VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 30 de Dezembro de 2023

Trezentos

Uma vitória folgada a fechar o ano que, para quem não tiver visto o jogo, pode ser um pouco enganadora porque não reflecte as dificuldades que o Benfica passou durante a segunda parte - que acabaram por ser algo inesperadas, dada a primeira parte tranquila. Num jogo que fica marcado por ser o número trezentos do Rafa com a nossa camisola, acabou por ser ele o factor mais decisivo para dele sairmos com os três pontos.

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Tínhamos várias ausências para este jogo. Para além dos três jogadores com lesões prolongadas havia ainda a indisponibilidade dos argentinos Otamendi e Di María, e do recém lesionado Tengstedt. Se a escolha do Tomás Araújo no centro da defesa era esperada, as escolhas do Cabral e do Tiago Gouveia já foram um pouco surpreendentes, porque esperaria que as opções fossem o Gonçalo Guedes e o Musa. Contas feitas, cinco jogadores formados no Benfica no onze inicial. A primeira parte mostrou a natural e esperada superioridade do Benfica, perante um Famalicão a jogar de forma aberta e sem excessivas cautelas defensivas. Infelizmente, logo aos cinco minutos vimos um sinal preocupante que nos podia fazer temer mais uma noite de desperdício: o Morato subiu pela esquerda e, com bastante critério, passou-a para o Rafa, que estava em posição privilegiada na área. Só que o Rafa nem sequer conseguiu acertar na baliza e atirou a bola para fora. Acho que o Benfica nunca massacrou propriamente o Famalicão, mas esteve sempre claramente por cima durante a primeira parte e jogou um futebol agradável - uma coisa que me parece evidente neste momento é que os nossos jogadores parecem estar a jogar com mais confiança, quando comparamos com a fase inicial da época. O golo acabou por surgir à meia hora de jogo, nascendo num momento de inspiração individual do João Neves. Junto à linha lateral direita, com uma simulação fantástica libertou-se do marcador directo e depois fez um excelente passe em profundidade a solicitar a corrida do Rafa. Este entrou na área pelo lado direito e fez o passe rasteiro para a zona frontal da baliza, onde o Cabral se antecipou à defesa do Famalicão para fazer o golo. Uma jogada bonita de equipa pela sua simplicidade e eficácia. Logo no minuto seguinte o Cabral teve uma boa iniciativa individual e quase podia ter marcado num remate cruzado, mas o guarda-redes do Famalicão antecipou bem o remate. O golo fez o resultado da primeira parte, talvez um pouco curto, na qual o Famalicão praticamente não existiu no ataque.

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Não foi preciso muito tempo para percebermos que a segunda parte tinha tudo para ser diferente. Logo nos minutos iniciais o Famalicão fez dois remates e conseguiu aparecer mais no ataque do que em toda a primeira parte. Com mais agressividade, começaram a ganhar superioridade no meio campo e a equilibrar a posse de bola, com o jogo a desenrolar-se muito mais dentro do nosso meio campo. Dentro do primeiro quarto de hora, por duas vezes vimos jogadores do Famalicão a aparecerem isolados frente ao Trubin (ainda que num deles houvesse posição irregular) com o nosso guarda-redes a responder de forma positiva em ambos. A resposta do Benfica foi dada num remate do João Neves na sequência de um canto, com uma defesa apertada do guarda-redes e depois ninguém a conseguir chegar à recarga, e depois num livre lateral do Kokçu que desviou na barreira e obrigou o guarda-redes a estar atento. Tivemos outra boa ocasião nos pés do Artur, mas ele acabou por acertar no ombro do guarda-redes - achei que deveria ter tentado finalizar imediatamente, pois ao dar um primeiro toque para controlar a bola perdeu algum tempo e permitiu que um defesa lhe apertasse o ângulo de remate. Nesta altura o perigo que o Benfica criava era quase sempre em transição rápida, sobretudo quando conseguíamos fazer a bola chegar aos pés do Rafa, porque era o Famalicão quem controlava mais a bola e jogava na nossa metade. O Trubin foi obrigado uma nova boa intervenção, depois de mais uma vez termos deixado que um adversário surgisse pela zona central com demasiado espaço - esta noite a nossa dupla de centrais cometeu alguns erros de posicionamento, em que quer um, quer outro foram apanhados fora de posição, demasiado adiantados em campo e a deixar o colega sozinho contra dois adversários. A vinte minutos do final o nosso treinador terá decidido que o prolongar da situação vigente provavelmente acabaria mal para nós, e de uma só vez fez três alterações: Florentino, Guedes e Musa nos lugares do Kokçu, Tiago Gouveia e Cabral. Pouco depois, nova alteração, desta vez forçada, que nos obrigou a mexer na defesa toda. O Aursnes não ficou em bom estado depois de levar uma pancada no joelho, o que obrigou à entrada do Jurásek e com isso à passagem do Morato para o centro e do Tomás Araújo para a direita. O Benfica melhorou com as alterações, porque os três que saíram inicialmente já tinham perdido bastante gás naquela altura, e acabou por resolver o jogo a cinco minutos do final, numa jogada em que dois dos jogadores que entraram intervieram. Depois de, na área, receber a bola vinda do Guedes na esquerda, o Musa amorteceu-a para a zona frontal onde o Rafa desta vez finalizou da melhor forma, com um remate forte e em arco. Cinco minutos depois o Rafa devolveu o favor e assistiu o Musa, que se isolou pela esquerda e finalizou bem frente ao guarda-redes. E até poderia ter voltado a marcar já no período de descontos, quando lançado pelo Rafa correu com espaço em direcção à baliza, mas rematou ao lado. Nota ainda para a estreia do Gustavo Marques (é jogador da nossa equipa B mas não é formado no clube, está emprestado pelo Atlético Mineiro) nos minutos finais, que acabou por ter que render o Tomás Araújo aparentemente por dificuldades físicas deste. Só para não estranhar, sendo central estreou-se pelo Benfica como lateral direito.

