Um pouco à margem (ou talvez não…) do acto eleitoral que irá decorrer no final desta semana, a direcção ainda em exercício, goste-se ou não (e não é isso que pretendo discutir aqui), vai cumprindo o seu dever de preparar a nova época.
Como habitualmente, o que tem marcado a referida preparação tem sido as contratações. Claramente, as contratações de Jorge Jesus e de Javier Saviola são aquelas que, até ao momento, mais efeito mediático tiveram. Se no primeiro caso tratou-se quase de uma novela, no segundo fomos ‘surpreendidos’ pela rapidez com que se concretizou.
Para além destas contratações, não podemos menosprezar a importância da contratação de dois laterais (Shaffer para a esquerda e Patric para a direita), por serem posições em que estávamos deficitários, e a do médio Ramires que, esperamos nós, virá preencher a lacuna que o plantel apresentava na época passada, no que respeita à capacidade de “transportar” jogo e de tornar o meio campo mais coeso.
Tudo isto sem esquecer a renovação de contrato de Nuno Gomes, a grande probabilidade de Katsouranis não ficar e a incógnita acerca de Reyes.
Começando pela contratação de Jorge Jesus: já afirmei, em comentários a outros posts, que nunca fui favorável à sua contratação. Não esqueço, nem esquecerei, a forma como precedeu após o final do jogo Benfica-Braga. Para além do mais, julgo que a imprensa tem sobrevalorizado os seus méritos. No entanto, é um facto que teve mérito na forma como conseguiu colocar o Belenenses e o Braga a jogar bom futebol. Mas por outro lado, não basta jogar bom futebol, também é necessário obter bons resultados.
Mas neste momento, a minha opinião de nada importa. Jorge Jesus é o novo treinador do Benfica e o que realmente importa é que ele tenha as melhores condições possíveis para fazer um bom trabalho e, acima de tudo, que consiga fazê-lo. O facto de conhecer bem a realidade do futebol português e de já ter passado por equipas de pequna e média dimensão (com quem teremos de disputar 78 dos 90 pontos em jogo ao longo do campeonato) poderá ser um trunfo que tem faltado ao Benfica nestes últimos anos.
Penso ser também relevante assinalar o facto de Pietra integrar a equipa técnica de Jorge Jesus. Não só por ser um “homem da casa” mas também pelo facto de ter estado ligado, nos últimos anos, há prospecção de novos jogadores.
Quanto aos jogadores já contratados: Saviola dispensa apresentações. Ramires tem como cartão de visita o facto de ter sido titular (e campeão) pelo Brasil na Taça das Confederações. Para além do mais, parece preencher o perfil de jogador que faltava ao meio campo do Benfica (independetemente da mais que provável saída de Katsouranis). De Shaffer e Patric conheço pouco, mas não ponho em causa a qualidade dos mesmos, antes pelo contrário!
No entanto, e se a qualidade dos jogadores contratados não está de forma alguma em causa (antes pelo contrário!), sabemos que a qualidade dos mesmos nem sempre é sinónimo de uma boa equipa… A época que agora finda é disso exemplo (mesmo considerando as “interferências” que, em momentos cruciais da época, impediram a equipa de ganhar a confiança necessária para que pudesse desenvolver todo o seu potencial…).
A meu ver, o que tem faltado ao Benfica não é tanto a qualidade mas sim espírito de equipa e a capacidade para superar as adversidades (mesmo que muitas vezes imputáveis a “factores externos”…). Penso que, mais importante do que contratar jogadores de qualidade acima da média, o Benfica necessita de jogadores que formem um “núcleo duro” que confira ao plantel um verdadeiro sentido de equipa que facilite, então, a integração de novos jogadores e de eventuais “estrelas”. Infelizmente, o Benfica tantas vezes tem seguido o caminho inverso: contratar jogadores talentosos e esperar que daí resulte uma boa equipa…
Como tal, para além da importância de manter alguma estabilidade do plantel (e nesse sentido, é de assinalar a renovação de Nuno Gomes), gostaria que o Benfica explorasse mais o “mercado” português. Creio ser desnecessário discorrer sobre a importância que tem a identificação de um jogador com o clube que representa. E naturalmente, um jogador português ou que, pelo menos, jogue em Portugal há tempo suficiente para se sentir identificado com o futebol português, mais facilmente identifica-se com o Benfica do que um jogador estrangeiro que, independentemente da sua qualidade, nunca jogou em Portugal. Como tantas vezes já foi dito, a base da última equipa do Benfica que foi campeão era constituida por 8 jogadores portugueses…
Para além do mais, seria, na minha opinião (e na de muitos outros benfiquistas), muito importante começar a, gradualmente, tirar (mais) partido do excelente trabalho que tem sido feito ao nível das camadas de formação (Miguel Vítor é disso um óptimo exemplo), pois para além de haver muitos jogadores de qualidade, estes transportam consigo algo que não é “comprável” e que já mencionei: a identificação com o clube. E quem melhor que os jogadores que fizeram a sua formação enquanto tal precisamente no Benfica?
Mais ainda, julgo que esta aposta nos jogadores provenientes da formação é essencial do ponto de vista da sustentabilidade, por razões várias que julgo ser excusado pormenorizar.
Desta forma, tenho ainda algumas expectativas em relação à definição do plantel para a nova época. Gostaria de ver algum “sangue novo” e determinação proveniente das camadas de formação a tirar partido da experiência e qualidade que já existe no plantel (e vice-versa!) e, porque não, do conhecimento que Jorge Jesus tem dos "recantos" do futebol português, para desta forma voltarmos a ter uma equipa competitiva e capaz de fazer frentes às adversidades, que, mais uma vez, se antevêem muitas e sabendo que só podemos depender de nós próprios para as ultrapassar…
Para concluir, resta-me desejar que o Benfica não só ganhe o campeonato mas também (e acima de tudo) que ganhe, de uma vez por todas, uma equipa, que permita num futuro próximo ganhar muitos campeonatos!
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.