VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Magra

A primeira mão das meias-finais da Taça acabou com uma vantagem magra para nós, resultado de um jogo bastante diferente daquele que se disputou em Alvalade, como aliás era esperado.

 

 

Para além da alteração na baliza, houve outra mudança no onze, tendo entrado o Salvio para o lugar do Rafa, o que obrigou à deslocação do Pizzi para a esquerda. Percebeu-se desde o início que o objectivo do Sporting para este jogo era jogar para uma eliminatória a duas mãos, ou seja, conquistar um resultado que permitisse deixar a decisão da eliminatória em aberto para a segunda mão. E isto passou sobretudo por duas coisas: jogar com linhas mais recuadas e manter o mais possível a posse da bola. Não com a intenção de fazer algo de concreto com ela - o Sporting foi quase sempre inexistente no ataque durante toda a primeira parte - mas sim sobretudo com o fim de impedir que o Benfica a tivesse. Assistimos por isso a períodos prolongados de posse de bola na zona defensiva do Sporting, com a bola a circular entre os defesas e o guarda-redes e correndo o mínimo de riscos possível. Para tal até assistimos ao Bruno Fernandes a jogar muito mais recuado, ao contrário do que é habitual, cabendo ao Wendel o papel de apoiar o avançado. Outra das vertentes passou também, como aliás era mais do que previsível, por anular o João Félix seja de que forma fosse - começou logo com uma pantufada por trás que valeu um cartão amarelo praticamente no primeiro minuto, mas depressa o Sporting percebeu que tinha rédea mais ou menos livre para fazer o que quisesse, até porque uma boa parte das vezes nem falta era assinalada. O Benfica tentava aproveitar as situações em que recuperava a bola para trazê-la rapidamente até ao ataque, mas o desvio do Pizzi para a esquerda e a entrada do Salvio retiraram eficiência à equipa nesse aspecto. O Pizzi foi um jogador mais apagado na esquerda e o Salvio é um jogador que tem demasiada tendência a agarrar-se à bola, quando as melhores transições do Benfica são normalmente feitas com bolas ao primeiro toque a passar por vários jogadores. Ainda assim, como que para contrariar isto, o golo do Benfica, surgido aos quinze minutos, passou precisamente por estes dois jogadores. Uma perda de bola sobre a linha do meio campo deixou a bola nos pés do Salvio, que a conduziu até à entrada da área a depois passou-a para o Pizzi na esquerda. Depois de flectir para o meio, o Pizzi deixou para a entrada do Gabriel que, vindo de trás, rematou de primeira para o golo. Mesmo em desvantagem, o Sporting pouco mudou na sua forma de jogar e o jogo foi quase sempre aborrecido, com diversas paragens - jogadores como o Bruno Fernandes ou o Acuña passaram o jogo a atirar-se para o chão para arrancar faltas, que eram a forma mais frequente do Sporting fazer a bola chegar até à nossa área. De assinalar também a lesão do Jardel, que significou a estreia absoluta do Ferro pela nossa equipa principal para refazer a dupla que durante anos formou nos escalões de formação com o Rúben Dias.

 

 

A segunda parte também poucas novidades trouxe. 1-0 era um bom resultado para o Sporting levar para a segunda mão e por isso não havia grandes pressas ou vontade de correr muitos riscos a chegar à frente. O jogo estava numa toada em que parecia que nada iria mudar, e o Benfica acabou por fazer a alteração óbvia e trocar o Salvio pelo Rafa, refazendo o esquema que tinha apresentado em Alvalade. A meio desta segunda parte, e numa altura em que honestamente nem sequer o justificava grandemente, o Benfica marca o segundo golo. Um cruzamento tenso do Seferovic na esquerda atravessa toda a área do Sporting sem que ninguém lhe toque e vai ter com o João Félix do outro lado. Depois a nova tentativa de cruzamento acaba por fazer a bola desviar no Illori e acabar dentro da baliza do Sporting. Isto já era um desvantagem pouco simpática para eles levarem para o segundo jogo, e aí finalmente subiram os níveis de pressão. O Bruno Fernandes e o Acuña intensificaram também as quedas, e num misto de livres assinalados a torto e a direito e uma maior assertividade, o Sporting passou a aparecer mais perto da nossa baliza. Tiveram apenas uma grande ocasião de perigo, num remate creio que do Wendel que fez a bola passar perto do poste, mas regra geral parecia pouco provável que conseguissem chegar ao golo, a não ser que algum dos sucessivos livres despejados para a área resultasse nalguma coisa. Por outro lado, também me pareceu que o Benfica descansou demasiado cedo e ficou satisfeito com o resultado. Ainda forçámos um pouco a seguir ao segundo golo e ameaçámos chegar ao terceiro mas depois, e sobretudo a partir da troca do Pizzi pelo Cervi, fomos ficando conformados e à espera que o jogo caminhasse para o final. Um erro, porque mais uma crise de ciática do Bruno Fernandes (na fase final os livres foram-se sucedendo a um ritmo incessante) resultou num livre bem ao seu jeito na zona frontal, que ele converteu na perfeição - tenho algumas dúvidas no entanto se a colocação do Svilar terá sido a ideal. O que significou acabar o jogo a ver os sportinguistas a festejar uma derrota, o que não deixa de ser uma imagem interessante.

 

 

Melhor do Benfica o Gabriel, que continua a mostrar o acerto do investimento que fizemos nele. À subida exibicional dos últimos jogos, onde mostrou a sua importância quer na recuperação da bola, quer na organização de jogo, finalmente acrescentou-lhes o golo. Sempre foi um médio com golos no seu jogo, e estava a faltar-lhe isso no Benfica. O João Félix não conseguiu ser o jogador decisivo do jogo anterior, muito por culpa da carta branca que foi dada aos adversários para o travarem de qualquer maneira - tivessem sido assinaladas as faltas sobre ele com a mesma facilidade com que os sucessivos mergulhos do Acuña ou do Bruno Fernandes foram recompensados com livres e talvez a nossa vitória tivesse sido mais folgada. O Salvio foi um erro de casting para este jogo.

