VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 27 de Novembro de 2021

Degradante

Não há nada para escrever sobre futebol hoje, porque a situação degradante a que se assistiu foi uma farsa que nada teve de futebol. Depois do que se passou com o Benfica o ano passado, a Liga passou um ano inteiro de mãos nos bolsos e a assobiar para o ar, e o resultado disso foi vermos um jogo a começar com uma das equipas apenas com nove jogadores em campo, porque os regulamentos obrigavam a que as equipas se apresentassem em campo.

Equipa do Benfica

É claro que todos nós sabemos que irá haver agora uma campanha orquestrada para tentar lançar o ónus daquilo que se passou para cima do Benfica, inclusivamente da parte de gente que se riu do Benfica o ano passado. Vejamos: a Liga, como organizadora do jogo, não o adiou. A B SAD, adversária do Benfica, não solicitou o adiamento do jogo em tempo e o presidente dizia hoje à hora de almoço que tinha 38 jogadores inscritos e que iria a jogo - pelos vistos tentou pedir o adiamento meia hora antes do apito inicial. De quem é a culpa do que se passou? Do Benfica, obviamente. Honestamente, se o Pedro Proença conseguir passar mais uma vez entre os pingos da chuva aproveitando precisamente a tentativa de colocar a culpa disto no Benfica, então o futebol português tem a Liga que merece. Para que se veja a diferença de comportamentos: o jogo da B SAD para a Liga Revelação (prova organizada pela FPF) já foi adiado. Da parte da Liga, não só nada fizeram como até ao momento em que escrevo isto nem uma palavra ainda sobre o que se passou. O marcador ao intervalo indicava 7-0 para o Benfica e conforme era mais do que previsível (a única surpresa foi não ter acontecido mais cedo) logo após o regresso do intervalo houve jogadores que se 'lesionaram' e a B SAD ficou reduzida a seis jogadores, provocando o final imediato do jogo - e ainda bem, porque jogar os noventa minutos nada traria de bom.

 

Entretanto, a minha preocupação neste momento será ver se não haverá consequências para o Benfica em termos de infecções de COVID depois de termos defrontado jogadores que poderão ter tido contactos de risco.

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publicado por D'Arcy às 22:40
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2021

Surreal

O empate era o resultado mínimo que nos permitiria continuar a aspirar ao apuramento, ainda que dependentes de terceiros, e o empate foi o que trouxemos de Barcelona. Podíamos perfeitamente ter perdido o jogo, tal como o poderíamos ter ganho também, portanto o nulo acaba por ser minimamente aceitável.

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As novidades no onze foram o Gilberto na direita, o André Almeida no meio a completar o trio de centrais (está visto que não iremos mesmo abandonar este esquema) e o Yaremchuk na frente de ataque em vez do esperado Darwin. O Benfica apresentou-se em Barcelona com uma boa organização defensiva, mas pouco capaz de lidar com a forma intensa como o Barcelona pressionava. Raramente conseguimos construir ataques organizados e as transições rápidas nunca saíram. O Barcelona estava bem avisado para o perigo que o Rafa ou o Everton poderiam causar nessas situações e anularam-nos com eficácia - era frequente vermos três ou até mais jogadores do Barcelona a caírem imediatamente em cima do Rafa assim que ele recebia a bola, não lhe dando tempo ou espaço para se virar e sair com a bola controlada. Acho que há muito tempo que não via o Rafa fazer um jogo tão discreto, e isso deve-se em muito ao mérito do Barcelona na forma como o conseguiu anular. A nossa defesa foi geralmente dando boa conta do recado, e nas situações de maior aperto o Otamendi acabava sempre por resolver. As duas ocasiões de maior perigo do Barcelona na primeira parte foram quase idênticas, com o Demir a fugir à marcação do Grimaldo vindo para o meio e a rematar cruzado. A primeira foi defendida pelo Vlachodimos para canto, com dificuldade. A segunda levou a bola à barra, já com o nosso guarda-redes batido. O Benfica só por volta da meia hora deu sinais de perigo na frente. Na sequência de um canto do Everton o Yaremchuk apareceu solto de marcação e cabeceou à figura do Ter Stegen, que defendeu com dificuldade. No pontapé de canto seguinte, novamente marcado pelo Everton, a bola seguiu até ao Rafa no segundo poste, que a endossou para o Otamendi à entrada da área marcar um golão. Mas o lance foi invalidado porque na marcação do canto a bola descreveu um arco que a fez ultrapassar a linha de fundo. Se o objectivo do Benfica era empatar, a primeira parte deixava-nos com a ideia de que isso estava perfeitamente ao nosso alcance, mas não deixava de ser preocupante a incapacidade para ter bola e a escassa presença no ataque.

