VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Arraial

Uma vitória magra que podia ter sido bem mais confortável, mas que foi o que se conseguiu arranjar num jogo em que foi bastante difícil jogar futebol, tamanho foi o arraial de pancadaria com que a equipa do Setúbal nos presenteou.

 

 

Voltámos a apresentar o mesmo onze do jogo contra o Feirense, com o Zivkovic e o Rafa nas alas e o Gedson como terceiro médio. E nem foi preciso um minuto de jogo para percebermos todos ao que o Setúbal vinha. A pancadaria começou logo a seguir ao apito inicial, com jogadores como o Semedo, o Mano ou o Mendy a baterem em tudo o que lhes passava ao alcance, fazendo uso de pés, pitons ou cotovelos. Sempre, claro está, perante a plácida complacência do camarada Xistra, que às vezes fazia-se de mau e para aí à quarta ou quinta falta do mesmo jogador do Setúbal até o avisou que já chegava e que para a próxima até seria capaz de fazer qualquer coisa - não sei se seria mostrar-lhe um amarelo, ou simplesmente fazer cara de mau para ele e ralhar-lhe. O Benfica tentou jogar futebol, mas era difícil fazer um jogo de grande qualidade nestas condições. Felizmente chegámos ao golo ainda relativamente cedo, porque se por acaso o nulo se tivesse prolongado no marcador isto tinha tudo para acabar mal. Foi aos dezassete minutos, numa boa jogada - das melhores que fizemos em todo o jogo. Progressão do Grimaldo pela esquerda, tabela com o Zivkovic, depois a bola seguiu no momento certo para o Gedson na ponta e o cruzamento deste, rasteiro bem para o centro da área, foi finalizado de primeira e com classe pelo Jonas. O mais difícil estava feito, até porque o Setúbal era quase inofensivo no ataque. Para além de pontapear e massacrar os nossos jogadores sobre cada metro quadrado do terreno, pouco mais pareciam saber fazer. Foi pena que não tivéssemos dado o golpe decisivo no jogo ainda na primeira parte, mas o remate de pé direito do Zivkovic à entrada da área foi esbarrar na base do poste.

 

 

Na fase inicial da segunda parte continuámos à procura do golo da tranquilidade. Criámos ocasiões para isso, em jogadas que invariavelmente tinham um toque de classe do Jonas. Só que infelizmente tivemos uma reedição do 'best of' do Rafa do ano passado, e entre a má finalização ou a inspiração do guarda-redes do Setúbal, o segundo golo foi teimando em não aparecer. O Zivkovic até ensaiou o que poderia ser o golo da época, com uma tentativa de chapéu quase da linha do meio campo, mas depressa ficámos a saber que em situações excepcionais (como por exemplo, quando o Benfica apanha a equipa contrária toda em contrapé) é possível assinalar-se posição irregular a um jogador que ainda está dentro do seu próprio meio campo. É um artigo das leis do jogo pouco conhecido do público em geral, mas que dá algum jeito. Depois, naturalmente, aconteceu o cenário habitual nestas situações. Com uma diferença mínima no marcador, à medida que nos aproximávamos do final do jogo até um bando de lenhadores da bola como os jogadores do Setúbal começaram a acreditar que seria possível chegar ao empate, enquanto que o Benfica se começou a encolher na procura de preservar a vantagem. Não que o Setúbal alguma vez tivesse conseguido ser uma equipa dominadora no campo, mas entre muitos pontapés para a frente a bola sempre se ia aproximando da nossa baliza e a qualquer altura um lance fortuito poderia ter consequências desastrosas para nós. E esse lance fortuito até aconteceu mesmo: aos oitenta e nove minutos de jogo o Setúbal teve a sua primeira e única verdadeira ocasião de golo em toda a partida. Cruzamento para a área e falha de marcação dos nossos centrais, que permitiram que um adversário saltasse quase à vontade para cabecear a dois metros da baliza. Felizmente o Odysseas reagiu por instinto (a bola foi-lhe praticamente à figura, mas o adversário estava mesmo em cima dele) e evitou o pior. E tivesse essa bola entrado e estaríamos aqui a desancar mais um péssimo resultado, enquanto se cantavam loas ao jogo 'viril' do Setúbal por essa comunicação social fora. Não foi violento, porque o Vidigal explicou-nos que Setúbal é uma terra de pescadores, homens machos, e sabemos que aqueles jogadores do Setúbal é tudo gente nada e criada ali nas margens do Sado, que mesmo antes de entrar em campo estava ali a arrumar as redes vinda directamente da faina. As regras do jogo são maleáveis e não se podem aplicar contra a natureza das pessoas: uma pantufada de um jogador do Benfica é falta para cartão, uma sarrafada de um setubalense é apenas um macho a dar largas à sua natureza piscatória.