 

Tal como no jogo anterior, ganhámos mas chego ao fim do jogo com a sensação de que foi pouco. O Sporting foi uma equipa bastante melhor do que no jogo anterior, e nós não estivemos tão bem, mas mesmo assim tínhamos capacidade para conseguir um resultado mais confortável. De qualquer maneira, isto em nada afecta as nossas legítimas esperanças em qualificar-nos para a final.

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publicado por D`Arcy às 01:05
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019

Banho

Não é um termo que eu aprecie particularmente, mas é o melhor que eu encontro para descrever o que se passou hoje em Alvalade: o Benfica deu um banho táctico ao Sporting, venceu com uma facilidade e naturalidade poucas vezes vista e no final, sinceramente, até saí de lá com uma certa frustração por não termos aproveitado para lhes impor uma humilhação potencialmente histórica.

 

 

Onze sem surpresas, o que só por si deixou logo uma mensagem clara: de que iríamos manter a mesma ideia de jogo independentemente do adversário ou do local do jogo. E praticamente a partir do apito inicial que deu para perceber que era o Benfica quem mandava. A já habitual agressividade na recuperação da bola, pressão constante sobre o adversário, e depois uma facilidade impressionante a construir jogo. Os nossos jogadores conseguiam circular a bola e encontrar sempre um colega solto a quem a entregar. Os jogadores do Sporting pareciam simplesmente perdidos em campo, onze jogadores a jogar à bola mas sem uma ideia de jogo. E a cometer erros individuais e colectivos gritantes, sobretudo na zona central e do lado direito, onde jogadores como o Gudelj ou o Bruno Gaspar eram completamente manietados pelos nossos jogadores. O João Félix, em particular, na zona central fez o que quis do croata. No meio, o Gabriel agia como maestro, distribuindo a bola com precisão por todo o campo. O primeiro golo surgiu cedo, aos onze minutos, dessa forma. Passe do Gabriel a solicitar a entrada do Grimaldo pela esquerda, cruzamento e cabeceamento vitorioso do Seferovic, que se libertou com a maior das facilidades da marcação do Coates. Já vamos conhecendo este Benfica e sabemos perfeitamente que a vantagem no marcador não significaria passarmos a defender o resultado. Continuámos a mandar no jogo e pouco depois o João Félix recebeu a bola na zona central, progrediu em direcção à área, tirou um adversário do caminho passando a bola do pé direito para o esquerdo, e com este pé enviou a bola para o fundo da baliza. Um bonito golo, mas para não variar o nosso amigo VAR resolveu entrar em acção e descortinou uma falta para anular o golo. Só qando o Porto marca contra nós é que vale empurrar e rasteirar porque o VAR tinha ido ao WC. Golo anulado mas nada que afectasse a equipa, que continuava a mandar no jogo como queria. Anularam aquele, mas não era uma questão de pensar se o segundo golo apareceria, apenas quando é que ele apareceria. Porque a nossa superioridade no jogo era tão evidente que o Sporting parecia apenas uma equipa banal, incapaz de nos fazer sequer cócegas - de tal forma que no minuto seguinte ao golo surripiado já o Seferovic se isolava e só não acabou em golo porque ele rematou à figura do guarda-redes, isto quando tinha o João Félix completamente sozinho ao lado. Mas a nove minutos do intervalo o João Félix encarregou-se de corrigir a injustiça, e foi ele quem enviou novamente a bola para o fundo da baliza. Desmarcação pelo meio dos centrais, bom passe do Seferovic, e finalização com toda a calma à saída do guarda-redes. A sensação no estádio era a de que isto tinha tudo para acabar em goleada, e a única coisa que não estava nos planos foi o golo do Sporting, à beira do intervalo e completamente contra a corrente do jogo. Perda de bola no meio campo e uma transição rápida fez a bola chegar ao Bruno Fernandes na direita, que marcou com um bom remate cruzado. 

 

 

A vantagem mínima ao intervalo era injusta e um resultado extremamente lisonjeiro para o Sporting, que os deixava com esperanças de poder chegar ao empate. Mas após o regresso dos balneários (muito atrasado pelo Sporting) o Benfica imediatamente corrigiu a injustiça e afastou dúvidas. No primeiro minuto após o reinício, livre na direita apontado pelo Pizzi e cabeceamento do Rúben Dias direitinho ao ângulo. Segundo golo 'made in Seixal' da noite e uma declaração de superioridade incontestável. Cheirava a goleada, porque o Benfica continuava à procura de golos e a causar perigo praticamente de cada vez que se aproximava da área adversária. Nada mudava no jogo, o Gabriel e o Samaris mandavam na zona central, o João Félix, o Pizzi e o Rafa semeavam o pânico de cada vez que recebiam a bola no último terço e o que nós queríamos era o quarto golo. Apareceu aos cinquenta e seis minutos numa transição rápida, quando o Seferovic fez a recarga a um primeiro remate do Pizzi, mas foi bem anulado porque o suíço estava ligeiramente adiantado. A resposta do Sporting veio num livre do Raphinha que ainda acertou no poste, mas regra geral não conseguiam ameaçar muito. E aos setenta e dois minutos a pressão agressiva do Benfica voltou a dar resultados: recuperação de bola do Rafa ainda no meio campo do Sporting, a bola seguiu nos pés do Grimaldo, passe a desmarcar o João Félix na quase permanente cratera que existia entre o Gaspar e o Coates, e penálti do Renan. O Pizzi fez o quarto e o público da casa ia abandonando o estádio em cada vez maior número. Logo a seguir o quinto não apareceu por acaso, quando o Seferovic aproveitou uma péssima abordagem do Renan a um cruzamento para acertar no poste, e depois o João Félix falhou a recarga de forma escandalosa, atirando por cima. Talvez neste momento o nosso treinador tenha pensado que já chegava e que havia um novo jogo já na quarta, tendo trocado o João Félix pelo Cervi - na minha opinião quem devia ter saído era o Seferovic, que nesta fase parecia já estar esgotado. Achei que se notou a saída do miúdo, pois o Benfica deixou de criar perigo regularmente a partir desse momento, e o Sporting conseguiu ser mais constante no ataque. Marcaram um golo que foi anulado por posição irregular, mas a poucos minutos do final o Vlachodimos cometeu o erro de, depois de defender uma recarga do Bas Dost mesmo em cima dele, levantar o braço quando o simulador mais descarado da liga portuguesa lhe ia cair em cima. VAR entra em acção e, obviamente, penálti contra o Benfica. Quando o holandês voador aterra dentro de uma área qualquer e escancara a bocarra aos berros, a regra é sempre: penálti para o Sporting. Estranhamente, o Vlachodimos foi expulso, porque essa coisa da tripla penalização só se aplica às vezes (por curiosidade, se puderem vão rever a jogada em que o Seferovic atirou ao poste e o João Félix falhou a recarga, e vejam lá o que o Renan fez ao Seferovic nesse lance - pelos vistos o VAR só repara nestas coisas em situações muito concretas). O simulador converteu diligentemente e assim o Sporting acaba por salvar-se com um resultado minimamente aceitável num jogo em que mereceu ser goleado - mesmo em superioridade numérica, nos minutos que restavam somados aos de compensação nunca conseguiram criar uma única ocasião de perigo.

