VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

A evolução da utilização do frio.

 

Há uns anos, as arcas frigoríficas serviam para atirar para lá com as bolas do sorteio anti-doping. Safaram-se do controlo, mas a calvície precoce de mais de metade do plantel acabou por mostrar como a coisa funcionava.

 

Bem recentemente, as arcas frigoríficas serviram para esconder prostitutas nos bares de alterne do Reinaldo. Não serviu de muito, pois o serviço de estrangeiros e fronteiras acabou por descobri-las, ficando, assim, umas quantas, impedidas de subir à categoria de primeira-dama do Freixo.

 

Agora, as arcas frigoríficas servem para colocar as bolas do sorteio da Taça. De nada servirá, pois dentro do campo hão-de perder… mesmo com o genro do Garrido a apitar.

 

___________

Agora fico à espera que os do costume venham para aqui dizer que isto é desviar as atenções ou que não eu não devia perder tempo com isto… podem centrar as atenções e ganhar tempo, indo directamente para o sítio de onde saíram.

publicado por Anátema Device às 13:30
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Vontade

A passagem aos oitavos de final da Taça de Portugal foi obtida com uma vitória incontestável sobre o Braga esta noite. O que podemos concluir é que mesmo se mostrarmos alguns dos pontos fracos do nosso jogo esta época, quando os jogadores entram em campo com a atitude certa, a probabilidade de serem (e nos deixarem a nós, adeptos) felizes é muito maior. E foi o que aconteceu esta noite, apesar de ser perfeitamente dispensável o prolongado sofrimento num jogo que, com um pouco mais de inspiração da nossa parte no ataque, poderia ter terminado com uma goleada das antigas.

Com um onze em que a única alteração ao que seria esperado foi a troca de guarda-redes (Júlio César no lugar do Roberto), os nossos jogadores mostraram desde início estar com vontade de resolver esta eliminatória a contento. Com cinco minutos decorridos já o Carlos Martins dispunha de uma boa ocasião para marcar, mas a sua tentativa de chapéu ao guarda-redes saiu demasiado alta. Infelizmente, algo de que nos podemos queixar esta época é de uma menor eficácia no ataque, desperdiçando mais oportunidades do que seria normal, e este lance foi apenas o mote para mais um jogo em que nos podemos queixar disto. Perante um Braga praticamente inofensivo, fomos assistindo ao Benfica a ser invariavelmente melhor e mais perigoso no jogo, com o marcador a manter-se teimosamente em branco, às vezes por culpa nossa, outras vezes por inspiração do guarda-redes adversário, como no lance em que, com uma defesa incrível, tocou na bola com a ponta dos dedos o suficiente para desviar para canto um remate cruzado do Luisão que levava o selo de golo (o nosso capitão acabou por ceder o seu lugar ao Sídnei pouco tempo depois, ainda antes da meia hora de jogo, por lesão). Só perto do intervalo é que conseguimos finalmente chegar ao golo: após um lançamento lateral do Maxi, o Javi García tocou de cabeça para trás, onde apareceu o Saviola, antecipando-se a dois adversários, a rematar de primeira para o fundo da baliza. Mesmo sobre o apito para o intervalo, mais um desperdício enorme do Benfica, ao esbanjar uma ocasião em que, após uma recuperação de bola do Aimar, ficámos com três jogadores para um defesa do Braga - mérito também do guarda-redes do Braga ao conseguir parar o remate do Cardozo.

