VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Nostalgia

Saí esta noite da Luz com uma disposição nostálgica. Porque o que vi foi aquilo a que me habituei, aquilo com que cresci. Chegávamos às noites europeias e ao Benfica saía-lhe ao caminho uma equipa de Leste, daquelas de quem nunca tínhamos ouvido falar. Findos os noventa minutos, do jogo na Luz, já sabíamos que dificilmente voltaríamos a ouvir falar deles, e eles levavam na bagagem uma história para contar, da vez em que visitaram o Benfica e apanharam uma tareia. E no final ainda agradeciam a experiência.

Fábio Coentrão e Shaffer de início foram as alterações relativamente ao jogo com o Marítimo. Esperava uma entrada forte do Benfica no jogo, mas a verdade é que tal não aconteceu. O que pareceu foi que entrámos numa toada um pouco mais cautelosa do que o costume, quase que estudando o adversário. Isto durou até cerca de metade da primeira parte, e durante este período cheguei a pensar que o Benfica se tinha deixado embalar pelo ritmo pausado dos ucranianos, que trocavam bem a bola entre si, mas apenas no seu próprio meio campo, já que pareciam ser incapazes de criar qualquer perigo para a nossa baliza. Depois deste período inicial, e como que acordados por um remate disparatado do David Luiz (quando poderia ter amortecido a bola para o Coentrão), o Benfica terá percebido que pouco haveria a temer, e subindo as linhas entrou num período de domínio completo do jogo, que só terminaria aos noventa minutos. Esta pressão depressa foi recompensada, já que à meia hora de jogo o Di María, aproveitando um passe(?) longo do Fábio Coentrão, ganhou em velocidade aos defesas e, isolado, picou a bola com calma sobre o guarda-redes. Em vez de abrandar com o golo, pelo contrário, o Benfica pressionou ainda mais, e esteve por várias vezes perto do segundo, em particular pelo Saviola, que só não marcou mesmo por mérito do guarda-redes adversário. Face à forma como terminámos a primeira parte, sempre em cima do adversário, o resultado de 1-0 era curto e sabia a pouco.

A segunda parte foi a continuação do final da primeira. O Benfica sempre em cima do adversário, e nós a termos a oportunidade de rever muito daquilo que tanto gostámos de ver na pré-época, nomeadamente a pressão feita sobre o portador da bola praticamente à saída da área adversária, e o jogo colectivo com a bola em constante circulação de pé para pé. Uma falta sobre o Saviola na área passados apenas sete minutos deu ao Cardozo a oportunidade de se redimir do penálti falhado contra o Marítimo, e ele fê-lo marcando o penálti como bem sabe, colocado e em força para a esquerda do guarda-redes. E dois minutos depois, o jogo ficou praticamente sentenciado quando o Cardozo devolveu o obséquio ao Saviola, e após um excelente pormenor assistiu o argentino para um golo à boca da baliza. Com três golos de vantagem seria de esperar que o Benfica abrandasse um pouco, mas nada disso aconteceu. O domínio continuou, e era fácil prever que o resultado se pudesse avolumar ainda mais, o que veio a acontecer já com o Weldon em campo, quando à Mantorras, cerca de dois minutos após ter entrado, ele aproveitou um ressalto para marcar o quarto da noite. Só depois deste golo, e com a entrada do César Peixoto em campo, que colocou o Benfica a jogar num esquema táctico diferente, em que o Weldon era o único avançado, é que as coisas abrandaram um pouco, o que até permitiu ao Vorskla subir um bocadinho, ganhar alguns cantos, e até enviar a bola na direcção da nossa baliza pela primeira e única vez. Nada que colocasse em causa a superioridade incontestável demonstrada esta noite pelo Benfica.

Uma grande quota parte da superioridade do Benfica esta noite deve-se aos suspeitos do costume, ou seja, ao trio argentino. O mais exuberante deles todos foi o Di María, mas a mobilidade do Saviola e a capacidade de organização do Aimar (para além do trabalho que fez a meio campo) foram importantes. O Cardozo ainda esteve algo abaixo do que já o vimos produzir na pré-época, mas apareceu decisivamente em vários momentos. O pormenor na assistência para o terceiro golo foi excelente e antes disso, ainda na primeira parte, já tinha com um toque de cabeça deixado o Saviola isolado na cara do guarda-redes. O Javi Garcia continua a mostrar ser fundamental em campo, muito pelo trabalho quase invisível de compensações e dobras que faz. Na defesa, destaco o David Luiz, que por vezes parecia estar em toda a parte, sobrando-lhe ainda vontade para trazer a bola para a frente. Praticamente perfeito. E uma referência para a boa entrada do Ramires no jogo, parecendo mais solto e mais bem integrado na equipa. Por último, tenho que mencionar aquele que, a continuar neste tom, ameaça tornar-se numa nova coqueluche dos adeptos, o Fábio Coentrão. Voltou a fazer uma exibição muito positiva nos minutos em que esteve em campo, não parecendo afectado pela pancadaria a que foi sujeito pelos defesas ucranianos.

