VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

Crença

A coisa ainda esteve tremida em Paços e foi preciso esperar até quase ao final para que o mini-estádio da Luz pudesse explodir de alegria. Mas tal só foi possível porque a nossa equipa também revelou uma enorme crença até final, e foi recompensada com a vitória frente a uma equipa que tudo fez para conseguir um resultado positivo contra nós.

 

 

Nesta fase da época já não há surpresas na constituição da equipa. Quando há alterações é devido a ausências forçadas, e como do último jogo para este não se verificou mais nenhuma, alinhámos com o mesmo onze que tinha vencido confortavelmente o Boavista. Já escrevi noutras ocasiões que há jogos que logo nos minutos iniciais me dão um mau pressentimento, como se fosse possível adivinhar logo que as coisas vão correr mal. E este foi um desses jogos. Porque o Benfica não teve um daqueles arranques fulgurantes, muito pelo contrário. Contra um Paços que se fechava com os onze atrás da bola e que depois conseguia sair rápido para o ataque, o Benfica não estava a conseguir fazer a pressão alta funcionar nem engatar aquelas combinações rápidas no ataque. O lado esquerdo não estava com o dinamismo do costume, até porque o Zivkovic andava a aparecer muitas vezes mais pela direita. E depois havia a atitude dos jogadores do Paços. Desde o apito inicial que se percebeu que estavam dispostos a jogar o futebol mais feio que fosse preciso, desde que isso lhes garantisse um resultado positivo. Deixavam-se cair ao menor toque (às vezes nem eram necessários toques, como foi bastante evidente um lance logo nos primeiros minutos) aproveitando que o árbitro apitava a tudo, ficavam no chão o máximo de tempo que podiam e tentavam arranjar discussões e quezílias com os nossos jogadores à menor oportunidade - e os nossos jogadores nisso foram pouco inteligentes, porque em vez de voltar as costas iam na conversa. E se essa disposição já era notória desde o início, então depois do Paços chegar ao golo logo aos nove minutos pior ficou. Uma perda de bola do Grimaldo na saída para o ataque foi bem aproveitada para um contra-ataque por aquele lado e um passe atrasado para o remate de primeira, já no interior da área. A tarefa complicava-se, e a pouca inspiração e lentidão no ataque deixava-me apreensivo. Até porque quando conseguíamos criar alguma ocasião para marcar a finalização deixava muito a desejar. Ainda estou, por exemplo, a tentar perceber como é que o Jonas conseguiu não marcar depois de aparecer completamente sozinho a dois metros da linha de golo para cabecear um cruzamento perfeito do Cervi. O que é certo é que apesar do Benfica ter crescido nos minutos finais, a primeira parte acabou connosco em desvantagem.

 

 

A segunda parte foi basicamente um massacre constante. Foi daqueles jogos em que se pode perfeitamente usar o velho jargão do 'aluga-se meio campo', porque o Paços não saiu da sua metade. Acantonaram-se em frente à área, reforçaram a táctica de tentar o mais possível impedir que se jogasse, e agarraram-se à vantagem com unhas e dentes. O Benfica foi carregando, muitas vezes com mais vontade do que qualidade, mas o golo parecia estar difícil de aparecer. E com tanta gente de amarelo dedicada exclusivamente à defesa, justificava-se reforçar os números no ataque, pelo que foi com naturalidade que ainda antes de completado o primeiro quarto de hora já abdicávamos do Zivkovic para lançar o Jiménez. O mexicano acabou por ter um papel decisivo no golo do empate, que apareceu aos setenta e dois minutos, mas ainda mais decisiva foi a intervenção do Rafa. Na direita, conseguiu interceptar um passe, depois fez uso da sua melhor característica, a velocidade, para ganhar vantagem sobre o defesa que tinha acabado de entrar e fez o passe atrasado para o remate do Jiménez. A bola parecia levar a direcção certa, mas acabou por bater nas pernas do Jonas e ficar à disposição do nosso melhor marcador, que muito perto da baliza a atirou lá para dentro, tendo ainda tocado no poste. Metade do trabalho estava feito, mas faltava a outra metade e esta adivinhava-se ainda mais complicada porque o Paços ainda reforçou mais o antijogo. A quatro minutos do final tivemos que dar o tudo por tudo no ataque e trocámos o Grimaldo pelo Seferovic. E dois minutos depois (foram dois minutos depois porque estivemos todo esse tempo com o jogo parado, primeiro porque mais um jogador do Paços ficou caído no relvado, e depois porque três quartos da equipa do Paços rodeou o árbitro e andou a discutir uma bola ao solo) os três avançados foram mesmo decisivos para concluir a reviravolta: bola longa do Rúben Dias para a esquerda do ataque, o Jiménez recuperou e meteu no Seferovic, e este fez um passe fantástico para o interior da área que permitiu ao Jonas aparecer na zona do primeiro poste a concluir com um remate rasteiro de primeira. Não foram necessários nove minutos de compensação para chegarmos à vitória, mas o árbitro ainda deu sete - na minha opinião, justificados, mas tenho sérias dúvidas que esses sete minutos tivessem sido dados se não tivéssemos marcado aquele golo aos oitenta e oito minutos. E estes sete minutos ainda foram movimentados: um jogador do Paços foi expulso por agressão ao Jonas, e para fechar da melhor maneira possível o Rafa viu a sua boa exibição compensada com um golo, concluindo com um bom remate cruzado uma jogada na qual o Jiménez ganhou a bola nas alturas.

 

 

E eu escolho mesmo o Rafa como o homem do jogo. Sim, o Jonas marcou dois golos e foi decisivo, mas o Rafa não foi menos importante. Parece estar a ganhar confiança com a porta da titularidade que ficou aberta com a lesão do Salvio, e tem vindo sempre a melhorar. O primeiro golo, que começou a desatar este nó complicado, surge por inteiro mérito seu e o terceiro golo é uma finalização muito boa - o que até pode parecer estranho de dizer quando estamos a falar do Rafa, tendo em conta o seu historial recente neste particular. Menção obrigatória para o Jiménez também. Foi muito importante a sua entrada, e ele acabou por estar directamente envolvido nas jogadas dos três golos. Mas mais do que o brilho individual deste ou daquele jogador, para mim o mais importante foi mesmo a atitude da equipa durante toda a segunda parte. Só assim conseguimos conquistar os três pontos esta noite.

 

Vai ser assim, não tenho dúvidas, até ao final. Todas as equipas vão tentar jogar assim contra nós. A defender com unhas e dentes, a recorrer ao antijogo, com uma atitude quezilenta e a tentar armar confusão, como se houvesse ali uma motivação extra qualquer. Vamos precisar de manter esta atitude e esta comunhão entre adeptos e equipa para fazer frente a isto e mantermos viva a esperança no penta.

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publicado por D`Arcy às 01:09
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

Evidente

Uma vitória tão evidente quanto natural, e o espelho fiel da enorme superioridade da equipa do Benfica sobre a do Boavista. Nem mesmo uma noite menos inspirada do melhor marcador do campeonato evitou mais uma goleada.

