Ganhou quem tinha que ganhar, marcou quem tinha que marcar, e no final ficou muita gente contente e ficámos nós com a vitória moral de uma exibição positiva apesar da eliminação.

As minhas expectativas eram nulas para este jogo, que não consegui ver como algo mais do que uma mera formalidade no caminho do Real Madrid para a próxima eliminatória. Depois da forma vergonhosa como o Benfica já tinha sido destratado na primeira mão, que continuou na semana que se seguiu, foi para mim bastante óbvio quem é filho e quem é enteado para a UEFA. A vergonhosa suspensão preventiva do Prestianni enquanto uma investigação decorre, com base apenas na palavra de um provocador em série, foi apenas mais uma enorme falta de respeito por parte da UEFA, sobretudo quando vimos a mesma UEFA, perante provas inequívocas de uma agressão por parte de um jogador do Real Madrid, simplesmente arquivar o processo sem quaisquer consequências - ironia do destino ou talvez não, esse mesmo jogador acabou por ser decisivo no jogo. Quanto ao jogo em si, conforme disse, acho que o Benfica conseguiu uma exibição digna, mas na qual não evitou os velhos hábitos entranhados. Ou seja, um desperdício regular no ataque e depois as pontuais abébias na defesa que são invariavelmente aproveitadas pelo adversário, que ao contrário de nós não costuma ser tão parcimonioso. Conseguimos o mais difícil, que foi empatar a eliminatória, colocando-nos na frente do marcador logo aos 14 minutos. O Rafa, de forma meio atabalhoada, lá conseguiu fazer a recarga à segunda a de uma defesa espantosa do Courtois a evitar um autogolo, depois de um cruzamento do Pavlidis na direita. Claro que o Benfica sendo Benfica, conseguiu imediatamente não tirar qualquer partido dessa vantagem psicológica. O Otamendi, completamente à vontade, subiu até ao meio campo e demonstrou mais uma vez a sua fantástica qualidade de passe com uma entrega milimétrica da bola a um adversário no círculo central. Contra-ataque e golo (grande remate do Tchouameni à entrada da área) pouco mais de um minuto depois do nosso golo. Depois disso o resto do jogo foi relativamente repartido, achei que fomos mais pressionados na fase final da primeira parte e início da segunda, mas depois recuperámos o controlo e até me pareceu que estivemos mais por cima durante a maior parte do tempo. Tivemos boas ocasiões para marcar, que invariavelmente desperdiçámos - a enorme cerimónia na altura de finalizar, parecendo que a maior parte das vezes os nossos jogadores ou têm sempre que ajeitar mais um bocadinho a bola, ou estão à procura de um colega a quem passar a responsabilidade da finalização é um dos detalhes que mais me enervam no nosso jogo. E depois vem a inevitável asneira. Não querendo ficar atrás do seu colega do centro da defesa, o Tomás Araújo abordou um lance no meio campo de forma inadmissivelmente macia e perdeu a bola, deixando um buraco enorme nas suas costas para o provocador em série correr para a baliza e, ao contrário dos nossos jogadores, em vez de esperar por um colega a quem passar, rematar para o golo. Ainda conseguimos reagir ao ponto de criar mais ocasiões para pelo menos não sairmos derrotados, mas obviamente que as desperdiçámos.

Gostei do Schjelderup - está claramente no seu melhor momento desde que chegou ao Benfica, e espero que ao contrário daquilo que aconteceu já varias vezes anteriormente, não volte a sair do onze quando está em boa forma - e do Aursnes. Espero que a recuperação do Ríos não signifique a obrigatoriedade de ser sempre titular, porque sinceramente tenho gostado muito mais do nosso meio campo sem ele. Estou, e não é de agora, um bocado farto do Otamendi e gostaria que o Benfica olhasse seriamente para o futuro da sua defesa.
É uma competição que se fecha, com alguma frustração. Porque este Real Madrid (com os jogadores que estão indisponíveis e com o treinador que têm actualmente) pareceu-me estar ao nosso alcance. Mas há defeitos no nosso futebol que teimam em ficar e que continuam a afectar negativamente os nossos resultados.
Era difícil conseguir voltar a surpreender o Real Madrid, ainda por cima tão perto do último jogo e tendo eles contado com o regresso de jogadores importantes na defesa. Conseguimos bater-nos bem mas o jogo acabou decidido num pormenor de classe de um jogador que, acto contínuo e sem grande surpresa, repetiu uma pantomina que lhe é infelizmente habitual.