A segunda parte pouco trouxe de diferente. O Benfica continuou a ser superior e a desperdiçar oportunidades, e o Braga a ser quase inofensivo. Saviola e Cardozo mostraram-se particularmente perdulários, e o resultado foi assim mantendo-se com uma incerteza muito enganadora. Após vinte minutos, o nosso treinador fez uma alteração que se impunha, entrando o Salvio para jogar bem encostado à direita (por onde o Braga atacava preferencialmente) e saindo o Carlos Martins, que após uma boa primeira parte e início da segunda, estava agora a apagar-se no jogo. A entrada do extremo argentino veio dinamizar o nosso jogo, e passámos a criar muito mais perigo por aquele lado - e consequentemente, a desperdiçar ainda mais oportunidades para colocar um ponto final no jogo. Conforme já escrevi, o Braga foi praticamente inofensivo nesta partida, mas já sabemos que quando andamos a desperdiçar muito a sorte tem tendência para ser madrasta, e isto quase que aconteceu outra vez hoje. Na única verdadeira oportunidade de golo que criou em todo o jogo, a dois minutos do final, o Braga quase empatou. Valeu-nos a grande defesa do Júlio César, a salvar praticamente em cima da linha um cabeceamento do Alan ao primeiro poste, após um canto. Pouco depois, e já no período de compensação, lá acabámos com as dúvidas ao marcar o segundo golo, mas até para isto foi preciso sofrer: primeiro remate do Salvio ao poste, recarga do Rúben Amorim para defesa do guarda-redes, e finalmente o Aimar, de cabeça, a fazer o golo que o Benfica já merecia há muito.

Na nossa equipa, sem grandes brilhantismos mas com muita garra em campo, destacaria jogadores como o Maxi Pereira, o Javi García ou o David Luiz. Jogo muito bom do Sídnei, entrado para substituir o Luisão (que, nos minutos que esteve em campo, estava também num bom nível). O Carlos Martins teve pormenores inspirados - o passe que ele fez sobre a defesa do Braga para isolar o Saviola foi excelente - e o Salvio entrou muito bem no jogo. Bem o Júlio César com uma intervenção decisiva quando foi chamado, mas gostaria que fosse mais expedito nas reposições da bola em jogo.

É certo que há coisas menos positivas que continuam a ser evidentes na nossa forma de jogar, e a mais preocupante delas é a lentidão de processos. Especificamente, a lentidão nas saídas para o ataque. Fazermos isto em velocidade valeu-nos incontáveis golos a época passada, mas este ano não estamos a conseguir repetir isto com tanta facilidade, o que significa que muitas das vezes, quando chegamos lá à frente esbarramos com um adversário completamente posicionado e organizado, o que obviamente dificulta muito as coisas. A já referida menor eficácia é também um problema. Mas o valor dos nossos jogadores e a vontade de vencer que eles puseram em campo hoje chegaram e sobraram para me convencerem que, no final, só por muito azar é que não sairíamos vencedores deste jogo.

publicado por D'Arcy às 00:00
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Apesar de tudo, lá vou eu novamente

Tal como tive oportunidade de concordar com algumas pessoas aqui do blogue no intervalo do último bocejo disputado na Luz na passada 3ª feira, a não ida a um jogo do Benfica em casa é uma situação que nem se coloca. Portanto, ontem lá pus pés a caminho e fui comprar o bilhete para o jogo de logo à noite.

 

Apesar de me ter sentido gozado das últimas duas vezes que lá fui. É que perder é uma coisa (e num desses jogos...até ganhamos); não dar tudo o que se tem pela equipa que se defende, e ainda para mais quando essa equipa tem toda uma história que será sempre maior do que qualquer um dos jogadores que tenha a sorte de por ela jogar, isso para mim é intolerável.

 

Posto isto e pese embora saiba que a mera mudança de nomes não resolverá todos os problemas com que o futebol do Benfica se tem debatido esta época, creio que urge fazer algo, nem que seja para dar um sinal "lá para dentro" de que alguém está atento e fará por castigar aqueles que se incluem(am) no que descrevi no parágrafo anterior.

 

Portanto, antes de começarmos todos a pensar em contratações mirabolantes que visem corrigir algumas lacunas que existam no plantel, primeiro terão de ser identificados e eliminados os problemas que impedem que nalguns (muitos) casos, do jogador que ajudou à concretização da magnifica época do título reste apenas uma sombra pouco nitida.

 

Acredito que da parte do triunvirato que comanda os destinos futebolisticos do Benfica a parte da identificação dos problemas já esteja efectuada, resta-me desejar que sejam capazes de os resolver com o mínimo de baixas possível. Mas se tiverem de existir que ninguem se esqueça que o todo (o Benfica) está acima de qualquer uma das partes que o constituem (jogadores, treinadores, dirigentes).

 

 

Sem mais delongas, cá vai a equipa que eu apresentaria hoje.