 

 

Durante toda a semana pairou a incógnita sobre a presença do Jonas neste jogo. Mas ele foi mesmo presença no onze inicial, que voltou a contar com o Rafa na posição do Salvio. O nosso início de jogo não foi tão pressionante como tem sido, mas não foram necessários muitos minutos para ficar convencido que dificilmente a vitória nos escaparia. Porque bastava a bola ir até à esquerda que o trio Grimaldo-Cervi-Zivkovic mostrava que estava em mais uma noite inspirada, e que era quase impossível o Boavista travá-los. As triangulações entre eles acontecem a uma velocidade vertiginosa e são feitas quase de olhos fechados, de tal forma que provavelmente nove em cada dez investidas por aquele lado vão acabar com um jogador a isolar-se em direcção à área ou a ganhar a linha de fundo para servir alguém à entrada ou no interior da área. O Boavista, por seu lado, até tentava de forma vã pressionar a nossa saída de bola mas o sucesso era nulo. E em termos ofensivos ficava-se pelo mesmo rendimento: nem um remate, nem uma jogada sequer de perigo - o que era também uma consequência natural de quase não terem bola. De qualquer forma era necessário traduzir a nossa superioridade em golos, porque recordava-me bem do que aconteceu no jogo da primeira volta, em que dominámos por completo a primeira parte, fomos para o intervalo com a magra vantagem de um golo, e depois quase sem saber como o Boavista deu a volta ao resultado e deu-nos a nossa única e extremamente injusta derrota no campeonato. 

 

 

Foi naturalmente pelo lado esquerdo que surgiu uma grande ocasião para ganhar vantagem, quando o inevitável Cervi foi derrubado dentro da área com quinze minutos decorridos. Mas o Wagner conseguiu defender o penálti marcado pelo Jonas (não me pareceu mal marcado, simplesmente o guarda-redes adivinhou o lado e fez uma boa defesa). Mas não foi preciso esperar muito pelo golo, que surgiu apenas três minutos depois: canto marcado na esquerda pelo Cervi, cabeceamento do Jardel a devolver a bola para a zona do primeiro poste, e cabeçada para o golo do Rúben Dias (e se não fosse ele, ainda lá estaria o André Almeida para finalizar). Se há algo a apontar à exibição do Benfica no primeiro tempo, foi o facto de apesar de ter tanto domínio, ter enfeitado demasiado as jogadas junto da área adversária. É certo que não é fácil encontrar espaços para rematar frente a um adversário que defende quase todo o tempo com onze, mas pareceu-me que houve situações em que exagerámos nas tabelas e nos passes quando parecia mais aconselhável o remate, mesmo de fora da área. Porque ainda estava escaldado com o jogo da primeira volta, desejava pelo menos mais um golo antes do intervalo, e foi mesmo a fechar a primeira parte que ele apareceu. Mais um canto do Cervi na esquerda, desta vez a encontrar o Jardel bem no centro da área para um cabeceamento colocado e sem hipóteses de defesa. Apesar da dinâmica apresentada e da enorme superioridade sobre o Boavista, foi em dois lances de bola parada que conseguimos marcar. E apesar do Boavista meter onze jogadores dentro da área para defender os cantos, não conseguiram marcar eficazmente o melhor cabeceador da nossa equipa.

 

 

A ganhar por dois ao intervalo frente a um adversário incapaz de atacar, a perspectiva era naturalmente de uma goleada. Mas os minutos iniciais até acabaram por mostrar um pouquinho de Boavista, que conseguiu mesmo fazer finalmente um remate no jogo - foi um remate disparatado e que não causou perigo nenhum, na sequência de um pontapé de canto marcado 'à futsal' com um balão para a entrada da área a pedir um remate de primeira, mas foi para todos os efeitos um remate. Achei que houve um período durante o qual o Benfica perdeu dinâmica no ataque, talvez por culpa da experiência de, primeiro, trocar os extremos, e depois disso ter o Pizzi a jogar mais sobre a esquerda e o Zivkovic sobre a direita. A coisa funciona melhor quando temos os três canhotos perto uns dos outros, parece-me. O que é certo é que houve ali um período em que o jogo ficou demasiado partido para o meu gosto. Não que isso se tenha traduzido em qualquer pressão da parte do Boavista, mas achei a nossa equipa um pouco menos ligada e a dar mais espaços no meio campo, com o jogo numa toada de parada e resposta em que toda a gente parecia ter demasiado espaço e tempo para jogar. Por vezes até deu a sensação de alguma sobranceria, já que as situações mais complicadas para nós resultaram de erros individuais: numa o Jardel deixou-se desarmar perto da área, e na outra uma má reposição de bola da parte do Varela acabou num remate que passou perto do poste. E houve tempo também para a tradicional má saída a um cruzamento pelo nosso guarda-redes, que deu origem a alguma confusão na nossa área até que o Varela agarrasse finalmente a bola. Mas depois voltámos à fórmula inicial, e tudo regressou à normalidade. O Jonas não estava mesmo num dia inspirado e falhou um par de situações que normalmente concretizaria, mas os defesas do Boavista acabaram por fazer o trabalho por ele, e num lance às três tabelas fizeram com que uma bola cruzada pelo Grimaldo acabasse dentro da própria baliza. Foi aos setenta e sete minutos, e logo a seguir o Jonas cedeu o lugar ao Jiménez. Que ainda foi atempo de marcar, mesmo sobre o minuto noventa, aparecendo à boca da baliza para emendar um bom passe rasteiro do André Almeida. E não fosse o João Carvalho (tinha entrado para o lugar do Pizzi) ter decidido tentar ele próprio o golo e poderia ter marcado um segundo, já que estava em posição privilegiada para receber o passe.

 

 

Destaques óbvios para o Cervi (duas assistências e ainda um penálti que foi desperdiçado), Grimaldo e Zivkovic. Os três baixinhos canhotos são o motor do futebol ofensivo da equipa e quando jogam desta forma é praticamente impossível travá-los. A quantidade de lances de perigo que conseguem criar é tanta que mais cedo ou mais tarde um golo acaba por surgir. Destaque também para a dupla de centrais, que tal como contra o Rio Ave acabou o jogo com dois golos distribuídos entre si. A isto o Jardel somou uma assistência e o Rúben um par de bons cortes a evitar males maiores, como no lance em que o Jardel perdeu a bola. Menção ainda para o Fejsa, importantíssimo como sempre, e para o André Almeida, que apesar de ainda haver quem seja incapaz de lhe reconhecer a importância e o valor que tem, insiste em desempenhar a sua função de forma exímia. Hoje somou a sexta assistência para golo na Liga, a somar a dois golos marcados - nada mau para um defesa lateral. E se aqueles que insistem em colocar um defesa direito como prioridade absoluta em qualquer janela de transferências se derem ao trabalho de consultar os dados estatísticos sobre a eficácia dele nas acções puramente defensivas, são capazes de ter uma surpresa.

 

Mais uma etapa ultrapassada com distinção e mais uma demonstração de vitalidade da nossa equipa. Estamos a atravessar o momento de forma ideal para enfrentar a fase decisiva do campeonato, e se o conseguirmos manter certamente teremos uma probabilidade enorme de celebrar no final. 

 

P.S.- Mais uma exibição deplorável do jovem prodígio verde da arbitragem nacional. Depois do magnífico desempenho como VAR no último derby, hoje voltou a mostrar que pelo menos um critério mantém: mãos dentro da área nunca dão penáltis a favor do Benfica. Já o critério disciplinar, parece ser avisar os adversários do Benfica e amarelar os jogadores do Benfica. Só ele conseguirá explicar como é que o Boavista conseguiu acabar o jogo sem um amarelo enquanto que os jogadores do Benfica viram dois por lances sem qualquer perigo disputados ainda dentro do meio campo adversário. Parece-me mesmo que o critério que ele segue é em qualquer lance em que o possa fazer, decidir a favor do adversário do Benfica. A forma como ele conseguiu transformar uma cacetada no Cervi em canto quando o jogador do Boavista nem toca na bola é digna de qualquer manual de arbitragem.