Por falar em pancadaria, uma observação sobre a arbitragem.
O Vorskla veio à Luz com exactamente as mesmas intenções do Marítimo. Ainda vi no início do jogo alguns jogadores ucranianos a deixarem-se cair assim que sentiam a proximidade de um jogador do Benfica e, com o julgamento condicionado pelas arbitragens portuguesas, ficava à espera de ouvir o inevitável apito, ficando depois surpeendido quando tal não acontecia e via o árbitro mandar o jogador em questão levantar-se. A verdade é que após alguns episódios destes os jogadores deixaram de se atirar para o chão, e nunca assistimos ao antijogo vergonhoso com que fomos brindados no fim-de-semana passado. Porque só mesmo um árbitro português (e cá dentro, porque lá fora é outra história) é que permite este tipo de comportamento sistemático. Não sei quem era o árbitro esta noite. Mas coisas tornam-se muito mais fáceis quando um árbitro assinala as faltas que ele julga serem-no, independentemente da zona do terreno onde os lances ocorrem; quando ele manda seguir o jogo quando julga não haver qualquer falta, em vez de interromper o jogo de cada vez que um jogador se deixa cair; quando mostra cartões amarelos pelos motivos correctos, ou seja, faltas duras ou persistência no comportamento faltoso; e ainda quando ordena a entrada de assistência médica por dá cá aquela palha.

A eliminatória está agora praticamente decidida, não só pelo resultado confortável, mas também pela demonstração da enorme diferença de classe que existe entre as duas equipas. Foi muito bom ver o Benfica fazer num jogo oficial o mesmo que o vi fazer durante toda a pré-época.

publicado por D'Arcy às 00:49
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15 comentários:
De iPhoenix a 21 de Agosto de 2009
É bom não esquecer que os ucranianos só deixaram de catar minhocas a partir do golo do Benfica.. tal nunca aconteceu no Benfica-Marítimo porque nunca tivemos em vantagem no jogo..

É sempre bom ir ao Estádio da Luz gritar golo uma dezena de vezes e saltar 4, mas o Benfica não está só na Europa e para lá chegar pr'o ano tem de saber lidar com os autocarros e as faltinhas, algo que ainda não demonstrou fazer nem na pré-época nem no 1º jogo do campeonato.

Temos portanto um Benfica que ainda não mostrou soluções para ser campeão nacional, no entanto, promete muito para a Liga Europa, como vimos na pré-época e no 1º jogo da eliminatória.
De D'Arcy a 21 de Agosto de 2009
Pelo contrário, julgo que contra o Marítimo o Benfica mostrou ter soluções mais do que suficientes. Julgo que construímos até mais oportunidades contra eles do que contra os ucranianos, simplesmente não as concretizámos. Não foi por falta de soluções nem por causa do antijogo nojento que o guarda-redes do Marítimo fez uma exibição anormal, ou que falhámos golos. Quando muito as faltinhas e antijogo deles o que fizeram foi, ao matar praticamente metade do tempo útil de jogo, impediram que construíssemos ainda mais oportunidades de golo (para aí o dobro, se o ritmo se mantivesse).
De DeVante - Legio Aquilae a 21 de Agosto de 2009
Está sobejamente PROVADO que quando os árbitros não são lusitanos (um exemplo flagrante de que nem tudo que é nacional é bom) o Benfica arrisca-se sempre a ganhar.
Ao contrário de outros que só lá chegam com Lucílios, Olegários, Xistras e Co.
Antes do jogo todos (avençados e adeptos do 2º maior clube português, os anti) lembravam Metalist, depois do jogo dizem que o adversário é (era) fraco.

