Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
Nota prévia: gosto muito da selecção portuguesa, e apesar de a minha "paixão" futebolística ser de natureza benfiquista (mais do que portuguesa...), vibro bastante com a "Selecção de todos nós", mesmo em jogos de apuramento (e mais ainda em fases finais de europeus e mundiais).
O
último post do
Pedro FF levantou, como não podia deixar de ser, a questão da utilização de jogadores naturalizados na selecção.
Num dos comentários, o
Artur Hermenegildo escreveu algo com que concordo: a partir do momento em que um jogador é português, por via na naturalização, passa a ser um cidadão português de pleno direito, e como tal, tem tanto direito como qualquer outro português de integrar a selecção.
No entanto, penso que representar a selecção é mais do que um "simples" direito de quem tem a nacionalidade portuguesa, seja ela adquirida à nascença ou posteriormente.
Na minha opinião, para além dos portugueses de nascença apenas deviam representar a selecção jogadores que tenham, no mínimo, feito a sua formação (ou parte) em Portugal. Um exemplo é o Ariza Makukula, que veio aos 8 anos para Portugal, por que o pai,
Kuyangana Makukula, veio jogar para um clube português (Leixões). Makukula, mesmo não tendo nascido português, é mais português do que congolês (como ele próprio faz questão em afirmar), pois viveu grande parte da sua vida em Portugal.
Deco e Pepe são exemplos de jogadores que foram naturalizados "à pressão" para poderem integrar a selecção. No caso de Deco, ainda compreendo, já que na altura em que foi naturalizado, Rui Costa caminhava para os 32 anos (embora eu ache que aos 35 ele ainda teria perfeitamente lugar na selecção e para discutir a titularidade com Deco) e não havia nenhum substituto para aquela posição minimamente à altura. Entendo, portanto, o Deco como uma excepção que até aceito.
No caso do Pepe é que não compreendo minimamente a sua convocatória: há jogadores portugueses bem melhores que ele para aquela posição (vide Manuel da Costa) e mesmo na ausência de Ricardo Carvalho (para mim a principal ausência na convocatória - muito mais do que o Deco...) e Jorge Andrade, haveria outras opções, como o Paulo Jorge, do Braga, que tem demonstrado uma grande regularidade e um dos responsáveis pelas boas época que o Braga tem feito. E se é para convocar jogadores que não têm jogado, por que não o Ricardo Rocha, que para mim em nada fica atrás do Pepe?
Com estes precedentes do Deco e, sobretudo, do Pepe (já que o primeiro vejo como excepção), e para não falar da questão do desincentivo à formação nas camadas jovens, o risco é que a selecção se transforme num clube de futebol, onde as naturalizações correspondem às contratações de um clube de futebol.
E no que respeita a clubes de futebol, já tenho o Benfica e mais nenhum.
(post corrigido às 11:37)
Esperarei mais comentários para participar neste tema. Para já, parece-me uma das reflexões mais interessantes para os próximos dias. Aguardo mais contributos.
De
pjff1 a 15 de Novembro de 2007
"Na minha opinião, apenas deviam representar a selecção jogadores que, mesmo não sendo portugueses de nascença, tenham, no mínimo, feito a sua formação (ou parte) em Portugal."
"No caso do Pepe é que não compreendo minimamente a sua convocatória: há jogadores portugueses bem melhores que ele para aquela posição (vide Manuel da Costa) "
Percebo o teu artigo, mas tem piada juntar estas 2 partes do teu texto porque Manuel da Costa NÃO fez a formação cá e mal sabe falar português. Por a tua teoria ele devia representar a selecção francesa e não a portuguesa, certo?
Americano
Não sei, mas julgo que o Ricardo rocha está lesionado...
De
tma a 15 de Novembro de 2007
O Manuel da Costa é português de nascença, porque os pais são portugueses.
Se calhar tem dupla nacionalidade, certamente também teria tido a opção de representar a França (o que teria sido perfeitamente legítimo, ex: Robert Pires).
