VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 31 de Março de 2019

Susto

Mal ganhámos para o susto. Foi uma vitória dificílima e arrancada a ferros já nos minutos finais de um jogo que esteve longe de ser dos mais conseguidos, e que nos permite continuar no topo da tabela. Valeu pelo crer até ao último minuto.

 

 

Onze quase o esperado - quase porque esperaria ver o Seferovic a titular em vez do Jonas. A entrada do Benfica no jogo nem foi má, perante um Tondela sempre muito bem organizado e com linhas muito juntas, mas que também cedo começou a revelar a irritante tendência para os seus jogadores se deixarem cair a pedir assistência. Na fase inicial do encontro o Benfica até criou ocasiões de golo, viu um penálti claríssimo por derrube ao Samaris não ser assinalado nem pelo incomparável Xistra (a nomeação deste emblema da incompetência foi mais uma provocação ao Benfica) nem pelo VAR e chegou mesmo a introduzir a bola na baliza do Tondela, pelo André Almeida, mas o golo foi anulado por posição irregular do Jonas no início do lance. A melhor ocasião de golo surgiu pelos pés do Rafa, que ficou isolado depois da marcação rápida de um livre, mas permitiu a defesa ao guarda-redes. A partir daqui fomos uma equipa progressivamente mais nervosa que perdeu esclarecimento. Deixámos de explorar convenientemente as alas e insistimos demasiado pelo meio, com o Pizzi e o Gabriel a revelarem estar francamente desinspirados na construção. Não me recordo de ver o Gabriel falhar tantos passes num jogo. Por isso a primeira parte arrastou-se até ao intervalo com o Benfica a rematar muito pouco e a não conseguir praticamente criar mais nenhuma ocasião de golo.

 

 

Logo ao intervalo trocámos o Samaris pelo Seferovic, passando o Félix para a direita e o Pizzi para o meio. Mas como referi, o Pizzi esteve numa noite pouco inspirada, a par do Gabriel, e a construção de jogo continuava a deixar muito a desejar. Mas até conseguimos voltar a introduzir a bola na baliza do Tondela bastante cedo, depois de um muito bom trabalho individual do Jonas. Só que assim que percebi que o VAR tinha intervindo, perdi qualquer esperança. Intervenção do VAR num jogo do Benfica significa imediatamente decisão contra o Benfica, e mais uma ves a regra confirmou-se. Golo anulado por mão do André Almeida no início do lance, e tudo como dantes. O nervosismo da equipa e do público era agora bastante evidente, e para piorar as coisas o meio campo do Benfica deu o estoiro completo ao fim de quinze ou vinte minutos. A partir desse momento o Tondela ganhou superioridade nessa zona do campo, e apesar do Benfica precisar de marcar era o Tondela quem começava a estar demasiado à vontade para manter a posse de bola, começando até a criar situações de perigo junto da nossa baliza. A vinte minutos do final o toque de exotismo com a entrada do Taarabt para o lugar do Pizzi (pior do que aquilo que o Pizzi estava a fazer também seria difícil) e quase golo do Tondela, que só não aconteceu porque o Vlachodimos fez a defesa da noite a um remate cruzado. Seguiu-se a troca do Rafa pelo Jota e no período final o Benfica ganhou nova vida. Tudo continuou a ser feito mais com o coração do que com a cabeça, mas o Jonas por duas vezes podia ter feito o golo. Na primeira falhou de forma incompreensível um cabeceamento depois de um óptimo centro do Félix (era quase só encostar para o golo) e depois teve um grande remate de fora da área ao qual o Cláudio Ramos respondeu com uma enorme defesa. Mas o golo apareceu mesmo a seis minutos do final, num cabeceamento do Seferovic depois de um cruzamento teleguiado do Grimaldo. Desta vez não houve Xistra ou VAR que valessem ao Tondela e o golo contou mesmo. Enorme suspiro de alívio na Luz, mas foi preciso sofrer até final, porque mesmo ao cair do pano o Tondela desperdiçou uma flagrantíssima ocasião de golo. Felizmente para nós, o desvio em posição quase frontal na linha de pequena área saiu para a bancada.

 

 

Foi um jogo pouco inspirado da nossa equipa em que é complicado destacar jogadores. O Seferovic acaba por ser o homem do jogo por ter marcado o golo que o decidiu, e para mim parece-me evidente que deverá ser titular no lugar do Jonas. O Rafa foi quem esteve mais em evidência na primeira parte, mas foi desaparecendo do jogo. O Grimaldo foi muito menos solicitado do que é habitual, mas das poucas vezes que o explorámos foi quando conseguimos causar mais perigo, e o golo surgiu dali mesmo.

 

Foi muito mais complicado do que se poderia antecipar, e isto pode muito bem ser um exemplo daquilo que enfrentaremos até final. Hoje com o factor extra de verificarmos mais uma vez as disparidades de critérios entre umas equipas e outras. Um penálti evidente a nosso favor foi olimpicamente ignorado e um golo que não tenho dúvidas que seria validado a outros foi anulado. O nosso adversário directo deu a volta ao resultado com dois penáltis a seu favor, sendo o primeiro no mínimo anedótico, e depois nos minutos finais um penálti a favor do Braga foi obviamente ignorado. Já os desgraçados do Lumiar, a outra cara-metade da Santa Aliança, continuam no seu andor a ser carregados até ao terceiro lugar: um penálti do tamanho de um elefante foi ignorado nos descontos, o que é particularmente irónico tendo em conta a quantidade de penáltis de que já beneficiaram por jogadores seus serem confrontados por uma brisa mais forte. É contra estes critérios que temos tido que lutar toda esta época, e isto vai continuar e até intensificar-se enquanto não conseguirem colocar o nosso adversário à nossa frente. Por isso mesmo não podemos facilitar com jogos menos conseguidos como o de hoje.

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Segunda-feira, 18 de Março de 2019

Distinção

Tudo indicava que seria um jogo muito complicado e uma prova de fogo para a nossa equipa no caminho para o título, quanto mais não fosse pela excelente exibição que o Moreirense fez na Luz no jogo da primeira volta. Mas num estádio pintado de vermelho a nossa equipa não deu quaisquer hipóteses e transformou o difícil em algo aparentemente fácil, não se notando quaisquer sequelas do esforço extra despendido a meio da semana.

