VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 30 de Agosto de 2022

Sozinhos

Uma vitória mais complicada do que seria de prever (quase exclusivamente por nossa culpa) que nos vale a liderança isolada à quarta jornada. Estamos agora sozinhos onde desejamos estar no final da época.

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Uma alteração inesperada no onze, a troca do Gilberto pelo Bah, e um regresso, o do Otamendi para o lugar que tinha sido ocupado pelo António Silva. Logo na fase inicial a sensação não foi a melhor - o Paços tentou sempre ser uma equipa chata, e o Benfica foi menos agressivo e incisivo do que o habitual. Para além disso, aos quinze minutos o árbitro Soares Dias já tinha conseguido incendiar os ânimos no estádio e lançar uma espécie de nervosismo geral - não era muito difícil, porque o público já estava virado contra ele logo de início. Durante a primeira hora de jogo o Benfica foi anormalmente inofensivo em frente à baliza, enfeitando demasiado as jogadas e rematando muito pouco. Marcámos um golo pouco depois da meia hora, pelo o Otamendi, mas nem sequer o festejei porque logo em tempo real no estádio fiquei com a sensação de que o Rafa estaria em posição irregular no início da jogada, o que o VAR se encarregou de confirmar. E como tantas vezes acontece, bastou o Paços rematar um vez para fazer aquilo que o Benfica não conseguia, e chegar ao golo. A seis minutos dos quarenta e cinco, um remate de fora da área no seguimento de um canto foi desviado de cabeça pelo Koffi já dentro da área, não dando quaisquer hipóteses de defesa ao Vlachodimos. O Paços fazia o seu primeiro golo da época, e o Benfica sofria o seu primeiro golo. O melhor que o Benfica fez foi a reacção a este golo. Noutros tempos o mais normal seria a equipa vir abaixo, mas hoje a reacção foi boa e até jogámos melhor e fomos muito mais incisivos depois de sofrermos o golo. Claro que ajudou muito termos empatado o jogo praticamente na resposta, pelo que o Paços não teve tempo para aproveitar a vantagem para aumentar o nosso nervosismo. Bom toque do Rafa a desmarcar o Neres pela direita, e depois uma intervenção muito má do guarda-redes do Paços permitiu que o remate frouxo do Neres lhe passasse por baixo do braço, com a bola a rolar lentamente para dentro da baliza. Logo a seguir, remate rasteiro do João Mário de fora da área, com a bola a embater no poste. E já em período de compensação, para espanto de todos os presentes, o Artur Soares Dias assinalou penálti a favor do Benfica. Uma bola cruzada por alto pelo João Mário, disputa da mesma no ar entre o Bah e o guarda-redes, com este a atingir o Bah na cabeça. Confesso que não me pareceu dos lances mais evidentes de penálti (já vi o Soares Dias ignorar vários bem mais claros a nosso favor) e se não tivesse sido assinalado pelo árbitro de campo, duvido que o VAR o assinalasse. O João Mário encarregou-se de o transformar em golo, e levar assim o Benfica em vantagem para o intervalo.

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Ao contrário da primeira parte, o Benfica entrou forte na segunda e determinado em resolver cedo o jogo. Logo nos primeiros minutos voltámos a ter um golo anulado, numa boa jogada desenvolvida pela direita que deixou o Bah entrar na área para marcar, mas o dinamarquês estava mais uma vez em posição irregular. Continuou o Benfica a carregar, e ao fim de dez minutos chegou mesmo o terceiro golo, pelo Gonçalo Ramos a antecipar-se a um defesa e ao guarda-redes para finalizar o cruzamento do João Mário da esquerda, naquela que foi uma das melhores jogadas do Benfica no jogo. A partir daqui, o Benfica dedicou-se afincadamente ao desperdício, não marcando o quarto golo em diversas ocasiões por culpa exclusivamente própria. Pouco depois de terceiro golo, o Gonçalo Ramos isolou-se pela direita, correu meio campo sozinho, e permitiu a defesa ao guarda-redes. Foi pouco depois substituído pelo Musa, que ao contrário do que aconteceu no Bessa não teve uma entrada feliz no jogo, sendo apenas mais um a juntar-se ao esforço colectivo para desperdiçar ocasiões de golo e somando algumas finalizações bastante más. Depois achei que houve talvez alguma sobranceria da parte do Benfica, que diminuiu a intensidade do seu jogo e continuou a desperdiçar as ocasiões que criava, muitas vezes por excessos individuais da parte dos jogadores. Trocámos o Neres e o Rafa pelo Diogo Gonçalves e o Henrique Araújo, e estes foram mais dois jogadores que não entraram bem. Até o Henrique Araújo esteve anormalmente desastrado a finalizar, atirando para a bancada numa ocasião em que estava na marca de penálti, ou demorando muito tempo noutra até permitir a intervenção de um defesa. Entretanto, e logo a seguir a estas duas entradas e quando faltavam dez minutos para o final, o Paços fez o seu segundo remate no jogo (tecnicamente foi o terceiro, mas apenas porque se contabilizaram dois no lance do primeiro golo - o remate inicial que ia para fora e o desvio para o golo) e marcou o segundo golo. Um lance simples em que um adversário entra pela esquerda da nossa defesa, e passa a bola entre as pernas do Morato, com o Otamendi a perder infantilmente a marcação ao Koffi e este a empurrar com facilidade para o golo. Não houve um terceiro remate que pudesse custar-nos a vitória nem qualquer ocasião de perigo imediato para a nossa baliza, mas houve obviamente nervosismo no estádio à espera do apito final.

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Destaques no Benfica, habituais, para o João Mário, Florentino, Rafa ou Neres - embora no caso deste último, apesar do golo marcado e de ter criado diversos desequilíbrios, eu achar que foi excessivamente individualista em várias ocasiões e complicou aquilo que deveria ser fácil. Na fase final da primeira parte, por exemplo, desperdiçou duas jogadas que quase tinham a obrigação de acabar em golo, nas quais o Benfica contra-atacou com evidente superioridade numérica e tudo se perdeu por se ter agarrado à bola em vez de a soltar na altura certa. O Bah melhorou na segunda parte, mas fiquei com a sensação de que não deu ao lado direito a dinâmica a que o Gilberto nos habituou, o que foi surpreendente para mim. O mais anormal para mim foi o jogo mais apagado do Enzo, com vários passes falhados e algumas perdas de bola.