 

 

Melhor em campo, por larga margem, o Jonas. Praticamente tudo o que de bom o Benfica fez no jogo teve um toque seu. A forma como por duas vezes isolou o Rafa com um simples toque na bola é deliciosa, a finalização de pé esquerdo no golo foi maravilhosamente simples e eficaz. O Zivkovic continua a deixar-me a interrogação do porquê de ter sido praticamente ignorado durante o primeiro terço da época.

 

O Setúbal estava apostado em travar-nos de uma maneira ou de outra e estes três pontos foram mesmo muito importantes. Tanto que, mesmo perante um jogo que não foi dos de maior qualidade da nossa parte, não consigo criticar muito a equipa. Era difícil ter nota artística quando o adversário via canela até ao pescoço e os árbitros de serviço estavam conscientes da margem alargada de manobra que se deve dar aos machos pescadores quando eles decidem tentar jogar à bola.

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publicado por D`Arcy às 23:28
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Panaceia

Uma vitória gorda sobre o Feirense, construída graças a uma segunda parte finalmente mas consentânea com aquilo que nós esperamos da nossa equipa, serviu para já de panaceia para os nossos males.

 

 

Foram-nos anunciadas ou prometidas mudanças, mas em termos de constituição da equipa titular ou mesmo variações tácticas elas foram quase imperceptíveis. Houve três alterações à equipa que tinha caído com estrondo em Munique, mas duas delas foram perfeitamente naturais (regresso do Jardel ao centro da defesa e do Gedson, que já tinha jogado a segunda parte na Alemanha, ao meio campo) e apenas a terceira foi uma pequena novidade: a titularidade do Zivkovic pela primeira vez no campeonato esta época - até agora acumulava apenas 79 minutos distribuídos por cinco jogos, sempre vindo do banco. Actuou na ala e não no meio campo, mas já foi alguma coisa. Se a constituição da equipa e a disposição táctica não acusavam as prometidas mudanças, aquilo a que assistimos drante a primeira parte confirmou isso mesmo. Foram mais quarenta e cinco minutos daquele Benfica que nos tem exasperado esta época, com uma imensa superioridade no que diz respeito à posse de bola e quase nenhuns resultados para mostrar. Não que não se notasse vontade nos jogadores para fazer mais, mas o futebol foi pobre e a escassez de ideias muita. Em termos de ocasiões de perigo e oportunidades de golo, foi quase um deserto, e só num livre directo marcado pelo Pizzi é que fizemos um remate à baliza digno desse nome. Muito pouco perante um Feirense completamente decepcionante. O treinador Nuno Manta Santos é frequentemente elogiado pelo bom futebol que a sua equipa pratica, mas esta noite na Luz não mostrou nada, nem sequer vontade de jogar. Apostou fortemente no antijogo praticamente desde o primeiro minuto, com vários jogadores a deixarem-se ficar no chão frequentemente para parar o jogo e o guarda-redes a queimar tempo em cada reposição de bola. Isto sempre perante a benevolência do árbitro, que perante tudo isto anedoticamente apenas concedeu dois minutos de compensação na primeira parte.

