Foi um excelente resultado contra um opositor fortíssimo, que ainda não tinha perdido esta época na Liga Europa e que desde Dezembro que não perdia um jogo oficial (quinze jogos sem perder). Ainda assim deu para sair da Luz com alguma pena por não termos conseguido uma vantagem mais confortável para a segunda mão. Mas na memória de todos vai ficar a soberba exibição do João Félix, a anunciar o seu nome a toda a Europa.
Para não variar, imensas mexidas no onze. Foram seis as alterações em relação ao último jogo, tendo ficado de fora André Almeida, Ferro, Florentino, Pizzi, Taarabt e Seferovic, entrando Corchia, Jardel, Fejsa, Cervi, Gedson e Rafa. Pensei que o Rafa formaria a dupla de avançados com o João Félix, mas afinal o Benfica jogou num esquema mais próximo do 4-2-3-1, com o Rafa na direita e o Gedson no apoio ao avançado. O primeiro quarto de hora foi complicado para o Benfica. O Frankfurt apresentou-se a jogar com um ritmo muito forte, a pressionar no campo todo, com transições muito rápidas e a impedir que o Benfica saísse a jogar. Logo nos minutos iniciais passámos pelo primeiro susto, quando um erro do Jardel permitiu ao Jovic isolar-se e só a dobra feita pelo Grimaldo impediu o pior. Quando começámos a libertar-nos um pouco do colete alemão, a coisa não podia ter sido feita da melhor forma: o João Félix recebo a bola na zona frontal da área e quando se esperava um remate saiu um passe a isolar o Gedson, que foi derrubado pelas costas por um adversário. Penálti, vermelho e golo do João Félix. Os alemães não reagiram à expulsão como se calhar se esperaria. Não fizeram qualquer substituição, mantiveram os dois avançados e arriscaram manter-se a jogar com três defesas, deixando ao médio ala a tarefa de fechar a esquerda quando defendiam. Resultou daqui um jogo aberto e disputado sempre a um ritmo alto, adivinhando-se mais golos. Mas o Benfica, na minha opinião, não soube tirar partido da superioridade numérica e deixou mesmo que os alemães conseguissem fazer parecer que ela não existia. Era importante não sofrer golos, mas quem via o jogo facilmente concluía que seria difícil tal não acontecer. E isso confirmou-se a cinco minutos do intervalo, num lance em que acumulámos erro após erro até a bola entrar na nossa baliza. Primeiro, um passe feito para o Fejsa que já estava pressionado. Depois este, em vez de se desfazer da bola, agarrou-se demasiado a ela até ser desarmado. E a seguir, a bola sobrou para o Rebic, ficando uma situação de dois jogadores do Frankfurt para três defesas nossos. O que não seria grave, mas o Rúben Dias entrou à queima e foi facilmente batido e depois o Jardel simplesmente esqueceu-se de marcar o Jovic, que foi para quem seguiu a bola para este marcar um golo fácil. Felizmente a resposta foi imediata, pelos pés do João Félix para o golo da noite. Ainda bem de fora da área, remate a meia altura potentíssimo que fez a bola entrar junto do poste. Faltavam dois minutos para o intervalo e até lá o Cervi ainda desperdiçou duas ocasiões flagrantes de golo e o Frankfurt marcou mesmo na sequência de uma bola parada, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo de um jogador que interferiu na jogada.
Na segunda parte o Benfica surgiu muito diferente e a mostrar finalmente capacidade para explorar a superioridade numérica. Muito mais certeza no passe e velocidade na circulação da bola e variação dos flancos e pela primeira vez vi o Frankfurt quase encostado às cordas. O Rafa deu o primeiro aviso ao atirar ao poste (o auxiliar ainda levantou a bandeira mas o árbitro ignorou porque a bola veio de um jogador alemão) e decorridos apenas cinco minutos estava feito o terceiro golo. Canto do Grimaldo na direita, desvio do João Félix ao primeiro poste e o Rúben Dias surgiu completamente sozinho em frente à baliza para cabecear. Os cantos estudados que o Benfica tentou sempre acabaram por dar resultado - o posicionamento dos jogadores antes do canto ser marcado e a forma como se movimentam é algo pouco visto. Quatro minutos depois, mais um golo e hat trick do João Félix. Um exemplo perfeito da forma como o Benfica estava a saber explorar a superioridade numérica, com a bola a ser torcada entre os nossos jogadores até viajar rapidamente da direita para a esquerda, situação que nos deixou imediatamente numa situação de 5 x 4. A bola seguiu para o Grimaldo, que entrou na área e fez o passe atrasado para a entrada da mesma, onde estava o João Félix para fazer o remate final. Nesta altura o Benfica estava muito por cima no jogo e o cenário mais provável seria marcarmos ainda mais e deixar a eliminatória muito bem encaminhada. O Seferovic entrou para o lugar do Rafa a meia hora do final e dez minutos depois dispôs de uma ocasião flagrante para fazer isso mesmo. Isolado por um passe do João Félix (sempre ele) acabou por permitir a defesa ao Trapp. Não marcámos nós e quase na resposta marcou o Frankfurt. Num pontapé de canto (resultado de uma asneira do Pizzi, que poucos minutos antes tinha rendido o lesionado Corchia) e apesar da superioridade numérica, de alguma forma o Gonçalo Paciência foi deixado completamente à vontade para cabecear sem sequer tirar os pés do chão e relançar a eliminatória. Culpas maiores para o Jardel neste lance, que é quem falha a marcação e o corte. Depois disto os alemães foram mais cautelosos (nunca deixaram de tentar o golo, mas passaram a jogar com quatro defesas fixos) e o resultado manteve-se até final sem grandes ocasiões de parte a parte - apenas um remate com algum perigo para cada uma das equipas.
