VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 30 de Novembro de 2023

Incompetência

Para se conseguir não ganhar um jogo em que se chega ao intervalo a ganhar por três golos, independentemente de todos os outros factores extra que também possam ocorrer, tem que haver muita falta de inteligência. Ou demonstrar uma incompetência épica na segunda parte, o que preferirem.

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Acabado de regressar da Luz e sem grande vontade para escrever sobre aquilo que acabei de ver, de uma forma simples direi que o Benfica fez uma primeira parte que deve ter sido das mais bem conseguidas esta época, em que entrámos a assumir a iniciativa, a pressão alta de facto funcionou, e houve dinamismo em todos os jogadores. O resultado disso foram dois golos madrugadores que nos deram logo uma grande tranquilidade. O João Mário resolveu dar-nos uma amostra daquilo que foi na primeira metade da época passada e marcou três golos, todos eles a passe do Tengstedt, que fez o melhor jogo desde que chegou ao Benfica. Acho que jogou de uma forma muito semelhante à forma como o Gonçalo Ramos jogava, sendo o primeiro a pressionar quando não tínhamos a bola, e quando a tínhamos a movimentar-se sempre bem no ataque ao espaço vazio e a cair nas alas, particularmente sobre a direita.  O intervalo chegou com três a zero no marcador e o Inter (que poupou vários titulares neste jogo) parecia uma equipa sem capacidade para mudar o rumo do jogo. Só que resolvemos voltar para a segunda parte mais ou menos de mãos nos bolsos, deixando no balneário a agressividade na pressão e entregando, de livre vontade, a iniciativa do jogo ao Inter. Assim que vi uma jogada em que nós chegámos perto da área e abdicámos de atacar, preferindo matar a jogada e fazer a bola voltar para trás até chegar aos defesas centrais ainda sobre a linha do meio campo comecei a ficar incomodado. Depois sofremos dois golos ainda dentro do primeiro quarto de hora e ficou tudo estragado, obviamente. Vendo um jogo que estava perdido de repente voltar a ficar ao seu alcance, o Inter lançou titulares para dentro do campo e insistiu mais no ataque, enquanto que o Benfica em termos de perigo se ficou por um contra-ataque em que o remate do Tengstedt for cortado no limite por um defesa. Depois veio aquilo que já é habitual nos nossos jogos contra o Inter, que é uma decisão arbitral controversa - nos últimos três jogos contra eles ficámos sempre a queixar-nos de um penálti claro por assinalar a nosso favor (a época passada foi sobre o Ramos na Luz e sobre o Aursnes em Milão, no primeiro jogo do grupo esta época em Milão foi sobre o Neres). Desta vez o João Neves foi desarmado em falta à entrada da área do Inter, nada foi assinalado, o lance seguiu com o Inter a aproveitar a bola recuperada para sair em contra-ataque e depois o Thuram, acabado de entrar, atirou-se para chão ao sentir um toque leve do Otamendi no pé, num lance em que ele ainda desvia a bola antes de tocar no adversário. Não percebo como é que isto passou no crivo do VAR, mas um potencial livre perigoso a favor do Benfica foi mesmo transformado em penálti contra nós e o empate estava consumado. Para piorar as coisas, o António Silva foi depois expulso nos minutos finais (e tendo revisto o lance, não me parece nada lance para vermelho directo) e o Benfica ficou em risco de perder mesmo o jogo - no ataque apenas criámos perigo num remate de longe do Di María. Acerca deste lance, achei bizarro que o jogo recomeçasse com falta a favor do Inter quando o árbitro inicialmente tinha dado a lei da vantagem e só depois de terminado o ataque do Inter e contra-ataque do Benfica que terminou em canto, mostrado o amarelo que depois foi mudado para vermelho. As substituições vieram como sempre tarde e a más horas, e para variar uma delas foi tirar o Florentino, que mais uma vez estava a fazer um bom jogo mas isso nunca é critério. Ainda levámos com uma bola no ferro e passámos os últimos minutos a queimar tempo.

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O João Mário é obviamente o homem do jogo e o Tengstedt fez uma óptima primeira parte, estando envolvido nos lances dos três golos - fez duas assistências e 'meia'.

 

Para continuar nas competições europeias precisamos agora de ir ganhar por dois golos de diferença à Áustria. Impossível não é, mas face ao que nós temos produzido esta época eu diria que é pelo menos bastante improvável. Diz-se que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita, e a verdade é que connosco (e isto não é a primeira vez que acontece) quando as coisas começam a correr mal, depois parece que tudo o que a seguir a isso pode correr mal, corre mesmo. Importante mesmo é agora fazer tudo para ganharmos o próximo jogo contra o Moreirense.

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publicado por D'Arcy às 02:19
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Domingo, 26 de Novembro de 2023

Regresso

No regresso da pausa internacional, uma vitória frente ao Famalicão permitiu-nos passar mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Fomos a melhor equipa e merecemos passar, mas mais uma vez não se pode dizer que tenha sido uma vitória obtida com muito brilho.