 

No cômputo geral, fiquei satisfeito com a vitória e a subida ao primeiro lugar, mas não gostei muito. Não podemos sofrer dois golos nos únicos dois remates do adversário, ainda por cima quando esse adversário se apresentou desfalcado e ainda nem sequer tinha marcado ainda qualquer golo esta época. E acima de tudo, não podemos marcar três golos mas desperdiçar mais do dobro de ocasiões flagrantes para marcar. Este tipo de desperdício normalmente paga-se caro. Fizemos vinte e sete remates (creio que terá sido o jogo em que mais rematámos esta época) e o aproveitamento para tamanha produção ofensiva terá obviamente que ser melhor se quisermos evitar dissabores.

 

P.S.- Estarei ausente nas próximas semanas, pelo que não irei escrever nada sobre os nossos próximos dois jogos.

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publicado por D'Arcy às 23:31
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Sábado, 27 de Agosto de 2022

Indiscutível

O resultado até pode fazer pensar que foi fácil, mas longe disso. A vitória do Benfica no Bessa foi indiscutível e justíssima, mas foi preciso trabalhar muito para a conquistar frente a uma equipa que fez tudo o que podia para dificultar a nossa tarefa.

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Não sei se alguém ainda teria dúvidas sobre isso, mas depois da conferência de imprensa de antevisão ao jogo do nosso treinador fiquei sem grandes dúvidas que a aposta para substituir o suspenso Otamendi no centro da defesa iria recair sobre o jovem António Silva. O que veio a verificar-se. De resto, o onze esperado. Os minutos iniciais deixaram antever dificuldades, com o Boavista a ser aquilo que se esperaria de uma equipa do Petit. Muita intensidade no jogo, muita gente a fechar os caminhos para a baliza, e saídas rápidas para o ataque com futebol directo para um ou dois jogadores rápidos da frente. O que valeu inclusivamente um cartão amarelo ao estreante António Silva logo aos sete minutos, mas o Boavista acabou por nunca conseguir ameaçar seriamente a nossa baliza. O Benfica demorou uns bons quinze minutos até encaixar no jogo do Boavista e começar a remeter o adversário para o seu meio campo, cortando logo à nascença as tentativas de saída do Boavista, mas a partir do momento em que o fez tomou definitivamente conta do jogo e nunca mais perdeu o controlo do mesmo. Fundamental para isso o trabalho do nosso meio campo - é verdade que acabámos de contratar o Aursnes, que imagino que não tenha vindo para simplesmente andar a aquecer o banco, mas a dupla Florentino/Enzo neste momento está a funcionar quase na perfeição e é fundamental para que o Benfica consiga impor o seu jogo de pressão alta. Um pormenor que também me pareceu ter alguma influência foi o estado do relvado, ao qual nos tivemos de adaptar. Pareceu-me lento e pesado, com a relva a soltar-se com demasiada facilidade, o que foi uma dificuldade acrescida ao nosso estilo de jogo. Chegámos ao fundamental primeiro golo à meia hora de jogo, e quase sem surpresa, na sequência de um pontapé de canto. Depois de um par de anos em que isto parecia ser uma fantasia, esta época tornou-se quase rotina. Canto marcado na direita pelo Neres, ligeiro desvio de cabeça de um adversário na zona do primeiro poste, e na zona da marca de penálti o Morato até teve que se baixar para cabecear no meio dos adversários e fazer o golo. A partir daqui a estratégia do Boavista ficou seriamente comprometida, e bastou arriscarem um pouco mais para que o Benfica passasse a ter ocasiões para ampliar a vantagem. Duas delas flagrantes, a primeira pelo Gonçalo Ramos, que já dentro da área viu o seu remate ser desviado pelo pé do guarda-redes, e a segunda mais do que flagrante, mesmo a fechar a primeira parte. Bola longa do António Silva para as costas da defesa adversária a isolar o Rafa, que tocou a bola para o lado deixando o João Mário completamente à vontade para atirar para a baliza vazia, só que ele atirou ao lado. Chamei-lhe todos os nomes de que me lembrei, mas felizmente na segunda parte ele redimiu-se do falhanço.

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Ao intervalo o Boavista tinha um remate feito (para fora), zero ocasiões de golo criadas, e pouco mais de 30% de posse de bola, o que mostra bem o controlo que o Benfica teve no jogo. Na segunda parte foi mais do mesmo - aliás, o jogo resumiu-se à expectativa em ver quanto tempo é que o Benfica demoraria a chegar ao segundo golo. Andou perto, mas foi preciso esperar até pouco depois da hora de jogo, quando fizemos três substituições de uma assentada e que acabaram por se revelar decisivas - em particular a entrada do Musa, que ao contrário da exibição apagada quando se estreou no último jogo acabou por estar muito mais em foco e ser decisivo na confirmação da vitória. Para além dele, entraram o Diogo Gonçalves e o Bah para os lugares do Gilberto e do Neres - o Petit prestou especial atenção à nossa ala direita e esta esteve bem menos influente hoje do que aquilo que tem sido habitual. Ao sessenta e sete minutos, finalmente o golo da tranquilidade: cruzamento do Grimaldo na esquerda, o João Mário ganhou de cabeça e depois o Musa conseguiu ganhar a luta com os defesas e tocar para trás para o remate vitorioso do mesmo João Mário, que assim se redimiu daquele falhanço escandaloso a fechar a primeira parte. O golo limitou-se a dar-nos mais tranquilidade, porque em jogo jogado nada mudou. O Benfica não abrandou e continuou à procura de golos, enquanto que o Boavista não revelava capacidade para reagir, e ainda bem, porque eu não me esqueci daqueles dois golos que marcaram a época passada também numa altura em que vencíamos por dois. A dez minutos do final, uma situação digna da Twilight Zone: o VAR interveio e avisou o árbitro de um penálti a favor do Benfica. Coisa quase nunca vista. A falta foi sobre o Musa, que se escapava pela esquerda e levou com os pitons do adversário cravados sobre o tendão de Aquiles. O árbitro João Pinheiro (que já tinha tido a honra de ser o primeiro a amarelar o arruaceiro do nosso treinador em Portugal - até na forma como ele depois do jogo aceitou a punição mostrou classe) assinalou pontapé de canto, mas o VAR alertou-o do erro. O João Mário marcou sem dificuldade e aumentou o ambiente de festa que os adeptos benfiquistas já criavam no Bessa desde o início do jogo. Nos minutos finais, assinalam-se mais duas estreias pelo Benfica, com as entradas do Ristic e do Aursnes, sem tempo para mostrar serviço.