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No seu tricentésimo jogo pelo Benfica, o Rafa merece a distinção de melhor em campo. Um golo e duas assistências mais do que justificam a escolha. Como habitualmente, foi quase sempre o principal dinamizador do nosso ataque com as suas arrancadas e ataque ao espaço. No final deixou palavras que já soam a despedida. Goste-se ou não dele, é um jogador marcante na história mais recente do nosso clube, e não é qualquer um que chega aos trezentos jogos pelo Benfica. Outro destaque, o João Neves, naturalmente. Acho que já não há muito mais que se possa dizer sobre ele. A entrega que mostra do primeiro ao último minuto de cada jogo, conseguindo aliar o empenho na recuperação da bola à arte no apoio ao ataque são um dos factores mais importantes no jogo actual do Benfica. Finalmente, o Trubin. Defendeu tudo o que lhe apareceu pela frente. Não teve trabalho constante e intenso, mas todas as intervenções que teve foram decisivas. Não interessa se os adversários estavam em posição irregular ou não, por via das dúvidas defendeu e não deu sequer a possibilidade de ir ao VAR e de lá sair alguma linha torta.

 

Foi uma boa maneira de terminar o ano, e nesta altura tenho que concordar com o Roger Schmidt quando afirma que estamos na melhor fase da época. Nem é que eu ache que a qualidade de jogo seja empolgante, mas nota-se claramente uma diferença na confiança dos jogadores em campo. Que possamos continuar nesta trajectória ascendente no próximo ano, porque ainda temos tudo para fazer desta época uma época de sucesso.

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publicado por D'Arcy às 03:27
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Sábado, 23 de Dezembro de 2023

Tranquilidade

Uma noite relativamente descansada para o Benfica, que com tranquilidade construiu uma vitória robusta frente ao AVS que carimbou o apuramento para a fase final da Taça da Liga.

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Jogo sem poupanças, em que a única alteração foi o Tomás Araújo no lugar do Otamendi, reeditando assim a dupla de centrais que venceu a Youth League - significou a passagem do António Silva para central do lado esquerdo. A superioridade do Benfica foi evidente desde o apito inicial, sendo claro que este era um daqueles jogos em que a maior dúvida era quanto tempo é que demoraria até a bola entrar na baliza do AVS - que, se calhar também porque o empate não servia, não veio jogar com uma atitude demasiado defensiva e por isso o jogo foi disputado de forma aberta e num bom ritmo. O primeiro grande momento da noite foi uma bomba do Kokçu bem do meio da rua que fez a bola embater com estrondo na trave. Foi uma pequena surpresa quando foi de facto o AVS a adiantar-se no marcador, num lance de inspiração individual. Depois de uma perda de bola do João Neves no meio campo, a bola chegou até ao extremo Mercado sobre a direita da nossa defesa, que ainda de fora da área disparou cruzado de pé esquerdo ao ângulo do outro lado. Um grande golo, e nem com asas o Trubin conseguiria chegar àquela bola. Mas apesar de se notar um ligeiro nervosismo nos nossos jogadores nos minutos imediatamente a seguir, e de o AVS ter também mostrado alguma tentação para começar a tentar quebrar o ritmo do jogo, o Benfica ainda inverteu o resultado na primeira parte. O João Neves redimiu-se arrancando pela esquerda e deixando para trás todos os adversários que lhe apareceram pela frente, colocou no Rafa no meio e este deixou a bola para o Di María surgir na área do outro lado e finalizar com um típico remate rasteiro colocado no poste mais distante. O golo da reviravolta foi marcado pelo João Mário em mais uma jogada típica onde o Di María solicita a entrada do Aursnes pela direita e este coloca a bola na zona frontal da baliza com um cruzamento tenso e rasteiro - de realçar também o início da jogada, em que o António Silva pega na bola na zona lateral da nossa área e saiu a jogar, conduzindo-a até ao círculo central. E o golo só não surgiu antes porque o Morato mostrou as desvantagens de termos um defesa central a jogar naquela posição, quando um passe brilhante do Di María sobre a defesa do AVS o apanhou completamente isolado na área. Entre rematar de primeira ou controlar a bola (ele estava tão à vontade que teria tido tempo para parar a bola e decidir o que fazer) o Morato jogou a bola com a canela e passou-a ao guarda-redes.

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Com o AVS a ter agora que marcar três golos, a segunda parte era praticamente uma formalidade. Ainda marcaram o que seria o golo do empate nos minutos iniciais, mas foi anulado por posição irregular. A atmosfera estava tão relaxada que até deu para o Roger Schmidt, em vez de fazer a típica alteração de trocar o Tengstedt pelo Musa, fazer três substituições de uma só vez, e a mais de meia hora do final. Entraram o Tiago Gouveia, o Cabral e o Gonçalo Guedes, e saíram o Rafa, Tengstedt e João Mário, com o pequeno prazer adicional de ver a braçadeira de capitão para o António Silva - acho que lhe fica muito bem. Cinco minutos depois de ter entrado, o Tiago Gouveia resolveu de vez o assunto com um grande golo, do princípio ao fim: grande passe longo do Kokçu, de pé esquerdo, para as costas da defesa do AVS e grande desmarcação do Tiago, que com um toque controlou a bola e com outro fez um chapéu ao guarda-redes que lhe saiu ao caminho. Logo a seguir trocámos o Kokçu pelo Florentino e vimos o Benfica com sete jogadores da formação simultaneamente em campo. É um pormenor que nunca deixa de me agradar. Com o AVS distraído após as substituições (também fizeram duas nessa altura) o Di María voltou a surpreender a defesa adversária com um passe longo para as suas costas, bem aproveitado pela desmarcação do Gonçalo Guedes, que foi até à linha de fundo sobre a direita e tentou oferecer o golo ao Arthur Cabral, mas um defesa acabou por conseguir antecipar-se e fez autogolo. Uma pena, porque qualquer golo marcado pelo Cabral será útil por questões de motivação. O jogo estava mais do que resolvido e o clima era quase de festa, com o clima de relaxamento provavelmente a contagiar um pouco os jogadores. O Gonçalo Guedes falhou logo de seguida o quinto golo de forma incrível, depois de desmarcado por um bonito passe do Tiago Gouveia. Nem sei sequer o que é que ele tentou fazer, porque só com o guarda redes pela frente nem sequer tentou finalizar, dando um toque para o lado a fugir da baliza. Depois foi o Tiago Gouveia quem, com um mau passe à saída da nossa área, quase ofereceu o segundo golo ao AVS, valendo-nos um desvio do António Silva no último instante. E para comprovar que a calma reinava suprema, o Roger Schmidt fez a quinta substituição (acho que não me recordo da última vez que tinha feito isto) colocando o Jurásek no lugar do Morato para os últimos cinco minutos.

