Estivemos a um passo do inferno, mas uma ponta final carregada de crença resgatou-nos de um resultado que seria (uma vez mais) de uma injustiça atroz e conseguimos regressar da Madeira com os mais do que merecidos três pontos.

Não havia Ríos para este jogo, por isso a alteração feita em relação ao onze de Amesterdão foi a entrada do Rodrigo Rego para a direita, tendo o Aursnes regressado ao centro do terreno. O jogo foi dominado pelo Benfica do princípio ao fim, perante um Nacional cujo comportamento foi deplorável. Foi uma equipa completamente remetida à defesa, executando um hino ao anti-jogo, preocupada sobretudo em que se jogasse o mínimo possível. Só o guarda-redes 'lesionou-se' umas três ou quatro vezes durante o jogo. O Benfica, sobretudo durante a primeira parte, foi mais daquilo que tem sido muitas vezes esta época, para nosso exaspero. Muita posse de bola, muita circulação, mas má finalização/definição dos lances. Verdade seja dita que neste jogo chegámos muito mais vezes a zonas de finalização e rematámos muito mais - o que perante uma equipa completamente enfiada na área nem é assim tão surpreendente - mas a qualidade da finalização deixou sempre muito a desejar. Em quinze remates feitos na primeira parte, só um cabeceamento do Pavlidis à figura do guarda-redes e um remate exterior do Barreiro é que deram maior sensação de perigo. A regra foram mais finalizações como uma absolutamente desastrada do Aursnes, que à vontade à entrada da área rematou quase na direcção da bandeirola de canto (com o Pavlidis ainda a conseguir desviar a bola mais para perto da baliza). O mesmo Pavlidis ainda conseguiu introduzir a bola na baliza perto do intervalo, num lance de confusão e insistência na área do Nacional, mas estava adiantado no início da jogada.

Na segunda parte o Benfica continuou por cima e quando vi o Barreiro, completamente à vontade na pequena área, a falhar de forma inacreditável um desvio simples para a baliza depois do Sudakov lhe oferecer o golo numa bandeja, comecei a pensar mesmo que isto iria ser mais um daqueles jogos horrivelmente frustrantes. Ficou também um penálti claro (e estúpido) por assinalar a nosso favor, mas acho que isto já se tornou de tal forma a nossa normalidade que foi quase como se nada se tivesse passado. Após poucos minutos trocámos o Rego pelo Prestianni, mas o cenário familiar deste tipo de jogos continuava a compor-se: o Otamendi teve uma falha escandalosa na defesa, entregando a bola a um adversário quando tentávamos sair para o ataque, e apanhando a nossa defesa completamente descompensada, o Nacional chegou ao golo. Sem ter feito praticamente nada para o justificar, apanhava-se agora à frente no marcador. Se defender e não deixar jogar já era a palavra de ordem desde o apito inicial, é fácil adivinhar o que aconteceu a seguir. A reacção do Benfica foi imediatamente lançar o Ivanovic no lugar do Barrenechea, mas não me parece que a nossa equipa consiga tirar grande partido da dupla Ivanovic/Pavlidis. Minutos depois trocámos o Barreiro pelo Schjelderup, e foi sobretudo a partir desse momento que achei que começámos verdadeiramente a sufocar o Nacional. Dupla de meio campo Aursnes/Sudakov, com o ucraniano a assumir-se finalmente como organizador de jogo, alas bem abertos, laterais projectados. Ainda que os cruzamentos saíssem quase sempre mal, conseguimos jogar na largura total do campo, com a bola a circular rapidamente de um lado ao outro a causar mais dificuldades à defesa adversária. Apenas aos 89 minutos fomos finalmente recompensados, num golo fabuloso do Prestianni. Completamente descaído sobre a direita, e quando se esperaria que saísse um cruzamento, saiu em vez disso um remate cruzado fortíssimo e colocado ao poste mais distante. Um dos melhores golos desta época. Quando, para espanto meu, o árbitro concedeu nove minutos de compensação (mais do que justificados) percebeu-se que toda a gente acreditava que ainda seria possível ir buscar a vitória. Que surgiu com um golo do Pavlidis, que aos 95 minutos fez aquilo que o Barreiro não tinha conseguido, desviando na pequena área uma bola oferecida pelo Schjelderup após um bom trabalho na esquerda. Desta vez o 'crime' não compensou e o anti-jogo do Nacional acabou punido com justiça.

