VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 20 de Novembro de 2022

Normal

Uma vitória normal por números escassos na estreia na Taça da Liga. Dominámos o jogo contra o Estrela da Amadora e criámos ocasiões mais do que suficientes para um resultado mais confortável, mas acabámos por ter que nos contentar com uma vitória pela margem mínima por 3-2.

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Garantidas que estavam sete ausências - os seis mundialistas mais o lesionado Aursnes - o nmosso treinador mostrou ainda assim que quer levar esta competição a sério e fez alinhar o onze mais forte possível, mantendo a titularidade dos habituais Vlachodimos, Grimaldo, Florentino, Rafa e Neres. Depois o resto da equipa foi construída com as escolhas talvez mais óbvias: Gilberto, João Victor, Brooks, Chiquinho (no meio campo, no lugar habitual do Enzo), Diogo Gonçalves e Musa. Sem surpresa, o Benfica esteve quase sempre por cima no jogo, apesar do Estrela não se querer limitar a fazer papel de figura presente e tentar sempre que possível causar perigo, mas a verdade é que raramente pareceram confortáveis sempre que o Benfica resolvia fazer uma pressão alta mais agressiva. O Rafa (hoje capitão) foi o elemento mais activo no nosso ataque, mas no capítulo da finalização esteve muito pouco inspirado hoje. Apesar do desperdício, os bons hábitos são para manter e marcámos o primeiro golo cedo no jogo, aos treze minutos, num bom remate rasteiro do Musa à entrada da área depois de uma série de tabelas com o Rafa. Mas nem dez minutos decorreram e o Estrela fez o empate praticamente na primeira vez em que chegou com perigo à nossa área. Foi na sequência de um livre (resultado de um lance algo displicente do Diogo Gonçalves, que ficou parado à espera que a bola lhe chegasse aos pés e assim se deixou antecipar, obrigando-.o depois a puxar a camisola do adversário), com a bola a ser cruzada para a área e um toque de cabeça ao primeiro poste permitiu a finalização do João Silva do lado oposto com um bom remate cruzado. O Benfica reagiu imediatamente e tivemos um lance de autêntico tiro ao boneco, em que parecia que a equipa toda do Estrela estava enfiada na pequena área. Mas bastaram sete minutos para o Benfica voltar a ficar em vantagem, com o Chiquinho a converter um penálti cometido sobre o Rafa aos vinte e nove minutos de jogo. Depois foi mais do mesmo, com o Benfica sempre bastante por cima mas a mostrar desperdício e até displicência no ataque, o que foi mantendo o resultado em dúvida e fazendo o Estrela acreditar, ainda que só chegasse à nossa baliza esporadicamente, como foi exemplo um livre perto do intervalo que obrigou o Vlachodimos a aplicar-se para defender o pontapé de recarga. Para a segunda parte trocámos o João Victor e o Diogo Gonçalves pelo Morato e o Draxler. Foram trocas directas e continuou tudo na mesma, incluindo no futebol jogado. O Benfica teimava em não ampliar o resultado, desperdiçando ocasiões de finalização (algumas por mérito do guarda-redes do Estrela, que teve uma série de boas defesas) ou definindo mal jogadas em que recuperava a bola em zonas altas e criava situações de superioridade numérica no ataque para depois fazer mal o último passe. O que ao fim de algum tempo teve o condão de me irritar, porque apesar de pouco perigoso, a verdade é que o Estrela continuava no jogo e em qualquer altura um lance fortuito poderia custar-nos a a vitória. Só mesmo aos noventa minutos é que o merecido terceiro golo surgiu, quando em mais uma das referidas situações de superioridade no ataque o entretanto entrado Rodrigo Pinho deixou o Draxler completamente à vontade em frente ao guarda-redes e o alemão não perdoou. Ainda assim, já no último minuto de compensação um passe muito displicente do Morato permitiu ao Estrela recuperar a bola em apanhar a nossa defesa mal posicionada para repor a diferença mínima no marcador.

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O Rafa para não variar foi um dos jogadores em maior evidência, mas a qualidade de finalização dele hoje foi inaceitável - até parecia o Rafa dos primeiros tempos no Benfica. Mas no geral não vi grandes destaques na nossa equipa. O Chiquinho cumpriu no meio campo mas obviamente que não é o Enzo e notou-se muito a falta daqueles passes largos a mudar rapidamente o flanco do jogo. O Draxler regressou mas parece-me neste momento um jogador desmotivado e sem grande vontade para mostrar serviço, apesar do golo marcado. Tive pena que jogadores como o Henrique Araújo ou o Paulo Bernardo estivessem ausentes na selecção de Sub-21, porque este seria um jogo onde poderiam ganhar minutos e mostrar serviço.

