Para os benfiquistas da minha geração, António Leitão foi o maior motivo de orgulho benfiquista do atletismo nacional.
Fez parte de uma geração de ouro do atletismo português. De entre os vários atletas pertencentes a essa geração, ele era o nosso único representante. Sempre humilde e lutador, foram muitos os grandes testemunhos de benfiquismo que nos legou.
Faleceu hoje. Mais um campeão que partiu demasiado cedo.
Vitória segura num jogo muito morno, disputado quase sempre em ritmo de passeio e perante um dos adversários mais inofensivos que passaram esta época na Luz.
Mais uma vez foi o Witsel o eleito para ocupar a vaga do Maxi na lateral direita. Quanto ao resto, alas entregues ao Gaitán e ao Bruno César, e na frente de ataque apareceu o Nélson Oliveira a titular, para fazer dupla com o Cardozo. Do outro lado tivemos uma equipa completamente de acordo com aquilo que se esperaria do Ulisses Morais. Ou seja, extremamente defensiva, acumulando jogadores nas imediações da sua área, e esperando algum lance fortuito para sair em contra-ataque. A iniciativa do jogo foi, naturalmente, do Benfica desde o primeiro minuto. Mas pareceu sempre que a noite não estava para grandes correrias, e portanto vimos um jogo algo aborrecido, disputado quase sempre num ritmo bastante lento, e em que o Benfica parecia esperar por alguma aberta na muralha de jogadores montada à frente da baliza do Beira Mar. A jogar naquele ritmo adivinhava-se que não assistiríamos a um jogo com muitas oportunidades, pese o bom sinal dado pelo Nélson Oliveira, com um bom remate de fora da área travado por uma grande defesa do guarda-redes. Depois foi o Gaitán a ameaçar com uma cabeçada fora da área, e finalmente aos vinte e cinco minutos o Benfica construiu uma jogada rápida de ataque, libertando o Witsel na direita, que depois cruzou para a finalização do Cardozo à boca da baliza. O mais difícil estava feito, que era marcar o primeiro golo a uma equipa construída com o intuito de defender ao máximo. Obviamente que em vantagem no marcador e perante um adversário simplesmente inofensivo no ataque, a motivação para carregar no acelerador era pouca ou nenhuma. Apenas fixei dois lances, ambos do Nélson Oliveira: no primeiro, ganhou bem posição ao defesa mas depois não passou ao Gaitán numa primeira oportunidade nem ao Bruno César numa segunda, e acabou por fazer um remate disparatado para fora; e no segundo, depois de ganhar mais uma vez posição sobre a direita, saiu-lhe mal o centro para o Cardozo, que aguardava desmarcado no centro. Mesmo sobre o intervalo, o Benfica praticamente selou o destino do jogo, marcando o segundo golo num remate cruzado do Gaitán, a passe do Cardozo.
A segunda parte iniciou-se praticamente com o terceiro golo, novamente do Cardozo, que aproveitou um passe de calcanhar do Nélson Oliveira para evitar o guarda-redes e rematar para a baliza deserta. E depois foi como se o jogo tivesse acabado. Parecia ser evidente que o Benfica poderia ampliar o resultado caso forçasse um pouco (até a jogar quase a passo ficávamos com a ideia de que mais golos poderiam surgir), mas o Benfica limitou-se a gerir o resultado e o esforço, deixando o tempo correr até final. Apenas o Cardozo, talvez motivado com a possibilidade de obter um hattrick, fez mais alguns remates que levaram algum perigo à baliza do Beira Mar, mas aparte isso o resto do jogo teve muito poucos motivos de interesse. No último minuto de jogo, e para manter a má tradição de sofrer golos em praticamente todos os jogos em casa, acabámos por deixar o Beira Mar chegar ao golo de honra, num remate do Cássio já no interior da área após centro atrasado do Balboa.
Com dois golos e uma assistência o Cardozo é naturalmente o homem do jogo. O Gaitán parece estar mesmo a melhorar aos poucos, e marcou pelo segundo jogo consecutivo. Gostei também do Jardel, do Javi e do Nélson Oliveira, embora este ainda continue a alternar o muito bom com alguns disparates.
Obrigação de vencer cumprida sem quaisquer sobressaltos e aparentemente sem grande esforço. Aproxima-se agora um período decisivo, com vários jogos em poucos dias, muitos deles decisivos e de dificuldade elevada. A nossa época vai praticamente jogar-se durante as próximas quatro semanas. Para mim, o objectivo principal deveria ser só um: sermos campeões nacionais. Sinceramente, gostaria que a Champions não desviasse as nossas atenções desse objectivo.