 

 

Muitos candidatos a melhor em campo, mas eu escolho o João Félix. O puto é daqueles jogadores que me fazem dar por mim a antecipar qualquer coisa especial mal a bola lhe chega aos pés. Marcou um golo fantástico que o VAR decidiu que não queria que valesse, depois marcou outro com o à vontade de quem já anda nestas coisas de futebol sénior e derbies há uma data de anos, sofreu o penálti que deu o quarto golo e espalhou classe sobre o campo. A prova da sua influência é o que o Benfica se apagou no ataque nos minutos finais, depois dele ter saído do campo. A única 'mancha' na exibição foi ter falhado aquele que seria o quinto golo. O Gabriel mostra agora que vale o que pagámos por ele. Uma presença inultrapassável no meio campo, com incontáveis recuperações de bola, e classe a distribuir jogo e a solicitar os colegas. O Pizzi está um jogador diferente e não perdeu influência com a deslocação mais para a direita, pois está a jogar ao melhor nível que já lhe vimos. Muito bem também o Rúben Dias, o Seferovic e o Grimaldo, mas no geral toda a equipa muito bem.

 

Esta era uma jornada preparada para nos darem o golpe decisivo que nos afastaria da luta pelo título. A nomeação do Artur Soares Dias para este jogo foi preparada durante muito tempo. O que nã contavam era com uma superioridade tão evidente e uma exibição tão contundente do Benfica. Para piorar a coisa, o Porto deixou dois pontos em Guimarães e agora a pressão aumentou, pois passámos novamente a depender de nós próprios. Temos um jogo no Estádio do Ladrão, mas da forma como estamos a jogar, se não houver artistas de VARiedades ao barulho, não há motivo nenhum para que não consigamos ir lá anular a desvantagem para o primeiro lugar.

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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

Regresso

De regresso a casa após o assalto de que fomos vítimas em Braga, retomámos o trilho das vitórias com nova goleada, desta vez frente ao Boavista. Desde que o Bruno Lage pegou na equipa marcámos 15 golos em três jogos disputados na Luz. Já menos positivos são os cinco golos sofridos nesses mesmos jogos.

 

 

Apresentámos quase o mesmo onze que foi vigarizado em Braga, sendo a única alteração na baliza, onde regressou com naturalidade o Vlachodimos. E desde logo vimos aquilo a que começamos a habituar-nos no Benfica do Bruno Lage. Uma equipa disposta em 4-4-2, com os dois médios centro a jogar a par, com uma pressão agressiva sobre o adversário ainda bem dentro do seu meio campo, e que quando tem a bola joga um futebol bastante mais vertical do que fazia quando o Rui Vitória era o treinador. A equipa tenta chegar o mais depressa possível junto à baliza adversária e está constantemente à procura do golo, em vez de andar pacientemente a trocar a bola em passes laterais à espera de uma ocasião. Claro que jogando assim também nos expomos mais, pois os passes de risco são muito mais frequentes, mas isso é largamente compensado pelas situações de golo, em quantidade e qualidade, que acabamos por criar. O jogo até poderia ter começado da pior maneira, pois logo nos primeiros minutos um mau atraso do Gabriel para o Vlachodimos deixou um adversário completamente isolado, mas o remate deste acertou na base do poste e foi para fora. Não marcaram eles, marcámos nós quase de seguida. Livre na direita do nosso ataque marcado pelo Pizzi para a zona do segundo poste, onde o João Félix voou e antecipou-se de cabeça para fuzilar a baliza. Logo a seguir, oportunidade para o VAR mostrar mais uma vez que os critérios para se assinalar penálti a favor do Benfica são muito diferentes daqueles aplicados para outros. Neste caso, fazer um carrinho com o braço levantado é considerado normal (noutros casos, por exemplo, levar com a bola no braço quando se está de costas e o remate é desferido a meio metro dá direito a penálti). O Benfica continuou a construir oportunidades umas atrás das outras, viu o Seferovic falhar isolado, viu o Rúben Dias cabecear à barra após novo livre marcado pelo Pizzi, e antes da meia hora chegou com toda a naturalidade ao segundo golo. Mais um falhanço do Seferovic isolado (grande passe de trivela do Rafa) mas o Pizzi chegou a tempo de fazer a recarga com sucesso. Depois disto o jogo acalmou um pouco, não que o Benfica tenha deixado de ter muito mais bola, mas pelo menos as ocasiões deixaram de se suceder em catadupa. E como que para acordar toda a gente, mesmo antes do intervalo e completamente contra a corrente do jogo, o Boavista reduziu a diferença. Depois de um canto a bola ficou solta no centro da área e sobrou para o Talocha rematar de primeira sem possibilidades de defesa para o nosso guarda-redes.