 

Fiquei agradado por ver que o nosso treinador leva esta competição a sério e quer ganhá-la, e por termos entrado nela da melhor forma. Ainda assim, desperta-me muito mais interesse do que as ronaldices que se vão passando no Qatar, e no próximo sábado conto estar na Luz esperando ver-nos somar mais três pontos e prolongar a nossa invencibilidade por mais um jogo. Se o Aursnes já estiver disponível para jogar no meio campo, creio que poderemos fazer bastante melhor do que neste jogo.

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publicado por D'Arcy às 23:36
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2022

Justa

Tarefa cumprida: mais uma vitória sem discussão e agora vai haver uns quantos que vão ter que passar o Mundial a olhar para uma desvantagem de oito ou mais pontos em relação a nós. Desta vez, e para variar, não vou dizer que nos ficámos a dever uma goleada. A vitória foi justa e os números ajustam-se ao que se viu em campo, numa exibição menos fulgurante mas ainda assim sólida por parte da nossa equipa.

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Com a recuperação do Gonçalo Ramos pudemos apresentar o nosso onze base para este jogo. O que me pareceu um pouco preocupante foi a falta de opções no banco, que com as lesões do Draxler e do Aursnes me parecem demasiado limitadas. Cinco defesas no banco, dos quais três centrais, e apenas três opções do meio campo para a frente, que foram o Musa, o Chiquinho e o Diogo Gonçalves - talvez por isso mesmo apenas tenhamos feito três das cinco substituições. O Benfica entrou no jogo como de costume, em cima do adversário e a tentar marcar cedo. Sobre o Gil Vicente, nunca me pareceu que tivessem vindo para a Luz com o propósito de estacionar o autocarro e praticar anti-jogo. Tentaram sempre, na medida daquilo que o Benfica lhes permitia, jogar futebol, o que é uma agradável diferença para o que se vê na maioria das equipas que nos visitam. O Rafa foi dando os primeiros avisos do Benfica, e foi sobre ele que logo aos oito minutos foi cometida a falta para penálti, numa entrada pela direita do ataque. O João Mário converteu-a com a eficácia do costume e tudo parecia indicar mais uma noite descansada na Luz, provavelmente com goleada. Nos minutos que se seguiram o Benfica continuou em cima do adversário e a somar tentativas de finalização, mas pareceu-me que houve alguma sobranceria da nossa parte com o golo madrugador. Muitas das jogadas de ataque perderam-se porque mesmo dentro da área os nossos jogadores tentavam mais um toque ou mais um passe para um colega em vez de rematarem, caindo naquele lugar comum em que se diz que parecem querer entrar com a bola pela baliza. E aos quinze minutos de jogo foi o Gil Vicente quem beneficiou de um penálti, praticamente na primeira vez que chegou à área do Benfica. Um cruzamento largo desde a direita da nossa defesa para a zona do segundo poste, cabeceamento para trás do Navarro e a bola foi encontrar o braço do Otamendi. Um lance infeliz, até porque a jogada não parecia representar qualquer perigo para a nossa baliza. O mesmo Navarro converteu-a e deu o empate ao Gil Vicente. Este golo pareceu quebrar o nosso ímpeto, porque a seguir ao mesmo deixámos de atacar tanto a baliza adversária e sobretudo, a pressão quase que deixou de ser feita, o que permitiu ao Gil Vicente longos períodos de posse de bola - é verdade que pouco fizeram com ela em termos ofensivos, mas foram capazes de a guardar e circular por toda a equipa sem que o Benfica mostrasse capacidade para a recuperar. E sem bola não se marcam golos. Só a partir da meia hora começámos novamente a apertar o adversário e a acelerar no ataque, e por isso mesmo chegámos ao golo a dez minutos do intervalo. Tudo nasceu numa bola recuperada pelo João Mário e o Florentino ainda no meio campo do Gil Vicente, a bola seguiu par ao Rafa na zona central, daí para o Neres que entrou pela direita e cruzou já perto da linha fundo, com a bola a ser desviada por um defesa e pelo guarda-redes e a sobrar para o Gonçalo Ramos encostar quase em cima da linha. Tudo de volta ao normal, e agora era uma questão de marcarmos mais um para acabar com as dúvidas.