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O Di María e o João Neves foram dois dos jogadores em destaque, para não variar. Mas também gostei muito da exibição do Tomás Araújo. Confesso que me deu especial prazer ver jogar na equipa principal uma dupla que tantas vezes vi jogar nos escalões de formação e que me deu muitas alegrias. O Tomás Araújo mostrou muita calma na abordagem aos lances e qualidade na saída de bola, pelo que qualquer um dos centrais nos oferecia essa possibilidade. Acho que temos ali um valor seguro para o futuro, que já mostrou estar mais do que pronto para ser chamado à titularidade sempre que for necessário. Jogo positivo também do Kokçu, que começa a recuperar o ritmo perdido com a lesão.

 

A taça da liga é uma prova que já conquistámos mais vezes do que qualquer outra equipa, mas que já não vencemos há algum tempo. Nunca a vencemos desde que foi adoptado o formato de final a quatro, aliás. Por isso gosto que o Benfica leve a prova a sério e gostaria de voltar a conquistá-la esta época.

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publicado por D'Arcy às 00:44
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2023

Solidez

Depois de cumpridos os objectivos mínimos a meio da semana, o Benfica deslocou-se a Braga e de lá saiu com mais uma vitória. Foi um jogo difícil, como aliás já era previsível que o seria, mas demos uma demosntração de solidez e justificámos a vitória, por mais que tentem (como também era previsível) passar uma imagem diferente do jogo de ontem.

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Já não há grandes surpresas no onze do Benfica. O nosso treinador parece ter nesta altura assentado numa equipa tipo (que, infelizmente para mim, insiste no Morato como lateral esquerdo) e as únicas alterações que faz são normalmente forçadas. Por isso a única mudança em relação à equipa que iniciou o jogo em Salzburgo foi o regresso do António Silva ao seu lugar, relegando o Tomás Araújo de volta ao banco. O jogo ficou obviamente marcado pelo golo madrugador do Benfica, logo aos três minutos. A jogada começa numa asneira do Morato, que controlou mal uma bola e na tentativa de não a perder acabou por colocar o braço na cara de um adversário, o que lhe valeu um cartão amarelo logo no segundo minuto de jogo. Nada promissor. No livre resultante, o Benfica aliviou a bola e tentou sair em contra-ataque, com o Braga a conseguir recuperá-la. Só que o Benfica pressionou imediatamente e o João Mário conseguiu voltar a ganhar a bola sobre a linha do meio campo, com esta a sobrar para o Kokçu que com o Braga apanhado em enorme inferioridade numérica (ficaram três jogadores do Benfica para um defesa do Braga) imediatamente isolou o Tengstedt nas costas da defesa. À saída do guarda-redes, o dinamarquês finalizou de forma eficiente e com calma. Podia ter sido apenas fruto do acaso, mas depressa o Benfica mostrou que não era o caso. Com o Braga a tentar pressionar o Benfica muito alto - e já vimos várias equipas causarem problemas ao Benfica desta forma - isto deixava bastante espaço nas costas da defesa subida com que jogavam, e ainda mais importante, um espaço muito grande entre a defesa e os médios, que também jogavam subidos para tentar pressionar logo perto na nossa área. O Benfica foi inteligente na forma como assim que recuperava a bola, com um futebol mais directo do que o habitual imediatamente explorava esses espaços, com a mobilidade no Rafa, Tengstedt e João Mário (o Di María até esteve menos em jogo do que tem sido habitual, o que se calhar foi reflexo de algum cansaço pelos dois jogos anteriores em alta rotação durante os noventa minutos) a causarem vários problemas à defesa do Braga. Ao contrário de jogos anteriores, vimos muito menos ênfase na nossa ala direita, onde o Aursnes esteve muito mais contido. Foi de tal forma que o Benfica poderia facilmente ter chegado ao intervalo com um resultado bem mais tranquilo, tendo visto a bola por duas vezes embater nos ferros da baliza do Braga (Di María e Otamendi), um golo bem anulado ao Rafa por fora de jogo deste (grande finalização, de qualquer maneira) e várias jogadas de transição causarem perigo. A resposta do Braga ficou-se por um remate de fora da área do Djaló que obrigou o Trubin à primeira grande defesa da noite, e uma tentativa de desvio do Ricardo Horta a um remate de fora da área já em cima do intervalo, que fez a bola passar perto da baliza. O enorme espaço existente entre a defesa e o meio campo do Braga era de tal forma evidente que o treinador do Braga se viu obrigado a mexer no meio campo ainda durante a primeira parte, fazendo entrar o André Horta, que de facto ajudou a corrigir esse problema.