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Na segunda parte o jogo continuou no mesmo tom, com o Barcelona a ter sempre muito mais bola mas a não criar muitas ocasiões - o vício da bola ser sempre jogada no pé ainda é muito forte nos catalães, que raramente atacavam o espaço. Uma notável excepção foi uma desmarcação do Depay, que foi salva com mais um corte fantástico do Otamendi quando o avançado já tinha sentado o Vertonghen e se preparava para finalizar. A meia hora do final o Benfica trocou o Yaremchuk e o João Mário pelo Darwin e o Taarabt (para mim continua a ser incompreensível como é que o marroquino tem sequer lugar no plantel, quanto mais ser uma opção), mas o jogo só mudou mesmo quando o Barcelona trocou o Demir pelo Dembelé. Tendo em conta as longas ausências do francês por lesão, tinha esperança que ele não viesse desequilibrar muito, mas ele entrou com a corda toda e começou a ganhar praticamente todos os duelos individuais, ultrapassando o Grimaldo com facilidade para criar perigo na área - logo na primeira intervenção no jogo entrou como quis pela esquerda e ofereceu o golo ao De Jong, que só não marcou porque o Vlachodimos correspondeu com uma enorme defesa. O Benfica rapidamente se viu obrigado a corrigir o lado esquerdo, fazendo entrar o Lázaro para lateral e adiantando o Grimaldo (que já estava amarelado). O Barcelona subiu cada vez mais as linhas e pressionava mais na procura do golo, mas com isto jogava mais no risco e ficava mais exposto atrás, deixando espaço para explorar no contra-ataque - o Benfica, agora com o Darwin e depois com o Seferovic nos minutos finais, por mais de uma vez construiu situações de igualdade ou até superioridade numérica perante os defesas do Barcelona, mas a tradicional falta de qualidade na decisão fez com que não tirássemos partido disso. O jogo nos minutos finais ficou muito mais partido, e já depois do Otamendi mais uma vez ter negado o golo ao Barcelona, desta vez com um desarme no limite ao Dembelé, veio o momento que acaba por marcar o jogo e que vamos recordar durante muito tempo. Há uns anos atrás, quando o Benfica jogou em Barcelona nuns quartos-de-final da Champions, ainda com 0-0 no marcador o Simão Sabrosa falhou uma oportunidade escandalosa para marcar, quando ficou completamente isolado frente ao guarda-redes. Nunca mais me esqueci desse lance. Pois bem, este lance do Seferovic foi ainda pior. Com o jogo completamente partido, e já no final do tempo de compensação, o Benfica apanhou-se no ataque numa situação de dois avançados (Darwin e Seferovic) para um defesa do Barcelona. O Darwin fez o que se lhe pedia: atraiu o defesa para si e depois soltou a bola para o Seferovic. O suíço ficou completamente isolado e à vontade perante o Ter Stegen, com tempo para fazer o que quisesse. Primeiro, tentou picar a bola sobre o guarda-redes quando este lhe saiu ao caminho. Falhou miseravelmente: acertou mal na bola e esta foi bater na cara do guarda-redes. Mas teve tanta sorte que o ressalto o deixou novamente isolado em frente à baliza, já com o guarda-redes fora da jogada. Podendo até controlar a bola, ou passá-la para a direita onde tinha o Darwin sozinho, perante uma tentativa desesperada do defesa catalão para tentar o corte, o Seferovic rematou de pronto e destrambelhadamente para fora, o que levou todos os benfiquistas ao desespero e deixou o JJ de joelhos. Surreal é a única palavra que me ocorre.

