Mais uma vitória, e mais uma demonstração de superioridade incontestável do Benfica. E desta vez, fiquei até com a sensação de que a goleada foi conseguida quase de uma forma descontraída, sem ser necessário forçar muito. Aliás, sempre que o Benfica resolveu acelerar um pouco (na fase inicial do jogo, e durante a segunda parte) foi evidente a grande diferença de categoria da nossa equipa para o Belenenses.
Com o Benfica a jogar praticamente em casa (mais de dois terços do muito público no estádio era benfiquista, e o apoio à nossa equipa foi incessante e fantástico durante todo o jogo), apresentámos apenas uma alteração no onze, que foi a entrada do César Peixoto para a esquerda, sendo o Shaffer o sacrificado. E, pese o susto logo no início, com o Quim a defender quase que por acaso um cabeceamento ao segundo poste, o Benfica teve uma entrada forte no jogo. Entrada essa que foi recompensada quase de imediato, já que marcámos logo aos seis minutos. Foi uma correria do Saviola, que começou ainda no nosso meio campo, e que foi deixando para trás todos os adversários. Já dentro da área, ganhou um ressalto, e à segunda, fez o golo. E a ganhar desde tão cedo, foi-nos fácil controlar o ritmo do jogo e fazê-lo decorrer da forma que mais nos interessasse, até porque o Belenenses não mostrava ter capacidade para assumir as despesas do jogo e ir à procura do empate (não tenho os números, mas a posse de bola do Benfica durante esta primeira parte deverá ter sido bem superior a 60%).
Com o Saviola em destaque, e atacando sobretudo pelo lado direito, onde o referido Saviola, o Ramires e o Rúben Amorim faziam praticamente o que queriam da defesa do Belenenses, o Benfica ia deixando a ideia de que poderia aumentar a vantagem a qualquer altura. Isto, tal como referi, sem nunca parecer ter o pé a fundo no acelerador. Era talvez um pouco estranho que o Benfica atacasse tanto pela direita, já que não é normal não explorarmos o Di María na esquerda. Mas pareceu-me que o Belenenses teve uma atenção especial ao Di María, atenção essa que incluiu umas pancadas bem duras logo a abrir o jogo, se calhar para o intimidar. Claro que isto se passou com a reacção usual dos nossos árbitros, que acham que os cartões nunca se devem mostrar nos primeiros minutos, e portanto os jogadores em questão foram apenas avisados para não voltarem a repetir a gracinha. Claro que à primeira ocasião envolvendo um jogador do Benfica, não há cá avisos, e saca-se logo do amarelo. Enfim, voltando ao jogo, apesar das oportunidades que ainda conseguimos criar, não conseguimos aumentar a vantagem, e a primeira parte acabou mesmo num ritmo bastante pausado, com a diferença mínima no marcador a parecer do agrado das duas equipas.
Não sei se houve alguns gritos do Jorge Jesus no balneário durante o intervalo, mas a verdade é que entrámos em jogo com a intenção de o resolver de uma vez por todas, e com um ritmo bem mais elevado do que na primeira parte. O nosso lado esquerdo foi muito mais activo, com o Di María a beneficiar do apoio do César Peixoto, algo que não tinha acontecido tanto na primeira parte (e a isto não terá sido alheia a passagem do Barge para defesa esquerdo, já que na primeira parte ele tinha sido praticamente um segundo defesa direito). E, mais uma vez, não foi preciso esperar muito para colhermos os proveitos da nossa pressão. Foram pouco mais de dez minutos, altura em que, mais uma vez pela direita, o Saviola, desmarcado pelo Rúben Amorim, assistiu o Cardozo para um golo fácil. Foi evidente que este golo matou literalmente o já quase inofensivo Belenenses que tínhamos visto até então, e a expectativa de todos nós na bancada passou a ser ver quantos golos mais conseguiria o Benfica marcar. Já com o Fábio Coentrão em campo que, para não variar, veio dinamizar o jogo com a sua entrada, foram dois esses golos. O primeiro a quinze minutos do fim, através de uma cabeçada do Javi García no seguimento de um livre marcado na esquerda pelo Aimar. O segundo, já mesmo sobre o final, pelo Ramires (já tinha ameaçado em mais de uma ocasião), aproveitando um centro do Fábio Coentrão na esquerda (na conclusão de uma grande jogada de contra-ataque), que desviou num defesa adversário, e fazendo assim o seu terceiro golo em três jogos na Liga. Tempo ainda para assistirmos e celebrarmos o regresso do nosso 'guerreiro' Maxi Pereira à competição.
O Luisão esteve hoje simplesmente imperial. Não sei se terá perdido um lance durante todo o jogo, e para além do trabalho no centro da defesa fez diversas dobras ao Rúben Amorim. Muito bem também o Ramires. Já o elogiei no último jogo, mas continua a impressionar-me a capacidade que parece ter para estar em todo o lado, o trabalho defensivo que faz, e a inteligência com que se movimenta em campo. Para além disso, anda com veia goleadora. Que mais lhe podemos pedir? E claro, Saviola. Sobretudo na primeira parte, foi um dos principais dinamizadores do nosso ataque. Marcou um golo, ofereceu outro, e gosto mesmo muito de ver a forma como ele, sem bola, se movimenta por toda a frente de ataque, oferecendo opções de passe aos nossos médios (o Aimar agradece). Menos bem o Cardozo. Não sei se se ressentiu da viagem pela selecção, mas pareceu apático e desinspirado durante quase todo o tempo que esteve em campo. Ainda assim, apareceu na altura certa para marcar, e logo a seguir ainda teve um bom remate, antes de ser substituído. O César Peixoto teve uma primeira parte muito fraca, mas conseguiu melhorar na segunda parte. Parece no entanto ainda estar a um ritmo inferior ao dos colegas.
Depois dos oito ao Setúbal, quatro no Restelo. Já sei que se calhar haverá quem diga que o Belenenses é fraco. Para mim, foi o Benfica quem o fez fraco. Estamos a jogar bem, é lindo ver a entreajuda dos nossos jogadores, aquilo que conseguem fazer como equipa e individualmente, e só espero que consigamos manter este momento de forma. Aliás, a sensação que tenho é que ainda podemos e temos capacidade de melhorar. Foi lindo também ver o Restelo pintado de vermelho. A onda vermelha este ano parece estar a aparecer logo de início. E não admira que assim seja. Haverá melhor motivação para irmos aos estádios do que vermos a nossa equipa jogar assim?
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