
Será que alguém ainda, teimosamente, continua a ter dúvidas sobre o valor da equipa do Benfica esta época? Será que o Nacional agora também já passou a ser 'fraquinho' (já nem tem piada dizer isto, tantas foram as vezes que o repetimos esta época)? O Manuel 'Chicharro' Machado bem tentou travar-nos, bem auxiliado por uns árbitros assistentes manhosos, mas saiu da Luz, como outros antes dele, vergado ao peso de uma goleada. E acho que poucos treinadores há em Portugal que eu goste mais de ver goleados. Levou o Chicharro meia dúzia para contar, e levaram os jogadores do Nacional, que durante a semana andaram cheios de bazófia.
A única surpresa no onze (e acabou mesmo por ser uma surpresa grande) foi a colocação do Fábio Coentrão de início, na posição de lateral esquerdo. Terá sido uma opção forçada, face à lesão do César Peixoto no aquecimento, mas acabou por resultar em cheio. E a opção (de algum risco) pelo Coentrão para o lugar tem mérito, porque se calhar a solução mais fácil e óbvia teria sido colocar o David Luiz na esquerda. Do outro lado, e para não variar, o treinador do Nacional aproveitou para apresentar a táctica de três centrais que na Liga, todos os anos, utiliza apenas contra o Benfica, e que apresenta um meio campo sobrepovoado, no qual o Ruben Micael era quem apoiava mais de perto o único avançado. O jogo acabou por decorrer de forma muito semelhante ao jogo que fizemos com o Everton. Fiquei com a sensação que o Benfica não se entendeu muito bem de início com as marcações adversárias, e com os muitos adversários que o Nacional colocava no centro do campo, o que resultou em muitos passes falhados na fase inicial do jogo. O Aimar era vigiado de perto, e esteve discreto nesta fase. O resultado foi um jogo algo lento e previsível nos primeiros minutos. Mas, à semelhança do jogo com o Everton, marcámos na primeira oportunidade que criámos, pouco depois do quarto de hora de jogo. E que oportunidade, já que foi uma jogada de ataque perfeita, que começou num rasgo individual do Aimar a meio campo, libertando-se de dois adversários para, depois de tabelar com um colega, descobrir a subida do Fábio Coentrão na esquerda, que centrou rasteiro para a finalização fácil do Cardozo (e se o Cardozo não marcasse, ainda estava lá o Saviola para o que desse e viesse).
Sem mudar muito o ritmo de jogo, conseguimos pouco depois criar uma oportunidade flagrante para aumentar a vantagem, só que o Di María, isolado por um passe do Saviola, conseguiu literalmente acertar no guarda-redes adversário. Mas dez minutos após o nosso golo, surgiu o inesperado golo do Nacional. Após uma perda de bola ainda no meio campo adversário, a bola foi colocada nas costas da nossa defesa, que me pareceu hesitar algo (em particular o Luisão) à espera do fora-de-jogo, o que permitiu que o jogador do Nacional fugisse e, descaído sobre a direita, com um remate rasteiro cruzado empatasse o jogo. O Benfica - e os benfiquistas - reagiram da melhor forma ao golo, e também aqui se nota uma enorme diferença para épocas passadas. Não só a equipa não baixou os braços, em vez disso carregando sobre o adversário, como o público, todos os mais de 47.000 que se deslocaram hoje à Luz, e que se calhar em épocas recentes reagiria com assobios, respondeu com gritos de 'Benfica, Benfica!'. A comunhão entre equipa e adeptos neste momento é quase perfeita, e esta noite voltou-se a assistir a isto. A resposta do Benfica foi marcar poucos minutos depois de ter consentido o empate, pelo Saviola na recarga a um cabeceamento do Luisão, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo do Saviola. Depois foi o Ramires que, isolado por mais um grande passe do Coentrão, imitou o Di Maria e conseguiu rematar contra o guarda-redes do Nacional. Mas a cinco minutos do intervalo, marcámos o merecido segundo golo. Canto do Aimar, a atrasar a bola para o Coentrão, e este com um cruzamento largo encontrou o baixinho Saviola no sítio do costume, a fugir à marcação no segundo poste e a finalizar exemplarmente de cabeça. E de cada vez que vejo este pequeno génio argentino marcar um golo ou encher o campo, dá-me um prazer especial lembrar-me de todos quantos vaticinaram, aquando da sua contratação, que era um jogador acabado, sem ambição, e que vinha para Portugal gozar a reforma. Ainda antes do intervalo, poderíamos ter voltado a marcar, mas desperdiçámos um contra-ataque em flagrante superioridade numérica, pois o passe do Cardozo para o Ramires saiu um pouco comprido.
