VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Épico

Épico, memorável, incrível, inacreditável, há vários adjectivos para descrever o que aconteceu ontem à noite na Luz. Os astros alinharam-se perfeitamente e aquilo que parecia uma tarefa praticamente impossível acabou mesmo por acontecer, com o Benfica a qualificar-se para o playoff da Champions League contra todas as probabilidades, com um final digno de filme.

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Sem Rafa ou Sidny ainda disponíveis, foi com agrado mas alguma surpresa que vi o Benfica apresentar o onze disposto em 4-2-3-1, com os extremos Schjelderup e Prestianni - ainda pensei que, tendo em conta que o adversário era o Real Madrid, optássemos por algo mais conservador com a entrada de mais um médio para que o Barreiro regressasse à posição mais perto do avançado e o Sudakov à esquerda. Em boa hora não o fizemos, porque os dois extremos acabaram mesmo por ser dois dos destaques na exibição do Benfica, que realizou uma primeira parte digna das melhores memórias europeias do clube. O Real Madrid pareceu entrar com vontade de dominar, mas depressa se viu um Benfica muito agressivo e acutilante, a mostrar que tinha tudo para ferir o gigante espanhol. E depressa também nos vimos empenhados na tarefa em que somos uma espécie de especialistas: desperdiçar oportunidades de golo. A quantidade de situações claras de golo criadas pelo Benfica na primeira parte dariam para chegar ao intervalo facilmente a golear. O Tomás Araújo deu o pontapé de saída no desperdício, para o Pavlidis logo a seguir desperdiçar também. Depois o mesmo Pavlidis, colocado em frente ao Courtois, controlou mal a bola e deixou-a fugir pela linha de fundo sem sequer finalizar. A seguir houve penálti assinalado sobre o Prestianni, que o VAR acabou por reverter - na minha opinião bem, mas fiquei com muitas dúvidas no lance ocorrido imediatamente antes em que o mesmo Prestianni me pareceu claramente derrubado ou na área, ou mesmo no limite da mesma, sem que nada fosse assinalado. O jogo seguia desenfreado e mais uma vez o Prestianni em destaque, aparecendo pela esquerda para rematar cruzado, com a bola a seguir para o ângulo mas o Courtois fez uma defesa fantástica, tocando na bola com a ponta dos dedos e conseguindo desviá-la para a barra. Tudo isto aconteceu dentro dos primeiros vinte minutos - o Real Madrid pareceu ser quase sempre vulnerável nas alas, e o Benfica conseguia criar perigo com lançamentos longos a explorar a profundidade nas mesmas (em especial na direita) e a mobilidade e constantes trocas de posição entre os jogadores da frente davam uma dinâmica muito forte ao nosso ataque, onde o Prestianni jogava com grande liberdade, aparecendo frequentemente em zonas centrais, para onde arrastava o Carreras e permitia abrir a ala para as subidas do Dedic. Mais um remate do Sudakov à malha lateral (podia ter tentado assistir o Pavlidis no meio) e depois, à meia hora de jogo, o velho adágio de quem não mata, morre a confirmar-se mais uma vez. Contra jogadores da qualidade do Mbappé basta dar-lhes meia oportunidade: o cruzamento veio da esquerda e do outro lado o Mbappé antecipou-se facilmente ao Dedic e finalizou de cabeça.

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Um murro forte no estômago para um Benfica que nessa altura justificava estar claramente na frente do marcador. Mas depois de um par de minutos atordoado, o Benfica reagiu da melhor forma. Bastaram seis minutos para repôr a igualdade, sem grande surpresa em mais um lance nascido pela ala. Grande passe do Prestianni a lançar o Pavlidis pela direita, este deixou o marcador directo no relvado e fez o centro perfeito para o Schjelderup, que surgiu na área após uma correria desenfreada desde lá de trás e perante o Courtois finalizou de cabeça. Obtido o empate, altura de regressar à árdua tarefa de desperdiçar golos que dificilmente alguém desperdiçaria. Logo a seguir, passe longo do Trubin directamente para o Dedic subir pela direita, este foi até à área e tentou finalizar com um remate cruzado que foi bloqueado por um defesa, com a bola a acabar por sobrar para o Schjelderup. Com apenas um defesa sobre a linha de golo, o norueguês finalizou de pé esquerdo e conseguiu acertar precisamente no defesa, para depois a recarga do Aursnes ser desviada para canto. Na sequência do mesmo, desvio de cabeça por um defesa ao primeiro poste e o Barreiro a aparecer completamente sozinho ao segundo e de baliza aberta cabecear ao lado. Era quase impossível que tanto desperdício, em especial contra uma equipa como o Real Madrid, não acabasse fortemente penalizado, mas o Benfica continuou a insistir. Mais um remate cruzado perigoso do Dedic, que fez quase o que quis pelo seu lado, e já em período de compensação conquistámos um pontapé de canto, na sequência do qual houve penálti assinalado sobre o Otamendi. O Pavlidis até nem marcou da forma habitual (em vez de um remate forte e colocado, rematou para o meio da baliza) mas a bola entrou e isso é o que interessa, permitindo ao Benfica ir para o intervalo justamente na frente do marcador, mas com o amargo de boca de ser um resultado claramente curto para aquilo que o Benfica tinha produzido até então, deixando-nos completamente à mercê de uma recuperação do Real Madrid.