 

 

Onze esperado e sem surpresas. Mas conforme já escrevi antes, o Benfica do Bruno Lage é uma equipa em constante adaptação e desenvolvimento que altera a sua forma de jogar consoante o adversário que defronta, como que se reinventando de jogo para jogo. Os jogadores podiam ser os mesmos mas desta vez o Pizzi apareceu muito mais fixo na direita, não se vendo por isso o João Félix a cair para esse lado e em vez disso jogou muito mais no meio. Foi o Jonas quem acabou por ser o avançado menos fixo, com o Rafa a fazer frequentes diagonais e incursões pelo centro. O Moreirense é uma boa equipa que procura sempre ter bola e jogar futebol, ao contrário de tantas outras que a entregam ao adversário e se fecham atrás para se dedicar ao antijogo. Por isso assistimos a um jogo aberto e disputado a um ritmo elevado, com a bola em constante movimento entre uma baliza e a outra. Começou o Benfica logo com uma enormíssima ocasião, na qual o Pizzi, isolado em frente ao guarda-redes, nem sequer acertou na baliza. Na fase inicial do jogo este foi repartido e o Moreirense conseguiu equilibrar as coisas, mas a partir do meio da primeira parte o Benfica foi ficando por cima, sobretudo no que diz respeito às jogadas de perigo. Pouco depois da meia hora marcámos pelo Jonas, mas o golo foi bem anulado por posição irregular do Pizzi no início da jogada. Mas cinco minutos depois valeu mesmo: passe longo do Grimaldo a solicitar o João Félix pelo meio, o defesa do Moreirense falhou a intercepção e o Félix finalizou com facilidade num remate potente. Pouco antes do intervalo surgiu o importante golo da tranquilidade, num cabeceamento do Samaris após um canto do Pizzi na direita. Sabíamos que o Moreirense não baixaria os braços - ainda obrigaram o Vlachodimos a uma grande defesa nos segundo finais da primeira parte - e além disso o jogo com o Belenenses reforçava a ideia de que não poderíamos relaxar, mas ao sairmos para intervalo com uma vantagem de dois golos achei que só muito dificilmente a vitória nos escaparia.

 

 

E quaisquer dúvidas sobre isso ficaram imediatamente desfeitas logo no início do segundo tempo, pois o Rafa encarregou-se de marcar o terceiro golo e deixar o Benfica completamente descansado no jogo. Solicitado por um passe do Jonas, isolou-se e à saída do guarda-redes picou-lhe a bola por cima. A partir daqui achei que o Benfica tentou mesmo acalmar o jogo e gerir o resultado e o esforço mantendo a posse de bola. Mérito do Moreirense em ter continuado sempre a tentar jogar e chegar ao golo - num livre do Chiquinho voltaram a obrigar o Vlachodimos a uma boa defesa - mas não parecia de todo que fossem capazes de anular uma desvantagem tão grande no marcador., até porque o Benfica parecia estar muito confortável e confiante no jogo. A gestão de esforço incluiu poupar jogadores nucleares aos minutos finais do jogo - o Pizzi e o Gabriel cederam os seus lugares ao Gedson e ao Florentino, e já muito perto do final também o Jonas foi substituído. Apesar da menor intensidade, não era por isso que deixava de ser provável o Benfica chegar a mais um golo. Até porque o Moreirense não abdicava de jogar com as linhas bem subidas e por isso expunha-se sempre a algum contra -ataque mais rápido caso a bola fosse recuperada numa posição mais comprometedora. Mas acabou por ser numa bola parada que o Benfica ampliou o resultado. Canto desta vez marcado pelo Grimaldo, confusão na área (apenas entre os defesas e o guarda-redes do Moreirense) e a bola acabou por sobrar para o Florentino se antecipar a um adversário e estrear-se a marcar pela equipa principal do Benfica. Os meninos do Seixal continuam a crescer a um ritmo acelerado, e duvido que haja alguém neste momento que ainda ache que a declaração de que os reforços de Janeiro estavam no Seixal é disparatada. Fim de jogo em festa para os muitos benfiquistas que tornaram o estádio do Moreirense uma casa longe de casa para o Benfica.

 

 

Melhor em campo, para mim, Samaris. Inúmeras recuperações de bola, muitas delas decisivas (como no terceiro golo) e um golo marcado em duas jornadas consecutivas. É difícil acreditar que até Janeiro era praticamente uma carta fora do baralho. Gostei também do Jonas e gostei muito do Rafa, que continuo a considerar ser um dos pilares do 'novo' Benfica de Bruno Lage. Elogios ao Ferro já começam a ser rotina.

 

Obstáculo ultrapassado com distinção. Agora faltam oito jogos, e destes apenas três serão disputados fora de portas. Se soubermos manter esta atitude e concentração, dificilmente não alcançaremos o objectivo do título. Só dependemos de nós próprios, e depois de ter visto a completa inversão de critérios do Capela de segunda para sábado mais reforcei a convicção de que de uma maneira ou de outra os nossos adversários mais directos não perderão mais pontos.

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Sexta-feira, 15 de Março de 2019

Bomba

Foi à bomba e a ferros que o Benfica deu a volta ao resultado negativo de Zagreb e, após prolongamento, garantiu a passagem aos quartos-de-final de Liga Europa.

 

 

Foi com um onze um pouco surpreendente que o Benfica entrou em campo. Grimaldo, Samaris, João Félix e Jonas poupados, e uma frente de ataque constituída pelo Rafa e o Jota. No meio campo, destaque para o Fejsa após dois meses de ausência. O Zivkovic e o Yuri Ribeiro foram as outras duas novidades. A primeira parte foi complicada. Os croatas vieram à Luz basicamente para defender e o Benfica teve um enorme domínio territorial, mas fomos quase sempre uma equipa inócua. Foi muito complicado romper as linhas cerradas que o Dínamo montou em frente à sua área, e quando lá chegávamos regra geral faltava presença na zona de finalização, onde os nossos jogadores perdiam claramente no duelo físico com os defesas adversários. Nem sei quando é que conseguimos fazer o primeiro remate no jogo, mas certamente terá sido já depois de metade da primeira parte ter passado. Muito pouco para quem precisava de marcar. Na entrada para a segunda parte, duas alterações mais ou menos óbvias face ao rendimento da primeira parte. Saíram o Yuri e o Zivkovic, claramente os jogadores que estiveram menos bem, e entraram o Grimaldo e o Jonas. O Benfica melhorou muito com a nova ala esquerda - o Rafa saiu do centro e começou a cair mais para esse lado - e a muralha croata começou a abrir brechas. O golo passou a ser uma possibilidade muito mais real, enquanto que ofensivamente o nosso adversário não existia. Nem sequer em contra-ataque conseguiam fazer qualquer jogada relevante, sendo remetidos para o seu meio campo durante praticamente todo o tempo. O golo que empatou a eliminatória finalmente surgiu a cerca de vinte minutos do final, pelo inevitável Jonas. Subida do Ferro com a bola controlada, que levantou para a área onde o Pizzi atrasou de cabeça para o remate enrolado do Jonas, feito com a parte de fora do pé, que fez a bola entrar bem juntinho da base do poste. O golo em nada alterou a atitude do Dínamo, que continuou a jogar como se estivesse em vantagem na eliminatória. 