No entanto, optou por representar Portugal e ainda bem.
De
tma a 15 de Novembro de 2007
Americano, agora apercebi-me de que aquilo que escrevi não está de acordo com o que eu pretendia...
Pretendia dizer que, para além dos portugueses de nascença, apenas deviam representar a selecção os que tivessem feito a formação em Portugal.
De
pjff1 a 15 de Novembro de 2007
TMA, o Manuel da Costa nasceu em Lorraine, em França, não em Portugal. Tem de facto pai(s) português(es), mas não nasceu cá, não viveu cá, nunca jogou cá, e mal fala português. Começa-se a entrar cada vez mais no campo da subjectividade, daí parecer-me uma discussão sem grande sentido. Se é português de pleno direito, como o Pepe e o Manuel da Costa são, deve-se falar com as pessoas, conhecê-las, e conhecer a sua vontade, e se a vontade for representar Portugal, devem fazê-lo. Se forem convocados e não se empenharem, se falharem na representação das quinas, deixam de jogar e pronto, tão simples como isso.
Americano
De
tma a 15 de Novembro de 2007
O Pepe não tem categoria para representar a selecção brasileira, e perante a hipótese de jogar pela selecção portuguesa, e pelo prestígio e valorização que isso pode trazer-lhe, obviamente agarrou essa possibilidade. Não tenho nada contra o Pepe, enquanto cidadão português :-), mas será que ele está assim tão identificado com a nacionalidade portuguesa?
Quanto ao Manuel da Costa, não sei se ele se sente mais francês que português, é certo que fala mal português, mas tenho a certeza que, embora talvez divido entre sentir-se mais português do que francês, ou vice-versa, sempre se sentiu português e minimamente identificado com Portugal.
Por exemplo, tenho primos holandeses e primos alemães (e ambos os casos também são portugueses, é claro), que apesar de falarem mal português (pq sempre viveram na Holanda/Alemanha), nunca deixaram de se sentir portugueses e alguns deles, inclusivamente, até torcem por Portugal quando joga contra a Holanda/ Alemanha.
De
pjff1 a 15 de Novembro de 2007
TMA, estás a ser totalmente parcial, estás a falar do que o Pepe e o Manuel da Costa sentem, estás a falar das razões deles sem saber. Achas que o Pepe não se valoriza a jogar no Real Madrid e na Champions??? Achas que o mundo do futebol vai descobr-lo por jogar na Selecção Nacional, achas que já não o conhecem??? Ou isso não se aplica mais ao Manuel da Costa que talvez não tivesse lugar na Selecção Francesa, mas desde que começou a jogar nos sub-21 portugueses até se conseguiu transferir para o PSV? Parece-me óbvio qual dos 2 tem mais necessidade de "valorização", neste momento.
Americano
De
pjff1 a 15 de Novembro de 2007
"O Pepe não tem categoria para representar a selecção brasileira"
Mais uma subjectividade total,acho que não é preciso lembrar-te que muito recentemente um suplente do 5º classificado português que joga na mesma posição do Pepe representou o escrete.
Americano
De
tma a 15 de Novembro de 2007
Claro que tudo isto é subjectivo. Se fosse objectivo nem seria matéria de discussão!
Ainda não me apercebi de o Pepe ter jogado na CL...
Em todo o caso, valoriza mais jogar numa qq selecção do que em nenhuma.
Em relação ao Gladstone, não me pronuncio, pois nunca o vi jogar (e também não me pronuncio sobre as razões pelas quais não joga no Cepórtêim, pois não tenho nada a ver com isso).
E embora também seja subjectivo (e sem entrar com as questões de identificação com a nacionalidade portuguesa), continuo a achar o Manuel da Costa bem melhor que o Pepe.
E o Paulo Jorge do Braga também faria mais sentido que o Pepe, pois tem jogado regularmente.
PS: no lugar do Pepe provavelmente eu faria o mesmo :-)
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