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Apenas uma alteração no onze que tinha entrado contra o Sporting, que foi a troca de avançados: o Tengstedt em vez do Musa. Isto para mim apresenta a possibilidade preocupante do Morato não ser para o nosso treinador apenas uma solução de recurso para a posição de lateral esquerdo, mas sim a opção para essa posição. Não me parece de todo uma boa opção para a grande maioria dos jogos, e aliás este jogo mostrou porquê. Ao contrário dos últimos jogos, o Benfica até realizou uma primeira parte bastante agradável e aceitável. Apesar de não ter sido isenta de sobressaltos, porque o Famalicão quando podia tentava sair a jogar e ainda nos causou alguns problemas, o Benfica esteve quase sempre mais por cima do jogo e criou ocasiões de perigo suficientes para chegar ao golo, Brilhou o guarda-redes do Famalicão, negando o golo algumas vezes, tendo noutras sido os defesas do Famalicão a evitar o pior. O nulo ao intervalo era por isso algo curto, e esperaria uma segunda parte no mesmo registo, mas não foi isso que aconteceu. A segunda parte do Benfica foi na minha opinião pior do que a primeira e jogada com menos intensidade, o que teve reflexo nas ocasiões de perigo criadas. Com o decorrer do tempo, ia aumentando a minha irritação com o nosso treinador pela inacção que ia mostrando. O Famalicão ia conseguindo levar o jogo para onde queria, o Benfica parecia cada vez mais incapaz de incomodá-los, mas aparentemente o nosso banco estava perfeitamente tranquilo e satisfeito com aquilo que ia vendo. A mim faz-me uma confusão enorme sermos provavelmente a única equipa de topo (no sentido em que jogamos a maior parte dos jogos com a obrigação de os ganhar) que opta por jogar sem laterais de raiz. E como se isso não fosse suficiente, depois ainda jogamos sem um extremo do lado esquerdo - não estou a exagerar se disser que até à entrada do Tiago Gouveia, a seis minutos dos noventa, o Benfica não desenvolveu uma jogada de ataque pela esquerda durante a segunda parte. Abdicar completamente de uma ala é uma opção táctica absolutamente revolucionária para mim. Entretanto, a sorte do jogo acabou por nos sorrir e no espaço de apenas cinco minutos (entre os 72 e os 77) o jogo ficou resolvido. O golo que desfez o nulo apareceu num autogolo, quando um cruzamento rasteiro do Tengstedt (na direita, obviamente) foi desviado duas vezes por defesas do Famalicão, com o último toque a trair o guarda-redes e a enviar a bola para a baliza. Pouco depois, passe do Di María a desmarcar o Tengstedt nas costas da defesa, derrube ao dinamarquês quando se escapava para a baliza, e expulsão do defesa do Famalicão. Finalmente, o João Mário(!) recuperou uma bola na linha do meio campo e soltou-a para o Rafa que sobre a meia esquerda e à entrada da área tirou um defesa da frente e com um remate cruzado colocou a bola com classe junto ao poste mais distante. Jogo resolvido e a dez minutos do final finalmente alguma mexidas na equipa. O Florentino, obviamente, foi um dos que saiu, para assistirmos ao regresso do Kokçu. A um minuto do final, mais uma daquelas coisas de que o Roger Schmidt parece andar a gostar: com o Jurásek no banco, tira o Morato e faz entrar o Tomás Araújo para lateral direito, deslocando o Aursnes para lateral esquerdo. Uma forma nada subtil de mostrar que um jogador é praticamente uma carta fora do baralho. Entretanto o Di María, que com 35 anos teve uma viagem à América do Sul durante a semana e que já desde a primeira parte mostrava não estar propriamente cheio de energia, fez os minutos todos do jogo e certamente estará de início na quarta-feira. Enfim, eu acho é que já não percebo nada disto.

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Gostei da dupla de médios João Neves e Florentino, achei que foram dos mais regulares. O Tengstedt foi esforçado e tentou diversas vezes desmarcações para os espaços vazios. Acabou por fazer o cruzamento para o autogolo e provocar a expulsão do defesa do Famalicão, mas precisa de ter mais instinto de matador. Falhou algumas finalizações que mereciam melhor, e ficou-me na memória um lance em que se isola e em vez de finalizar logo acabou por fugir para a direita e para a linha de fundo.

 

Na próxima quarta-feira jogamos a continuidade nas competições europeias frente ao Inter. Gostava de pensar que não iríamos continuar a optar por jogar sem laterais de raiz ou a desprezar o jogo pelas alas - em particular pela esquerda - mas conhecendo o nosso treinador como já vou conhecendo, provavelmente iremos continuar a jogar assim até que a coisa dê irresistivelmente para o torto. Depois da descoberta do Aursnes para jogar onde quer que seja, agora descobrimos que o Morato é lateral esquerdo e pronto, joga ele e ficam dois laterais esquerdos de fora (certamente extremamente motivados pela evidente confiança neles depositada).

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publicado por D'Arcy às 17:06
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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2023

Crer

Uma vitória importantíssima, arrancada a ferros no último suspiro do jogo e que se deve quase exclusivamente ao crer dos nossos jogadores. Não realizámos uma grande exibição, o jogo foi repartido sobretudo até ao momento da expulsão de um jogador do Sporting, mas os jogadores acreditaram até ao fim e acabámos todos recompensados.

