Até nem é um termo com que eu simpatize muito, mas o jogo contra o Marítimo foi mesmo um verdadeiro passeio para a nossa equipa. Marcámos cinco golos e criámos ocasiões para marcar pelo menos outros tantos, mas parece que já começa a tornar-se habitual chegarmos ao final dos jogos a pensar que foram poucos e que ficámos a dever ao desperdício um resultado mais dilatado.
A maior novidade no onze foi a titularidade do Aursnes no lugar do Florentino e de resto foi o esperado, com o Bah a manter-se a titular em vez de vermos a muito habitual rotação entre ele e o Gilberto. O Marítimo entrou na Luz sendo detentor do nada invejável registo de um pleno de derrotas, com uma média de quase três golos sofridos por jogo, e de facto mostrou que esses números não aconteceram por acaso. É que o Benfica nem sequer entrou no jogo com uma pressão alta e sufocante, ou a jogar num ritmo elevado - o ritmo parecia mesmo ser mais de passeio do que outra coisa, uma espécie de sobranceria apoiada numa quase certeza da enorme superioridade sobre o adversário que inevitavelmente conduziria à vitória. Confesso que tanta calma chegou para me enervar um pouco durante os primeiros minutos, até porque na baliza do Marítimo o Miguel Silva parecia apostado em recordar os tempos em que surgiu no futebol sénior na baliza do Vitória, quando nos fazia sempre passar um mau bocado (não chegava ao nível Marco Tábuas, mas andava perto). A resistência do Marítimo durou vinte e oito minutos, período durante o qual não tenho a certeza que tenham chegado uma vez que fosse à nossa baliza. Coube ao Rafa desfazer o nulo, quando surgiu isolado após uma tentativa de tabela com o Gonçalo Ramos, mas quem acabou por lhe devolver a bola foi mesmo um defesa adversário. Descaído sobre a esquerda, finalizou com facilidade com um remate para o poste mais distante. Depois disso, e até ao intervalo, fomos desperdiçando ocasiões soberanas para irmos completamente tranquilos para o descanso, com especial destaque para as ocasiões desperdiçadas pelo João Mário, isolado por um soberbo passe longo do António Silva para as costas da defesa, e pelo Gonçalo Ramos, que surgiu sozinho no meio da área depois de um passe fantástico do Enzo. O primeiro rematou torto (quando até poderia ter tentado assistir o Gonçalo Ramos ou o Rafa) e o segundo viu o Miguel Silva fazer mais um milagre e evitar o golo.
Na segunda parte o Benfica entrou a jogar um futebol mais vertical do que aquele que tinha apresentado na primeira parte, e o resultado foi imediato. Logo no segundo minuto o Gonçalo Ramos desviou de calcanhar um cruzamento tenso e rasteiro do Bah e fez o segundo golo, o que efectivamente acabou de vez com qualquer expectativa que o Marítimo ainda pudesse ter. Apesar de até se ter visto uma ténue reacção do Marítimo (e por ténue quero dizer que passaram mais vezes do meio campo) era quase uma certeza que o marcador iria voltar a funcionar, e para o lado do Benfica. O António Silva esteve muito perto de marcar o seu primeiro golo pela equipa principal, depois de uma grande iniciativa individual do Enzo pela direita, onde ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o remate forte do miúdo embater com estrondo no poste. Logo a seguir, aos sessenta e quatro minutos, o Benfica chegou ao terceiro golo. Mesmo contra uma equipa que quase só defendeu, deu para marcar um golo em transição. Numa rara ocasião em que o Marítimo subiu no terreno, para a marcação de um canto, o António Silva ganhou a bola duas vezes nas alturas e ela foi ter aos pés do Rafa. Depois ele deixou um defesa que o tentou travar para trás, e fez o passe perfeito a isolar o Gonçalo Ramos, que correu até à área e esperou até que o guarda-redes caísse para depois lhe fazer a bola passar por cima. Oportunidade então para fazer descansar dois dos jogadores mais importantes e trocámos o Rafa e o Enzo pelo Draxler e o Florentino. Ambos tiveram oportunidade para deixar a sua marca no jogo, no qual continuávamos a acumular ocasiões. Destaque para mais um falhanço do João Mário, isolado por um bom passe do Draxler. A oito minutos do final, e imediatamente a seguir à troca dos laterais (entraram o Gilberto e o Ristic), o Florentino fez aquilo que o Florentino faz. Numa reposição de bola em jogo perto da área o jogador do Marítimo deixou que o Florentino se aproximasse demasiado, e naturalmente ficou sem a bola. O Neres aproveitou e à entrada da área rematou rasteiro para o quarto golo. E a dois minutos dos noventa, foi a vez do Draxler fazer o gosto ao pé. Também à entrada da área, veio da esquerda para o meio em simulações para retirar os adversários do caminho e depois fuzilou autenticamente a baliza, com um remate imparável ao ângulo. Fim de jogo em festa, que só não foi ainda maior porque o Gonçalo Ramos desperdiçou uma ocasião soberana para o hat trick, cabeceando torto e para fora o excelente cruzamento do Gilberto, que o encontrou sobre a linha da pequena área.
O Gonçalo Ramos no final foi eleito o homem do jogo, o que é normal tendo em conta os dois golos, mas para mim o melhor em campo foi o Rafa. Acho aliás que até agora estamos a assistir à melhor época do Rafa. Na posição onde joga, com liberdade nas costas do avançado, sente-se perfeitamente à vontade e é dele que nasce uma boa parte dos desequilíbrios e acelerações tão necessárias no nosso jogo. Parece transbordar de confiança, está a finalizar e a definir melhor, e agora até nos remates de fora da área se está a tornar perigoso. É um jogador que sempre apreciei, e a notícia de que abdicou da ida ao clube privado do engenheiro e do eucalipto só aumentou o meu apreço por ele. Mais um grande jogo também do Enzo.