 

 

 

 

Tal como já tive oportunidade de escrever não exigirei a vitória mas sim que suem a camisola e que auxiliem os companheiros de equipa. Em suma que sejam uma EQUIPA.

publicado por Superman Torras às 12:18
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Símbolos de benfiquismo.

Cimentei o benfiquismo olhando para os bons exemplos que via no nosso plantel. Admiro, particularmente, aqueles que, sendo adeptos do clube, o representaram exemplarmente enquanto profissionais. Lembro Toni, Humberto, Bento e tantos outros que, pelo exemplo, me mostraram como se pode servir o Benfica.

 

Esta ligação emocional ao clube é, actualmente, a melhor garantia que tenho, enquanto adepto, de que, por mais que insistam em chamar “activo” a um futebolista e “SAD” a um Clube, há uma essência emocional que se mantém e garante que os valores primordiais do benfiquismo perdurarão.

 

É com agrado que vejo referências como Nené, Bastos Lopes, Chalana ou José Henrique a ajudar à formação de jovens futebolistas. A satisfação de ver benfiquistas da cepa de Shéu, Pietra e Rui Costa com responsabilidades na condução do futebol do Benfica é imensa. Sei que no exemplo destes homens está a garantia de que o benfiquismo será respeitado.

 

Olho para o futuro e vejo que há continuidade. Desde o nosso capitão, Nuno Gomes, até Ruben Amorim são vários os exemplos de benfiquismo puro que não se confundem com os que, em nome da sua imagem, beijam o emblema em momentos festivos.

 

O que há de comum em todos os nomes referidos é o facto de, apesar de inúmeras vezes terem sido injustiçados pelos adeptos, nunca terem faltado ao respeito aos benfiquistas que, nas bancadas, de forma mais ou menos apaixonada, por eles torcem, choram, sofrem e exigem na mesma medida em que dão. Na relação emocional destes futebolistas com os adeptos do Benfica nunca lhes vi um gesto público de desagrado ou de impaciência. Ou, pior do que tudo o resto, nunca os vi mandar calar os adeptos, pois sabem que isso seria mandar calar o Benfica.

 

Também nestes pequenos, mas significativos, gestos se faz a caminhada da transformação em símbolos de um Clube centenário.

 

_____

Artigo de opinião publicado também na edição de 10/12/2010 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

publicado por Pedro F. Ferreira às 17:10
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

Hotel

 

Correndo o risco de estar a ser injusto, após a repetição de fracas exibições como a do jogo contra o Schalke, parece que estou a ver um hotel em que ainda não percebi quem são as camareiras e quem são os hóspedes. Mas acabo por ficar com a amarga sensação de que há quem ande a fazer a cama e há quem se esteja a deitar na mesma. No meio das dúvidas, fica-me a certeza de que, na cama que alguém tenta fazer a outrem, os que têm mais pesadelos somos nós, os adeptos.

 

[à margem: saúdo as palavras de Rui Costa, ontem, após o jogo. São palavras de um líder e merecem ser ouvidas com muita atenção... especialmente dentro do Clube.]

_____

 

Por manifesta falta de tempo, não poderei moderar a caixa de comentários do post. Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com

publicado por Pedro F. Ferreira às 11:40
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Erros

Na minha opinião, o melhor que houve esta noite na Luz foi mesmo o equipamento alternativo estreado, que é francamente mais bonito do que o laranja que normalmente utilizamos. De resto, foi apenas mais um (o último) capítulo da triste história que foi a nossa participação na Champions League este ano.

Com um onze em que as principais novidades foram as presenças do Carlos Martins e do César Peixoto (Aimar e Gaitán no banco), o Benfica fez uma primeira parte muito fraca, jogando quase sempre de forma demasiado lenta e previsível. A tendência para afunilar o jogo foi muita, e o próprio empenho dos jogadores no jogo deixou muito a desejar. Não era incomum vermos situações em que o jogador que conduzia a bola não tinha quaisquer opções de passe, porque os colegas ficavam simplesmente a olhar para ele sem sequer tentarem desmarcar-se ou movimentar-se para criar linhas de passe. Mesmo assim, conseguimos criar algumas situações de perigo, que os nossos jogadores, mantendo a linha que tem sido habitual na Europa, se encarregaram de desperdiçar. Também na mesma linha, à primeira oportunidade que o adversário criou, fez o primeiro remate à baliza no jogo, e fez também golo. O que só veio contribuir para piorar ainda mais a qualidade do nosso jogo. Os números ao intervalo até poderiam colocar um pouco em causa a justiça do resultado, mas face ao que produzimos, a desvantagem no marcador era perfeitamente aceitável.