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O Real Madrid voltou (estranhamente tardio) do intervalo com uma postura mais dominadora, com o Rodrygo no lugar do Mastrantuono a dar mais acutilância sobre a nossa esquerda e o Camavinga no lugar do amarelado Tchouameni (que não sei como escapou ao segundo amarelo no penálti que cometeu) conseguindo ter mais bola do que na primeira parte e obrigando o Benfica progressivamente a recuar mais as linhas. Mas para não variar, foi do Benfica o primeiro grande desperdício, decorridos sete minutos: recuperação alta da bola depois de uma boa pressão dos dois noruegueses e o Pavlidis apareceu sozinho em posição frontal à baliza, tendo também o Schjelderup solto ao lado dele. Só que a finalização do grego foi uma desilusão, rematando directamente para as mãos do Courtois, que se limitou a encaixar a bola. Dois minutos depois, meia redenção, já que depois de mais um contra-ataque após recuperarmos a bola à entrada da nossa área o Pavlidis (nota para o grande passe do Prestianni que encontrou o Pavlidis na zona central) soltou a bola na esquerda para o Schjelderup que, deixado um para um com o Asencio, fez a sua jogada típica de puxar para o meio e rematar, com a bola a entrar muito colocada junto à base do poste mais próximo. Segundo do norueguês e um bom golo, a mostrar neste jogo que pode ser mais uma opção muito válida numa altura em que continuam a falar na sua saída. O terceiro golo já dava uma expressão um pouco mais justa ao resultado, mas não tivemos tempo sequer para apreciar a vantagem. Apenas quatro minutos depois o Real Madrid voltava a reduzir, num grande trabalho do Güler na esquerda (deixou o Dahl nas covas) para depois colocar a bola na marca de penálti, onde o Mbappé completamente sozinho fez o que se espera de um jogador com a qualidade dele e finalizou de primeira, completamente fora do alcance do Trubin.

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Entretanto, os vários resultados que ao intervalo nos eram completamente desfavoráveis iam-se alinhando, e a meio da da segunda parte chegámos a entrar na zona de apuramento. Mas depois isso mudou e caímos precisamente para o 25º lugar, mesmo às portas da qualificação, sendo progressivamente mais evidente que faltaria marcar mais um golo para nos apurarmos, sobretudo porque o atraso no reinício da segunda parte significava que os outros jogos iam acabando antes do nosso. Aparentemente essa mensagem não chegou ao banco ou à equipa, porque o Benfica parecia cada vez mais interessado em segurar apenas a vitória e jogava sem qualquer urgência. Ainda tivemos uma enorme ocasião de golo a seis minutos do final, quando o Schjelderup, agora sobre a direita, assistiu o Barreiro para um desvio já na pequena área à queima-roupa que o Courtois parou com uma grande defesa, mas a prioridade era mesmo segurar o resultado. Tivémos então uns minutos finais de compensação que foram uma montanha-russa de emoções. O Real Madrid conseguiu ter dois jogadores expulsos já nesta compensação, o Benfica precisava de mais um golo e o público da Luz cantava 'só mais um!', mas o banco e a equipa não estavam em sintonia e fazíamos duas substituições no período de compensação para queimar tempo, enquanto o Trubin ia retardando a reposição da bola em jogo. Até que já na compensação das compensações (no sétimo minuto dos cinco que tinham sido dados) lá caiu a ficha e o Otamendi foi mandado para a frente. O jogo estava mesmo prestes a acabar e o Aursnes conquistou uma falta a meio do meio campo do Real Madrid, sobre a direita. Agora perfeitamente cientes da situação e com todos os outros jogos já terminados, o Mourinho mandou o Trubin subir até à área. Objectivamente, a situação era muito favorável ao Benfica: o Real Madrid tinha menos dois jogadores em campo, e sabendo que precisava do empate para terminar entre os oito primeiros deixou três jogadores na frente. Com mais um a fazer uma pseudo-barreira, isto significou que tinham apenas quatro jogadores na área a defender a bola parada, enquanto o Benfica tinha oito - só não estavam o Aursnes, o marcador do livre, e os dois laterais que tiveram que ficar a defender contra os três jogadores que o Real Madrid deixou adiantados. Mas na altura nem me apercebi do quão desequilibrada a situação era. Era a última jogada do encontro, e duvido que alguém tenha sequer pensado que aquilo que acabou por acontecer era um cenário realista. O cruzamento do Aursnes saiu perfeitinho em arco para a zona da marca de penálti, e o gigante Trubin saltou mais alto que toda a gente e sacou um cabeceamento tecnicamente perfeito para o golo. Duvido aliás que qualquer outro jogador do nosso plantel, à excepção do Otamendi, conseguisse cabecear de forma tão perfeita. A Luz explodiu naturalmente, loucura total, até porque o árbitro acabou imediatamente o encontro. Um misto de alegria, euforia e incredibilidade perante aquilo que os nossos olhos tinham acabado de ver. Acho que isto terá sido mesmo o momento mais épico da história da nova Luz, na minha opinião pessoal superando até aquele que até agora era o meu momento preferido (o golo do André Gomes ao Porto).