 

 

O Benfica foi à procura do golo que evitasse o indesejável prolongamento e o que fez até final justificaria esse mesmo golo, mas infelizmente não conseguimos resolver a eliminatória nos noventa minutos. No prolongamento, nada de novo, Benfica sempre em cima e croatas inofensivos. O Pizzi deu logo a abrir o primeiro aviso num remate de longe, e pouco tempo depois foi mesmo assim que o Benfica marcou o segundo. Na sequência de um canto (resultado de mais um remate forte do Jonas que o guarda-redes tinha defendido com dificuldade) a defesa do Dínamo não foi eficaz a afastar a bola, que o Ferro recuperou numa zona adiantada e depois ainda de fora da área desferiu um remate indefensável. Um golaço que nos colocava em vantagem e que, a não ser que o Dínamo tivesse a capacidade para se transfigurar completamente, muito dificilmente não significaria o apuramento. E não, o nosso adversário não conseguia mesmo fazer mais do que aquilo que tínhamos visto até então, pelo que foi com naturalidade que a fechar a primeira parte do prolongamento ficou tudo resolvido. Primeiro os croatas deram um tiro no próprio pé, já que o seu lateral direito Stojanovic se fez expulsar com dois amarelos consecutivos por protestos. E logo a seguir, mais uma bomba no jogo, desta vez do Grimaldo, que num remate cruzado fez a bola subir muito e depois cair a pique para dentro da baliza, deixando o guarda-redes pregado ao relvado. A segunda parte foi apenas para cumprir o horário. O Benfica poderia ter chegado a um quarto golo se forçasse porque o Dínamo estava completamente entregue - apesar de ter tido a sua única ocasião de golo digna desse nome, mas o suplente Atiemwen atirou de forma inacreditável ao lado depois de ficar isolado após ganhar um ressalto na zona central - e mesmo a fechar foi o guarda-redes quem negou esse quarto golo ao Pizzi, que bem o mereceria.

 

 

Gostei muito das exibições do Rafa (incrível como mesmo no prolongamento continuava a ser capaz de correr de uma baliza à outra com a bola nos pés) do Pizzi ou do Gabriel, mas escolho destacar o Ferro. Continua a jogar com uma calma e qualidade que seria mais própria de alguém que já andasse na equipa principal há vários anos. Para além disso marcou o golo que nos colocou em vantagem na eliminatória e ainda deu início à jogada do golo que a igualou. A entrada do Grimaldo foi importantíssima, sendo no entanto preocupante confirmar que é um jogador quase impossível de substituir.

 

Teremos que esperar por domingo para perceber a influência que este indesejado prolongamento possa ter tido no aspecto físico da equipa, mas o apuramento certamente que terá feito muito bem à parte psicológica. Veremos o que o sorteio amanhã nos reserva, mas o fundamental agora é mesmo ganhar ao Moreirense. Será um dos obstáculos mais complicados que teremos que ultrapassar se queremos ser campeões.

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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Ridículo

Um empate absolutamente ridículo contra uma equipa que apesar de ter sido uma nulidade no ataque e de ter criado exactamente zero ocasiões de golo, conseguiu marcar dois golos na Luz e recuperar de uma desvantagem que seria completamente inultrapassável se não fossem as nossas ofertas.

 

 

Não quero escrever muito porque acabei de chegar do estádio e ainda estou irritado com o que aconteceu. O jogo antevia-se difícil contra um equipa que veio à Luz defender e nada mais do que isso, apresentando-se com cinco defesas, incluindo um líbero, e a jogar quase sempre com todos os jogadores atrás da linha da bola e com as linhas bem juntas. Começámos o jogo com o Rafa a desperdiçar um golo cantado, mas isso não deu o mote para o resto da primeira parte. Fomos lentos na circulação da bola, o que aumentou as dificuldades perante uma equipa tão fechada. E muito disso passou pelo facto de nenhum dos dois médios centro (Samaris e Florentino) terem grande capacidade criativa. O Florentino é fantástico na recuperação, mas não lhe podemos pedir que crie muito jogo ofensivo, já que a tendência dele é recuperar e entregar de forma segura e em passe curto. Na frente, o Jonas é um jogador muito diferente do Seferovic, que se fixa mais entre os centrais e não faz tanto aquelas diagonais típicas do suíço. Rematámos pouco, criámos poucas ocasiões, e o nulo ao intervalo espelhava isso mesmo. Na segunda parte acelerámos mais o ritmo e vimos mais vezes o Pizzi a aparecer na zona central para pegar no jogo, com o João Félix a cair para a direita. Chegámos cedo ao golo, em mais uma obra da velha sociedade André Almeida/Jonas. Cruzamento largo para a área, onde o Jonas controlou com um toque e no seguinte rematou colocado para o golo. Pouco depois chegou o segundo golo, num remate de fora da área do Samaris que ainda desviou em alguém (não vi se foi um jogador nosso ou deles). Havia pouco menos de meia hora para jogar e objectivamente o jogo estava praticamente ganho. A equipa que já foi o Belenenses era um zero no ataque e não tinha sido capaz de criar uma única ocasião de golo ou sequer uma jogada mais perigosa. Mas no espaço de dois minutos, deitámos tudo a perder. Primeiro, um frango descomunal do Vlachodimos, que num livre a meio do meio campo despejado para a área resolveu fiar-se num golpe de vista digno da Helen Keller e encolheu-se para deixar a bola passar e entrar na baliza. Como se isso não fosse suficiente, logo a seguir o Rúben Dias, sem estar sequer pressionado, fez uma assistência para deixar um adversário isolado, que marcou com toda a facilidade. Sem criar ocasiões, com o nosso guarda-redes a não fazer uma defesa, o nosso adversário conseguiu marcar por duas vezes. Deve ter sido por isso que festejaram o golo como se tivessem ganho o campeonato, porque acho que até eles tinham a noção do quão fortuito ele era. E a partir daqui, com vinte minutos mais os descontos por jogar, o Benfica perdeu toda a coerência. A equipa tentou, mas tudo foi feito com muito pouca cabeça, as substituições também não resultaram, e houve muitos remates disparatados de fora da área, cruzamentos que não eram mais do que despejar bolas, e fiquei sempre com a sensação de que se por acaso marcássemos, seria uma coisa completamente fortuita.

 

Não sei quem terá sido o melhor do Benfica. Talvez o Florentino, pela quantidade de bolas recuperadas. Mas no cômputo geral não foi um jogo muito conseguido da nossa equipa - a atitude foi a correcta, mas as coisas nem sempre saíram bem. Ainda assim teria sido mais do que suficiente para vencer o jogo, não fossem aqueles dois erros.

 

Fizemos o mais difícil que foi conquistar a liderança da tabela. Tínhamos dez jogos e margem para uma pequena escorregadela, mas desperdiçámos essa margem logo ao primeiro jogo, única e exclusivamente por culpa própria. Erros acontecem e obviamente que ninguém erra de propósito, mas foram dois momentos de displicência seguidos que nos podem vir a custar demasiado caro. E assim literalmente se deitam fora dois pontos preciosíssimos.

 

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publicado por D`Arcy às 23:27
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019

Amorfo

Naquela que foi certamente a exibição menos conseguida da era Lage, trouxémos da Croácia uma derrota pela margem mínima. Um resultado que é perfeitamente recuperável mas que é também extremamente traiçoeiro, e que castiga um jogo anormalmente amorfo da nossa equipa.