Onze sem surpresas, entrámos bem no jogo e com vontade de jogar olhos nos olhos com o Real, mas não demorou muito até que eles mostrassem que conseguiam facilmente ficar confortáveis no jogo, gerindo a posse de bola no nosso meio campo enquanto procuravam por alguma aberta para que os dois da frente (Vinícius e Mbappé) pudessem resolver. Pelo contrário, a nossa dupla da frente não pareceu capaz de resolver o que quer que fosse. Quer o Pavlidis, quer especialmente o Rafa assinaram exibições paupérrimas, perderam praticamente todos os lances e foram incapazes de dar seguimento à maior parte das jogadas. Na fase final da primeira parte, o Real Madrid começou a apertar e conseguiu empurrar-nos completamente para a nossa área, sem que mostrássemos capacidade ou discernimento para nos libertarmos da pressão e sair a jogar, tendo nessa altura o Trubin sido fundamental para evitar o golo. Quando o intervalo chegou a sensação foi mesmo a de que foi mesmo no limite, porque se a primeira parte durasse mais um par de minutos o golo seria uma inevitabilidade. Não sofremos nessa altura, sofremos pouco depois do reinício do jogo, e curiosamente num lance de contra-ataque. Uma falta marcada rapidamente acabou com o Vinícius na direita da nossa defesa em situação de um para um com o Dedic. Em vez de lhe dar o lado mais fraco, o Dedic permitiu que ele viesse para dentro, e quase do canto da área desferiu um remate fantástico que literalmente meteu a bola na gaveta, junto ao ângulo oposto e sem que o Trubin tivesse a menor hipótese de lá chegar. Depois o Vinícius foi festejar de forma algo provocatória para a frente dos nossos adeptos, algo que estava perfeitamente no seu direito de o fazer, mas isto inflamou os ânimos e gerou-se uma discussão com os nossos jogadores também, que lhe valeu inclusivamente o cartão amarelo. À medida que os ânimos aqueciam e não havia maneira da discussão acabar, disse imediatamente que aquilo iria acabar com o Vinícius a queixar-se de racismo, o que obviamente acabou mesmo por acontecer. Não sou bruxo, simplesmente já o vi fazer isto demasiadas vezes - é a velha história do rapaz que gritava 'Lobo!'. A partir daí o jogo praticamente acabou, depois de uma interrupção de mais de dez minutos tudo ficou muito mais desconexo. Nos minutos finais, depois das nossas substituições (e com os regressos das lesões e as duas contratações de inverno, desta vez havia várias opções no banco) ainda tentámos um ímpeto final, mas à parte um livre perigoso à entrada da área - que deveria ter valido o segundo amarelo ao Vinícius, mas que acabou por valer a expulsão ao Mourinho - não conseguimos criar qualquer situação de perigo.

Na minha opinião o Tomás Araújo fez um grande jogo, com diversos cortes fundamentais na defesa e tendo conseguido controlar o Mbappé com sucesso. O Trubin esteve também muito bem e fez defesas importantes, nada podendo fazer no golo. Gostei também do jogo do Aursnes. O Rafa e o Pavlidis fizeram um jogo muito apagado, e os dois extremos foram também completamente anulados, para além de terem por diversas vezes descurado as tarefas defensivas e deixado os laterais abandonados à sua sorte. O Barreiro travou demasiadas tentativas de sair em contra-ataque por atrasar o passe e acabar quase sempre a fazer um passe lateral ou atrasado.
A eliminatória ainda não está fechada, mas está muito bem encaminhada para o Real Madrid. Conseguir dar a volta a este resultado em Madrid é uma tarefa hercúlea porque todos sabemos qual é a força do Real Madrid, e não apenas dentro do terreno de jogo, mas resta-nos ir lá tentar o nosso melhor.
Foi com um jogo feio e cheio de nobreza que Benfica trouxe dos Açores os indispensáveis três pontos. A nota artística nem sequer seguiu para lá e deve ter ficado cá por Lisboa, mas é sempre muito difícil brilhar naquele relvado.