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Assim que soube a constituição da nossa equipa fiquei com péssimas perspectivas. Ao que tudo indicava, iríamos persistir no malfadado esquema dos três centrais, com as alas entregues ao Aursnes e ao João Neves. Mas mal a equipa se posicionou para dar o pontapé inicial percebeu-se que afinal não seria assim. Tínhamos três centrais em campo, sim, mas um deles (Morato) estava a jogar adaptado a lateral esquerdo, significando por isso o regresso a uma linha de quatro defesas, com o João Neves na sua posição natural no meio ao lado do Florentino. Só isto já foi suficiente para me animar um pouco mais, porque já o escrevi: os três centrais não têm futuro nesta equipa. Não existem rotinas estabelecidas, nem jogadores para implementar este sistema. Não é que o esquema mais familiar esteja isento de problemas, que os há, e muitos. Mas até o pouco que produzíamos a jogar dessa forma se perdeu com a alteração para os três centrais. Julgo que a colocação do Morato como lateral foi para não assumir muitos riscos por aquele lado, com um defesa mais posicional que não apoiasse tanto o ataque e assim ficássemos resguardados para o perigo potencial que o Edwards poderia representar naquela zona - diga-se que isto foi conseguido. O problema é que naquele mesmo lado o João Mário foi, mesmo tentando ser simpático, uma nulidade. Por isso o lado esquerdo do Benfica quase não existiu em termos ofensivos. A verdade é que apesar disso, e mesmo sem grandes brilhos, as melhorias foram notórias em relação aos últimos jogos. Acho que posso mesmo qualificar a primeira parte do Benfica como bastante aceitável. Por exemplo, a pressão foi bastante mais eficaz - provocámos diversas perdas de bola ao Sporting ainda no seu meio campo, coisa que tem sido raro ver ultimamente. O jogo foi equilibrado entre as duas equipas, mas com o Benfica a conseguir até criar mais ocasiões de golo durante a primeira parte. Duas bolas que foram ao ferro, do Rafa e do Di María (a do Di María acabou posteriormente com um fora de jogo assinalado, mas acho que se fosse golo o VAR validaria a jogada), um remate do Rafa em posição muito favorável depois do Musa ter lutado dentro da área para ganhar a bola numa confusão, que passou muito perto do poste, e um chapéu do João Mário ao guarda-redes do Sporting ao qual o Florentino não conseguiu chegar para desviar quase em cima da linha. Do lado do Sporting, duas situações quase consecutivas à passagem da meia hora, altura em que pareceram conseguir contrariar melhor um ligeiro ascendente do Benfica na fase inicial: um cabeceamento do Diomande que o Trubin foi ao solo para defender, e uma grande ocasião num remate do Pote, isolado por um passe picado do Edwards sobre a nossa defesa, a que o Trubin fez uma grande defesa. Na resposta o Benfica teve uma óptima situação de contra-ataque que foi desperdiçada porque o João Mário, em vez de jogar simples e e colocar a bola imediatamente no outro lado (onde estávamos em igualdade numérica com os defesas) preferiu agarrar-se à bola e insistir numa jogada individual. Numa primeira parte equilibrada o golo do Sporting, na última jogada, acabou por ser um safanão inesperado. O lance nasce, sem surpresas, em mais uma perda de bola do João Mário, que se voltou a agarrar a ela e a embrulhar-se. Aproveitando o adiantamento momentâneo do Morato, a bola foi colocada pelo Edwards no espaço vazio onde surgiu o Gyokeres, que até então tinha sido relativamente bem controlado pelo António Silva mas nesta situação conseguiu arranjar espaço suficiente do lado esquerdo (o António Silva ainda se deslocou até à esquerda para tentar encurtar o espaço, mas não chegou a tempo). E não perdeu tempo nem esteve com meias medidas, aplicou um fortíssimo pontapé cruzado, de primeira, que fez a bola só parar no fundo da baliza. O remate é muito forte e inesperado, mas como sempre acontece quando a bola passa entre o guarda-redes e o poste, fica a sensação de que o guarda-redes poderia ter feito algo mais (pareceu-me que o Trubin ainda toca na bola, mas o remate levava mesmo muita força - foi um grande golo).

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Foi um péssimo final de primeira parte para o Benfica, mas nada mudámos ao intervalo. Mas logo aos cinco minutos o Gonçalo Inácio acabou por dar-nos uma grande ajuda. Primeiro, fez um mau passe que foi interceptado pelo Aursnes e permitiu um contra-ataque nosso. Depois, no mesmo, derrubou o Rafa e viu o segundo amarelo (já o primeiro amarelo tinha ficado muito perto de um vermelho). Nesse momento adivinhei o que seria o resto do jogo: o Sporting trocaria o Edwards por um central, fecharia atrás deixando o Gyokeres sozinho na frente, e tentaria segurar a vantagem. O que parecia não ser uma tarefa muito complicada, porque o Benfica, ainda por cima contra um adversário mais fechado atrás, revelava muitas dificuldades para atacar com perigo. O que me custou mais a perceber foi a pouca vontade da nossa parte em arriscar mais. O Sporting praticamente abdicou de atacar (sinceramente não me recordo de um único remate ou jogada de maior perigo por parte do Sporting na segunda parte excepto uma que foi anulada por fora de jogo do Pedro Gonçalves, resumindo-se a retardar ao máximo cada reposição de bola e a tentar meter a bola no Gyokeres e deixar que ele investisse em iniciativas individuais), deixou de haver a ameaça do Edwards pela nossa esquerda, e no entanto mantivemos o Morato como lateral esquerdo o jogo todo. Eu até acho que ele cumpriu a função em termos defensivos, mas não podemos esperar que ele seja capaz de dar profundidade por aquele lado. Quando o Roger Schmidt resolveu finalmente mexer na equipa, aos sessenta e quatro minutos, trocou um avançado por outro (Musa por Cabral) e optou por tirar o Florentino (que estava a fazer um bom jogo) para colocar o Tengstedt, permanecendo o João Mário de forma inexplicável em campo - a forma como esta substituição foi assobiada faz-me crer que não fui o único a pensar assim. O Benfica passou a jogar com dois avançados, libertando mais o Rafa, mas continuámos coxos e a atacar quase exclusivamente pela direita. O golo do empate parecia cada vez mais distante - durante largos minutos o único safanão no jogo foi dado por um remate de muito longe do Di María, que o Adán desviou e fez a bola acertar no ferro da baliza pela terceira vez no jogo. O jogo acabou por se definir nos minutos finais. Para não ser apenas o Roger Schmidt a ser acusado de fazer asneiras, o génio táctico do Rúben Amorim também contribuiu para isso: a cinco minutos do final resolveu retirar o Morita e colocar o Paulinho em campo, basicamente passando a jogar sem meio campo (o Hjulmand era quase um defesa nesta altura). Isto deu-nos ainda mais espaço para jogar em frente à área do Sporting. Logo a seguir, o Roger Schmidt finalmente percebeu que estávamos a jogar com menos um desde o início, e para os quatro minutos finais fez entrar o Gonçalo Guedes para se ir encostar à esquerda. De imediato passámos a ser mais perigosos, com o Gonçalo Guedes a estar muito em jogo. Mas o tempo escasseava, e foi já em desespero e no quarto minuto dos seis de compensação que chegámos ao empate, numa altura em que até o Trubin já tinha subido à área adversária. De forma surpreendente fizemos algo de positivo num pontapé de canto: o Di María marcou na direita, o Morato ganhou a bola ao primeiro poste de cabeça e tocou-a para trás para a zona da marca de penálti, e ali o João Neves completamente à vontade controlou com um toque e depois rematou à meia volta para o golo. Grande golo, diga-se, porque a bola não era assim tão fácil e ele apanhou-a na perfeição para encher o pé. Euforia natural, mas quer a equipa quer os adeptos sentiram que era possível ainda mais (o Rafa mal festejou, foi imediatamente apanhar a bola para a levar logo para o meio campo). É que o golo não só motivou a nossa equipa, como o Sporting pareceu naturalmente acusar muito o golpe de morrer na praia. Aconteceu algo que ultimamente não temos visto muito: os nossos jogadores cheiraram sangue e foram atrás disso. Sem meio campo e incapaz de manter a posse de bola, o Benfica recuperava-a com facilidade e dispunha de muito espaço para jogar perto da área, onde se iam acantonando os jogadores adversários. E naquela que provavelmente seria mesmo a última jogada do encontro, já ao sétimo minuto de compensação, o Benfica chegou ao golo da vitória. O Di María conseguiu descobrir o Aursnes sobre a direita, que fez um cruzamento tenso 'à Bah' para a zona do primeiro poste (algo que fazíamos frequentemente a época passada e que o Gonçalo Ramos aproveitava bastante) e o Tengstedt, depois do Rafa não ter conseguido tocar na bola, desviou para o golo. Diga-se também, péssimo posicionamento defensivo do Sporting neste lance, com três jogadores do Benfica a surgirem completamente soltos na zona de finalização. Para aumentar a expectativa, o lance foi inicialmente invalidado pelo auxiliar, mas desta vez os santos das linhas tortas não apareceram para salvar o Sporting e o golo acabou mesmo validado.