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Como é tradição, pelos golos que marcou, o João Mário será considerado o homem do jogo (mas ele fez mais do que isso, e tal como no último jogo até gostei mais de ver os minutos em que ele passou a cair mais para o lado direito, o que aconteceu depois da entrada do Diogo Gonçalves para a esquerda). Mas para mim o Florentino fez um jogo monstruoso. É um verdadeiro polvo no meio campo, antecipa os lances e recupera e corta bolas durante o jogo inteiro, muitas vezes à entrada da área adversária. O Morato voltou a fazer um bom jogo, o jovem António silva mostrou que podemos contar com ele como opção válida sem quaisquer reservas - muita maturidade como geriu os tempos de entrada depois de ver um amarelo tão cedo - e o Musa entrou muito bem no jogo. Para um jogo de muita luta, foi importante um avançado com espírito de luta como ele mostrou.

 

Sete jogos oficiais, sete vitórias, vinte golos marcados e dois sofridos. Na liga, oito marcados e zero sofridos. Mas sabemos que até agora ainda não fomos postos verdadeiramente à prova e continuamos à espera de um adversário a sério. Talvez lá para o final de Outubro, quando recebermos o Chaves, tenhamos finalmente um adversário digno desse nome, embora desconfie que daqui até lá o Chaves vá perder imensa qualidade. Para mim, é já na terça que iremos enfrentar um dos mais difíceis adversários que temos em Portugal, e já há várias épocas. Tem uma pastelaria no Porto.

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publicado por D'Arcy às 22:53
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2022

Superioridade

Primeiro objectivo da época cumprido com o apuramento para a fase de grupos da Champions. A primeira mão já tinha mostrado a superioridade do Benfica sobre o Dínamo de Kiev, mas neste segundo jogo a diferença entre as duas equipas foi ainda mais evidente. O Benfica não deu qualquer hipótese ao adversário, resolveu de vez a eliminatória cedo e com facilidade e até se deu ao luxo de gerir o esforço sem nunca ter perdido o controlo do jogo.

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Sobre o onze. nesta fase raramente há algo a assinalar porque ele parece estar definido, e salvo algum impedimento jogam sempre os onze habituais. em relação ao jogo, posso apenas dizer que quando o primeiro golo surgiu, aos vinte e sete minutos de jogo, já ele tardava há muito. Porque desde o apito inicial que foi um verdadeiro sufoco à baliza ucraniana, numa pressão constante e quase avassaladora à procura do golo. Ainda o jogo mal tinha começado e já o Rafa aparecia em posição privilegiada na área, preferindo no entanto tentar o passe em vez de arriscar o remate com o pé esquerdo. Foi o mote para uma catadupa de situações de perigo - ficávamos com a sensação de que o Benfica podia chegar ao golo em praticamente cada ataque. Quando finalmente surgiu, já se contavam dez remates e sete pontapés de canto para o nosso lado, com os ucranianos a mal conseguirem passar do meio campo. O Grimaldo já tinha feito uma bola raspar no poste, o Neres já quase que marcara num pontapé de bicicleta, e o Dínamo limitava-se a adiar o inevitável. O golo apareceu, sem grande surpresa, no seguimento de mais um pontapé de canto. Depois de épocas seguidas nas quais marcarmos um golo num pontapé de canto era quase uma fantasia, sendo as perspectivas disso acontecer ainda piores sempre que os marcávamos 'à maneira curta', agora até parece fácil quando o fazemos. Foi mais uma vez dessa forma, marcado à maneira curta na direita do nosso ataque, com a bola a seguir num cruzamento largo feito pelo Neres desde a quina da área para o segundo poste, onde estavam o Otamendi e o Gilberto à vontade, com o primeiro a cabecear para o golo. Obtida a vantagem, o Benfica abrandou um pouco para respirar e os ucranianos finalmente dispuseram de alguns minutos para ter bola, ainda que sem causar qualquer tipo de problemas. Se calhar com isso ganharam alguma confiança e num ápice viram o Benfica acelerar e marcar dois golos de rajada ainda antes do intervalo. O primeiro foi quase uma cópia da oferta da semana passada, um mau passe na zona da defesa que foi interceptado pelo Rafa, que depois marcou com facilidade. O segundo nasceu de uma transição rápida na qual o Benfica se libertou da tentativa de pressão alta dos ucranianos, com o transporte da bola a ser feito pelo Rafa, seguindo a bola para o Gonçalo Ramos que (pareceu-me) quando tentou devolver a bola ao Rafa acabou por passar-lhe mal a bola para as costas, mas como a transição foi feita de forma apoiada ainda havia o Neres para a receber, e com um remate de primeira em arco colocou a bola desde entrada da área, sobre a direita, bem junto ao poste mais distante. Um golo muito bonito.

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A segunda parte foi de gestão do jogo e do resultado, ainda assim mantendo um controlo absoluto do jogo - o Dínamo fez um único remate no segundo tempo, e este foi desde o meio campo numa tentativa de chapéu ao Vlachodimos. Logo no início um choque violento entre o Rafa e o Gonçalo Ramos na área adversária deixou os dois jogadores a sangrar, e obrigou mesmo à substituição do nosso ponta-de-lança. Oportunidade para o Musa se estrear com a nossa camisola, entrando para o seu lugar. Não há muito a assinalar nesta segunda parte, pois apesar do Benfica não ter deixado de procurar o golo, ainda assim baixou um pouco a velocidade no ataque, ainda que nunca tenha dado qualquer espaço ou tempo aos ucranianos para que tivessem grandes ilusões - pressão alta foi quase sempre uma constante, que não deixava o Dínamo respirar muito. Três alterações feitas de uma vez, com as entradas do Weigl, Diogo Gonçalves e Henrique Araújo, permitiram o descanso e aplausos para o Florentino, Rafa e Neres mas pouco mudaram na tendência do jogo. Curiosamente, gostei de ver o João Mário a actuar mais pela direita, pois o Diogo Gonçalves foi colocar-se sobre a esquerda. Acabou por ser uma espécie de teste à nossa táctica um bocado invertida, com um falso extremo direito e um extremo esquerdo de pé trocado. Perto do final, oportunidade para novo aplauso a um dos jogadores em destaque neste início de época, quando o Paulo Bernardo rendeu o Enzo Fernández e assim o argentino deixou de ser totalista e não cumpriu os primeiros minutos da época.

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Gostei muito de toda a equipa; não sei mesmo se não terá sido o jogo que mais me agradou até agora. O Neres foi um dos grandes destaques, mas também o Rafa, o João Mário, o Gonçalo Ramos e a dupla de médios estiveram sempre a um nível muito alto.