 

 

No início da segunda parte o Boavista apareceu um pouco mais atrevido. Nada de particularmente preocupante para nós, mas provavelmente depois de terem reduzido acreditaram que seria possível chegar ao empate e tentaram avançar um pouco mais no terreno. Depressa pagaram por esse atrevimento. Este Benfica sai de forma muito mais rápida e directa para o contra-ataque, e depois de uma tentativa de remate do Boavista, que foi interceptada, segundos depois e tendo passado por três jogadores em cinco toques, a bola estava dentro da baliza oposta. Mérito quase total para o João Félix, que pela direita e ainda sobre a linha do meio campo evitou um adversário que entrou à queima, progrediu no terreno e depois fez um passe rasteiro absolutamente perfeito para o poste mais distante, onde apareceu o Seferovic para finalizar. Estavam decorridos apenas nove minutos da segunda parte (o Benfica conseguiu marcar aos nove minutos de ambas as partes) e este golo acabava com quaisquer veleidades por parte do Boavista. Daqui para a frente foi uma vez mais um desfilar de ocasiões por parte do Benfica, e a expectativa passou a ser apenas quantos golos mais conseguiria o Benfica marcar. O quarto nasceu de mais uma transição rápida, que começa com um lançamento de linha lateral junto da nossa área. Mais uma vez o João Félix na jogada, a virar-se e a ganhar bem a posição ao marcador directo para depois deixar no Pizzi. Remate cruzado deste, defesa do guarda-redes e recarga do Seferovic já de ângulo apertado. O Benfica estava completamente à vontade no jogo e trocou dois dos jogadores em maior destaque, Pizzi e Seferovic, pelo Gedson e o Ferreyra mas nem isso alterou o pendor do jogo. Foi mesmo o Gedson a ter intervenção decisiva no lance do quinto golo, libertando-se com classe de dois adversários para depois progredir até à entrada da área, ameaçar o remate e deixar a bola no Grimaldo. Depois saiu uma bomba dos pés do espanhol que fez a bola entrar bem junto ao ângulo superior. Golaço. Antes do final, o Samaris pontapeou um adversário e cometeu um penálti indiscutível. Oportunidade para o Vlachodimos brilhar, já que com uma enorme defesa impediu que o Boavista seguisse os exemplos do Rio Ave e do Braga e saísse da luz com dois golos marcados.

 

 

Melhor do Benfica, para mim, o João Félix. Muito bem acompanhado pelo Pizzi e o Seferovic (pena que não tenha tido melhor aproveitamento nas ocasiões de que dispôs, porque poderia facilmente ter acabado o jogo com o dobro dos golos que marcou). O Gabriel começou o jogo com aquela asneira mas foi subindo de rendimento e assinalou uma exibição muito positiva. Menção também para o 'recuperado' Samaris, que de jogador praticamente dispensado passou a titular e hoje fez um bom jogo. Parece claramente mais à vontade no papel de médio centro neste 4-4-2 do que a jogar como médio mais recuado no 4-3-3. Uma última menção para o Grimaldo, quanto mais não seja pelo golaço que fechou o resultado da melhor maneira (mas voltou a ser extremamente activo e influente nas investidas pela esquerda).

 

Foi um bom regresso à normalidade e a confirmação daquilo que os nossos jogadores disseram no final da vergonha da pedreira. Por mais que tentem, não é com jogadas subterrâneas que conseguem vergar o espírito desta equipa. Agora é preciso manter esta atitude e encarar cada jogo como uma final, porque não há qualquer margem de manobra.

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publicado por D`Arcy às 00:15
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

Rejuvenescido

Começando por pedir desde já desculpa por nada ter escrito sobre os dois jogos em Guimarães (não pude vê-los, e portanto não fazia sentido escrever sobre jogos que não vi) digo que neste meu regresso a este espaço me sinto rejuvenescido. Sinto-me como se tivesse uns vinte e cinco anos a menos.

Mas depois reparo que hoje houve um jogo de futebol, porque olho para o  calendário e em vez dos anos noventa estamos em 2019. Pelo menos não tenho que estar a estudar para exames, o que é sempre uma coisa positiva. Quanto ao jogo, é simples. Aconteceu futebol (português). Não vale muito a pena andar a remoer as coisas; quando o adversário é superior há que dar a mão à palmatória e reconhecer essa mesma superioridade, dar-lhe os parabéns pela vitória, deitar o passado para trás das costas e olhar já para o próximo jogo. E foi isso mesmo que aconteceu esta noite. O VAR foi um adversário fortíssimo, na linha daquilo que tem sido durante a primeira volta do campeonato, e literalmente inultrapassável. Tentámos tudo, mas não tivemos argumentos para levar de vencida um adversário tão bem coordenado e numa forma tão estupenda. Parabéns portanto pela vitória e consequente passagem à final da Taça da Liga.

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Sábado, 12 de Janeiro de 2019

Segunda

Previa-se uma deslocação complicada do Benfica aos Açores, mas acabámos por conseguir uma vitória relativamente fácil. Tão fácil, aliás, que no final até ficou uma ligeira sensação de decepção por não termos conseguido um resultado bem mais dilatado, tantas foram as ocasiões flagrantes desperdiçadas.

 

 

O onze apresentado teve algumas mudanças, com a surpresa maior na titularidade do Gabriel no meio campo. Talvez o terreno mais pesado ajude a explicar a opção por um jogador de maior porte físico. Esta opção fez com que o Pizzi se deslocasse para a direita, com o Zivkovic a ocupar o flanco esquerdo. Significou isto portanto que em relação ao jogo com o Rio Ave saíram do onze os dois extremos, Cervi e Salvio. O Benfica mostrou logo ao que vinha desde o apito inicial, com o Seferovic a desperdiçar uma grande ocasião de golo logo nos primeiros instantes. O relvado não dava para exibir grandes portentos técnicos, mas o Benfica foi sempre muito agressivo na pressão, o que lhe valia diversas recuperações de bola ainda dentro do meio campo adversário que depois resultavam em jogadas de perigo. O Santa Clara apenas chegava esporadicamente à nossa área, e o golo que se ia adivinhando para o nosso lado surgiu aos vinte minutos de jogo. E até foi numa jogada aparentemente inofensiva, em que uma bola foi despejada para as costas da defesa açoriana. A situação parecia controlada pelos centrais, mas o Seferovic não desistiu e acabou por aproveitar a escorregadela do Fábio Cardoso para se isolar e com um remate rasteiro colocado ao poste mais distante bater o guarda-redes com facilidade. Continuámos depois por cima no jogo e à procura de um segundo golo, que por momentos pareceu que poderia chegar perto do intervalo, quando o árbitro assinalou um penálti por puxão ao Pizzi quando ele entrava na área. Depois de consulta ao VAR a decisão foi revertida para livre ainda fora dela, mas assim sendo o Fábio Cardoso foi expulso - o Pizzi ia isolar-se, mas qundo foi assinalado penálti ele viu apenas o amarelo para evitar a tripla penalização.