Depois da baixa de última hora do Aursnes, foi chamado o Barrenechea para o seu lugar. Na defesa, outra alteração: o Tomás Araújo passou para a direita e o António Silva regressou à titularidade ao lado do Otamendi. Nenhuma destas opções é das que mais me agrade - prefiro claramente ter o Aursnes no meio, e não gosto particularmente de ver o Tomás Araújo como lateral - mas face às limitações que temos foi o que teve que ser. O Santa Clara é das equipas em pior forma na liga e trocou recentemente de treinador, mas a experiência diz-nos que isso pouco significado tem, já que foi precisamente contra as piores equipas da liga que o Benfica já desbaratou uma série de pontos esta época. O jogo descreve-se facilmente: o Benfica foi claramente melhor durante a primeira parte, período em que obteve os dois golos que garantiram a vitória. Provavelmente o facto do estado do relvado se ter ido degradando com o tempo também deve ter ajudado a que na primeira parte se conseguisse jogar um pouco melhor. Nunca foi uma exibição para deslumbrar, mas chegámos ao primeiro golo relativamente cedo (16 minutos) e isso terá ajudado a fazer o jogo menos nervoso do que habitualmente, porque este jogo era precisamente daqueles em que marcar cedo seria muito importante. O Tomás Araújo fez um bom cruzamento na direita que encontrou o Pavlidis na pequena área em posição privilegiada para cabecear com sucesso. O segundo golo surgiu mais perto do intervalo, e teve outra vez a marca do Pavlidis, já que foi ele quem o construiu praticamente todo. Sobre a esquerda conseguiu virar-se sobre o seu marcador directo, ganhar a linha de fundo, e depois fez a assistência para o Prestianni na pequena área. O argentino não conseguiu fazer o desvio, mas o defesa que o marcava em cima acabou mesmo por enviar a bola para a própria baliza.

A segunda parte, face ao que se tinha visto na primeira, tinha tudo para ser tranquilíssima, mas logo a abrir, e numa rara aproximação do Santa Clara à nossa baliza, o Trubin deu aquilo que só se pode mesmo chamar de um grande frango e relançou a incerteza no resultado. O cabeceamento saiu muito frouxo e à figura, mas o nosso guarda-redes foi traído ao esperar um ressalto normal no relvado, porque a bola não saltou o que seria normal e acabou por lhe passar por baixo das pernas. O Santa Clara passou a acreditar que seria possível recuperar, e o Benfica pouco fez para contrariar essa crença. Verdade seja dita que o Santa Clara não criou sequer qualquer ocasião de golo, por isso a vitória nunca esteve em risco, mas o Benfica quase que abdicou de atacar e limitou-se a gerir o resultado. Não sei se foi completamente deliberado, ou se faltou capacidade para fazer mais, mas também não me recordo de uma ocasião de golo do Benfica na segunda parte, ou que tivesse obrigado o guarda-redes adversário a qualquer tipo de intervenção relevante. Foi, sinceramente, uma segunda parte muito desinteressante e difícil de seguir. O Santa Clara queria mas não tinha capacidade para mais, e o Benfica raramente conseguia alinhar três ou quatro passes seguidos e construir uma boa jogada de ataque. O jogo arrastou-se assim até final com um resultado que nos agradava, e ainda bem. Quero também realçar a exibição do árbitro António Nobre e do nosso também conhecido Manuel Oliveira no VAR. Posso dizer que na segunda-feira à noite, após o fim do embate entre os dois primeiros, em conversa com amigos adivinhei logo que o Nobre seria nomeado para este jogo - o seu registo de uma vitória do Benfica nos últimos cinco jogos que nos arbitrou era impressionante, e nada cairia melhor do que o Benfica devolver imediatamente os pontos que tinha acabado de recuperar. O Nobre desempenho não desiludiu em nada: houve seis(!) lances de dúvida na área do Santa Clara. Os seis lances foram avaliados em desfavor do Benfica, ou seja, podemos dizer que houve carta branca para que os defensores do Santa Clara fizessem o que quer que lhes apetecesse dentro da sua área. Não vou estar a analisá-los a todos, admito que vários deles possam não ter sido falta, mas o do Prestianni (em que ele é pisado e até lhe descalçam a bota) e o do Otamendi (placado longe da bola) seriam normalmente penálti em qualquer lugar. Esta é a realidade com que temos que lidar, e sabemos que árbitros são mais especialistas em implementá-la - por isso é que se torna mais fácil adivinhar as nomeações.

