VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 28 de Setembro de 2008

Natural


Olhem, sinceramente, tenho que começar por dizer que estou um bocado chateado com o Quique Flores. É que sempre me habituei a ver o Benfica como um clube que respeita os seus adversários, e que sabe manter uma postura elevada quer na vitória, quer na derrota. Por isso acho que é um extremo desrespeito pelo Recreativo Piqueniqueiro do Lumiar que ele tenha chegado a este jogo, e tenha decidido:

"Sportém? Contra esses basta metermos dois adolescentes no centro da defesa. E só para o desprezo ser ainda maior, vou manter o Léo no banco e o Jorge Ribeiro a titular. Coño!"

Mas pronto, para o karma não ser tão negativo, também houve boas acções da nossa parte. É sempre bom proporcionarmos a oportunidade a um par de rapazes de realizarem o seu sonho de infância: jogar no relvado de um Estádio da Luz cheio. É bonito, a criançada gosta, e o Veloso e o Moutinho ficam com memórias preciosas deste dia tão especial, para um dia poderem contar aos netos quando os levarem pela mão a ver o seu primeiro jogo na Luz.

Portanto, conforme se pode depreender dos parágrafos anteriores, o Benfica não mudou nada em relação ao jogo em Paços de Ferreira. Foi exactamente o mesmo onze que entrou em campo, o que me deixou um tanto ou quanto nervoso pela presença do Jorge Ribeiro na esquerda, e pela estreia do Miguel Vítor num jogo destes. Mas o Quique é que sabe, e é por isso que ele está sentado no banco do Benfica e eu estou sentado em casa a jogar Football Manager. O jogo começou animado: ainda antes do primeiro minuto ter decorrido, já o sportém tinha dado o mote daquilo que seria o seu jogo, e criado uma oportunidade: lançamento comprido para as costas da defesa, e depois o Djaló encarregou-se de falhar. Respondeu o Cardozo com um remate de muito longe, a tentar surpreender o guarda-redes adversário. Esta animação perdurou durante alguns minutos, e depois caiu-se na rotina que tem sido, nos últimos anos, ver um jogo do Benfica na Luz contra o pessoal do Lumiar. Eles a trocarem a bola calmamente cá atrás, aparentemente satisfeitos da vida com o empate, e a tentarem surpreender com lançamentos longos para as costas da nossa defesa. E nós demasiado lentos para conseguirmos surpreender o adversário. O que se passava nesta altura é que o Benfica jogava com as linhas demasiado próximas, e recuadas. Isto permitia que o sportém trocasse a bola mais ou menos à vontade mesmo à entrada do nosso meio campo, sem que houvesse muita pressão sobre os seus jogadores. Como eles não se mostravam com muita vontade de arriscar no ataque, e nós não mostrávamos muita vontade de pressionar na procura da bola, o jogo entrou numa toada enervante e pouco atractiva, em que a bola passava demasiado tempo nos pés deles e muito pouco acontecia.
Houve um ou outro safanão (remate do Postiga; oportunidade do Nuno Gomes), mas o equilíbrio foi a nota dominante. O nulo ao intervalo aceitava-se perfeitamente, face ao que se tinha visto no jogo.