O Benfica contra o Marítimo provou que é candidato ao título sim senhora! Clubismos à parte, só não vê quem não quer. Jogou e fez mais do que necessário para golear o Marítimo tal como fez na época passada, não calhou, ou melhor, a conivência arbitral, a sorte e a inspiração do guarda-redes adversário (são os melhores do mundo quando defrontam o glorioso) não permitiram. Mas isso não acontece sempre. Alguém vai pagar, quem ainda não sei, mas que v´~ao, lá isso vão!!!
De brmf a 21 de Agosto de 2009
Concordo com a análise, excepto com a última frase : "foi muito bom ver o Benfica fazer num jogo oficial o mesmo que o vi fazer durante toda a pré-época." Acho que, até agora, no jogos oficiais - só houve dois -, o Benfica jogou sempre como na pré-época. Acho, aliás, que nestes dois jogos, o melhor período do Benfica foi a segunda parte contra o Marítimo. Até considero que o Benfica ontem esteve um pouco abaixo em relação ao que fez Domingo. A diferença entre ontem e domingo foi a finalização e o tempo útil de jogo (ainda não vi os números mas a diferença deve ser gritante).
De brmf a 21 de Agosto de 2009
Só mais uma coisa: se o caceteiro do Bruno Alves vale 30 milhões, não "admito" ao Benfica que venda o David Luíz por menos de 50 milhões. É o melhor central em Portugal de longe.
De Jorge Ventura a 21 de Agosto de 2009
Como sempre quem lê as tuas crónicas nada tem a apontar...está tudo aí...esta equipa ucraniana é superior ao Marítimo a única diferença é que procurou jogar e não fez antijogo , além disso como frisaste o árbitro não era Português felizmente e assim não pactuou com atitudes anti desportivas...!
No entanto rapidamente vamos ter de encontrar o antídoto contra os Marítimos e as arbitragens que vamos apanhar na catedral...só vejo uma solução...é entrar com tudo, garra velocidade querer desde o 1º minuto...!
1 abraço e saudações Benfiquistas
De iPhoenix a 21 de Agosto de 2009
Compreendo a felicidade de vermos o Benfica a responder em força e a partir para cima do adversário, mas não pode ser só no fim com o coração nas mãos... nesta fase o discernimento já começa a faltar...

Á excepção dos últimos 10 minutos, não se viram grandes diferenças exibicionais nos jogos com o Olhanense e com o Marítimo pois não? Equipas fechadas, marcações cerradas, faltinhas cirúrgicas e árbitros complacentes vão ser o pão nosso de cada dia neste campeonato e o Benfica voltou a mostrar incapacidade em desembrulhar o seu jogo (sim, o Benfica já tem um jogo próprio!), só no fim e em desespero de causa é que começou a bombardear o Marítimo... e claro, falhou: uns chamam azar outros uma desconcentração provocada. No final do campeonato costuma-se fazer as contas aos pontos perdidos com as equipas pequenas, é neste sentido que eu penso que o Benfica tem de trabalhar mais para perceber como as ultrapassar, caso contrário, e mesmo com um plantel de luxo arrisca~se a não ser campeão.

Mas ontem tudo foi diferente, o Benfica teve espaço. E com espaço a equipa solta-se, expõe o seu jogo e fuzila. Na Liga Europa não estou a ver nenhuma equipa a querer empatar jogos, e por isso, pelas mesmas razões que apontei acima, estou confiante numa excelente prestação do Benfica nesta prova.
De tiago pinto a 21 de Agosto de 2009
Malta,

Espargueira mendes foi mesmo condenado a 5 anos de prisão efectiva, talvez valha a pena publicitarmos isto...

quanto ao jogo de ontem, lindo!

http://footballdependent.blogspot.com/2009/08/futebol-corrupcao-do-porto.html

Cumprimentos,

Tiago Pinto
De Ricardo a 21 de Agosto de 2009
Mais uma grande exibição do Benfica. Não se deixem influenciar pelos anti_benfica que dizem que andam a cagar postas de pescada em relação à pré-época..

Uma boa equipa é sempre uma boa equipa, quer seja em jogos de pre epoca quer seja em jogos oficiais. Nem sei como os benfiquistas vão nessa conversa.

O Benfica tem finalmente uma equipa e um treinador com o nivel exigido.

O Jorge Jesus é sem sombra de duvida o melhor treinador que eu vi no Benfica e já vi muitos.

Para os que ainda duvidam, não vale a pena argumentar, dêem tempo ao tempo e depois falamos.

Somos finalmente uma equipa de ataque, uma equipa organizada, uma equipa pressionante. O Quim que me lembre não fez uma defesa nos jogos oficiais.

Mais uma vez digo, assim até podemos não ganhar nada mas têm sempre mais um adepto na bancada. Só se não puder é q não vou apoiar esta equipa.
De utopiamaior a 21 de Agosto de 2009
O adversário não é tão acessível quanto as pessoas pensam... mas lá vai dar para colocar uma outra equipa.
O jogo correu-nos de feição, a equipa mantém a auto-confiança muito alta... e isso é tudo na vida! A nossa equipa tem essa força mental que define os campeões, não existe qualquer dúvida, mas a cena das arbitragens ... bem a cena das arbitragens habilidosas, veremos...
Grande Fábio, será o nosso próximo craque, está pronto para a selecção A.

Boa casa...

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