O Pavlidis é obviamente o homem do jogo, já que resolveu-o por si só. Marcou um golo e fabricou o outro, e o Benfica ficou com os três pontos. Não me pareceu que nenhum dos outros jogadores se tenha destacado muito, mas volto a repetir que me agrada sempre que o Benfica jogue com dois extremos.
Podemos agora centrar atenções no jogo contra o Real Madrid, apesar de me ter ficado a sensação que já passámos uma boa porção da segunda parte a pensar nele. Não somos obviamente os favoritos nesta eliminatória, mas aquilo que conseguimos fazer no jogo anterior contra o Real pelo menos consegue lançar algum grau de incerteza, por isso iremos todos para o jogo com a esperança de que consigamos repetir o feito.
Chegou a parecer que iríamos adicionar mais um jogo à já longa lista de empates frustrantes contra equipas da parte baixa da tabela, mas o miúdo Anísio saltou do banco perto do final para, mais uma vez com o seu primeiro toque na bola, desfazer o empate que teimava em manter-se e fazer a nação benfiquista soltar um enorme suspiro de alívio.

Houve algumas mudanças no onze: o Sidny desta vez apareceu na lateral direita, e o Rafa no lugar do Sudakov, actuando nas costas do Pavlidis. O Benfica assumiu naturalmente o seu favoritismo e carregou desde o primeiro minuto, mas sinceramente, já se começa a tornar fastidioso estar a escrever quase sempre a mesma história para os nossos jogos. É até exasperante assistir aos nossos jogos, porque o filme é quase sempre o mesmo: domínio territorial intenso por parte do Benfica e incapacidade quase total para fazer do resultado a expressão desse domínio e volume de situações criadas no ataque. Há sempre uma finalização pouco inspirada, uma decisão errada, um toque a mais na bola, um segundo mais de indecisão, e no limite uma bola nos ferros ou uma defesa do guarda-redes, seja por inspiração ou por simplesmente a bola ir bater nele quase sem saber como - é só lembrarmo-nos do lance do Prestianni em que o guarda-redes evita o golo simplesmente porque leva uma bolada na cabeça - num agigantamento que parece invariavelmente conseguir afectar todos os guarda-redes que defrontam o Benfica (ontem foi um guarda-redes que tem sido suplente do nosso André Gomes a época inteira, a semana passada foi o guarda-redes do Tondela e para a semana de certeza que será o do Santa Clara). Até conseguimos o mais importante em jogos destes, que foi marcar cedo (à passagem do primeiro quarto de hora) numa jogada em que até achei que o Rafa tomou a decisão menos acertada: rematou de trivela à entrada da área quando provavelmente teria feito melhor se assistisse o Schjelderup, que estava solto ao seu lado, mas o norueguês chegou primeiro para fazer a recarga à defesa do guarda-redes. A questão é que ao disparate (já não tenho outra expressão) no ataque, conseguimos sempre dar espaços na defesa para que o adversário, mesmo que chegue lá apenas um par de vezes, consiga marcar. O Alverca não foi muitas vezes à frente, mas quando ia - quase sempre pelo Chiquinho, que fez a cabeça em água ao Sidny - conseguia criar perigo. Ameaçaram primeiro numa bola parada, em que numa posição privilegiada na pequena área o defesa deles cabeceou para a bancada, e à meia hora marcaram mesmo. Mais uma jogada nascida nos pés do Chiquinho, e depois um único jogador do Alverca conseguiu antecipar-se entre uns estáticos Otamendi e Dahl para aparecer na pequena área a empurrar para a baliza perante um desamparado Trubin.