 

 

Tivemos as esperadas alterações no onze titular, com quatro mudanças: Corchia, Florentino, Krovinovic e Gedson nos lugares de André Almeida, Samaris, Pizzi e Rafa. O jogo até não começou da pior maneira para nós, já que logo nos minutos iniciais o Grimaldo ficou isolado depois de um toque de calcanhar do João Félix, mas infelizmente acabou por permitir a defesa do guarda-redes. Mas esse lance acabou por ser uma excepção, já que o Benfica exibiu-se bastante abaixo daquilo que tem mostrado nos últimos jogos. E essa tendência ainda se agravou quando durante a primeira parte o Seferovic saiu lesionado, tendo dado o lugar ao Cervi. Para mim a maior diferença do Benfica neste jogo foi que não atacámos o espaço. Isto parece jargão de comentador da bola, mas basicamente nas boas exibições que o Benfica tem vindo a fazer um dos factores mais importantes é termos sempre os jogadores mais adiantados (não são os avançados, são aqueles que estão à frente da linha da bola) a atacar o espaço vazio, criando linhas de passe e dando profundidade e verticalidade ao nosso jogo. Neste jogo os jogadores ficavam à espera de receber a bola no pé, para depois atacar. Mesmo não querendo fazer de ninguém bode expiatório, jogadores como o Krovinovic, e depois o Cervi (e ainda mais tarde, o Zivkovic) foram dos maiores responsáveis por isto. Simplesmente a dinâmica que têm é diferente daquela que os jogadores que substituíram. Mesmo o Corchia, sendo um lateral ofensivo, não ataca o espaço da mesma maneira que o André Almeida o faz. Vi diversas vezes o Gabriel a ter que dançar de um lado para o outro com a bola nos pés à procura de alguém a romper em profundidade para lhe endossar a bola, sem o encontrar. Da parte do Dínamo, não pareciam criar grandes problemas e acabavam por optar quase sempre por remates de fora da área, mas demos um enorme tiro no pé quando o Rúben Dias cometeu um penálti disparatado que lhes permitiu colocarem-se em vantagem. E podia ter ficado pior porque mesmo a fechar a primeira parte o Dínamo teve uma ocasião idêntica à do Grimaldo, mas o Vlachodimos fez uma grande defesa. A segunda parte foi extremamente aborrecida, e não me consigo lembrar de uma única ocasião de perigo criada por nós, isto perante a crescente insatisfação do Bruno Lage no banco, a quem via frequentemente a incitar os jogadores para subirem e atacar os espaços. O Dínamo também foi praticamente inofensivo, mas mais uma vez as coisas poderiam ter ficado muito feias mesmo a acabar. Primeiro foi o Ferro com um grande desarme a impedir que um adversário se isolasse, e depois uma grande falha de marcação ao primeiro poste, na sequência de um canto, permitiu um cabeceamento à vontade que felizmente foi à malha lateral.

 

Não me ocorre nenhum jogador a destacar pela sua exibição. Foi enervante ver a quantidade de vezes que os nossos jogadores escorregaram ou pareciam ter dificuldade em manter o equilíbrio quando mudavam subitamente de direcção - é capaz de ter havido algum engano na escolha dos pitons a utilizar. Na minha opinião o Krovinovic não aproveitou esta oportunidade - tem que perceber que a dinâmica actual da equipa exige que procure o espaço e não que fique de costas para a baliza à espera de receber a bola no pé, para depois se virar e correr com ela. O Cervi ou o Zivkovic a mesma coisa. O penálti cometido pelo Rúben Dias teve tanto de desnecessário como de disparatado, e acabou por ditar a derrota.

 

Se estivermos ao nosso nível deveremos ser capazes de inverter este resultado na Luz. Mas será mesmo necessário jogar ao nível a que nos habituaram recentemente, porque outra exibição como a de ontem significará certamente a eliminação. Agora esperemos que a equipa regresse já ao seu nível contra o Belenenses na segunda-feira, porque é um jogo de capital importância.

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publicado por D`Arcy às 15:38
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Domingo, 3 de Março de 2019

Categórica

Eram oito vitórias consecutivas, agora são nove. Nove são também os pontos ganhos ao Porto desde a alteração no comando técnico da nossa equipa. Foi uma vitória categórica no Porto contra um adversário difícil e ainda outros obstáculos que foram surgindo durante o jogo, e que concretizou a ultrapassagem ao adversário desta noite e a conquista do lugar no topo da tabela. 

 

 

O onze inicial do Benfica foi o esperado e não teve surpresas. Mesmo não sendo um génio das tácticas como o Sérgio Conceição, qualquer benfiquista deve ter sido capaz de adivinhar a equipa com que entrámos em campo. Teste de fogo para a a jovem dupla de centrais Rúben/Ferro, mas nada que intimide os nossos jovens, incluindo um Marega miraculosamente recuperado com baba de caracol. A entrada do Benfica no jogo até foi algo tímida e o Porto teve algum ascendente na fase inicial, chegando ao golo aos dezoito minutos, numa recarga a um livre perigoso depois de uma falta do Rúben sobre o Brahimi quase sobre a linha da área. Houve dúvidas sobre a posição do Pepe no lance, mas já sabemos que sempre que um lance vai ao crivo do VAR nunca é decidido a nosso favor. Por isso siga para golo, tal como seguiu o jogo quando minutos antes o Pizzi foi agarrado em plena área do Porto. Paradoxalmente, o golo fez bem ao Benfica, porque a partir daí fomos claramente a melhor equipa em campo. Quase na resposta só não chegámos imediatamente ao empate porque o Pizzi, em frente ao guarda-redes, rematou contra as pernas do Casillas. Mas aos vinte e seis minutos o empate chegou mesmo, resultado da habitual pressão alta do Benfica: recuperação de bola do Gabriel, completada pelo Seferovic, que depois progrediu pela esquerda e passou a bola para o centro da área, onde o João Félix recebeu à vontade e finalizou com aparente facilidade. O Benfica apresentava-se a jogar no Porto como há muito não via: com um enorme à vontade e a jogar o seu futebol (que diferença em relação a todas aquelas vezes em que vimos o Benfica mudar completamente de cara sempre que lá ia e apresentar-se encolhido e receoso). Não fomos para o intervalo a ganhar apenas porque, na sequência de uma grande jogada de saída de pressão em que a bola foi quase sempre jogada ao primeiro toque entre vários jogadores, o Seferovic rematou mais uma vez à figura do Casillas quando estava sozinho.

