VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Eu defendo o José António Camacho.

Vamos despedir o Camacho!

Porquê? Porque o homem é um primário em termos tácticos. Obviamente que o homem é um primário em termos tácticos. Não diz 'basculação' defensiva, não diz compensação ofensiva, não dá confianças torpes à imprensa, não sabe falar de futebol como o Freitas Lobo e até o Vasconcelos (que não é um comentador primário) já exigiu a sua demissão. E se o Vasconcelos diz que o gajo é primário, eu até penso no assunto durante uns segundos. Em suma, o Camacho é um básico.

O Camacho não salta no banco como saltava. Não grita como gritava. Não ganha como ganhava. Aliás, tudo o que ele fez no Benfica: perder dois campeonatos contra o Porto de Mourinho e da fruta; ganhar uma Taça de Portugal ao Porto do Mourinho e da fruta; deixar a base de uma equipa que foi campeã com Trapattoni… Tudo isto foi feito por obra e graça do Veiga ou terá sido por obra e graça do Fernando Santos? Ou do Vasconcelos? Ou da Nau Catrineta? Foi certamente por mérito de um deles, mas do Camacho não. Porque o Camacho só sabe gritar com os jogadores, dizer banalidades aos jornalistas e coisas que não agradam aos directores do Benfica.

O Camacho seria bom treinador, um conhecedor profundo do futebol profundo, se esticasse o pescoço e ajeitasse a goela nas conferências de imprensa ou se fosse a jantaradas com jornalistas e comentadeiros de canais televisivos e radiofónicos. Mas não vai. O malandro insiste em escolher as companhias para jantar. Não sei bem os motivos, mas obviamente que o Camacho não serve para o Benfica. Toda a gente diz isso, portanto deve ser verdade.

O Benfica joga mal? Joga. O Benfica não evolui? Não. O Benfica tem um bom plantel? Há quem diga que tem… ok, tem. O Benfica tem um plantel escolhido pelo actual treinador? Não. O Benfica tem um plantel melhor do que o do ano passado? Não. O Benfica tem o Luís Filipe, tem o Zoro, tem o Edcarlos, tem o Butt, tem o Simão (desculpem, enganei-me neste último) e tem o argelino que o treinador não conhece. O Benfica não tem o Simão (agora acertei), não tem o Miccoli e não tem o Karagounis da época passada. Também não tem o Miguel, o Tiago, o R. Rocha ou o Giovanni que o Camacho cá deixara. Mas isso é de somenos. Qualquer clube em Portugal vive bem sem três ou quatro destes jogadores banais, quando os mesmos são substituídos por futebolistas maduros e prontos para assumirem responsabilidades num clube que quer ser campeão (o Adu, o Di Maria e o Cardozo).

Quando Camacho assumiu a equipa na segunda jornada de uma pré-época mal alinhavada e de uma época mal parida o que é que o comum dos adeptos pedia? Que fôssemos campeões com um plantel desequilibrado e feito à medida do tacticamente genial Fernando Santos? Era isso? Muito bem, para isso seria necessário o Mourinho e a fruta. Mas não! Veio o Camacho sem fruta e, mais uma vez, sem que por parte da Direcção assumam as promessas que lhe fizeram em Setembro. Assim, a culpa desta trapalhada toda é do… Camacho. Mas isto não é argumento. Mas isso não é importante. Qualquer gajo que não seja primário na elaboração táctica sabe que essa coisa das pré-temporadas e das planificações da época não são importantes. São em Agosto, e em Agosto importante é a temperatura da água do mar…

Deste modo, o gajo que é primário e é espanhol deve ser despedido já. Porque tudo o que for aquém do despedimento é branquear o seu primarismo e incompetência. É óbvio! Um excelente treinador seria campeão até a jogar com o Butt, o Luís Filipe, o Zoro, o Mantorras, o emplastro, o Saci Pereré e a Alexandra Solnado na equipa principal. Mas Camacho não é um excelente treinador. Um excelente treinador custa muito dinheirinho. Muito mais do que aquele que temos. Custa a massaroca que se paga por um Capello ou um Eriksson ou um Mourinho. Dentro do que é possível ter, Camacho é apenas uma boa solução. Há algumas soluções mais baratas: o Luís Campos, o Faquirá, o Cajuda, o Paulo Bento, o labrego de Mirandela, o gajo do Fátima, o brasileiro do Sertanense, o brasileiro da Selecção (será?) e todos os outros que têm feito um grande trabalho entre Moreira de Cónegos e Olhão. Todos esses, muito bons e baratinhos, devem ser melhores do que o Camacho que, diga-se, nem tem currículo. Entre o Mota do Paços de Ferreira com o seu eterno boné e o Camacho com o suor no sovaquito, obviamente que deve vir o génio que se sabe proteger do Sol.