Duas substituições ao intervalo, com as entradas do Aimar e do Gaitán para os lugares do Peixoto e do Maxi. Mas o nosso jogo, inicialmente, não melhorou muito, e manteve-se no mesmo registo da primeira parte. Só na meia hora final é que finalmente começámos a colocar um pouco mais de velocidade e agressividade no jogo, e a qualidade subiu um bocadinho por via disso. As oportunidades também começaram a surgir, algumas delas flagrantes (Cardozo e Aimar), mas o jeitinho especial que temos revelado na Champions para as desperdiçar continuou todo lá. Para não variar, a máxima de que quem não marca, sofre voltou a aplicar-se, e a dez minutos do final o Schalke voltou a marcar, revelando um aproveitamento quase total das oportunidades construídas. A nossa defesa foi apanhada desprevenida quando tentava subir, e o adversário, sozinho frente ao Roberto, não teve dificuldades em marcar. Nesta altura o Benfica estava efectivamente fora das competições europeias. Só a três minutos do final, numa jogada de insistência, o Benfica chegou ao golo, através de um cabeceamento do Luisão já perto da pequena área. E já em descontos, o empate poderia ter surgido, mas o livre apontado pelo David Luiz levou a bola a embater no poste. A única notícia positiva que chegou com o apito final foi a do empate do Lyon nos minutos finais.

Posso mencionar o Luisão ou o David Luiz como alguns dos menos maus esta noite, mais sobretudo pela atitude em campo do que pelo que efectivamente produziram. O nível geral da exibição foi baixo, e houve jogadores como o Rúben Amorim ou o Cardozo que praticamente nada conseguiram fazer de positivo no jogo (não foram os únicos).

Os números finais podem parecer enganadores. Afinal de contas, fizemos praticamente o triplo dos remates do Schalke, e acabámos por perder o jogo. E não foi a primeira vez que isto aconteceu connosco este ano na Champions. Ao princípio podemos ficar irritados, mas quando isto acontece diversas vezes, não pode ser apenas obra do acaso ou do azar. A conclusão óbvia é que a nossa equipa, simplesmente, não tem ainda estofo para esta competição. Não se podem desperdiçar oportunidades como aquelas que andámos a falhar nos nossos jogos. Numa competição deste nível, erros destes (e isto são erros tão grandes como um mau atraso de um defesa, ou um frango do guarda-redes) pagam-se muito caros. Não vi os nossos adversários cometerem-nos: a diferença de eficácia deles para nós foi brutal. Na Alemanha passámos mais de uma hora a dominar o jogo e a falhar golos. Assim que lhes permitimos uma oportunidade, eles marcaram. Hoje mostraram a mesma eficácia, e em Israel perdemos da forma que sabemos.

A verdade é que não merecemos passar aos oitavos de final, e sinceramente, tendo em conta o que vi, se calhar ainda bem que não passámos mesmo, porque a acumular erros desta forma dificilmente lá iríamos fazer alguma coisa. Esperemos que as coisas sejam melhores na Liga Europa.

publicado por D'Arcy às 23:13
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V-e-r-g-o-n-h-o-s-o!

Eu admito tudo nos jogadores do Benfica: admito golos falhados de baliza aberta, admito frangos, admito intervenções desastrosas dos defesas, admito centros para trás da baliza, etc. O que eu não posso admitir é que num jogo decisivo, que valia a qualificação para a Liga Europa, que valia 800.000€(!) e em que estava também em causa o prestígio do nosso clube, a equipa não demonstre uma vontade férrea de ganhar, não demonstre raça, não demonstre ambição e dê a sensação que está a fazer um frete em campo durante grande parte da partida. E consequentemente apresente duas velocidades: devagar e parado. Suar a camisola é o mínimo que se pede aos jogadores que têm a honra de vestir a camisola do Glorioso Sport Lisboa e Benfica! Conseguimos a continuação nas competições europeias não graças a nós, mas graças a um golo do Lyon aos 88'.