 

 

No início da segunda parte veio a sequência lógica daquilo que tínhamos visto a acabar a primeira parte. O Benfica cedo se colocou em vantagem, resultado mais uma vez das linhas bem subidas e dentro do meio campo do Porto. O corte do Filipe a um passe para o João Félix fez a bola ir cair nos pés do Rafa, que tabelou com o Pizzi (grande trabalho deste, dentro da área e rodeado por três adversários) e em posição frontal rematou para fazer a bola entrar rasteira e junto ao poste. Fazendo um ponto de situação: nesta altura eu achava que o Benfica era claramente a melhor equipa em campo e que se as coisas continuassem como estavam seria muito mais provável um terceiro golo nosso do que o Porto chegar ao empate. Objectivamente, o Porto tem três planos de jogo: a) Chutar bolas para o Marega; b) Dar a bola ao Brahimi; c) Pôr o Alex Telles a despejar bolas para a área. Nada disto estava a resultar, e assistimos mesmo ao Porto a utilizar estratagemas que são mais típicos de equipas pequenas quando vêm jogar à Luz, em que aproveitam livres quase sobre a linha do meio campo para despejar a bola para a área, já que é das poucas formas que têm de conseguir lá chegar. A única razão pela qual a minha confiança na vitória não era absoluta era porque já são muitos anos a ver o Benfica jogar no Porto, e coisas esquisitas têm sempre tendência a acontecer quando o Porto está em apuros. Ainda por cima era mais do que visível a vontade dos jogadores do Porto em levar o jogo para quezílias e arranjar confusões, por isso todo o cuidado era pouco (ficou-me na retina um tentativa do Pepe, uma das criaturas mais asquerosas que alguma vez pisou um campo de futebol, arranjar confusão com o João Félix, que basicamente o ignorou). Então quando ao fim de uma hora de jogo entrou o Otávio em campo, o nível de arruaça elevou-se para valores demasiado perigosos. O Porto apenas por uma vez conseguiu criar uma grande ocasião, valendo-nos um desarme incrível do Samaris quando o Herrera já puxava o pé atrás para rematar para o que seria quase inevitavelmente golo. Aquele desarme valeu tanto como um golo. Logo a seguir, o Otávio fez aquilo que sabe melhor, arranjou uma confusão com o Gabriel e aquele que estava a ser o nosso melhor jogador em campo acabou expulso (o Otávio obviamente que se safou com um amarelo, e na confusão e ajuntamento que se seguiu, que incluiu uma espécie de agressão do Brahimi ao Rúben Dias, toda a gente passou impune). A partir deste momento então o jogo mudou completamente, e o Porto carregou muito mais à procura do empate. Mas a equipa mesmo reduzida a dez não abanou e manteve-se sempre muito organizada e lúcida. Destacam-se duas situações em que o Vlachodimos esteve muito bem, num grande remate de longe do Felipe, e depois num remate à queima roupa do Marega - fiquei com a sensação de que estaria em posição irregular, mas ainda bem que ele defendeu a bola porque já sabemos que não nos podemos fiar no VAR, e em posição irregular ou não o mais provável seria o golo ser validado caso a bola entrasse. Na fase final, e perante a alteração táctica do Porto em que colocou o Danilo em campo para passar a defender apenas com três e fazer dos seus laterais alas, o Benfica reagiu com a colocação do Corchia na direita e juntando o André Almeida ao meio para ajudar na marcação ao Soares.

 

 

O melhor do Benfica, para não variar do que têm sido quase todos os jogos desde que o Bruno Lage pegou na equipa, estava a ser o Gabriel até ao momento em que o Otávio arranjou maneira de o meter fora do jogo. É impressionante a quantidade de bolas que recupera e o nosso primeiro golo foi resultado directo disso. Grande jogo também do Samaris. Dois jogadores que praticamente não contavam para o treinador anterior são agora duas pedras fundamentais na recuperação do Benfica. Toda a equipa esteve bem e muito personalizada, mas fiquei particularmente agradado com a nossa jovem dupla de centrais, que deu provas que podemos contar com eles mesmo para jogos de dificuldade elevada.

 

Contra petardos e foguetório junto ao hotel na noite passada, contra apedrejamentos, contra arruaças, provocações, intimidações e faltas de respeito, contra as campanhas mais difamatórias e agressivas alguma vez vistas a ser movidas contra um clube, fomos ao Porto, fizemos o nosso trabalho com competência, conquistámos os três pontos e a liderança, e voltámos para casa. Sem arrogância, sem passar cartão a quem nos ofende constantemente e é incapaz de se comportar como gente civilizada. Agradou-me a atitude e as respostas do Bruno Lage após o jogo, e agradou-me ainda mais a incapacidade do Sérgio Conceição para perceber porque motivo o perdeu e de reconhecer mérito ao adversário. Enquanto assim continuar, será incapaz de aprender com os próprios erros e isso serve-nos bem. Nada está ganho e está muitíssimo longe de estar - não podemos cair no erro de pensar assim e relaxar. Daqui até final do campeonato - e ainda falta tanto - vão continuar a ser-nos atirados grandes escolhos ao caminho e só mantendo esta concentração, atitude e respeito pelos adversários é que será possível chegar ao objectivo final da reconquista.

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publicado por D`Arcy às 01:56
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

Natural

Creio que diz muito sobre o estado actual da nossa equipa quando chegamos ao fim de um jogo com um resultado de quatro golos sem resposta e mesmo assim ficamos com a sensação que foi pouco. Foi mais uma vitória sem discussão e nem sequer pareceu que a equipa tivesse forçado muito, porque tudo parece ser feito de forma tão natural.

 

 

Não havia André Almeida nem Ferro para este jogo, por isso jogou o Corchia na direita (estreia na liga) e o Samaris recuou para central, ficando o Florentino a fazer dupla com o Gabriel no meio campo. Os primeiros minutos deram logo para ver ao que o Chaves vinha. Simplesmente, não vinham para jogar futebol. Uma equipa extremamente defensiva, a acumular gente junto à área e a tentar queimar tempo sempre que possível - ao fim de dez minutos de jogo já o guarda-redes do Chaves era o homem mais odiado sobre o relvado da Luz, e provavelmente assim teria continuado caso o árbitro de serviço não tivesse feito um esforço notável para arrecadar essa distinção. Normalmente até tenho uma certa simpatia pelo Chaves, mas a jogar desta forma e com este treinador não me parece que fique com grande pena se acabarem por descer de divisão. A resistência do Chaves durou dezanove minutos, altura em que o Rafa aproveitou um ressalto na área para inaugurar o marcador - mas o melhor pormenor do lance foi a recepção do João Félix, que deixou o seu marcador directo completamente fora da discussão do mesmo. Mas nem a perder o Chaves abandonou a postura defensiva. O Benfica ia construindo ocasiões para ampliar o resultado, com o Rafa a desperdiçar por falta de pontaria e o João Félix a ver o guarda-redes negar-lhe o golo, seguindo-se um falhanço incrível do Seferovic na recarga. Mas era apenas uma questão de tempo, e aos trinta e sete minutos o golo inevitavelmente acabou por surgir. Grande passe do Seferovic para uma ainda melhor desmarcação do João Félix, remate de primeira de pé direito defendido pelo guarda-redes e recarga imediata e fulminante de pé esquerdo para o fundo da baliza. A perder por dois o Chaves lá deu um ar da sua graça e saiu um bocadinho lá de trás, tentando pressionar a saída de bola do Benfica. E foi imediatamente punido por isso. O lance do terceiro golo foi simples e eficaz: começa num alívio de bola do Vlachodimos, que a faz chegar ao Gabriel. Toque para o João Félix, que rodeado por três adversários liberta de calcanhar para o mesmo Gabriel. Segue-se um passe de primeira para a desmarcação do Seferovic, que mesmo empurrado ainda consegue rematar e fazer o golo. Tudo isto feito de forma rápida e quando os nossos jogadores estavam pressionados por adversários.