Assim, depois de muito do que tenho lido, verifico que a solução para o Benfica é não branquear a incompetência do Camacho e, em justa medida, despachá-lo. Eu e mais alguns como eu, que somos primários e não gostamos de espanhóis, defendemos que o melhor é manter este espanhol como treinador do Benfica. Mas não se preocupem: eu não tenho razão alguma no que defendo, porque o Benfica está a perder jogos e essas coisas todas.

publicado por Pedro F. Ferreira às 20:24
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100 comentários:
De S.L.B. a 23 de Janeiro de 2008
Não poderia estar mais de acordo contigo!

Aliás, acho que se deve instituir uma regra no Benfica: treinador que perca dois jogos seguidos ou passe mais de três jogos sem ganhar é despedido por justa causa. Assim é que é bom! O que é preciso é estar sempre a mudar e um treinador não precisa de mais de dois jogos para mostrar o que vale, não é? Não interessa se não fez o plantel, se chegou a meio da época ou se a equipa que tem agora é inferior à do ano passado ou à da sua passagem anterior pelo clube. Não ganhas três jogos e vai-te embora, ó melga!

Triste sina a nossa...
De o glorioso a 23 de Janeiro de 2008
Simplesmente fantástico. 5 estrelas.
Assino por baixo sem ver é só o melhor comentário que li sobre tudo o que tem acontecido nesta epoca dedicando aos eternos tacanhos tipo Vasconcelos que se dizem benfiquistas.
Já agora gostava que esses dissesem quem era o treinador que queriam, quem era esse iluminado que iria pôr o Luis Filipe a ser um defesa de categoria, o Butt a ser um Preud´Homme, o Zoro uma reencarnação do Mozer, o Maxi Pereira a correr e fintar como o Paneira, o Nuno Gomes e Cardozo a ser uma dupla terrivel tipo Nene Filipovic, etc, etc...
Olhem se calhar era o patusqueiro de Olhão Cajuda mas esse amigos vai enforcar-se para outro lado ali perto do Campo Grande. Aí cala-te boca.
De cunh@ a 23 de Janeiro de 2008
pois, mas depois desse discurso, continua-mos a perder jogos!
cá pra mim a culpa é dos gajos que vão pró estadio!

O cigano dos morcões diz que não faz mal ser assobiado, quem me dera ter um jogador daqueles pra assobiar!
ah! é verdade, no ano passado tinha-mos, mas vendemos-o ao atlético de madrid.

que mania esta de vender os jogadores que a gente gosta de assobiar!!
De Leão Eça Cana a 23 de Janeiro de 2008
ora cá está o chamado "texto Tide" - depois de o ler só me apetece exclamar com voz de lavadeira que branco mais branco não há!

(já cá volto para passar a ferro, se tivermos tempo...;)
De ramalhofnm a 23 de Janeiro de 2008
só concordo com uma frase : "Vamos despedir o Camacho! "

Penso que desculpabilizas demasiado o Camacho.

O Camacho não é nem nunca foi um bom treinador, digo isto desde a primeira passagem no Benfica!
De RedFlame a 23 de Janeiro de 2008
Pois,eu também fiquei com alguma esperança quando ele voltou,mas foi mais devido á saída do Santinho.
Agora passado estes 5/6 meses,e mesmo com a grande atenuante de terem saído jogadores de classe e chegado para o seu lugar promessas de jogadores,a verdade é que não se vê um mínimo de fio de jogo,de futebol ligado,com alguma inteligência,com movimentação colectiva.
Vê-se um grupo de 11 jogadores numa correria desordenada (enquanto há pulmão e motivação) em ataques que resultam de alguma jogadas individuais,mau posicionamento em campo que resulta em ver jogadores como Rui Costa e Rodriguez a fazer sprints para recuperar bolas em vez de gastarem as energias mais a criar lances de ataque,etc.
Penso que na 1ª vez de Camacho,jogadores como Simão,tiago,Geovanni,Miguel ajudaram a esconder a pouca competência no plano táctico e de movimentação colectiva.
Mesmo com este plantel devia-se ver muito mais do que se tem visto.
È claro que lhe devem ter prometido reforços e dado garantias para tal,e agora ao não os ver concretizados ele esteja desanimado,mas isso não explica tudo.

De moonwater a 23 de Janeiro de 2008
Coitadinho do Camacho e do Vieira!!!!!!!
De Pedro Neto a 23 de Janeiro de 2008
Grande posta. O habitual no Pedro.
De Leão Eça Cana a 23 de Janeiro de 2008
Ora cá estou eu – se me permites – com menos tempo do que queria mas com a mesma vontade de usar aquela coisa do “contraditório”.

Pois bem, se tu defendes Camacho, eu opto por me defender a mim enquanto sócio pagante e adepto de bom futebol (ou, pelo menos, de “futebol”, que é o que não vejo há meses ser jogado pela equipa liderada pelo “técnico” a quem aqui tentas lavar as mãos, o corpo todo e a alma)

Então vamos lá.