 

Com este objectivo na coluna dos alcançados, seguem-se dois jogos para a liga num curto espaço de tempo e o regresso à realidade interna. O próximo jogo, no Bessa, será certamente um duro teste à nossa equipa - neste momento ainda aguardo para saber a nomeação da equipa que poderá ser uma das principais adversárias nesse jogo. Mas o Boavista treinado pelo Petit será certamente um osso duro de roer. O Petit é perito em estudar os pontos fortes do adversário e em anulá-los, não tendo normalmente grandes pruridos em recorrer ao jogo físico e ao anti-jogo se for necessário. É fundamental manter o ritmo e a atitude, e não deixar que qualquer tipo de relaxamento se instale depois de atingido um dos mais importantes objectivos da época.

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publicado por D'Arcy às 18:30
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2022

Pragmático

Um Benfica pragmático acabou por conseguir impor a sua superioridade e vencer o Dínamo de Kiev por dois golos sem resposta, deixando mais desimpedido o caminho de acesso à fase de grupos da Champions. Agora é preciso completar a tarefa já para a semana, na Luz.

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Depois do jogo com o Casa Pia aproveitou-se para soltar algumas críticas ao Gilberto e prever vantagem do Bah na luta pela titularidade, mas o nosso treinador tem uma ideia fixa estabelecida para esta fase da época e voltou a apresentar aquele que parece ser o seu onze base, no qual se destacava o regresso do David Neres. Achei desde início que foi um Benfica algo diferente, a não apostar numa pressão tão intensa e em zonas tão avançadas do terreno. Mas cedo foi evidente a nossa superioridade, com o Dínamo a parecer querer apostar numa postura expectante, com linhas bastante recuadas para depois explorar o contra-ataque. Mas não tivemos muito tempo para ver como resultaria essa estratégia, porque logo aos nove minutos o Benfica colocou-se em vantagem. A jogada foi bastante trabalhada pelo Benfica e envolveu uma longa posse de bola e vários passes, com a bola a viajar da direita até à esquerda do ataque, depois ao cruzamento rasteiro do Grimaldo para o interior da área correspondeu o Rafa com uma boa simulação, que deixou a bola passar para o Gonçalo Ramos bem no centro. Este passou para trás para o João Mário, que à entrada da área lateralizou para a direita, onde um remate forte de primeira do Gilberto fez a bola entrar junto ao canto superior da baliza. O golo madrugador pareceu obrigar os ucranianos a abandonar a ideia de um jogo defensivo e vimo-los a ser mais atrevidos nas saídas para o ataque, ainda que o Benfica parecesse sempre ter o jogo relativamente controlado. O João Mário ficou a centímetros de marcar o que seria um bom golo de equipa, com um remate em arco à entrada da área, e o Dínamo respondeu também com um remate de fora da área que passou muito perto do poste da nossa baliza. Aos trinta e sete minutos, o David Neres adivinhou um mau passe atrasado de um defesa na saída de bola do Dínamo pela nossa esquerda e interceptou-o, com a bola depois a sobrar já dentro da área para um remate colocado do Gonçalo Ramos, que apareceu sozinho em frente ao guarda-redes, fazer a bola entrar junto ao poste mais distante (com o Rafa também em posição para finalizar). Na segunda parte o Benfica abrandou claramente o ritmo - não posso dizer que seja algo que me agrade muito, mas compreendo perfeitamente a gestão de esforço. O jogo foi quase aborrecido, ficando-se com a ideia de que a qualquer altura o Benfica poderia decidir forçar e chegar a um terceiro golo, mas com o Dínamo a fazer uma demonstração de brio e a dar tudo o que tinha para chegar ao golo - que a ter acontecido, se calhar até poderia ter mudado muito o jogo. Se o nosso treinador tem um onze base, também parece gostar de se manter fiel às substituições que faz, pois voltámos a ver as habituais entradas do Yaremchuk e do Henrique Araújo por volta da hora de jogo (a diferença foi que desta vez saiu o Neres e não o Rafa), seguida da troca do Gilberto pelo Bah, e já na fase final a troca de outro extremo (entrou o Chiquinho para o lugar do Rafa).

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Gilberto, Rafa, Gonçalo Ramos, Neres e João Mário jogaram a um nível agradável, num jogo em que não houve propriamente um jogador a destacar-se muito de todos os outros e no qual o jogo de equipa foi o factor mais em foco.

 

Adiámos o jogo da liga para nos focarmos a 100% neste playoff, e estamos mais perto de ver a estratégia recompensada. Estes dois jogos são de capital importância para a estabilidade financeira do clube, e um eventual falhanço certamente que seria imediatamente aproveitado para colocar tudo em causa e lançar as bases para mais uma época caótica. Uma vez atingido o objectivo Champions, poderemos voltar a focar-nos na competição interna e nas suas características únicas, que ao fim de apenas duas jornadas já deu para perceber que não só se mantêm como estão cada vez mais apuradas. Em apenas dois jogos, o Benfica fez um total de 16 faltas e viu sete amarelos e um vermelho, por acumulação. A título de comparação, nos três jogos europeus o Benfica fez 31 faltas e viu quatro amarelos. Cá por dentro, as 32 faltas do Sporting (o dobro das nossas, portanto) valeram-lhe três amarelos, e as 25 faltas do Porto resultaram em cinco amarelos. Tal como afirmou o Otamendi, 'tudo igual'. Com o pormenor da coisa estar a estender-se (e já vem da época passada) às outras equipas do Benfica, sendo o caso mais gritante o que andam a fazer à nossa equipa B.

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Domingo, 14 de Agosto de 2022

Complicado

Foi o jogo mais complicado que tivemos até agora, com a vitória a surgir através de um golo já na segunda parte, marcado pelo jogador que há meses anda a ser colocado pela imprensa na porta da saída todos os dias. O prolongar do nulo complicou a situação e aumentou os níveis de nervosismo, mas a vitória do Benfica não pode ser colocada em causa.