 

Já a exibição frente ao Olhanense me tinha deixado muito preocupado, mas isto hoje passou das marcas. Não sei o que se passa, o que sei é que se continuarmos nesta senda exibicional, esta época vai ser um pesadelo. Apesar de ainda estarmos nas quatro competições.

publicado por S.L.B. às 22:37
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

O Grande Elias.

O presidente do Benfica cometeu o crime de lesa pátria de não ter conseguido contratar o Elias. Um Elias qualquer? O profeta Elias? Não, o grande Elias. Aquele Elias que é o melhor jogador brasileiro com o nome de Elias.

 

E falhou porquê? Não sei, poucos sabem, mas todos se põem a adivinhar. Ou porque é mau negociador ou porque (imagine-se!) quem tem mais dinheiro levou o jogador ou um pouco das duas ou nada de nenhuma delas. Sinceramente, citando um benfiquista que muito admiro, estou-me a borrifar para o assunto. [Corrijo: estou-me a cagar para o assunto.]

 

Uma coisa sei e para isto já não me estou a borrifar: temos menos três pontos do que na mesma jornada da época passada, estamos a jogar um futebol fraco quando comparado com o da época passada. Não sei (garanto que não sei) quais os factores que levaram a isto. Outra coisa sei: não é por causa do Elias que estamos na difícil situação em que estamos e não era o Elias que ia resolver o muito que, certamente, haverá a resolver.

 

imagem do filme O Grande Elias

 

[Por manifesta falta de tempo, não poderei moderar a caixa de comentários do post. Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

publicado por Pedro F. Ferreira às 13:26
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Toda a mentira sobre "Águia perdeu mais de 90 mil espectadores" (record)

O jornal record publica hoje uma notícia com o título "Águia perdeu mais de 90 mil entradas". Basicamente (e utilizo o advérbio em dois sentidos, como perceberão), o que a notícia afirma é que, após o pedido de boicote feito pelo Presidente do Benfica, passaram a ir menos adeptos à Luz e mais adeptos ao jogos fora, ou seja, alegadamente o pedido teve o efeito inverso ao pretendido (aliás, o subtítulo da notícia é «boicote acaba por se verificar na Luz»). É preciso ser muito mal-intencionado ou então trabalhar no record para escrever uma notícia absurda como esta. É importante denunciar este jornalismo de bolso, porque, apesar da sua má qualidade, há muitos adeptos que lêem estes jornais e acreditam no que neles é escrito. Gostemos ou não do boicote proposto pelos órgãos sociais e pelo Presidente, não podemos ficar indiferentes às cretinices e mentiras que são divulgadas acerca do mesmo.

 

Para se fazer uma comparação entre os espectadores da época passada e da época actual e, a partir desses dados, analisar os efeitos do pedido de boicote aos jogos fora, é necessário estabelecer alguns critérios. Apenas se podem contrastar os 13 jogos disputados até ao momento para o campeonato nacional. Para evitar conclusões erradas, devem ser comparadas não as 13 primeiras jornadas mas os 13 jogos em si, disputados em 2009/2010 e em 2010/2011. Além disso, dado que o boicote apenas foi sugerido após o jogo com o guimarães, os jogos até à 4ª jornada, inclusive, não podem ser contabilizados. Por fim, dado que no ano passado o portimonense e o beira-mar não estavam no mesmo campeonato que o Benfica, não poderemos considerar esses dois jogos também (ambos fora). Posto isto, se não me enganei nas contas, tivemos, nestes jogos, menos 88223 espectadores em casa (o record fala em «quase 92000») e mais 4115 fora (o record fala em «menos 5500»). Estes dados estão patentes no quadro mais abaixo.