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Já estamos também habituados a ver o Benfica entrar forte nas segundas partes e marcar cedo, e mais uma vez isso aconteceu. O jogo foi de sentido único desde o regresso dos balneários e ainda antes de cumpridos dez minutos o Benfica chegou ao terceiro. Uma jogada tantas vezes vista esta época, mas que continua a dar frutos. Pontapé de canto na esquerda do ataque marcado à maneira curta entre o João Mário e o Enzo, para depois sair um cruzamento do Enzo desde a projecção do canto da área que foi direitinho à cabeça do Gonçalo Ramos. O cabeceamento saiu certeiro para junto da base do poste e o guarda-redes, apesar de ainda tocar na bola, foi incapaz de impedir que entrasse. Com este golo pareceu-me que o Benfica entrou em gestão de esforço, mas controlando sempre o jogo. Não construímos a habitual sucessão de ocasiões flagrantes para marcar e o Gil Vicente até é capaz de ter sido uma das equipas que mais posse de bola conseguiu ter na Luz esta época, mas nada conseguiu fazer com ela. O Vlachodimos não fez uma única defesa na segunda parte, e o único remate do Gil Vicente surgiu já no período de descontos, ao lado da baliza. A meio da segunda parte trocámos o Gonçalo Ramos e o Rafa (convinha ter cautelas para que o sarrafeiro do Rafa não visse um amarelo que o retiraria do próximo jogo para a liga, que será em Braga) pelo Musa e o Chiquinho e o croata desperdiçou uma das melhores ocasiões de golo do Benfica na segunda parte - isolado por um excelente passe do João Mário, acabou por permitir a defesa ao guarda-redes para canto. Na sequência do mesmo, mais uma grande ocasião de golo para o Benfica. O Gil Vicente tentou sair a jogar e o Benfica recuperou a bola ainda no meio campo adversário, para depois o David Neres tentar um remate rasteiro e em arco à entrada da área, sobre a direita, fazendo a bola ir embater no poste. Teria sido mais um grande golo do brasileiro, que naquela zona do campo é sempre um perigo quando encontra espaço para rematar. O final de jogo chegou de forma tranquila, com o muito público que encheu as bancadas da Luz apesar do temporal em festa, despedindo-se da equipa antes da pausa com uma enorme ovação.

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O homem do jogo é obviamente o Gonçalo Ramos por mais dois golos somados. É uma espécie de goleador tranquilo; fala-se pouco dele, dá pouco nas vistas, mas os golos vão-se somando e é o melhor marcador da liga e da nossa equipa. Continua a fazer-me confusão quando ouço pessoas a dizer que o Benfica precisa de ir buscar um número nove, porque o Gonçalo Ramos não só marca golos como parece ser o tipo de jogador ideal para encaixar na nossa táctica. Outro destaque óbvio para o Enzo, que é um dos principais responsáveis pelo salto qualitativo dado esta época. Para mim o maior mérito dele é não parecer complicar nada: tudo aquilo que faz parece sempre ser a solução mais óbvia e simples para a situação em questão, e raramente erra. Andámos anos à espera de um jogador assim, e ficarei com muita pena se o vir sair já no final desta época. Rafa. João Mário e Neres também estiveram num bom nível.

 

Com o campeonato posto de lado durante o próximo mês, segue-se a Taça da Liga. A competição será certamente utilizada para dar minutos a alguns dos jogadores menos utilizados, conforme já foi admitido pelo nosso treinador, e dar ritmo aos que recuperam de lesões e que certamente serão muito úteis quando regressarmos à liga. Mas mesmo assim é uma competição que tenho a certeza que será levada muito a sério, não só porque devemos sempre ambicionar ganhar todas as competições em que participamos, mas também porque quereremos honrar o historial que temos na mesma, onde continuamos a ser de longe o clube com o melhor palmarés.