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O Diogo Gonçalves foi recompensado pelo grande golo na Dinamarca com a titularidade em Leiria, relegando o Chiquinho para o banco. Foi a única alteração num onze onde se continua a destacar a ausência do David Neres - espero que tenha continuado de fora apenas por precaução e que possa estar disponível para o duplo duelo com o Dínamo de Kiev. O jogo foi, tal como se previa, marcado pela iniciativa do Benfica, frente a um Casa Pia que se fechava a sete chaves atrás e que depois, sempre que possível, tentava lançar bolas em profundidade para um rapidíssimo Godwin na frente. Para quem tiver idade suficiente para se recordar disso, a mim fez-me lembrar certos jogos do Benfica nos anos noventa contra o Beira Mar, com o Dino sozinho no ataque dos aveirenses. O Benfica mostrou bastantes dificuldades em furar a organização defensiva do Casa Pia, com as oportunidades a rarearem. O Gilberto esteve pouco inspirado na direita, falhando no ataque e depois deixando a equipa exposta por aquele lado, por onde o Godwin caía quase sempre em cima do Otamendi, com clara vantagem na velocidade. Do outro lado, o João Mário joga a uma velocidade diferente do resto da equipa, insistindo sempre em dar dois toques na bola quando se exigiria que jogasse de primeira (para mim é sempre um mistério quando joga os noventa minutos, mas suponho que é por isso que não sou treinador) e sem velocidade e jogo pelas alas é muito difícil desmontar uma defesa de nove jogadores. A melhor ocasião foi construída pelo inevitável Rafa, que veio à esquerda e dentro da área tentou assistir o Gonçalo Ramos, cujo remate em esforço e dividido com um defesa fez a bola encaminhar-se muito lentamente para a baliza, ainda a tempo do João Nunes (um antigo jogador da nossa formação) evitar o golo. Muito pouca produção ofensiva para o Benfica - temos que fazer muito mais para conseguir ultrapassar equipas destas todos os fins de semana. Em termos de arbitragem, o Tiago '5 Cents' Martins mostrou-se já em grande forma, distribuindo uns amarelos cirúrgicos por faltas a meio campo que deixaram o Florentino e o Otamendi limitados. E assim pela primeira vez esta época saímos para o intervalo em branco.

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Logo ao intervalo, e com alguma naturalidade face ao jogo menos conseguido, o Gilberto deu o seu lugar ao Bah, e esta alteração acabou por revelar-se importante. O nosso lado direito foi bastante mais dinâmico com a entrada do dinamarquês, e de imediato se percebeu que estávamos a ser capazes de causar muito mais desequilíbrios e a levar mais perigo junto da baliza do Casa Pia. O golo acabou por surgir ainda antes de se completar o primeiro quarto de hora, e numa altura em que já se começava a adivinhá-lo. Passe do Enzo para o João Mário na zona central, deste a bola seguiu para o Rafa à entrada da área sobre a direita, e mais uma vez foi ele a desequilibrar, entrando na área e colocando a bola na zona central, onde o Gonçalo Ramos se conseguiu antecipar ao defesa e, com um segundo toque, desviá-la do guarda-redes para a fazer encaminhar-se lentamente para o fundo da baliza. Logo a seguir, trocámos o Florentino pelo Weigl (não por uma questão de rendimento, mas sim por causa do amarelo, e com o 2 Cents de apito na boca convinha não facilitar) e o Diogo Gonçalves pelo Yaremchuk, passando o Rafa a jogar mais encostado à direita - não é uma solução que me agrade muito, porque acho que é mesmo no meio onde ele rende mais. Mas foi novamente o Rafa quem voltou a criar perigo, com um remate à entrada da área que passou ligeiramente por cima. Durante a segunda parte achei que nos faltou mais calma no momento do último passe, porque foram diversas as vezes em que conseguimos libertar um jogador num dos flancos e depois invariavelmente o último passe saiu mal. em vez de sair para a frente dos avançados para empurrarem a bola para a baliza, ou atrasado para os jogadores que apareciam à entrada da área, a bola acabava sempre por sair direita aos defesas. Poderíamos ter deixado o jogo resolvido mais cedo, mas verdade seja dita que o Casa Pia foi uma equipa talhada para defender e tentar surpreender no contra-ataque, por isso quando o Benfica se colocou em vantagem e depois optou por uma postura um pouco mais cautelosa o Casa Pia nada conseguiu fazer - não me recordo de uma defesa do Vlachodimos na seguna parte. O maior sinal de perigo foi dado uma vez mais pelo Rafa, em mais um remate à entrada da área que fez a bola passar ligeiramente ao lado do poste. Até final, o 5 Cents conseguiu satisfazer o seu desejo e expulsou o Otamendi depois deste se embrulhar aos agarrões com um adversário, e o Grimaldo foi substituído aparentemente por algum problema físico, o que fez com que o Vertonghen disputasse os primeiros minutos esta época, na posição de lateral esquerdo.

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O destaque do Benfica é para mim o Rafa. Já disse que o considero um dos jogadores mais importantes na manobra da equipa, pelos desequilíbrios que provoca, e neste jogo voltou a fazê-lo - foi aliás dos únicos. O golo nasce dos pés dele e praticamente todas as jogadas mais perigosas do Benfica tiveram a sua participação. Outros destaques para mim foram o Florentino, que continua a dar sequência ao excelente início de época e a agarrar a titularidade com todo o mérito. Ficou limitado pelo amarelo recebido logo à meia hora, mas foi inteligente e passou a tentar jogar em antecipação para evitar jogadas de choque e bolas divididas. O Gonçalo Ramos trabalhou muito e fez por merecer o golo, e o Bah entrou muito bem - é capaz de ter ganho o lugar ao Gilberto, na luta pela titularidade no lado direito da defesa.

 

Este jogo foi uma perfeita apresentação do que é a rotina da liga portuguesa ao nosso treinador. Se o Roger Schmmidt não tinha bem noção daquilo que terá que enfrentar semana sim, semana sim, é capaz de ter ficado já com uma boa ideia. Equipas a jogar com toda a gente atrás da bola, jogadores a queimar tempo (só aquele sabujo que jogava no Moreirense a época passada caiu e foi assistido umas três vezes durante o jogo), árbitros com critérios disciplinares incoerentes e treinadores adversários que são peritos em analisar o jogo do Benfica e a encontrar formas de o anular. Cabe ao Benfica encontrar fórmulas para dar a volta a estes obstáculos que nos são constantemente colocados, e não é com primeiras partes como a deste jogo que nos iremos safar sempre.

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publicado por D'Arcy às 22:35
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2022

Confirmação

O desfecho da eliminatória já tinha ficado praticamente traçado em Lisboa e a viagem à Dinamarca serviu apenas para o confirmar, cumprindo todos os objectivos: vitória no jogo e na eliminatória, com um futebol fiel às novas ideias e aparentemente sem termos que gastar demasiadas energias.