 

 

JOGO

Data

Espectadores

Lugar

Benfica - olhanense 10/11

03-12-2010

25984

Benfica - olhanense 09/10

24-04-2010

62147

 

 

Diferença

-36163

Benfica - naval 10/11

14-11-2010

31143

Benfica - naval 09/10

09-11-2009

41981

 

 

Diferença

-10838

fcporto - Benfica 10/11

07-11-2010

49817

fcporto - Benfica 09/10

02-05-2010

44902

 

 

Diferença

4915

Benfica - paços 10/11

29-10-2010

29529

Benfica - paços 09/10

07-03-2010

42971

 

 

Diferença

-13442

Benfica - braga 10/11

03-10-2010

43317

Benfica - braga 09/10

27-03-2010

63679

 

 

Diferença

-20362

marítimo - Benfica 10/11

25-09-2010

4200

marítimo - Benfica 09/10

17-01-2010

5000

 

 

Diferença

-800

Benfica - scp 10/11

19-09-2010

51899

13º

Benfica - scp 09/10

13-04-2010

59317

 

 

Diferença

-7418

 

 

 

 

 

2009/2010

2010/2011

Diferença

Jogos fora

49902

54017

4115

Jogos em casa

270095

181872

-88223

 

 

 

 

Aparentemente, as contas do record até são mais abonatórias, já que apresentam um saldo negativo de espectadores dos jogos fora (a quem o boicote foi dirigido) de 5500, mas a notícia é profundamente enganosa, falsa e reveladora de uma má-fé de quem tem uma agenda escondida.

 

Em primeiro lugar, foram os órgãos sociais do clube e não o Presidente a propor o boicote após o jogo com o guimarães. O Presidente apenas se referiu ao boicote algum tempo depois. Ao escrever «o apelo de boicote aos jogos fora da Luz por parte de Vieira aconteceu depois da deslocação a Guimarães», o record enganou os leitores, ao colocar a responsabilidade no Presidente. Mas isto é apenas um pormenor.

 

O "estudo" do record ignora que não é possível dizer com exactidão que espectadores de um jogo são adeptos do clube A ou do clube B. Não podendo apresentar esses dados, deveria, no mínimo, para ser credível e fidedigno, referir essa atenuante, mas não o faz porque não interessa à agenda. Por exemplo, a assistência registada no jogo com o fcp, que a notícia apresenta como exemplo da "inversão" do boicote, não terá sido influenciada pelo facto de o fcp ter levado mais adeptos ao estádio, já que este ano estava em primeiro lugar e no ano passado estava arredado da luta pelo título? Já que falo neste jogo, por que razão o Record não o isola dos restantes? É que para este o jogo o Benfica pediu bilhetes e a Direcção disse explicitamente que se tratava de uma excepção. Este facto também é válido para os jogos em casa: quantos adeptos é que o braga candidato ao título do ano passado trouxe à Luz e quantos é que o braga deste ano trouxe? O record ludibriou os leitores ao não analisar os factos com rigor, ignorando deliberadamente o carácter excepcional do jogo com o fcp e também o desempenho das equipas adversárias.

 

O "estudo" do jornal record ignora também que os jogos em comparação, na época passada, foram todos (excepto o da Naval) disputados na segunda metade do campeonato, ou seja, com o Benfica sempre em 1º ou em 2º lugar (com reduzida diferença pontual para o primeiro) à entrada para os jogos, enquanto este ano, nos jogos em análise, o Benfica ocupava o 2º (e com uma diferença pontual significativa para o 1º lugar), o 5º, o 8º ou o 13º lugar, o que evidentemente afastou os adeptos dos jogos. O record induz em erro os leitores ao ignorar em absoluto o contexto em que os jogos são disputados, o que, convenhamos, é significativo. Comparar, por exemplo, o jogo com o olhanense da época passada (já no final, já "cheirava a título") com o desta época, depois de pesadas derrotas no campeonato e na Champions, é profundamente cretino. Tal como é idiota comparar a venda de bilhetes do beira-mar na segunda divisão com a venda de bilhetes do jogo com o Benfica.

 

Por fim, será que o record foi analisar as assistências dos outros clubes para verificar se não houve uma quebra generalizada, aliás expectável tendo em conta a conjuntura económica actual? Pois, mas isso já era pedir rigor, era pedir o que não há. O record, simplesmente, compara o que não é comparável e tira daí a conclusão que lhe interessa.

 

Vá, continuem a alimentar esta corja.