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Só por este momento o Trubin é o homem do jogo. Daqui a muitos anos os benfiquistas hão-de dizer que estavam lá quando viram o nosso guarda-redes marcar de cabeça, no último segundo, um golo ao Real Madrid que nos apurou para a fase seguinte da Champions. Em todos os anos que levo a ver o Benfica, não me recordo de alguma vez ter visto isto acontecer. Em relação ao resto, toda a equipa esteve muito bem. Gostei mesmo muito do jogo dos nossos dois extremos. O Schjelderup marcou dois golos e foi justamente eleito o melhor em campo, mas o Prestianni, apesar de não ter marcado ou assistido, fez um jogo brutal. As movimentações dele, os passes que fez e as jogadas em que participou foram um dos principais motivos para a enorme dinâmica do nosso ataque e o volume de oportunidades criadas. O Dedic foi um dos que mais aproveitaram as movimentações do argentino e em especial durante a primeira parte foi uma autêntica locomotiva pelo seu lado. O Pavlidis marcou de penálti mas esteve pouco feliz na finalização, redimindo-se com as duas assistências para os dois golos do Schjelderup.

 

Contra todas as probabilidades o Benfica acabou mesmo por apurar-se, dando razão ao Mourinho quando continuava a afirmar que enquanto fosse possível continuaríamos na luta. Não ganhámos nenhum título com esta vitória, mas com o resultado e exibição ganhámos certamente uma nova crença, de que esta equipa tão necessitada anda, e renovámos a comunhão entre equipa e adeptos - já há muito tempo que não sentia um ambiente na Luz como o de ontem à noite. Provavelmente nem vamos ganhar nada esta época, mas já escrevi aqui que para mim seria importante dar continuidade ao que se está a construir agora, em vez de começar tudo de novo no Verão. A noite de ontem pode muito bem ser um grande passo no início de algo especial.

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publicado por D'Arcy às 11:47
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026

Reforços

Vitória folgada e exibição agradável contra o Estrela da Amadora, a melhor maneira de sossegar alguns ânimos numa altura em que parece que voltámos a ver muita vontade em dirigir o clube de fora para dentro.

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Algumas mudanças no onze, a mais surpreendente delas a titularidade do ainda júnior (17 anos) Daniel Banjaqui na direita da defesa. As outras mudanças foram as entradas do António Silva, Barrenechea e Sidny, saindo da equipa o Tomás Araújo, Barreiro e Schjelderup. O jogo até nem começou da melhor maneira: o Otamendi resolveu despachar logo o assunto de dar pelo menos uma enorme casa por jogo, e ao fim de um minuto já tinha feito um mau atraso para o Trubin, valendo depois o António Silva para evitar o pior. Mas depois o Benfica pegou naturalmente no jogo, perante um Estrela extremamente faltoso que logo nos primeiros minutos ficou a perceber a permissividade da arbitragem para jogar assim mesmo - uma placagem sobre o Sudakov valeu um daqueles avisos altamente pedagógicos por parte do árbitro, que surtiu enorme efeito, já que apenas fizeram 24 faltas durante o jogo. Imagino quantas teriam sido sem esse aviso inicial. O Benfica criou uma grande ocasião de golo ainda na fase inicial, pelo Aursnes, que a passe do Sidny acabou por não conseguir acertar na baliza já na pequena área, tendo como atenuante a saída rápida do guarda-redes para fazer a mancha, mas depois disso voltou a revelar dificuldades em converter o claro ascendente no jogo em ocasiões de perigo junto da baliza adversária. Um livre directo marcado pelo Sidny foi das poucas excepções à monotonia. Sudakov extremamente complicativo, tal como o Prestianni, e na direita o jovem Banjaqui conseguia ser muito mais atrevido no apoio ao ataque do que  o Dahl do outro lado, já que o sueco foi demasiado contido no apoio ao ataque, aparecendo apenas já no período de compensação na área para fazer um remate que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa. Muitas vezes vi o Benfica sem qualquer presença na área, já que o Pavlidis acabava por recuar muito para vir buscar jogo. Quando o nulo ao intervalo já começava a parecer uma realidade, um pontapé de canto marcado na direita pelo Sidny permitiu ao Pavlidis, bem no meio da área, com um bom cabeceamento fazer o primeiro golo.