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A segunda parte fica muito marcada por um lance logo nos minutos iniciais, em que o João Mário falha de forma inacreditável o segundo golo, que muito provavelmente seria um golpe muito forte no Braga. Depois de lançado por um bom toque de calcanhar do Tengstedt, o Rafa fez tudo bem: progrediu para a área sobre o lado direito, atraiu a si três adversários e depois colocou a bola no outro lado, onde surgiu o João Mário completamente sozinho, só com a baliza e o guarda-redes à sua frente. E o que é que o João Mário fez? Simplesmente passou, literalmente, a bola ao guarda-redes. Devagar e rasteira. Não consigo explicar o que terá acontecido. Não foi um falhanço, o João Mário acertou bem na bola, não estava pressionado e tinha tempo para fazer o que quisesse. Simplesmente, decidiu fazer aquilo e eu não consigo mesmo perceber qual era a intenção dele com aquela decisão. O Braga deve ter suspirado de alívio, e tentou pressionar mais na procura do golo do empate. Com uma hora de jogo o Benfica trocou de avançados, lançando o Musa para o lugar do Tengstedt - confesso que não me agradou, mas talvez a mudança tenha sido motivada por cansaço, já que o Tengstedt correu muito. Mas a mobilidade dele tinha sido muito importante até então para manter a defesa do Braga em sentido, e o Musa é um avançado mais fixo, o que acabou por ajudar o Braga a subir mais a defesa.Nesta fase o Benfica já não criava tantos problemas na transição e o Braga tinha muito mais bola, mas a sensação que tive foi sempre que o Benfica nunca deixou de ter mão no jogo. Apesar de toda a pressão, o Braga apenas conseguiu criar uma situação de perigo, na qual uma boa tabela entre o Djaló e o Banza deixou este último numa óptima posição frontal na área para finalizar, mas o Trubin manteve a calma e foi ao chão agarrar o remate relativamente frouxo que ele fez. Houve também um lance em que a nossa defesa foi surpreendida com uma bola que isolou o Ricardo Horta nas suas costas, mas o golo que daí resultou foi anulado por fora de jogo. Para os últimos dez minutos, o Roger Schmidt fez entrar o Gonçalo Guedes e o Florentino para os lugares do Di María e do Rafa. Mais uma vez, não fiquei muito contente com a saída do Rafa, porque aí é que retirámos mesmo muita profundidade e largura ao nosso ataque, convidando o Braga a atacar ainda mais. Esses últimos minutos foram portanto o período de maior pressão por parte do Braga, e se calhar por ser a última imagem que ficou é por isso que tentam depois fazer passar uma imagem do jogo que para mim não corresponde, de todo, ao que se passou. A verdade é que esse domínio territorial intenso por parte do Braga resultou apenas numa ocasião de perigo, já em período de descontos. Uma bola longa para as costas da defesa, grande falha do António Silva a falhar o corte de cabeça e a permitir a fuga do Banza nas suas costas, que depois em frente ao Trubin finalizou com um remate rasteiro, que o nosso guarda-redes conseguiu defender com o pé, fazendo a bola rolar lentamente para fora, passando perto do poste.

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O Trubin é um dos destaques, porque fez aquilo que se espera de um guarda-redes do Benfica. Objectivamente, e apesar de tentarem fazer dele um herói como se tivesse sido submetido a algum massacre. O que se espera de um guarda-redes do Benfica é que tenha pouco trabalho, mas que seja decisivo quando o tem. Fez três defesas, uma mais vistosa ao remate do Djaló de fora da área na primeira parte, e duas na segunda, a remates rasteiros do Banza, em que se destacou sobretudo pela frieza e boa colocação na baliza. Pergunto-me se nesta altura ainda sobram muitas viúvas do Vlachodimos. Destacaria também os jogadores da frente, em especial o Rafa e o Tengstedt. A mobilidade constante deles causou imensos problemas ao Braga e o Rafa definiu quase sempre bem as jogadas, mas não teve grandes ocasiões de finalização (na que teve, foi anulada por fora de jogo). O Tengstedt marcou o golo decisivo. O João Mário até fez um bom jogo, foi ele quem recuperou a bola que resultou no nosso golo, mas é impossível ignorar aquele golo falhado no início da segunda parte.

 

Com este resultado passámos a noite na liderança, e ao final do dia de hoje ou estaremos isolados em segundo a um ponto da liderança, ou isolados no primeiro lugar. Nada mau para uma equipa mergulhada numa crise profunda desde o início da época. A verdade é que vencemos todos os jogos contra os adversários mais directos na primeira volta. Quanto à vitória de ontem, era previsível que imediatamente começassem a tentar tirar-lhe mérito, e não faltou a inevitável pergunta ordinária ao nosso treinador sobre se o resultado era justo, por causa das 'muitas' oportunidades que o Braga teve. O Braga teve quatro oportunidades de golo, o Benfica teve mais do que isso. Engraçado que não vi ninguém particularmente preocupado com a justiça do resultado do Benfica contra o Farense depois de termos feito quase quarenta remates e termos tido oportunidades para fazer meia dúzia de golos. Aí ninguém se preocupou em perguntar sobre a justiça do resultado e, pelo contrário, enalteceram o facto do Farense ter lutado para justificar o empate. Poucas coisas me dão mais gozo do que ver gente a esfregar as mãos em antecipação por um escorregão do Benfica e depois a ter que meter a viola no saco.

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publicado por D'Arcy às 12:54
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2023

Sobrevivência

Estivemos muito perto de ver acabar mais um jogo e fugir um objectivo mínimo a que nos propusemos, ficando a lamentar-nos do quão perdulários fomos na finalização. Felizmente, já muito perto do final, do banco saltou um herói improvável que deu justiça ao resultado e garantiu a nossa sobrevivência nas provas europeias.