 

 

Na segunda parte nem deu para ficar muito tempo preocupado por não chegarmos ao segundo golo, porque bastaram três minutos para isso acontecer. Na sequência de um pontapé de canto marcado pelo Pizzi (que nasceu após mais uma recuperação de bola muito perto da área adversária) o Jardel cabeceou quase sem oposição para o fundo da baliza. A partir daqui, se deixou de haver preocupação, começou a crescer uma certa irritação. Isto porque nos minutos que se seguiram ao segundo golo o Santa Clara pareceu completamente desnorteado e o Benfica conseguia criar perigo quase em cada jogada de ataque. Mas ou por excesso de confiança, em que os nossos jogadores tentavam adornar demasiado as jogadas com mais um passe, como se quisessem entrar com a bola pela baliza dentro, ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes, ou até mesmo por infelicidade, o certo é que a bola teimava em não entrar. O acumular de situações de golo desperdiçadas foi suficiente para me enervar mesmo estando com dois golos de vantagem, com situações caricatas como o Seferovic a rematar contra o Pizzi quando tinha tudo para marcar. A única situação na qual conseguimos introduzir a bola na baliza acabou (bem) anulada por fora-de jogo do Seferovic. A irritação tornou-se maior quando nos últimos vinte minutos a equipa pareceu ter uma quebra física. Deixámos de conseguir pressionar ainda no meio campo adversário e os jogadores mais adiantados do Santa Clara começaram a ter espaço e tempo para progredir com a bola e fazerem alguns contra-ataques perigosos - aqui fiquei com a sensação de que o nosso treinador demorou tempo excessivo a reagir e a refrescar o meio campo. E apesar do Benfica ser claramente amelhor equipa no jogo, sabemos perfeitamente que se o adversário por acaso reduzisse a diferença no marcador, mesmo reduzido a dez, ganharia nova alma e poderia colocar a nossa vitória em risco, algo que felizmente não aconteceu.

 

 

A equipa no geral esteve bem, com destaques para o Pizzi, o Grimaldo, o Zivkovic enquanto teve pulmão, o Fejsa e o Seferovic. Este último poderia ter acabado o jogo, à vontade, com um hat trick, tantas foram as ocasiões de golo de que dispôs. Pelo menos marcou o golo que abriu o caminho à vitória.

 

Segunda vitória noutros tantos jogos para o nosso treinador interino. Para já a principal diferença tem sido o volume de jogo ofensivo e a consequente quantidade de ocasiões de golo que conseguimos criar. A defesa ainda tem que melhorar, mas hoje gostei da equipa enquanto foi capaz de pressionar e apertar o adversário no seu próprio meio campo. Aquela quebra nos últimos minutos é que seria dispensável. Segue-se um importante e difícil jogo em Guimarães, onde estará em jogo a passagem às meias-finais da Taça. Veremos o que esta equipa será capaz de fazer contra um adversário mais complicado - ainda com o Rui Vitória ao leme até foi contra os adversários mais fortes que tivemos as exibições mais conseguidas.

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publicado por D`Arcy às 03:47
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

Cambalhota

Com uma valente cambalhota no resultado o Benfica regressou às vitórias e ultrapassou um Rio Ave que, apesar de não vencer há vários jogos, durante alguns minutos chegou a assustar e a fazer pensar que hoje poderiam colocar um fim a esse série negra às nossas custas.

 

 

Havia curiosidade na estreia do treinador interino Bruno Lage e em quais seriam as suas primeiras escolhas. Estas acabaram por não ser uma mudança radical, fazendo apenas duas alterações em relação ao onze de Portimão: saíram Zivkovic e Gedson, e entraram o Salvio (no que foi uma troca directa) e o João Félix. Este acabou por ser o rosto da principal alteração, que foi a aposta de início num esquema de 4-4-2. Honestamente, não notei assim grandes diferenças em termos da qualidade de jogo - e obviamente que nem seria de esperar muitas, tendo em conta que o novo treinador pegou na equipa há um par de dias. O que se notou principalmente foi uma diferença na atitude dos jogadores. É natural que queiram mostrar serviço ao novo treinador, e pareceu-me que eles pelo menos mostraram vontade em correr e em fazer com que as coisas saíssem bem. Tentaram sobretudo fazer com que a bola chegasse à frente de forma mais célere, apostando até por vezes em futebol directo. E houve a intenção de pressionar alto, mas isso é algo que ainda precisa de ser afinado. Em 4-4-2 com o Fejsa e o Pizzi a jogarem quase lado a lado e ainda sem grande coordenação entre as linhas sobrou ali muito espaço entre as costas da linha média e a frente da defesa que o Rio Ave explorou. E depois infelizmente também não eliminámos ainda o péssimo hábito de deixar o adversário marcar assim que cria uma ocasião de golo. Desta vez o Rio Ave marcou dois golos nas duas primeiras vezes em que se chegou à frente, no curto espaço de três minutos. Assim, com vinte minutos de jogo decorridos já estávamos a perder por dois. Se calhar se não tivesse havido a mudança de treinador isto seria um obstáculo impossível de superar. Mas a equipa (e o público) não pareceram particularmente afectados por isto e toda a gente pareceu acreditar que a vitória estava ao nosso alcance. E a confiança  mostrou ter razão de ser, já que o Benfica respondeu praticamente na mesma moeda, com dois golos no espaço de quatro minutos, e onze minutos depois do segundo golo do Rio Ave já tinha o jogo novamente empatado, graças à nova dupla atacante. No primeiro golo o Félix abre as pernas para deixar o cruzamento do Grimaldo passar, e depois um Seferovic tem uma recepção brilhante que o deixa em posição para finalizar, fazendo a bola passar entre as pernas do guarda-redes. No segundo, o Pizzi recupera uma bola no meio campo e o Seferovic corre com ela pela direita, para já depois de entrar na área a soltar à segunda tentativa para a zona da marca de penálti, onde surgiu o João Félix, que foi o único a antecipar o lance, a controlar e a fuzilar com facilidade a baliza. Depois do ritmo frenético de quatro golos em cerca de meia hora o jogo acalmou um pouco e o resultado manteve-se até ao intervalo.