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publicado por D'Arcy às 19:04
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2022

Competência

Parece que guardámos as exibições de menor fulgor para a Taça de Portugal. Não que a vitória não tenha sido inteiramente justa, já que o Benfica foi muito superior ao adversário, controlou quase sempre o jogo e criou ocasiões mais do que suficientes para vencer de forma mais confortável. Mas já vimos a nossa equipa fazer melhor do que a simples competência (e confesso que é bom estarmos numa situação em que até dá para resmungarmos um pouco quando nos limitamos a ser competentes).

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Não houve facilitismos da nossa parte e jogou mesmo o onze mais forte que era possível nesta altura, com o Musa a manter a titularidade no ataque face à ausência forçada do Gonçalo Ramos. No Estoril houve uma pequena revolução, e para além do regresso dos jogadores que estavam impedidos de nos defrontar no último jogo, foram feitas mais três alterações. Uma equipa do Estoril com muitas caras conhecidas dos benfiquistas: Pedro Álvaro, Tiago Araújo, Tiago Gouveia e João Carvalho foram todos titulares. O que mudou do último jogo para este foi sobretudo um Estoril mais competente a defender, e um Benfica menos avassalador no ataque. Mesmo assim, tivemos quase sempre a bola em nosso poder e fomos construindo paulatinamente ocasiões para marcar. Um livre do Grimaldo à barra e o Rafa completamente isolado por um passe de primeira do Enzo a atirar de forma incrível ao lado da baliza foram as melhores ocasiões na primeira parte. A segunda parte começou com a expulsão do Geraldes por rasteirar o Rafa quando este se isolava - ainda bem que ele é um ex-jogador do Sporting, porque dá para imaginar o que se diria, escreveria e especularia se fosse um dos jogadores com passado ligado ao Benfica a ser expulso - e o jogo ficou ainda mais desequilibrado, resumindo-se ao Estoril a defender com todos enfiados no último terço e o Benfica a tentar chegar ao golo que, com quase toda a certeza, resolveria o jogo. Depois de muita insistência, e imediatamente a seguir à troca do Musa pelo Henrique Araújo após vinte minutos, esse golo finalmente apareceu. Uma saída a soco desastrada por parte do guarda-redes do Estoril a um cruzamento do João Mário (uma vez mais, ainda bem que o erro não foi de um jogador com passado no Benfica) fez a bola ir em balão ter com o David Neres no centro da área, que de costas para a baliza com um pontapé de trotineta (recuso chamar aquilo de bicicleta) enviou a bola para a baliza deserta. Como era previsível, o golo resolveu o jogo porque o Estoril não tinha capacidade para montar qualquer tipo de resposta convincente, e quando nos minutos finais tentou arriscar um pouco mais o que vimos foi o Benfica a não saber aproveitar o espaço adicional que lhe foi concedido na defesa adversária.

 

O Rafa foi o nosso jogador mais perigoso e que provocou a expulsão do Geraldes, mas a sua exibição fica indelevelmente marcada por aquele falhanço inacreditável na primeira parte. De resto, desempenhos competentes de quase toda a gente numa exibição homogénea, com menção particular para alguns dos suspeitos do costume: Grimaldo, Enzo ou Neres.

 

Estamos nos oitavos sem grandes sobressaltos, prolongámos a invencibilidade por mais um jogo, e agora só falta mais um para conseguirmos ir para a pausa do Mundial mantendo o registo que continua a irritar solenemente os nossos inimigos e os comentadores especialistas que por aí pululam. Vamos lá tentar garantir-lhes um Natal um pouco mais amargo.

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publicado por D'Arcy às 01:05
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2022

Naturalidade

Mais um jogo, mais uma vitória folgada obtida com toda a naturalidade. É sobretudo isto que há a destacar: os níveis de confiança estão tão altos que tudo parece acontecer com a maior naturalidade, com a equipa a dar a sensação de fazer tudo de forma simples e de tornar fácil aquilo que se afigura difícil.