 

 

Já nos habituámos a ver o Benfica nunca tirar o pé do acelerador mesmo quando está com uma vantagem confortável, por isso todos nós antecipámos o que a segunda parte traria. Afinal de contas, com o Nacional também estávamos a vencer por três ao intervalo e depois foi o que se viu. E o Benfica não desiludiu, pois veio para a segunda parte como se o resultado ainda estivesse em branco. O Chaves não foi deliberadamente defensivo como na primeira parte, foi sim remetido para a defesa por não ter capacidade para atacar. É que os nossos defesas nem sequer tiveram grande trabalho porque era quase impossível ao Chaves conseguir ultrapassar o Florentino e o Gabriel no meio campo, que recuperavam tudo o que era bola que lhes passasse ao alcance. Sinceramente, face ao número e qualidade de ocasiões criadas este jogo poderia muito facilmente ter acabado com um resultado ao nível do do Nacional. Posso estar a esquecer-me de alguma, mas assim de repente menciono um remate do João Félix para a bancada logo a abrir a segunda parte, quando estava completamente à vontade no interior da área, duas ocasiões do Pizzi negadas por defesas incríveis do guarda-redes, mais uma grande defesa do guarda-redes a um remate do Grimaldo (teria dado um golo parecido ao que ele marcou contra o Boavista) ou um penálti que ficou por marcar sobre o Pizzi. Sobre este lance, achei fantástico que mesmo após indicação do VAR de que tinha de facto sido penálti, o árbitro tenha ido ver as imagens e nem assim foi capaz de assinalar o mesmo. Para variar, o VAR fez um trabalho competente mas o desta vez foi o árbitro que não conseguiu ter coragem para fazer o seu trabalho. O jogo estava mais do que ganho, mas todas estas ocasiões desperdiçadas iam contribuindo para a tal sensação de que era pouco. Num jogo em que assistimos à estreia do Jota na liga (já tinha jogado para a taça), só sobre o minuto noventa é que finalmente marcámos o mais do que merecido quarto golo. O Jonas, que tinha substituído o Rafa, tinha que picar o ponto e fê-lo aproveitando um grande passe do João Félix, que o deixou isolado para marcar, ainda que pressionado por um defesa.

 

 

Escolho para melhor do Benfica o Gabriel, mas podia muito facilmente escolher também o Florentino. Qualquer um dos dois foi um recuperador de bolas incansável no meio campo, mas o Gabriel destacou-se como habitualmente nos passes, tendo feito a assistência para o terceiro golo. De mencionar também o João Félix, porque esteve nas jogadas dos quatro golos do Benfica. Uma palavra também para o Corchia, que foi mais um exemplo que neste momento todos contam e é por isso uma opção válida para a posição de lateral direito.

 

Em tempos não muito distantes uma equipa que viesse jogar à Luz como o Chaves se apresentou teria fortes probabilidades de nos causar sérios problemas. Nos tempos que correm, o táctica ultra-defensiva e voltada para o antijogo resistiu dezanove minutos e foi destroçada com uma facilidade e naturalidade que até nos parece normal. Há muito tempo que não via o Benfica jogar desta forma e que não sentia tanto prazer em ver-nos jogar. É uma equipa onde todos querem jogar e mostram uma enorme alegria em fazê-lo. Cheia de portugueses e de gente nova que já está no Benfica há muitos anos. A minha expectativa é mesmo ver se seremos capazes de segurar todos estes jogadores e consolidar isto, porque se o conseguirmos o futuro será radioso.

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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Controlo

Um jogo marcado pelo controlo quase absoluto do mesmo da parte do Benfica, que geriu confortavelmente a vantagem trazida da primeira mão. A exibição pode não ter sido das mais exuberantes, mas foi claramente suficiente para ganhar este jogo, por isso apesar do nulo final nos servir perfeitamente até acaba por saber a pouco.

 

 

Desta vez não houve tantas alterações no onze em relação ao último jogo, pois foram apenas três: entradas do Florentino, Gedson e Cervi para os lugares do Samaris, Gabriel e Rafa. Conforme escrevi, a palavra chave deste jogo é controlo. Em momento algum este jogo e muito menos a eliminatória pareceu estar em causa. O Benfica teve uma entrada forte no jogo, o Benfica tentou fazer o seu jogo habitual, com pressão alta sobre o adversário mas sem a presença do Gabriel vimos bastantes menos lançamentos longos para as faixas nas costas da defesa adversária. Depois de uma primeira fase mais acelerada foi o próprio Galatasaray que contribuiu para reduzir a ritmo de jogo, parecendo até que não eram eles quem precisava de marcar dois golos. Para a segunda parte, o Benfica regressou decidido a marcar e esteve completamente por cima no jogo, construindo oportunidades suficientes para justificar a vitória, mas o desacerto na finalização foi sempre uma constante ao longo de todo o jogo. O Galatasaray esteve sempre completamente manietado e raramente conseguiu criar ocasiões de perigo ou sequer chegar muito perto da nossa baliza. A única grande ocasião que criaram resultou num golo anulado, e isso foi a cinco minutos do final do jogo. Chegámos mesmo a ver os turcos a adoptar tácticas mais comuns a equipas de menores recursos, aproveitando livres ainda dentro do seu meio campo para despejar a bola para perto da área, porque de outra forma quase não conseguiam fazer a bola lá chegar. A defender a nossa equipa esteve quase exemplar.

 

Mais um bom jogo dos miúdos Ferro e Florentino. Neste momento creio que ninguém terá ainda desconfiança neles por causa de alguma inexperiência, e são simplesmente mais duas opções muito válidas para o onze titular. O Grimaldo também fez um bom jogo, ainda que menos interventivo no ataque do que lhe é habitual (faltaram aqueles lançamentos longos do Gabriel). O Seferovic chegou ao final do jogo absolutamente esgotado, e acho que praticamente se arrastou em campo durante os vinte minutos finais.

 

Missão cumprida e passagem carimbada. Era o que se exigia. Apesar de um onze com vários miúdos (e sete portugueses) a nossa equipa geriu o resultado e a eliminatória como se tivesse imensa experiência em competições europeias. E ao contrário de um passado recente, em que 'gerir' significava cerrar fileiras atrás e entregar a iniciativa ao adversário, a gestão hoje passou sempre por procurar o golo e assim manter o adversário em sentido. Como deve ser.