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Para a segunda parte veio o Barreiro no lugar do Barrenechea (com clara falta de ritmo tinha sido um dos piores na primeira parte, em que ainda por cima viu um amarelo) e o Benfica foi mais dinâmico, tendo rapidamente resolvido o jogo. No espaço de três minutos (55 e 58 minutos) o Benfica fez dois golos e acabou com quaisquer dúvidas. O primeiro golo foi do Pavlidis, de penálti, depois de um pisão claro sobre o Sidny. O grego converteu da forma a que nos habituou, com um tiro imparável ao ângulo, levando a bola ainda a tocar nos ferros da baliza. O segundo nasce num pontapé longo do Trubin, que um defesa do Estrela cabeceou de forma imperfeita permitindo que o Sidny se isolasse descaído sobre a esquerda, e perante o guarda-redes finalizasse com facilidade. A partir daqui o Benfica limitou-se a gerir o jogo com facilidade. Logo a seguir trocámos o complicativo Prestianni pelo Schjelderup, trocando o Sidny para a direita. Aos setenta e dois minutos, tempo para o regresso do Rafa ao relvado da Luz (saiu finalmente o Sudakov, que esteve demasiado tempo em campo) e também para a estreia esta época na Liga do Diogo Prioste, que só peca por tardia. Não foi a estreia absoluta, porque a época passada já tinha feito uns minutos, mas desta vez teve mais alguns minutos de jogo. Na minha opinião, aquilo que o vejo fazer na equipa B justifica perfeitamente que tenha algumas oportunidades na equipa principal em situações destas, porque não o acho inferior a outros jogadores pelos quais pagamos milhões. Finalmente, a sete minutos do final foi dada a oportunidade a outro júnior de 17 anos, recentemente campeão do mundo nesse escalão, para se estrear. O Anísio Cabral entrou e um minuto depois, julgo que no primeiro toque que deu na bola, marcou e proporcionou um dos momentos altos da noite. O cruzamento veio do Banjaqui na direita, ainda desviou ligeiramente num defesa, mas o Anísio antecipou-se ao marcador directo e colocou bem a bola de cabeça fora do alcance do guarda-redes. Foi um final em beleza para o jogo, que até acabou precocemente. Num jogo com tantas interrupções provocadas pelas inúmeras faltas do Estrela, o árbitro repetiu aquilo que começa a tornar-se um péssimo hábito, que é quando o Benfica está a ganhar confortavelmente um jogo não se cumprirem as instruções e não dar o devido tempo de compensação. Nem um minuto foi dado. Não fosse, sei lá, o Benfica aproveitar para marcar mais algum golo.

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O homem do jogo foi o Sidny. Marcou o canto para o primeiro golo, sofreu o penálti para o segundo e marcou o terceiro. Seria difícil ser mais influente. Não me parece que seja tecnicamente impressionante, mas é um jogador bastante vertical, que joga indiferentemente com os dois pés, e parece ser uma opção válida para as bolas paradas. O Pavlidis não fez um jogo exuberante mas marcou dois golos, o que é sempre importante. Principalmente porque, depois de ficar três jogos sem marcar, já andava por aí muita gente na comunicação social a tentar desancá-lo. É destacadamente o melhor marcador da equipa, desde o Eusébio que um jogador do Benfica não fazia tantos golos num ano civil, é o melhor marcador da Liga, mas arranja-se sempre uma desculpa para bater num jogador do Benfica. Gostei muito do jogo do Banjaqui, que apenas dá força à teoria de que quando falta algum titular se calhar a melhor opção seria dar uma oportunidade a um jovem, em vez de andar a adaptar jogadores. Em relação ao Rafa, escrevo-o já aqui claramente: sempre gostei dele, é um dos jogadores mais marcantes do Benfica neste século e, acima de tudo, acrescenta qualidade ao plantel. Não tenho absolutamente problemas nenhuns com o seu regresso.

 

Com cada vez menos para jogar esta época, no fundo é mais ou menos isto que eu espero que façamos e que ainda me pode despertar interesse nos jogos do Benfica. Dar oportunidades aos jogadores da formação, e ir preparando e construindo a equipa para o futuro. O jogo de ontem teria sido apenas mais uma vitória normal e esperada do Benfica, que de uma forma ou de outra teria grande probabilidade de acontecer. O que acabou por fazê-lo um pouco mais especial foi mesmo a participação destes 'reforços' que temos em casa. Não vamos fazer deles já uns prodígios, mas seria bom que conseguíssemos pelo menos fazer um hábito olhar para estes jogadores como opções válidas em vez de ir a correr gastar dinheiro noutros, às vezes até com a mesma idade, mas que jogam lá fora.

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publicado por D'Arcy às 12:11
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

Pedra

Sobrevivemos por duas vezes, mas à terceira caímos. A derrota frente à Juventus coloca praticamente uma pedra sobre o assunto do apuramento para a próxima fase da Champions.

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Entrámos em campo com exactamente o mesmo onze de Vila do Conde. Fizemos uma boa primeira parte, com  uma boa dinâmica e na qual até achei que fomos ligeiramente superiores à Juventus, mas não conseguimos materializar isso em golos. Depois na segunda parte ainda entrámos bem, mas começámos a revelar demasiadas fragilidades na defesa. Já depois do Trubin ter evitado um golo quase certo, acabámos mesmo por sofrer um golo relativamente cedo que imediatamente desequilibrou fortemente o jogo a favor da Juventus. Uma jogada na qual revelámos demasiada permissividade pelo meio, com o Tomás Araújo a ficar particularmente mal na fotografia. E como uma vez não era suficiente, voltámos a sofrer novo golo pouco depois, e uma vez mais numa jogada pelo meio em que a equipa me pareceu uma vez mais demasiado macia na abordagem ao lance. Obviamente que o jogo ficou praticamente resolvido ali, apesar de uma reacção do Benfica que incluiu uma bola no poste, enviada pelo Aursnes na sequência de um pontapé de canto (também levámos com uma, desviada pelo Trubin para evitar um autogolo do Dedic). Para compor uma noite péssima, a dez minutos do final beneficiámos de um penálti que poderia ainda lançar alguma incerteza no resultado, mas o habitualmente infalível Pavlidis escorregou na altura do remate e atirou a bola para a bancada.