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O melhor jogador do Benfica foi claramente o Otamendi. Foi o pronto-socorro a acudir a todas as situações de maior aperto, e só foi pena que o fantástico golo que marcou não tivesse contado. Foi bem acompanhado pelo Vlachodimos e pelo Weigl, que foram os outros principais responsáveis por termos saído de Barcelona com o nulo.

 

Este resultado garante desde já a presença na Liga Europa no mínimo. Para a última jornada, o Benfica tem que se focar em vencer o Dínamo Kiev, já que qualquer outro resultado que não esse nos elimina da Champions. Depois é esperar que o Barcelona não vença em Munique. Face ao que temos visto, é improvável que o Barcelona consiga vencer, mas no futebol não há certezas. E sinceramente, o meu pessimismo faz com que eu tenha mais dúvidas sobre a capacidade do Benfica vencer o último jogo (o Benfica e a Champions são uma longa história de incompatibilidade e expectativas frustradas) do que daquilo que poderá acontecer em Munique.

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publicado por D'Arcy às 09:51
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Sábado, 20 de Novembro de 2021

Resgate

Um pontapé inspirado do Grimaldo e uma alteração táctica acabaram por permitir ao Benfica o resgate de um jogo que já começava a parecer perdido, e assim continuar na Taça de Portugal.

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Helton na baliza, Radonjic na direita, Andrá Almeida como central e Gedson no meio campo foram as novidades no onze, que contou também com a esperada presença do Morato no lugar do lesionado Lucas Veríssimo e . A primeira parte foi a repetição de um cenário que nos é cada vez mais familiar, no qual revelamos sempre muita dificuldade perante equipas que estacionam o autocarro. À falta de dinâmica para incomodar constantemente o adversário, com a já habitual excessiva circulação de bola e a frequente ausência de jogadores na zona de finalização, soma-se também uma irritante tendência para o desperdício das poucas ocasiões que criamos. Pelo menos três delas foram claríssimas (Darwin, Rafa e Everton) e o guarda-redes defendeu duas, enquanto que o Rafa acertou no poste. Nas bolas paradas, a também habitual ineficácia, pois devemos ter tido perto de uma dúzia de pontapés de canto durante a primeira parte e quase nunca criámos uma situação mais complicada - digo quase porque a excepção foi um cabeceamento em balão do André Almeida que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada para evitar o golo. Depois nestas situações é quase uma certeza matemática que numa das poucas situações em que o adversário for à frente vai marcar. O que se verificou novamente, logo na fase inicial da segunda parte. Uma fuga pelo lado direito da nossa defesa - onde já estava o Lázaro depois do Radonjic ter saído lesionado - resultou num cruzamento rasteiro para um corte incompleto do Vertonghen que acabou por deixar a bola solta para o remate do 'nosso' Nuno Santos fazer o primeiro golo do jogo. Seguiu-se o expectável desnorte do Benfica, até que a meia hora do final finalmente desfizemos o esquema de três centrais com a entrada do Pizzi e do Taarabt para os lugares do André Almeida e do Gedson, passando a jogar num esquema mais próximo do 4-3-3. Sem grandes resultados imediatos, excepção feita a um cabeceamento do Darwin feito de costas para a baliza que levou a bola a cair sobre a barra, as coisas só mudaram a quinze minutos do final quando com as entradas do Seferovic e do Gonçalo Ramos para os lugares do Darwin e do Weigl mudámos declaradamente para um 4-4-2, que até tendia mais para um 4-2-4. O Benfica jogava agora no risco de não ter um médio de contenção, mas tendo em conta que o Paços já tinha abdicado completamente do ataque esse risco era relativo. A doze minutos do final o Benfica perdia em casa contra uma equipa que não vence um jogo desde Agosto, e estava virtualmente eliminado da taça. Até que, num livre directo sobre a direita e ainda bem longe da área, o Grimaldo arrancou uma bomba que levou a bola a entrar bem junto ao ângulo superior da baliza do Paços, e tudo mudou. Com muito maior presença na área, daí até final somámos mais três golos, dando uma expressão ao resultado que acaba por não expressar as dificuldades por que passámos neste jogo. O Seferovic desfez o empate num cabeceamento subtil desferido bem no centro da área, a passe do Taarabt, que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. O Paços então desfez o autocarro e os nossos golos continuaram, O terceiro pelo Rafa, num remate rasteiro muito colocado a partir da meia lua, que fez a bola entrar outra vez bem junto do poste. E já nos descontos, numa jogada em que o Benfica trouxe a bola desde a sua área até à baliza adversária, um passe do Seferovic deixou o Everton na cara do guarda-redes para finalizar.