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Sobre o melhor em campo, acho que não há dúvidas nenhumas: João Neves, obviamente. Precisávamos de mais dois ou três com a entrega dele. Cansa só de ver aquilo que ele corre e a forma como disputa cada lance. Até de cabeça eu o vi ganhar lances ao Hjulmand (a quem ganhou claramente o duelo no meio campo) que tem mais onze centímetros que ele. Ninguém mais do que ele merecia o golo que deu início à reviravolta. O Morato fez um jogo muito bom defensivamente, e até arriscou tentar ajudar à frente quando claramente não é essa a sua vocação. E acabou mesmo por fazer a assistência para o golo do João Neves. Foi uma agradável surpresa para mim. Bom jogo dos dois centrais também, com o António Silva a lidar muito bem com o jogador mais perigoso do Sporting - ele acabou por marcar, mas num lance fora da sua zona de acção e no qual não se lhe podem apontar culpas. A entrada do Gonçalo Guedes, mesmo que apenas a quatro minutos do final, foi muito importante e só me pergunto porque é que demorou tanto tempo a entrar. Pela negativa, sobretudo o João Mário. E para mim também o Di María esteve demasiado tempo em campo, mas no final meteu duas bolas nos ferros e acabou por estar nas jogadas dos dois golos.

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Mergulhado numa crise profunda, sem jogar nada, o Benfica arrastou-se até ao primeiro lugar da tabela ao conseguir no último suspiro arrancar a vitória frente ao dream team da liga, que joga um futebol avassalador e é superiormente orientado pelo génio da táctica que dá pelo nome de Rúben Amorim. E está em primeiro lugar precisamente porque apesar do futebol lamentável que pratica consegue ter melhor diferença de golos do que a equipa maravilha do futebol avassalador, que leva tudo à frente. Uma coisa que tem o condão de me irritar é o permanente empolamento de qualquer situação no Benfica de forma a fomentar a instabilidade, e que nós alegremente abraçamos. O Roger Schmidt anda com a imprensa à perna desde que perdemos com o Porto a época passada. Apesar de campeão, assim que perdemos dois jogos de preparação começaram logo a afiar as facas, que tiveram que ser embainhadas quando vencemos a Supertaça. Mas depois da derrota no Bessa, da forma quase absurda como aconteceu, que nunca mais o largaram. Apesar de vitórias consecutivas na liga e de estarmos a um ponto da liderança (e nunca esquecendo a forma como a equipa na liderança lá estava, graças a erros de arbitragem abjectos sempre a favorecerem-nos) o discurso foi constantemente como se estivéssemos em crise profunda, ganhando apenas jogos por sorte ou acaso. Uma vitória do Benfica por um golo de diferença é sempre 'tremida', uma vitória dos outros pela mesma diferença, mesmo que com um golo nos descontos, é sempre mais um festival. Esta semana até tivemos direito a uma inovação: depois de mais uma exibição cinzenta contra um adversário reduzido a dez e uma vitória graças a dois penáltis, a explicação foi que tinham aproveitado para 'treinar' para este jogo. A reacção do nosso treinador hoje na conferência de imprensa a uma pergunta é para mim sinal de que ele tem já alguma noção da forma como as coisas se processam por aqui, e começa a perder a paciência. O génio que esteve no banco da equipa adversária hoje acabou a época passada em quarto, por exemplo. Alguém viu alguma notícia a colocar o lugar dele em causa? Ou o do Conceição, ao longo de todos estes anos que leva no banco do Porto? O Schmidt é posto em causa nem é quando perde um jogo, é quando ganha dois por apenas um golo. Estaria sentado no banco se tivesse acabado a época anterior em quarto? Convençam-se disto: a dimensão do Benfica é tão grande que a única forma de evitar uma hegemonia nossa e de dar oportunidade aos rivais de disputarem regularmente títulos connosco é manter-nos sempre que possível em permanente convulsão. E nós, repito, ajudamos à festa. Uma coisa é criticar as opções dele, eu faço-o, não concordo com muita coisa que ele faz. A atitude natural do adepto é achar sempre que sabe melhor e discutir tudo o que puder sobre o seu clube. Nós queremos sempre mais e no imediato, temos muito pouca paciência. Mas outra coisa é colocar imediatamente em causa todo o trabalho de um treinador e começar a exigir a cabeça dele, partindo daí para ir depois atrás da direcção, criando um clima de instabilidade e nervos constantes em redor da equipa.

