VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Da coragem

Somos merecidamente campeões nacionais pela 33ª vez. Não fazendo o balanço da época, mas apenas do campeonato, importa fazer duas ou três considerações que, pela justiça, não posso esquecer.

Olho para este campeonato como aquele que se conquistou sob o signo da coragem. A coragem de um presidente que, contra quase todos, decidiu pelas suas convicções e não pelas encomendas externas e internas manter um treinador que se ficara pelo “quase” na época anterior. Ter a coragem de saber que uma convicção não é uma teimosia é um mérito. Ter a capacidade de não “emprenhar pelos ouvidos” (peço desculpa pelo plebeísmo, mas não estamos em tempos de floreados linguísticos) numa terra de alcoviteiras é um acto de coragem. Luís Filipe Vieira teve esse mérito. Jorge Jesus teve, além da coragem de enfrentar de peito feito as facas que já não lhe eram apenas espetadas nas costas, o talento de conseguir impor, pela qualidade, uma ideia de jogo, uma metodologia de treino e um conceito de futebol. Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus vivem e não precisam de se colocar em bicos de pés para que se saiba que vivem. Outros há que, ou porque “já foram algo” ou porque “aspiram a ser algo” no mundo do Benfica, fazem prova de vida nos momentos em que as coisas não correm bem. Note-se que não falo dos que exercem a crítica desinteressada, genuína, justificada e apaixonada. Essa crítica é essencial no nosso Benfica. Falo dos que ao sabor dos resultados, dos interesses pessoais ou das passageiras tendências de opinião surgem, sempre e apenas nos momentos de ausência de vitória, a cavalgar a derrota, para que, como anões de salto alto, a multidão benfiquista se lembre da existência deles.

Nesta diferença entre a convicção e o interesse, a crítica genuína e o ‘bota-abaixismo’, vai a diferença entre a coragem e a cobardia. Esta vitória no campeonato deve-se à coragem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril, para publicação na edição de 25/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

publicado por Pedro F. Ferreira às 12:12
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Da arte

Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.

Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação.

Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica. Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Abril, para publicação na edição de 11/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 12:30
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

As boas-vindas

Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira. Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril, para publicação na edição de 04/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 18:34
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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

O Destino não nos dá tréguas

Quando, após aquele final de época 2012/13 em que do tudo nos restou o nada, a Direcção do Benfica renovou com Jorge Jesus, eles, os especialistas, garantiram que se acabara de perder o actual campeonato. Nós, que vivemos o benfiquismo, não acreditámos. O mesmo aconteceu quando Cardozo ficou no plantel e tantos peroravam como isso seria fatal para a época corrente. Com a derrota na primeira jornada, acentuou-se a ladainha do apocalipse. À terceira jornada e com apenas uma vitória, eles, os especialistas, já nos tinham feito a extrema-unção e encomendado a alma. Quando estivemos a cinco pontos do primeiro lugar (à época ocupado pelo FCP da estrutura perfeita) aconselharam-nos a começar a preparar a nova época. Os empates caseiros com Arouca e Belenenses fizeram com que os especialistas garantissem a infalibilidade das suas teses. A suspensão de Jorge Jesus por um mês deu aos especialistas permanentes e aos abutres de ocasião a oportunidade para fazer sangue, acertar contas antigas com o treinador e garantir a falência desportiva da época. Mais tarde, foi a lesão de Cardozo a dar-lhes o alento para agoirarem (vindo dos especialistas, até os agoiros são científicos) a época. Atendendo a que a realidade sempre se encarregou de desmentir os seus desejos disfarçados de opiniões, esperaram pela saída de Matic para garantir que isso é que faria com que deixássemos de contar para a vitória no campeonato. Sempre que eles, os especialistas, garantiram que tínhamos o campeonato perdido, nós, os que vivemos o benfiquismo, não acreditámos e continuámos, com os nossos, a lutar. Agora, porque faltam seis jornadas e temos sete pontos de avanço para o segundo classificado e doze para o terceiro (o FCP da estrutura perfeita), eles, os especialistas, querem convencer-nos de que temos o campeonato ganho. E nós, os que vivemos o benfiquismo, continuamos a não acreditar neles, pois sabemos que em Portugal só há um clube que ganha de véspera e nós, Benfica, não ganhamos nem perdemos de véspera. Lutamos sempre para construir permanentemente um destino que não nos dá tréguas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Março, para publicação na edição de 28/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Um olival de eucaliptos

