Um jogador fez publicamente uma acusação grave sobre o Javi. É um facto e ficou levantada a suspeita. É também um facto que o suposto comportamento do Javi tem um enquadramento legal, tal como o suposto comportamento do outro jogador - o levantar uma suspeita infundada, em particular esta, relacionada com racismo - tem também uma penalização prevista nos termos legais. Haverá, porém, apenas um crime: ou o Javi foi racista ou o outro jogador levantou um falso testemunho. Portanto, sendo certa a existência de um ilícito, por que razão não há uma investigação que limpe o nome de um dos jogadores?
Diz-se por aí que se passaram coisas estranhas no último jogo do Benfica. Eu, para não parecer tendencioso, direi que houve coincidências. Por coincidência, a luz faltou quando o Benfica estava a tomar conta do jogo. Não, isto seria tendencioso. Por coincidência, a luz faltou aproximadamente 30 minutos que, ao que parece, é o tempo máximo de interrupção de um jogo, período após o qual deve ser marcado novo jogo. Mais uns minutos e jogaríamos no dia seguinte à luz do dia, e certamente não se daria a coincidência de o sol se apagar. Por coincidência, apenas os jogadores do Benfica vestiram os casacos para se protegerem do frio na última vez em que a luz faltou. Estando frio, tendo havido duas interrupções, não manda a lógica que se vistam os casacos? Os outros jogadores não vestiram porquê? Uma vez mais, por que razão não houve uma investigação que limpasse o alegado bom nome da instituição em cujo estádio isto se passou? E ainda: por que razão veio a referida instituição defender-se imediatamente de uma queixa que ninguém tinha feito?
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Adenda:
O nuno gomes foi capitão, com justiça, do Benfica durante anos. Marcava golos, batia no peito e beijava o nosso símbolo. Para nós, estes gestos não são gestos inconsequentes, antes vinculam ao clube quem os pratica, porque quem os faz fala-nos ao coração. Não obstante, este mesmo jogador mudou-se para um clube em que ocorrem as coincidências contra o clube cujo símbolo beijou, sendo, passivamente (espero eu), conivente este ano com essas mesmas coincidências. Ainda há quem o queira de volta no Benfica? Eu não!
«Se qualquer outra equipa pode ganhar, porque não a Académica? A ideia é chegarmos lá e demonstramos que temos possibilidades e capacidade para disputar o resultado. Mas qualquer equipa pode ganhar na Luz, como já viram no passado e verão, provavelmente, no futuro». Pedro Emanuel dixit.
Nos 30 jogos da Liga Sagres do ano passado, os jogadores do fcp foram admoestados com 1 cartão vermelho directo e 2 cartões vermelhos por acumulação de amarelos. A cada 900 minutos de jogo, houve, portanto, um jogador expulso. Na Liga Europa, em 17 jogos, os mesmos jogadores viram 2 cartões vermelhos directos e dois cartões vermelhos por acumulação de amarelos, ou seja, precisaram de menos de metade do tempo (383 minutos) para serem expulsos. Apresento estes dados, apenas, por serem verdadeiros (de acordo com o zerozero.pt), e sempre servir a verdade para alguma coisa, e, também, para auxiliar quem se dedique a decifrar enigmas. Quanto a mim, lembrei-me disto porque achei curioso o facto de no jogo da Supertaça europeia a referida equipa ter visto tantos vermelhos directos quantos os que viu ao longo de um ano inteiro na Liga portuguesa. Quase que é caso para dizer que o senhor Björn Kuipers não deve ter gostado da fruta que lhe serviram na época passada. Quase.
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Adenda
Uma segunda curiosidade (por sugestão de alguns leitores): na Liga portuguesa do ano passado, foi expulso um jogador do Benfica a cada 300 minutos de jogo, mas nos jogos europeus, em 1260 minutos de jogo, foi expulso apenas um jogador.