 

 

As mudanças prometida ficaram para a segunda parte. Os extremos Rafa e Zivkovic trocaram de lado, com o primeiro a ir para a esquerda e o segundo para a direita, e o Benfica surgiu a jogar mais agressivo, adiantando a linha de pressão vários metros - o Rafa foi um exemplo visível disso, aproveitando a sua velocidade para começar logo a pressionar as tentativas de saída de bola do Feirense, e com sucesso. Claro que o facto do génio do Jonas ter começado logo após quatro minutos a resolver o problema deverá ter feito maravilhas pela confiança de uma equipa que tem andado pela mó de baixo. O adjectivo 'brilhante' não faz justiça ao golo que ele marcou. Depois de uma combinação entre o Zivkovic e o Grimaldo na esquerda, com este último a fazer um cruzamento rasteiro para o centro da área, o Jonas com um primeiro toque de pé direito fugiu ao defesa que o marcava e depois de primeira e de pé esquerdo, já de ângulo apertado, colocou a bola no poste mais distante. Absolutamente genial. Era agora um Benfica completamente transfigurado que estava em campo, e que não se acomodou à vantagem como tantas vezes o tem feito esta época. Em vez disso foi à procura de mais como se isso fosse a coisa mais importante do mundo (não sei se mostraram isso na transmissão televisiva, mas no estádio eu reparei no pormenor do Rúben Dias a ir buscar a bola dentro da baliza e a levá-la para o centro do terreno). E percebemos logo que mais golos iriam acontecer. Num curtíssimo espaço de tempo a pressão do Rafa resultou numa recuperação de bola e no passe para o Jonas que, completamente isolado em frente à baliza, acertou mal na bola e levou-a ainda a raspar no poste. Depois o mesmo Jonas ainda marcou, mas estava em posição irregular. Mas ao fim de treze minutos a bola lá voltou a entrar na baliza do Feirense. Novamente com o Rafa na jogada: passe do Grimaldo em profundidade, o Rafa ganhou em velocidade ao defesa, passou pelo guarda-redes e sobre a linha de fundo tentou assistir o Jonas à boca da baliza, mas um defesa do Feirense antecipou-se e fez autogolo. Dez minutos depois, um merecedíssimo golo para o Rafa, numa jogada que começou precisamente numa recuperação de bola sua, e que terminou com uma finalização quase sobre a linha de golo depois de uma combinação entre o Zivkovic, Pizzi e Jonas. E o Benfica continuou sem tirar o pé, a controlar completamente o jogo e a procurar marcar mais golos que ajudassem a exorcizar os males que nos têm afectado. O Seferovic rendeu o Jonas a oito minutos do final e ainda entrou a tempo de ampliar o resultado mesmo sobre o minuto noventa, aproveitando uma má intervenção do guarda-redes depois de não ter conseguido desviar de primeira o cruzamento do Zivkovic.

 

 

Apesar da maioria provavelmente eleger o Jonas como o homem do jogo, a minha escolha vai para o Rafa. Foi sempre o elemento mais desequilibrador no nosso ataque e esteve em quase todas as jogadas de maior perigo da nossa equipa. Claro que entre ele e o Jonas não houve grande diferença, e o golo do Jonas foi algo de sublime. Pareceu-me que o Zivkovic aproveitou bem a oportunidade. Estranhamente, até o fez mais na segunda parte a jogar na esquerda, onde acabou por estar envolvido nas jogadas de três dos quatro golos. Digo 'estranhamente' porque por norma ele costuma render mais na direita do que na esquerda. Bom jogo também do Grimaldo.

 

Lá diz o velho ditado que uma andorinha não faz a Primavera, mas esta equipa estava claramente a precisar de um resultado destes e de uma exibição como a da segunda parte. Foi notório o alívio dos jogadores e a forma muito mais solta como jogaram à medida que o resultado começou a correr a seu favor. Resta agora saber se vão saber aproveitar isto e dar-lhe continuidade, ou se foi um mero fogacho. Espaço para mais passos em falso já deixou de haver.

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publicado por D`Arcy às 03:17
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