 

O importante foi a vitória e ainda mais nesta altura, antes de uma pausa na liga que pode permitir acalmar mais as coisas e restaurar alguma da necessária tranquilidade. Tenho poucas dúvidas que nos próximos tempos vamos assistir a uma tentativa de prolongar a actual situação, dourando a pílula para o lado do Sporting para tentar apresentar isto como uma derrota moralizadora ou injusta, ao mesmo tempo que se atribui a nossa vitória ao acaso ou sorte. Não sei bem a que é que se podem agarrar, a desculpa habitual da arbitragem desta vez nem pega: o Inácio é bem expulso e já teve sorte de não ter sido expulso logo no lance do primeiro amarelo, há uns três lances duvidosos de possível penálti que beneficiariam todos apenas o Benfica, e o Sporting esteve quase sempre tão longe da nossa área que nem sequer conseguem arranjar um daqueles penáltis imaginários que ficam sempre por marcar contra nós quando eles perdem. No final o Amorim ficou convencido que eles foram melhores, e eu fico contente que ele continue a pensar assim. Pode ser que da próxima vez ele volte a meter o Paulinho e o Trincão. Obviamente que esta vitória não faz com que de repente tudo fique bem, mas pode ser que sirva para ter um pouco de calma e perceber que também nem tudo está mal. E pode ser muito importante no aspecto mental e (espero eu) significar que os três centrais vão definitivamente para o caixote do lixo. Temos um modelo de jogo implementado, e é sobre ele que devemos trabalhar de forma a corrigir as suas imperfeições. E se pudermos fazê-lo na tranquilidade do primeiro lugar, melhor ainda.

 

 

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publicado por D'Arcy às 00:35
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2023

Previsível

A pergunta que faço é: alguém ficou surpreendido? É que eu não fiquei, apenas não esperava que o descalabro fosse tão imediato. Já tinha escrito após o último jogo que esperava que não tomássemos as mesmas opções tácticas dos últimos jogos para os jogos mais complicados que se seguiriam, por isso depois de saber a constituição da equipa (a única inovação foi a entrada do Cabral para o lugar do Guedes) achei que tudo o que se passou esta noite foi até bastante previsível.

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Apresentar num jogo com esta dificuldade e decisivo uma táctica de três centrais que provavelmente tem duas ou três semanas de trabalho e que apenas foi testada em três jogos contra equipas de muito menor valia tinha tudo para correr mal. Eu tenho passado as últimas semanas a arrepiar-me de cada vez que ouço ou leio algum elogio à nova táctica, porque como já o escrevi não consigo mesmo ver qualquer tipo de melhoria no nosso jogo como resultado directo dela. O Benfica ganhou os jogos que fez com ela porque simplesmente tem muito maior valia individual no seu plantel do que qualquer um dos adversários, não porque tenha começado a jogar melhor. Eu aliás até acho que passámos a jogar pior, porque não há quaisquer rotinas estabelecidas ou grande familiaridade com esta forma de jogar. No esquema anterior ainda conseguíamos ter alguma produção atacante, ainda que muitas vezes acabássemos penalizados pela má finalização ou decisão. Neste, criamos muito menos oportunidades e os jogadores mais avançados parecem entregues a si mesmos. Quanto à suposta maior solidez defensiva que a nova táctica confere (e eu tenho que rir - para não chorar - quando vejo esta expressão), acho que ficou bem evidente neste jogo, no qual voltámos a revelar as habituais dificuldades contra qualquer equipa que saiba pressionar alto. Sofremos o primeiro golo na primeira vez que a Real Sociedad foi à nossa área, aos seis minutos, num lance de insistência na sequência de um canto em que a defesa ficou toda parada a assistir de cadeirinha à entrada de dois jogadores adversários no poste mais distante. Foi só o primeiro exemplo de solidez defensiva. Aos onze o Florentino fez um passe atrasado horrível na direcção do Otamendi que acabou por isolar um adversário para o segundo golo. Aos quinze, outra vez tudo a ver um adversário aparecer sozinho ao segundo poste numa bola parada, para um terceiro golo que felizmente acabou anulado. E assim foi continuando.

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Um resumo eficaz daquilo que foi a nossa entrada no jogo é: à meia hora de jogo a Real Sociedad tinha marcado cinco golos (dois foram anulados) e falhado um penálti (continuamos a nossa saga impressionante de cometer penáltis em barda esta época; foi o oitavo). Depois da meia hora trocámos o Florentino (que para além do golo oferecido já tinha sido um dos espectadores no primeiro golo) pelo Jurasek, quando eu esperava que tirássemos um dos centrais. Foi apenas baralhar e voltar a dar, o Jurasek foi para a esquerda, o Aursnes para a direita e o João Neves subiu para o meio campo. Ao intervalo, a Real Sociedad tinha feito seis remates no jogo, quatro deles na baliza, e marcado três golos (que valeram). O Benfica tinha feito os mesmos seis remates mas era como se não tivesse feito nenhum. Aliás, até tive dificuldades em lembrar-me que estávamos a jogar com jogadores no ataque, porque praticamente não dei pela presença deles. Não terei sido de certeza o único a antecipar uma possível repetição de Vigo, o que seria perfeitamente possível se o nível se mantivesse na segunda parte e por acaso a Real Sociedad marcasse cedo. Felizmente aconteceu o contrário e fomos nós a marcar um golo madrugador (o primeiro na Champions esta época) pelo Rafa, a passe do Otamendi. Não é que tenha mudado muito o jogo, quando muito refreou um pouco os ânimos da Real Sociedad, que ainda assim esteve sempre muito tranquila na gestão do resultado, e quando a meio da segunda parte pareceu voltar a acelerar um bocado achei que o Benfica mal conseguia sair do seu meio campo. Já depois da troca do Cabral pelo Musa - mais outra substituição sem efeitos práticos - consegui ficar baralhado pela críptica tripla substituição a cinco minutos do final (Tengstedt, Chiquinho e Guedes para os lugares do Rafa, Di María e João Mário). Qual foi o objectivo? Poupar os jogadores que saíram a uns extenuantes cinco minutos, mais quatro de compensação, de forma a estarem frescos para o próximo jogo? Jogar, a cinco minutos do final, uma cartada decisiva que surpreenderia os bascos e viraria o jogo a nosso favor? Continuo sem perceber. Com o apito final, acho que a minha sensação foi sobretudo de alívio por a coisa não ter sido ainda pior, porque depois daquela meia hora inicial tudo indicava que assim o seria. A verdade é que o resultado é injusto e até lisonjeiro para nós, porque a derrota por apenas dois golos não exprime de forma correcta a enorme diferença de qualidade que vimos entre as duas equipas.