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Não foi surpresa para ninguém a aposta na mesma disposição táctica, tendo o nosso treinador optado por mexer o mínimo possível na estrutura da equipa. Face à ausência forçada do António Silva, e quando muitos especulavam com a entrada do João Victor no onze e a deslocação do Aursnes para a esquerda ou a entrada do Jurásek para colocar o Morato ao lado do Otamendi, a opção foi pela troca directa do António Silva pelo Tomás Araújo, mantendo tudo o resto na mesma. Agora é fácil dizer isto, mas confesso que mesmo com a minha contínua irritação pela utilização do Morato como lateral, tinha ainda uma boa dose de confiança de que seríamos capazes de sacar o resultado desejado. Isto porque no jogo da Luz achei que mesmo com a expulsão e os penáltis madrugadores fomos bastante superiores a este adversário, sendo a má finalização (que surpresa) a maior responsável por termos perdido esse jogo. E neste jogo a nossa equipa surgiu personalizada e a jogar de forma solta e agradável, mas há coisas que teimam em não mudar e quando o Rafa, ainda na fase inicial do jogo, desperdiçou uma ocasião em que surgiu isolado em frente ao guarda-redes depois de assistido pelo Tengstedt e rematou para fora lá fiquei a pensar se não iríamos assistir a uma reedição de um filme tantas vezes visto esta época. Uma vez mais foi pelo lado direito que mais jogámos, com o Di María e o Aursnes a serem dos principais responsáveis pela criação de lances de perigo. Na defesa, ainda permitimos alguns remates ao Salzburgo mais na fase inicial, que criava perigo sobretudo através de futebol mais directo. Fundamental seria sermos nós a marcar o primeiro golo, o que aconteceu pouco depois da meia hora de jogo: um pontapé de canto marcado pelo Di María, o Otamendi atacou a bola ao primeiro poste em luta com um defesa mas ninguém tocou na bola, e esta acabou por entrar directamente na baliza austríaca. Injecção de confiança para o nosso lado e certamente dúvidas a instalar-se no Salzburgo, que com uma equipa bastante jovem e inexperiente não estaria imune a estas coisas. Melhor ainda ficou o cenário quando o Rafa finalmente acertou com a baliza e no período de compensação nos deu a vantagem de dois golos necessária para o apuramento.O lance começa com o Tengstedt a pressionar o jogador do Salzburgo que tentava sair a jogar pela zona central, o que permitiu ao João Neves recuperar a bola. Apesar de ter sofrido falta ainda conseguiu colocar a bola no Di María mais sobre a direita, que desmarcou o Rafa nas costas da defesa adversária e este desta vez não complicou, rematando cruzado para o poste mais distante.

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Depois do que aconteceu no último jogo contra o Inter era natural que mesmo assim houvesse desconfiança em relação ao que a segunda parte traria, mas nem foi preciso um minuto para perceber que, ao contrário desse jogo, o Benfica não vinha para descansar à sombra do resultado ou fazer qualquer tipo de gestão. Aparecendo com o Musa no lugar do Tengstedt, a intenção do Benfica era claramente ir à procura de mais golos para resolver de vez o assunto. Só que mais uma vez o fantasma do desperdício regressou para nos assombrar, sempre com o Rafa a destacar-se neste particular. Só nos minutos iniciais: Rafa remata para a bancada, o Musa quase na pequena área e pressionado por um defesa acaba por não conseguir o desvio para a baliza , o Kokçu rematou para fora, o mesmo fez o Di María, e para finalizar em beleza, o Rafa consegue de forma absolutamente incrível acertar no guarda-redes quando, a passe do inevitável Di María, estava completamente sozinho em frente à baliza e na pequena área. O Salzburgo durante toda a segunda parte pareceu quase baralhado e sem capacidade para responder à pressão alta que o Benfica exerceu, e que neste jogo de facto funcionou, condicionando muito a saída de bola do adversário. Mas a resposta do Salzburgo às ocasiões desperdiçadas pelo Benfica foi terrível: vai pela primeira vez à frente, remate à entrada da área e a bola desvia no Tomás Araújo tornando-se indefensável para o Trubin. Benfica novamente eliminado e a precisar de mais um golo. Que continuámos a perseguir de forma decidida. A segunda parte foi completamente dominada pelo Benfica, com os austríacos a conseguirem apenas sair esporadicamente em contra-ataque, aproveitando o espaço que o Benfica concedia mais atrás por estar a jogar quase sempre no meio campo adversário. A irritação e frustração iam no entanto aumentando à medida que o tempo corria e as ocasiões de perigo se iam acumulando enquanto a bola teimava em não entrar. O Di María acertou no poste num remate cruzado típico dele, o Rafa atirou mais uma vez para fora quando estava em óptima posição na área - tem a desculpa de ter tentado a finalização de primeira e de pé esquerdo - e uma vez mais o Rafa, a passe do Di María e depois de se libertar com classe da marcação directa, isolou-e e atirou contra o guarda-redes. Começava mesmo a parecer que seria mais uma daquelas noites, mas o Benfica nunca baixou os braços e continuou à procura de ser feliz, já com o Gonçalo Guedes no lugar do Kokçu - o nosso treinador repetiu a substituição do jogo com o Farense, mas desta vez retirou o turco em vez do João Neves. Para o período de compensação (e após mais algumas ocasiões falhadas e o que me pareceu um penálti sobre o Di María, que provavelmente passou em claro porque o lance foi mesmo sobre a linha de fundo) aposta deliberada no ataque com a entrada do Cabral para o lugar do João Mário. Nesta altura o Benfica jogava numa espécie de 3-1-6, já que o Otamendi jogava ao lado dos pontas-de-lança e o João Neves era por si só o meio campo. Também não era necessária mais gente atrás porque o Salzburgo estava completamente remetido à sua área. E foi dos pés do João Neves que nasceu a jogada do terceiro golo: um grande passe para as costas da defesa, sobre a direita, onde apareceu o Aursnes vindo de trás numa arrancada imparável para dentro da área e perto da linha de fundo cruzar a bola (de primeira e sem a deixar sequer cair no relvado, note-se) para o Cabral, que no meio se tinha libertado da marcação e estava sozinho na pequena área. O cruzamento saiu um pouco atrasado e o Cabral finalizou da melhor maneira que podia: de calcanhar. Uma grande jogada, um grande golo, e o final perfeito para um jogo que o Benfica mereceu ganhar pelo resultado que precisava, e tudo fez para o conseguir.