O Primarismo técnico-táctico – mais do que palavras, esse tipo de ataques e insinuações dissolvem-se com resultados. E não falo de resultados literais, traduzidos em mais golos que o adversário. Refiro a resultados práticos, a demonstrações inequívocas de que a equipa sabe o que faz e como faz e põe em prática nos jogos, o que se planeia e se explora nos treinos. Refiro-me aquelas substituições que antecipam algo de errado que possa acontecer. E das outras que surpreendem e que, podendo correr mal, denotam uma vontade de vencer acima de qualquer receio de falhar. Estás contente a esse nível? Tens visto alguma coisa destas? Achas que assistimos a alguma evolução que permita encarar o futuro com esperança? Eu não! E olha que para que alguns daqueles aspectos se possam ver a olho nu, não é preciso um plantel, seja ele qual for. A capacidade de um treinador a este nível é intrínseca. Aliás, acho mesmo que se manifesta e sobressai na adversidade e na míngua de soluções. Mas a este nível já nós sabíamos que não estávamos servidos, e também não é por aí que a corda que segurava a minha paciência se partiu…

A atitude (ou a falta dela em relação ao passado) – quanto a isto, e se te lembras dos meus comentários por aqui, sempre achei estranho desejar-se este treinador alegando como principal atractivo a sua atitude. Por dois motivos:

Primeiro porque nenhuma “atitude” desprovida de técnica poderá ser vencedora num tempo que se deseja constante. Pode até garantir algumas vitórias de raça, mas não serve como garante de sustentabilidade porque é alimentada a espasmos, não a respirações. Não vive, dá sinais de vida.

Segundo: uma das duas coisas de que me lembro mais quando se fala de Camacho, é precisamente a sua atitude. A atitude de nos abandonar quando ainda tinha mais um ano de contrato, e tudo estava preparado para a sua continuidade. Foi assim como o que se passou com Fernando Santos, mas auto-promovido. Acho que a isso se chama deserção, ou o que é. Por mim nem fiquei muito abalado (até porque a segunda coisa de que me lembro é de que este senhor é responsável pela derrota do Benfica na estreia do novo estádio –algo que para sempre ficará gravado na História - ainda que aos pés do poderoso Beira-Mar liderado por esse portento chamado Beto). O que me abalou deveras foi o desejo obcecado de ver o espanhol de novo, como se lhe devêssemos alguma coisa. Mas isto são coisa minhas, e também não foi por aí que impugnei a sua volta, principalmente porque sempre achei que a vontade quase cega de grande parte dos adeptos legitimava mais uma oportunidade (pela mesma razão defendia a saída de FS, mesmo continuando a achar que, com FS, vi das melhores exibições dos últimos anos).

A sua postura – bem, se só avalias a qualidade de um treinador pelo facto de ser boa pessoa ou não…Eu não! Continuo a achar que, por muita simpatia que nutra por uma pessoa, quando essa pessoa se senta no banco do Glorioso é para por a equipa a jogar à bola e não o venero pela sua simpatia. Para isso tínhamos lá o FS, o Toni, o Chalana, o Mário Wilson, e outros Benfiquistas, que, curiosamente, se bem me lembro, foram corridos precisamente porque eram “muito boas pessoas”…e Benfiquistas, claro!

A pesada herança de um plantel vazio – quanto a isso, só te deixo a pergunta que deixei num comentário anterior: achas que este plantel pode e deve render mais, sim ou não? achas que tem evoluído na sua qualidade de jogo, no esclarecimento com que aborda o jogo, na forma como acha soluções para as adversidades? E não falo da obrigação de vencer, simplesmente quero que me digas se notas onde acabam as limitações do treinador e começam as limitações dos jogadores. Isto é: o valor do plantel está todo exprimido, ou há ali mais sumo que está a fermentar e a apodrecer na árvore, e a própria árvore?

continua …(isto está-me a censurar-me :)))
De Leão Eça Cana a 23 de Janeiro de 2008
Resumindo (para não me esticar ainda mais:): tudo o que dizes até pode ser verdade, peca na ocultação daquilo que é a verdadeira essência de um treinador – o por a equipa a jogar; e, caro consócio, este senhor não consegue. Vivia na sombra de um mito criado com a sua saída de que no ano seguinte iria ser campeão. Para mim isso não passa de especulação, sobretudo porque me lembro das exibições tão horríveis como estas a que assisti com o tal plantel que Trapatoni fez ser campeão (esse sim, um verdadeiro Técnico, mesmo quando jogávamos pior, se via qual era o objectivo e as limitações do plantel). Camacho pode ser uma excelente pessoa, e não duvido que seja. Pode ser um homem honesto e desprovido de interesses obscuros. Sem dúvida que será.
Mas, para este sócio, não é treinador para o Benfica. E, agora que os seus predicados já não convencem a maioria, aquela maioria que enchia o estádio com Trapatoni, Koeman (outro…) ou Fernando Santos, mesmo a jogar mal, agora, dizia eu, defendo a sua saída do comando técnico da equipa. Prolongar esta situação é adiar o inadiável, ou achas que ele fica para a próxima época? Ponham-no a Director desportivo ou até a Presidente, no banco NÃO!

(e já nem lá vou assobiar, descansa…)

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