O presidente do principal clube de futebol de Setúbal considerou em entrevista que a sua agremiação pugna pela verdade desportiva, lamentando o facto de o Benfica não o ter feito na Figueira da Foz no domingo passado. Acho que este senhor está a ver mal as coisas, muito mal. Este presidente parece ignorar o facto de os clubes pequenos jogarem com o Benfica sempre para ganhar, e assim ser normal que o Benfica perca e empate jogos. É normal e é desejável que assim seja, que as equipas joguem umas com as outras sempre para ganhar. O que não é normal nem desejável é que essas mesmas equipas pequenas resolvam fazer experiências tácticas arrojadas apenas com determinadas equipas que lutam pelo título, como fez o união de leiria quando visitou o estádio do dragão este ano, que tirou titulares indiscutíveis da equipa; é também pouco normal que determinados jogadores se lesionem sistematicamente antes de jogarem com algumas equipas que lutam pelo título; e é também pouco normal, por exemplo, que o vitória de setúbal, em 2008/2009, no estádio do dragão, com o resultado em 0-0, resolva tirar dois jogadores que estavam a fazer um óptimo jogo - o Bruno Gama e o Leandro Lima, um vindo do fcp e o outro emprestado pelo mesmo clube -, acabando por perder o jogo por duas bolas a zero. Se o presidente do principal clude da cidade de Setúbal pugna pela verdade desportiva, pode começar também questionar estes aspectos. Ou só se pode falar de verdade desportiva em relação aos clubes que lutam para não descer?
Se os pequenos clubes não ajudassem a resolver o campeonato logo desde o início, talvez, havendo campeonato até ao final, houvesse jogadores motivados em todos os jogos. Mas infelizmente não é assim.
Em relação ao desempenho do Benfica contra a naval, creio que não é da sua conta, a não ser que seja benfiquista. Se o Benfica jogou mal ou bem é uma discussão para os adeptos do clube, e é tudo.
As recentes declarações e tomada de posição do líder do marítimo são um bom teste à densidade do lodaçal do futebol português. Muito me espantará se nada acontecer, e prevejo a implosão do clube ou a sua combustão espontânea. Com sorte, talvez se fiquem apenas pela descida de divisão. Porém, se mais clubes abandonarem o compadrio (qualquer que ele seja) e reconhecerem a importância de se limitarem a jogar futebol, teremos um campeonato de que nos orgulharemos. É por causa destas notícias que eu tenho esperança de que o nosso futebol possa respirar, em breve, a liberdade, depois de 25 anos de sistémica deturpação da verdade e atropelo dos mais elementares princípios de ética, de justiça e até de civilidade. E, já agora, espero que haja lucidez para perceber que aquilo que nos acontece quando nos definimos mais pela negatividade dos sentimentos "anti" (tipicamente destrutivos) que pelos desejáveis sentimentos "pró" (tipicamente construtivos) é o nosso próprio mal, motivado pela ausência de um rumo positivo. Mas isto já é mais difícil, são sentimentos demasiado altos para quem apenas rasteja.
Jorge Jesus falou hoje, uma vez mais, sobre o César Peixoto, e espero que tenha ficado clara de uma vez por todas a evidência de que o Peixoto joga mal no Estádio da Luz e, vá, pelo menos, menos mal nos outros estádios por causa dos adeptos. Logicamente, isto aplica-se ao Peixoto como a qualquer outro jogador que seja aplaudido ou assobiado: os golos que o Mantorras marcava sempre quando entrava uns minutos (ou, agora, os do Nuno Gomes) não são alheios ao facto de os adeptos os apoiarem sempre que estes entram e sempre que tocam na bola. Eu já vi os adeptos da Luz contribuírem para um mau jogo do Cristiano Ronaldo com assobios, o que é desejável, agora vejo-os a fazerem o mesmo... ao Peixoto, a um jogador da nossa equipa! Qual é a vantagem? O Peixoto não é "um jogador a menos", como oiço tantas vezes dizer, os adeptos é que minimizam a equipa. Durante esta semana, por ser um conhecido defensor do César Peixoto, tive umas conversas que deram depois origem a umas publicações no Facebook e a trocas de e-mails, que aqui reproduzo a propósito desta referência do Jorge Jesus ao Peixoto.
Não é preciso ser a Maya para adivinhar a melhor forma de combater a crise no próximo ano. A solução é simples: depositar algum dinheiro na Bwin e depois apostar sitematicamente (ou sistemicamente, se preferirem) nas vitórias do fcp nas competições internas. Não sei como é que quem define as odds dos jogos ainda não percebeu, por exemplo, que a probabilidade de o setúbal ganhar no ladrão é nula, ainda que o fcp jogue muito mal e o setúbal muito bem. Prevejo que também dará muito dinheiro apostarem em grandes penalidades a favor do fcp e na vitória desta equipa na final da Taça da Liga e na final da Taça de Portugal. Estou, obviamente, a falar de jogo e de jogos e também de probabilidades, mas, pelo sim pelo não, não sigam o mesmo princípio para os jogos do fcp na Liga Europa, porque, como o próprio treinador do fcp afirmou quando instado a comentar o sorteio desta competição, o sorteio da Liga Europa «é um pouco imprevisível» (gosto da fina ironia deste rapaz). Ao contrário do que diz o oliveirinha num pasquim qualquer, o verdadeiro FMI é a Bwin. Depois não digam que eu não avisei.