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O Rafa voltou a ser um dos elementos em destaque, mas a entrada do Seferovic foi um dos factores decisivos. Contra equipas tão fechadas o Benfica não se pode dar ao luxo de não ter uma presença mais constante na área, e o Darwin é um avançado que está constantemente a fugir para as alas. Com a entrada do Seferovic (e do Gonçalo Ramos) passámos a criar problemas ao Paços que raramente tínhamos criado até então, e a chave da vitória passou muito por aí.

 

Honestamente, gostaria que este jogo pudesse marcar um abandono dos três centrais e um regresso ao mais familiar 4-4-2. Parece-me ser um esquema táctico mais adequado ao Benfica, sobretudo agora que perdemos o Lucas Veríssimo até ao final da época. Para já, hoje este esquema permitiu-nos dar a volta a um cenário muito complicado, o que duvido que tivesse acontecido se nos tivessemos mantido no plano inicial.

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publicado por D'Arcy às 00:27
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2021

Perfeita

Foi uma noite perfeita. O Braga pagou caro o atrevimento e o Benfica conseguiu um resultado que foi a melhor forma de colocar um ponto final a um mau período que já se arrastava há demasiado tempo.

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Depois de todos os cenários montados à volta da equipa durante a última semana, a resposta começou a ser dada no onze titular. Otamendi, Lucas Veríssimo e Gabriel tinham problemas com o treinador? Todos titulares. O Everton foi multado? Titular também - o que significou a relegação do Yaremchuk para o banco de suplentes. Início de jogo com o Braga a lançar-se logo no pontapé de saída numa pressão altíssima e de grande intensidade sobre os nossos jogadores, que foi de imediato castigada. Ainda antes dos dois minutos de jogo o Darwin fugiu pela direita depois de um passe do Gilberto e chegado à linha de fundo cruzou largo para a zona do segundo poste, onde surgiu o Grimaldo completamente livre de marcação a cabecear para o golo. Óptimo início de jogo para o Benfica, mas que não intimidou o Braga, que continuou a pressionar com linhas muito subidas. E foi recompensado dez minutos depois, numa perda de bola do Otamendi sobre a linha do meio campo que apanhou o Ricardo Horta nas costas da nossa defesa para finalizar com um remate cruzado. Com dois golos nos primeiros doze minutos esperava-se um jogo animado, mas o que se viu foi o Braga a conseguir controlar a posse de bola e o Benfica, apesar de jogar em casa, a apostar no contra-ataque através de transições rápidas de forma a explorar as linhas muito subidas do Braga. Cedo sofremos o contratempo da lesão do João Mário, que foi substituído pelo Paulo Bernardo - depois da estreia na Champions, a estreia na Liga no espaço de dias. A posse de bola do Braga não se traduzia em ocasiões de perigo para a nossa baliza, à excepção de uma distracção na qual o Galeno se escapou pela direita depois de um lançamento de linha lateral, tendo sido perseguido pelo Lucas Veríssimo que acabou por se lesionar com gravidade na tentativa de corte - entrou o Morato para o seu lugar. Acabou por ser uma recuperação de bola em zona alta por parte do Benfica que desfez o empate. Ainda no meio campo do Braga a pressão