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Até achei algo surpreendente que não tivessem havido quaisquer poupanças no onze inicial, no qual a única alteração foi a entrada do Chiquinho para o lugar do Neres, que tinha ficado em Lisboa. O jogo da primeira mão já tinha mostrado que a diferença de qualidade entre as duas equipas era considerável, por isso foi com naturalidade que o Benfica assumiu o controlo deste jogo também, mesmo que sem grande exuberância ou correrias. A pressão alta continuou a ser uma imagem de marca, mesmo que no ataque não parecesse haver necessidade para imprimir uma velocidade tão grande como noutras ocasiões. O Chiquinho não é o Neres e não joga com o pé esquerdo, por isso as movimentações dele são diferentes e isso acaba também por alterar as rotinas da equipa no ataque. Os dinamarqueses apenas conseguiam responder em bolas paradas - e nisso incluem-se os lançamentos de linha lateral, que aproveitavam para meter a bola na área. O nosso golo apareceu a meio da primeira parte numa boa movimentação do Enzo, que apareceu na zona de finalização para aproveitar um bom cruzamento do Gonçalo Ramos a partir da esquerda. A eliminatória estava mais do que resolvida, mas os dinamarqueses tinham vontade de dar um ar de sua graça e talvez interromper a péssima sequência de resultados que levam, tendo uma grande oportunidade que nasceu num passe do Otamendi para o Gilberto que saiu curto, para depois o mesmo Otamendi abordar o lance de forma algo displicente tentando fazer um corte controlado em vez de atirar a bola para fora. Valeu o Vlachodimos, que correspondeu com uma boa defesa depois da bola ainda ter tabelado no Morato. Para a segunda parte regressaram o Henrique Araújo e o Yaremchuk nos lugares do Gonçalo Ramos e do Rafa e foi o jovem madeirense a ampliar a vantagem ao fim de dez minutos, com um oportuno cabeceamento depois de um cruzamento do João Mário na esquerda, na sequência de um canto marcado à maneira curta - continuamos a revelar uma enorme melhoria nas bolas paradas em relação às últimas épocas. O Benfica jogou num ritmo ainda mais pausado depois do segundo golo, e disso se aproveitou o Midtjylland para ter maior iniciativa no jogo, sendo recompensado com um golo. Muito espaço dado na direita da nossa defesa permitiu um cruzamento largo bem para meio da nossa área, onde o ponta-de-lança Kaba saltou à vontade e cabeceou à barra, para a bola depois sobrar para o Sisto fazer a recarga. Os dinamarqueses acreditaram que poderiam chegar ao empate, mas à beira do final o Diogo Gonçalves, que tinha entrado para o lugar do Chiquinho, acabou com essa crença fazendo o golo da noite. Partindo da esquerda para o meio, aproveitou o espaço que lhe deram à entrada da área, olhou para a baliza, e com um remate cruzado e em arco colocou a bola na gaveta. Até final, menção para a estreia oficial do Diego Moreira, e para um golo do Midtjylland que foi anulado pelo VAR por posição irregular.

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Um destaque que parece começar a tornar-se habitual para o Enzo. Três golos nos primeiros três jogos para um médio centro não é uma coisa habitual, mas para além disso é óbvio em praticamente tudo o que faz em campo - desarmes, passes, tempo de entrada aos lances, acompanhamento das jogadas de ataque - o quão certeira foi a sua contratação. É o jogador por quem (des)esperávamos há muito tempo para aquele meio campo. O Rafa foi um dos principais dinamizadores do ataque na primeira parte e o Florentino mais uma vez foi o complemento ideal do Enzo. Aproveito para dizer ainda que se é para termos uma opção de banco para as alas, prefiro o Diogo Gonçalves (e não digo isto simplesmente pelo golo) ao Chiquinho - este poderá ser mais útil atrás do avançado do que numa ala.

 

Sem exuberância mas com profissionalismo e eficiência, o dever foi cumprido. Avançamos para o playoff da Champions, onde iremos encontrar um Dínamo de Kiev orientado pela velha raposa Lucescu. Acho que é óbvio para todos que a obrigação do Benfica será passar e progredir para a fase de grupos, mas este adversário deverá ser o mais difícil que apanhamos nesta fase da época, por isso será necessário abordar a eliminatória com o máximo de atenção.

 

P.S.- Surpreendido com a tristíssima notícia do desaparecimento do Chalana. Para mim, como para tantos outros da minha geração, é um daqueles nomes míticos do Benfica que nos fizeram benfiquistas - para mim pensar no Benfica dessa altura é recordar imediatamente Bento, Humberto Coelho, Chalana, Carlos Manuel, Sheu ou Nené. Um dos jogadores mais populares e carismáticos do futebol português numa altura em que essas coisas não se adquiriam nas redes sociais. Um talento incomparável e irrepetível do Benfica e de Portugal. O nosso pequeno genial.

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publicado por D'Arcy às 12:29
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2022

Tranquila

Pontapé de saída na Liga, e uma vitória tranquila na estreia. O Arouca nunca foi um adversário capaz de causar problemas e o resultado foi-se avolumando com naturalidade até se fixar nos quatro golos sem resposta, apesar do Benfica ter jogado toda a segunda parte num ritmo bastante pausado.

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Foi exactamente com o mesmo onze do jogo europeu que o Benfica se apresentou em campo, e sem surpresas assistimos a um jogo de sentido quase único. Foi bom termos conseguido aquilo que é sempre importante em jogos da liga portuguesa, que é marcar cedo. Foi aos oito minutos, num jogada que começou numa boa iniciativa individual do João Mário na esquerda, continuou numa tabela com o Rafa que, de primeira, soltou o Grimaldo, e o cruzamento em esforço já sobre a linha de fundo foi ter com o Gilberto, que apareceu fulgurante na marca de penálti a fuzilar a baliza de cabeça, como se de um ponta-de-lança se tratasse. Uma jogada e uma finalização muito bonitas de se ver. Obviamente que o golo dá tranquilidade, mas pouco mudou a forma de jogar do Arouca. Continuou afincadamente enfiado na defesa e a queimar tempo quando podia, aproximando-se poucas vezes da nossa baliza. Mas o jogo do Benfica também não foi tão fulgurante como nos anteriores, e não vimos a catadupa de situações de golo doutras ocasiões. A meio da primeira parte o João Mário saiu lesionado e foi substituído pelo Chiquinho, que teve bastante menos influência no jogo. O segundo golo acabou por surgir com alguma naturalidade já perto do intervalo, embora o Arouca tenha conseguido entupir o jogo atacante do Benfica com alguma eficácia durante a primeira parte. A jogada é quase toda mérito do Rafa, que numa iniciativa individual conseguiu entrar na área do Arouca pela esquerda, deixando vários adversários pelo caminho, e depois a tentativa de assistir o Gonçalo Ramos foi interceptada por um defesa, levando a bola a ressaltar noutro e a ir para a cabeça do Ramos, que a enviou à barra para depois o Rafa fazer o golo quase em cima da linha. Já em cima do intervalo, após intervenção do VAR um defesa do Arouca foi expulso após falta sobre o Rafa à entrada da área e o Benfica ainda conseguiu chegar ao terceiro, num remate do Enzo na meia lua a aproveitar um ressalto a um cruzamento do Gilberto. Tal como contra o Midtjylland, jogo resolvido ao intervalo.