Nestes tempos estranhos, os mornos – aqueles que para aquecerem o lugar têm de arrefecer a honra – conquistaram o poder da Liga de clubes. Fizeram-no como fazem todos os que são mornos: de cócoras, fazendo cedências a interesses pouco limpos. Já todos tínhamos visto, ao longo de muitos anos, gente que chegando à Liga de Clubes fazia do seu consulado uma distribuição de palmadas nas costas e favores por baixo da mesa, fazendo do atropelo à ética uma prática banal.
O actual líder foi inovador: anunciou o atropelo à verdade desportiva como trunfo eleitoral. Para garantir a eleição, prometeu aos fiúzas da vida que adulteraria as regras da competição com esta a decorrer. Conquistado o poder, havia que pagar a factura. Os fiúzas da vida exigiram e os cordéis fizeram mexer as influências do títere de circunstância. Ao atropelo das regras e da decência, a Liga quer impor o absurdo: que nenhum dos clubes actualmente em competição na primeira divisão seja despromovido. Isto não fere a verdade desportiva, mata-a. Já vi latrinas públicas menos fétidas do que o odor que emanou da infame reunião da Liga da passada segunda-feira.
Terminada a reunião, veio a tentativa de defender publicamente o indefensável. Que a argumentação parola sirva para entreter os fiúzas da vida é um problema do novo presidente da Liga. Que queiram defender perante os portugueses o absurdo, estabelecendo, em tom sério e de ameaça, paralelismos com a Liga norte-americana é já uma tolice ofensiva, pois tomam-nos a todos por fiúzas.
Tudo tem limites e o futebol português já não tem capacidade para tanto entulho. Ou se afunda o futebol ou se atira com o entulho pela borda fora. E, como sabemos, até Deus vomita os mornos.
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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Março e publicado na edição de 16/03/2012 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
Todos sabemos que a capacidade de comunicar para fora do balneário não é propriamente o seu ponto forte, antes pelo contrário. No entanto, há momentos em que Jorge Jesus consegue comunicar a mensagem correcta, necessária, corajosa e à Benfica. Hoje, Jorge Jesus disse o que se impunha dizer.
"Enquanto treinador, tenho direito a opinião num jogo em que a minha equipa era interveniente. Apresentei um facto real, numa situação de bola parada e sem pôr em causa a honestidade do árbitro assistente. É um facto que vi e que muitos viram e manifestaram a mesma opinião."
[...]
"Como treinador do Benfica vou continuar a fazê-lo, para defender os interesses do clube. E penso que vivo num país onde ninguém está acima da crítica. O presidente da República é criticado, eu sou criticado quando as coisas não correm bem, por que é que os árbitros não podem ser criticados? Alguns árbitros nasceram depois do 25 de abril de 1974, mas eu ainda sou desse tempo. Conquistámos esse direito de nos podermos expressar. Nunca me vou calar."
Subscrevo.
Caro Deus,
Sinto-me um pouco idiota por Te estar a escrever, porque não acredito na Tua existência. Mas, pronto, como há milhões de pessoas que crêem em Ti, vou dar-te uma oportunidade de me demonstrares que efectivamente existes e não és apenas, citando Nietzsche, “a maior invenção da Humanidade”.
Portanto, façamos de contas que és de facto o criador do mundo e tens poder sobre todas as coisas. Assim sendo, há oito anos, permitiste que uma determinada equipa, paradigma do jogo sujo, desleal e corrupto, ganhasse a Liga dos Campeões. E ganhou-a derrotando na meia-final o actual 1º classificado da… II Divisão espanhola e na final o actual antepenúltimo(!) classificado da… II Divisão francesa. Repito: apenas oito anos depois, ambos os clubes estão nas II Divisões dos respectivos países! Sendo que, antes de defrontar esse dito clube há oito anos, a primeira equipa eliminou o Milan (ganhando em casa por 4-0 depois de perder em San Siro por 4-1… ou seja, uma hecatombe bíblica inédita na história do grande clube italiano) e a segunda equipa eliminou o Chelsea. (É só comparar onde estão hoje estas quatro equipas para ver o nível de sorte - ou o nível de ajuda Tua - que esse determinado clube teve nessa época).