Ao intervalo, o Benfica ganhou o jogo. Eu ainda não sabia, o sportém também não, nem sequer o Benfica sabia ainda. Mas quando o Quique fez entrar o Katsouranis para o lado do Yebda, ganhou o jogo. O efeito foi imediatamente visível. Com as costas protegidas pelo Katsouranis, o 'tanque' Yebda teve mais liberdade para subir e pressionar os adversários. As nossas linhas subiram, e as deles, consequentemente, recuaram. Isto era particularmente óbvio quando se reparava na posição do Veloso (por quem passava 90% do jogo do sportém), que agora aparecia quase colado aos centrais. O jogo de contenção do sportém, em vez de ser feito à entrada do nosso meio campo, tinha agora que ser feito já dentro do meio campo deles, com as consequências óbvias do perigo que representava uma perda de bola aí, e ainda da maior dificuldade em fazer a bola chegar ao ataque. O Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento não soube responder a isto. O que aliás não é surpreendente, porque o Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento raramente sabe responder ao que quer que seja. Aquela equipa está constantemente amarrada a um sistema táctico imutável, em que ele é capaz de trocar os jogadores, mas aquilo parece uma espécie de jogo das cadeiras: eles rodam por ali até se encaixarem todos nas posições fixas do 4-4-2 em losango. Por exemplo: sai o Abel, entra o Pereirinha. Será que ele vai arriscar jogar só com três defesas? Não, o Pereirinha entra e vai ocupar exactamente a mesma posição do Abel, na direita da defesa. Sai o Ronhónhó e entra o Etíope Mergulhador. Será que ele está a colocar a carne toda no assador, e vai jogar com três avançados? Não, o Djaló recua para a posição anteriormente ocupada pelo Ronhónhó, no vértice avançado do losango, e o Mergulhador vai para o ataque, fazer o mesmo que o Djaló fazia. E fica tudo na mesma.

Não sei explicar, mas parti para este jogo com uma confiança inabalável de que iríamos vencê-lo. Não sei, talvez porque, na minha cabeça por vezes excessivamente analítica e racional, há constantes na vida. E quando eu olho para as equipas do Benfica e do sportém, o mais natural é que a equipa do Benfica vença a do sportém. Nós temos o Reyes, e eles têm um indivíduo com pinta de quem mora num atrelado que se chama Ronhónhó. Nós temos o Aimar, e eles têm um sujeito rotundo, com evidentes dificuldades de locomoção, que acho que se chama Rochembolha, e que conseguiu ser dispensado a custo zero do clube anterior. Nós temos o Sídnei e eles têm o Túnel, que um dia se foi mascarar de D.Afonso Henriques para a capa de um jornal. Nós temos o Cardozo e eles têm um gajo que foi um barrete no Tottenham, no fóculporto, no St.Etiénne, no Panathinaikos, e que depois foi impingido à lagartada em jeito de esmola por andarem caladinhos, e cujo maior mérito tem sido conseguir marcar golos em fora-de-jogo
(pronto, fez uma boa época no fóculporto do Mourinho, antes de ser vendido ao Tottenham, e tem andado a viver às custas disso desde então - mas quem é que não faz boas épocas com o Mourinho?). Portanto, ou acontecia uma daquelas surpresas em que o futebol por vezes é fértil, e aquele paralelepípedo táctico recheado de artolas conseguia uma vitória improvável (só mesmo um calhau como o Jesualdo é que, por mais que tente, não consegue arranjar forma de dar a volta a isto e sistematicamente leva banhos tácticos do Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento), ou então as coisas passavam-se com naturalidade e o superior valor de um dos nossos jogadores resolvia a questão. Certa ou errada esta era, pelo menos, a minha lógica inabalável. Felizmente foi esta última hipótese que se verificou.

O jogador em causa foi o Reyes. Já durante a primeira parte, durante os períodos da mais exasperante monotonia que atravessámos, sempre que o Benfica tinha a bola eu passava a maior parte do tempo a berrar para que metessem a bola no Reyes. Ele nem sempre toma as melhores decisões. Por vezes agarra-se demasiado à bola, ou tenta furar por entre cinco adversários. Mas caramba, ele era quem mais tentava dar velocidade ao jogo, era quem levava a bola para a frente, partia para cima dos adversários, e era aquele em quem eu depositava mais esperanças para tirar um coelho da cartola. Já com o Aimar em campo (mais uma estocada táctica do Quique sobre o Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento - o público não gostou da saída do Nuno Gomes e assobiou, mas já o Trapattoni dizia que nós não percebíamos nada de bola), há um lançamento de linha lateral sobre o lado esquerdo. O Reyes recebe a bola, e toca-a para o Aimar, que devolve de primeira para a frente do Reyes. E eu confesso que este foi um dos golos que mais gozo me deu ver na Luz - e já foram muitos os que tive a felicidade de ver. Por causa da antecipação. Porque naqueles escassos instantes antes do Reyes chegar à bola eu, que estava numa posição privilegiada para ver este golo (exactamente na diagonal, vendo o Reyes pelas costas) adivinhei o que ele iria fazer. Se calhar um jogador 'normal', recebendo aquele passe do Aimar, tocaria a bola em direcção à linha final para depois tentar o centro. Mas, pensei eu, aquele é o maluco do Reyes. E dali, perfeito, perfeito é um pontapé cruzado, de primeira, feito com a parte de fora do pé, por isso é isso mesmo que ele vai fazer. Quando o Reyes chegou à bola eu comecei a gritar golo. É para isto que ele está lá, é por isso que ele é caro. Porque tem a capacidade de decidir jogos em pormenores.