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Já sabíamos que o Aursnes e o Gonçalo Ramos era ausências certas para este jogo, e por isso as escolhas do Florentino e do Musa para o onze não surpreenderam ninguém. A grande surpresa foi mesmo a presença do Chiquinho em vez do David Neres, uma espécie de recompensa pelo grande jogo que ele fez em Israel depois de ter entrado à meia hora de jogo. O jogo iniciou-se com uma grande ocasião para o Benfica, na qual o Rafa rematou ao lado depois de isolado pelo Musa. Os primeiros minutos foram relativamente equilibrados, como Estoril a tentar manter uma equipa muito compacta, de linhas muito juntas, de forma a evitar o habitual jogo entre linhas que o Benfica pratica. O médio mais recuado juntava-se aos defesas para formar uma linha de cinco, e depois a linha média ficava praticamente encostada aos defesas. O Vlachodimos ainda foi obrigado a fazer uma grande defesa com o pé quando o Estoril conseguiu isolar um jogador à sua frente - não sei se, caso desse golo, o lance seria validado porque pareceu haver um toque com o braço, mas com o Hugo Macron no VAR o mais provável é que fosse mesmo validado. Mas com este Benfica já nos habituamos a esperar que um golo surja em qualquer instante, e por isso quando os comentadores pareciam ir esfregando as mãos de satisfação com a réplica que o Estoril conseguia dar até aos vinte e cinco minutos de jogo, o Grimaldo arrancou um centro largo da esquerda e o Musa, muito à semelhança do que fez em Israel, apareceu na área a antecipar-se a toda a gente e a marcar com um belo cabeceamento. Estavam abertas as comportas e cinco minutos depois, dando sequência a uma pressão constante do Benfica que não abrandou com o golo, o António Silva aumentava a vantagem: canto do Enzo na direita, desvio de calcanhar do Chiquinho na zona do primeiro poste, e finalização também de calcanhar do miúdo para o golo. Mais um lance a demonstrar não só a confiança da equipa, mas o enorme à vontade com que o nosso central ainda júnior joga. Não vou mentir: depois deste golo antecipei logo uma goleada e comecei a fazer contas aos golos que ainda poderíamos marcar. O Estoril ainda criou mais um momento de perigo, num canto, em que o Musa cortou uma bola em cima da linha de forma um pouco desastrada chutando para cima e fazendo-a bater com força na parte inferior da barra. O António Silva evitou a recarga, o Benfica recuperou a bola e conduziu o contra-ataque pelo Rafa e Grimaldo, terminando com um passe para o Enzo e o remate foi defendido quase em cima da linha pelo guarda-redes, com a bola depois a ser afastada por um defesa quando rolava para dentro da baliza. Evitou o Estoril o terceiro golo aqui, mas logo a seguir, a quatro minutos do intervalo, já não conseguiu fazer o mesmo. Novo pontapé de canto, desta vez na esquerda, marcado de forma curta para o Rafa, centro largo para o segundo poste onde o Florentino ganhou e tocou de cabeça para o meio, e o António Silva apareceu completamente sozinho quase em cima da linha para confirmar o golo de cabeça.