Ora bem, este ano, tens a grande oportunidade de Te redimir. É muito simples, basta só fazeres o seguinte emparelhamento no sorteio dos quartos e meias-finais da Champions desta 6ª feira: Apoel - Benfica vs. Marselha - Chelsea e do outro lado Real Madrid – Barcelona vs. Bayern Munique – Milan. Tirando o primeiro, estás à vontade para alterar a ordem dos jogos e tudo. Repara: eu não Te estou a pedir que faças o Benfica ganhar os jogos (isso dependerá do nosso merecimento), estou a pedir-Te um nível de sorte no sorteio semelhante ao que deste a um determinado clube há oito anos (sendo até que este teve mais, porque nenhuma das equipas “do outro lado” que irá chegar à final é propriamente o Mónaco…). Mas caso insistas mesmo em atirar um tubarão para cima de nós, ao menos faz com que a 1ª mão seja na Luz.
Já agora, e prometo ser a última coisa que Te peço, se a Uefa continuar com os seus critérios inexplicáveis de fazer com que quatro das equipas tenham seis dias de intervalo entre as duas mãos (Quarta e Terça seguinte) e as outras quatro tenham oito (Terça e Quarta da outra semana), e porque o jogo do campeonato entre as duas mãos é frente ao Braga, ao menos coloca-nos neste segundo grupo. Se fizeres tudo isto, prometo abanar um pouco as fundações da minha certeza da Tua não-existência.
Muito obrigado e as minhas saudações respeitosas,
S.L.B.
P.S. - Tirando Real Madrid, Barcelona e também o Bayern, acho sinceramente que temos as nossas hipóteses com qualquer um dos outros adversários.
Já são muitos anos de luta. Ao longo destes anos, tenho conhecido muito do melhor e do pior do futebol português.
Desde antigos futebolistas que passaram por clubes de nomeada a norte do Douro e que, à mesa, me contam histórias de como andaram anos a contornar o controlo anti-doping até outros que contam histórias vergonhosas de colegas que se venderam no jogo Y e X, para terem como prémio de final de carreira, lá pela casa dos 34 / 35 anos, um contrato assinado com um determinado clube. Passando pelas inúmeras histórias de árbitros que comunicavam logo nos primeiros minutos de jogo que estavam ali para “lixar” a equipa A ou B. Ouvi de tudo. Todos (jogadores, árbitros, dirigentes, massagistas, médicos…) sabem qual é a cabeça do polvo. E muitos foram os que, identificando a cabeça, acabavam por referir também alguns dos tentáculos mais discretos e eficazes: os delegados da Liga e os observadores de árbitros.
Hoje, Manuel Armindo, delegado da Liga, mostrou-se incompetente como tentáculo [link]: continuou eficaz, mas tornou-se indiscreto. E, assim, comprometeu o seu lugar na estrutura tentacular. Muitos outros por lá ficaram e outros tantos estão já preparados para o substituir. É um futebol podre.
Qual é o limite para Bernardino Barros na “Rádio Renascença”, Manuel Queiroz na “TVI” e para Jorge Coroado no jornal “O Jogo”? Qual o limite do primeiro na tentativa de branquear os métodos do seu clube? Qual o limite do segundo em querer agradar ao dono? Qual o limite de ódio que o terceiro consegue destilar contra o Benfica?
Quais os limites dos ouvintes / espectadores / leitores benfiquistas?
Vitória muito complicada em Paços de Ferreira, num jogo que acabou por ser decidido por pormenores de talento dos nossos jogadores, e que nos permite agora estar a um ponto do primeiro lugar.
Gaitán no banco e titularidade do Saviola no lugar deixado vago pelo Aimar foram as principais novidades no onze, onde também esteve, conforme esperado, o Capdevila em vez do castigado Emerson. Logo nos primeiros minutos deu para ficar com uma boa imagem daquilo que o jogo seria. O Benfica com muito mais posse de bola, a tentar construir com paciência os seus ataques face a uma equipa que acumulava jogadores em frente à sua área, e o Paços a sair com muita velocidade - quase sempre através do Melgarejo - para o contra-ataque assim que recuperava a posse de bola. Na fase inicial conseguimos criar boas oportunidades para marcar, pelo Nolito e pelo Saviola, mas o Cássio opôs-se bem aos remates. Depois vimos o Cardozo não conseguir chegar a tempo de emendar um cruzamento que fez a bola passar ao longo da linha de golo. Até que, em mais um contra-ataque conduzido pela esquerda, e já depois de ter ameaçado num canto, o Paços chegou ao golo pouco antes da meia hora, contra a corrente do jogo, diga-se. O Artur ainda se opôs ao primeiro remate, com uma grande defesa, mas depois chegou a ser irritante ver como três jogadores do Benfica perto do lance ficaram literalmente a olhar enquanto o Michel controlava a bola, a passava para o pé esquerdo, e rematava para a baliza. O Benfica acabou por acusar o golo, e a qualidade do nosso futebol piorou, tendo mesmo o Paços, mais uma vez pelo inevitável Melgarejo, estado perto de voltar a marcar, tendo sido novamente o Artur a evitar males maiores. Pouco antes do intervalo, mais uma demonstração cabal das instruções que os árbitros têm tido nestas últimas jornadas para não assinalar penáltis a favor do Benfica - foi um em Guimarães, dois em Coimbra, e hoje pelo menos outros dois, que resultaram em amarelos para os nossos jogadores.