A segunda parte, tal como no jogo com o Everton, foi para arrasar o adversário. Entrámos fortes, e logo aos dois minutos foi assinalado penálti sobre o Aimar, que o Cardozo não perdoou. Já tinha comentado ao intervalo que se marcássemos o terceiro, o Chicharro de certeza que retiraria um dos centrais e seria o descalabro. E conforme previsto, dez minutos após o nosso golo foi isso mesmo que sucedeu. Bastou esperarmos cinco minutos e já o marcador funcionava outra vez, quando o Saviola aproveitou uma atrapalhação do Cardozo, que não conseguiu concretizar mais um centro do Coentrão (antes disso já poderíamos ter marcado, mas o mesmo auxiliar que deixou a bandeira em baixo no lance do golo do Nacional estava agora com olho de lince e levantava a bandeira por dá cá aquela palha). O nosso treinador, entretanto, aproveitou para mandar um recadinho ao Chicharro. Quem quiser escandalizar-se, está à vontade. Quanto a mim, e tendo em conta as sucessivas faltas de respeito que este tipo tem tido ao longo dos anos pelo Benfica (aliadas às constantes submissões ao fóculporto), não me importei nada, e só tenho pena que o Jorge Jesus não tenha feito o mesmo gesto, mas com seis dedos, no final do jogo.
Sim, porque, conforme nos tem vindo a habituar, para o Benfica chegar aos quatro golos não é sinónimo de deixar de carregar, e parecia evidente para quem via o jogo que a probabilidade de aumentarmos a nossa vantagem era grande. O que acabou por acontecer já nos minutos finais. Pelo meio, mais um episódio algo caricato do longo historial do Carlos Martins com as lesões, já que ele entrou em campo aos setenta e três minutos, lesionou-se logo no primeiro lance (aparentemente inofensivo) que disputou, e saiu cinco minutos depois. Quanto aos golos, o quinto surgiu a quatro minutos do final, com o Nuno Gomes a fazer a recarga a um livre do David Luiz (o livre custou a expulsão do Patacas, por acumulação de amarelos e, diga-se, fiquei até com a sensação que houve penálti cometido pela barreira do Nacional, já que o remate do David Luiz pareceu-me ter sido desviado pela mão de um dos jogadores), e o quinto sexto já nos descontos, em novo penálti do Cardozo, desta vez a castigar uma falta sobre o Ramires (e a valer mais uma expulsão de um jogador do Nacional, desta vez com vermelho directo, já que o Ramires estava isolado).
Têm sido tantas as goleadas, e tantos jogadores a jogar bem que este exercício de escolher melhores ou piores no final dos jogos anda a tornar-se algo difícil. Por isso nem vou dizer se ele foi o melhor ou não, mas quero destacar a exibição da 'surpresa' Fábio Coentrão na lateral esquerda. Claro que ele se destacou muito na vertente ofensiva, tendo feito as assistências para os dois primeiros golos, e ainda estado directamente envolvido no quarto. Mas mesmo na defesa não comprometeu, e apesar de ter parecido algo nervoso no início do jogo, depressa acalmou e efectuou vários cortes e recuperações de bola. Será uma opção a ter em conta para jogos na Luz, em que os adversários se apresentem fechados na sua defesa e joguem com poucos jogadores ofensivos. Depois, os suspeitos do costume: Saviola (mais um grande jogo), Di María, Aimar, etc, etc (e o 'etc', se calhar, até dava para englobar a equipa toda).