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Na segunda parte o jogo foi bem menos interessante, pois o Benfica jogou num ritmo bastante pausado e o Arouca continuou a jogar completamente à defesa. Talvez afectada pela decisão (na minha opinião, demasiado severa) de expulsar o jogador do Arouca, a arbitragem ajudou à festa com mais algumas decisões no mínimo bizarras, como os amarelos ao Florentino e ao Rafa, a não expulsão por acumulação de amarelos do defesa gigante inglês do Arouca ou o fechar dos olhos a um empurrão flagrante ao Gonçalo Ramos na área. Apenas mais um golo, já na fase final do encontro, quando o Bah assinalou a estreia pelo Benfica assistindo o Rafa com um cruzamento tenso e rasteiro para que este finalizasse na pequena área. Em relação ao jogo, achei curioso que (também naquela lógica habitual dos nossos adversários do 'para a próxima é que vai ser, que estes eram fracos') os nossos adversários, inimigos ou detractores depositassem esperanças no Arouca para começar já a deitar areia na nossa engrenagem. Não tem qualquer lógica, mas a verdade é que muitos achavam que o Arouca seria um adversário mais complicado do que o vice-campeão dinamarquês. Mas bastaram uns minutos de jogo para compreender porquê: não é no adversário que eles depositam esperanças, é no futebol português em geral. O futebol português é talvez o maior viveiro de anti-jogo da Europa, e isto é um cenário fomentado e elogiado quer pela estrutura vigente do futebol português, quer pela comunicação social, onde qualquer feito atingido por via do anti-jogo é elevado aos píncaros, enquanto que a equipa que sofre as consequências do mesmo é arrasada, na lógica brutal do 'resultadismo'. Um exemplo: o Gonçalo Ramos foi derrubado sobre a linha da área aos 19 segundos de jogo. Entre constantes protestos, avanços e recuos da barreira e outras diatribes, o livre acabou por ser marcado já depois dos dois minutos e meio. Perderam-se mais de dois minutos com o jogo parado para marcar um simples livre. O Arouca veio à luz jogar com uma linha defensiva de seis jogadores e a queimar tempo nas reposições desde o apito inicial, fórmula que não se alterou mesmo ficando em desvantagem cedo no jogo. Depois de ficar reduzido a nove, mesmo a perder, a táctica passou a ser um 5-4-0. A maior parte das equipas na nossa liga especializam-se em não deixar o adversário jogar, e depois são elogiadas por isso. Mesmo quando já tivemos diversos exemplos de treinadores que em equipas ditas pequenas resolvem jogar futebol e acabam quase sempre por levar essas equipas a classificações inéditas, incluindo lugares europeus (Marco Silva, Paulo Fonseca, Ricardo Soares, Pepa são alguns dos exemplos mais recentes) o anti-jogo continua a ser glorificado e cultivado no terreno fértil para isso que é o nosso futebol. Por isso não admira que haja quem pense que um Arouca representa um perigo maior do que o vice-campeão dinamarquês. Enfim, é apenas um desabafo.

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Para mim o homem do jogo foi o Rafa, autor de dois golos e uma espécie de joker do nosso ataque. Está a jogar na posição onde sempre pareceu render mais, solto e com bastante liberdade no ataque em vez de estar encostado a uma linha, e acaba por causar diversos desequilíbrios aparecendo um pouco por toda a parte. Destaque para os dois laterais, que estiveram muito activos e criaram várias situações de perigo. O primeiro golo foi marcado pelo Gilberto a passe do Grimaldo, o terceiro nasce de um cruzamento do Gilberto, e o quarto foi uma assistência do Bah. Com as constantes movimentações dos alas para o meio acabam por ser os nossos laterais a dar a largura necessária no ataque e a ser peças fundamentais no futebol que jogamos. Fundamental também é a dupla de médios. O Enzo em apenas dois jogos já mostrou que foi uma contratação em cheio, o jogador de que precisávamos para a posição que dele precisava. É um box-to-box como há muito não tínhamos, com uma visão de jogo que lhe permite começar a criar uma jogada de perigo logo com o primeiro passe que faz à saída da nossa defesa. E o Florentino regressou com vontade de agarrar o lugar, tendo neste jogo até mostrado pormenores que lhe eram pouco vistos no capítulo do passe longo. É daqueles jogadores que permitem que a equipa jogue dez metros mais à frente; um recuperador de bolas incansável que merece os elogios que o treinador já lhe fez. Por último, jogo muito sólido do Morato, que deve ter ganho todos os duelos individuais.

 

Dois jogos feitos, quatro golos em cada um deles e até fiquei com a sensação de que a equipa não deu tudo o que tinha, porque resolveu-os tão cedo que depois baixou claramente o ritmo nas segundas partes. Estamos a jogar um futebol interessante de ver e que ajuda a tentar esquecer os espectáculos monótonos da época passada, com circulação de bola infindável nas zonas mais recuadas e sem progressão. O Benfica joga um futebol bastante mais vertical quando tem a bola, e quando não a tem a pressão exercida sobre o adversário de forma a recuperá-la é uma coisa de que já não me lembrava ver há alguns anos. Mas tenho também a noção de que o tipo de futebol que jogamos envolve bastantes riscos, e perante os catedráticos do anti-jogo que existem na liga portuguesa ainda iremos sofrer alguns dissabores. A fórmula será mesmo tentar marcar muito mais golos do que aqueles que sofrermos.

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publicado por D'Arcy às 10:53
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2022

Escasso

No regresso à competição oficial o Benfica deixou a pré-eliminatória da Champions bastante bem encaminhada, com uma vitória clara por 4-1 frente aos dinamarqueses do Midtjylland num jogo em que a diferença de qualidade entre as duas equipas foi bastante clara. Mas creio mesmo assim serão poucos os benfiquistas que não acharão que este resultado peca por ser bastante escasso face ao voluma de situações claras de golo criadas (e desperdiçadas) pelo Benfica.

