Miguel Sousa Tavares prestou-se também hoje, na sua crónica publicada no jornal “A Bola”, a fazer uma figura pouco digna para quem se leva a sério e para quem quer que os outros o levem a sério.
Nesta crónica, MST resvala para o campo da demagogia desavergonhada. Apenas num momento de pura e suja demagogia alguém mete o passado de digna e louvável luta anti-fascista da família (e o pai dele sim, foi um lutador contra tiranos e corruptos como o que ele hoje tentou branquear. Tal como a mãe do dito denunciou, e de que maneira, o poder sujo da tirania) para fazer uma porca e desonesta comparação entre a PIDE e um processo mal parido e pior julgado que envolve o dono do seu clube. Aquilo que MST hoje escreveu nem pode ser considerado desonestidade intelectual, pois a desonestidade nem sempre necessita ser adjectivada.
Tenho para mim que é sempre feio ver um puto cuspir na sopa, mas é muito pior ver um filho escarrar na memória dos progenitores. Nuns casos, dá-se um pedagógico estalo. Noutros casos – porque, apesar do cheiro, já não estamos a falar de fedelhos em cueiros sujos – dá-se-lhe um cigarro ou um copo de whisky. Não resolve, mas pelo menos acalma a toleirice e dá ao tolo a desculpa da putativa bebedeira.
Há sempre uma outra solução para a deturpação da verdade que MST escreveu sobre Luís Filipe Vieira: fazer queixinhas ao presidente do Benfica e, publicamente, instá-lo a levantar um processo contra o opinador. Mas isso seria uma atitude reles, digna de gente mesquinha, birrenta e com uma visão tacanha da democracia. Este tipo de atitudes não é a dos benfiquistas, tal como nunca foi a do Francisco ou da Sophia. E por falar em Sophia, ocorrem-me hoje dois versos actuais e apropriados ao que se vai lendo “Porque os outros usam a virtude / Para comprar o que não tem perdão.”
E pronto, era preciso ganhar em Vila do Conde para garantirmos a passagem às meias-finais da Taça da Liga, e foi-se ganhar a Vila do Conde pela segunda vez no espaço de duas semanas. Isto perante a fantástica massa adepta benfiquista do norte do país, que encheu as bancadas do Estádio dos Arcos mais uma vez.
Já escrevi antes sobre a pouca importância que dou a esta competição, mas o Benfica quando entra seja em que competição for, tem que jogar para ganhar, e foi portanto uma equipa praticamente titular aquela que iniciou hoje o jogo. Alterações ao onze padrão apenas o Moreira na baliza, o Carlos Martins no lugar do Ramires, e o Fábio Coentrão no do Peixoto. O Rio Ave deu ideia de ter entrado um pouco melhor no jogo, mas ao fim do primeiro quarto de hora já o Benfica tinha invertido isto, pegando no jogo e partindo na procura da vitória de que necessitava. Ao contrário do jogo para a Liga, em que a primeira parte tinha sido fraca, desta vez o Benfica não ficou à espera do intervalo para impor a sua superioridade. Sem deslumbrar, o Benfica ia dominando e criando situações de algum perigo, que na sua grande maioria acabaram desperdiçadas devido à pouca inspiração no momento do passe final. Ou os centros eram demasiado largos, ou os passes demasiado curtos, ou então demorava-se um segundo a mais a decidir, e o remate acabava por não surgir. O Aimar esteve desinspirado esta noite, e isso notava-se, e mesmo o Saviola não estava nos seus melhores dias. Por isso, e apesar do jogo mostrar uma cara diferente da do jogo da Liga, o resultado ao intervalo era o mesmo: um nulo no marcador.