Gostei do jogo do Pavlidis, mas gostei também muito de ver o Sudakov, talvez pela primeira vez desde que chegou, nas funções de verdadeiro maestro da equipa. Normalmente joga sobre a esquerda (onde não gosto particularmente de o ver) ou quando jogou no meio, assume uma posição mais adiantada, quase ao lado do Pavlidis. Gostei de o ver mais recuado, atrás dos avançados, com o nosso jogo ofensivo a passar quase sempre pelos pés dele. Gostei também, como gosto sempre, de ver a equipa com dois extremos verdadeiros a jogar a toda a largura do campo. Contra equipas pequenas é assim que eu gostaria que o Benfica jogasse quase sempre. O Otamendi é o líder da equipa, mas voltou a cometer um erro grave. A quantidade de vezes que ele já comprometeu a equipa com este tipo de erros é imensamente superior às falhas que o António Silva também comete por vezes, mas é sempre o António quem leva mais na cabeça à menor falha.
O Benfica dos últimos vinte e cinco minutos estará certamente muito mais próximo do Benfica que quase todos nós ambicionamos ver. Apesar de continuar a ser preocupante passarmos por tantas dificuldades para vencer uma equipa tão inferior, tendo estado perto de, pela quarta vez esta época, desperdiçar dois pontos contra uma equipa deste nível, de positivo fica o facto da equipa nunca ter baixado os braços e ter acreditado até ao fim. A forma como a vitória foi festejada revelou uma forte união, e isso é sempre positivo. E depois de tantas desilusões e injustiças ao cair do pano, pelo menos desta vez fica o consolo de termos visto a justiça chegar no mesmo período de tempo. Já era tempo.
Mais uma vez não foi uma exibição de encher o olho, mas finalmente conseguimos a primeira vitória e os primeiros pontos nesta edição da Champions.

Depois da exibição pálida contra o Atlético na taça, regressámos com um onze mais ou menos esperado, com talvez apenas meia surpresa do Barreiro aparecer a titular como o jogador mais próximo do Pavlidis, cabendo ao Aursnes ocupar a direita, lugar que muito provavelmente voltará a ser dele durante algum tempo face à lesão prolongada do Lukebakio. O Benfica entrou bem no jogo. Boa pressão sobre a saída de bola do Ajax, que permitiu algumas recuperações subidas da bola. E melhor ainda, chegámos ao golo muito cedo. Aos seis minutos de jogo, após canto na direita, o Ríos cabeceou para uma boa defesa do guarda-redes e depois sobre a esquerda, perto do limite da área, o Dahl apanhou a bola de primeira para fazer um remate imparável ao ângulo do lado oposto. Uma boa maneira de se redimir do erro grosseiro que nos custou o jogo anterior contra o Leverkusen. O problema foi que depois voltou aquela faceta mais irritante que acompanha o Benfica de há vários anos a esta parte. Não sei se a equipa acha que já fez o suficiente, mas obtida a vantagem, em vez de continuar no mesmo registo à procura de mais um golo, começamos imediatamente a tirar o pé e a reduzir a intensidade. Durámos quinze minutos neste jogo. Frente a uma equipa que atravessa um dos piores momentos da sua história, e que à entrada para este jogo era aquela com o pior registo na Champions, depois de marcarmos um golo madrugador que certamente terá abanado ainda mais a confiança de uma equipa nestas condições, começámos a recuar e a convidar o adversário a atacar, dando-lhes a bola e a iniciativa do jogo. O Ajax aproveitou e teve o controlo do jogo até ao intervalo, sem que o Benfica desse grande sinal de reacção no ataque. O Trubin nem foi obrigado a trabalho de monta, mas a bola andou constantemente a rondar a nossa área.