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Destaque maior no Benfica para o Di María. Dando sequência ao jogo que já tinha feito contra o Farense, desta vez esteve ainda melhor. Tentou o golo de várias formas, esteve na maior parte dos ataques do Benfica, e criou inúmeras oportunidades para os colegas. Acaba o jogo com um golo de canto directo e uma assistência para o Rafa, mas poderiam ter sido bem mais (quer golos, quer assistências). Esteve muito bem acompanhado quer pelo Aursnes, que esteve imparável pela direita (e à medida que se vai familiarizando cada vez mais com a posição, começa a fazer pensar que o Bah poderá ter sérias dificuldades em recuperar o lugar) e pelo João Neves, o dínamo do meio campo e um dos responsáveis pela pressão alta do Benfica ter sido eficaz. E o passe dele no lance do terceiro golo é simplesmente sublime. Nota para a estreia do Tomás Araújo como titular na Champions: acho que não haverá muitas dúvidas sobre o valor dele, mas provou que é uma opção muito válida. Fez um jogo bastante tranquilo e eficiente, não parecendo acusar qualquer tipo de pressão.

 

Mais uma vez, seria muito bom que conseguíssemos aproveitar este jogo e este resultado para nos motivarmos e arrancarmos finalmente para um registo mais consentâneo com aquilo que fizemos a época passada, mas também já tivemos aquela injecção enorme de moral no dérbi e a seguir fomos empatar com o Moreirense. A nosso favor o facto de desta vez, para além da atitude da equipa, a exibição ter sido de facto bastante mais convincente. Veremos como aproveitamos isto nó próximo jogo em Braga, que será muito decisivo. Podemos ter vários motivos de queixa do nosso futebol esta época, mas a verdade é que até agora não temos grandes razões de queixa dos jogos mais importantes.

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publicado por D'Arcy às 00:08
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Domingo, 10 de Dezembro de 2023

Ineficácia

Um empate caseiro extremamente frustrante contra o Farense, num jogo que foi uma ode à ineficácia. Este ano já houve vários jogos em que sofremos muito com este problema, mas neste em particular foi um exagero. Só as ocasiões do Rafa teriam dado para uma goleada.

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O nosso treinador estaria obviamente satisfeito com a recente exibição contra o Moreirense, e por isso pouco mudou na equipa: apenas uma alteração, a mais que esperada entrada do Kokçu por troca com o Florentino. Em termos tácticos, voltámos a alinhar com aquilo que eu agora designo por 'Maravilha Coxa'. Morato de pedra e cal na lateral esquerda, e agora já nem sequer um único lateral é convocado, só para não haver a tentação de alinhar com um jogador na sua posição de origem, o rápido e estonteante João Mário à sua frente, e uma ala esquerda praticamente não existente (o Morato até arriscou subir algumas vezes, mas conseguiu criar perigo sobretudo quando já estava na área e a bola lhe foi metida para o jogo aéreo). O mote para o jogo foi dado logo antes de completado o primeiro minuto de jogo: ocasião flagrante do João Mário, remate à figura do guarda-redes. A partir daí foi simplesmente o desfilar de ocasiões umas atrás das outras, com o Rafa em grande destaque a desperdiçá-las em catadupa. Tendo em conta as características da Maravilha Coxa, era quase sempre pela direita que criávamos jogo, com o Di María e o Aursnes a revelarem-se uma dor de cabeça constante para a defesa do Farense. O Rafa até fez várias coisas bem e combinou frequentemente com estes dois, mas depois quase invariavelmente estragou tudo na hora de finalizar. O volume de jogo ofensivo por aquele lado era tanto que o próprio Di María, apesar das  muitas ocasiões de perigo que fez nascer, também estragou uma boa dose de jogadas por excesso de individualismo, ou tentativas de passes de trivela. O Farense não veio jogar com um autocarro, e isso deu-nos bastante espaço para fazer transições sempre que a bola era recuperada. Por aí também se explica o anormal volume de finalizações que tivemos neste jogo. O nulo ao intervalo já era um castigo bastante pesado para a nossa falta de acerto em frente à baliza e restava-nos esperar que a segunda parte trouxesse algumas melhoras nesse aspecto particular, sob pena de sermos fortemente penalizados no final.