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publicado por D`Arcy às 03:28
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Talento

Chegou a parecer que seria surpreendentemente fácil - a surpresa porque face ao que já tinha visto do Portimonense nos dois jogos contra nós esta época e ainda aquilo que fez nos últimos jogos, esperava um jogo dificílimo - mas acabou por ser necessário sofrimento, muito suor e o talento do Cervi para sairmos de Portimão com os três pontos.

 

 

Sabíamos que haveria um alteração forçada no onze devido à ausência do Salvio, e a escolha para o lugar foi o Rafa. De resto, os jogadores que já nos habituámos a ver como primeiras escolhas, com o Zivkovic a repetir a titularidade nas funções do Krovinovic. O início de jogo foi aquilo que tem sido o hábito desta equipa nos últimos tempos. Pressão alta e agressiva, trocas de bola rápidas no ataque, com especial destaque para as combinações na esquerda entre o Grimaldo e o Cervi, com a colaboração frequente do Zivkovic ou do Jonas, e o adversário empurrado para junto da sua área. às vezes costuma-se dizer de uma forma algo exagerada que uma equipa nem passou do meio campo, mas durante praticamente toda a primeira meia hora de jogo foi mesmo isso que aconteceu com o Portimonense. Neutralizámos por completo o jogo deles, e apresentámos uma dinâmica muito difícil de acompanhar na procura do golo. Golo que apareceu muito cedo, com apenas seis minutos decorridos. Um passe a rasgar do Zivkovic pelo meio da defesa do Portimonense, uma grande recepção do Rafa que obrigou um defesa a um corte no limite, mas a bola foi ter com o Cervi que sobre a esquerda desferiu um remate muito forte para fazer a bola entrar entre o guarda-redes e o poste. Obtida a vantagem, o resto da primeira parte foi quase toda como descrevi antes. Uma superioridade evidente da parte do Benfica, que no entanto não se traduziu no avolumar do resultado, e um Portimonense praticamente inofensivo, quase sempre remetido para bem dentro do seu meio campo e com muito pouca posse de bola. Apenas na fase final do primeiro tempo é que o nosso adversário pareceu começar a acordar e a dar alguns sinais de vida. Não nos causaram grandes problemas na defesa, mas o meio campo começou a ganhar cada vez mais os duelos físicos e as bolas divididas, permitindo-lhes ter um pouco mais de bola e jogar mais longe da sua área.

 

 

Para nosso mal, as indicações dadas no final da primeira parte não só se mantiveram como se acentuaram na segunda. O Portimonense entrou mais agressivo e ganhou superioridade na zona do meio campo, impondo o maior poderio físico da maioria dos seus jogadores e passando a ganhar os duelos individuais, bolas divididas e segundas bolas. Não se tratou de um caso em que éramos submetidos a pressão intensa e as ocasiões de golo se sucediam junto da nossa baliza - a melhor ocasião até foi mesmo nossa, mas o André Almeida, em posição privilegiadíssima, escorregou na altura do remate a enviou a bola para a bancada - mas era notótio que já não tínhamos o controlo absoluto da partida, passando a ter menos bola e sendo menos perigosos no ataque. Por outro lado, com o Portimonense a aparecer mais no jogo, a possibilidade de surgir o golo do empate era maior. E a meio desta segunda parte sofremos uma dupla contrariedade: o Jonas teve que sair lesionado, e quase de seguida o golo do empate apareceu mesmo, na sequência de um pontapé de canto. Víamo-nos agora sem o nosso melhor marcador em campo, e a precisar de voltar para a frente do marcador. Confesso que vi as coisas mal paradas nessa altura, até porque o golo do empate motivou ainda mais o nosso adversário. Durante alguns minutos o jogo ficou como que partido e bastante aberto, podendo um golo cair para qualquer uma das equipas - novamente o André Almeida, em posição frontal, fez um remate rasteiro e com pouca força para as mãos do guarda-redes, e do outro lado vimos um adversário em óptima posição rematar torto e ao lado da nossa baliza. Mas a doze minutos do final, o destino sorriu-nos. Acabadinho de entrar, o Galeno (jogador emprestado pelo Porto - se calhar está comprado) meteu a mão à bola e no livre resultante, ainda bem longe da baliza, o Cervi inventou um remate magistral que fez a bola ainda beijar o poste antes de entrar na baliza. Logo a seguir o nosso treinador emendou a mão e em vez de meter o Seferovic, que estava pronto para entrar, colocou em campo o Samaris para equilibrar a luta a meio campo. E à excepção de um lance no qual o Varela teve uma péssima saída a um cruzamento, não passámos por grandes calafrios. Para fechar da melhor maneira, já durante o período de compensação do período de compensação o Zivkovic, à segunda e na conclusão de uma jogada em que ele progrediu todo o meio campo adversário com a bola antes de combinar com o Diogo Gonçalves, fez o terceiro golo.

 

 

O homem do jogo é sem qualquer dúvida o Cervi. É um jogador de quem é impossível não gostar, quanto mais não seja pela atitude que tem em campo. Disputa cada bola como se fosse a última, corre os noventa minutos como se tivesse acabado de começar o jogo, e a isto alia uma capacidade técnica acima do normal. Não costuma marcar muitos golos, mas hoje apareceu na altura certa para fazer dois e carregar a nossa equipa até à vitória. Outro destaque que faço é o Zivkovic. Tinha a convicção de que ele seria a melhor solução para o lugar do Krovinovic ainda antes dele jogar, e depois de dois jogos a titular nessas funções julgo que poucos não partilharão dela. Tal como no caso do Cervi, a atitude ajuda muito. E depois tem a qualidade técnica para segurar a bola e a visão de jogo para fazer passes que rasgam qualquer defesa. Bem fez por merecer o golo que marcou (embora nesse lance até tenha sido algo egoísta, porque tinha o Jiménez em óptima posição). Uma menção também para o Fejsa. Já estamos tão habituados a vê-lo fazer aquilo que faz que às vezes até pode nem parecer nada de extraordinário, mas o Fejsa é provavelmente o factor mais importante para que consigamos pressionar os adversários da forma que o fazemos. Por diversas vezes ele é literalmente o meio campo do Benfica, por si só. Por último: o Rafa não soube aproveitar mais esta oportunidade. Esteve no lance do primeiro golo, mas no resto do jogo foi uma desilusão para mim.

 

Mais um difícil obstáculo ultrapassado, mas um passo dado no caminho que temos que percorrer até ao nosso objectivo. A equipa está estabilizada, a fórmula está encontrada, a dinâmica está instalada. A cada passo dado, a confiança aumenta.

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publicado por D`Arcy às 02:12
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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2018

União

Uma segunda parte arrasadora valeu-nos uma vitória justa e indiscutível perante uma das boas equipas do nosso campeonato. Uma equipa que tantos problemas já nos tinha causado esta época, e que neste mesmo jogo mostrou que isso não aconteceu por acaso - foram necessárias uma atitude e qualidade muito grandes para dar a volta ao resultado e construir esta vitória.

