Depois do que aconteceu em Dusseldorf, já todos os que se alimentam de sangue publicitaram os altos valores morais que os norteiam, proclamaram a ausência dos mesmos no alvo de circunstância e decretaram o veredicto. Eu não dou nem mais um cêntimo para o peditório de enlamear o homem que é capitão de equipa do Benfica e que veste o manto sagrado há uma década. Agora, daqui em diante, precisamos de ver em campo o capitão, o líder, a referência para os colegas e o primeiro dos homens para quem nós, do Terceiro Anel, olhamos quando algo não está a correr bem. Agora, é tempo de mostrar ao Luisão que a sua história no Benfica não se esgota num momento de imprudência e num patético aproveitamento teatral da mesma. A história do Luisão no Benfica está longe de estar terminada e nós, benfiquistas, não temos no nosso ADN esse gene de abandonar às hienas o capitão da nossa equipa sénior de futebol.
Há clubes pequenos, regionais, para quem uma situação destas serviria para unir os seus adeptos em torno da defesa do seu capitão de equipa. No Benfica, pelo gigantismo do mesmo, essa união é utópica e, como tal, surgirá sempre uma grande polifonia de vozes. É natural e faz parte da nossa história e forma de viver o Clube. No entanto, esta é uma excelente oportunidade de unir ainda com laços mais fortes o balneário em torno do capitão de equipa. Se isto for conseguido, conseguir-se-á transformar algo de mau em algo de positivo. É imperioso que haja esta capacidade por parte de quem lidera a equipa e esta vontade por parte de todos os membros do plantel. A defesa que Javi Garcia já fez do seu companheiro e amigo deixa-me esperançado de que esta união se manifeste em campo já no primeiro jogo do campeonato.
Pela minha parte, fica a certeza de que neste próximo jogo, em nossa casa, lá estarei a apoiar incondicionalmente o Benfica e, particularmente, o Luisão.
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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Agosto e publicado na edição de 17/08/2012 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
Não sei se faz muito sentido adeptos de uma agremiação que tem como treinador um primata que fez do seu modo de vida a agressão em barda a tudo o que esboçasse movimento, desde seleccionadores a árbitros, passando por jogadores, e que tem como Presidente um trafulha que esteve preso por desviar dinheiro nos paquetes da Expo, ou um vice-presidente que andou a depositar dinheiro na conta de fiscais de linha e a promover incêndios criminosos em estádios adversários, sem falar no conjunto de cacófagos que tratou de incendiar as bancadas e agredir os bombeiros que tentavam controlar as chamas; não sei se faz sentido – dizia eu – adeptos de uma clubeta que se revê neste modo de vida criminoso e hipócrita (nunca o condenaram) acharem que têm moral para criticar o que quer que seja por um capitão do Benfica se encostar a um árbitro com o sonho de vingar na Broadway.
Também não sei se faz muito sentido adeptos e dirigentes de uma associação que tem como fachada o futebol mas que na verdade prospera no crime e na construção de um clima de medo, que promove a violência e a corrupção há mais de 30 anos no futebol português, que intimida e corrompe árbitros, observadores e a justiça desportiva, que agride jogadores e dirigentes adversários, que tem nas suas fileiras uma verdadeira milícia que destrói, agride e rouba a seu bel-prazer e que tem dirigentes condenados pela justiça e apanhados em dezenas de escutas a corromper árbitros e a brincar ao Padrinho; não sei se faz sentido – dizia eu – gente desta laia sequer abrir a boca (e deviam-na lavar primeiro, e bem lavada) para falarem do Capitão do Benfica.
Adicionalmente, não sei que moral tem a pobre desculpa que passa por imprensa desportiva deste país, que se divide entre cobardes ressabiados com uma agenda própria e entre prostitutas intelectuais que prestam uma vassalagem doentia e que vomitam devotamente a doutrina do mestre fantocheiro, para criticarem a mínima atitude que seja do Capitão do Benfica, que tem mais dignidade numa unha que todos esses rafeiros sem vergonha que todos os dias se vendem pelos jornais e televisões deste país. Estão tão habituados a dar o traseiro que estranham quem dá o peito.
Se calhar teria sido melhor o Luisão dar amavelmente indicações da sua morada ao árbitro para mais tarde lhe fornecer aconselhamento familiar, que isso é que é bem visto aqui pela chusma dos jornais.
Não sabendo tudo isto, o que eu sei, e nisso não tenho dúvidas, é que para esse peditório eu não dou. Trata-se de um não caso, explorado por uma alemão histérico convencido que está num cabaret. O que o Luisão fez (se é que aquilo é fazer qualquer coisa, senão eu desmaiava cada vez que ando de Metro) acontece todos os fins-de-semana em todo o santo relvado, e normalmente muito pior (e nem falo da discricionariedade do espectro de comportamentos com que qualquer assalariado do fcp trata um árbitro, que pode ir do jogo do arremesso do próprio árbitro à la José Pratas, à beijoca e apalpão no rabo à la Pedro Proença). A diferença é que nem todos o fazem frente a uma Drama Queen que parece estar a fazer audições para o Musical da Casa na Pradaria. Não só não censuro o Capitão do Benfica, como acho que, perante aquela manifestação de representação de terceira categoria, devia ter dado uma valente chapada na tromba da florzinha para acabar com o teatro e o overacting.
O que eu sei, e disso não tenho dúvidas, é que de mim, a única coisa que o Luisão leva é um grande abraço e força para aturar a turba que cerca o castelo de tochas na mão.