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O problema é que a segunda parte manteve a mesma tendência. Aliás, no final tivemos ainda mais finalizações do que na primeira parte. E para pintar o cenário mais negro ainda, aconteceu o que tantas vezes acontece quando uma equipa desperdiça tanto: logo nos minutos iniciais, e numa das raríssimas vezes em que chegou à nossa área, o Farense marcou na sequência de um pontapé de canto. A bola foi desviada ao primeiro poste e no meio da confusão surgiu o cabeceamento que, apesar de não levar muita força, não deu possibilidades de defesa. Apanhando-se a ganhar, o Farense aumentou de imediato o nível de anti-jogo para o máximo. Daí até final foram quedas constantes a pedir assistência e demoras exageradas na reposição de qualquer bola em jogo. O Benfica acusou muito o golo e andou os minutos seguintes um bocado à toa. Passes transviados, nervosismo dos jogadores e a derrota a parecer um cenário bastante provável. Até que aos sessenta e quatro minutos o Roger Schmidt resolveu mexer na equipa e trocou os pontas-de-lança, fazendo entrar o Musa para o lugar do Tengstedt, e tirou o João Neves para fazer entrar o Gonçalo Guedes, deslocando o João Mário para o meio. Eu há muitos anos que assisto a jogos do Benfica e não me recordo de alguma vez ter visto uma reacção tão visceralmente negativa a uma substituição feita por um treinador do Benfica. A minha opinião? Não gostei da opção, mas achei a reacção dos adeptos completamente descabida e exagerada. Até porque o João Neves, na minha opinião, nem estava a ter um dos seus melhores jogos. Obviamente que para mim, para fazer aquela mudança táctica, teria preferido ver sair o João Mário ou até mesmo o Kokçu, que também não fez um jogo por aí além. Não foi essa a opção, é ele o treinador, é pago para tomar decisões, e no final vive ou morre pelas decisões que toma. A verdade é que ou as substituições ou a monumental assobiadela despertaram a equipa do estado letárgico em que se encontrava desde o golo sofrido, e recomeçámos a criar situações de finalização a um ritmo regular. Ainda e muito pela direita, onde o Di María e o Aursnes encontravam sempre espaço, e onde acabaram por criar a jogada do golo do empate aos setenta e um minutos, com o Rafa finalmente a conseguir desviar ao primeiro poste para a baliza o cruzamento do norueguês. Ainda tínhamos vinte minutos mais o eventual tempo de compensação para chegar à vitória, o que os jogadores tentaram a todo o custo. Mas à medida que o tempo caminhou para o final fomos perdendo clarividência e deixámos de explorar tanto o filão que era aquela ala direita, começando a despejar cada vez mais bolas para a área, tendo o nosso treinador até nos minutos finais feito algo raramente visto para tentar tirar partido disso, que foi fazer entrar o Cabral para jogar com dois pontas-de-lança. Mesmo com essa falta de clarividência poderia ter sido perfeitamente possível termos chegado ao golo, porque as ocasiões para isso não faltaram, com especial destaque para uma do Musa em que ele rematou por cima em óptima posição. Infelizmente, o que acabou por ficar bastante evidente é que neste momento os nossos avançados todos juntos não valem um Gonçalo Ramos.

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Acho que o destaque maior no jogo foi o Aursnes. Ainda e sempre fora da sua posição, deu sempre profundidade pelo seu lado, criou várias jogadas de perigo em entendimento com o Di María e se calhar até poderia ter criado mais, mas muitas vezes o Di María optou por não lhe passar a bola quando ele se desmarcava e em vez disso conduzir a bola para dentro. O Di María foi igualmente um dos jogadores em evidência, mas também se perdeu muitas vezes em iniciativas individuais nas quais acabou por não tomar a melhor decisão. O Rafa tem um jogo em que por um lado se destaca pelo número de acções ofensivas e desequilíbrios que causou, em que marca o golo da equipa, mas que por outro lado foi absolutamente desastroso na finalização, e é por isso um dos grandes responsáveis por o Benfica não ter ganho este jogo.

 

Há jogos em que eu fico chateado com a equipa porque não gosto da atitude, este não foi um desses jogos. No final senti-me apenas frustrado, porque a equipa e os jogadores fizeram quase tudo para ganhar. Acho que em dez jogos assim o Benfica ganhava nove e meio. Só não fizeram o mais importante: concretizar as ocasiões criadas. Uma equipa que em 37 finalizações só marca um golo só pode queixar-se de si própria, e isso será também um reflexo de intranquilidade. Em relação ao treinador, continuo a detestar a Maravilha Coxa, acho que não faz absolutamente sentido nenhum deixar dois laterais aptos de fora para meter um centralão a jogar como lateral numa equipa como o Benfica, que vai passar o tempo quase todo a atacar, e continuo a achar que faz uma má gestão do plantel, com certos jogadores a jogarem sempre independentemente do rendimento que apresentam, e outros a não terem sequer oportunidade de se mostrar. Posto isto, não sou a favor da sua saída, muito menos nesta fase da época, e achei a reacção do público inadmissível. Eu sei que os ânimos ficam facilmente exaltados no futebol e que a reacção foi muito visceral, sobretudo durante um jogo tão frustrante de se ver. Mas aquilo foi um momento que vai ser recordado por bastante tempo e, pelo menos por mim, nunca com orgulho.

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publicado por D'Arcy às 18:30
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Domingo, 3 de Dezembro de 2023

Impotência

Dois pontos deitados fora num jogo que foi mais uma demonstração cabal de impotência, marcado por uma quase total inoperância ofensiva. Por opção própria, o Benfica entra nos jogos com pedras atadas aos pés de forma a dificultar ainda mais a sua tarefa, e depois até parece que é surpresa ser incapaz de desmontar as defesas adversárias.