O jornal record publica hoje uma notícia com o título "Águia perdeu mais de 90 mil entradas". Basicamente (e utilizo o advérbio em dois sentidos, como perceberão), o que a notícia afirma é que, após o pedido de boicote feito pelo Presidente do Benfica, passaram a ir menos adeptos à Luz e mais adeptos ao jogos fora, ou seja, alegadamente o pedido teve o efeito inverso ao pretendido (aliás, o subtítulo da notícia é «boicote acaba por se verificar na Luz»). É preciso ser muito mal-intencionado ou então trabalhar no record para escrever uma notícia absurda como esta. É importante denunciar este jornalismo de bolso, porque, apesar da sua má qualidade, há muitos adeptos que lêem estes jornais e acreditam no que neles é escrito. Gostemos ou não do boicote proposto pelos órgãos sociais e pelo Presidente, não podemos ficar indiferentes às cretinices e mentiras que são divulgadas acerca do mesmo.
Para se fazer uma comparação entre os espectadores da época passada e da época actual e, a partir desses dados, analisar os efeitos do pedido de boicote aos jogos fora, é necessário estabelecer alguns critérios. Apenas se podem contrastar os 13 jogos disputados até ao momento para o campeonato nacional. Para evitar conclusões erradas, devem ser comparadas não as 13 primeiras jornadas mas os 13 jogos em si, disputados em 2009/2010 e em 2010/2011. Além disso, dado que o boicote apenas foi sugerido após o jogo com o guimarães, os jogos até à 4ª jornada, inclusive, não podem ser contabilizados. Por fim, dado que no ano passado o portimonense e o beira-mar não estavam no mesmo campeonato que o Benfica, não poderemos considerar esses dois jogos também (ambos fora). Posto isto, se não me enganei nas contas, tivemos, nestes jogos, menos 88223 espectadores em casa (o record fala em «quase 92000») e mais 4115 fora (o record fala em «menos 5500»). Estes dados estão patentes no quadro mais abaixo.
|
JOGO |
Data |
Espectadores |
Lugar |
|
Benfica - olhanense 10/11 |
03-12-2010 |
25984 |
2º |
|
Benfica - olhanense 09/10 |
24-04-2010 |
62147 |
1º |
|
|
Diferença |
-36163 |
|
|
Benfica - naval 10/11 |
14-11-2010 |
31143 |
2º |
|
Benfica - naval 09/10 |
09-11-2009 |
41981 |
2º |
|
|
Diferença |
-10838 |
|
|
fcporto - Benfica 10/11 |
07-11-2010 |
49817 |
2º |
|
fcporto - Benfica 09/10 |
02-05-2010 |
44902 |
1º |
|
|
Diferença |
4915 |
|
|
Benfica - paços 10/11 |
29-10-2010 |
29529 |
2º |
|
Benfica - paços 09/10 |
07-03-2010 |
42971 |
1º |
|
|
Diferença |
-13442 |
|
|
Benfica - braga 10/11 |
03-10-2010 |
43317 |
5º |
|
Benfica - braga 09/10 |
27-03-2010 |
63679 |
1º |
|
|
Diferença |
-20362 |
|
|
marítimo - Benfica 10/11 |
25-09-2010 |
4200 |
8º |
|
marítimo - Benfica 09/10 |
17-01-2010 |
5000 |
1º |
|
|
Diferença |
-800 |
|
|
Benfica - scp 10/11 |
19-09-2010 |
51899 |
13º |
|
Benfica - scp 09/10 |
13-04-2010 |
59317 |
1º |
|
|
|
Diferença |
-7418 |
|
|
|
|
|
|
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2009/2010 |
2010/2011 |
Diferença |
|
Jogos fora |
49902 |
54017 |
4115 |
|
Jogos em casa |
270095 |
181872 |
-88223 |
Aparentemente, as contas do record até são mais abonatórias, já que apresentam um saldo negativo de espectadores dos jogos fora (a quem o boicote foi dirigido) de 5500, mas a notícia é profundamente enganosa, falsa e reveladora de uma má-fé de quem tem uma agenda escondida.
Em primeiro lugar, foram os órgãos sociais do clube e não o Presidente a propor o boicote após o jogo com o guimarães. O Presidente apenas se referiu ao boicote algum tempo depois. Ao escrever «o apelo de boicote aos jogos fora da Luz por parte de Vieira aconteceu depois da deslocação a Guimarães», o record enganou os leitores, ao colocar a responsabilidade no Presidente. Mas isto é apenas um pormenor.