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

Respeitinho

Não foi uma exibição tão exuberante como a última (também seria muito difícil igualá-la) mas vencemos tranquilamente o Aves e até poderíamos ter voltado a golear caso não jogássemos a última meia hora reduzidos a dez - pelo menos todos os indicadores até à expulsão apontavam para que tal acontecesse. Ms pronto, para sossegar os lesados do dez desta vez resolvemos respeitar o adversário e não marcámos mais golos, tendo até acabado o jogo com com menos um para equilibrar as coisas. É que o respeitinho pelo futebol é muito bonito.

 

 

Nova revolução no onze com o regresso à fórmula que bateu o Nacional por dez golos sem resposta. E nova entrada a todo o gás do Benfica, que se colocou em vantagem ainda não tinham decorrido três minutos de jogo. O golo nasce de um passe do Samaris para as costas da defesa do Aves, onde o inevitável Seferovic matou no peito e depois finalizou fazendo a bola passar sobre o guarda-redes quando este lhe saiu aos pés. Uma finalização com muita calma e classe de um jogador que está cheio de confiança. Desta vez o VAR não se lembrou de ir ver se ele tinha jogado a bola com a mão. Alguma surpresa por ser o Samaris o autor do passe e não o Gabriel, mas nesta primeira parte o Samaris até foi frequentemente mais atrevido no ataque do que o seu parceiro do meio campo. Perante uma equipa que certamente estaria apostada em segurar o nulo, tendo-se apresentado de início com três centrais, nada melhor do que começar a fazer ruir essa estratégia o mais cedo possível. Não é que perante isto o Aves tenha imediatamente arriscado vir para o ataque, mas aposto que pelo menos nos poupou a um festival de antijogo, coisa habitual nas equipas treinadas pelo Inácio sempre que defrontam o Benfica. Já sabemos que este Benfica joga sempre à procura de mais golos mesmo quando está em vantagem. O que é interessante é a forma como o faz, adaptando o modelo de jogo consoante o adversário - o nosso treinador já o tinha afirmado na antevisão a este jogo, e vimos isso mesmo hoje. Por exemplo, perante um esquema de três centrais vimos frequentemente o Rafa a fugir da esquerda e a aparecer na zona central para obrigar os defesas adversários a jogar em 1x1. E acima de tudo, muita mobilidade dos três jogadores da frente para baralhar a organização defensiva do Aves - o João Félix foi tudo menos um avançado fixo, deambulando no espaço entre a defesa e o meio campo. Continuámos muito por cima no jogo e a procurar rapidamente o segundo golo. Mas curiosamente foi num período em que a pressão do Benfica até parecia ter abrandado um pouco, já na fase final da primeira parte, que fizemos o segundo golo. Um bonito golo do Rafa, que dentro da área tirou um adversário da frente e rematou cruzado, depois de uma jogada em que a bola passou pelo Pizzi, Grimaldo e João Félix. Os dois golos de diferença já era uma expressão mais ajustada à superioridade que o Benfica mostrou durante toda a primeira parte. O Aves apenas por uma vez causou perigo, num livre lateral que quase fazia a bola entrar na nossa baliza, tendo-nos valido uma boa intervenção do Vlachodimos - mas nem sequer percebi se o livre foi intencionalmente marcado daquela maneira ou não.

 

 

Se alguém esperava uma entrada mais atrevida do Aves na segunda parte, de forma a conseguir um golo que os recolocasse na discussão do resultado, depressa terá ficado desiludido. Porque na segunda parte só deu Benfica mesmo, numa busca quase incessante pelo terceiro golo. Que esteve muito perto de acontecer em diversas ocasiões, sendo de lamentar o pouco acerto dos nossos jogadores quer na finalização, quer na decisão (optarem pelo remate quando tinham colegas em posição de marcar), quer no último passe. Mas tamanho caudal ofensivo só poderia acabar em mais um golo, que surgiu através de um autor improvável. Depois de uma confusão na área no seguimento de um canto, o Ferro acabou por conseguir enviar a bola para a baliza e deixar-nos a antecipar mais uma goleada. Não por qualquer questão de excesso de confiança ou arrogância, apenas porque parecia ser o desfecho mais lógico para aquilo a que assistíamos no campo. Até porque logo na jogada seguinte só não marcámos mais um porque o Pizzi, em posição privilegiada, não conseguiu acertar com a baliza - isto quando até tinha dois colegas no meio a quem podia ter passado a bola. Só que a seguir a isto o Ferro agarrou o Derley quando ele se ia isolar, e foi justamente expulso. Uma pena sobretudo para ele, porque é um golpe duro num jogador que estava a aproveitar a oportunidade para se afirmar. O Benfica reorganizou-se sem sequer fazer qualquer substituição: o Pizzi passou para o meio, o Samaris recuou para central e o João Félix passou a fechar a direita. Quanto ao resultado, nem deu para ficar preocupado. A jogar com mais uma unidade o Aves conseguiu equilibrar um pouco a posse bola, mas nunca conseguiu ser uma equipa perigosa. Apenas nas bolas paradas despejadas para a área se aproximava da nossa baliza. A confiança na equipa é tanta que até me esquecia facilmente que estávamos a jogar em inferioridade numérica e parecia-me que a qualquer momento o Benfica iria conseguir voltar a marcar - e não esteve assim tão longe de o fazer, pelo João Félix, mas o remate saiu um pouco ao lado. A expulsão terá no entanto condicionado a gestão de esforço que o nosso treinador certamente quereria fazer, já que acabou por guardar as substituições todas para os últimos minutos.

 

 

Tenho dificuldades em escolher quem terá sido o melhor jogador esta noite. Acho que foi mais um jogo sólido da equipa num todo, com cada jogador a fazer aquilo que dele se esperava e a contribuir para uma vitória sem espinhas. Gostei do jogo do Rafa, não só pelo golo que marcou mas também porque está com uma atitude fantástica a defender. Por mais de uma vez o vimos a vir recuperar bolas que ele próprio tinha perdido no ataque, coisa que não era habitual nele. Pena pela expulsão do Ferro, que estava a fazer um jogo cheio de confiança.

 

Missão cumprida e três pontos conquistados que nos deixaram mais folgados no segundo lugar, mantendo a perseguição ao primeiro. Segue-se uma segunda mão da Liga Europa que me parece que será bem mais difícil do que a vitória no primeiro jogo pode fazer crer. Mas confio que o nosso treinador saberá gerir algum eventual excesso de confiança. Para a liga, ficámo-nos pelos três golos para não ofender ninguém e não sermos acusados de estar a faltar ao respeito a quem quer que seja. A última coisa que queremos é ser ultrajar a gente que acusa os nossos adversários de facilitarem contra nós, ou insinua que os nossos jogadores estão dopados. Esses é que são os guardiões do respeito pelo futebol em Portugal.

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publicado por D`Arcy às 00:37
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

Gigantes

Demos um enorme passo na eliminatória ao conseguirmos pela primeira vez na nossa história ganhar um jogo na Turquia. Para muitos dos que olharam para o onze inicial da nossa equipa isto deveria parecer quase impossível mas os nossos 'meninos do Seixal' foram gigantes e deram uma prova de grande carácter, qualidade e confiança, deixando-nos numa situação muito favorável para passarmos à próxima eliminatória. 