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Já tinha escrito antes que me preocupava seriamente que para o nosso treinador o Morato fosse agora a escolha para a posição de lateral esquerdo. Temia que ele aparecesse hoje mais uma vez a titular, e foi isso que aconteceu. Temos dois laterais esquerdos no plantel, mas escolhemos jogar com um central que nem sequer é particularmente rápido ou ágil na posição, e os dois laterais nem sequer ao banco vão por opção. Desculpem o meu cepticismo, mas recuso-me a acreditar que mesmo em má forma nenhum deles fosse capaz de oferecer mais à equipa do que o Morato, em especial num jogo em que era previsível que a iniciativa iria ser quase toda nossa. Isto é particularmente enervante quando já temos um lateral adaptado a jogar do lado oposto. Para o nosso treinador, é preferível jogar com um central e um médio centro nas laterais do que com qualquer jogador habituado a jogar nas alas - na conferência de imprensa pré-jogo ele fez questão de dizer que o Tiago Gouveia não é opção para jogar nas laterais, por exemplo. Some-se a isto o facto de jogarmos na esquerda com um jogador destro (João Mário) que nem sequer é ala, e na direita com um esquerdino (Di María), ambos com tendência para vir para o meio, e é fácil perceber a falta de largura do nosso jogo, o que só facilita a tarefa a quem defende. Mas isto é o que eu penso, que não tenho qualquer curso de treinador e apenas vejo os jogos da bancada, imagino que certamente esteja redondamente enganado porque não consigo observar os jogos da mesma maneira que alguém com muito mais conhecimentos do que eu. No jogo de hoje, a entrada foi terrível e durante os primeiros quinze minutos o Moreirense foi dono do jogo, criando várias jogadas de perigo (que incluíram uma bola no travessão) e justificando o golo. Só depois disso o Benfica conseguiu assentar e foi progressivamente empurrando o adversário para trás. Só que o nosso jogo de ataque foi o habitual. Lento, previsível, sem grandes rasgos e quase sempre a tentar combinações pelo meio condenadas ao insucesso - os nossos adversários estão perfeitamente cientes disso e quase sempre sobrepovoam o meio, o que nos deixa sem ideias ou soluções. Os lances mais perigosos do Benfica na primeira parte surgiram em bolas paradas, com o Florentino numa delas a falhar de forma escandalosa quando apareceu solto em posição frontal e em posição para marcar após o Otamendi ter ganho a primeira bola de cabeça.

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Ao intervalo trocámos os dois médios, entrando o Chiquinho e o Kokçu, e a segunda foi bastante diferente. Em vez do jogo partido a que assistimos durante a maior parte do primeiro tempo, em que as equipas recuperavam a bola e tentavam sair rapidamente para o contra-ataque, a segunda parte foi de sentido quase único. O jogo disputou-se quase todo no meio campo do Moreirense e o Benfica teve muita posse de bola, talvez até muita dela permitida pelo próprio Moreirense, que entregou a iniciativa do jogo ao Benfica e fechou linhas atrás. Como seria de esperar, o Benfica raramente soube o que fazer com tanta posse de bola, fazendo a circular de forma inofensiva para o Moreirense, com a agravante da quantidade de passes errados ter sido absurda. Ainda e sempre uma exasperante falta de profundidade pelas alas, aliás ainda pior na segunda parte porque o Aursnes subiu menos e esteve ainda menos em jogo na direita. Na esquerda, chegou a ser confrangedor ver tentativas de passe em profundidade para o Morato que, naturalmente, não tinha velocidade para chegar à bola e esta perdia-se pela linha lateral. Não aconteceu apenas uma ou duas vezes - note-se que eu não culpo de forma alguma o Morato por isto, porque ele faz o que pode; culpo sim quem insiste que ele é a escolha para jogar numa posição onde precisamos de alguém com capacidade para atacar por aquele lado. Ainda chegámos a introduzir a bola na baliza do Moreirense a menos de vinte minutos do final, quando fizemos uma rara jogada pelo flanco esquerdo, na qual o Kokçu surgiu por aquele lado e ganhou a linha de fundo para fazer o passe atrasado para a finalização do João Mário, mas o lance foi anulado por posição irregular do turco. Ainda metemos o Cabral no lugar do Tengstedt. Talvez a diferença do Cabral sobre o dinamarquês é que não passe o jogo todo a fugir das zonas de finalização, mas colocar um homem mais fixo na área quando não jogamos pelas alas para o servir parece-me uma opção inútil. E depois, convenhamos, quando mesmo na fase final cruzámos bolas de forma mais persistente (depois das cada vez mais tradicionais substituições quase a acabar o jogo, em que entraram o Guedes e o João Victor para os lugares do João Mário e Morato, com o Aursnes a passar para lateral esquerdo - porque é muito importante manter o esquema de um médio centro e um central a jogar nas laterais) o Cabral revelou-se inútil também, sobressaindo uma tentativa desastrada de finalização de calcanhar mesmo a terminar o jogo.

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Não consigo mesmo fazer um destaque neste jogo. Achei o nosso futebol paupérrimo e toda a equipa pautou pela mediania, apesar das garantias do nosso treinador antes do jogo de que estávamos muito mais fortes e a jogar um bom futebol. Acho que ele se enganou e andou a rever jogos da primeira metade da época passada.

 

O jogo acabou a zeros, e acabou muito bem, porque o Benfica não mostrou futebol suficiente para marcar golos. O Benfica aliás nem parece particularmente interessado em marcar golos, porque senão não continuava a optar por jogar desta forma. Bastou uma jornada para deitarmos fora a motivação extra de termos atingido o primeiro lugar. Nem era preciso muito para isso, bastou-me ver a constituição da equipa e, pelo menos em mim, a motivação esfumou-se logo. É muito desmotivante para mim estar a assistir aos nossos jogos quase sem esperança de que consigamos marcar golos. Não pretendo ser adivinho ou saber muito sobre o assunto, mas comecei logo a imaginar que o jogo decorreria exactamente como acabou por acontecer. E se calhar na próxima sexta lá entraremos mais uma vez com o mesmo onze em campo, à espera que o futebol produzido seja diferente. Eu não conheço nenhuma equipa no mundo que jogue quase todos os jogos com a obrigação de ter a iniciativa de atacar e ganhá-los, e que por iniciativa própria abdique do jogo pelas alas - as referidas pedras atadas aos pés. Devemos estar a tentar lançar uma nova moda.

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publicado por D'Arcy às 23:23
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