Não deixou de ser uma vitória justa, alcançada pela única equipa que lutou realmente por esse objectivo, mas teve que ser arrancada a ferros. O adversário não ajudou, pois fez o seu trabalho e manteve sempre a organização defensiva (e convém salientar que não recorreu ao antijogo), mas no fundo foi o Benfica quem acabou por criar mais dificuldades a si próprio. Hoje, pela primeira vez esta época, consegui ficar irritado com a equipa em alguns momentos, por ver que insistíamos demasiado em tentar aquilo que não funcionava, mostrando alguma incapacidade para variar o nosso estilo de jogo.
O primeiro destaque a dar ao jogo é mesmo a 'mini-Luz' que vimos hoje em Leiria. A onda vermelha está em plena força, e hoje vimos mais uma demonstração da sua força. Foi a maior enchente de sempre do Municipal de Leiria, e mais de 95% dos espectadores presentes eram benfiquistas. Quanto à equipa, muitas alterações (cinco) em relação à equipa que jogou na Liga Europa, sendo que a inclusão do Keirrison no lugar do Cardozo foi surpresa maior, já que os regressos de Quim, Aimar, Shaffer e Saviola seriam mais ou menos esperadas. Do outro lado, conforme não deixaram de no-lo recordar durante toda a semana, a melhor defesa da Liga, com apenas um golo sofrido nos quatro jogos efectuados. Pois essa defesa aguentou quatro minutos contra nós, altura em que o Saviola desviou com classe um livre do Aimar na esquerda para o fundo da baliza. Melhor começo era difícil. O Leiria, no entanto, não se desorganizou com este golo. A equipa estava montada na forma expectável, ou seja, para segurar o empate e depois tentar um golo num eventual contra-ataque ou bola parada. Colocando-nos em vantagem, esta estratégia acabaria por ser desmontada, mas com tanto tempo ainda para jogar não fazia sentido que o Leiria se lançasse imediatamente no ataque.
Foi por isso pena que não conseguíssemos manter-nos em situação de vantagem por muito tempo, porque passados apenas quinze minutos o David Luiz teve uma intervenção desastrada, também após um livre lateral, e fez um autogolo. Em termos de atitude, o Benfica reagiu bem a este golo, acelerando o ritmo e pressionando o Leiria. Mas a qualidade do nosso jogo esteve abaixo do habitual. Pareceu-me que insistimos muito em entrar pelo meio, e o Leiria estava prevenido para isto, já que sobrepovoou a zona central, em frente à sua área. Por isso havia sempre um pé ou uma cabeça para cortar a bola quando tentávamos a progressão nas habituais tabelas rápidas. Foi nesta altura que me irritei mais, porque continuámos a insistir nisto e a explorar pouco os flancos. Mesmo o Di María insistia em fugir para o centro, em vez de tentar ganhar a linha. Outro factor que terá influenciado a qualidade do nosso jogo terá sido o relativo apagamento do Ramires, que hoje esteve bastante menos activo que o habitual. O próprio Aimar, que nunca se escondeu e esteve sempre em jogo, parecia um pouco menos esclarecido na altura do último passe. O empate ao intervalo não foi por isso muito surpreendente, porque a verdade é que a seguir a sofrermos o golo não conseguimos criar situações de grande apuro para a baliza adversária.
A segunda parte trouxe um domínio territorial ainda mais notório por parte do Benfica, com o Leiria a apostar claramente em tentar surpreender-nos num contra-ataque. A 'teimosia' que demonstrámos na primeira parte, ao insistir no mesmo estilo de jogo, mantinha-se, e neste cenário parecia ser difícil que conseguíssemos evitar o empate. Com vinte e cinco minutos para jogar, o Jorge Jesus fez duas substituições, entrando o Cardozo e o Nuno Gomes para os lugares dos apagados Ramires e Keirrison, e o Benfica passou a jogar num esquema mais próximo do 4-3-3. O Saviola passou a ter mais liberdade de movimentos, o que somado às movimentações do Nuno Gomes acabou por criar novos problemas ao Leiria. O golo da vitória surgiu a pouco mais de dez minutos do fim, através de um penálti. Confesso que esfreguei os olhos, tal foi a incredulidade. O Jorge Sousa, a assinalar um penálti decisivo a nosso favor? Definitivamente, algo está a mudar esta época. O Cardozo aproveitou para espantar mais alguns fantasmas, e marcar o golo decisivo (o penálti até nem foi particulamente bem marcado, mas quando o remate é feito com a velocidade que ele consegue dar à bola, ela já está dentro da baliza antes mesmo do guarda-redes conseguir chegar ao chão). Este golo confirmou que tinha razões para lamentar termos 'oferecido' o empate tão cedo. Porque o Leiria, não podendo lutar para segurar o resultado, desmoronou-se e desapareceu completamente do jogo. O tempo até final do jogo foi passado da forma mais tranquila possível, com um domínio completo do Benfica e a ausência total de reacção do Leiria, que passou o tempo a correr atrás da bola, enquanto esta circulava de pé para pé dos nossos jogadores. Neste período, fomos mesmo nós quem mais perto esteve de voltar a marcar.
O melhor em campo foi, para mim, o Javi García. Ele não foi simplesmente um médio; foi um meio campo inteiro. Gostava de ver a estatística de quantas bolas ele terá recuperado, quantos lances divididos terá ganho, quantas dobras e compensações terá feito - se o David Luíz sobe tão frequentemente, é porque sabe que assim que ele dá uns passos em frente, tem o Javi a tapar o buraco que ele deixou na defesa. Conforme disse antes, hoje o Ramires não esteve tão bem como tem sido habitual. Não digo que jogou muito mal, mas tendo como padrão aquilo que ele fez nos jogos anteriores, a exibição de hoje só pode ser considerada fraca (e por algum motivo, ao contrário do que costuma ser habitual, ele foi substituído quando ainda havia bastante tempo para jogar). O Keirrison voltou a estar muito apagado, e continua a ser um jogador desfasado com o resto da equipa.
Mais ou menos brilhantes, o fundamental foi conseguido. Uma vitória, num jogo verdadeiramente de campeonato. É também com vitórias destas que se conquistam títulos. E agora partimos para a próxima jornada em vantagem sobre os dois que pensam ser grandes, altura em que estes dois amigalhaços se defrontam. Se cumprirmos a nossa obrigação de vencer o Leixões na Luz, para a semana haverá uma data de gente com (ainda mais) azia, e à beira de um ataque de nervos.
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