Os dirigentes dos clubes profissionais reúnem em consílio com o intuito de “reformar” o futebol português. Aglomeram-se em torno de um poder bafiento, com métodos camorristas, e, no final, enviam um moço de recados anunciar ‘urbi et orbi’ que querem fazer um “25 de Abril” no futebol. Ou seja, pudemos todos observar gente que se aproveita da liberdade conquistada para escarrar na democracia e, em nome dela, anunciar uma revolução que pretende perpetuar no poder os que atiraram o nome do futebol português para o anedotário em que se encontra. Os dirigentes do Benfica, Sporting e Marítimo afastaram-se daquilo. Garantidamente, nesse momento, os adeptos destes três clubes sentiram orgulho nos seus dirigentes. Pois, ao contrário do que alguns pensam, a maioria dos adeptos não se revê neste futebol que mais parece um olival feito de oliveiras com raízes de eucalipto, das que secam tudo em seu torno. Ao quererem atirar para o poder mais um títere do olival, pretendem garantir que o bolo dos direitos televisivos se mantenha nas mãos que distribuem migalhas aos serviçais que lhe sustentam a negociata. A falência moral do futebol português tem rostos e nomes que se preparam para deixar herança. Disfarçado numa espécie de manto de vitalidade esconde-se o fervilhar de podridão de um pântano estagnado há três décadas e em que aforismos de falência moral como “o que hoje é verdade amanhã é mentira” são publicamente assumidos e vividos entre gargalhadas boçais, fina ironia e charutos mamados (como escrevia o Eça) em prostíbulos e lupanares sobejamente conhecidos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Março, para publicação na edição de 14/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 15:23
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Sexta-feira, 7 de Março de 2014

Águas, Coluna e Eusébio

José Águas, Eusébio e Coluna são os três nomes mais míticos da minha “educação” benfiquista. Nascido no início dos anos setenta, ouvi vezes sem fim a narração dos grandes feitos do Benfica da década de sessenta. Os mais velhos da família passavam testemunho das grandes finais europeias, das conquistas, das jogadas, das goleadas… e na voz dos narradores, nascia a epicidade dos heróis. De entre todos, aquela “santíssima trindade” sobressaía. Os golos, a elegância, o jogo aéreo e a eficácia do Águas, o grande capitão das finais conquistadas; a excelência superior do “Rei”, do maior de todos, o Eusébio; e a força, o pulmão, a inteligência, a determinação e a liderança do Coluna. Estes três eram míticos para a História do Benfica e heroicos no imaginário de quem, sem nunca ter tido o privilégio de os ver jogar ao vivo, cria uma imagem sonhada e, como tal, mais vincada e duradoura. Aconteceu comigo e com milhões de outros benfiquistas que cresceram no benfiquismo, tendo como referência homens que julgamos eternos na medida em que se eternizam no nosso imaginário colectivo. Com o falecimento do Senhor Mário Coluna, deixámos de ter o último representante da tal trindade que, sendo maiores entre os maiores, percebiam que eram pequenos perante o Benfica. Repito que não vi o Coluna jogar, mas vi-o, ao vivo, ajoelhar, com humildade e agradecimento, perante a Águia de Ouro que o Benfica lhe ofereceu como reconhecimento do seu papel cimeiro na história do Clube. Ali, naquele momento, estava mais uma, a derradeira, lição de liderança e benfiquismo que o Senhor Coluna nos deu: ensinou-nos a ser humildes na gratidão ao Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março, para publicação na edição de 07/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 08:51
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