Depois foi o habitual. O Alverca a recuar cada vez mais, o Benfica a acumular nervosismo a cada falhanço no ataque, ao ponto da segunda parte ter sido de sentido único e quase toda disputada só em metade do campo. Para o nervosismo também contribuiu mais uma arbitragem daquelas a que estamos infelizmente cada vez mais habituados, e que ao fim de poucos minutos nos faz imediatamente perceber a encomenda que ali está. O guião é quase sempre o mesmo: 'critério largo' logo a partir do apito inicial. O que quer dizer que, em especial durante os primeiros minutos, é época de caça às pernas dos jogadores do Benfica, os amarelos não saem mesmo com faltas deliberadas (que ontem incluíram cortes intencionais com a mão de jogadas de ataque). Cada lance dúbio é invariavelmente decidido contra nós, na área então vale quase tudo que há sempre atenuantes (estavam a agarrar-se um ao outro, escorregou, uma falta é um 'choque', etc). Ontem o Pavlidis marcou à hora de jogo e o golo não passou no crivo do VAR - a decisão foi acertada, porque há um muito ligeiro toque na mão e as instruções são claras e dizem que qualquer toque no braço/mão numa jogada que termine em golo tem que ser assinalado. Nenhuma queixa sobre isso. Pena é que o olho de lince do VAR que conseguiu mesmo ver esse ligeiro toque tenha sido substituído por uma bengala branca nos três lances de possível penálti na área do Alverca. Sem surpresa, a decisão foi sempre 'Siga jogo!'. No lance do Barreiro então, mesmo que argumentem que foi fora da área (não foi) não consigo sequer perceber como é que o árbitro de campo não assinala a falta, por demais evidente, porque ele é arrancado pela raiz. No lance do Rafa é mais do que evidente que depois dele cortar para dentro é puxado pelo defesa. No do Schjelderup, ele é claramente abalroado. A minha sensação (e a de praticamente todos os benfiquistas) é que aquilo que o Mourinho disse no final é a realidade: fossem aqueles lances com outra equipa, ainda por cima que estivesse empatada, e todos eles teriam resultado em penálti assinalado. O jogo, esse lá acabou resolvido pelo Anísio, que entrou em campo ao minuto 85 e ao minuto 86, no primeiro toque que deu na bola, foi lá acima para cabecear de forma magnífica e imparável um cruzamento largo do Dahl e dar-nos os três pontos. Assinalo que anteriormente no jogo, e numa posição muito mais favorável para marcar, o Pavlidis tinha conseguido o mais difícil e cabeceou para fora.

Vou escolher o Anísio para homem do jogo porque com 17 anos conseguiu em poucos segundos mostrar mais eficácia e frieza à frente da baliza do que todos os seus colegas mais experientes durante todo o jogo, e assim resolver um problema bicudo. O Aursnes foi para mim o melhor jogador em campo, e neste momento só temo que quando o Ríos e o Barrenechea estiverem a 100% ele acabe mais uma vez desviado para outra posição qualquer. Gostei das exibições do Schjelderup e do Prestianni. Criaram bastantes desequilíbrios, mas depois tudo isto acaba diluído no mar de incompetência e toda a equipa em frente à baliza.
Já escrevi antes que nesta fase já não espero ganhar nada esta época, mas seria particularmente frustrante se nem sequer conseguíssemos ter algo a lucrar com qualquer que seja o resultado do jogo entre o primeiro e o segundo classificados. Felizmente conseguimos evitá-lo, mas parece-me que nesta altura estamos num estado em que é muito fácil desestabilizar-nos em campo. Basta começarmos a desperdiçar umas ocasiões cedo, o guarda-redes adversário fazer um par de defesas ou a arbitragem tomar umas decisões estranhas nos minutos iniciais e imediatamente se sente o nervosismo a aumentar. É como se aos vinte minutos, caso não estejamos já a ganhar, imediatamente toda a gente começasse logo a pensar que se calhar vamos empatar o jogo. Não é um bom sítio para se estar.
Um típico cenário de ressaca europeia. Não que isso justifique um empate contra uma das piores equipas da Liga, apenas me parece que somos bastante regulares neste tipo de disparates a seguir a uma boa jornada europeia.