 

Conforme se temia, damos por nós em Janeiro com pouco mais para fazer senão jogar para o calendário - podemos sempre levar com a argumentação do costume de que 'ainda há muito por que lutar, e temos que chegar ao segundo lugar' mas isto é manifestamente insuficiente para o Benfica. Quando muito, se formos espertos, começa-se é já a trabalhar para a próxima época, em vez de chegarmos ao Verão e aí começarmos uma nova revolução. Não foi ontem que estragámos a nossa campanha na Champions, foi na inacreditável derrota em casa com o Qarabag e na muito injusta derrota, também em casa, com o Leverkusen. Ainda fomos conseguindo adiar o inevitável, mas depois daqueles dois resultados acabámos mesmo por não conseguir mais contrariar as probabilidades.

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publicado por D'Arcy às 12:25
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Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Vendaval

Depois de duas derrotas seguidas, o Benfica deslocou-se a Vila do Conde debaixo de pressão adicional, com muita gente a afiar ainda mais as facas por não estar satisfeita com o festim de maledicência que foi a última semana. Os jogos naquele estádio costumam ter bastante vento, mas o vendaval que se sentiu desta vez foi vermelho e o Benfica tornou a sua tarefa fácil, regressando com os obrigatórios três pontos.

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Foi um Benfica diferente que entrou em campo, com Schjelderup, Sudakov e Otamendi de regresso ao onze. Escrevendo meramente como adepto e sem apreciações técnico-tácticas de que sei pouco: é assim que eu prefiro ver o Benfica jogar. Com dois alas bem definidos. Com os jogadores nas suas posições naturais - Aursnes e Barreiro como médios centro, Sudakov no meio nas costas do avançado. E vou mais longe e digo que, pessoalmente, bastante satisfeito por não ver Ríos e Barrenechea no onze, que continuam a não me convencer completamente e a parecer corpos estranhos na equipa, com influência na dinâmica da mesma. Em termos práticos, o que vimos na primeira parte foi um Benfica como poucas vezes vimos esta época, tendo sido uma das exibições mais conseguidas que vi em vários meses. Domínio total, pressão a ser exercida de forma eficaz no campo inteiro, muita dinâmica nas alas, com participação activa dos dois laterais e, o mais importante, várias ocasiões de golo criadas. Quando chegámos ao golo ainda relativamente cedo - a fechar o primeiro quarto de hora - já poderíamos estar facilmente a ganhar por dois ou três golos, com ocasiões flagrantes desperdiçadas pelo Pavlidis, Schjelderup e Dedic. O golo foi da autoria do Barreiro, num óptimo cabeceamento ao segundo poste depois de um cruzamento de grande qualidade do Sudakov. O domínio continuou, o VAR reverteu-nos um penálti que teria sido facilmente marcado a favor de outra equipa, mas logo a seguir, em nova investida do Dedic, um defesa do Rio Ave fez um corte disparatado na direcção da própria baliza assim chegámos a um mais do que merecido segundo golo. Os dois golos de vantagem ao intervalo eram claramente curtos para tanto domínio do Benfica.

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Na segunda parte entrámos ainda com uma dinâmica semelhante nos primeiros minutos e voltámos a estar várias vezes perto da baliza do Rio Ave, mas depois acabámos por baixar mais as linhas e abrandar a pressão, o que acabou por permitir ao Rio Ave respirar e ter um pouco mais de bola, mas sem alguma vez deixarmos de ter o jogo completamente controlado. Seria aliás difícil manter o ritmo da primeira parte durante noventa minutos, e tendo nós a meio da semana um jogo decisivo para a Champions seria também pouco recomendável quando o jogo estava nas nossas mãos. O Rio Ave nunca conseguiu criar perigo e não teve um único remate válido enquadrado com a nossa baliza na segunda parte - escrevo 'válido', porque ainda conseguiram introduzir a bola na nossa baliza no único remate que acertaram, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do avançado do Rio Ave. O abrandamento da nossa pressão também pode ter estar relacionado com o que me pareceu algum cansaço dos jogadores da frente, mas o Mourinho manteve-se fiel aos seus hábitos e fez poucas substituições (apenas três) e as duas últimas já tardiamente - o Schjelderup saiu mais cedo, mas o amarelo que entretanto tinha visto por reclamar uma falta não assinalada depois de levar um chuto no pé deve ter tido peso nisso. O Pavlidis, por exemplo, pareceu acabar o jogo muito cansado, e o Prestianni e o Sudakov já me pareciam esgotados bem antes de terem sido finalmente substituídos.