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Não há destaques; não pode haver. Só se fosse pela negativa, e nesse caso teria que perder demasiado tempo a escrever sobre eles.

 

Acho muito bem que o nosso treinador tenha feio um mea culpa no final do jogo, porque é mesmo dele uma boa quota-parte dela, mas desconfio que pelo facto do resultado não reflectir a desgraça que foi a nossa exibição, iremos cometer o mesmo erro e entrar com a mesma equipa e táctica no próximo jogo. O que será uma boa receita para nos pormos a jeito de mais uma decepção. Gostaria de saber se existe mais alguma equipa no mundo que jogue com três centrais e quatro médios centro, mas acho que esta é uma inovação exclusivamente nossa. Isto para não falar de alterar radicalmente a táctica e a forma de uma equipa jogar nas vésperas de jogos decisivos, usando estes para basicamente testar e dar rodagem à equipa na referida nova táctica. Na minha opinião, depois de termos perdido jogadores que eram decisivos para a nossa forma de jogar e não os termos conseguido substituir de forma eficaz, a alteração do esquema táctico pode ser talvez o prego final no caixão, porque representa o corte radical com tudo aquilo que de bom conseguimos fazer a época passada.

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publicado por D'Arcy às 22:35
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Domingo, 5 de Novembro de 2023

Feio

Vitória justa num jogo feio e de muita luta. Foi melhor o resultado do que a exibição, mas ganhou a equipa que mais fez por isso e assim aproveitámos o resultado surpreendente do Estoril no Porto para fugir a um adversário directo na classificação.

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O onze do Benfica confirmou aquilo que eu não desejava, a manutenção do esquema táctico apresentado em Arouca. Não sou, por princípio, adepto de tácticas com três centrais. Não é algo com grande tradição no Benfica e a mim só me trazem memórias dos piores momentos da última passagem do Jorge Jesus no nosso clube. A primeira parte nada mais fez do que reforçar as minhas más impressões sobre este sistema. Perante um autocarro muito bem estacionado pelo Chaves, o Benfica não manifestou qualquer arte ou engenho para lhe dar a volta. Regra geral uma táctica com três centrais costuma ser utilizada para libertar e encorajar o avanço dos laterais, de forma a servir os jogadores mais avançados a partir das alas. No caso do Benfica, apresentamos este esquema táctico jogando sem laterais, com dois médios centro adaptados a essas posições (Aursnes e João Neves) e sem nenhuma referência na área. É inovador, certamente, mas o resultado prático na primeira parte foi mais ou menos previsível. Na minha opinião voltámos a deitar literalmente fora metade do jogo com uma exibição muito pobre, em que mais uma vez tivemos imensa posse de bola estéril. Muito por culpa de exibições apagadas de todos os jogadores de características mais ofensivas, que raramente acertavam dois passes seguidos ou conseguiam controlar uma bola em condições. Ao intervalo comentava que o jogo estava feio, o campo pesado, estava vento, chuva, os jogadores do Chaves estavam a jogar duro, e que estava farto de ver 'borboletas' no nosso ataque. Por isso esperava que entrasse algum 'calhau' para andar aos encontrões aos defesas e servir de referência na área - na primeira parte, por exemplo, ficou-me na memória um momento em que estivemos a preparar uma jogada durante uns trinta segundos, a trocar a bola de um lado para o outro, para depois a cruzarmos para a área onde não estava absolutamente nenhum jogador nosso.