Mudámos dois jogadores no onze, Banjaqui e António Silva nos lugares do Dedic e do Tomás Araújo. Apesar do Tondela ser mesmo uma das piores equipas da liga (a tabela não mente) eu tinha alguma preocupação para este jogo. Para além de um possível relaxamento depois das emoções de quarta-feira, iríamos jogar num relvado em péssimas condições, debaixo de um temporal, contra uma equipa orientada por um dos treinadores mais defensivos da liga, e com o factor adicional do artista que contribuiu decisivamente para nos roubar a última Taça de Portugal para a entregar ao seu clube do coração ter sido nomeado para este jogo - para mim não há período de nojo suficiente para esquecer quem é esta personagem e o que nos fez. Mas apesar de ter achado que ele terá cumprido exactamente aquilo que quem o nomeou estaria à espera que fizesse, não é por aí que vou justificar este resultado paupérrimo. Os maiores culpados somos nós e a nossa extrema ineficiência na área adversária. Perante um jogo nestas condições, seria importante marcar o mais cedo possível, e à medida que o tempo vai passando e o nulo se arrastando, a tendência é mesmo ficar tudo progressivamente muito mais complicado. Aumenta o nosso nervosismo, o que só potencia os nossos erros, e aumenta a motivação do adversário, para além do terreno de jogo ficar cada vez pior e mais pesado e dificultar ainda mais as coisas. Posso dizer que a meio da primeira parte já começava a achar, e comentava com amigos, que seria muito complicado ganharmos. E pensava isto porque assistia à nossa quase total inoperância na área adversária. Tivemos uma posse de bola avassaladora, não sei se me recordo de algum jogo recente com tantas acções na área adversária, mas em termos de definição das jogadas e finalizações, acho que quase que só me recordo de uma com qualidade - um remate do Prestianni que obrigou o guarda-redes a uma grande defesa. De resto, fui ficando exasperado com as sucessivas situações em que havia sempre mais um toque na bola ou se demorava mais um instante a definir e a jogada esbarrava invariavelmente na floresta de corpos e pernas que o Tondela acumulou em frente à baliza, ou simplesmente se finalizava mal. O jogo foi basicamente isto o tempo todo, e paradoxalmente até foi o Tondela quem, numa das poucas situações em que conseguiu chegar à frente, esteve perto de marcar - a bola acabou por acertar no poste. Na segunda parte nota para o regresso do Bruma, nas várias alterações que foram sendo feitas mas que não conseguiram mudar esta atrapalhação constante na área. No final pelos vistos ficámos chateados com os cinco minutos de compensação que foram dados, mas com razão ou não, a minha sensação era que se o jogo se tivesse prolongado até esta manhã, a esta hora ainda lá andaríamos a tentar marcar um golo. Esta é uma queixa constante do Mourinho e este jogo é um daqueles que exemplifica porquê: não há muitas equipas com tanta capacidade de desperdício como nós.

Foi um jogo de sentido único, em condições que não propiciaram grandes exibições. Talvez o Aursnes tenha sido um dos melhores, mas também ele esteve afectado pelo vírus da complicação e do desperdício. Como o Schjelderup ou o Sudakov, que até achei que estavam a ser dos mais influentes e cujas substituições não me pareceram ter trazido grande benefício à equipa, mas suponho que era preciso tentar mudar alguma coisa.
Foi o sétimo empate da época em vinte jogos. Quer isto dizer que empatámos mais de um terço dos jogos que fizemos, e a maior parte desses empates foram contra equipas muitíssimo inferiores. Rio Ave, Santa Clara, Casa Pia e Tondela são quatro das equipas que estão neste momento nos últimos seis lugares da classificação (13º, 15º. 16º e 17º). É completamente impossível pensar em ganhar o que quer que seja quando se deitam fora oito pontos contra equipas deste calibre. Até agora ainda tínhamos conseguido manter esta incompetência longe dos jogos fora, mas pelos vistos já não chegava limitarmo-nos a fazê-lo em casa.
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