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Difícil escolher um jogador para melhor em campo. Gostei muito dos três médios. O Sudakov foi aquilo que acho que quase toda a gente esperava (e ainda espera) que fosse quando o contratámos: um organizador de jogo, por quem a bola acaba por passar quase sempre no ataque. A dupla Aursnes/Barreiro foi infinitamente mais dinâmica do que qualquer coisa que tenhamos visto o Barrenechea e o Ríos fazer, e muito responsável pela pressão alta eficaz que o Benfica conseguiu exercer - vimos várias vezes o Rio Ave ficar largos minutos sem sequer conseguir passar do meio campo porque recuperávamos imediatamente a bola. Os dois laterais estiveram muito em jogo, beneficiando certamente da presença dos alas à sua frente, com o Dedic a vir muitas vezes para terrenos interiores, enquanto que o Dahl optou mais por dar profundidade pela esquerda. O Dahl aliás fez uma óptima exibição, impondo-se completamente ao nosso proposto reforço André Luiz - sinceramente, e não querendo rebaixar o jogador, eu espero que este jogo pelo menos convença os nossos responsáveis que aquilo que o Rio Ave está (supostamente) a pedir por este jogador é manifestamente exagerado, para não dizer um perfeito disparate.

 

Já não quero falar em respostas porque estou farto disso. Foi simplesmente um jogo muito positivo da nossa equipa, numa altura em que isso era muito necessário. Quero ver-nos mais vezes e mais tempo a jogar como na primeira parte, em que ao fim de poucos minutos já não há qualquer dúvida de quem manda no jogo e está em campo para ganhar. Repetindo-me, gostava que jogássemos mais vezes sem jogadores em posições adaptadas e com dois alas, porque não só acho que temos mais possibilidades de ganhar assim, como o nosso futebol é muito mais interessante e divertido para mim. Agora segue-se a terceira final seguida para nós na Champions. Já sobrevivemos a duas, veremos se conseguimos continuar a manter a chama viva para a última jornada.

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

Repartido

No espaço de uma semana, perdemos duas competições. No Porto, o jogo foi repartido mas acabou em decepção para nós, decidido por uma falha numa bola parada e um desperdício inacreditável da nossa parte.

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O António Silva recuperou e jogou, e as maiores surpresas no onze foram o Prestianni e o Sidny nas alas, tendo o Aursnes regressado ao meio e o Sudakov ficado no banco. Achei que até entrámos bem e o Prestianni fez aquilo que já o vi fazer demasiadas vezes: em boa posição na área, atirou para a bancada porque tem o defeito técnico de se inclinar constantemente para trás na altura do remate. Só que o Porto chegou ao golo ainda cedo, numa sequência de três pontapés de canto seguidos em que de alguma forma o Barreiro acabou a marcar o central adversário. O Porto ficou motivado com o golo e melhorou no jogo. Pouco antes do intervalo tivemos uma alteração forçada, trocando o Ríos pelo Sudakov, o que significou o recuo do Barreiro para uma posição que lhe é mais familiar. Mas mesmo mais recuado, foi dele a melhor ocasião de golo já em período de compensação, tendo obrigado o guarda-redes do Porto a uma boa defesa com o pé. Depois na segunda parte vimos o Benfica ter quase sempre mais bola e a iniciativa do jogo, mas sem grande surpresa porque é assim que o Porto se sente confortável, a jogar na transição. Se contra equipas mais fracas raramente conseguimos encostá-las às cordas e sufocá-las, também não estava propriamente à espera que conseguíssemos aproveitar a posse de bola para o fazer neste jogo. O jogo acabou por ficar marcado para nós pelo incrível falhanço do Pavlidis ao minuto noventa, quando após um cruzamento na esquerda do entretanto entrado Schjelderup, ele surgiu completamente à vontade ao segundo poste e a um ou dois metros da linha de golo não conseguiu desviar a bola para a baliza, tendo esta de alguma forma passado por debaixo do pé dele.

 

Não acredito em vitórias morais, e o facto de termos feito um jogo decente em que não fomos inferiores em nada ao adversário excepto no resultado não me serve de consolo. Chegar ao final de um jogo a dizer que merecíamos mais só aumenta a minha desilusão. O que fica é que foi mais uma competição perdida numa época que cada vez mais parece alinhar-se para passarmos quatro meses a jogar quase só para o calendário. As movimentações que estamos a fazer no mercado ou aquelas que supostamente estão em perspectiva pouco me agradam e nada me motivam, mas suponho que tenhamos logicamente que satisfazer os pedidos do treinador para formar um plantel do seu agrado. Agora, se estamos a fazer mais uma vez isto para depois no final da época trocarmos de treinador e recomeçar o processo do zero com o que se seguir, então é mesmo navegação à vista.

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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2026

Amadores

A primeira derrota interna da época ditou uma eliminação justa da Taça da Liga. Uma equipa que defende ao nível de amadores não pode esperar outro resultado que não este.