O sportém respondeu a este golo com a habitual mestria táctica do Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento: tirou um avançado (Postiga) e meteu outro (Derlei), que foi fazer exactamente o mesmo que o anterior, apenas com o pormenor de conseguir dar um bocado mais de porrada no processo. Estranhamente, esta alteração radical não teve efeitos visíveis, e imediatamente a seguir (ainda eu estava a rever na cabeça mais uma vez o golo do Reyes) o Benfica marcou o segundo e arrumou a questão. Livre do lado direito marcado pelo Carlos Martins para o segundo poste, onde apareceu o Sídnei a ganhar de cabeça ao Polga (este já deve começar a ficar habituado a ser batido por um central do Benfica para sofrer um golo) e a fazer o 2-0. A julgar pelos festejos do Carlos Martins, julgo que ele também era capaz de estar a realizar um sonho qualquer dele (em particular, o de encavar o Paulo 'nunca perdi na Luz' Bento). A partir daqui foi só deixar o tempo passar, até porque o jogo estava de tal forma controlado que, confesso, nem reparei que a partir de determinada altura ficámos com menos um jogador. Vi o Carlos Martins sair, mas nem reparei que ele não voltou a entrar, porque não se deu pela falta dele (o Yebda chegava e sobrava para andar no meio e ainda ir à direita). Só quando um colega de bancada o mencionou, já em período de descontos, é que me apercebi do facto.

Não sei quem posso eleger como o melhor. Adorei os dois putos no centro da defesa. Pareceram começar um bocadinho nervosos (a fuga do Djaló logo no início deve ter assustado), e raramente arriscavam sair com a bola controlada ou até mesmo passes para a frente, optando muitas vezes pelo atraso para o Quim), mas depois acertaram o passo e raramente falharam. O Sídnei já se sabe que é craque, mas a 'surpresa' maior é o Miguel Vítor. A julgar pela exibição, não diria que se estava a estrear num derby. O Yebda continua a agradar-me muito; é para mim imprescindível no meio campo, e parece render mais com o Katsouranis ao lado. Claro que também tenho que mencionar o Reyes. Já o disse: durante a modorra da primeira parte, era aquele que mais parecia ser capaz de fazer algo para agitar o jogo. E depois aquele golo foi lindo, e decisivo. Quanto a exibições menos conseguidas, julgo que o Cardozo esteve hoje abaixo daquilo que lhe é exigível (daí o desagrado do público aquando da substituição do Nuno Gomes, já que esperavam que fosse o paraguaio a sair).

Já há quatro meses que não via o Benfica na Luz (desde Maio). Foi bom regressar a 'casa', foi bom voltar a estar entre os meus, reencontrar os colegas de bancada, ou melhor, amigos circunstanciais, cuja amizade dura normalmente noventa minutos de quinze em quinze dias, e ver a minha equipa jogar. Não havia melhor forma de celebrar este regresso do que com uma vitória sobre os piqueniqueiros do Lumiar. Pelo menos durante um par de dias devemos estar livres de os termos a azucrinar-nos o juízo. Quer dizer, ainda não vi qualquer resumo do jogo (de alguma forma, nao sei se quero ver uma repetição do golo do Reyes, acho que prefiro recordá-lo da forma que o vi no estádio), mas se calhar eles já conseguiram arranjar umas quantas expulsões, ou um par de penáltis não assinalados que justifiquem a derrota. É a natureza deles.