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O jogo estava ganho, mas quando uma equipa parece divertir-se e ter tanto prazer em jogar sabemos que a procura por mais golos não vai parar. Que diferença para tempos recentes em que nos víamos chegar ao primeiro golo e imediatamente tentar 'gerir' o resultado diminuindo o ritmo e recuando linhas. Por isso o assalto à baliza estorilista continuou, com toda a naturalidade. O Rafa ameaçou, depois foi dele o passe para o Musa atirar ao poste e não havia meio do Benfica sair das imediações da área do Estoril, mesmo que nunca parecesse estar a forçar em demasia - é assim que se faz gestão de esforço, com a bola e a manter o adversário sempre em sentido, não é dando a bola ao adversário e oferecendo-lhe a iniciativa. Após vinte minutos fizemos três trocas de uma vez: Musa, Rafa e Chiquinho pelo Henrique Araújo, Diogo Gonçalves e David Neres, e na primeira vez que tocou na bola o Neres aproveitou um mau passe do Estoril para isolar o João Mário pelo meio, que só com o guarda-redes pela frente finalizou facilmente para fazer o quarto golo. Uma pequena inovação táctica depois destas alterações: o Neres pareceu ser testado a fazer de Rafa e a jogar mais no apoio directo ao avançado, com o João Mário mais pela direita e o Diogo Gonçalves pela esquerda. Não que isto seja uma coisa muito definida, porque os jogadores da frente jogam todos com bastante liberdade e trocam frequentemente de posições. Aos setenta e sete minutos o Henrique Araújo fez aquilo que nos vamos habituando a esperar dele e marcou, isto um minuto depois de ter visto o guarda-redes do Estoril negar-lhe esse golo com uma defesa quase impossível a um remate à queima-roupa, já na pequena área. Um grande golo, por sinal, depois de um cruzamento do Enzo na esquerda em mais um canto marcado de maneira curta para um toque de cabeça do Otamendi do lado oposto colocar a bola na zona frontal, onde o Henrique deu um primeiro toque com o joelho e depois finalizou com um remate à meia volta. Mas o Hugo Macron no VAR tinha que dar sinal de si e resolveu que já iria para casa minimamente satisfeito se nos roubasse um golo. Por isso invalidou a jogada por fora de jogo do Florentino, que não jogou a bola mas estava na zona onde o cruzamento do Enzo fez a bola chegar. Porque é que eu digo que nos roubou o golo? É lembrarmo-nos do golo validado ao Moreirense na Luz a época passada, que toda a gente achou muito bem porque o Rafael Martins não tocou na bola (mas impediu o Otamendi de o fazer), ou mais recentemente do penálti a favor do Porto neste mesmo estádio aos 90+9, que lhes permitiu chegar ao empate, no qual o Fábio Cardoso em posição claramente irregular disputou a bola pelo ar com o defesa do Estoril que acabou por cabeceá-la - mas aí toda a gente achou muito bem que o fora-de-jogo inicialmente assinalado fosse revertido para assinalar penálti para o Porto, porque ele não jogou a bola. Enfim, uma pequena satisfação mesquinha para o Macron, que deve andar aborrecido por já não nos poder presentear com a sua classe dentro do campo. Indiferentes a isto, a cinco minutos do fim trocámos o Grimaldo pelo Ristic e este não quis ficar atrás do Neres e na primeira vez que tocou na bola fez ainda melhor do que uma assistência: para aí a mais de trinta metros da baliza arrancou um míssil de pé esquerdo que só parou no fundo da baliza. O guarda-redes ainda conseguiu tocar na bola, mas ela levava demasiada força para poder ser parada. Já nos descontos, o Estoril chegou ao golo de honra num remate cruzado da direita da nossa defesa, o que acabou com o nosso registo defensivo imaculado fora de casa.

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Obviamente que o António Silva é o destaque, não é todos os dias que um defesa marca dois golos. Mas para além disso fez o seu trabalho defensivo com a competência habitual. O entusiasmo à volta dele já é suficiente, era escusado agora começar a marcar golos para que o comecem a comparar com o Humberto Coelho (que viu o Humberto jogar perceberá as comparações). Mais destaques para o João Mário - escrevi aqui várias vezes que não era fã do futebol dele, mas com o Roger Schmidt está um jogador transfigurado e é uma peça chave da equipa - Grimaldo e Florentino. As 'novidades' Musa e Chiquinho também se apresentaram num nível bastante alto, e é muito interessante que jogadores que no início da época eram considerados cartas fora do baralho, como estes dois ou o Diogo Gonçalves, se estejam a transformar em opções válidas. Mais um aspecto a realçar no trabalho do Roger Schmidt. Com outros, o que víamos era que jogadores que não contavam eram encostados e ficavam a ocupar lugares no plantel sem nunca deles tirarmos qualquer partido. Agora, a partir do momento em que ficam no plantel,  contam e podem ser opção. O que só pode motivar os jogadores a darem tudo para mostrar ao treinador que também podem conquistar o seu espaço e ajudar.

 

Não há tempo a perder e amanhã defrontamos o mesmo adversário para a Taça de Portugal. O Estoril terá certamente tirado conclusões do que se passou neste jogo e tentará dificultar ainda mais a nossa tarefa. Faltam dois jogos para a pausa da fantochada no Qatar e não é tempo de abrandar agora. Entretanto, ficámos a lamentar o azar no sorteio da Champions, já que nos calhou o melhor Brugges dos últimos cinquenta anos. Mas desconfio que daqui até Fevereiro o Brugges irá perder imensa qualidade, e se por acaso tivermos a felicidade de os vencer, passarão a ser uma equipa banal.

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publicado por D'Arcy às 09:58
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2022

Inesquecível

Antes desta última jornada da Champions obviamente que tinha esperanças de acabar no primeiro lugar do grupo. Mas essa esperança assentava sobretudo na convicção de que a Juventus quereria dar um último arzinho da sua graça perante os seus adeptos e tirar pontos ao PSG. O  que nunca me passou pela cabeça foi que o Benfica o conseguisse recuperando a desvantagem que tinha para o PSG na diferença de golos. Por ter sido assim, e da forma que isso aconteceu, é que torna esta jornada épica e inesquecível.