 

 

A novidade no onze foi a troca do João Carvalho pelo Zivkovic na posição de terceiro médio. De resto, a equipa a que já nos vamos habituando a ver como a titular. O começo de jogo mostrou aquilo que se esperava e vem também sendo habitual na nossa equipa nos últimos jogos (excepção feita ao jogo em Belém). Uma equipa agressiva, a pressionar logo a saída de bola do adversário - e sabe-se que o Rio Ave é uma equipa que gosta de sair a jogar - e a imprimir grande velocidade nas combinações ofensivas. O único senão, na minha opinião, foi uma excessiva cerimónia no momento de definir as jogadas. Sempre mais um toque, um passe, um floreado e poucos remates. Depois houve o enorme contratempo de sofrermos um golo na primeira vez em que o Rio Ave foi à nossa baliza. Foi na insistência de um canto, num lance em que houve demasiada displicência. Depois da bola ser aliviada e ir parar aos pés do Geraldes, quando este progrediu em direcção à área ninguém se lhe opôs - o Pizzi literalmente desviou-se do caminho dele - e ele entrou à vontade e cruzou para o golo. A equipa acusou este golo e começou a instalar-se o nervosismo, que ainda aumentou quando logo a seguir o Rio Ave esteve muito perto do segundo golo, num grande remate do João Novais que fez a bola embater com estrondo no poste. Nesta fase do jogo o Benfica tinha dificuldade em estabilizar o seu jogo, e os próprios jogadores pareciam estar inseguros. O Rio Ave conseguia trocar bem a bola e pressionava alto, condicionando a nossa saída de bola. O Geraldes estava a ser deixado demasiado à vontade no meio campo, onde recebia quase sempre a bola sozinho e conseguia organizar todo o jogo do nosso adversário. O Rio Ave voltou a estar perto do golo numa hesitação do Varela, que permitiu que um jogador adversário conseguisse meter-se entre ele e o Rúben Dias, redimindo-se depois com uma defesa por instinto. Mas nos dez minutos finais a nossa equipa finalmente pareceu reencontrar-se e conseguiu encostar o Rio Ave à sua área, tornando-se progressivamente mais perigosa (não sendo uma consequência directa disso, a verdade é que o Benfica começou a jogar melhor depois do infortúnio da lesão do Salvio, que foi substituído pelo Rafa) de forma a que à saída para o intervalo sentia-se que o golo estava perto de acontecer.

 

 

E esse pressentimento confirmou-se. Era importantíssimo empatar o jogo o mais cedo possível, e o Benfica fez isso mesmo. A cavalgada que tinha tido início na fase final da primeira parte foi imediatamente retomada no reinício, mesmo com o Rio Ave a ter retardado ao máximo o seu regresso das cabines. E ao fim de três minutos, já o Jardel tinha cabeceado para o fundo das redes, na sequência de um canto. A insistir sobretudo sobre o lado esquerdo, onde o Cervi e o Grimaldo estavam com uma dinâmica fortíssima e nesta segunda parte contaram com muito mais colaboração da parte do Zivkovic, o Benfica tinha o Rio Ave encostado às cordas e não ganharmos este jogo era nesta altura um cenário cada vez mais improvável. Faltava a cambalhota completa no resultado, que aconteceu aos sessenta minutos em mais uma investida pela esquerda. Desta vez até foi o Jonas quem entrou por ali e fez o passe atrasado para o remate do Pizzi - pareceu-me no estádio que o Pizzi sofreu falta quando queria rematar (seria penálti) mas ainda conseguiu tocar na bola o suficiente para a desviar do Cássio e fazê-la rolar devagarinho para dentro da baliza. Mas isto não era suficiente para o Benfica, que continuou com um ritmo diabólico a vulgarizar um rio Ave que, nesta fase, já parecia acusar o esforço da primeira parte para pressionar o Benfica no campo todo. Por isso foi com toda a naturalidade que aos setenta e um minutos apareceu o terceiro golo, pelo inevitável Jonas. Masi um pontapé de canto, mais uma vez o Jardel a ganhar nas alturas, e desta vez fez a bola cair nos pés do Jonas que ficou sozinho em frente ao Cássio para finalizar. Para uma equipa acusada de não ter sistema e de não trabalhar bolas paradas dois golos de canto já eram bons, mas melhor ainda são três. O que aconteceu aos oitenta e três minutos num cabeceamento fulgurante do Rúben Dias. Primeiro golo do nosso jovem central no campeonato, celebrado de forma eufórica. E mesmo assim acho que todo o estádio da Luz sentia que as coisas não ficariam por aí. O Benfica tinha o adversário de rastos e não mostrava qualquer tipo de piedade, continuando a massacrá-lo à procura de mais golos. Uma investida do Rafa pela direita, a três minutos do final, resultou num cruzamento rasteiro para o Jiménez (que tinha entrado para o lugar do Jonas) concretizar facilmente à entrada da pequena área. E só não houve mais um golo porque o mesmo Jiménez, depois de um bom trabalho individual, fez um mau remate quando até poderia ter tentado o passe para o Zivkovic.

 

 

Destaque neste jogo para o Jardel, fundamental no início da reviravolta, mas também para o Rúben Dias. É certo que foi batido pelo ar no lance do golo do Rio Ave, mas no resto do jogo conseguiu diversos cortes de grande dificuldade e ainda foi lá à frente marcar um golo. No dia em que o nosso capitão Luisão decidir arrumar as botas, no centro da nossa defesa moram actualmente os dois que lhe sucederão nesse posto. A nossa asa esquerda, com o Cervi e o Grimaldo, esteve em grande uma vez mais. Agrada-me sempre em particular o Cervi. Está numa forma fantástica e dá uma enorme dinâmica ao nosso jogo. É frequente vê-lo aparecer no meio ou até na direita, e joga sempre a um ritmo elevadíssimo, ajudando a defender quando é necessário e lutanto por cada bola como se fosse a última. Quero mencionar também o Fejsa, que durante a primeira parte teve momentos em que estava praticamente sozinho naquele meio campo, já que pouca ou nenhuma ajuda recebia do Pizzi (sobretudo) e do Zivkovic. E por último o Jonas, que voltou a picar o ponto.

 

Foi bom ver que o percalço em Belém não afectou a equipa, tal como não a afectam os sucessivos e vis ataques ao Benfica que continuam a ser perpetrados quase diariamente na comunicação social. Tudo isso apenas nos une ainda mais. Une os jogadores, e une os benfiquistas no apoio à equipa - foram mais de cinquenta e três mil os espectadores que disseram 'presente'. Já tentaram fazer-nos o enterro por diversas vezes esta época, mas chegados aqui continuamos na luta pelo pentacampeonato, e nesta fase parece-me que sendo a equipa que melhor futebol está a apresentar. Aguardo pelas próximas acções de desespero por parte dos nossos inimigos se este momento teimar em manter-se.

 

P.S.- Uma arbitragem simplesmente deplorável da parte do Manuel Oliveira, a quem infelizmente já vamos ficando habituados. O facto de mesmo assim termos conseguido dar a volta ao resultado e acabado com uma goleada diz muito sobre a qualidade do nosso jogo.

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publicado por D`Arcy às 00:42
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

Sombra

Um empate comprometedor e arrancado no último suspiro do jogo, já nos descontos sobre os descontos, mas que acaba por ser um castigo lógico face ao que se assistiu durante os noventa minutos. Hoje fomos uma sombra da equipa que nas últimas semanas nos chegou a deslumbrar com a qualidade do futebol que produziu. 

