Os lagartos andam a esfregar as mãos de contentamento por causa dos frangos do Roberto, e até já os vejo a rir com piadas sobre churrasqueiras e afins, quase parece que já passou a depressão dos 28 pontos. Percebe-se: ainda não começou o campeonato e eles já ganharam o campeonato deles, o costumeiro campeonatozito do anti-benfiquismo pequenino (do tamanho deles, portanto). O facto de o Benfica ter dado uns milhões por um guarda-redes que cometeu uma falha grave num jogo de preparação é o primeiro troféu do sportém. Ok, seja. Percebo isso num clube daquela dimensão. Agora o que eu não percebo é esta onda de contestação, derrotista e fatalista, de alguns benfiquistas. Confesso que estou farto dos desabafinhos da treta do género de "ainda bem que temos o Moreira", de "mais um Moretto" ou de "que grande barrete". Honestamente, o facto de ele ter custado o que custou até me levou a nem me preocupar com a sua qualidade, porque, tendo o aval do Jorge Jesus e do Rui Costa, só podia ser uma boa contratação. Mas basta ir ao youtube e ver o que ele já fez. Para evitar mais comentários, até fica aqui o link. Agora, encham os olhos.
Hoje resolvi escrever uma fábula, para variar um bocado, e não falar só de futebol.
A fábula de hoje conta a história de uma lagartixa que vivia obececada com a Águia que coabitava com ela na floresta verde. A lagartixa sonhava voar tão alto como a Águia, sonhava ser admirada por todos como a Águia era, sonha ter o prestígio que a Águia tinha não só junto de todos na floresta verde mas também nas florestas dos mundos vizinhos.
Este sonho e vontade de ser com a Águia apoderou-se de tal forma da lagartixa que esta começou a ter inveja e ódio da Águia e pensou para ela própria: "Já que não posso ser como a Águia vou tentar destrui-la".
A lagartixa tinha pelo menos uma qualidade, a humildade, e percebeu que sem ajuda nunca na vida conseguiria derrotar a Águia. Então essa lagartixa começou em vão a procurar junto de todos os animais e criaturas da floresta quem a queria ajudar. Nenhum dos animais se quis juntar a ela, pois todos respeitavam a Águia. A lagartixa começou então a pensar: "quem me poderá ajudar, quem me poderá ajudar!?", e a lagartixa chegou à conclusão que os únicos capazes de a ajudarem seriam o dragão e o seu submisso arcebispo bracare.
A lagartixa fechou os olhos aos maus tratos e pilhagens que foi sofrendo ao longo da sua vida por parte do dragão e resolveu falar com o dragão. O dragão logo lhe disse: "Tu queres ajuda para derrotar a Águia? Isso querias tu, quando muito, eu faço isso por ti, desde que tu me dês alguns dos teus tesouros mais valiosos, estás interessada, lagartixa amiga?" A lagartixa disse logo que sim: "Sim meu adorado e admirável dragão". Ao lado do Dragão o Arcebispo Bracare saltava, saltava gritando: "E eu, e eu?". E o Dragão logo disse: "lagartixa, pois é, o arcebispo também quer um dos teus tesourinhos e se queres que eu faça algo, tens de lhe dar alguma coisa" A lagartixa mais uma vez: "Sim sim, tudo que quiseres, ajuda-me é a derrotar a Águia"
A lagartixa, apesar de despojada de dois dos seus mais preciosos tesouros e com cada vez menos hipoteses de lutar pelo mais altos lugares de prestigio da Floresta Verde, estava feliz e realizada, pois tinha a esperança que a Águia fosse derrotada.
Moral da história (na perspectiva de um duende verde): Quando as nossas expectativas são baixas e temos poucas capacidades em vez de lutarmos por sermos melhores devemos é tentar que aquele do qual temos mais inveja fique como nós nem que para isso nos juntemos aqueles que nos roubam há anos sem fim.
P.S: Qualquer tentativa de ligar esta fábula as contratações de João Moutinho pelo FCP e do Stojkovic pelo SP.Braga é puro abuso de interpretação literária.
Terminado que está o estágio na Suiça e disputados 3 jogos já é possível tirar algumas fotografias do Benfica 2010/11. Aqui vão as minhas:
p.s consegui cumprir mais um dos meus sonhos que foi o de utilizar a expressão "pôr-se a pau" num post. Já só faltam cento e trinta e quatro, entre os quais se conta uma divagação mais ou menos extensa sobre o termo "basculação".
Mais um jogo típico de pré-época, que desta vez terminou com uma goleada do Benfica em ritmo habitual para esta fase da época, resultante sobretudo de um ligeiro aumento de velocidade e agressividade na segunda parte. Ainda faltam vários jogadores importantes, mas aqueles cuja ausência, na minha opinião, mais se faz notar em termos da nossa dinâmica de jogo são os dois laterais. Os jogadores que parecem estar em melhor forma neste momento são os argentinos, e em particular o Aimar, que foi o melhor jogador em campo. Outros jogadores parecem estar ainda lentos e com falta de ritmo, sendo um caso flagrante o Javi García (a equipa melhorou com a entrada do Airton para o seu lugar).