Na segunda parte isto foi ainda mais evidente, e só não sofremos o empate porque o Ajax entreteve-se a mostrar porque motivo está num momento tão mau e no fundo da tabela da Champions. Isto incluiu ver um jogador completamente sozinho em frente à baliza atirar uma bola para fora. A segunda parte foi basicamente isto: o Ajax constantemente com a bola e a tentar atacar, e o Benfica preocupado em segurar apenas a vantagem e com muito pouca presença no ataque. Do banco, não vieram sinais de vida até cerca de dez minutos do final. E quando vieram, apenas reforçaram a mensagem de que a prioridade era segurar o resultado: trocámos o Sudakov pelo Tomás Araújo, para passar a jogar com três centrais. Contas feitas, cinco defesas, quatro médios defensivos e um avançado. Mas embora eu tivesse pensado na altura que apenas estávamos a convidar ainda mais a pressão adversária, a verdade é que com esta alteração conseguimos praticamente estancar o caudal ofensivo do Ajax. E no último minuto do tempo regulamentar matámos mesmo o jogo: alívio do Tomás Araújo, e o Barreiro no meio campo teve espaço e tempo para parar a bola no peito e tabelar com o Aursnes, ultrapassando a linha subida de defesa do Ajax e ficando isolado em frente ao guarda-redes, Depois finalizou bem com um remate forte de pé esquerdo. Nos instantes finais, de assinalar o regresso do Manu, e a estreia do Rodrigo Rego na Champions.

Tenho dificuldade em escolher um destaque. Talvez o Barreiro pelo golo decisivo e pelo trabalho durante os noventa minutos. E o Aursnes não sabe jogar mal. Confesso também ainda não estar convencido pelo Barrenechea. Acho-o pouco intenso em termos defensivos, e tendo em conta as críticas incessantes ao Florentino pelos constantes passes laterais ou para trás, acho que o Barrenechea não faz menos passes do mesmo género.
Tenho dúvidas que ainda estejamos a tempo de conseguir a qualificação para o playoff, mas pelo menos já nos livrámos do peso que o estigma dos zero pontos acarretavam. Pode ser que isso permita uma exibição menos tensa frente ao Nápoles, que voltará a ser um jogo absolutamente decisivo para manter uma réstia de esperança na qualificação. Antes disso, uma deslocação à Madeira que, como são todos os jogos agora que os seis pontos que deitámos fora são aqueles que nos separam do primeiro lugar, é decisiva para as nossas aspirações na liga.
Mais um empate inaceitável em casa contra uma equipa de nível muitíssimo inferior. Mesmo sendo uma competição em que as regras não são iguais para todos, o Benfica tem a obrigação de fazer muito mais e melhor do que isto, e é o principal culpado pelo resultado final.

Do jogo, já se torna repetitivo estar sempre a escrever o mesmo. É o Benfica com obrigação total de ganhar, frente a uma equipa que entra em campo só para defender. A entrada não foi má, pelo menos no que diz respeito ao ritmo que tentámos impor no jogo, mas mal chegámos ao golo, aos dezassete minutos, fiquei logo com a sensação de que tirámos o pé do acelerador. O golo, por sinal, foi bastante bonito, com o Pavlidis a matar no peito e a assistir de cabeça para o Sudakov rematar de primeira e em arco com o pé esquerdo. O Casa Pia, apesar da ronha dos nossos jogadores, foi completamente inofensivo e saímos para intervalo a ganhar mas com a certeza de que seria necessário marcar mais para evitar os filmes do costume. Ao intervalo trocámos o Berrenechea pelo Prestianni e voltámos outra vez com um pouco mais de intensidade, que foi recompensada à hora de jogo, num penálti convertido pelo Pavlidis após mão na bola a um cabeceamento do Ríos. Poder-se-ia pensar que estaria tudo encaminhado, mas nunca se pode menosprezar a atracção pelo abismo que a nossa equipa tem. Cinco minutos depois do golo, o Casa Pia subiu talvez pela primeira vez no jogo à nossa área e a equipa de arbitragem inventou um penálti (contra as recomendações existentes, que dizem que quando a bola ressalta do corpo de um jogador para o braço não se deve assinalar penálti). OK, não deveria ser penálti, mas o nervosismo que isto provocou na equipa não é normal. Pior foi quando o Trubin defendeu o penálti e, sem qualquer explicação racional, o Tomás Araújo chegou primeiro à bola e mandou um estouro para a própria baliza. E ainda pior foi a reacção a isso. O Benfica ficava a vencer por 2-1, mas a mim pareceu-me que para o Tomás Araújo o empate já era uma desfecho inevitável. O nervosismo conseguiu ir aumentando cada vez mais (repito, sem qualquer motivo racional para tal, porque o Casa Pia era uma equipa completamente inofensiva que não ameaçava a nossa baliza de forma alguma; isto não foi um jogo como aquele com o Gil Vicente, que merecíamos ter perdido) e ficou ainda pior quando a nove minutos do final tivemos um golo (bem) anulado ao Barreiro. Não sei se a bola cabeceada pelo Ríos entraria na mesma, mas já não é a primeira vez que o Barreiro 'invalida' golos com este tipo de movimentação ao segundo poste, desviando a bola quase em cima da linha. E depois, como um filme com um guião feito de chavões, em tempo de descontos o Ríos perde de forma absolutamente desnecessária a bola a meio campo e fica à espera de uma falta, enquanto a nossa defesa parecia um grupo de baratas tontas em pânico por a bola se aproximar, pela segunda vez no jogo, da nossa baliza. Terminou com o Trubin a interceptar um cruzamento que seguia directamente para os pés do Tomás Araújo (se calhar ficou com medo que ele resolvesse chutar para a própria baliza outra vez) e a deixar a bola solta à entrada da pequena área para que um adversário fizesse o empate.