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Acabou por entrar o Cabral para o lugar do Gonçalo Guedes, e se é verdade que a qualidade do nosso futebol não melhorou por aí além, pelo menos começámos a criar mais situações de finalização e não estivemos sempre tão longe da baliza adversária. Mas claro que persistia o problema de dar a volta ao autocarro do Chaves, o que continuava a parecer pouco provável de acontecer porque o Benfica não estava, de todo, a submeter o Chaves a qualquer tipo de pressão sufocante. Seria preciso acontecer algo excepcional para chegar ao golo, e foi mesmo isso que o João Neves se encarregou de fazer ao fim de um quarto de hora. Pela direita, foi deixando adversários pelo caminho até entrar na área e ganhar a linha de fundo, para depois fazer o passe atrasado. A bola iria para o Cabral mas o guarda-redes ainda conseguiu tocar-lhe ligeiramente com a ponta dos dedos, o que fez com que o Cabral apenas conseguisse desviá-la de forma destrambelhada na direcção da baliza (ele acabou por escorregar quando tentou ir buscar a bola mais atrás depois do toque do guarda-redes e desviar a bola com a bunda). Um defesa do Chaves conseguiu o corte em cima da linha, mas o Aursnes estava lá para fazer a recarga para golo. Honestamente, pareceu-me que a bola do Cabral até ultrapassou completamente a linha de golo, mas a Liga resolveu atribuir o golo ao Aursnes, o que me faz pensar que se por acaso ele não estivesse ali para fazer a recarga provavelmente não nos dariam aquele golo. Com o principal problema resolvido, agora era esperar que não resolvêssemos recuar e permitir a reacção imediata do adversário, mas logo a seguir levámos com uma bola na barra, num remate forte e cruzado que o Trubin ainda desviou muito ligeiramente. E com este lance o Chaves pareceu despertar um pouco e finalmente desmontou a sua estratégia fortemente defensiva. O Benfica respondeu com a entrada de mais um avançado a vinte minutos do fim, o Tengstedt, que substituiu um apagadíssimo Di María que na verdade já não justificava a presença em campo há bastante tempo. E o golo da tranquilidade surgiu a dez minutos do final, num penálti marcado pelo João Mário. Sobre o lance, se fosse assinalado penálti a favor de qualquer outra equipa seria penálti óbvio. Como foi a favor do Benfica, conseguimos logo ver um coro que acha que uma mão na cara do João Neves, que é sempre falta em qualquer situação ou posição no campo, não era falta, e portanto não era também penálti. Pior ainda, até consigo ver benfiquistas armados em moralistas a juntar-se ao coro (é incrível como conseguimos sempre arranjar gente para fazer o serviço dos outros). Não é agressão, é certo, mas é falta. E se é falta dentro da área, é penálti. É incrível que se tenha que estar a defender a justeza deste lance, o que só acontece, repito, porque foi assinalado a favor do Benfica. De tão absurda que é a argumentação de que não é penálti, cito a avaliação que o Duarte Gomes fez n'A Bola sobre o lance:

"Só emoções momentaneamente alteradas ou o desconhecimento das regras pode levar alguém a defender que o lance entre Bruno Langa e João Neves não justificava o pontapé de penálti. Reparem: bola no chão a ser jogada com o pé, braço direito (cá em cima) levantado quase na horizontal e chapada de mão aberta na cara do adversário. A imprudência é exactamente isto: a falta de cuidado/atenção que um jogador tem quando disputa a bola com um adversário. Não é preciso haver malícia nem intenção, isso é irrelevante tecnicamente."

Entretanto, com o jogo resolvido, e como não há fome que não dê em fartura, de não termos avançados centro de raiz em campo na primeira parte passámos para acabar o jogo com três, após a entrada do Musa para o lugar do Rafa. Que poderia ter dado resultados imediatos, pois uma boa jogada de entendimento entre ele e o Cabral terminou com um remate cruzado do primeiro e o terceiro golo do Benfica. Mas o VAR entrou em acção e sempre que vemos o tempo de decisão a aumentar já sabemos que deve estar a ser cozinhada uma linha conveniente, que neste caso descobriu uma posição irregular ao Musa e anulou o golo. É suposto acreditarmos na justeza de um VAR que não foi capaz de detectar que a bola do Cabral tinha ultrapassado a linha de golo, mas que conseguiu determinar que o Musa estava 9 cm deslocado. Nestes lances o VAR simplesmente anula ou valida golos de forma aleatória ou conforme lhe apetece. Toda a gente viu de que forma foi traçada uma linha completamente errada de forma a permitir a anulação do golo do empate do Boavista frente ao Sporting, como o mesmo clube foi beneficiado com nova linha errada para validar um golo claramente ilegal contra o Casa Pia, mas quando ficamos à espera longos minutos para anular um golo por meros centímetros, é suposto acreditarmos. Ainda ontem vi dois golos serem anulados desta forma à nossa equipa B, quando em imagem corrida nenhum deles pareceu ter qualquer ilegalidade.

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O João Neves é o homem do jogo. Desfez o nulo com a sua iniciativa individual e sofreu o penálti que resultou no segundo golo. O Aursnes conseguiu estar num nível aceitável e na medida do possível foi sempre tentando dar profundidade pelo seu lado. Os centrais, em particular o António Silva e o Otamendi, estiveram num bom nível e em termos tácticos a entrada do Cabral foi importante.

 

Foi uma vitória importante, mas mantenho que não gosto nem sinto confiança neste esquema táctico. E espero que não seja esta a opção tomada para os próximos dois jogos, que serão bastante importantes. É uma preferência pessoal, não só por não gostar desta táctica, mas também porque nos dois jogos que fizemos com ela a qualidade do futebol apresentado em nada melhorou e continuou a deixar muito a desejar - se tivesse visto melhorias notórias, então teria que dar o braço a torcer. Enfim, seja qual for a opção tomada, é ficar à espera do melhor, porque estes dois jogos podem ser muito decisivos para o que resta da época.

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publicado por D'Arcy às 20:04
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2023

Experiência

O nosso treinador aproveitou a Taça da Liga, e talvez também condicionado pelas recentes lesões decidiu fazer a experiência de jogar num esquema de três centrais. Talvez a memória me falhe, mas creio ter sido a primeira vez que o fizemos com o Roger Schmidt. O resultado foi positivo, já que ganhámos o jogo e deixámos a passagem à próxima fase bastante bem encaminhada - será necessário perdermos em casa por dois frente ao AVS para que isso não aconteça - mas a equipa ainda não apresentou um futebol com a qualidade que os benfiquistas esperam.