E vão treze, sendo que foi importantíssimo aproveitar os deslizes dos rivais e ir para a pausa das selecções mantendo o registo perfeito e depois de alargar a nossa vantagem. O factor psicológico nunca é de desprezar. Quando regressarmos, mais um teste difícil, como o são todas as visitas a Guimarães. Ainda falta um bocado para isso, mas seria de extrema importância que quando fôssemos ao Porto o fizéssemos pelo menos com a vantagem pontual actual.
Um vitória memorável frente à Juventus em Turim, com cambalhota no resultado, permite-nos prolongar o arranque de época perfeito. A uma entrada desastrada sucedeu-se uma transfiguração da equipa, que conseguiu impor o seu jogo no estádio do adversário e conquistar três pontos que nos deixam já muito bem colocados ao fim de apenas dois jogos disputados.
Num onze onde a rotação à direita da defesa continua a ser uma constante (desta vez jogou o Bah) e no centro voltou a jogar o menino António Silva. A entrada do Benfica no jogo foi, sem meias palavras, desastrosa. Sofremos um golo logo aos quatro minutos, numa cabeçada do Milik depois de um livre da esquerda, e só não levámos o segundo pouco depois por acaso. A equipa entrou receosa e teve dificuldade em encaixar no esquema da Juventus, que jogando em 3-5-2 parecia ter superioridade numérica no meio campo. Só ao fim de vinte minutos começámos a assentar o nosso jogo, com o João Mário a juntar-se mais ao médios e o Rafa ou o Gonçalo Ramos a descer para anular a vantagem numérica adversária. O primeiro grande sinal de perigo foi dado pelo Gonçalo Ramos, que a dois metros da linha de golo conseguiu cabecear directamente para as mãos do guarda-redes. Foi como que um clique no jogo, porque daí até ao intervalo praticamente não se viu mais a Juventus e só deu Benfica. A posse de bola virou a nosso favor e o jogo passava-se quase todo no meio campo italiano, onde o nosso adversário fechava as linhas em frente à sua área e se dedicava quase em exclusivo a segurar a vantagem, sem conseguir sequer que a bola chegasse aos avançados para criar algum perigo num contra-ataque esporádico. O Rafa viu um grande golo ser-lhe negado pelo poste, mas o empate que se adivinhava acabou por surgir ainda antes do intervalo, num penálti convertido pelo João Mário a castigar uma pisadela ao Gonçalo Ramos - lá fora marcam-se mesmo os penáltis a favor do Benfica, mesmo quando estamos a defrontar um dos clube mais corruptos da história do futebol (sim, detesto a Juventus e há poucas equipas contra as quais me dê tanto prazer ganhar).
Na segunda parte, a superioridade do Benfica foi ainda mais evidente, apesar de um remate perigoso que ainda desviou ligeiramente no João Mário ter obrigado o Vlachodimos a uma defesa mais difícil. Mas era na outra baliza que os lances de perigo se iam sucedendo, com os italianos a parecerem-me quebrar fisicamente, deixando cada vez mais espaço entre a defesa e o meio campo - enquanto que na primeira parte até conseguiram formar um bloco defensivo sólido. O golo que consumou a reviravolta apareceu ao fim de dez minutos, numa arrancada do Enzo que deixou para trás dois adversários (que tentaram o que podiam para o deitar abaixo) e fez a bola seguir para o Gonçalo Ramos na área. O Bonucci ainda fez o corte, a bola sobrou para o Rafa rematar e proporcionar uma boa defesa ao Perin, mas a bola sobrou para o Neres que de primeira e de pé esquerdo fez o golo. Depois disto, assistimos a imenso desperdício da parte do Benfica, que aproveitando a distância entre linhas da Juventus quase que parecia ser capaz de causar perigo de cada vez que passava do meio campo. Confesso que até me senti mais nervoso a ganhar do que quando estávamos a perder, porque a sensação era a de que estávamos a desperdiçar uma oportunidade para golear e ainda poderíamos ser castigados por isso - só o Bonucci 'tirou-nos' três golos quase feitos. E a verdade é que o golpe de teatro esteve perto de acontecer, pois em duas ocasiões a Juventus poderia ter chegado a um empate que seria uma tremenda injustiça - primeiro num cruzamento do Kean no qual ninguém tocou e acabou por levar a bola ao poste da nossa baliza, e depois num lance em que o Bremer apareceu isolado por um passe do Di María (que nos poucos minutos que jogou conseguiu ser dos mais perigosos da Juventus) e atirou para a bancada com o Vlachodimos a fazer a mancha. Mesmo a fechar o jogo, mais uma ocasião escandalosa desperdiçada pelo Benfica para dar uma expressão mais justa ao resultado, que numa situação de três para um conseguiu não marcar.
Gostei de toda a equipa, mas é impossível não mencionar a grande exibição do António Silva (mais uma), ou a eficácia da dupla Florentino/Enzo, ou ainda mais uma vez o Rafa, a quem só ficou mesmo a faltar um golo, porque bem fez para o merecer.
São já doze as vitórias seguidas em jogos oficiais, mas obviamente que continuamos à espera de apanhar o primeiro teste a sério, porque os adversários encontrados até agora (que incluíram o Soares Dias e o Fábio Veríssimo) não deram luta, e obviamente que esta deve ser 'a pior Juventus dos últimos trinta anos' ou algo que se lhe assemelhe. Importante agora é o Marítimo, para conseguirmos estender o número de vitórias para treze e ir para a pausa na liga mantendo o registo perfeito. E entretanto vou matando as saudades de ver o Benfica jogar sempre para ganhar, em qualquer campo.
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