E tal como no jogo a contar para a Liga, após o intervalo não foi preciso esperar muito para vermos um golo do Benfica. Foi aos quatro minutos, num bonito remate cruzado do Carlos Martins, sobre a direita, após passe do Cardozo. Dada a superioridade que o Benfica já mostrava antes do golo, depois de obtida a vantagem pensei que pudéssemos assistir, mais uma vez à semelhança do jogo anterior, ao Benfica a gerir tranquilamente a vantagem. Mas as semelhanças com esse jogo terminaram abruptamente cinco minutos depois, quando o árbitro descortinou uma falta do David Luiz num desarme de carrinho dentro da área, e o Rio Ave aproveitou o respectivo penálti para empatar (pena que o árbitro não tenha tido o mesmo critério ou coragem para apitar em duas outras situações, passadas dentro da área do Rio Ave). O Benfica abanou um pouco com o golo sofrido, e durante alguns minutos não conseguiu ter o mesmo controlo no jogo, mas voltou a reassumi-lo para dominar completamente durante os vinte minutos finais. Logo a seguir a de um susto, quando o Rio Ave obrigou o Moreira a fazer a única defesa digna desse nome durante o jogo, acabámos por marcar praticamente na resposta, com o Di María, desmarcado na esquerda pelo Cardozo, a isolar-se e a rematar cruzado. Faltavam nesta altura quinze minutos para o final, e durante este período foi sempre o Benfica quem esteve mais perto de voltar a marcar, sendo o momento de maior perigo quando o estreante Kardec conseguiu acertar duas vezes consecutivas no poste. Pena que não tenhamos conseguido voltar a marcar, já que mais um golo significaria a vantagem uma maior probabilidade de jogarmos a meia-final em casa.
Destaco o Cardozo, que apesar de não ter marcado fez as assistências para os nossos dois golos. Também gostei do Di María, que foi dos mais activos no jogo, criando situações de perigo e sendo recompensado com o golo decisivo. Também gostei de ver o Maxi, sobretudo na segunda parte, em que controlou o seu lado à vontade e apoiou várias vezes o ataque com perigo. Quem esteve menos bem hoje foi o Aimar, que teve algumas perdas de bola e demasiados passes errados para aquilo que lhe é habitual.
Nas meias-finais já estamos, agora lá teremos corremos o risco de ter que ir jogar o acesso à final a casa do sportém ou dos andrades, já daqui a duas semanas e meia. É mantermos a mesma atitude desta noite, e jogarmos para ganhar.
É com satisfação que vou assistindo ao lento definhar de um velho, doente e bafiento sistema, que durante décadas tem controlado e estrangulado o futebol português. Mais me satisfaz ainda quando vejo que, antevendo um fim próximo, o desvario o leva a dar tiros nos pés e a cometer asneiras infantis, quais estertores desconexos de um moribundo.
É por erros destes que, por exemplo, vemos "a mais eficaz gestão desportiva de que há memória em Portugal" contratar uma mão cheia de argentinos, planeando 'exemplarmente' o plantel para toda uma época, e depois nenhum deles servir e terem que ir a correr descobrir petróleo para poderem ir à Madeira às compras. Ou que vemos jogadores seus suspensos preventivamente como consequência de uma lei por eles aprovada (e em cuja votação o Benfica se absteve), após esses mesmos jogadores, sempre exemplarmente geridos, se terem envolvido em cenas de pancadaria com seguranças no túnel da Luz - já agora, gostaria de saber se as constantes e públicas pressões do fóculporto sobre o Conselho de Disciplina da Liga relativamente a este processo não poderiam ser designadas por um termo com o qual o público esteja familiarizado. Por exemplo, 'coacção'?
