VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 1 de Junho de 2008

Pela memória de Carlos Alhinho

 

Escreveu Eduardo Lourenço que “habitados a tal ponto pela saudade, os Portugueses renunciaram a defini-la.” Esta saudade que vive na nossa portugalidade leva à obrigação da recordação, mas não obrigatoriamente à obrigação da memória. Para que houvesse memória seria necessário que se tivesse produzido real, que (nas palavras de José Gil) tivesse havido “inscrição”. No entanto, nesta nossa vivência da portugalidade, a “não-inscrição” é mais confortável do que a capacidade de produzir o real.

Serve este pequeno intróito para escrever um pouco sobre a nossa capacidade de viver a saudade sem conhecer a memória. Ontem, morreu o Carlos Alhinho. Em Portugal, o Alhinho jogou futebol profissional na Académica, no FC Porto, no Sporting, no nosso Benfica, no Portimonense e no Farense. Foi 15 vezes internacional A. No nosso Benfica jogou 4 épocas (de 1976 a 1980), ganhou 2 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Super Taça. Jogava como defesa e foi, salvo erro, o primeiro futebolista português a jogar nos denominados “três grandes”. No passado dia 17, O Cromo dos Cromos (o outro site para o qual escrevo) ia homenageá-lo em Coimbra, juntamente com o Simões (FCPorto, Académica, Portimonense) e com o Rui Rodrigues (Académica, Benfica). O Alhinho não pôde estar presente porque o Benfica o convidara a acompanhá-lo na recente deslocação de final de época a África. No entanto, ficara combinado que não faltaria ao nosso próximo encontro. Ontem, chegou a notícia de que morrera de uma forma absurda. Sei que, no próximo encontro que fizermos, ele, mesmo não estando, estará presente. E sei-o porque este futebolista, como tantos outros, povoa o imaginário infanto-juvenil de todos os que viveram o futebol português nas décadas de 70 e 80. O Alhinho faz parte do tempo em que se coleccionavam os cromos dos nossos ídolos com a capacidade de inscrever o sonho na realidade. Enfim, produzia-se real. E é esse real produzido que me (nos) impede de permitir que não haja memória. Mais do que a saudade é urgente a memória.

O Carlos Alhinho faleceu ontem. Saibamos ter a memória de um dos grandes futebolistas que muito honrado se sentia por ter um dia representado o nosso Clube.

publicado por Pedro F. Ferreira às 12:34
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11 comentários:
De leça&benfica a 1 de Junho de 2008
descanse em paz , até sempre campeão....
De Pedro Neto a 1 de Junho de 2008
Bela homenagem, Pedro.
De Vermelhão a 1 de Junho de 2008
Depois de Manuel Galrinho Bento, é mais um pedaço da minha juventude que parte.
Tendo jogando nos 2 clubes mais ou menos grandes e no clube enorme, Carlos era e será sempre o Alhinho do Benfica.
Obrigado por tudo e fica certo que continuas presente nos mais belos sítios do mundo: no nosso estádio e na nossa História!
De campoestrela a 1 de Junho de 2008
Foi também na década de 80 treinador de uma grande equipa do mítico Lusitano de Évora de que fazia parte o seu irmão Alexandre Alhinho. mais um que vimos partir. AY-A-TOLA
De Anónimo a 1 de Junho de 2008
Carlos Alhinho era um daqueles Homens que podemos considerar de integro. Passando pelos três grandes clubes Portugueses sempre os respeitou de uma forma muito correcta o que só por isto demonstra bem o seu carácter.
Uma lamentável morte provocada pela pancada da cabine de um elevador numa porta que nunca se deveria ter aberto, Como foi possível tecnicamente acontecer isto, a mais um Homem BOM, lamentável.
Paz à sua Alma
De T-Rex a 2 de Junho de 2008
Mais um grande futebolista que parte, mais um que ficará para sempre na nossa memória.

Que descanse em paz.
De Simon a 2 de Junho de 2008
RIP
De Paulo a 2 de Junho de 2008
Grande homenagem!

Honra à sua memória.
De Artur Hermenegildo a 2 de Junho de 2008
Lembro-me que creio que na época em que chegou ao nosso Benfica o Alhinho provocou uma enorme "dor de cabeça" ao Mortimore. Isto porque ficámos então com ele, Humberto e Eurico, todos eles centrais da selecção nacional, para dois lugares.

Numa tentativa de não abdicar de nenhum, Mortimore ainda ensaiou nalguns jogos Humberto a meio campo, com Alhinho e Eurico na defesa - mas foi experiência de duração curta, e Alhinho e Eurico passaram a alternar ao lado de Humberto.

Lembro-me de alguns títulos d'"A Bola" desse tempo:

- depois de um jogo em que Humberto regressou à posição de defesa:

"Humberto ^(que exibição!) a "libero" nem tem discussão possível"

- e depois de um treino da selecção (o "????" é para o nome do seleccionador, de que não me lembro)

"????? sem dúvidas na dúvida de Mortimore"

Grandes tempos...

Que pena vê-lo partir assim.
De Carlos Eduardo Alhinho a 20 de Abril de 2009
Caros amigos e amantes do melhor desporto do mundo,

Hoje, quase um ano depois de ter lido estes comentários pela primeira vez, nada me resta se não agradecer as simpáticas palavras de todos e em especial ao Pedro pelo bonito texto.
Foi grande no desporto, grande como homem de família e enorme como pai.

Até sempre "Gigante"...
Encontramo-nos mais à frente!

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