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Tinha escrito que se queríamos ganhar efectivamente ao Braga desta vez, convinha não darmos uma parte de avanço como da última vez. Pois não só o voltámos a fazer, como conseguimos fazer uma primeira parte ainda pior. Voltámos a cometer erros infantis, individuais e colectivos, e a sair para intervalo em desvantagem, obrigando-nos mais uma vez a ter que vir para a segunda parte para correr atrás do resultado. O onze escolhido já não tem surpresas para ninguém, é este o onze base (jogou o Manu em vez do Barrenechea porque o argentino está lesionado, mas de resto vai ser assim que vamos jogar quase sempre). Entrámos com uma enorme oportunidade para marcar, mas o Pavlidis na pequena área desviou o cruzamento para a figura do guarda-redes. O Braga atacava pouco e na transição, mas de cada vez que subia aproveitava os buracos que dávamos a defender e causava perigo. Por isso foi sem surpresa quando o Otamendi (que até aí já tinha mostrado estar num daqueles dias épicos) e o Tomás Araújo combinaram para dar todo o espaço para que o Braga, com apenas dois jogadores, chegasse ao primeiro golo. O Otamendi na esquerda deu tempo e espaço para que o passe fosse feito para o interior da área, e o Tomás Araújo, apesar de ter apenas um adversário para marcar, também lhe deu todo o espaço para receber, tendo-se posicionado de forma em que não estava a marcar o adversário nem estava em posição para interceptar o passe (tenho no entanto a certeza de que se tivesse sido o António Silva a dar uma casa destas já os adeptos o estariam a rifar). O segundo golo do Braga foi ainda mais patético do nosso ponto de vista. Mérito óbvio para a grande arrancada do Zalazar, mas um jogador adversário não pode fazer mais de meio campo a correr com a bola sem que ninguém o pare. O desgraçado do Sudakov parecia estar a arrastar-se atrás dele, incapaz sequer de o travar em falta, e o Otamendi, ainda e sempre em linha com a exibição desde o primeiro minuto, faz-se ao lance de forma completamente displicente e é facilmente ultrapassado. Ao intervalo trocou-se o Manu pelo Prestianni e o nosso jogo lá animou um pouco, bastante por culpa dele (apesar de diversas perdas de bola, mas tendo em conta que ele era o único jogador que pegava na bola e partia para cima dos adversários, é natural). Conseguimos reduzir num penálti assinalado sobre o Pavlidis e convertido pelo próprio, e nos minutos que se seguiram estivemos em cima do Braga e o empate pareceu possível. Mas a nossa defesa voltou a comprometer, e o Tomás Araújo desviou um livre lateral para a própria baliza que o Trubin defendeu à primeira, mas nada podia fazer para parar a recarga. Para fechar uma noite em beleza, o Otamendi levou uma trancada, a falta não foi assinalada e ele resolveu protestar como se não tivesse já amarelo e foi expulso, ficando de fora do próximo jogo no Dragão.

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Não sei se alguém merece algum destaque. O Prestianni conseguiu mexer com o jogo, é o melhor que arranjo. Os nossos dois centrais foram absolutamente pavorosos, o Dahl é lamentável de ver como titular indiscutível, sobretudo depois de anos a ver o Grimaldo e depois o Carreras, o Ríos parecia que estava a jogar futebol pela primeira vez e o Barreiro é aquilo, não dá mais. Entrega-se ao jogo, mas entregar-lhe aquelas funções continua a não fazer grande sentido para mim. O Sudakov ali é quase jogar com menos um; não é carne nem peixe, não é ala nem organizador de jogo, o que aliado ao Dahl resulta numa ala esquerda pavorosa.

 

Perdemos e perdemos bem, não sei quais serão as consequências desta primeira derrota interna. Desconfio que nenhumas e que a equipa titular pouco ou nada mudará porque as opções não abundam. Em concreto, o que vemos é que a nossa época arrisca-se a acabar ainda este mês.

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publicado por D'Arcy às 03:09
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Domingo, 4 de Janeiro de 2026

Segura

Não foi um jogo fácil mas conseguimos uma vitória segura frente a uma boa equipa do Estoril, que veio à Luz para jogar futebol.