 

 

Depois de um jogo praticamente perfeito, no qual conseguimos um resultado histórico, o que é que o nosso treinador resolveu fazer? Trocar seis dos titulares nesse jogo (André Almeida, Grimaldo, Samaris, Gabriel, Rafa e Pizzi) e entrar em campo no inferno turco com seis jogadores da nossa formação (Rúben Dias, Ferro, Yuri Ribeiro, Florentino, Gedson e João Félix). Muitos terão pensado que isto era um risco enorme e quase uma loucura, mas no final o que acabou por ser foi uma enorme demonstração de vitalidade e força da nossa equipa. É que para além do jogo, ganhámos também vários jogadores como opções válidas para o onze. Neste momento todos os jogadores que fazem parte do plantel devem acreditar que podem ser titulares e jogam com a confiança que isso lhes confere. Para além do Yuri, Florentino e Gedson, entraram para a equipa o Corchia, Salvio e Cervi. Se havia algumas dúvidas em relação à capacidade de resposta da equipa, depressa elas se dissiparam. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa, com a equipa a revelar muita calma e atitude, não se submetendo a algum previsível assalto turco nos primeiros minutos. Apesar de não termos sido tão agressivos na pressão como nos últimos jogos, a chave foi uma equipa muito solidária, com grande entreajuda e os jogadores a actuarem sempre muito juntos e a preencherem quase sempre bem todos os espaços. O único ponto mais frágil foi o lado esquerdo, onde o Yuri revelou algumas dificuldades e o Cervi esteve desinspirado, sobretudo no passe. O Galatasaray teve sempre mais bola, mas regra geral não conseguiu criar muito perigo com ela, e era nas bolas paradas que acabava por conseguir ameaçar mais a nossa baliza. Quando recuperávamos a bola, tentávamos como habitualmente sair rapidamente para o ataque em trocas rápidas de bola, ainda que o Salvio revelasse a habitual aversão a jogar simples e libertar-se rapidamente da bola. Ou seja, conseguimos ver o Benfica transformar completamente o seu estilo de jogo para uma atitude de maior contenção, e no entanto a equipa pareceu completamente confortável com isso. Colocámo-nos em vantagem a meio da primeira parte, num penálti marcado pelo Salvio depois de um toque na bola com o braço de um defesa do Galatasaray. E não houve grande dificuldade em segurar esta vantagem até ao intervalo, porque o Galatasaray foi sempre uma equipa sem grandes ideias para ultrapassar a nossa defesa.

 

 

A segunda parte teve o mesmo perfil: o Benfica a adoptar uma postura cautelosa e a entregar a iniciativa de jogo ao Galatasaray, que tentou forçar um pouco mais nos minutos iniciais, conforme seria previsível. Mas continuava a ter grandes dificuldades para criar ocasiões de perigo em jogadas de futebol corrido, sendo mais uma vez nas bolas paradas que ameaçava mais. Infelizmente para nós, conseguiram chegar ao golo do empate relativamente cedo, com apenas nove minutos decorridos. Depois de uma bola parada em que a bola foi aliviada pela lateral, os centrais permaneceram na área e um cruzamento largo para a zona do segundo poste deixou um deles a disputar uma bola aérea com o Yuri, com larga vantagem física para o central turco. De qualquer forma achei que o Yuri foi pouco decidido no ataque à bola, até porque tinha a frente ganha e o central salta-lhe nas costas - provavelmente até conseguiria arrancar uma falta naquele lance se tivesse um pouco mais de experiência. Os turcos animaram com o golo e aceleraram mais o ritmo à procura da vantagem. Sem grandes resultados práticos, diga-se, porque a nossa equipa manteve-se sempre muito calma e organizada. Até porque o Gabriel, que logo nos minutos iniciais substituiu o Salvio (o Gedson passou para a direita) teve mais tendência para cair sobre a esquerda, ajudando a compensar a noite menos inspirada do Yuri e do Cervi. E com o Galatasaray assim balanceado para o ataque, o Benfica desferiu um golpe no jogo que veio a revelar-se fatal. Apenas dez minutos depois do golo do empate, um passe em profundidade do Rúben Dias para as costas da defesa adversária (começa a tornar-se especialista nisto) desmarcou o Seferovic, que ganhou no corpo a corpo com um defesa e depois colocou a bola no ângulo mais distante da baliza, sem qualquer possibilidade de defesa para o guarda-redes. Um bonito golo que, não tenho a menor sombra de dúvidas, em Portugal seria anulado ao Benfica por intervenção do VAR. O Galatasaray acusou mesmo muito este golo. Foi perfeitamente visível o desânimo dos nossos adversários dentro e fora do campo, que apenas por uma vez voltaram a ameaçar seriamente a nossa baliza - sem surpresas, na sequência de mais uma bola parada, a que correspondeu o Vlachodimos com uma excelente defesa. Nos minutos finais a desorganização do Galatasaray era de tal forma que acreditei que poderíamos até chegar a mais um golo, mas faltava-nos um avançado mais fresco na frente porque o Seferovic trabalhou muito e já estava esgotado. Um Rafa nesta fase teria partido aquilo tudo.

 

 

O melhor do Benfica foi o Bruno Lage. Porque num jogo destes mudar mais de meia equipa e apostar em miúdos, com alguns deles a fazer a sua estreia não só nas competições europeias mas também a titulares, requer coragem e acima de tudo, muita confiança. E depois ver esta mesma equipa a jogar de forma tão descomplexada e com tanta personalidade é uma prova da qualidade do trabalho que ele está a fazer. Quanto aos jogadores, e reconhecendo que sou faccioso nisto, o Florentino foi um dos que mais me agradou. Joga simples e depressa, lê bem o jogo e sabe quase sempre o que fazer com a bola. Será com quase toda a certeza um valor seguro da nossa equipa nos próximos anos. Os nossos centrais estiveram bastante bem, incluindo o Ferro, que teve alguns cortes providenciais. Gostei também do Corchia, que depois de não ter tido problemas em alinhar pela equipa B nos últimos jogos para ganhar ritmo mostrou neste jogo que é uma alternativa perfeitamente viável ao André Almeida. Finalmente uma palavra para o Seferovic, que trabalhou até á exaustão e marcou um golo que pode ser decisivo na eliminatória.

 

Cumprida esta tarefa, está na hora de regressar ao futebol português que não nos merece. A confiança é alta por via das últimas exibições e resultados, mas será necessário o máximo de concentração e atitude competitiva para o jogo contra o Aves. Vamos enfrentar uma equipa treinada por uma das personagens mais detestáveis do futebol português, que odeia o Benfica e que seguramente usará de todos os meios para nos travar. E tenho poucas dúvidas que de fora do campo ainda virão umas nomeações cirúrgicas para nos dificultar ainda mais a tarefa. Um ponto é muito pouco e anda por aí muita gente demasiado nervosa.

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publicado por D`Arcy às 00:11
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