Relativamente ao 'caso' do túnel da Luz, acabámos de assistir a mais um estertor do moribundo. Lançando presumivelmente mão dos seus avençados na imprensa, vemos agora o inefável Pasquim e o seu primo direito CM informarem-nos (aproveitando uma notícia da Lusa, que tão boas relações tem connosco) que, afinal, o ano passado já teriam havido confrontos com jogadores andrades no túnel da Luz. A lógica perversa subjacente que nos tentam impingir é óbvia: se já o ano passado houve confrontos no perigoso e armadilhado túnel da Luz, e daí não resultaram nenhumas consequências disciplinares, então o que a Liga terá a fazer no caso presente será exactamente o mesmo. Simples e eficaz. O problema é que os supostos 'confrontos' miraculosamente desencantados pelo CM parecem ser uma espécie de fábula. Se o melhor que conseguem arranjar para tentar atenuar o que se passou este ano são quatro minutos de imagens em que o que se vê são pessoas a andar de um lado para o outro e depois, mais uma vez, os jogadores do fóculporto todos à molhada (parece que é algo que lhes está nos genes), então o desespero deve ser total.
É que, para azar dos andrades, tenho a impressão de que as imagens das agressões perpetradas este ano pelo Homem Porco e o Incrível Alcoólico (com a ajuda de outros) não deixam margem para dúvidas, ou para se poderem classificar as agressões de 'alegadas'. Até porque houve alguém que acabou no hospital.
Não sei qual é o motivo. Não sei explicar bem. Mas ao ver o estado a que chegou o “sistema” depois de quase três décadas a vampirar a verdade do futebol português, depois de ver as reacções do “sistema” à divulgação das escutas telefónicas da(s) cabeça(s) do polvo, a única imagem que me ocorre é a do Mr.Creosote:
A divulgação das escutas é a 'wafer-thin mint' desta podridão que já leva quase três décadas. Estamos a assistir ao pequeno arroto antes da regurgitação final.
Creio, e tenho-o afirmado várias vezes, que o Benfica TV tem sido uma arma fundamental não só na defesa do clube como no desmascarar da teia de compadrio e corrupção que tem dominado o futebol português.
Na sequência do post do Pedro Ferreira sobre o"Dia Seguinte", pergunto: e se o Benfica TV organizasse a sua versão dos programas tipo dia seguinte, trio de atatque, etc? Excatamente com o mesmo formato, convidando personalidades conhecidas do do grande público que sejam um adepto do scp e outro do fcp, mas que sejam pessoas sérias interessadas em discutir seriamente os temas, e não os palhaços de serviço nos actuais canais.
Estou a pensar por exemplo num José Diogo Quintela para representar o scp, e de certeza que haverá alguém do fcp que se oponha a pinto da costa e esteja disposto a participar.
É um desafio que lanço aqui ao Ricardo Palacin. Nada temos a perder ao mostrar que não temos medo de dar voz a não Benfiquistas, desde que se mantenham os princípios de seriedade e respeito pela verdade que nos devem nortear.
Custa-me a acreditar que alguém ainda tenha dúvidas que o Sportem (nomeadamente as suas figuras de topo e a maioria dos 'notáveis') tem sido conivente com toda a porcaria que se tem passado no futebol português nos últimos 25 anos, ou que o clube do Guarda Abel teria conseguido tudo o que conseguiu sem o beneplácito tácito – por ausência de reacção – do mais fraco dos chamados grandes. Mas estas declarações e o seu timing, no fundo, dizem tudo. Este pateta não está preocupado com o facto de, nas escutas hoje divulgadas um pouco por todo o lado, se combinar – de forma clara e sem papas na língua - a nomeação dos árbitros mais convenientes, de se providenciar a oferta de ‘fruta’, ‘rebuçados’ e ‘meias de leite’ aos mesmos, de se arranjar a visita de árbitros a casa de dirigentes nas vésperas de jogos ou até dos dois mais conhecidos protagonistas da radionovela ofenderem e troçarem do seu actual presidente e do ‘atrasado mental’ (sic) do roupeiro do seu clube.
A falência moral, civilizacional e estrutural de um país começa a medrar de forma purulenta, às escondidas, no bas-fond mafioso dos pequenos caciques locais que se julgam impunes no bairro onde mandam.