do Darwin resultou numa perda de bola, e depois o Everton na zona central libertou-se de dois adversários e soltou o Grimaldo sobre a esquerda à entrada da área. O remate cruzado foi defendido pelo guarda-redes, mas na zona do segundo poste estava o Darwin para fazer a recarga. Faltavam sete minutos para o intervalo e durante este curto período o Benfica, em duas transições concluídas pelo Rafa, deixou o jogo resolvido. Na primeira o Rafa deu início à jogada ao evitar com classe o corte de um adversário no círculo central e foi concluí-la depois de receber o passe do Everton, evitando a entrada de um defesa para depois colocar a bola entre as pernas do guarda-redes de um ângulo apertado. Na segunda o Everton progrediu pela direita sempre pressionado por um adversário e depois isolou o Rafa, que à saída do guarda-redes finalizou facilmente (e tinha já o Grimaldo sozinho ao seu lado para finalizar também). Com um resultado de 4-1 ao intervalo, que honestamente era melhor do que a exibição mas que premiava a grande eficácia do Benfica (uma agradável mudança em relação ao que costuma ser mais habitual) só uma hecatombe nos tiraria a vitória.

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Mas mesmo perante um resultado tão pesado o Braga não mudou a sua forma de jogar e não entrou em modo de controlo de danos. Portanto continuava exposto aos contra-ataques do Benfica, dado que deixava sempre imenso espaço nas costas para o nosso tridente ofensivo explorar. E cedo voltámos a ver esse cenário. Para variar, a jogada começa no Rafa, que a partir do meio campo imediatamente ganha metros com a bola nos pés e deixa os nossos avançados em igualdade perante os defesas do Braga. Na altura certa soltou a bola para o Everton sobre a esquerda, e este progrediu até perto da linha de fundo, sentou um defesa, e rematou colocado para o poste mais distante. Um grande golo. Perto da hora de jogo, chegámos ao sexto. Desta vez foi o Darwin a fugir pela esquerda e a colocar a bola rasteira na área. O cruzamento parecia ir perder-se porque não estava ninguém na área, tendo a bola atravessado quase toda a sua extensão sem que ninguém lhe tocasse, mas o Everton surgiu atrasado do outro lado e de primeira colocou a bola rasteira no poste mais distante. A partir daqui o jogo ficou mesmo praticamente fechado. O Benfica aproveitou para fazer três alterações, nas quais retirou do campo dois dos membros do tridente ofensivo (Darwin e Everton) e o ritmo baixou consideravelmente. Para que se perceba o quão inspirados estiveram os três da frente, o Everton acabou o jogo com dois golos e duas assistências (e participação activa em mais um golo), o Rafa com dois golos e uma assistência, e o Darwin com um golo e duas assistências. E tiveram o auxílio precioso do Grimaldo, com um golo e uma assistência. Entretanto o Braga finalmente também achou que já devia ser suficiente e baixou as linhas, pelo que a meia hora final foi jogada a um ritmo bastante mais baixo, com o Benfica a ter muito mais posse de bola no meio campo do Braga. Durante esse período o Braga não existiu em termos ofensivos, e mesmo a jogar a um ritmo mais baixo foi o Benfica quem esteve sempre mais perto de aumentar a vantagem - e não fosse uma enorme defesa do Matheus e o Gonçalo Ramos teria mesmo feito o golo.