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Portanto, entrámos em campo com a calma de termos a questão do apuramento resolvida, e sabendo que para chegar ao primeiro lugar ou teríamos que fazer um resultado melhor do que o do PSG em Turim, ou então recuperar uma diferença de quatro golos para o PSG. A equipa apresentada não teve qualquer surpresa: na ausência do Enzo, o escolhido para a posição dele foi o Aursnes, e depois jogaram os do costume. Do outro lado, o Maccabi ainda sonhava com o terceiro lugar, bastando-lhe para isso fazer melhor do que a Juventus frente ao PSG. O primeiro sinal de perigo até foi dado pela equipa israelita, quando teve um jogador a surgir solto na área para rematar cruzado e fazer a bola passar muito perto do poste. A resposta do Benfica foi uma excelente incursão do Aursnes pela esquerda, seguida de um passe atrasado para o Gonçalo Ramos rematar de primeira ao poste. A entrada dos israelitas no jogo até foi forte e decidida, mas o Benfica não se deixou intimidar por isso e pelo ambiente no estádio, e com calma foi assentando o seu jogo até que, com aparente naturalidade, passou a controlá-lo e o Maccabi foi sendo empurrado para trás. O Rafa deu o segundo aviso, num remate em arco de fora da área que obrigou o guarda-redes a uma grande defesa. E aos vinte minutos chegou mesmo o golo. Na insistência a um pontapé de canto, na sequência do qual os jogadores do Maccabi perante a pressão a que estavam a ser sujeitos simplesmente aliviaram a bola de qualquer maneira, esta foi ter com o Bah sobre a esquerda, que aproveitando a presença do Otamendi na área colocou para lá a bola com um cruzamento largo e em balão. De cabeça, o Otamendi assistiu o Gonçalo Ramos no meio que, com um grande golpe também de cabeça, fez a bola entrar juntinho ao poste. Um belíssimo golo. Infelizmente não conseguimos ter muito tempo para apreciar a vantagem. Primeiro porque chegaram notícias do golo do PSG emTurim, que nos mantinha no segundo lugar, e depois porque apenas seis minutos após o nosso golo o Maccabi chegou ao empate, num penálti a castigar uma mão desastrada do Bah na área. À meia hora de jogo, mais uma contrariedade quando de forma surpreendente o Gonçalo Ramos e o Aursnes  foram substituídos pelo Musa e o Chiquinho - este último foi colocar-se sobre a esquerda, passando o João Mário para o meio ao lado do Florentino. O Gonçalo Ramos já se tinha queixado do pé, mas a saída do Aursnes foi mesmo inesperada. O Benfica continuou por cima no jogo até ao intervalo, mas sem criar muitas ocasiões de perigo. A posse de bola foi ficando cada vez mais desequilibrada a nosso favor, mas o Neres parecia estar em noite desinspirada, e na melhor situação que criámos o Musa isolou-se pela direita e finalizou a jogada com um remate completamente disparatado para a bancada, quando tinha dois colegas no meio a quem poderia ter tentado passar a bola - foi tão mau que até vimos uma rara manifestação de desagrado por parte do Roger Schmidt. Ao intervalo, entretanto a notícia de que a Juventus tinha chegado ao empate e portanto estava tudo como no início.