O "estudo" do record ignora que não é possível dizer com exactidão que espectadores de um jogo são adeptos do clube A ou do clube B. Não podendo apresentar esses dados, deveria, no mínimo, para ser credível e fidedigno, referir essa atenuante, mas não o faz porque não interessa à agenda. Por exemplo, a assistência registada no jogo com o fcp, que a notícia apresenta como exemplo da "inversão" do boicote, não terá sido influenciada pelo facto de o fcp ter levado mais adeptos ao estádio, já que este ano estava em primeiro lugar e no ano passado estava arredado da luta pelo título? Já que falo neste jogo, por que razão o Record não o isola dos restantes? É que para este o jogo o Benfica pediu bilhetes e a Direcção disse explicitamente que se tratava de uma excepção. Este facto também é válido para os jogos em casa: quantos adeptos é que o braga candidato ao título do ano passado trouxe à Luz e quantos é que o braga deste ano trouxe? O record ludibriou os leitores ao não analisar os factos com rigor, ignorando deliberadamente o carácter excepcional do jogo com o fcp e também o desempenho das equipas adversárias.
O "estudo" do jornal record ignora também que os jogos em comparação, na época passada, foram todos (excepto o da Naval) disputados na segunda metade do campeonato, ou seja, com o Benfica sempre em 1º ou em 2º lugar (com reduzida diferença pontual para o primeiro) à entrada para os jogos, enquanto este ano, nos jogos em análise, o Benfica ocupava o 2º (e com uma diferença pontual significativa para o 1º lugar), o 5º, o 8º ou o 13º lugar, o que evidentemente afastou os adeptos dos jogos. O record induz em erro os leitores ao ignorar em absoluto o contexto em que os jogos são disputados, o que, convenhamos, é significativo. Comparar, por exemplo, o jogo com o olhanense da época passada (já no final, já "cheirava a título") com o desta época, depois de pesadas derrotas no campeonato e na Champions, é profundamente cretino. Tal como é idiota comparar a venda de bilhetes do beira-mar na segunda divisão com a venda de bilhetes do jogo com o Benfica.
Por fim, será que o record foi analisar as assistências dos outros clubes para verificar se não houve uma quebra generalizada, aliás expectável tendo em conta a conjuntura económica actual? Pois, mas isso já era pedir rigor, era pedir o que não há. O record, simplesmente, compara o que não é comparável e tira daí a conclusão que lhe interessa.
Vá, continuem a alimentar esta corja.
Adenda: o uso das maiúsculas e minúsculas nos meus textos faz parte de um acordo ortográfico muito meu.
Para quem não sabe, "serpa" é o nome dado a um queijo de ovelha alentejano, de fabrico artesanal. Como qualquer queijo, o serpa, quando recebe um impulso, rebola. Ora, parece que esta qualidade "rebolante" dos serpas queijos é afinal extensível aos serpas jornalistas. Confesso que estranhei o famigerado apontamento do Vítor Serpa acerca da sugestão de não assistirmos fora de casa aos jogos do Benfica, em que, uma vez mais, lá fomos acusados de arrogância. A este propósito, fui ler o "labaredas", um arremedo de prosa inqualificável que surge do site oficial do fcp, e descobri de onde veio o impulso para este "rebolanço" serpiano: [a propósito da alegada participação de José Manuel Delgado e Fernando Guerra num almoço com outros benfiquistas, em que se discutiu este boicote] «Sabia desta, caro Vítor Serpa? Onde é que fica a isenção jornalística nesta nítida colagem de elementos de A Bola ao Benfica?». Recebido o impulso, o que é que o diligente comportamento tipicamente serpiano faz? Rebola. Em nome da isenção jornalística, e para mostrar ao sistema que A Bola também pode ser sistémica, lá veio a "descolagem" do jornal ao Benfica.
E já que tenho oportunidade de o fazer, gostava de, humildemente, pedir desculpa ao Vítor Serpa por o Benfica ter muitos adeptos e de ter a dimensão que tem. Eu também não gosto de arrogâncias, caro Vítor Serpa, mas gosto ainda menos de serviçais humildes. E, já agora, não acha que ser conivente com quem tanto mal fez e continua a fazer ao futebol português, que é aquilo que, convenhamos, lhe dá o pão para a boca, não é um bocado arrogante? Como se costuma dizer, não será cuspir no prato em que se comeu (e, neste caso, come)?
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