publicado por D`Arcy às 01:43
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26 comentários:
De RT a 28 de Setembro de 2008 às 02:01
Grande post. Concordo com tudo menos com a parte da substituição do Nuno Gomes.
Também eu tive no estádio e quando o Nuno Gomes saiu o pessoal estava era a aplaudir a sua saída, e não o seu trabalho, porque convenhamos que não fez nada de especial (pelo contrário, lembro me de umas perdas de bola bem enervantes).
E quanto ao Cardozo, também não acho que esteve abaixo do exigível: teve boas oportunidades, procurou sempre o remate, mesmo de longe, lutou contra os centrais por vezes sozinho (onde andava o Nuno Gomes?) e se tivesse marcado golo toda a gente ia dizer que ele tinha sido dos melhores em campo.
However, resta me só salientar o grande ambiente que se viveu no estádio entre os 2 golos e uns minutos depois do 2º golo, até a "onda mexiacana" se fez!
Força Benfica!
De mitul a 28 de Setembro de 2008 às 02:09
recomendo vivamente a leitura da "análise" do jogo no site do Sporting, absolutamente hilariante, ao ponto de compensar a visita ao antro da lagartagem na internet.
http://www.sporting.pt/Info/Futebol/Noticias/noticiasfutebol_futslbscpcro_270908_45471.asp

"Dois lances de bola parada ditaram um resultado injusto (0-2), já que a equipa que foi sempre superior saiu do relvado sem qualquer ponto, perante um adversário que passou 90 minutos a chutar a bola para a frente."

de resto, o que dizer? Excelentes Yebda, Reyes e Sidnei, mau o Nuno Gomes (que fanhanço na primeira parte).

uma vitória bem merecida que vem a moralizar a equipa antes do importante jogo com o Nápoles, agora é tomar, segurar e construir a liderança do campeoanto. acredito que este Benfica nos vai trazer imensas alegrias!
De Miguel F. a 28 de Setembro de 2008 às 02:20
Apesar de não ser daqueles de marcar golos ou fazer jogadas de levantar um estádio, o Yebda é um jogador absolutamente fantástico.
De D`Arcy a 28 de Setembro de 2008 às 02:21
Deve ser o JAL quem escreve as análises para o site da lagartagem.

Não me parece que o Nuno Gomes seja o principal culpado pelo falhanço da primeira parte. Aquilo não foi um centro do Maxi, foi mesmo um remate, e era difícil o Nuno Gomes chegar lá a tempo e conseguir emendar correctamente.
De D`Arcy a 28 de Setembro de 2008 às 02:21
Bem, e o pormenor de classificarem o golo do Reyes como 'de bola parada' é fantástico! :)
De Anónimo a 28 de Setembro de 2008 às 02:50
Grande SPORT LISBOA E BENFICA que actuou esta noite na Luz contra um adversário de grande valor, impõs uma derrota a duas bolas sem resposta, ao adversário o seu grande rival de sempre o xeporting. Mesmo com mais um roubo (penalty clarissimo sobre o Yebda) o glorioso deixou já umas boas indicações quanto ao futuro.
Agora é preciso não perdermos a embalagem para a próxima quinta feira. estaremos perante mais um jogo difícil mas a vitória é possível.Apoiemos no estádio desde o inicio o Glorioso BENFICA BENFICA BENFICA.
De Jorge Ventura a 28 de Setembro de 2008 às 09:04
Dei umas boas gargalhadas a ler a tua crónica com esse teu humor certeiro e mordaz...realmente o Sportem é tudo isso e portanto muito bem soube aquela vitória de ontem sem "espinhas"...!
Parabéns a toda a equipa, aos Benfiquistas que estavam no estádio...é preciso lá irmos de novo em força na próxima quinta e realço apenas em relação aos jogadores algo que tu não frisaste mas que para mim foi essencial...a entrada de Aimar ...entrou muito bem no jogo, com ganas e ajudou desde logo a fazer a diferença ...!!!
Admira-me não teres falado na arbitragem...é verdade que ganhamos mas esta foi sempre tendenciosa...lances divididos sempre a favor do Sportem , lançamentos cantos ao contrário, livres perigosos marcados, cartões por mostrar e no topo do bolo o incrível penalty a terminar a 1ª parte nas barbas do gajo cometido pelo caxineiro ...tivemos uma vez mais de jogar contra 14...!!!
Saudações Benfiquistas
De Balentone a 28 de Setembro de 2008 às 09:57
Sempre gostei do estilo de escrita do D'Arcy, mas nestes últimos tempos tens estado hum pico de forma monumental. Parabens.
Quanto ao jogo, ganhou a única equipa que quis vencer o jogo. Um Zborden apático na segunda parte e um banho táctico de Quique no seboso Paulo "vou comer umas palavras no meio do meu discurso para não se perceber o que digo" Bento, a prova de que o Benfica tem melhor plantel que o Porto B (basta olhar para o Banco do SLB com Katso, Di Maria, Aimar, Mak aos quais se podiam juntar Suazo, Luisão e D. Luiz) e daqui por umas jornadas, ser colectivamente consistente.
Dêem-nos tempo porra.
PS1: Se Miguel Vitor jogasse de verde e branco, o que não se diria acerca da "brilhante" escola de formação verdusca
PS2: a "lesão" de Vuk tem tanto ridiculo como as declarações do Joao Montinho de mer** a dizer que mereciam o empate... Vai mas é trabalhar como as pessoas. Só querem protagonismo