 

 

A segunda parte começou com um lance individual do Grimaldo, que arrancou pela zona frontal da área e foi deixando adversários pelo caminho até eles somarem quase meia dúzia e se isolar, finalizando com um remate ao poste. Poderia ser um bom indicador, mas a verdade é que apesar daquilo que o resultado final possa fazer pensar, o jogo foi bem mais complicado do que isso. Foi sobretudo um jogo bastante aberto, onde achei que a nossa equipa foi demasiado permissiva na defesa. O Rio Ave poderia facilmente ter-se recolocado em vantagem antes de sermos nós a marcar o terceiro golo, e nunca consegui estar propriamente tranquilo a ver o jogo, porque tinha a sensação de que um golo poderia acontecer a qualquer momento. Era necessário mudar alguma coisa e após um quarto de hora o Zivkovic rendeu o Cervi. E o impacto foi imediato, pois praticamente na primeira intervenção que teve, o pé esquerdo do sérvio fez a sua magia e assistiu o João Félix para o seu segundo golo da noite. O cruzamento saiu rasteiro da esquerda para a zina do primeiro poste, onde apareceu o João Félix entre os dois centrais adversários para, com uma finalização primorosa, fazer de primeira a bola entrar no segundo poste. Um grande golo do miúdo, a colocar-nos em vantagem pela primeira vez no jogo. Estava consumada a reviravolta, mas o jogo estava longe de estar resolvido. O Rio Ave continuava a revelar-se perigoso e a nossa defesa permissiva. O quarto golo surge seis minutos depois, mas na sequência de um lance de ataque de grande perigo do Rio Ave, no qual a bola cruza toda a pequena área sem que alguém consiga fazer o desvio decisivo. A bola segui para a esquerda, onde novo cruzamento foi afastado pelo Odysseas com os punhos para os pés do Zivkovic, e a partir daqui desenhámos um contra-ataque perfeito. Zivkovic para o Pizzi, e na altura certa o Pizzi fez o passe para o Seferovic finalizar com classe perante o guarda-redes. Agora sim, já deu para respirar um pouco pois apesar do Rio Ave ter continuado a tentar chegar ao golo até final, os dois golos já nos davam alguma margem de tranquilidade.

 

 

Melhores do Benfica, naturalmente, a dupla de avançados. O Seferovic fez um dos melhores jogos no Benfica, onde mostrou sempre uma enorme raça e vontade, sendo recompensado com dois  golos e uma assitência. Justa a atribuição do prémio de melhor em campo no final. Foi acompanhado de muito perto pelo miúdo João Félix, que marcou os outros dois golos e se tecnicamente não somou uma assistência, a forma como deixou a bola passar entre as pernas no primeiro golo para abrir espaço para o Seferovic é meio golo. Não é novidade para ninguém o talento que ali temos, mas dá para perceber nos mais pequenos pormenores que podemos estar perante um jogador muito especial. A intuição que tem e a rapidez e inteligência com que lé o jogo não está ao alcance de muitos. E depois tem uma qualidade técnica invulgar, como ficou bem expresso na finalização do segundo golo que marcou. Se há alguém no plantel que pode ser o sucessor do Jonas, é ele.

 

Foi muito importante vencer este jogo, e acabou por ser ainda mais importante tê-lo vencido nestas condições. Ver que a equipa foi capaz de dar a volta a uma desvantagem de dois golos aos vinte minutos de jogo é um reforço de confiança muito grande - a título de comparação, quando no jogo contra o Moreirense o adversário marcou o segundo golo e deu a volta ao resultado, a sensação com que ficámos quase todos foi a de que a derrota seria uma inevitabilidade. Muitos dos grandes problemas da nossa equipa continuam todos lá, mas a atitude mostrada hoje é um bom primeiro passo para os minimizar.

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2019

Agonia

Mais uma etapa na lenta agonia da nossa equipa. Fizemos noventa minutos que foram a continuidade exacta daquilo que tínhamos feito contra o Aves. Ou seja, praticamente nada. 

 

 

Um jogo paupérrimo, com todos os defeitos que já se tornaram hábitos no nosso futebol, aos quais conseguimos acrescentar ainda mais algumas novidades. Nomeadamente dois autogolos, um de cada um dos centrais, perfeitamente escusados e evitáveis. O primeiro, do Rúben Dias, numa tentativa de interceptar um cruzamento que não levava qualquer perigo e que iria morrer nas mãos do Odysseas. O segundo, do Jardel, de tal forma patético que quase que pareceu que foi de propósito. Depois de uma má tentativa de chapéu ao nosso guarda-redes o Jardel ficou com todo o tempo do mundo para fazer o que quisesse e afastar a bola da forma que muito bem entendesse. Em vez disso, cabeceou a bola para dentro da própria baliza. Não há nada a acrescentar a tudo o que eu já escrevi sobre o que o nosso futebol tem de errado, porque os defeitos mantêm-se e agudizam-se. Já escrevi também antes que não acredito que o nosso treinador tenha capacidade para corrigir estes erros e inverter a actual situação. E como se não bastasse todo o disparate, depois ainda somos presenteados com um vermelho directo ao Jonas por um lance normal de futebol, que quando muito valeria um amarelo. Enfim.

 

Os únicos jogadores que escaparam à mediocridade foram o Odysseas (sem ele o resultado poderia ter sido ainda mais humilhante) e o Fejsa.

 

Conseguimos pela primeira vez na história perder com o Portimonense. E se algo não for feito e continuarmos a assobiar para o ar à espera que miraculosamente tudo entre nos eixos, o mais provável é que continuemos a fazer história com feitos como este.

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Domingo, 30 de Dezembro de 2018

Fogacho

Tinha escrito no final da fantástica exibição contra o Braga que seria fundamental manter o momento positivo já para o próximo jogo, porque se voltássemos a apresentar o nível exibicional dos jogos anteriores tudo teria sido em vão. Infelizmente, regressámos mesmo ao nível dos jogos anteriores, se é que não conseguimos jogar ainda pior. E assim fica no ar a sensação de que a exibição contra o Braga não terá sido mais do que um fogacho.