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Segunda parte com mais Benfica e mais perigoso, com o primeiro aviso a ser um ensaio do golo que estava para vir. Cruzamento do Bah e o Chiquinho surgiu solto ao segundo poste, mas não conseguiu acertar bem na bola quando rematou de primeira, com esta a sair ao lado. Antes de fechado o primeiro quarto de hora, mais um grande cruzamento do Bah e desta vez o Musa antecipou-se ao seu marcador ao primeiro poste e mergulhou para cabecear para o golo. E assim o Benfica voltava à liderança do grupo, dado que o PSG continuava empatado. Dez minutos depois, falta sobre o Chiquinho à entrada da área, sobre a esquerda, e quase todos nós adivinhámos o que aí vinha. Marcação exemplar do livre pelo Grimaldo, bom a bola a sobrevoar a barreira e a cair rapidamente para o terceiro golo. A má notícia foi que nesse preciso momento o PSG também marcou e portanto voltámos a cair para segundo. Entretanto o Maccabi deve ter querido arriscar um bocado mais no ataque, já que precisaria do empate para seguir para a Liga Europa, e foi perdendo a pouca organização defensiva que já tinha. Disso se aproveitou o Benfica, que apenas quatro minutos depois fazia o quarto golo. O Maccabi fez uma tentativa desastrada de sair para o ataque numa iniciativa individual e o Neres recuperou a bola ainda no meio campo defensivo adversário. Progrediu até à entrada da área pelo meio e depois fez um grande passe pelo meio dos defesas para que o Rafa, com um simples toque 'em colher' picasse a bola sobre o guarda-redes para marcar - acho que só mesmo o Rafa chegaria àquela bola antes de toda a gente. Neste momento faziam-se as contas e ao percebermos que, caso nada mudasse em Turim, faltariam dois golos para chegar ao primeiro lugar, começámos a ver isso como uma possibilidade bastante real porque ainda faltavam dezassete minutos para os noventa. Foi por isso até uma vez mais surpreendente quando o nosso treinador, a oito minutos do final, retirou o Rafa e o Neres do jogo para colocar o Henrique Araújo (estreia na Champions) e o Diogo Gonçalves. Mas tal como os dois primeiros suplentes que entraram, também estes entraram em alta rotação - quando fizemos as substituições comentei com amigos que se o Henrique Araújo ia entrar então pelo menos mais um golo marcaríamos. E a dois minutos do final a 'previsão' confirmou-se, com a insistência do Benfica depois de um grande remate do Diogo Gonçalves ao poste a fazer-se com um passe fantástico do Bah a aproveitar a grande desmarcação do Henrique no meio da área e este a finalizar com um remate rasteiro de primeira junto do primeiro poste. Faltava pouco tempo mas toda a gente parecia acreditar mesmo que ia acontecer - fantástica a imagem dos adeptos do Benfica a festejar este quinto golo com gestos para os jogadores a indicar que só faltava mais um. Entretanto aproveitou-se para trocar o António Silva pelo Veríssimo e promover o regresso deste à equipa principal um ano depois da grave lesão que sofreu. Três minutos de descontos e no segundo destes o Chiquinho recuperou uma bola na esquerda, evitou um par de adversários e colocou-a no João Mário no meio. Este progrediu um pouco e a uns bons vinte e cinco metros da baliza desferiu um remate rasteiro que fez a bola entrar juntinho ao poste. Um grande, grande golo (um lance que foi quase uma cópia do remate do Diogo minutos antes que tinha acabado no poste) e o improvável acabava de acontecer. E foi quase icónico ver o João Mário, nos festejos, a perguntar se já estava ou se ainda seria preciso mais um. Não foi, o jogo acabou logo a seguir e só foi preciso esperar mais um minuto pelo final do jogo em Turim. Onde o PSG, confiante que acabaria em primeiro, o gastou a queimar tempo à espera do final do jogo, que fez deflagrar os festejos da nossa equipa em Israel.

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Seria injusto não elogiar toda a equipa depois daquilo que conseguiram. Mas uns elogios especiais para jogadores como o Bah, Grimaldo, Otamendi, João Mário ou Rafa não ficam mal. Quando à meia hora de jogo vi entrar o Musa e o Chiquinho (ainda por cima com o Gonçalo Ramos e o Aursnes a jogar bem) torci o nariz, mas não tinha razões para o fazer. O Musa deu início à cavalgada até ao primeiro lugar e o Chiquinho entrou em altíssima rotação, acabando por fazer um jogo muito bom - se calhar um dos melhores que o vi fazer pelo Benfica. E por falar em suplentes, o Henrique Araújo e o Diogo Gonçalves também entraram muito bem e ainda dinamizaram mais o nosso ataque, sendo importantíssimos no ataque final à procura dos dois golos que faltavam, com o madeirense a assinalar a estreia na Champions com um golo.

 

Quem diria, à data do sorteio, que o Benfica acabaria o grupo no topo? Mas neste momento parece que a nossa equipa acredita que nada é impossível. A motivação é mais alta do que nunca, os jogadores divertem-se a jogar futebol e cada um deles parece estar a jogar o seu melhor futebol. Os que entram para os lugares dos que saem dão tudo para mostrar que também podem ser úteis e a equipa não abana ou perde eficácia. É com muita pena que em breve irei ver este momento ser interrompido para irem brincar às selecções durante um mês.

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publicado por D'Arcy às 01:52
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