E no meio de tudo isto, acho – e acho-o sinceramente – que quem devia pedir uma indemnização era o Benfica. Pela maçada, pelo tempo perdido, por acabar por promover o teatro burlesco e um aspirante a actor travestido de árbitro e por ter de aturar um palhaço de um presidentezeco de uma clubeta alemã que se devia sentir agradecido por ter lá tido o Benfica nem que fosse por 38 minutos.
Deixo-vos com um best of do Christian Fischer, essa esperança do musical alemão.
Efeito, n. O segundo de dois fenómenos que ocorrem sempre juntos e na mesma ordem. Do primeiro, ao qual se chama Causa, diz-se que gera o segundo – o que é tão sensato como dizer-se que, por se ter visto um cão a perseguir um coelho, o coelho é a causa do cão.
in Dicionário do Diabo, Ambrose Bierce
Tudo aquilo que aconteceu, tudo. ...
Adenda ao post:
Relativamente aos hipotéticos castigos, contactei um especialista na matéria que me informou do seguinte: que se saiba, não foi mostrado qualquer cartão vermelho a qualquer jogador do Benfica. O árbitro saiu pelo próprio pé e, tendo condições para o fazer, não mostrou nenhum cartão vermelho. Nenhum membro da equipa de arbitragem mostrou qualquer cartão vermelho ou deu ordem de expulsão por qualquer meio a qualquer jogador do Benfica, nem no campo nem nos balneários. Assim, não poderá (deverá) o árbitro referir qualquer agressão no relatório, pois essa hipotética agressão teria de ser acompanhada da exibição do referido cartão ou pela respectiva ordem de expulsão. Veremos...
Jorge Jesus, após um jogo de preparação, de dedo em riste, deu um ralhete a um futebolista seu, Ola John. Foi o escândalo, o horror e a indignação! O país desportivo acordou em choque. Os três molhos de folhas tintadas a que chamam jornais desportivos fizeram do acto capa. Os comentadores teorizaram sobre o treinador carrasco e sobre o jogador vítima. Segundo me pareceu, nunca os jornalistas portugueses tinham visto um treinador a dar um ralhete, em público, a um jogador. Nunca. E o acto chocou-os. E o acto indignou-os. E o acto permitiu-lhes tecer comentários sobre o valor do treinador como homem. No dia seguinte, perguntaram à pobre vítima o que achava do vil verdugo. A pobre vítima, para espanto dos inquiridores, não se achava vítima de coisa alguma. Achava normal e nada de especial que o seu treinador o tivesse corrigido com mais veemência.
Em seguida, apurou-se a forma de acertar no alvo: não era o ralhete que se questionava, era o facto de ter sido em público e não no recato do balneário. Garanto que, perante o alarido causado, se fosse agora, o treinador do nosso Benfica certamente teria feito os reparos longe dos olhares sensíveis dos jornalistas sensíveis. Mas, possivelmente, o treinador em causa terá visto anteriores ralhetes públicos que foram encarados como normais pela chusma que agora se indigna. A título de exemplo, a dita chusma não se indignou quando, no dia 7 de Abril, durante um jogo entre o clube do sr. Salvador e o clube do sr. Costa, o treinador Vítor Pereira, aos 25 minutos de jogo e com o resultado empatado, deu um ralhete, de dedo em riste e aparentemente com ameaças, ao árbitro Olegário Benquerença. Também foi em público, foi transmitido pela televisão em sinal aberto para todo o país e, pelos vistos, também foi um treinador a corrigir alguém do seu clube. Não fez capa de nenhum jornal e a chusma achou normal...
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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Agosto e publicado na edição de 10/08/2012 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
A notícia surgiu na semana passada, o Presidente do Benfica foi castigado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de incidentes ocorridos no final do jogo com o Sporting, no passado dia 26 de Novembro de 2011. O Castigo implica uma suspensão de 45 dias e uma multa no valor de 2500 euros.
Quem tem obrigação de fazer justiça levou oito meses para ditar uma sentença contra o Presidente do Benfica. Sentença que surge na sequência de um jogo em que adeptos do Sporting deliberadamente incendiaram uma bancada do Estádio da Luz, depois de mais uma derrota e após declarações deliberadamente incendiárias por parte de dirigentes do Sporting.
Um provérbio latino dizia “Quod licet Jovi non licet bovi” – o que é permitido a Júpiter não é permitido ao boi. Ou seja, o que é permitido a uns não é permitido a outros, daqui decorre que muitas coisas são permitidas ao boi que não são permitidas a Júpiter. Longe de mim estar a comparar um presidente do Benfica (seja ele qual for) a Júpiter, mas não posso ignorar que a uns foi permitido tudo – incendiar ânimos, incendiar um estádio, colocar em risco a vida de terceiros, agredir bombeiros e impedir a prestação de auxílio – e a outros não foi permitido protestar contra uma arbitragem vergonhosa (mais uma). Com esta espécie de justiça da lavra da Federação Portuguesa de Futebol do senhor Fernando Gomes, o que se conseguiu foi colocar uma ignomínia em cima de um acto criminoso. Ou seja, deliberaram uma ignomínia em cima de outra. Nenhuma das duas é inocente.
Perante isto, resta recusar. Recusar e não transigir. Recusar qualquer apoio pedido por cristãos-novos da verdade desportiva. Não transigir, em nome de desculpa alguma, para com aqueles que, independentemente dos sorrisos com que nos pedem apoio, escondem na agenda o desejo de nos derrotar.
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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 31 de Julho e publicado na edição de 03/08/2012 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
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