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Por tudo o que foi dito o Everton é obviamente o homem do jogo. Foi sem dúvida o melhor jogo que fez desde que chegou ao Benfica; esperemos é que agora seja para manter o nível. Essa distinção também poderia perfeitamente ir para o Rafa, que foi como habitualmente o principal dinamizador do ataque do Benfica. Não devem haver muitos jogadores no futebol actual com tanta capacidade para acelerar o jogo com a bola nos pés, e isso é uma característica que sempre que conseguimos explorar nos traz resultados. Uma menção ainda para o 'problemático' Gilberto, que esteve muito bem. Não só conseguiu quase sempre travar eficazmente o Galeno, que é um dos jogadores mais perigosos do Braga, como conseguiu também integrar-se eficazmente no ataque. No geral, toda a equipa esteve em muito bom plano.

 

Foi um bom safanão na crise, que chegou mesmo antes da pausa para as selecções. Depois do carnaval a que assistimos durante a passada semana, de certeza que já muito mais estaria preparado à espera de um resultado negativo neste jogo, pelo que espero que este resultado pelo menos nos dê alguma tranquilidade nos próximos tempos. Mas para isso será necessário manter um nível alto e não oscilar entre noites destas e jogos deploráveis. Entretanto, recebemos a má notícia de que a época acabou para o Lucas Veríssimo, que estava a ser um dos jogadores em maior destaque. Veremos de que forma conseguiremos dar resposta a este contratempo.

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publicado por D'Arcy às 17:25
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2021

Triste

Muda-se meia equipa, mantém-se o sistema e no final somos outra vez goleados. É uma espécie de triste rotina que ninguém deseja mas a que vamos sendo obrigados a habituar-nos. Mas tendo em conta o discurso do treinador antes deste jogo, o cenário que acabou por se verificar era quase previsível.

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Ficaram de fora da equipa Weigl, Otamendi, Rafa (todos estes em risco de ficarem suspensos no caso de verem um cartão amarelo), Diogo Gonçalves e Darwin. Para os lugares deles foram escolhidos Meïté, Morato, Pizzi, Gilberto e Everton. O sistema táctico foi exactamente o mesmo que temos vindo a utilizar esta época, pelo que as alterações foram mesmo troca por troca. No espírito do último jogo contra este adversário, acho que podemos dizer que fizemos uns excelentes primeiros 25 minutos, que foi o tempo que aguentámos até sofrer o primeiro golo, isto graças à noite inspirada do Vlachodimos, que evitou um golo mais madrugador depois de uma fífia do Lucas Veríssimo - que deve ter feito um dos piores jogos desde que está no Benfica. Mas de uma forma realista, a descrição do jogo resume-se praticamente ao avançar do resultado, porque o desnível entre as duas equipas, em particular na intensidade metida no jogo, é abissal. Não creio que jogarmos com a equipa mais forte fizesse grande diferença no resultado final. Tal como no primeiro jogo, o que eu vi foi uma equipa na qual todos os jogadores sabem o que devem fazer em campo, e em posse de bola todos eles se movimentam de forma a oferecer múltiplas opções de passe ao portador da bola, e também de forma a poderem reagir rapidamente à perda. Em contraste, o mais normal na nossa equipa é termos um ou dois a acompanhar o portador da bola enquanto o resto da equipa assiste. O Benfica reage às situações de jogo, enquanto o Bayern joga na antecipação das mesmas - é um carrossel em constante movimento. Até poderíamos ter chegado à vantagem primeiro, num golo do Lucas Veríssimo que foi anulado de forma demasiado forçada na minha opinião, com uma posição irregular assinalada ao Pizzi, mas que viria contra a corrente do jogo. O Bayern acabou por chegar à vantagem aos vinte e cinco minutos, quando tal como no primeiro jogo o Coman fez o que quis do lateral que lhe apareceu à frente (neste caso o Grimaldo) e cruzou para o Lewandowski finalizar ao segundo poste, aproveitando uma tentativa falhada de corte do Lucas Veríssimo. Depois foi ver o resultado avolumar-se. O Benfica foi sempre extremamente vulnerável nas laterais, e é enervante que mesmo a defender com uma linha de cinco sejamos incapazes de controlar a largura e os extremos adversários, que já sabemos serem altamente desequilibradores, acabem sempre a ser deixados em situações de 1x1 com os laterais. O segundo golo surgiu de mais uma penetração pela esquerda para uma finalização de calcanhar do Gnabry, com a avalanche a ser momentaneamente interrompida por um golo do Morato, que finalizou de cabeça um bom cruzamento do Grimaldo. Mas o sentido do jogo nunca se alterou, e a beira do intervalo o Vlachodimos impediu o avolumar do resultado ao defender um penálti do Lewandowski, a punir uma mão do Lucas Veríssimo.