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Duas alterações no onze, que eram para ser três. Prestianni e Manu de início nos lugares do Barrenechea e do Aursnes, e o António Silva também devia ter sido titular, mas lesionou-se no aquecimento e por isso o Tomás Araújo manteve o seu lugar no onze. Voltámos a entrar meio adormecidos no jogo. O Estoril é uma equipa que pratica um bom futebol, com um treinador com quem eu simpatizo e que talvez por ser estrangeiro não partilha da mentalidade reinante da nossa liga, preferindo tentar jogar futebol em vez de montar esquemas ultra-defensivos. O Estoril costuma alinhar num esquema de três defesas que se desdobra num 3-4-3 quando tem bola, e não mudou nada para este jogo. Entraram a todo o gás e no primeiros minutos o Trubin teve que estar atento para lhes negar um golo madrugador. Uma tendência que revelaram de início e que acabou por se manter em todo o jogo foi insistirem muito sobre o lado esquerdo da nossa defesa, onde o Guitane causava sempre preocupação e fazia a cabeça em água ao Dahl. Acho aliás que o nosso lado esquerdo é um ponto que os nossos adversários revelam cada vez mais tendência para explorar - já contra o Braga vimos o mesmo acontecer. O Dahl, apesar da confiança total que o Mourinho parece ter nele, não é muito forte a defender, e à frente dele o Sudakov não é grande ajuda. Só ao fim do primeiro quarto de hora me pareceu que o Benfica assumiu verdadeiramente mas revelamos sempre alguma lentidão nos processos ofensivos, com o Sudakov sempre a afunilar o jogo para o meio (nem é uma questão dele vir sempre para o meio com a bola, é que mesmo quando ele tem o lateral a subir solto nas costas dele, ignora-o sempre e nunca lhe passa a bola, preferindo fazer o passe para dentro) e era o Prestianni quem ia dando alguns safanões no jogo. O Dedic, do mesmo lado, conseguiu quase sempre arranjar espaço para subir, mas sempre que chegava perto da área parecia não saber como dar continuidade às jogadas. O primeiro golo apareceu aos trinta e quatro minutos, num penálti que o VAR acabou por alertar o árbitro para assinalar, por braço na bola. O Pavlidis, como de costume, marcou sem problemas. O melhor momento do jogo foi já no primeiro minuto de compensação, quando o Pavlidis aproveitou um passe do Barreiro para as costas da defesa do Estoril, evitou bem a tentativa do defesa o carregar, e sobre a esquerda, logo no primeiro toque na bola, fez um chapéu perfeito e cheio de classe ao guarda-redes. Seria a maneira perfeita de sair para o intervalo, com a vitória na mão e a motivação em alta depois de um golo de tanta qualidade. Mas o Estoril ainda foi a tempo de reduzir a diferença, num bom golo de equipa. A jogada veio mais uma vez da esquerda, onde o Dahl e o Sudakov juntos foram incapazes de travar o Guitane, e depois o passe saiu rasteiro para a entrada da área, com uma simulação de um jogador do Estoril pelo meio a permitir que a bola chegasse ao João Carvalho, que solto rematou de primeira completamente fora do alcance do Trubin.

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Na segunda parte assistimos a um jogo mais amarrado. Jogou-se pouco, já que houve muitas faltas e interrupções - com um árbitro que na minha opinião, mostrou uma clara falta de qualidade para tomar conta do jogo, com critérios disciplinares incompreensíveis, e muitas perdas de bola de parte a parte. O aspecto mais positivo disto foi mesmo que o Estoril raramente conseguiu levar perigo à nossa baliza e o Benfica pareceu estar quase sempre confortável no jogo. Mas voltamos sempre a lembrar-nos das várias vezes esta época em que, por chegarmos aos instantes finais dos jogos com uma vantagem mínima, acabámos por sofrer o golo do empate no período de compensação, por isso era natural um certo desconforto por parte do público com este resultado. O Mourinho manteve-se fiel à sua tendência para mexer na equipa já em fase tardia dos jogos, e apenas aos setenta e sete minutos fez duas alterações, entrando o Aursnes e o Sidny para os lugares do Prestianni e do Sudakov - na mesma altura o Estoril fez entrar o Pizzi, e o público da Luz aproveitou para aplaudir um jogador que foi determinante na história recente do Benfica. O estreante Sidny não demorou muito a mostrar a vantagem de termos alguma profundidade pelo lado esquerdo. Depois de receber a bola, em vez de vir para o meio progrediu em direcção à linha de fundo, e perto da área fez um cruzamento rasteiro para a zona do segundo poste. Um defesa do Estoril ainda tentou o corte mas apenas conseguiu desviar ligeiramente a bola que foi encontrar o Pavlidis junto ao poste para empurrar facilmente para o golo, conseguindo mais um hat trick pelo Benfica. O Sidny veio mesmo trazer alguma animação ao nosso ataque para os minutos finais de um jogo que pouco mais teve para contar, com o Pavlidis a ser substituído perto do final para o mais do que merecido aplauso.

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Nem havia dúvidas que o Pavlidis seria o destaque. É neste momento o jogador mais decisivo do Benfica, e mesmo passando longos períodos quase a ser ignorado pelo resto da equipa, vem atrás para se envolver no jogo e consegue aproveitar as poucas ocasiões que tem para ir acumulando golos. O segundo golo que marcou foi classe absoluta, pela execução e pela rapidez na tomada de decisão - nem sequer deu um toque para controlar a bola, e quando esta lhe chegou aos pés já tinha decidido como finalizar a jogada.

 

Com este resultado pelo menos voltámos a depender de nós para chegar ao segundo lugar (o primeiro, continuo a achar que é impossível). A seguir vem aquela taça que todos os anos a Liga se esforça para fazer ainda pior e menos interessante do que na época anterior, mas que é uma competição oficial e como tal quero e espero sempre ganhá-la. Depois de sairmos de Braga com o Mourinho a dizer que tínhamos ganho, espero que confirmem isso na quarta-feira, e para isso seria útil que desta vez não déssemos uma parte de avanço.

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publicado por D'Arcy às 18:20
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