Houve duas alterações ao intervalo (Nélson Oliveira e Gaitán nos lugares do Saviola e Nolito) e esperava uma reacção forte do Benfica na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Nos primeiros minutos da segunda parte só deu Paços mesmo, e se o Paços se apanhou a ganhar com alguma felicidade, agora fomos nós quem teve a felicidade de não nos apanhámos a perder por dois golos de diferença. Ainda e quase sempre com intervenção do Melgarejo nas jogadas (tendo até acertado uma bola no poste), foram várias as situações em que o Paços esteve perto de marcar. Só ao fim de quinze minutos o Benfica pareceu finalmente conseguir acalmar um pouco, mas o cenário não parecia ser nada favorável, pois não havia grande inspiração na construção de jogadas de ataque, e começava-se mesmo a ver demasiadas situações em que os centrais eram obrigados a despejar bolas directamente para o ataque. Foi pois quase surpreendente que chegássemos ao empate, numa jogada em que grande parte do mérito vai para o Nélson Oliveira, que fugiu à marcação pela direita e centrou rasteiro para a área, onde o Cardozo deixou a bola passar para a zona do segundo poste, permitindo a finalização fácil do Gaitán. Tínhamos agora vinte e cinco minutos para tentar o segundo golo, mas não foi preciso tanto. Cinco minutos depois, livre perto da área, descaído para a direita e bem à medida do Cardozo. E quando quase todos esperariam o pontapé do paraguaio, foi o Bruno César quem marcou o livre na perfeição, levando a bola ao fundo da baliza. Com a vantagem no marcador obtida, o Benfica tentou claramente acalmar o ritmo do jogo e manter o mais possível a posse da bola, conseguindo que o jogo decorresse até ao seu final sem grandes sobressaltos. A nossa tarefa acabou por ficar mais facilitada pela expulsão do Michel, a um quarto de hora do final, e já mesmo a terminar o jogo, por uma segunda expulsão de um jogador do Paços.
Muito bem o Artur, sem quaisquer culpas no golo sofrido, onde até fez uma defesa brilhante ao primeiro remate, e tendo evitado em mais de uma ocasião que o Paços ampliasse a vantagem. Importante mais uma vez a entrada do Nélson Oliveira, que mexeu bastante com o jogo e fez a jogada do golo do empate (e foi-se familiarizando com a realidade de ver um cartão amarelo caso sofra algum toque na área). Mas o melhor jogador do Benfica esta noite foi claramente o Melgarejo.
Era imperioso vencer para aproveitar a escorregadela do Porto e aproximarmo-nos do primeiro lugar, colocando mais alguma pressão sobre eles. O objectivo foi, portanto, alcançado. Agora é continuar a ganhar os nossos jogos, porque ainda há muito campeonato pela frente.
A relação de Ruben Amorim com Jorge Jesus foi-se deteriorando ao longo do tempo. Não sei de quem foi a culpa, mas sei que, em pleno balneário, o Ruben errou ao ter uma atitude bastante reprovável. Dessa atitude nunca se retractou, o que também me parece um erro, e acabou por sair.
Quem dirige o Benfica cometeu o erro de o deixar sair para um clube que não merece que o reforcemos. Erro agravado pelo facto de esse clube competir directamente com o Benfica. Ou seja, em cima dos erros de gestão das relações entre treinador e futebolista, errou-se no destino a dar ao futebolista.
De erro em erro, Ruben Amorim deu uma entrevista [link] em que confunde a sua relação pessoal com o treinador com a sua relação laboral com o Benfica. Com isto, tal como outros recentemente, acaba por ajudar a hipotecar a sua relação emocional com os benfiquistas. Como resultado, ninguém sai beneficiado. Ainda assim, Ruben Amorim foi quem mais se prejudicou. Tudo isto poderia e deveria ter sido tratado de forma bem diferente.
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