O Benfica esta época perdeu oito pontos, seis dos quais em casa, fruto de três empates com equipas da parte baixa da tabela. Não há candidatura ao título que resista a isto. Ainda por cima quando em todos esses três jogos, o golo do empate foi consentido em período de descontos. Isto revela a falta de controlo emocional da equipa. Isto não é de hoje nem de ontem: há muito tempo que revelamos uma enorme incapacidade (ou falta de vontade) para matar ou fechar jogos em que somos claramente superiores durante a maior parte do tempo, e depois ficamos expostos a reveses quando o nervosismo vem ao de cima à menor contrariedade. Eu na maior parte das vezes chamo-lhe sobranceria, mas também se lhe pode chamar falta de empenho ou de brio. No Benfica nunca pode existir o conceito de 'já chega' ou 'é suficiente'. Sim, os dados estão viciados, as regras não são iguais para todos, o que se passou fim-de-semana foi apenas mais um exemplo daquilo que já é quase rotina, mas estamos mais do que fartos de saber isso. A final da taça da época passada deixou exposto de forma bem clara qual é o status quo actual do nosso futebol (para mim, pessoalmente, foi um momento pivotal, comparável à Supertaça que nos foi roubada em 1995). Precisamente por isso é que me custa aceitar que há tantos anos mantenhamos esta absoluta falta de killer instinct, insistindo em ficar à mercê de azares, erros próprios, ou artistas com uma agenda própria e que sabem quais as melhores decisões a tomar para progredir na carreira. Podemos e devemos fazer (muito) barulho pelos disparates com que vamos sendo presenteados sucessivamente por artistas de encomenda - aliás, fazer apenas barulho não chega, é preciso lutar para varrer a corja que aproveitou para se instalar nos lugares de decisão das estruturas do futebol português, perante a nossa indiferença, tolerância ou até mesmo, e nunca é demais repeti-lo, com o nosso incompreensível e inexplicável apoio - mas se não fizermos ainda mais barulho para corrigir a má atitude e mentalidade de quem defende as nossas cores e veste a nossa camisola, continuaremos cada vez mais expostos e à mercê de quem quer o nosso mal.
Derrota absolutamente ridícula contra um adversário que veio à Luz jogar como qualquer equipa pequena do nosso campeonato faz: defender, queimar tempo de forma deliberada e evidente, e esperar pelo brinde que o Benfica inevitavelmente oferece. Fomos claramente a melhor equipa, fizemos mais do que o suficiente para vencer, mas perdemos o jogo de forma infantil.
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Sem me querer alongar muito, porque a Champions parece ser nesta fase cada vez mais uma causa perdida: duas bolas nos ferros, outras tantas ou mais ocasiões flagrantes falhadas, e quem desperdiça da forma como o fizemos esta noite e ainda por cima oferece brindes na defesa do calibre do que oferecemos esta noite, só pode mesmo esperar derrotas. Ter três situações na cara do guarda-redes e marcar zero golos é estar a pedir problemas. Depois começa tudo a pesar, a necessidade absoluta de uma vitória, o arrastar do nulo, e os erros vão-se acumulando. O pior deles todos, a oferta do golo da vitória ao adversário. O Trubin defende o primeiro remate e, sem qualquer justificação para isso, o Dahl do lado oposto devolve a bola de cabeça precisamente ao autor do primeiro remate, numa assistência que qualquer jogador do Leverkusen gostaria de fazer, que fez a bola ir cair milimetricamente na cabeça do adversário. Nervos ainda mais à flor da pele depois do golo, e apesar de acarregarmos muito com o coração, faltou a tradicional cabeça e os lances foram cada vez mais desconexos. O melhor jogador do Benfica esta noite (e até me sinto esquisito a escrever isto) foi o Ríos. Bem a pressionar, a recuperar, a passar, e no transporte da bola, ultrapassando com velocidade as linhas adversárias. Se este Ríos viesse para ficar, poderia ser um reforço importante. Contas feitas, quatro jogos, quatro derrotas, zero pontos, penúltimo lugar, e objectivamente a campanha europeia tem o destino quase traçado. Arrisco até dizer que, face ao calendário que nos resta, não será fácil o Benfica conseguir ganhar algum jogo. Porque este Leverkusen foi claramente inferior e mesmo assim conseguimos perder em casa. É uma derrota muito imerecida porque jogámos mais do que o suficiente para ganhar este jogo, mas o que conta são os zero pontos amealhados.
Estamos a confirmar o adágio de que aquilo que nasce torto tarde ou nunca se endireita: a derrota no primeiro jogo, face ao Qarabag, provavelmente vai acabar por ser o marco decisivo em toda a campanha europeia desta época.
Era uma deslocação difícil, como são em teoria todas as visitas ao Vitória em Guimarães, mas o Benfica acabou por passar no teste com distinção e arrancar uma vitória por números esclarecedores.