Nem seria necessário dizer que o homem do jogo foi o João Félix. Três golos, assistência para o outro, tendo ainda sido dele o passe para o Gedson acabar derrubado no lance do penálti, e ainda aquele passe a isolar o Seferovic que podia ter dado o quinto golo. Foi uma exibição sem mácula que só deverá ter servido para atrair ainda mais atenções sobre si. Para além dele, grande jogo do Samaris, e ainda menções para o Rúben Dias e o Grimaldo. No oposto, Jardel e Fejsa ainda a mostrarem muita falta de ritmo, e estiveram ligados aos dois golos que sofremos.
Estamos em vantagem mas a eliminatória está muito longe de estar decidida. O Frankfurt é uma equipa muito forte e tem mais do que capacidade para virar este resultado. E quando nos lembramos do registo absolutamente horrível que o Benfica tem a jogar na Alemanha, parece-me que qualquer tipo de optimismo exagerado será descabido. Por agora, foco na Liga e no Setúbal, que passou a ser agora o jogo mais importante da época, como o serão todos os jogos que se seguem.
P.S.- Não gosto de escrever estas coisas, mas nos jogos europeus normalmente o público da Luz é algo diferente do habitual. Para os benfiquistas que esta noite lá foram e que se entreteram a assobiar esporadicamente a equipa nos minutos finais só porque não se atiravam desenfreadamente para o ataque, para a próxima se calhar é melhor pensarem duas vezes e ficarem por casa. A atitude é ainda mais aberrante quando comparamos com a imensa falange de apoio que o Frankfurt trouxe, que mesmo a perder por 4-1 e com a equipa encostada às cordas não se calou um minuto no apoio à sua equipa.
O resultado final de 4-1 esconde as dificuldades por que passámos para ultrapassar o Feirense, em especial durante a primeira parte. Foi um jogo complicado, e nem vou dizer que foi inesperadamente assim porque nesta fase temos que esperar dificuldades e ansiedade acrescida em todos os jogos. Mas a equipa acabou por reencontrar-se, dar a volta ao resultado e fazer uma segunda parte completamente tranquila.
Já sabíamos que o Rafa e o Gabriel estavam fora das opções, mas as alterações no onze não se ficaram por aí. O Jardel e o Fejsa saltaram directamente para a bancada, e no onze entraram o Ferro, o Florentino, o Samaris e a surpresa Taarabt. A entrada do Benfica no jogo foi péssima. O Feirense, que não ganha um jogo desde Agosto, entrou bastante atrevido perante um Benfica retraído, e não foi muito surpreendente quando chegaram ao golo logo aos dez minutos. Uma falha de comunicação entre o Vlachodimos e o André Almeida depois de um cruzamento da esquerda permitiu ao Sturgeon cabecear sem oposição para o golo. Pensar-se-ia que isto poderia servir de alarme para a nossa equipa, mas não. Continuámos a jogar mal, e só não nos apanhámos a perder por dois porque o golo foi anulado por fora-de-jogo. Só a partir da meia hora de jogo é que começámos a empurrar o Feirense para a sua área de forma mais sistemática, mas ainda assim as coisas eram quase sempre mal feitas no ataque, com a equipa a optar demasiadas vezes por cruzamentos largos e sem grande critério para a área. Acabámos por ser resgatados do abismo por um penálti a cinco minutos do intervalo, que estranhamente foi assinalado pelo VAR - estou mais habituado a ver os VAR a decidirem constantemente contra nós. O Pizzi marcou-o exemplarmente e tudo mudou. Logo a seguir o Félix fez o segundo golo, mas foi anulado por posição irregular deste. Mas ainda fomos a tempo de sair para o intervalo em vantagem: na marcação de um canto, o Samaris assistiu de cabeça o André Almeida para que o nosso capitão neste jogo fizesse o segundo golo.