 

 

Uma primeira parte praticamente deitada fora, níveis de desperdício inaceitáveis na segunda e uma progressiva perda de lucidez à medida que o tempo avançava ajudam muito a explicar este resultado. Este jogo era o primeiro teste à ausência do Krovinovic e a avaliação que se pode fazer não é positiva. O escolhido para o seu lugar foi o João Carvalho, e a dinâmica da equipa durante a primeira parte depressa mostrou que a mudança se fazia notar. Não conseguimos fazer a pressão alta com a qualidade do costume, e a dinâmica a atacar foi quase inexistente: praticamente não criámos ocasiões de golo, e quando conseguíamos construir alguma coisa mais bem feita, a decisão deitava tudo a perder. Ou os centros quando se entrava na área e ganhava a linha de fundo iam sempre direitinhos para um adversário, ou então demorava-se demasiado para fazer o remate e este acabava interceptado - um exemplo flagrante foi uma situação em que o Pizzi tinha o Salvio ao lado completamente isolado, mas nem levantou a cabeça e acabou por rematar contra um adversário. De uma forma geral, fomos quase sempre demasiado previsíveis no ataque e uma presa demasiado fácil para um Belenenses preocupado sobretudo em defender e queimar tempo, com os seus jogadores a parecerem particularmente empenhados em entrar em discussões e arranjar quezílias com os jogadores do Benfica.

 

 

Exigia-se muito melhor na segunda parte e esta foi de facto melhor do que a primeira, parecendo-me que a atitude foi melhor. Mas neste período o que começou infelizmente a evidenciar-se foi o tremendo desperdício das ocasiões que se iam criando. A primeira alteração feita pareceu-me uma boa opção: a troca directa do João Carvalho pelo Zivkovic. Foi dos pés do sérvio que saiu o passe que desmarcou o Cervi, para este ser derrubado dentro da área do Belenenses. Mas o Jonas marcou-o pessimamente, com um remate denunciado e para o lado oposto daquele que lhe costuma ser mais habitual, deitando assim fora a melhor ocasião que tivemos para passar para a frente do marcador. Pouco tempo depois vimos o Cervi a correr isolado em direcção à baliza, mas a finalização foi simplesmente desastrosa: com o corpo completamente inclinado para trás, atirou a bola para a bancada. Num jogo em que até nem estávamos a jogar particularmente bem, desperdiçar ocasiões destas só podia ser um péssimo presságio para o que estava para vir. Até porque voltámos a assistir a um cenário relativamente familiar: à medida que o tempo passa e o golo não surge, a equipa vai perdendo lucidez e a resposta vinda do banco não ajuda, pois consiste quase sempre em colocar cada vez mais avançados em campo por troca por jogadores com capacidade para criar e construir. E o que começou a tornar-se previsível aconteceu mesmo. Já perto do final, e praticamente no primeiro remate que acertou na baliza, o Belenenses marcou. O remate até nem foi nada de especial e o seu autor escorregou na altura em que o fez, mas a bola saiu muito colocada para o poste mais distante e o Varela só conseguiu ficar a vê-la entrar. Parecia que era a confirmação de uma derrota, mas a equipa ainda encontrou forças para lutar e já para lá do tempo de compensação atribuído, no último lance da partida, o Jonas redimiu-se parcialmente do penálti falhado e na marcação de um livre à entrada da área fez o empate.

 

 

Não o responsabilizando directamente pela quebra de qualidade do futebol da equipa neste jogo, o João Carvalho terá que fazer bastante melhor do que aquilo que fez hoje para confirmar ser a opção mais válida ao Krovinovic. Em particular no que diz respeito à agressividade e trabalho defensivo, que foi o aspecto em que fiquei menos satisfeito hoje. É preciso lutar pela bola, e ir buscá-la aos espaços vazios oferecendo linhas de passe - é sobretudo isso que tem evidenciado o Krovinovic. Não dá para se ficar quase parado à espera que a bola chegue aos nossos pés. Mas toda a equipa em geral esteve abaixo daquilo que se espera deles. O Pizzi, por exemplo, fez um jogo lamentável sob todos os aspectos, e no entanto manteve-se os noventa minutos em campo. Talvez o Cervi tenha sido dos melhores, mas aquela ocasião flagrante desperdiçada com um chuto para a bancada é uma mancha indelével na sua exibição.

 

Foram dois pontos que não podíamos perder, porque era importantíssimo manter o bom momento e acima de tudo mostrar que a perda de um jogador que estava a ser fundamental não abanava a equipa. Infelizmente não conseguimos dar a resposta que se exigia, e agora tudo ficou muito mais complicado.

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publicado por D`Arcy às 01:39
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Domingo, 21 de Janeiro de 2018

Agridoce

Depois de ter visto o jogo de ontem, fiquei a perceber o motivo pelo qual os nossos adversários acusam descaradamente as outras equipas de facilitarem quando jogam contra nós. Porque de facto, frente a uma equipa que não perdia há oito jogos, fizemos a nossa vitória parecer tão fácil, com domínio completo sobre o adversário e momentos que chegaram a ser brilhantes. Foi simplesmente demasiado Benfica para este Chaves.

 

 

O onze base está escolhido (neste jogo houve apenas uma única alteração, forçada, tendo o Douglas ocupado a posição que normalmente pertence ao André Almeida) a táctica está estabilizada, e o que vemos em campo é uma equipa que parece perfeitamente afinada, onde toda a gente parece saber exactamente quais as suas funções e o que deve fazer. Resumindo tudo numa palvara, seria harmonia. Tem sido um prazer ver a equipa jogar nos últimos jogos, e depressa se percebeu que este jogo iria confirmar esta tendência. Mais uma vez vimos aquilo que tem sido a imagem de marca da equipa nesta que parece ser a melhor fase da época até agora: linhas muito subidas, pressão altíssima e agressiva, a permitir a recuperação da bola de forma rápida e diversas vezes em zonas bastante adiantadas do campo, e o habitual carrossel ofensivo, com Jonas, Salvio, Cervi, Pizzi e Krovinovic em constante movimento e trocas de posições, contando com o apoio constante dos laterais e um Fejsa uma vez mais monstruoso a impor a sua presença no meio campo. O Chaves bem tentou ser fiel ao seu estilo de jogo, mas o Benfica simplesmente não lhes deu quaisquer hipóteses de sequer sonhar em conseguir trazer alguma coisa positiva da Luz. Demorou doze minutos até ao inevitável Jonas abrir o marcador, num remate imparável de fora da área, a culminar uma série de vagas sucessivas de ataque do Benfica. Seis minutos depois, mais um golo do Jonas, que em frente à baliza concretizou facilmente um passe atrasado do Salvio, que numa iniciativa individual tinha ganho a linha de fundo. E o vendaval continuou durante toda a primeira parte, com o resultado a ser escasso para tanto domínio da parte do Benfica. O Chaves foi praticamente inofensivo, e a única situação de perigo que causou foi num lance que seria de qualquer forma invalidado por fora-de-jogo, mas onde o Varela fez bem a mancha.