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À dupla habitual de centrais juntou-se o Morato, que actuou sobre a esquerda, caindo o António Silva mais sobre a direita. As alas ficaram entregues ao João Neves na direita e ao Aursnes na esquerda, o que significou a preferência pelo norueguês que faz tudo a qualquer um dos dois laterais esquerdos do plantel. No meio, o João Mário jogou ao lado do Florentino, o que sempre permite aproveitarmos a sua qualidade técnica sem ficarmos expostos à sua maior fraqueza, que é a falta de velocidade quando joga numa ala. Na frente, o Gonçalo Guedes ocupou a posição mais avançada, apoiado pelo Rafa mais sobre a esquerda e o Di María mais sobre a direita. O Benfica assumiu as despesas do jogo desde o início, conforme se esperava. A qualidade do futebol apresentado não era muita e o relvado, lento, pesado e em mau estado, também pouco ajudava. O maior destaque era mesmo para o Di María, que em algumas iniciativas individuais ia dando os maiores sinais de perigo num jogo em que mais uma vez tivemos muita posse de bola e construímos poucas ocasiões de perigo. Foi precisamente o Di María quem inaugurou o marcador aos vinte e seis minutos, na conversão de um livre na meia lua assinalado por falta sobre si próprio, após uma jogada individual em que tinha deixado pelo caminho três adversários. O remate saiu colocado e a meia altura junto ao poste do lado do guarda-redes, que não conseguiu ver a bola partir e quando se lançou já era demasiado tarde. Nada de novo aqui, o Benfica apenas deu expressão ao seu ascendente no jogo, algo que já vimos acontecer diversas vezes esta época, e agora a questão era se conseguiríamos finalmente gerir com eficácia uma situação destas até final, marcando mais golos que nos permitissem estar tranquilos até ao apito final. Depois do golo não abdicamos de ter o controlo do jogo e continuámos a jogar maioritariamente no meio campo adversário, não lhe permitindo qualquer espécie de reacção. Mas tenho dificuldade em recordar situações de especial perigo criadas por nós - apenas um lance em que o Gonçalo Guedes deveria ter sido capaz de controlar a bola quando apareceu em situação privilegiada após um grande passe do Aursnes, mas deixou-a escapar.

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Na segunda parte o Arouca apareceu com mais vontade logo nos primeiros minutos, fruto também das alterações feitas ao intervalo. Deu para perceber que não iríamos conseguir manter tanto a bola na nossa posse como na primeira parte, pelo que um segundo golo era mesmo importante. Esse golo chegou cedo, com nove minutos decorridos, pelo João Mário, que entrou bem pela zona central para receber um passe longo do Di María e finalizou muito bem na cara do guarda-redes, mas o VAR puxou o filme atrás uns bons vinte segundos até ao início da jogada e o golo acabou anulado por uma posição irregular do Gonçalo Guedes. Continuava portanto tudo em aberto, e logo a seguir a este lance o Benfica trocou de uma só vez o trio da frente, colocando em campo o Tiago Gouveia sobre a esquerda, o Tengstedt sobre a direita, e o Cabral no meio. Conforme escrevi, o Arouca mostrava-se um pouco mais atrevido nesta segunda parte e a posse de bola era agora mais dividida, e foi um pouco preocupante ver que por vezes concedíamos demasiado espaço atrás que podia ser aproveitado pelo adversário para chegar a um golo que, na verdade, nunca justificou. Foi por isso com algum alívio que a quinze minutos do final vi o Benfica chegar ao golo da tranquilidade. Foi o criticado Arthur Cabral quem o marcou, e um bom golo por sinal. Arrancando ainda antes da linha de meio campo, solicitado por um passe do Tengstedt (depois de ter sido ele próprio a ganhar a dividida com o defesa), correu metade do campo perseguido pelos defesas, protegeu bem a bola e aguentou a pressão destes, e já na área e à saída do guarda redes finalizou bem e com calma, colocando a bola no poste mais distante. Pouco depois teve também uma boa iniciativa individual em que colocou a bola no outro lado para o Tengstedt, que estava sozinho mas não conseguiu controlar a bola em condições para criar perigo. Nos minutos finais, o jogo perdeu muita qualidade e ficou bastante mais partido, da parte do Benfica muito por culpa dos próprios jogadores que tiveram más decisões. Com o espaço que era cada vez mais concedido, o Benfica teve várias situações para definir melhor e criar situações de perigo, mas de uma forma extremamente irritante os jogadores optavam demasiado por agarrar-se à bola e tentar iniciativas individuais quando jogavam num campo que cada vez mais se assemelhava a um batatal. Há uma jogada em particular na qual o Bernat - que tinha entretanto substituído o Florentino - se agarrou à bola quando teve uma eternidade de tempo e espaço para fazer um passe para o Tiago Gouveia que o isolaria nas costas da defesa, que me deixou particularmente irritado. Do nosso lado, o Trubin ainda teve oportunidade para um par de intervenções que evitaram que o Arouca reentrasse no jogo.

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A escolher um homem do jogo será o Di María, que foi quem conseguiu mostrar mais qualidade enquanto esteve em campo. O João Mário esteve bem, e gosto de o ver numa posição mais central, porque para mim definitivamente não está talhado para jogar numa ala. Os centrais, a jogar no novo esquema, estiveram geralmente bem, embora me tenha irritado o amarelo infantil que o António Silva viu. E para não estarmos sempre a bater nele, a entrada do Arthur Cabral teve um impacto positivo no jogo e fiquei satisfeito com o golo que marcou.

 

A conseguirmos a passagem à próxima fase desta competição já será uma melhoria em relação à época passada, na qual ficámos pelo caminho nesta fase. Já passou demasiado tempo desde a última vez que vencemos esta competição. Quanto ao novo esquema táctico, acabou por ser útil para esta situação particular, mas eu não sou grande fã dele e não acredito muito que seja intenção do nosso treinador mantê-lo. É interessante termos uma alternativa para situações pontuais, mas nem sequer temos um plantel construído para suportar esta táctica de forma regular - até para a nossa táctica habitual o plantel está desequilibrado, quanto mais para esta. Não ganhar este jogo teria sido demasiado mau e criaria ainda mais instabilidade, pelo que esta vitória, que mesmo sem ser esmagadora julgo ser indiscutível, foi bastante importante.

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publicado por D'Arcy às 01:07
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