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O onze apresentado foi o mais esperado, já que foi aquele que mais vezes vinha a ser utilizado nas primeiras partes dos jogos de preparação. Esta equipa apresenta apenas dois reforços 'e meio': Enzo Fernandez e Neres, mais o regressado Florentino. Todos os outros são jogadores que já estavam no clube, e a diferença na forma de jogar é um bom exemplo da influência que um treinador pode ter numa equipa, mesmo com tão pouco tempo de trabalho. Quanto ao jogo, foi praticamente de sentido único, com o Benfica a assumir as despesas do mesmo durante quase todo o tempo e os dinamarqueses quase todos acantonados dentro da sua área. Até fiquei com a sensação de que o Benfica não foi tão sufocante como o vimos nos jogos de preparação, mas a pressão alta também acaba por ser menos visível quando o adversário não mostra grandes intenções de sair a jogar, e em vez disso opta por despachar a bola para a frente em futebol directo a maior parte das vezes. Também achei que houve menos jogo pelos flancos do que o habitual, sendo o Neres a evidente excepção. A resistência dos dinamarqueses durou cerca de um quarto de hora, altura em que o Neres fabricou o golo no flanco direito para o oferecer ao Gonçalo Ramos, que num grande movimento de ponta-de-lança ganhou a frente ao marcador directo para dentro da pequena área fazer o cabeceamento. Pouco depois da meia hora, lance quase a papel químico: mais uma vez o Neres na direita a fazer o que quis do adversário e a centrar depois de ganhar a linha de fundo, e o Gonçalo Ramos a cabecear para o segundo. O Gonçalo Ramos antes já tinha ficado a centímetros de chegar ao um cruzamento do Gilberto, e logo a seguir voltou a fazer o mesmo, quando o Benfica pressionou alto e depois de recuperada a bola, o Rafa na cara do guarda-redes tentou servi-lo, mas o passe saiu uns centímetros adiantado. Mas o terceiro golo surgiu mesmo a cinco minutos do intervalo: canto na esquerda marcado pelo João Mário em balão para a entrada da área, e o Enzo rematou de primeira, com a bola a sofrer um ligeiro desvio num defesa e a seguir imparável para o fundo da baliza.

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Três a zero ao intervalo, e era razoável esperar pelo menos outros tantos na segunda parte. Que só não aconteceram por falta de aproveitamento, porque o número de ocasiões de golo que criámos até foi superior ao da primeira parte. Quase sempre com o Gonçalo Ramos em destaque, só no primeiro quarto de hora foram quatro situações clamorosas de golo. Gonçalo Ramos a abrir, num cabeceamento que o guarda-redes defendeu levando a bola ainda a embater novamente no Ramos e a sair, João Mário em posição frontal privilegiada a atirar ligeiramente por cima, novamente o Gonçalo Ramos dentro da área a tirar um defesa da frente e depois só com o guarda-redes pela frente a permitir a defesa (e ainda tinha dois colegas à frente da baliza a quem poderia ter passado a bola) e finalmente o Neres, num contra-ataque conduzido pelo Rafa que o deixou à frente do guarda-redes, a atirar à barra. Mas a fechar estes quinze minutos frenéticos o golo praticamente inevitável apareceu mesmo, e quase sem surpresas pelo Gonçalo Ramos, que assim completou o hat trick. Insistência do Rafa pela direita, que depois de receber a bola na área vinda de um lançamento de linha lateral ainda conseguiu em esforço tocá-la para trás e evitar que se perdesse pela linha de fundo, e depois grande recepção do Gonçalo Ramos e rotação para rematar cruzado por entre as pernas do guarda-redes. O Benfica pareceu então abrandar um pouco o ritmo, e o Midtjylland aproveitou para chegar ao golo de honra (que pouco ou nada fez por merecer) a um quarto de hora do final, num penálti cometido pelo Morato. Já com o Henrique Araújo e o Yaremchuk nos lugares do Rafa e Gonçalo Ramos, alinhando num esquema mais próximo do 4-4-2 em vez do 4-2-3-1 inicial, ainda assim a dupla de avançados criou já perto do fim duas ocasiões flagrantes para marcar, tendo numa o Henrique Araújo atirado ao lado e na outra o Yaremchuk viu o seu remate ser defendido, para depois um defesa cortar em cima da linha.

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O destaque maior tem que ser o Gonçalo Ramos, pelo hat trick e ainda as várias ocasiões que criou, mostrando o erro que foi a época passada colocá-lo a jogar em posições mais afastadas da zona de finalização. Pode não ser um avançado exuberante, mas tem golo e é perto da baliza que tem que estar. Outro grande destaque é o David Neres, que é uma das grandes contratações para esta época. É um upgrade brutal em relação ao Everton, até porque preferindo o pé esquerdo está também à vontade para cruzar com o pé direito, como o fez nos dois primeiros golos - que foram por si fabricados. Por isso um defesa fica sempre na dúvida sobre o que ele irá fazer, e se por acaso decidir entrar com tudo o mais provável será ser irremediavelmente ultrapassado. Menção também para os dois médios: o Enzo é talvez o primeiro número oito a sério que temos desde que o Renato Sanches saiu. É um verdadeiro box-to-box, com capacidade de recuperação da bola mas também técnica de passe e visão para fazer o importante primeiro passe na saída em transição assim que a bola é recuperada (e é também capaz de fazer ele o transporte da bola, se for necessário). Mais uma contratação em cheio para uma posição em que andamos em claro défice há anos. Finalmente, o Florentino. Eu admito ser altamente suspeito para falar sobre ele, porque sou admirador do futebol dele desde as camadas jovens. Para mim é daqueles jogadores que quando está em campo faz logo com que a equipa possa jogar dez metros mais adiantada - a capacidade de leitura do jogo e tempo de entrada aos lances que ele tem permitem-lhe recuperar inúmeras bolas. É o único verdadeiro número seis que temos no plantel, o que mostra o quão incompreensível e errada foi a sua dispensa nas duas épocas anteriores. Parece-me que está na calha para ser uma peça chave na estratégia do nosso novo treinador, e pode ser que seja esta a sua época de afirmação definitiva.

 

Salvo alguma hecatombe, a eliminatória deverá estar quase resolvida. Agora é vermos de que forma é que esta equipa estará preparada para fazer frente às habituais armadilhas e condicionantes que nos atiram internamente. Há até alguns que a semana passada já prometiam ir festejar o título a uma terra qualquer (ai se fosse alguém do Benfica a dizer uma coisa parecida...). É preciso um grande grau de confiança no status quo instalado no futebol português para se andar já a fazer essas previsões.

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publicado por D'Arcy às 00:14
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