As fugas e os ratos

No dia 2 de Dezembro de 2004, um conhecido dirigente de um clube estava em terras galegas, no “Parador de Tui”. Nesse mesmo dia, pelas 7 da manhã, a Polícia Judiciária fazia uma busca à casa desse dirigente, para o deter e conduzir ao tribunal. A coincidência da ausência fez com que se abrisse uma investigação. Da investigação, formou-se, por parte dos investigadores, a convicção de que houvera uma fuga de informação, da qual resultou a fuga do referido dirigente para a Galiza. Passados uns meses, a questão das fugas foi arquivada por impossibilidade de provar quem fora o homem que provocara a fuga de informação. Mais tarde, e segundo noticiava o jornal “Expresso”, em Junho de 2007, os inspectores que realizaram a investigação consideravam que "Quanto à(s) pessoa(s) que possam ter perpetrado tal ilícito, deixam-nos tão mais decepcionados quanto o seu universo é o mesmo em que exercemos o nosso ministério, o da realização da Justiça".

 

No dia 23 de Fevereiro de 2014, um conhecido dirigente de um clube estava à porta da garagem de um estádio a falar para a comunicação social, no intervalo de uma aparente ameaça a um jornalista e da suposta recusa em acatar uma decisão policial (coisas que, a julgar pela falta de repercussão na comunicação social, devem ser banais e costumeiras lá por aquelas bandas). No solilóquio comunicacional a que se propusera, o dito dirigente garantia que “só os ratos é que fogem”.  Desta consideração pouco abonatória para com a bicheza vil e roedora depreende-se que este dirigente estaria a ofender de forma incisiva e garantidamente injusta o outro dirigente de quem se diz ter fugido para a Galiza. Ora, em defesa do bom nome do suposto fugitivo de 2004, aguarda-se um pedido de desculpas por parte deste dirigente que agora acusa o outro de ser um rato.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Fevereiro, para publicação na edição de 28/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 10:10
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

Os túneis da justiça

A Justiça (que não desportiva) condenou os futebolistas Hulk, Sapunaru, Cristian Rodriguez, Helton e Fucile por agressão a ‘stewards’, no túnel do Estádio da Luz, no dia 8 de Dezembro de 2009. A condenação surge em Fevereiro de 2014. Pelo caminho ficou o interessante acórdão em que se equiparou os ‘stewards’ a espectadores e ficou o papel desempenhado por um conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça nesse acórdão que ditou a redução dos castigos a Hulk e Sapunaru Este tipo de elaboração diz-nos mais sobre o papel desempenhado por certos juízes no mundo do futebol do que sobre o papel dos ‘stewards’. Olhemos para o papel que desempenhou um conhecido juiz, que foi presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, aquando das alegadas conversas com o famigerado árbitro Carlos Calheiros. Edificante foi também o papel de um outro conhecido juiz a pedir, segundo decorre das escutas do caso “Apito Dourado”, dois bilhetes para um jogo internacional do seu clube (alegadamente é Dragão de Ouro). Num outro âmbito, mas igualmente interessante e importante, foi o papel do Juiz António Mortágua no mundo da justiça desportiva portuguesa. Oiça-se, a este respeito, as escutas decorrentes do “Processo Apito Dourado”. Olhando para os protagonistas percebemos as decisões tomadas pelo mundo da Justiça Desportiva. Como manda a Lei e a Ordem, acatámos essas decisões como legítimas e expectáveis. Quatro anos depois da Justiça Desportiva ter deliberado como deliberou relativamente ao caso das agressões no túnel da Luz, a Justiça (que não desportiva) deliberou de forma bastante diferente. É o mesmo Portugal, todos são igualmente juízes e todos eles são julgados pela opinião pública quando julgam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Fevereiro, para publicação na edição de 21/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 15:57
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Os especializados em tudo