 

 

Adenda: o uso das maiúsculas e minúsculas nos meus textos faz parte de um acordo ortográfico muito meu.


publicado por p às 15:20
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Resultado

O mais importante esta noite foi o resultado. Obteve-se a vitória que se exigia (a oitava nos últimos nove jogos para a Liga), sem muitos sobressaltos. Mas não saí da Luz mais satisfeito porque a exibição do Benfica deixou muito a desejar. Ganhámos porque somos melhores, mas fiquei com a sensação de que a equipa não se esforçou muito para vincar a sua superioridade.

Com apenas uma alteração no onze em relação a Aveiro (Aimar no lugar do Carlos Martins), o Benfica iniciou o jogo a jogar de forma bastante lenta e previsível. A ideia que passava cá para fora era mesmo de uma certa displicência da parte da nossa equipa, como se estivesse convencida que mais cedo ou mais tarde a coisa se resolveria. A falta de velocidade nas transições para o ataque era o maior problema: o Olhanense apresentou-se bem organizado na Luz, e quando recuperávamos a bola dávamos todo o tempo do mundo aos adversários para se reposicionarem em campo, sendo que depois não mostrávamos arte ou inspiração para romper a estrutura defensiva deles. O Olhanense, pelo contrário, apostava na velocidade dos seus jogadores mais adiantados, e teve mesmo algumas boas oportunidades na primeira parte (em especial durante a primeira meia hora, que foi claramente o pior período do Benfica no jogo), às quais se opôs sempre bem o Roberto. Nos minutos finais o Benfica melhorou um pouco, e já depois de dois cruzamentos perigosos do Gaitán na direita (para onde tinha sido desviado, por troca com o Rúben), foi a vez do Maxi cruzar para o cabeceamento do Cardozo, que acabou dentro da baliza após uma intervenção muito infeliz do Moretto. Ainda bem que isto aconteceu, mas face ao que vimos na primeira parte o resultado era algo lisonjeiro.

Ao intervalo o Gaitán ficou, sem surpresa, no balneário (parecia quase desinteressado do jogo na primeira parte), surgindo o Carlos Martins no seu lugar. O Benfica melhorou um pouco, mas continuava a parecer demasiado lento. Só após a entrada do Salvio para o lugar do Aimar é que me pareceu que o nosso jogo ficou um pouco mais dinâmico, tendo nós também tirado partido da tentativa de maior atrevimento do Olhanense no ataque. O Cardozo deu o sinal, enviando uma bola ao poste após uma boa iniciativa individual do Saviola, e nos minutos que se seguiram o Benfica esteve claramente por cima no jogo, aproveitando também a insegurança do Moretto, que largava muitas das bolas rematadas pelos nossos jogadores. Só a dez minutos do final pudemos finalmente respirar mais descansados, com o segundo golo a surgir pelo Saviola. Após um canto apontado pelo Carlos Martins, houve um desvio do David Luiz ao primeiro poste, e depois lá surgiu ao segundo poste, no sítio do costume e solto de marcação, o Saviola para marcar de cabeça. Até final pouco mais houve a registar do que uma boa jogada entre o Saviola e o Rúben Amorim, com o remate em jeito deste último a falhar o alvo por pouco.

Não me parece que haja grandes destaques a fazer neste jogo. O Roberto esteve bem, e voltou a mostrar segurança. Gostei do jogo do Maxi Pereira, que continua a mostrar estar a subir claramente de forma. O Carlos Martins e o Salvio tiveram boas entradas, e foram importantes para a melhoria do nosso jogo. Boa parte final também do Saviola, que soube tirar partido dos espaços que o Olhanense começou a dar atrás. Pela negativa, o Gaitán. Acho que é evidente que talento é o que não lhe falta, mas hoje pareceu estar completamente alheio ao jogo, quase como se estivesse a fazer um frete em campo. Foi bem substituído ao intervalo.

Conforme disse o nosso treinador no final, foi melhor o resultado que a exibição. Já disse no início que a exibição da equipa não me deixou satisfeito, mas como adepto prefiro jogar menos bem e ganhar, do que jogar bem e perder (até porque, mesmo se jogarmos muito bem, se por acaso tivermos o azar de perder ninguém vai mencionar a exibição, e a equipa será tratada como se tivesse feito o pior jogo do mundo - é o 'resultadismo' do costume).

publicado por D'Arcy às 00:20
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