Depois da experiência frente ao Tondela, regressámos à fórmula apresentada frente ao Arouca, que tinha melhores resultados. A combatividade faz parte do ADN do Vitória, e portanto logo na fase inicial assistimos a uma tentativa de jogar com linhas subidas e ser agressivo na pressão por parte do nosso adversário, o que acabou por nos causar dificuldades. Não no aspecto de sermos dominados, porque a verdade é que o Vitória praticamente não criou uma ocasião flagrante de golo (a melhor que criou foi numa situação em que o seu avançado estava em posição claramente irregular), mas o Benfica não conseguiu assentar o seu jogo e ser consistentemente perigoso no ataque. As chegadas à área do Vitória eram esporádicas e pareceu-me que explorámos pouco o lado direito, acabando por ser o Prestianni quem foi mais vezes solicitado e apareceu envolvido em situações de maior perigo para o Vitória. No geral, pareceu-me que apesar de pouco esclarecido, ainda assim o Benfica foi superior durante a primeira parte (não sei mesmo que jogo é que o treinador do Vitória terá visto) mas faltava ser muito mais incisivo no ataque para poder ambicionar chegar à vantagem e vencer este jogo. Nos minutos finais da primeira parte, no espaço de três ou quatro minutos ficámos com três jogadores amarelados (Pavlidis, Sudakov e Prestianni) e isto poderá também ter influenciado as escolhas do nosso treinador ao intervalo.