 

 

Não era crível que o jogo mudasse muito na segunda parte e que o Chaves de repente se mostrasse capaz de ameaçar a vitória do Benfica. E se alguém ainda tinha alguma esperança irrealista que isso acontecesse, num instante a viu defraudada. Isto porque o Benfica fez logo a abrir aquilo que não tinha conseguido (e que tinha merecido) durante a primeira parte: um terceiro golo, que garantia que os três pontos ficavam na Luz. O golo nasceu pelo lado esquerdo, onde o Cervi recebeu a bola do Krovinovic, progrediu, e devolveu-a num passe atrasado para a entrada da área. Onde estava o Pizzi completamente sozinho, e com tempo para controlar a bola e escolher para onde a queria rematar. O golo garantia a vitória, mas significou também um bocado o fim da diversão, porque o Benfica tirou naturalmente o pé do acelerador e durante toda a segunda parte não voltámos a ver aquele vendaval da primeira parte. Controlámos o jogo por completo - não me recordo de um único remate particularmente perigoso da parte do Chaves - e fomos gerindo o tempo e o esforço com segurança, com a certeza de que com mais ou menos golos, a vitória estava garantida. E isto tudo foi feito quase sempre dentro do meio campo adversário, onde conseguíamos trocar a bola e manter a posse sem grandes problemas. O facto de maior realce no resto do tempo acabou mesmo por ser pela negativa. Mesmo sobre o final do jogo e num lance completamente inofensivo, num esforço para impedir que uma bola saísse pela linha lateral o Krovinovic ficou estendido no relvado agarrado ao joelho. Qualquer lesão nos joelhos, ainda por cima quando os jogadores se lesionam sozinhos, é logo motivo de preocupação e por isso mesmo saí do estádio com um sentimento agridoce. Contente pela vitória e exibição, mas muito preocupado com a lesão do Krovinovic. E infelizmente o pior acabou por se confirmar: uma rotura do ligamento no joelho, que na prática significa o fim da época para um dos nossos jogadores em melhor forma e dos principais responsáveis pela dramática melhoria da qualidade exibicional da nossa equipa.

 

 

Destaques numa exibição com tanta qualidade há sempre muitos que se podem fazer. O inevitável Jonas, que depois de tanto tempo a pensarmos que não funcionaria sozinho na frente é precisamente nessas funções que parece atravessar o seu melhor período de sempre desde que está no Benfica. Os extremos Salvio e Cervi, o Krovinovic, o incomparável Fejsa, todos eles com exibições de altíssima qualidade.

 

O nível exibicional da equipa é a melhor da época, um pouco a exemplo daquilo que já aconteceu em épocas anteriores com o Rui Vitória. Demoramos um bocado até encontrar a fórmula certa, mas quando isso acontece ficamos quase imparáveis. Agora teremos que ver como reagirá a equipa à perda de um dos seus jogadores mais influentes - pessoalmente, espero que se encontre uma solução para a posição do Krovinovic e que não se regresse aos dois avançados, porque isso seria um retrocesso. Este é o rumo certo para o penta, e o momento é para manter.

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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

Limpeza

Esta época tenho ouvido da parte de vários benfiquistas comparações com a 'época do Quique', numa referência obviamente pouco elogiosa à qualidade do futebol praticado pela nossa equipa em diversas ocasiões. Pois pegando precisamente nessa comparação, acho que desde a época do Quique (vitória por 3-1, já perto do final da época, quando o Braga era treinado pelo JJ) que não me lembrava de ver o Benfica ganhar em Braga com tamanha limpeza.

 

 

Fomos superiores e tivemos o controlo do jogo praticamente em todo o encontro, exceptuando um período de cerca de cinco minutos que se seguiram ao golo do Braga. Apresentando aquele que já se pode considerar o onze base (quando o Luisão regressar fico apenas com a curiosidade de ver se jogará ele ou o Jardel, porque o Rúben já não sai mais da equipa) entrámos para este jogo com uma enorme tranquilidade e com a lição muito bem estudada. A chave da nossa vitória passou por uma equipa muito subida em campo, com a defesa colocada praticamente sobre a linha divisória e uma pressão imediata sobre a saída de bola do Braga, que os impediu de iniciar as jogadas como mais gostam de fazer e resultou em diversas recuperações de bola em zonas adiantadas do campo. Foi particularmente importante a pressão e o povoamento da zona central do meio campo, onde para além dos nossos médios (uma exibição enorme do Fejsa, que empurrou a equipa ainda mais para a frente) caía o Jonas e os extremos fechavam ao meio, sufocando os médios centro do Braga. Foi assim que surgiu o primeiro golo, aos onze minutos de jogo. A bola foi recuperada pelo Jonas a um dos médios, seguiu até ao Cervi depois de ter passado pelo Krovinovic, e o passe foi feito para a desmarcação do Salvio nas costas da defesa, que marcou sem dificuldade - tudo isto foi feito pela zona central. O Benfica já desde o início parecia ter entrado com grande confiança, e o golo apenas reforçou essa mesma ideia. O Braga raramente nos causou problemas, enquanto que o Benfica continuava a bloquear a saída de bola do Braga e a tentar atacar pela certa, com destaque para as cada vez mais habituais triangulações na esquerda entre o Grimaldo, o Cervi e o Krovinovic. Mas não foram muitas as ocasiões de grande perigo, destacando-se apenas um remate de fora da área do Grimaldo que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa, e um remate cruzado do Krovinovic que fez a bola passar perto do poste.

 

 

A segunda parte começou com o Benfica no ataque e a fazer a bola embater no poste da baliza do Braga, através de um cabeceamento do Jardel. Logo de seguida foi o Grimaldo quem finalizou um bom contra-ataque com um remate demasiado fraco, isto quando estava em posição para fazer bem melhor. O Braga continuava sem conseguir ser particularmente incómodo, mas o resultado magro significava que o desfecho do jogo continuava em aberto, e o Braga tem jogadores que em qualquer altura poderiam causar-nos problemas. E isso esteve perto de acontecer ao minuto 63, quando só uma grande defesa do Varela impediu que o remate rasteiro do Ricardo Horta resultasse no golo do empate. Como que pressentindo o perigo, o Benfica respondeu de imediato e no minuto seguinte chegou ao segundo golo. A movimentação do Jonas desde o momento em que, ainda fora da área e descaído sobre a esquerda, coloca a bola no André Almeida do outro lado do campo e depois vai aparecer no espaço entre o central e o lateral direito para cabecear a bola vinda do cruzamento teleguiado do André Almeida faz-nos perceber que às vezes as coisas mais simples no futebol podem ser muito bonitas. Confesso que este golo, somado a tudo aquilo que tinha visto até então, me fez acreditar que a vitória estaria garantida. Mas a um quarto de hora do final um erro do Varela na saída a um cruzamento largo permitiu ao Paulinho cabecear para a baliza vazia, e o jogo ficou relançado. Durante um curto período, de cerca de cinco minutos, o Benfica abanou e o Braga pareceu ter capacidade de chegar ao empate, tendo até o Varela tido a oportunidade para se redimir do erro e evitar o golo do Ricardo Horta. O Benfica acabou por meter um travão a este ímpeto do Braga quando a dez minutos do final trocou o Pizzi pelo Samaris. A partir desse momento recuperámos o controlo do jogo e o Braga não voltou a ameaçar a nossa baliza. Para fechar o jogo em beleza, só mesmo o cheque-mate, que poderia ter chegado a três minutos do final quando o Jiménez (tinha substituído o Jonas pouco antes do golo do Braga) interceptou um passe e correu isolado para a baliza, mas rematou por cima. Redimiu-se já no período de compensação, rematando cruzado de primeira após um centro do Cervi e sentenciando o jogo.