De resto, para a história deste jogo ficam os golos. O Benfica marcou dois na sequência de livres directos, beneficiando de ressaltos da bola na barreira (Aimar e Kardec), e marcou outros dois de bola corrida, em jogadas bonitas (Saviola e Jara), o último dos quais após uma boa iniciativa individual do Weldon. Pelo meio o Aris marcou um golo que na altura lhes deu o empate, contra a tendência do jogo. O Gaitán agrada-me. Não será um substituto directo do Di María, porque tem um estilo diferente, mas tem deixado boas indicações. Quanto ao Roberto, sobre quem muitos dos olhares deviam centrar-se hoje, não teve muito trabalho mas esteve bem quando foi chamado. A equipa pareceu-me melhor hoje do que nos dois primeiros jogos, e julgo que no próximo fim-de-semana a tendência para melhorar se deverá manter.
Agora é que a pré-época realmente começou.
Todos os nossos receios se confirmaram: o Roberto deu frangos, a equipa foi-se completamente abaixo ao 3º jogo em 4 dias, apresentou lacunas inadmissíveis para uma fase tão adiantada da época e, em suma, o Jorge Jesus não percebe nada de futebol.
Agora a sério.
Apesar de defensivamente o Benfica ainda apresentar algumas lacunas (mais visíveis na 1ª parte, sobretudo em Sidnei e Peixoto), o facto é que, como diriam os gurus do comentário desportivo, os princípios de jogo preconizados por Jorge Jesus já estão bem patentes.
Os novos jogadores perecem ter interiorizado bem esses mesmos princípios. Gostei de ver Gaitan. Foi bom que Jara tivesse marcado. E Roberto evitou um golo quase feito ao fazer a mancha a um avançado do Aris isolado à frente da baliza.
Quanto aos jogadores que transitaram da época passada, apetece-me destacar o Weldon. Aquela arrancada para o 4º golo foi fenomenal.
P.S. Realmente sabe bem voltar a escrever sobre o jogos do Benfica. E é cada vez mais evidente que o mundial foi uma chachada de proporções cósmicas.
P.P.S. Como corolário do prazer de voltar a poder falar do Benfica com a bola a correr na relva, amanhã voltará a haver o "Debate" da Benfica TV, o que irá redobrar o meu prazer de poder voltar a acompanhar o Benfica em acção.
Após o final do campeonato 2009/10 e passados aqueles dias para saborear a conquista do merecido título, comecei a aguardar com alguma expectativa o início do Mundial.
Não por causa da participação da selecção portuguesa, teoricamente treinada por Queirós (que ao contrário do que aconteceu em mundiais e europeus anteriores, não me suscitou grande entusiasmo - para não dizer nenhum - apesar de até ter feito algum esforço, embora em vão, nesse sentido), mas porque tinha a esperança de poder assistir a bom futebol sem estar stressado com o resultado final (não querendo com isto dizer que não tivesse as minhas preferências).
A verdade é que o mundial foi, de um modo geral, extremamente aborrecido - talvez por estar (bem ou mal, não sei ao certo) habituado aos jogos do Benfica na época transacta, onde o elevado rítmo de jogo era a norma, fazendo criar em mim a sensação que a generalidade dos jogos do mundial foram disputados a 3 velocidades: devagar, devagarinho e parado.
O apito final do derradeiro jogo do mundial teve o efeito de me fazer acordar da longa letargia futebolística em que esta competicção me fez mergulhar.
E o acordar não foi nada agradável: algumas horas antes da final do mundial, o Benfica perdera com o Sion, onde 2 guarda-redes estiveram em destaque: o do Sion, ao evitar que o Benfica marcasse golos suficientes para vencer, mesmo apesar dos 2 golos sofridos, e o do Benfica - o recém-contratado Roberto - que teve grandes responsabilidades nos 2 golos sofridos.
Como resultado, e ainda a pré-época mal começou e ainda poucos meses passaram desde que nos sagrámos, de forma brilhante, campeões, já se pode concluir que tudo está mal, desde o presidente até ao roupeiro, passando, como é óbvio, pelo guarda-redes e, claro, pelo treinador.
Se é verdade que o Roberto esteve extremamente infeliz, também não podemos ignorar que, sendo ele espanhol, não é de excluir a hipótese de estar com pensamento na final do mundial, onde o seu país tinha fortes possibilidades de conquistar, pela primeira vez, o título de campeão mundial.
Obviamente, isto não pode servir de desculpa, pois a um jogador profissional exige-se máxima concentração enquanto estiver em campo. E, claro, é motivo de preocupação, pois tendo sido Roberto contratado para ser titular, este começo não foi nada auspicioso para quem joga numa posição onde a confiaça dos adeptos pode ser crucial.