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A segunda parte começou da pior maneira, com mais um golo do Bayern logo a abrir, pelo Sané depois de mais um buraco na lateral, desta vez do lado direito. Nesta fase o jogo resumia-se a esperar para ver quantos mais marcaria o Bayern, e veio o quarto novamente pelo Lewandwoski, que aproveitou uma transição ofensiva para se isolar e picar a bola sobre o Vlachodimos. O Benfica acabou por arriscar a entrada do Rafa, juntamente com o Darwin e o Diogo Gonçalves, e foi o Darwin quem ainda conseguiu reduzir a diferença ao concluir um contra-ataque bem conduzido pelo João Mário, no qual finalmente conseguimos aproveitar uma situação de superioridade numérica no ataque (na primeira parte por exemplo tivemos uma ainda mais flagrante que o Yaremchuk desperdiçou de forma patética). Diga-se também que foi o segundo remate que o Benfica conseguiu fazer à baliza em todo o jogo, pelo que o aproveitamento foi de 100%. Antes do final, assinale-se a estreia oficial do Paulo Bernardo na equipa principal, para cumprir treze minutos e dar ao JJ argumentos sobre apostar na formação, mas as alterações feitas resultaram em coisas bizarras como o Gilberto acabar o jogo a jogar na lateral esquerda. O desacerto defensivo nesta altura já era quase completo, sendo qualquer noção de uma linha defensiva organizada uma mera ilusão. Por mais de uma vez vimos jogadores do Bayern a aparecerem sozinhos em frente ao Vlachodimos, valendo-nos a inspiração do nosso guarda-redes para que a derrota não fosse ainda mais pesada. Prova disso foi o quinto golo do Bayern, no qual o Lewandowski foi deixado sozinho nas costas da defesa (mas em jogo) para receber um passe vindo do guarda-redes e depois voltar a picar a bola sobre o Vlachodimos e completar o hat trick. O Bayern acabou com cinco golos, poderiam ter sido sete ou oito, e fica a triste conclusão de que mais do que a derrota, o que realmente me incomoda é já a achar normal e esperada. Este Benfica poderia fazer dez jogos contra este Bayern que nem empataria um único.

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O melhor do Benfica só pode ser o Vlachodimos, por ter evitado que a noite fosse ainda pior. Não poderia ter feito mais do que aquilo que fez.

 

O apuramento para a próxima fase resume-se aos próximos dois jogos, sendo que não podemos perder em Barcelona. É mais ou menos o que seria previsível à partida, ou até melhor do que que isso, porque a vitória sobre o Barcelona em casa é mais do que aquilo que se esperaria. Mais urgente é regressar às vitórias no campeonato, e com o Braga como próximo adversário a tarefa não se afigura fácil. Uma boa ocasião para perceber se o nosso treinador já perdeu completamente a mão nisto - não sei se foi apenas impressão minha, mas na transmissão fiquei com a sensação de ver, em diferentes momentos, o Lucas Veríssimo e o Gilberto a responder de forma bastante brusca ao treinador, o que é um péssimo sinal.

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publicado por D'Arcy às 16:15
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