Foi com surpresa que observei que os opinadores profissionais que pululam pelos órgãos de comunicação a perorar sobre futebol são todos, mas mesmo todos, especialistas em tudo. Já os vira exercer a especialidade de limpadores solícitos da corrupção e abrilhantadores de corruptores. Por vezes, aquando da apresentação dos relatórios e contas dos clubes, mostram-se especialistas em finanças, gestão, contabilidade e administração de sociedades desportivas e conhecimento empírico de gestão de mercearias de bairro. Durante os períodos de aquecimento das equipas, é ouvi-los como sumidades em fisiologia do treino desportivo e da pedagogia do desporto, enquanto momento de exercitação da especulação jornalística. Aquando das lesões de atletas, são sempre os mais habilitados a diagnosticar problemas, sugerir terapias e garantir a incompetência dos departamentos médicos dos clubes. Nesta semana que passou, vimo-los exercer a ‘supinidade’ excelsa de demonstrarem ao comum mortal a sua sapiência em estruturas metálicas e coberturas de bancadas de estádios. Eles demonstraram que tudo sabem sobre corrosão galvânica, corrosão uniforme, corrosão atmosférica, reacções electroquimícas (anódica e catódica) e tensões residuais. Teorizaram com autoridade académica sobre porcas, arruelas, rebites e parafusos. Eles, do alto da sua infalibilidade de especialistas em generalidades banais, chegam a passar atestados de incompetência aos aventureiros que sendo especialistas em segurança e protecção civil vêm para a televisão falar de… segurança e protecção civil. Eles só não sabem como e quando usar o verbo “evacuar”, o que fez com que evacuassem imbecilidades sempre que falaram da evacuação e segurança do Estádio da Luz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro, para publicação na edição de 14/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 10:39
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Os insubstituíveis

O futebolista Matic deixou o Benfica e foi para o Chelsea receber um ordenado chorudo e fora das possibilidades de qualquer clube português. O Benfica recebeu por esta venda um valor bem significativo, ainda que aquém das expectativas criadas. Objectivamente, no plano desportivo, o Benfica deixou partir um dos seus futebolistas mais importantes. Isto é um problema e, para o ultrapassar, há que arranjar uma solução. Há no Benfica quem já nos tenha dado provas de que as soluções existem e são implementadas. É, também, para encontrar soluções que muitos dos profissionais do futebol do Benfica recebem ordenados chorudos e fora das possibilidades do cidadão comum. As saídas de Witsel e Javi Garcia foram lidas como apocalípticas até que Enzo e… Matic demonstraram ser soluções com claras mais-valias desportivas relativamente aos que haviam saído. O mesmo já acontecera com David Luís e Garay e, anteriormente e com outros contornos, na substituição de Ramires por Sálvio ou, ainda que mais demorada, a de Simão por Di Maria. Em todos estes casos se gritou pelo apocalipse e se carpiram antecipadamente profecias de desgraças futuras. É natural, faz parte de uma ‘voluptas dolendi’, um comprazimento na dor, que enforma e enferma a alma lusitana. Recordo que as deserções de Pacheco e Paulo Sousa também levaram a que se antecipasse o pior, mas que foi sem eles, e também a eles, que ganhámos por 3-6, em Alvalade. Aliás, desde que vi o Dito e o Rui Águas saírem para o FCP e substituídos pelo Ricardo (o melhor central que vi no Benfica, depois do Humberto) e pelo Vata (que acabou como melhor marcador do campeonato), percebi que no futebol só a bola é insubstituível. Haja optimismo nos adeptos e competência nos profissionais para, mais uma vez, se substituir o “insubstituível”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Janeiro, para publicação na edição de 31/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

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publicado por Pedro F. Ferreira às 08:49
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