Mas estou em crer que, acordados desta longa letargia futebolística causada pelo mundial, só agora é que a pré-época vai verdadeiramente iniciar.
O que aconteceu no Domingo, na realidade, não aconteceu.
O que conta agora é o que vai acontecer logo, no jogo contra o Aris Salónica, no qual, estou certo, o Benfica irá demonstrar que está no bom caminho para que no dia 7 de Agosto se apresente em condições de ganhar o primeiro trofeu oficial da época e para, uma semana depois, atacar, com a mesma ambição e qualidade reveladas na época passada, a conquista do 33º título de campeão nacional.
E cabe também a nós, sócios e adeptos, contribuir para que assim seja.
VIVA O BENFICA!!! (que bem me sabe voltar a escrever isto!!!)
O 3º Anel é um assador que não perdoa.
As brasas e a grelha foram atempada e criteriosamente preparadas.
Hoje, no jogo de preparação contra o Sion, a equipa não pôs a carne no assador, mas o Roberto trouxe dois frangos mesmo a preceito para pôr na grelha.
O 3º Anel é um assador que não perdoa e muitos já lá foram queimados... justa e injustamente.
Ai que o Sportém não é ‘grande’ porque vendeu a amostra de capitão do gnomo de jardim ao clube do Guarda Abel. Não é ‘grande’? Mas, e isso é uma surpresa? Descobriram agora?
Qual das pistas é que não apanharam?
O facto de serem poucos, o que logo à partida torna ligeiramente complicado o uso do adjectivo ‘grande’? Os 25 queques e 3 tias matrafonas de assistência média num estádio que parece uma amostra de uma casa de banho construída por um emigrante nos anos 70? O facto de não terem dinheiro para mandar cantar um fiscal de linha nem comprar papo-secos para o abrigo de Alcochete?
Anda tudo distraído? A lagartagem já nem aparece nos matraquilhos.
Renovar um lugar cativo (por mais red passes que o marketing invente é sempre um cativo) é mais do que ajudar o Clube. Renovar o lugar cativo é renovar o espírito de pertença, é renovar a esperança de encontrar a vizinhança que há anos se encontra quinzenalmente. É renovar um compromisso nunca assumido com uma comunidade benfiquista que vai, espontaneamente, criando rituais de partilha de benfiquismo naquele pedaço de bancada.
Até chegar e fixar-me sedentariamente no lugar que, há umas 4 épocas, ocupo, foi necessário algum nomadismo pelas várias bancadas e pisos. Foi preciso encontrar um lugar onde já estava um conjunto de benfiquistas que fazem da sua presença no estádio uma festa de benfiquismo e não uma expiação penitencial de frustrações quotidianas que acabava invariavelmente em impropérios a todos os futebolistas do próprio clube.
Encontrado o lugar e o agregado certo, foi tempo de assentar arraiais e saudações quinzenais feitas de esperança, sofrimento, alívio e benfiquismo incondicional e saudável. Mesmo quando algo corre mal, vejo nos meus vizinhos de bancada a vontade de regressar quinze dias depois para repor a ordem e seguir em frente.
Obviamente que os lugares cativos cá de casa já estão, mais uma vez, renovados: são dois no piso 3 inferior, lá no 3º anel, entre bons benfiquistas. Renovar um cativo para ajudar a renovar o título de campeões, para ajudar a renovar o benfiquismo.
[link]
A transferência, a transferência, a transferência, só ouço falar no raio da transferência do anão de jardim do Moutinho da lagartagem para o clube da fruta. Mas qual transferência, porra?
Quando um gajo vai de uma sucursal para a Sede isso é alguma transferência?
Se, imaginemos a analogia, uma moça que ganhe a vida como alternadeira for promovida de uma dependência do Calor da Noite em Lisboa para o Calor da Noite original no Porto, isso é alguma transferência? Não. É a mesma trampa, mas com mais dinheiro. O gerente da casa de alterne cá de baixo baixa a bola e faz o que o manda-chuva lhe diz, ainda que isso signifique ficar sem uma das moças que mais lhe garanta negócio. Porquê? Porque, além de isso significar que podem pingar algumas migalhas lá de cima (que lhe vão garantindo a sobrevivência), o manda-chuva lhe promete que arranja clientela de qualidade, como árbitros e juízes, por exemplo (lembrei-me, assim de repente, só mesmo por acaso).
p.s.1 Em mais uma demonstração categórica do síndrome dissociativo da realidade que aflige o Cabeça de Cotonete, o totó inimputável espalha-se ao comprido (mais uma vez) quando começa a vomitar alusões metafóricas sobre o João Moutinho e maçãs podres. Porquê? Porque está convencido que tem um pomar, quando o que tem é uma horta ranhosa enfiada nas traseiras de um edifício devoluto, regada por esgotos. E que só dá nabos;
p.s.2 Na imprensa, hoje: 'Meia centena de adeptos em euforia recebe leões no início do estágio'. Não tenho nenhuma piada para isto.
bola nossa
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Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
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para além da bola
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