Aos poucos, alicerçados numa cultura que vagueia entre o favor, a chantagem e a violência, essa gente pequena vai expandindo influências e poder, vai conseguindo ter homens no bolso e vai conseguindo meter no bolso de alguns homens o valor pelo qual se venderam. Tal como na metáfora bíblica Esaú vendeu por um prato de lentilhas o seu direito à primogenitura, não são poucos os que venderam o direito a andar de cabeça erguida e a olhar os seus pares nos olhos. As lentilhas foram trocadas pelos quinhentinhos, pelas viagens ao Brasil e pela fruta. Falamos de homens que se vendem e de homens que os compram. Falamos de corruptores e de corrompidos, falamos de corrupção. Falamos de um crime perpetrado por criminosos.
A falência moral, civilizacional e estrutural de um país confirma-se quando o poder político e o poder judicial não só não condenam os criminosos como convivem, louvam e ajoelham perante esses mesmos criminosos.
Nesse momento já nada resta ao país. Ao cidadão resta apenas olhar incrédulo para a decadência das estruturas e dos pilares em que outrora acreditou. Enquanto, revoltado, vê juízes e deputados beijarem a mão dos criminosos e, deste modo, escarrarem na justiça, na democracia, num país e num povo, na sua História e no seu futuro, resta ao indivíduo resistir e gritar bem alto:
«Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!»
* Excerto de um poema de José Régio.
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Ligações para notícias sobre escutas do caso Apito Dourado no youtube:
Jornal A Bola: [link]
Jornal Record: [link]
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Pode ver tudo aqui:
Típico. Tanto dorme com eles como lhes dá porrada a seguir.
p.s. aposto que o Salema até chorou com os nervos
Hoje vou falar de recordações da minha infância. Tanto se fala de colos e colinhos que fiquei nostálgico.
Contudo, vou recuar apenas até à escola primária. Na primária, geralmente, o amigo que tinha a bola é que ditava as regras. Ou era segundo as regras dele ou acabava ali o jogo. A malta, como o que queria era jogar à bola, aceitava.
Ora, este ano parece que, no Dragão, a equipa da casa, qual "puto que leva a bola" ,dita as regras. 1) Com a mão apenas os jogadores da casa podem jogar. 2) Durante os 90 minutos a anatomia dos corpos dos adversários sofre mutações: é braço toda e qualquer parte do corpo acima do tornozelo. 3) Apenas os jogadores da casa podem ter o privilégio de agredir os adversários. 4) É legítimo a qualquer jogador da equipa da casa utilizar toda e qualquer parte do corpo para introduzir a bola na baliza do adversário.
Voltando a recordar a infância, o amigo que tinha a bola era quase sempre um tipo que não jogava a ponta de um chavelho. Como tal, precisava de equilibrar a balança. Mas ainda assim, recordo-me que a falta de jeito era tanta que nem com as suas regras conseguia ganhar.
Olhando para o caso da equipa da casa do Dragão, concluo que eles são como o amigo que tinha a bola: não jogam nada e apenas com as suas regras têm conseguido ganhar.
Esta foi a resposta de Ricardo Araújo Pereira a mais uma canalhice de Pinto da Costa.
À imagem de outros tiranetes de ocasião, Pinto da Costa decidiu fazer com Zé Diogo Quintela (um dos poucos lagartos que consegue fazer comédia na tragédia) o que já fizera com Ricardo Araújo Pereira e com outras personagens simpatizantes do Benfica que, publicamente e sem medos, denunciaram e denunciam práticas de corrupção espúrias perpetradas nas últimas décadas do futebol português.
O objectivo é apenas um: intimidar. Um processo em tribunal obriga a perder tempo e dinheiro, obriga a que a nossa vida pessoal e profissional fique afectada por um conjunto de chatices e aborrecimentos, acima de tudo é algo que nos vai desgastando.
Esta prática por parte dos bokassitas de ocasião é recorrente, e contra esta forma suja de escarrar na democracia só há uma opção: resistir.
bola nossa
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