O 'europeu' Nacional, conquistador do Zenit St.Petersburgo, que tantos elogios tem recebido esta época, foi despromovido à categoria de 'muito fraquinho' no espaço de hora e meia. Levou um cabaz de meia dúzia para a Madeira, levou um bailinho (e ouviu o público da Luz cantá-lo também), e deveria ser processado pelos milhares de lagartos e andrades que neles depositavam esperanças para esta noite (foram lestos a enviar-nos mensagens quando o Nacional marcou, mas no final, respondi-lhes à Maradona: 'Chupalo... y sigue chupando'). E é ainda mais importante esta vitória quando atentamos ao facto de termos tido uma arbitragem manhosa, sobretudo na primeira parte, enquanto a coisa estava equilibrada, e sobretudo com muitas decisões 'estranhas' do auxiliar colocado do lado dos bancos das equipas. Tive algum receio com a questão dos cartões, até porque os jogadores do Nacional pareciam muito interessados em envolverem-se em quezílias com os nossos jogadores - o que valeu, por exemplo, um amarelo ao Luisão. Parece que os prémios que, dizem os rumores, andam a ser oferecidos aos nossos adversários desde a primeira jornada para nos tirarem pontos andam a deixá-los muito nervosos. Quanto a mim, e na questão dos nervos, agradeço é ao Benfica por me andar a poupá-los. É que agora só fico um bocadinho nervoso quando o Benfica não está a ganhar após um quarto de hora de jogo. E no final de cada jogo, sou sempre recompensado pelo mar de sorrisos que vejo sair da Luz.
Por este andar, para o ano temos uma 2ª divisão com umas 40 equipas (incluindo equipas de outros países, como Inglaterra).
O cerco continua a apertar. Está tudo aflito com a força do Benfica, e o polvo move-se. Alerta!
A falta de vergonha de grande parte da imprensa desportiva deste país (manietada por lagartos – ressabiados - e andrades – assustados - estrategicamente colocados em lugares-chave) não tem limites. Claro que já o esperávamos, mas as técnicas utilizadas para relativizar e diminuir a evidente valia da avassaladora exibição e vitória do Glorioso contra o Everton não deixam de surpreender pela criatividade da manipulação de factos e, bom, pela olímpica estupidez. Vamos lá ver uma coisa:
Algumas sugestões para banda sonora desta nossa época que se antevê Gloriosa!
"Venham Mais Cinco" (Zeca Afonso) - antes de cada jogo em casa
"Ritorna Vincitor!" (Verdi) - antes de cada jogo fora
"Jesus Christ Superstar" (Andrew Llloyd Webber) - sempre que apareça o Jorge Jesus
"Another One Bites the Dust" (Queen) - no final de cada vitória
"They All Laughed" (George and Ira Gershwin) - no final da época
Mandaram-me isto hoje. Até chorei. O Benfica somos nós. Todos. Assim:
1 - A dois minutos do fim, com o resultado em 5-0, Jorge Jesus esbracejava, corrigia posições e exigia como se o jogo estivesse empatado.
2 - Recentemente (aconteceu com o Simão, com o Rui Costa ou com o Miccoli) dei comigo a ir à Luz também com o objectivo de beber a qualidade de futebolistas que, adivinhava-se, brevemente poderia deixar de ver com a nossa camisola. Este ano acontece-me o mesmo com Di Maria. Somos uns privilegiados: eu por poder ver o Di com a camisola do Benfica, ele por poder jogar no Glorioso.
3 - Grande parte da comunicação social portuguesa justificou a vitória do Benfica com as fraquezas do Everton. Grande parte da comunicação social inglesa justificou a derrota do Everton com a força do Benfica.
4 - Euforia. Sim, estou eufórico com o Benfica. Espero que os futebolistas não estejam, mas eu, como adepto, estou e tenho motivos para isso. Se esta euforia preocupa andrades e deprime lagartos… melhor ainda.
5 - Ontem, durante o jogo, um amigo benfiquista enviou-me uma SMS que dizia “O reencontro com a história”. Também me parece que sim.
Nem foi preciso forçar muito. Bastou o Benfica acelerar um pouco durante alguns minutos, e isso foi suficiente para deixarmos o Everton esfrangalhado, anular a goleada que eles tinham inflingido ao AEK, e assumirmos a liderança do nosso grupo da Liga Europa. Esta competição pode não ser um objectivo prioritário esta época, mas a diferença de valor entre nós e as outras equipas do grupo é tão grande que seria quase criminoso não nos apurarmos.