 

 

Nem podem ser as alterações na equipa a servir de justificação para uma quebra exibicional tão grande, já que elas foram apenas três e uma delas na baliza. Como habitualmente, jogou o Svilar entre os postes, e as outras duas mudanças no onze foram as entradas do Yuri e do Seferovic para os lugares do Grimaldo e do Jonas. Sobre o jogo, o que há a dizer? Entrámos mal nele e o Aves poderia ter marcado logo nos minutos iniciais. Depois ainda conseguimos equilibrar as coisas, sobretudo sendo capazes de ter mais posse de bola, mas sem conseguir causar grande perigo na frente. As poucas coisas boas que o Benfica ainda conseguia criar vinham quase todas dos pés do Zivkovic, mas o sérvio parecia quase sempre completamente desacompanhado pelo resto da equipa. Uma atitude muito pouco competitiva, que resultava na perda de quase todas as bolas divididas e muitos jogadores quase parados ou expectantes, a reagirem apenas quando a bola lhes era passada. De qualquer maneira quando fomos para intervalo até parecia que o pior tinha passado e que mesmo sem brilho acabaria por não ser demasiado complicado manter o empate, que nos garantia o apuramento.

 

 

Mas logo nos primeiros minutos da segunda parte o Aves colocou-se em vantagem. Um lance muito simples mas bastante ilustrativo das facilidades que o Benfica concedeu ao adversário. Uma perda de bola no ataque e o mesmo jogador que recuperou a bola correu praticamente dois terços do campo com ela sem que ninguém o parasse, até fazer o centro tenso para a área. Aí, o Baldé antecipou-se muito facilmente de cabeça ao André Almeida bem junto ao poste, sem possibilidades de defesa. Agora sim, estávamos em apuros e a equipa lá reagiu ao golo, ainda que de forma atabalhoada. O Aves também mudou de atitude (só nos dois minutos a seguir ao golo ficaram três jogadores estendidos no chão) e recuou na defesa de um resultado que lhe era obviamente interessante. E foi já com o Benfica a jogar em 4-4-2, depois do Jonas ter substituído o Cervi, que o Benfica chegou ao empate. Maior mérito para o Zivkovic, que aogra na esquerda conseguiu ganhar dois ressaltos e depois teve a lucidez suficiente para enviar a bola para a zona do segundo poste, onde o Seferovic estava suficientemente sozinho para de forma algo trapalhona ter tempo de tentar controlar a bola para depois a enviar para o fundo da baliza. Benfica novamente em situação vantajosa a vinte minutos do final, mas se o nosso futebol até então já não nos tinha dado motivos para grande satisfação então a partir desse momento foi simplesmente lamentável. O Aves tomou conta do jogo, dispôs de oportunidades para voltar a marcar que só não se concretizaram porque a pontaria deles estava desafinada, e o Benfica praticamente arrastou-se à espera do apito final que carimbaria o apuramento. Uma nota apenas para assinalar o regresso do Salvio à competição, após dois meses de ausência.

 

 

O melhor do Benfica claramente o Zivkovic, acompanhado a espaços pelo Gedson e pelo Fejsa, que foi dos poucos a meter o pé e a conseguir ganhar disputas de bola com os jogadores adversários. Tudo o resto foi demasiado pobre ou de má qualidade.

 

Não soubemos aproveitar o balanço que o jogo contra o Braga nos poderia ter dado e rapidamente voltámos ao nível de exibições de Montalegre. O resultado disto é o reforçar da desconfiança em relação à equipa. E se a exibição da equipa já deu motivos de insatisfação, as declarações do nosso treinador sobre o jogo no final apenas reforçaram essa insatisfação.

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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018

Redenção

And now for something completely different. Ganhámos bem. Jogámos bem. Dominámos o jogo e não deixámos a menor sombra de dúvida sobre qual era a melhor equipa em campo. E no final destroçámos por completo uma das equipas mais fortes e regulares deste campeonato, podendo afirmar sem dúvidas que o resultado não é melhor do que a exibição; pelo contrário, adequa-se-lhe perfeitamente.

 

 

Entrámos em campo com um onze sem surpresas, que será o mais previsível nesta altura. A defesa habitual, o Gedson a completar o trio do meio campo, e as alas entregues ao Zivkovic e ao Cervi. O Braga entrou na Luz disposto a justificar o estatuto de candidato ao título jogando de peito aberto, num 4-4-2 no qual os alas tentavam compensar a inferioridade numérica no meio. Durante os minutos iniciais até me pareceu que o Benfica não iria conseguir explorar isso, porque o Pizzi aparecia demasiadas vezes muito adiantado, ou encostado à direita, onde se sobrepunha ao Zivkovic e era redundante, ou perto do Jonas. Mas a partir dos dez minutos tudo isso mudou, com o Pizzi a aparecer em zonas mais centrais e recuadas, para pegar no jogo. Mas a principal diferença no nosso jogo esta noite, e que permitiu construir este resultado, residiu na atitude. Uma grande agressividade à perda de bola, com pressão quase constante sobre o adversário, muitas vezes com mais do que um jogador a atacar o portador da bola. E depois, uma vez recuperada, muito maior velocidade na transição, em particular pelo Gedson mas também pelo Cervi, Zivkovic ou Grimaldo. O domínio do Benfica começou a tomar forma, e depois de uma boa jogada colectiva o Jonas apareceu solto ao segundo poste em boa posição, mas falhou a tentativa de rematar de trivela e a bola saiu ao contrário daquilo que se queria. O Braga afastou a bola, e na insistência um passe do Grimaldo encontrou o Pizzi ainda na frente, descaído sobre a esquerda. Veio para o meio, tirou o defesa da frente, e rematou cruzado para o poste mais distante. 

