento do Coentrão. A partir daqui foi um festival de oportunidades criadas e de defesas em catadupa ou de falhanços da nossa parte. O Marítimo foi simplesmente inexistente durante a segunda parte, em que o Benfica tudo tentou para chegar ao golo, mas parecia estar escrito que esta seria uma noite de desilusão. Uma estatística chegou a mostrar o incrível número de 75% de posse de bola para as nossas cores, mas quanto ao que realmente interessa, que é a bola entrar na baliza adversária, nada feito. O Benfica já jogava com o Coentrão a lateral-esquerdo, e com três avançados em campo, mas nem sequer de penálti lá chegávamos. Até nem me pareceu que o penálti tivesse sido particularmente mal marcado pelo Cardozo, mas o guarda-redes voou e foi lá buscar a bola. Só muito perto do final, a cerca de três minutos, conseguimos evitar aquilo que seria uma injustiça ainda maior quando, tal como tantas vezes aconteceu na pré-época, o Coentrão marcou um livre para a área que proporcionou um cabeceamento vitorioso. Foi do Weldon, que saiu do banco para marcar. E apesar do pouco tempo que restava para o apito final, ainda conseguimos criar pelo menos três oportunidades para vencer o jogo, mas a falta de acerto dos nossos jogadores acabou por ditar o injustíssimo empate final. A equipa saiu do campo sob aplausos: um reconhecimento justo do esforço que fizeram para alcançar o que seria uma merecida vitória.
Do jogo de hoje resulta sobretudo frustração. Se é para escolher alguém para elogiar, digo que gostei do Coentrão e do Javi García. Menos bem o Cardozo, que nem de penálti conseguiu marcar.
Tanta falta de sorte não se pode repetir muitas vezes. O que jogámos hoje foi mais do que o suficiente não para ganhar, mas para golear. Dias mais felizes, espero, virão.
Dentro de menos de 3 horas começa verdadeiramente, para a maioria dos portugueses, o campeonato 2009/2010.
A expectativa é elevada, a ansiedade também. Apesar dos bons indicadores da pré-época, agora existe a pressão de vencer e o receio de que "forças externas" possam interferir.
Mas apesar de tudo, é também grande a esperança, maior do que em épocas anteriores, de que o Benfica terá um bom começo. Se o Benfica conseguir pôr em prática o que demonstrou na pré-época, estou convicto que a vitória surgirá com naturalidade.
Acima de tudo, estou certo que o meu Benfica irá fazer tudo o que estiver ao alcance para vencer o jogo!
Daqui a alguns instantes estarei a caminho de uma "casa" que espero estar cheia.
VIVA O BENFICA!!!!!!!!
Aproxima-se a passos largos o início da Liga e estou naturalmente confiante (deixa-me cá arranjar um pedaço de madeira em que bater três vezes que a cabeça do Bettencotonete não está à mão).
Os outros é que têm as estratégias brilhantes, a fina ironia, a liderança exemplar e todas, mas mesmo todas, as pessoas capazes (talvez com a excepção de um ou outro que anda por aí a ladrar às portas que se lhe não abrem) e os outros é que têm o futuro garantido e preparado.
O Benfica que, na opinião dos iluminados, não prepara o futuro competitivo do plantel tem o David Luiz com 22 anos, internacional sub-20 e com fortes perspectivas de chegar à Selecção Brasileira; tem o Di Maria com 21 anos, internacional A pela Argentina e um dos mais promissores futebolistas da actualidade; tem o Sidnei com 20 anos, internacional sub-20 pelo Brasil e com uma excelente margem de progressão; tem o Ramires com 22 anos, internacional A pelo Brasil e um dos futebolistas em quem Dunga aposta para o próximo Mundial; tem o Urreta com 19 anos, internacional sub-20 pelo Uruguai e um dos melhores futebolistas do último campeonato sul-americano de sub-20; tem o Javi Garcia com 22 anos, fruto das escolas do Real Madrid, elogiado por Camacho e Juande Ramos em Espanha e que, a julgar pela pré-época, tem um futuro brilhante; tem o Fábio Coentrão, com 21 anos, finalmente decidido a comportar-se como um profissional e a comprovar o imenso talento que se lhe reconhece; tem o Roderick ainda de cueiros e a dar garantias de que poderá ser um central na linhagem de Humberto, Mozer ou Ricardo; tem o Miguel Vítor com 20 anos, fruto das nossas escolas, internacional sub-19, sub-20 e sub-21, e uma das maiores promessas do futebol português; tem o Patric com 20 anos (a quem alguns, sofrendo de ejaculação precoce, lêem num possível empréstimo o fracasso do futebolista), internacional sub-20 pelo Brasil.
Ia falar do Ruben Amorim, que tem 24 anos, mas como já li, vi e ouvi alguns dos excelsos jornalistas desportivos portugueses dizerem de um determinado futebolista com 25 anos que tinha vindo para o Benfica gozar a pré-reforma…
E, deste modo, meus caros consócios benfiquistas, não nos esqueçamos de que os outros é que têm estratégia, liderança e capacidade de preparar os plantéis do futuro.
Publicamente, procuro defender todo e qualquer futebolista do Benfica, mesmo aqueles que não merecem defesa alguma.
Quim é dos futebolistas que publicamente defendi e defendo com sinceridade e sem grandes reservas.
No sábado, Quim podia, mais uma vez, ter reconquistado (se é que algum dia a perdeu) a simpatia da maioria dos exigentes adeptos benfiquistas. Defendeu 4 (quatro!) grandes penalidades de futebolistas do AC Milan. Podia ter sido o herói idolatrado, aquele que os adeptos conduzem ao altar não para o imolamento mas sim para a consagração. Podia, mas não foi.
Depois de ter defendido a quarta grande penalidade e de ter garantido a conquista da Eusébio Cup, Quim decidiu festejar não com os adeptos, mas contra os adeptos. Mandou-os calar. Mandou-nos calar.
No final do jogo “justificou-se” dizendo que o gesto foi de raiva, pois «Algumas pessoas diziam que tinha acabado a carreira, todos os dias estava dispensado, diziam que estava a perder qualidades.» [link]
Enganou-se no alvo. Primeiro, os adeptos do Benfica não são as “algumas pessoas” que lhe antecipavam o fim da carreira e injustamente lhe apontavam a decadência das qualidades. Se benfiquistas houve que desse modo se manifestaram, foi uma minoria despicienda e sem que se lhes possa atribuir a importância de lhes dedicar tão ofensivo gesto. Depois, e se bem me lembro, esse tipo de sentença surgia repetidamente por parte de uns quantos opinadores de ocasião em canais televisivos como a SIC Notícias ou a patética TVI 24 e em prosas desprezíveis nos jornais do costume escritas pelos habituais palermas de ocasião.
Deste modo, não posso, enquanto adepto, deixar de lembrar o nosso guarda-redes de que o silêncio que, injustamente, pediu aos adeptos devia ser o silêncio que, justamente, ele próprio se devia impor na sua relação com aqueles que, na comunicação social, lhe anteciparam o fim da carreira.
Para finalizar, espero que o nosso Quim possa repetir este gesto dirigindo-se aos adeptos adversários quando, em casa deles, defender tudo, até aqueles penáltis à portuguesa que os Jorge Sousas da vida certamente se encarregarão de assinalar para agradar ao dono. Será bom sinal, será o sinal de que o Quim, além de bom guarda redes que é, estará a ser o porta-voz do grito dos adeptos benfiquistas… e nunca aquele que os mandou calar na celebração de uma vitória.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.