Força Benfica e na quinta feira vamos lá dar cabo dos mafiosos de azul
De Yur@n a 28 de Setembro de 2008 às 10:18
O paulo "que já não perdia à 3 anos na luz" bento, levou um banho de humildade.
Não sei bem o que dizer do jogo, só sei que é muito saboroso quando acaba o jogo e a vitória nos sorriu, especialmente contra a lagartada e os corruptos.
Reyes melhora de jogo para jogo e este golo de antologia é o corolário dessa subida de rendimento.
No essencial foi um bom treino que fizemos para 5ª feira.
Depois da brilhante indicação dada pela UEFA em relação aos foras-de-jogo, "só marcar quando há certeza absoluta" :), terá também alterado a regra que diz que só o guarda redes pode jogar a bola com as mãos?
De PR a 28 de Setembro de 2008 às 10:48
Quique Flores arriscou muito e ganhou. Manter o Jorge Ribeiro em prejuizo do Leo , voltar a entregar o centro da defesa aos míudos , ter um meio campo com Ruben Amorim, Yebda e Carlos Martins, deixando Katsouranis no banco...
A verdade é que a primeira parte foi sofrida e, na minha opinião, o jogo começa a mudar quando entra o Katsouranis para pôr ordem no meio campo, ajudar Yebda e impedir o Sporting de chegar tão facilmente à nossa área. Ao intervalo teria tirado o Carlos Martins e não o Ruben Amorim, mas isso sou eu. Cardozo deve ter feito dos seus piores jogos na Luz e também acho que o Nuno Gomes estava melhor. Mas o que se nota este ano é que existe ordem e trabalho nesta equipa. E um treinador que sabe o que faz. Podia ter perdido, sim. Mas soube estar á altura da aposta que fez e emendar a mão quando foi preciso, e eu prefiro mil vezes isso do que aqueles treinadores que se acham donos da verdade e nunca corrigem nada, mesmo quando se percebe que estão a meter água. Quando um treinador vem dizer que é preciso pôr o "nós" acima do "eu", eu acho que foi exactamente aquilo que se viu ontem. Quique Flores ao intervalo teve de mudar para ganhar. Pôs os interesses da equipa em primeiro lugar. Sidneu e Miguel Vitor passam a ter outro estatuto, Ruben Amorim cada vez melhor, Reyes é de uma classe extra e ontem correu e lutou mais. Aimar entrou bem, e Katsouranis é, obviamente, muito melhor no meio campo do que na defesa. Claro que Leo é melhor que Jorge Ribeiro e mais tarde ou mais cedo voltará à equipa. Contínuo a achar que há ainda muito trabalho e que a equipa ainda tem de crescer muito, mas acho que estamos no bom caminho. E ganhar um clássico é sempre especial, já tinha saudades.

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