Vender um jogador que actue no campeonato português por 20 M€ é um bom negócio. Vender por 20 M€ um jogador que custou 7 M€ é um muito bom negócio. Vender um médio-defensivo por 20M€ na actual conjuntura de crise (Ibrahimovic custou 20 M€ e o Lavezzi 30 M€ ao PSG) é um excelente negócio.
Então, porque é que vender o Javi García por 20 M€ é um péssimo negócio?
1) Porque é um jogador fundamental que sai 10M€(!) abaixo da cláusula de rescisão (ao contrário do que foi prometido);
2) Porque nós não acautelámos essa saída (se a época estava prevista com Javi + Matic + “jovens da equipa B”, se sai o primeiro e não o substituímos, é óbvio que ficamos mais fracos, por mais que se tente dourar a pílula);
3) Porque não se desfalca a equipa de uma peça fundamental no último dia do mercado sem ser pela cláusula de rescisão! É básico e é senso comum (“precavemos assim futuros problemas de tesouraria”? Mas, no início de Julho, esses problemas não se vislumbravam? Foi preciso chegar a 31 de Agosto para nos darmos conta disso?);
4) Porque não se percebe que, estando o Javi García na porta de saída e não havendo tempo nem dinheiro para ir ao mercado, o Airton esteja no Flamengo e o Nuno Coelho a treinar na praia (ambos contratados com a anuência do actual treinador, acrescente-se. Dizer que são os “jovens da equipa B” que podem fazer o lugar é colocar-lhes nos ombros uma pressão desmesurada. O mesmo se aplica ao Matic, que nem é trinco de origem).
Mas, pronto, tínhamos que fazer dinheiro e saiu o Javi García. Tudo bem. Adiante.
Desde o começo da pré-temporada que foi afirmado por responsáveis do nosso clube que queríamos um defesa-esquerdo. Possivelmente, a posição mais deficitária da equipa. Ou seja, tínhamos dois meses para o arranjar (eu não quero ser mau e dizer que há mais de um ano que andamos à procura de um defesa-esquerdo… mas adiante). Chegamos a 1 de Setembro e esse defesa-esquerdo não veio. O nosso treinador veio dizer que o Sílvio era uma “invenção” dos jornais. Pois claro que era, porque raio de carga de água é que nós iríamos querer um internacional português que seria não só uma solução para a lateral-esquerda, como daria um substituto para o Maxi (que há quatro anos que pura e simplesmente NÃO se pode lesionar sob pena de a nossa época terminar aí) e ainda por cima preencheria uma vaga na Uefa para “jogadores formados no clube”?! Era um 3 em 1, como disse o Velho Estilo. Claro que tinha de ser “invenção” dos jornais…
A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos gastar 9 M€ no sexto extremo do plantel (nota pessoal: eu acho que a partir de 6/7 M€ um jogador tem que entrar de caras na equipa titular, tipo Gaitán, Cardozo, Simão, mas também me lembro que o Ola John deu cabo da cabeça ao Maxi no ano passado. Vamos aguardar que não seja um novo Sabry…). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos contratar o sétimo extremo do plantel (embora o Salvio seja um jogador fabuloso e, independentemente de quanto terá custado, vá ser sempre uma pechincha no futuro, como o Cardozo ou o Simão). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos contratar um ponta-de-lança de 29 anos pela cláusula de rescisão (já agora, se foi pela cláusula, porque é que tivemos que emprestar o Michel? E, se emprestámos o Nélson Oliveira para “jogar mais” porque estava tapado pelo Cardozo e Rodrigo, qual é o sentido de vir agora o Lima? Já para não falar das dispensas do Saviola e Rodrigo Mora. E o que é que o Kardec está a fazer no plantel? Não, espera, não me digam que o mercado na Rússia fecha só no dia 6 e que…?!). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas vamos fazer metade da época (pelo menos) com o Melgarejo (de quem gosto muito) adaptado e o Luisinho. A defrontar o Messi e o Hulk. Pronto, está bem, deve ser porque eu não percebo mesmo nada disto.
Independentemente das decisões parecerem o mais absurda e incompreensíveis possível, eu gosto de perceber o que está por detrás delas. Qual o racional e a lógica que presidiram a essas mesmas decisões (tipo: emprestar o João Pereira a meio de uma época, dispensá-lo no final da mesma e ir a Braga buscar o Luís Filipe por 2 M€). Confesso que, nesta pré-época e especialmente neste último dia de mercado, tenho dado imensas voltas à cabeça e não consigo mesmo ver o que terá levado os responsáveis do Benfica a tomarem este tipo de decisões. Gostaria que alguém me explicasse, “como se eu fosse mesmo muito estúpido”. (E provavelmente sê-lo-ei, porque isto tudo me parece tão amador que não quero pensar que quem toma este tipo de decisões no meu clube o possa assim tanto ser…)
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