A segunda parte acabou por ser bastante tranquila, muito por culpa de um golo madrugador do Seferovic que nos colocou com uma vantagem de dois golos. Um desentendimento entre um defesa e o guarda-redes colocou a bola nos pés do suíço, e ainda de fora da área e de primeira ele fez um chapéu perfeito que acabou com a bola no fundo da baliza do Feirense. A partir daí o Benfica controlou completamente o jogo e o Feirense não conseguiu causar qualquer incómodo, sendo cada vez mais previsível que a vantagem do Benfica iria aumentar. Ocasiões para isso não faltaram e até o André Almeida esteve perto da façanha de marcar dois golos no jogo, quando no seguimento de um livre se antecipou ao guarda-redes mas o cabeceamento saiu com a mira demasiado elevada. As trocas feitas foram mais ou menos previsíveis e não alteraram muito a forma de jogar da equipa - Félix por Jonas, Pizzi por Gedson e Taarabt por Cervi. À medida que o jogo caminhava para o final o lado direito da defesa do Feirense foi-se tornando cada vez mais uma espécie de autoestrada para o Grimaldo, que repetidamente investia por aquele lado e causava quase sempre perigo, mas o resultado foi-se mantendo teimosamente até quase ao final do jogo. Só nessa altura é que um cruzamento do Grimaldo (sempre ele) na ressaca de um canto foi encontrar a cabeça do Seferovic, que colocou a bola perto do ângulo e sem possibilidades de defesa para o guarda-redes.
Melhores do Benfica, para mim, Grimaldo e Seferovic. Bons jogos do Ferro, Florentino e Samaris, a mostrar um pouco que se calhar aquela opção na última quarta-feira de meter o Jardel e o Fejsa directamente na equipa vindos de lesões recentes é capaz de não ter sido a mais acertada. O Taarabt não fez muito de particular realce mas não comprometeu e pelo menos mostrou sempre empenho, mesmo na tentativa de recuperar a bola.
Não gostei da má entrada no jogo, até porque é o segundo jogo consecutivo em que isso acontece. Poderia ter tido consequências desastrosas. Ainda bem que conseguimos dar a volta ao resultado e regressar do Norte com mais três pontos. Agora faltam seis finais, com o benefício de quatro delas serem jogadas na Luz. Continuamos a ser os únicos a depender só de nós, e o crescente desespero que isso provoca nos nossos adversários é cada vez mais evidente.
P.S.- Não é que isso seja novidade para ninguém, mas quem tiver tido a oportunidade de ouvir a diferença de tom dos comentários da fraude Freitas Lobo enquanto o Feirense ganhava e depois do Benfica passar para a frente do marcador percebe o que é que esta personagem anda ali a fazer. O homem acabou o jogo em sofrimento.
Um jogo na sequência daquilo que já (não) tínhamos feito contra o Tondela resultou numa merecida derrota pela margem mínima e consequente eliminação da Taça de Portugal.
Pouco a dizer: foi mais um jogo muito pobre da nossa equipa, que ao contrário daquilo que tinha feito para o campeonato, em que entrou para ganhar o jogo, desta vez entrou em campo demasiado expectante e confortável com o nulo no marcador. Estávamos sempre expostos a algum remate de longe do Bruno Fernandes (até porque o Sporting pouco ou nada mais tem do que isso) e foi mesmo o que aconteceu. E já muito antes disso acontecer tinha a perfeita convicção que se por acaso o Sporting marcasse primeiro, o Benfica não teria capacidade de reacção, o que se verificou. Falhámos quase sempre nas transições, quer por passes errados (e perdermos o Gabriel ao fim de quinze minutos não ajudou nada) quer por demasiada demora a executá-los. As poucas ocasiões flagrantes que criámos, desperdiçámo-las de forma absurda nem sequer acertando na baliza (Jonas, Seferovic). Mesmo o golo do Sporting é uma ode ao desleixo, dado que tínhamos a posse da bola em zona defensiva e por duas vezes errámos na saída. Estranhamente, só melhorámos um pouco na fase final graças à entrada do Taarabt, que mostrou muito mais critério na qualidade e tempo de passe do que qualquer outro dos jogadores em campo. Mas antes disso a entrada do Jonas pareceu-me um rotundo falhanço e uma opção completamente errada para a forma como o jogo estava a decorrer.
Foi uma competição perdida de forma ridícula, mas o mais preocupante é o acumular de más exibições. Alguns dos jogadores parecem estar claramente abaixo de forma nos últimos jogos (Félix, Seferovic, Pizzi...) e os regressos do Jardel e do Fejsa para este jogo também não me deram confiança nenhuma - se era para poupar o Samaris, teria preferido o Florentino porque o futebol do Fejsa não me parece encaixar no tipo de jogo que quereríamos praticar nesta situação. A somar a isto, fico agora na expectativa para perceber a gravidade da lesão do Gabriel, porque me parece que sem ele a equipa deixa de funcionar. Depois de uma recuperação brilhante numa altura em que a época parecia perdida, parece que insistimos agora em dar tiros nos pés.
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