 

 

Repetindo aquilo que já escrevi, grande exibição do Fejsa no regresso após suspensão. A nossa vitória começou na sua agressividade na recuperação da bola e na capacidade para estar um pouco por toda a parte. Depois de alguma incerteza em relação à posição na esquerda do ataque, o Cervi parece ter agarrado definitivamente o lugar. Mais uma exibição de intenso trabalho durante todo o jogo, com duas assistências para golo a abrilhantá-la. Creio que é justo também salientar o trabalho da nossa dupla de centrais, a eficácia do Jonas, e mais um jogo em que o Krovinovic aproveitou mostrar o quão importante ele é nesta táctica. O Salvio marcou um bom golo e contribuiu para o esforço da equipa em termos defensivos, tendo trabalhado muito. Infelizmente, esteve num daqueles dias em que se agarra demasiado à bola e por isso estragou alguns lances. No nosso terceiro golo, por exemplo, teve inúmeras ocasiões para fazer o passe que deixaria o Krovinovic isolado, mas insistiu em baixar a cabeça e continuar a correr com a bola - felizmente que depois de algumas voltas a bola acabou mesmo dentro da baliza, mas claramente o Salvio não tomou a melhor decisão nesse lance, a exemplo do que fez diversas vezes no jogo.

 

Acredito que muitos dos nossos inimigos estivessem a contar com este jogo para nos afastar definitivamente do título. Mas como a nossa equipa tem mostrado esta época, sempre que isso acontece e chegamos a um destes jogos em que parece que nos querem fazer o enterro antecipado, damos em campo a resposta que se espera de um tetracampeão, que quer lutar até ao fim pelo título. Os últimos jogos parecem mostrar que a confiança da nossa equipa em si mesma está em crescendo, e com ela a crença dos adeptos - hoje em Braga praticamente só ouvi os cânticos dos nossos do primeiro ao último minuto. É este o caminho.

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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

Ineficácia

Uma vitória indiscutível em mais um jogo que ficou marcado pela ineficácia na finalização, caso contrário os números do marcador poderiam ter sido bastante mais dilatados.

 

 

Face à ausência forçada do Fejsa, a única alteração no onze que tem sido mais habitual foi a entrada do Samaris para o lugar do sérvio. Os minutos iniciais do jogo até faziam antever maiores dificuldades, e o Moreirense até teve uma boa ocasião de golo, na qual o Varela foi obrigado a uma boa defesa. Mas depois disso só deu mesmo Benfica, e começaram a acumular-se as ocasiões desperdiçadas - estranhamente, até pelo Jonas, que hoje revelou um desacerto com a baliza que não é nada normal nele. Mas felizmente não foi preciso desesperar muito, porque a vantagem chegou aos vinte e três minutos com um golo do Pizzi. Nasceu de um cruzamento do Jonas, da esquerda para a direita, e o Pizzi rematou de primeira para o golo. Obtida a vantagem, o próximo passo era dilatá-la para evitarmos surpresas, e isso já se revelou mais complicado. Não pela ausência de ocasiões para o fazer, mas sim pela dificuldade em concretizá-las. O Benfica caminhou até ao intervalo com o controlo absoluto da partida e não permitindo ao Moreirense qualquer tipo de ameaças, mas sabemos que neste tipo de jogos basta uma pequena distração ou uma obra do acaso para deitar tudo a perder e acabarmos com um resultado mentiroso e injusto (infelizmente não é necessário irmos mais longe do que a última quarta-feira para termos um exemplo concreto disso). Era por isso esse o único motivo para o meu nervosismo ao intervalo.

 

 

Do intervalo já não regressou o Samaris, pelos vistos devido a problemas físicos, e veio o Keaton Parks no lugar dele. A segunda parte começou na mesma toada da primeira, com o Benfica a dominar completamente e a insistir em não chegar ao golo da tranquilidade. A nossa equipa pressionava logo a saída de bola do Moreirense, e o adversário, ao insistir em tentar sair a jogar, acabava por perder diversas bolas logo nessa fase, que resultavam em ocasiões claríssimas de golo para nós. Quase sempre com o Jonas em evidência, o guarda-redes do Moreirense ou a falta de acerto na finalização continuavam a manter o resultado teimosamente num magro golo de diferença. O Jonas ainda marcou, mas o golo acabou por ser anulado por fora-de-jogo (que se existiu, foi milimétrico). E depois, a provar que num instante um jogo que está a correr de feição pode virar, o Moreirense teve uma grande ocasião para empatar. Tudo começou em mais uma recuperação de bola adiantada do Benfica, que nos deixou em superioridade numérica contra a defesa do Moreirense. Mas o passe do André Almeida foi feito para os pés de um adversário, e do contra-ataque resultou um cabeceamento já no interior da nossa área que só não acabou em golo porque o Varela fez uma enorme defesa. O lance motivou o nosso adversário, que nos minutos seguintes se revelou mais perigoso na forma como conseguia chegar com velocidade à nossa área sempre que recuperava a bola, e durante este período cheguei a temer que o golo do empate pudesse acontecer. O Benfica respondeu com a troca do Salvio pelo João Carvalho, que deu resultados imediatos. O Moreirense insistia em tentar sair a jogar e depois de mais uma recuperação de bola o João Carvalho passou a bola para o Jonas que, dentro da área, tirou um adversário da frente com classe e colocou a bola no fundo da baliza, enviando-a para o lado contrário daquele que o guarda-redes esperava. Foi aos setenta e oito minutos de jogo, e significou um ponto final na incerteza - o Benfica limitou-se a gerir bem o jogo até final.

 

 

Apesar de todo o desperdício, o maior destaque acaba por ir para o Jonas, que fez a assistência para o primeiro golo e marcou o segundo. Gostaria de mencionar também o Varela, que apesar de não ter tido muito trabalho revelou segurança e foi decisivo nas poucas ocasiões em que foi chamado a intervir. É aquilo que se espera de um guarda-redes de equipa grande. Continuo extremamente agradado com o Krovinovic, que é um médio completo. Consegue assumir funções de 6, de 8, ou de 10 sem qualquer problema e neste momento começa a ganhar ao Pizzi em termos de preponderância no nosso meio campo.

 

Era muito importante não deixarmos que a exibição da passada quarta-feira fosse apenas uma coisa esporádica, e isso passava pela conquista dos três pontos hoje, aliados a uma exibição consistente. Julgo que o objectivo foi conseguido. Agora é continuarmos neste caminho.

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publicado por D`Arcy às 20:09
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Frustração

Uma oportunidade desperdiçada para conquistarmos três pontos na luta pelo campeonato. O sentimento da maioria dos benfiquistas no final deste jogo deve ser de frustração por não termos conseguido reflectir no resultado final a nossa superioridade em campo, tendo durante vários períodos do jogo praticamente vulgarizado o crónico campeão anunciado pelo menos nas últimas quarenta pré-epocas.

 

 

Nem vou falar muito do futebol jogado, porque fomos superiores ao nosso adversário quase de todas as maneiras e feitios. Fomos superiores a jogar em 4-3-3, a jogar em 4-4-2, a jogar em 3-5-2, e até a jogar praticamente com tudo à molhada, com apenas um central em campo, o Salvio a fingir que era lateral, e o André Almeida a fazer três posições. O Sporting (que mais uma vez teve a delicadeza de não respeitar a tradição da escolha dos campos - é a equipa da primeira divisão que mais frequentemente faz isto na Luz) colocou-se em vantagem aos dezanove minutos numa jogada de insistência pela esquerda que terminou num cruzamento para o cabeceamento do Gelson, e pouco mais mostrou depois disso - teve uma flagrante ocasião para marcar o segundo golo perto do intervalo, e nada mais. O Benfica teve a infelicidade de ver o Korvinovic acertar no ferro quando parecia ser mais fácil marcar, e ainda ver a recarga passar ao lado com a baliza escancarada - isto na sequência de um penálti grotesco do Coentrão, que foi olimpicamente ignorado pela dupla de lagartos a arbitrar no campo e em frente à televisão. Na segunda parte então o nosso adversário não existiu em termos ofensivos e passou a maior parte do tempo a cerrar fileiras junto à área, segurando a vantagem com unhas e dentes e deixando o Bas Dost como espectador privilegiado na frente. O Benfica teve o domínio territorial, teve mais posse de bola, mais remates, mais ocasiões de golo, mais cantos, tudo menos mais golos, infelizmente. Podemos queixar-nos, e muito, da má finalização em vários lances. E depois apanhámos também pela frente a dupla temível Hugo 'Macron' Miguel e Tiago Martins. 