 

 

Um belíssimo golo, a dar início às festividades na Luz, e ao qual se viriam a somar muitos outros golos de belo efeito. Estavam decorridos dezanove minutos de jogo, e nos minutos que se seguiram ao nosso golo o Braga teve o seu melhor período no jogo, deixando a ideia de que estava na discussão do resultado e que o empate poderia surgir. Foram três boas situações as que conseguiu construir: um remate de longe do Fransergio que ainda raspou na barra, um remate à malha lateral por parte do Dyego Sousa depois de um contra-ataque, e uma situação em que o Ricardo Horta apareceu em situação privilegiada para marcar, mas o Vlachodimos fez bem a mancha. Foram quase quinze minutos de equilíbrio, mas o lance do Horta foi o canto de cisne do Braga no jogo, porque a partir daí o Benfica pegou nele e não mais o largou. E aos trinta e nove minutos aumentou a vantagem, num cabeceamento do Jardel após canto marcado pelo Zivkovic na direita do nosso ataque - depois da longa travessia no deserto, dois jogos seguidos a marcar na sequência de pontapés de canto, ambos marcados pelo Zivkovic. Este golo fez lembrar um pouco o frango do Ricardo com o Luisão, que nos deu o título no ano do Trapattoni. O guarda-redes saiu para agarrar a bola e quando estava à espera que ela lhe chegasse às mãos, a cabeça do Jardel chegou primeiro. O segundo golo, mesmo obtido perto do intervalo, não foi sinal para que o Benfica abrandasse, e só não aumentámos para três logo no minuto seguinte porque o guarda-redes bracarense conseguiu fazer bem a mancha aos pés do Jonas, que lhe apareceu isolado à frente depois de um mau corte de um defesa. Até ao apito para intervalo continuámos sempre a procurar com afinco o terceiro golo.

 

 

O regresso para a segunda parte nem sequer foi a continuidade do fecho da primeira, porque a atitude foi ainda mais decidida. Rapidamente recompensada com um golo do Grimaldo, que depois de um grande passe do Cervi entrou na área pela esquerda, aproveitou um mau corte de um defesa, e de pé direito colocou a bola entre o guarda-redes e o poste. O Braga respondeu rapidamente e reduziu três minutos depois pelo Dyego Sousa, que de cabeça concluiu um cruzamento da esquerda - a bola desviou ligeiramente no Zivkovic, o que terá ajudado a que o Rúben tivesse ficado completamente fora do lance. Mas o Benfica pagou na mesma moeda, e também três minutos depois voltou a repor a vantagem com um golo do Jonas, na conclusão de uma belíssima jogada colectiva. Toque de primeira do Cervi a desmarcar o Gedson, corrida deste em direcção à área e quando flectiu para o meio toda a gente, incluindo os jogadores do Braga, anteciparam que iria rematar. Em vez disso, soltou a bola para a esquerda onde o o Cervi, que acompanhou a jogada, recebeu solto e passou a bola para um Jonas completamente à vontade à entrada da pequena área, que apenas teve que encostar para o golo. Foi uma forma eficaz de cortar cerce quaisquer ambições que o golo tivesse dado ao Braga de entrar na discussão do resultado. O jogo era nosso e, para vincar bem isso mesmo, mais dois golos de rajada, aos sessenta e três e sessenta e sete minutos, já com o Seferovic em campo no lugar do Jonas. O primeiro foi numa jogada rápida, simples e eficaz. Lançamento de linha lateral na direita, toque de primeira do Seferovic a desmarcar o Zivkovic e passe atrasado para o interior da área, onde surgiu o Cervi com um remate de primeira a fuzilar a baliza. O segundo, uma prova de que era mesmo uma noite em que tudo corria bem. Canto na esquerda, bola metida no Pizzi, que depois de uma boa incursão individual para ganhar a linha de fundo colocou a bola para o segundo poste. Esta foi afastada para a zona central na entrada da área onde, contra todas as probabilidades, apareceu o André Almeida a rematar meio de pé esquerdo, meio de canela, quase em queda, e a fazer a bola descrever um arco perfeito que a colocou na gaveta. Entrou mesmo junto ao ângulo superior, com o guarda-redes a não poder fazer mais nada senão olhar. O golo foi de certa forma o ponto final no jogo, já que o Benfica deixou de procurar o golo com tanta intensidade e o Braga percebeu que não havia mesmo nada mais a fazer senão lutar pelo brio. Ainda conseguiu reduzir a quinze minutos do final, num remate colocado do João Novais, mas pouco mais digno de realce aconteceu até final.

 

 

Gedson, Pizzi, Cervi, Zivkovic, Grimaldo, todos eles se destacaram numa grande exibição da nossa equipa. De realçar o 'regresso' do Pizzi, depois de ter andado completamente ausente durante várias semanas. Este foi aliás um dos factores que eu julgo mais terem contribuído para tão drástica melhoria exibicional. O Gedson foi importantíssimo quer na pressão, quer nas transiçõpes, o Cervi marcou um golo e fez duas assistências, o Zivkovic é provavelmente o jogador mais inteligente que temos no plantel e o Grimaldo cada vez mais me convence que esta será a última época que o verei jogar com a nossa camisola, já que em breve dará o salto para mais altos voos.

 

Fez mais este jogo pela recuperação da confiança e crença da e na equipa do que os seis anteriores. Esta exibição, resultado e consequente salto de dois lugares na classificação podem muito bem significar a redenção desta equipa. Mas para isso é fundamental que saibamos transportar tudo o que de positivo retirámos do jogo de hoje já para o próximo jogo. Porque se voltarmos a apresentar o nível exibicional dos jogos anteriores, tudo terá sido em vão.

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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2018

Festa

 

Mau tempo, mau relvado, mau futebol, bom resultado. Pelo menos na perspectiva que ganhámos o jogo e passámos aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Fez-se a festa da Taça em Montalegre, deram-se minutos aos menos utilizados e o Conti marcou o golo da vitória ainda na primeira parte, depois de um pontapé de canto marcado pelo Zivkovic. Poderíamos ter pelo menos marcado mais um golo, mas o guarda-redes adversário esteve inspirado e no final o Montalegre ficou com a pequena alegria de ter sido derrotado apenas pela margem mínima. O Benfica deveria reflectir o facto do nosso futebol ter estado quase ao nível do de uma equipa do terceiro escalão. As vitórias têm vindo a a somar-se, mas não parecemos ver qualquer efeito motivacional daí resultante, e a bitola exibicional tem-se mantido inalterada.

 

Nada mais a dizer sobre este jogo - não me apetece, e o que jogámos nem sequer tem muito mais a dizer. Espero que no próximo jogo, frente ao Braga, possamos manter a sequência de vitórias. Se voltarmos a jogar mal e o jogo acabar com uma vitória por 1-0, ficarei encantado.

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publicado por D`Arcy às 00:13
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