Não houve aquela coisa tão típica de voltar igual na segunda parte e dar mais um tempo para ver se a coisa muda; após o intervalo o Prestianni (que conforme disse, até tinha sido dos mais perigosos do Benfica na primeira parte) e o Sudakov (mais um jogo apagado) já não regressaram, e nos lugares deles vieram o Schjelderup e o Barreiro. E e verdade é que o Mourinho acertou em cheio, porque o Benfica regressou transfigurado. O Barreiro, que em teoria é um médio de características mais defensivas, mostrou muito mais chegada à área do que o Sudakov e foi um parceiro muito mais presente para o Pavlidis. O Schjelderup, em vez de andar a perder-se em iniciativas individuais como habitualmente, teve sempre a preocupação de jogar para a equipa e acabou por proporcionar inúmeras situações de finalização para os colegas. E a direita do ataque passou a ser muito mais solicitada, onde o Lukebakio, a exemplo do Schjelderup na esquerda, teve quase sempre a preocupação de servir os colegas na área. Nos primeiros oito minutos o Benfica teve logo quatro situações flagrantes para marcar: cruzamento do Lukebakio, cabeceamento do Barreiro para defesa por instinto do guarda-redes, com o Pavlidis a falhar a recarga para a baliza vazia, de ângulo já apertado; cabeceamento do Ríos, depois de novo cruzamento do belga num canto à maneira curta, com a bola a passar ao longo da baliza e a tirar tinta ao poste; livre do Lukebakio, defesa apertada do guarda-redes para canto; e finalmente na sequência desse mesmo canto (marcado, obviamente, pelo Lukebakio) o Tomás Araújo apareceu a saltar à vontade no primeiro poste para cabecear para o golo. Foi o culminar lógico de um assalto constante à baliza do Vitória. E não demos sequer oportunidade para reacção ao adversário; foi bola a meio campo e o Benfica a voltar ao ataque. Depois, dois minutos a seguir ao golo o Vitória ficou reduzido a dez e tudo ficou ainda mais fácil. Não houve nenhum tipo de gestão de resultado, simplesmente passámos o resto do jogo a atacar e a construir ocasiões de perigo, podendo o resultado ter sido ainda mais dilatado. Marcámos mais dois golos, o primeiro deles aos sessenta e dois minutos pelo insuspeito Dahl, que apareceu na área a recolher uma bola que o Barreiro tinha sido incapaz de desviar após cruzamento do Aursnes, e descaído para a esquerda rematou forte para o golo, com a bola ainda a tocar na trave. O terceiro aos oitenta e sete, quando o Schjelderup ofereceu mais uma oportunidade de finalização aos colegas, desta vez ao Barrenechea, que rematou à entrada da área para defesa do guarda-redes (pouco antes, da mesma zona, tinha estado muito perto de marcar, sendo negado pelo guarda-redes) e o recém-entrado João Rego apareceu junto ao poste direito a fazer a recarga.

O homem do jogo foi para mim o Lukebakio, que naquele reinício de jogo arrasador do Benfica esteve em todas. É o principal desequilibrador que o Benfica tem no plantel, e quando coloca isso ao serviço da equipa, os resultados estão à vista. Muito boas entradas no jogo do Barreiro e do Schjelderup, que ajudaram a mudar o jogo. Já tinha dito que no jogo com o Arouca o Dahl tinha estado bastante melhor, e neste jogo voltou a estar. Está a fazer aquilo que os benfiquistas esperam que um lateral faça no Benfica: que seja um apoio constante ao ataque, e parece que finalmente começa a perceber isso e que tem que ser muito mais agressivo nas subidas no terreno. Desta vez foi recompensado com um golo, pode ser que isso o motive a continuar. Jogo também bastante positivo do Barrenechea, e cada vez mais parece que o António Silva terá dificuldade em recuperar o lugar (embora vá quase de certeza jogar já no próximo jogo, já que o Otamendi terá que cumprir suspensão).
Segue-se novo jogo com vitória mandatória, sob pena de arrumarmos as nossas aspirações europeias. Para que tal aconteça, precisamos do Benfica que apareceu no início da segunda parte. As minhas expectativas para o Benfica do Mourinho nunca foram e continuam a não ser de futebol espectáculo. Mas espero uma equipa tacticamente organizada e em que cada jogador saiba exactamente o que fazer em campo, e isso parece-me estar progressivamente a acontecer. Além disso, agrada-me a capacidade que tem para ler o jogo e a forma muito clara e objectiva como depois consegue sempre explicar e justificar as opções que toma. Na primeira passagem do Mourinho pelo Benfica foi precisamente em Guimarães que eu achei que a equipa tinha dado o chamado 'clique', quando lá fomos golear por 4-0 com um hat trick do João Tomás. Pode ser que a história se repita.
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