 

 

A nomeação destas duas criaturas (para quem não sabe, e não se deixem levar pelas várias tentativas da parte dos avençados do Sporting para demonizar o Hugo Miguel, são os dois árbitros mais lagartos - e são lagartos mesmo, não são sportinguistas; eu tenho amigos que trabalham com o Hugo Miguel e sei do que falo - que existem na primeira categoria) já não deixava antever nada de bom. Aqui dou o braço a torcer e digo que estamos muitos, muitos anos atrás do Sporting nestas coisas. Se uma arbitragem como a de hoje tivesse acontecido ao contrário, o berreiro seria tal que daqui a 25 anos ainda ouviríamos os ecos. Assim sendo, vai uma aposta que amanhã as primeiras páginas vão destacar o 'excelente espectáculo a que se assistiu'? Só à quarta - sim, quarta! - mão flagrante na bola dentro da área, ao minuto noventa, é que tivemos finalmente direito a beneficiar de um penálti - que o Jonas converteu, evitando assim uma injustiça ainda mais atroz no resultado. Em relação ao Hugo Miguel, só a título de exemplo da sua coerência, foi ele o VAR que confirmou o célebre mergulho do Bas 'Louganis' Dost nos minutos finais do jogo do clube do seu coração contra o Setúbal esta época. O lance hoje entre o Jardel e o Coentrão? Tudo normal (note-se que eu nem estou a dizer que seria lance para penálti, mas que seria muito mais falta do que o mergulho canhestro do Bas Dost no referido jogo, era de certeza). Só numas continhas rápidas, assinale-se que no somatório dos dois últimos jogos que fizemos contra os eternos perseguidos e prejudicados pelas arbitragens, ficaram seis(!) penáltis por assinalar contra eles, e empatámos ambos os jogos.

 

 

A atitude de toda a equipa foi excelente, todos os jogadores lutaram até à exaustão para contrariar um destino tão injusto e hoje deixaram-me orgulhoso. O treinador merece elogios também, fez tudo o que podia para tentar ganhar, e na altura em que nada mais havia a fazer senão correr todos os riscos foi isso mesmo que se fez. Justo o reconhecimento ao Cervi no final com a eleição de melhor em campo por tudo aquilo que lutou, mas seria igualmente justo se essa distinção fosse para vários outros jogadores. Como o Krovinovic, que fez um jogo fantástico, ou o André Almeida, que foi lateral direito, central e trinco num jogo desta importância sem sequer pestanejar. O Rafa entrou muito bem no jogo, e se soubesse manter este nível seria um excelente 'reforço' para a segunda metade da época.

 

O título ficou mais difícil, porque a desvantagem para o topo aumentou para cinco pontos e deixámos de depender exclusivamente de nós próprios, isto num campeonato em que cada vez mais parece que as equipas do topo vão perder muito poucos pontos contra as chamadas mais pequenas. Mas se soubermos manter, mais até do que a qualidade, a atitude mostrada esta noite perante as adversidades que encontrámos, de certeza que estaremos na luta até ao final.

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Sábado, 30 de Dezembro de 2017

Regabofe

Ainda ontem dizia que os biltres que pululam pela comunicação social já perderam o último pingo de vergonha e não têm qualquer pejo em assumir abertamente o que são, fazendo os biscates para que são mandatados pelos departamentos de comunicação dos clubes de que são adeptos.

 

A notícia que saiu agora (sem pés nem cabeça - veja-se que alegadamente até aliciaram um jogador que não jogava no Rio Ave para facilitar a vitória do Benfica contra esse clube - mas convenientemente amplificada pelos serviçais da santa aliança) em vésperas do jogo que se aproxima é apenas mais uma confirmação daquilo que penso, e mais uma despudorada declaração de clubismo e serventilismo da parte de Octávios e Bernardos e afins.

 

Face ao regabofe a que temos sido sujeitos desde o início da época, em que até a divulgação pública de informações confidenciais de negócio da nossa SAD foi considerada inócua por um juiz que, antes de tomar essa decisão, fez questão de se assumir como adepto ferrenho de um rival (como que para aumentar ainda mais a nossa revolta), isto é a demonstração de que já não há qualquer limite ou pudor. Na comunicação social diz-se e escreve-se o quer quer que seja sobre o Benfica, transformam-se rumores da blogosfera em factos, insulta-se, calunia-se, rebaixa-se e falta-se ao respeito sem qualquer tipo de contenção. Dá-se destaque e faz-se notícia com os devaneios de qualquer inimigo do Benfica, mesmo que ele seja um assumido criminoso que lidera uma claque de um clube rival.

 

Tudo isto é normal, nada disto gera indignação. Grave mesmo parecem ser coisas como a generalidade dos clubes não ter querido perder tempo a discutir em AG propostas 'sérias' para o futuro do futebol português que parecem saídas da cabeça de um qualquer cocainómano e elaboradas com o intuito específico de atacar o Benfica, como proibir os clubes de transmitir os seus jogos em casa - só há um em Portugal com a capacidade para o fazer, e pelos vistos é este o grande problema do futebol português. Ou grave é também as autoridades competentes não cederem imediatamente à birra de alguma mente iluminada pelos narcóticos que quase um século depois descobriu que uma competição a eliminar na qual se disputava uma meia dúzia de jogos valia um título de campeão nacional, mas que outra competição, oficial, organizada pela FPF, na qual também sempre participaram (mas nunca a ganharam, esta é a grande diferença) e que punha todos os clubes a jogar entre si durante vários meses num sistema de todos contra todos, afinal não valia para nada - o que, convenientemente, retiraria três títulos ao Benfica. Que haja quem consiga dar crédito e até fazer eco desta pretensão, que deixa qualquer pessoa minimamente conhecedora da história do futebol português de cabelos arrepiados, é mais um sintoma de onde isto chegou.

 

Simplesmente estou farto e desisto. Não do Benfica, mas de todo o lodaçal infestado de antibenfiquismo primário em que a santa aliança transformou o panorama da comunicação social desportiva. Aquilo já não é jornalismo, tornou-se um campo de batalha em que os pseudo-jornalistas simplesmente amplificam os recados que lhes são enviados, seja em pequenos-almoços ou em telefonemas diários. Isto provoca em mim um reflexo condicionado de me sentir mal só de ouvir falar no futebol português, e tendo em conta aquilo que eu adoro futebol, é preciso mesmo muito para me deixar neste estado. A rivalidade foi substituída por completo pela animosidade, alimentada pelo ódio irracional e visceral ao Benfica, a que foi dada rédea completamente livre. De mim já há muito que não levam nada, porque deixei de comprar jornais. Agora já nem das visitas aos respectivos sites vão tirar partido.

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publicado por D`Arcy às 14:26
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