No Benfica, regresso natural dos 'ilustres' do meio campo para a frente, que tinham estado ausentes no jogo da Taça de Portugal. A única surpresa acabou por ser o Maxi ter sido preterido pelo Rúben na direita, mas como sabemos, não é por isso que ficamos mais fracos, pois o Rúben sabe dar bem conta do recado. O Benfica teve uma entrada forte no jogo, e antes dos cinco minutos já o Luisão, por duas vezes, poderia ter inaugurado o marcador, mas na primeira ocasião não acertou na bola quando o passe do Aimar o encontrou desmarcado na área, e na segunda cabeceou para fora. Apesar de não ser exuberante, o futebol do Benfica era suficiente para dominar o jogo e foi por isso com naturalidade que chegámos ao golo, quando um cruzamento do Di María na esquerda foi encontrar o Saviola no seu lugar quase habitual ao segundo poste, e este rematou de primeira, com a bola ainda a bater no chão antes de entrar. A partir daqui, o Benfica pareceu acomodar-se um pouco. A velocidade baixou bastante, e baixaram também as linhas de pressão, já que quando o adversário tinha a bola limitavamo-nos a esperar por ele no nosso meio campo. Confesso que me irritei um pouco com esta forma de jogar, sobretudo porque era evidente que ao Benfica, bastar-lhe-ia acelerar um pouco para conseguir desbaratar esta equipa do Everton. Nos últimos cinco minutos da primeira parte, como que a prová-lo, o Benfica acelerou um pouco mais, e imediatamente voltou a criar perigo.
A entrada para a segunda parte foi simplesmente arrasadora. Nem deu tempo para os ingleses respirarem, porque em apenas seis minutos marcámos três golos e arrumámos a questão. Quanto ao vencedor, claro, não quanto ao resultado, porque vistas bem as coisas o cinco a zero final, quando muito, peca por escasso. Logo aos dois minutos o Saviola escapou-se pela esquerda, e assistiu o Cardozo para o seu primeiro golo da noite. Um minuto depois foi o Di María, mais uma vez pela esquerda, a voltar a assistir o paraguaio para uma finalização fácil de cabeça. E três minutos mais tarde, canto do Aimar para um cabeceamento vitorioso do Luisão. O Everton estava completamente atordoado, e a velocidade e movimentação dos nossos jogadores - o Aimar, ao contrário da primeira parte, deixou de se esconder tanto do jogo, o Ramires parecia outro jogador, e o Javi García dominou por completo a sua zona - abriam brechas na defesa adversária com facilidade, e as oportunidades sucediam-se. O Di María esteve perto de marcar o golo que tanto mereceu, mas o seu remate acertou na barra, e o Cardozo viu o hat trick ser-lhe negado pelo guarda-redes Howard. O marcador só voltou a funcionar a sete minutos do final, quando mais uma vez o Di María fugiu pela esquerda (grande passe do David Luiz), e assistiu o Saviola para mais um golo fácil. E mesmo assim o Benfica não parou de carregar, com os nossos jogadores a transmitirem para as bancadas uma enorme alegria e vontade de jogar futebol bonito.
O destaque maior deste jogo tem que ser para o Di María. Três assistências, e quase sempre o jogador mais activo e perigoso na nossa equipa. Mesmo durante o período mais aborrecido da primeira parte, jogou sempre a uma rotação mais elevada que o resto dos jogadores. Ficou só a faltar-lhe um merecido golo, que tão bem ficaria naquela jogada em que acertou na barra. Depois, tenho que mencionar também o Saviola. Quem me conhece já sabe da enorme admiração que tenho por este jogador, e hoje ele voltou a ser brilhante. Dois golos e uma assistência é o registo que fica, mas a inteligência com que se movimenta em campo e se desmarca é um luxo de se ver. E a isto junta pormenores técnicos simplesmente deliciosos. Podia mencionar vários outros jogadores também, mas refiro o Javi García porque se calhar às vezes o trabalho dele passa mais despercebido, por ter tantos artistas a jogar à sua frente. Como de costume, ele dominou completamente o meio campo, e perdi a conta às bolas que recuperou e aos ataques que se iniciaram nos seus pés.
Com os resultados desta noite, assumimos a liderança do grupo, e uma vantagem decisiva num eventual desempate com o Everton. Fica assim mais próximo o objectivo de nos apurarmos para a próxima fase, e fica mais uma vez repleto o ânimo dos benfiquistas, após mais uma exibição convincente, recompensada com uma goleada (a maior derrota de sempre do Everton numa competição europeia). Podem agora os aziados do costume virem dizer que o Everton é fraquinho, e que lhe faltavam jogadores. A satisfação com que saí esta noite da Luz, tal como já o fiz várias vezes esta época, já ninguém ma tira.
Será que agora também vão dizer que o Everton é fraquinho e devia jogar na 2ª divisão?
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